Killer

37 Reunião Sombria


Notas iniciais
Olá, Eu tinha excluído todas as minha fanfics e dito a mim mesma que não escreveria mais, maaaas... vocês sabem a definição de vício? kkkk Eu realmente não consigo parar de escrever, galera. É algo mais forte do que eu, então aqui estou eu, de volta ao Nyah, escrevendo. Não sei se ainda tem alguém acompanhando a história, mas se tiver, espero que goste do capítulo. Boa leitura.

[Bryan P.O.V.]

Eu não confiava em Lúcifer. Sabia que, mesmo assegurando-me que sua intenção não era roubar o conhecimento da Árvore da Vida, mais cedo ou mais tarde, ele daria um jeito de trair sua palavra e roubá-lo, mas não ajuda-lo em sua empreitada poderia me custar mais caro que sua traição.

Por mais maquiavélico que Lúcifer fosse, eu sabia que, ficando ao lado dele, Loren e Jonah estariam protegidos em Veneza, ao contrário do que aconteceria caso eu decidisse não ajuda-lo e Miguel descobrisse o paradeiro dos dois. O Príncipe dos Anjos com certeza os mataria e não haveria muita coisa que eu pudesse fazer para protege-los ou para impedir que Miguel tivesse acesso ao poder e conhecimento da Árvore, mas com Lúcifer ao meu lado, haveria uma chance de detê-lo e, talvez, de impedir que o próprio Pai da Mentira tomasse esse poder para si.

Sim. Eu pensaria em uma maneira de manter a Árvore da Vida longe das mãos de Lúcifer depois que tudo isso terminasse, mas, por enquanto, tinha que continuar com o plano original e ajuda-lo.

– Tudo bem. – concordei – Eu permanecerei com você e o ajudarei com seu plano, mas se você sequer pensar em me trair – retirei o punhal negro de suas mãos e o apontei para sua garganta –, farei com que a sua cabeça e a de Miguel repousem, lado a lado, em uma bandeja.

– Eu já disse que não irei traí-lo. – Lúcifer afastou o punhal de seu pescoço e o pegou de volta – Também já disse que você deveria parar de me ameaçar a cada cinco minutos. Agora, vamos. Preciso apresenta-lo aos Lordes.

Esperei enquanto Lúcifer guardava o punhal de volta na urna e, depois, o acompanhei para fora de sua prisão rochosa, até chegarmos a uma parte do Nono Círculo que mais parecia uma versão acinzentada e sombria do Grand Canyon, com um rio de águas profundas e avermelhadas serpenteando em seu interior.

Assim que nos acomodamos no topo de uma das formações rochosas daquele vale, Lúcifer ergueu a manga do sobretudo negro que usava e tocou o desenho da serpente que havia em seu braço, recitando algumas palavras em voz baixa.

Eu não compreendi o que ele dizia, mas instantaneamente senti a marca da serpente em meu próprio braço começar a arder, como se estivesse em chamas e, um segundo depois, vária sombras negras surgiram sobre nossas cabeças, rodopiando ao nosso redor até se acomodarem sobre os topos das rochas à nossa volta e, vagarosamente, começarem a se moldar, tomando a forma de sete corpos humanos. Ou, pelo menos, uma parte deles parecia humana. A outra, parecia mais híbridos de humanos com vários animais como bodes, serpentes e outras coisas.

– Caros irmãos – Lúcifer disse com formalidade exagerada –, obrigado por atenderem ao meu chamado com tamanha presteza e por se juntarem a mim neste dia glorioso. Espero não tê-los retirado de nenhuma tarefa importante.

Ele correu os olhos pelo círculo de demônios ao nosso redor e esperou até que todos acenassem com a cabeça confirmando que tinham ouvido e dando-lhe permissão para prosseguir. A sua direita eu podia ver Lilith, com seus cabelos ruivos revoltosos e uma expressão séria e concentrada pairando em seu rosto. Ela era a única que eu conhecia naquele grupo e também parecia ser a menos ameaçadora dentre eles, mas para ser considerada uma espécie de imperatriz no inferno, eu sabia que ela deveria ser tão ou até mais perigosa que qualquer um deles.

– Caros, irmãos – Lúcifer prosseguiu e eu retirei os meus olhos de Lilith para poder me concentrar nele –, vocês estão a par dos últimos acontecimentos, desde minha libertação deste círculo até o meu recente encontro com Gabriel, no Monte Sinai. O Anjo da Profecia me revelou muitos segredos naquela breve ocasião, por isso, tenho motivos para crer que Miguel está em uma campanha para encontrar uma forma de acessar o poder e conhecimento da Árvore da Vida, no Éden, e toma-lo para si.

– Gabriel revelou alguma informação sobre os avanços d’O Grande Príncipe em sua causa? – perguntou o demônio ao lado de Lilith.

Ele parecia ter cerca de dois metros de altura, mas aparentava ser maior devido a seu torso longo e esguio e às enormes asas de morcego em suas costas. Seu cabelo era longo e negro, assim como o de Lúcifer, mas sua pele era ainda mais pálida que a dele e seus olhos possuiam íris acobreadas destacadas pelas escleróticas negras. Suas mãos e antebraços, assim como a parte inferior de seu corpo, eram exatamente iguais aos membros de um morcego, cobertos de pelos negros que terminavam em garras longas e afiadas. Era uma criatura grotesca, mas nem de longe era a pior das criaturas presentes ali.

– Não, Astaroth. – Lúcifer respondeu, solene – Infelizmente Gabriel não me revelou qualquer informação a respeito de um possível avanço de Miguel, mas creio que se quisermos nos proteger e assegurar nossa sobrevivência temos que começar a agir antes que ele dê o primeiro passo.

– Lúcifer tem razão. – concordou outro demônio que, ao contrário do primeiro, possuía olhos e cabelos longos e prateados, pele negra e um corpo tão alto quanto o de Miguel, porém envolto em músculos e cicatrizes – Se o Príncipe dos Anjos planeja usurpar o poder de Deus, temos que intercepta-lo e tomar esse poder para o nosso lado antes que ele o use contra nós.

– Sábias palavras, Andras. – disse o demônio de pé ao meu lado – Exatamente como esperado de um saudoso Lorde da Guerra, mas... meu senhor – ele olhou brevemente para Lúcifer e depois se voltou para mim, analisando-me com visível desprezo –, o que esse verme faz entre nós?

Todos os olhos se voltaram para Lúcifer, mas os meus permaneceram cravados no demônio ao meu lado, cujos cabelos eram raspados nos dois lados da cabeça, deixando a única mecha restante presa em um rabo de cavalo alto e cuja parte inferior do torso era igual a de um escorpião, possuindo três pares de patas, duas pinças e um longo ferrão.

– Mammon, Azrael será uma peça fundamental em nossa empreitada. Sua presença e seu conhecimento são de grande importância para a nossa causa e é exatamente por isso que ele está aqui hoje. – disse Lúcifer – Temos muito a aprender com ele.

– Mas Milorde – Mammon voltou a se pronunciar –, esse Anjo era o Primeiro Capitão de Miguel. Ele foi leal ao Grande Príncipe por milênios, inclusive recusando-se a se unir ao senhor durante a Grande Revolta. Como podemos confiar nele agora? Quem sabe se isso não é apenas um plano do Grande Príncipe para penetrar nossas barreiras e enfraquecer nossa aliança?

– Asseguro-lhe que eu não possuo mais qualquer tipo de relação com Miguel, Mammon. Já faz muitos milênios que eu não sou o seu Primeiro Capitão e, agora, eu tão pouco posso ser chamado de Anjo já que, como todos sabem, eu fui banido do Paraíso, há três dias, pelo próprio Miguel. – expliquei – Minha lealdade para com ele está terminada. Agora, estou totalmente ao dispor dessa causa.

– Bem, essas são as palavras que saem da sua boca, Azrael, mas não é assim tão simples estar totalmente a dispor dessa causa. Ser um membro deste grupo requer comprometimento e sacrifício.

– Posso garantir que estou totalmente comprometido com os objetivos de todos neste grupo. – respondi – E, quanto ao sacrifício, eu também posso garantir que não teria qualquer problema em sacrificar você.

– Insolente!

– Basta! – Lúcifer interveio, postando-se no centro do círculo – Azrael é um de nós agora, Mammon. Trate-o como tal. E isso vale para todos vocês. – ele correu os olhos por todos ali e apontou para cada um dos presentes – Miguel tem uma legião de Anjos ao seu redor que dariam suas vidas por ele e uns pelos outros. É esse tipo de união que sempre o levou a vitória e, se quisermos superá-lo, teremos de ser tão unidos quanto eles. Portanto, deixem suas discórdias de lado.

– Sim, Milorde. – Mammon concordou com ele, mas ainda me olhou feio uma última vez antes de me virar a cara e voltar sua total atenção para Lúcifer.

– Já que estamos de acordo – Lúcifer prosseguiu –, gostaria, antes de qualquer coisa, de apresentar Azrael a vocês. Creio que todos já o conheçam e saibam quem ele é, afinal, sua reputação o precede, mas acredito que ele ainda não conheça vocês, então gostaria de apresenta-los agora.

Todos os rostos no círculo se voltaram para mim, inclusive o de Mammon que continuava a me olhar com desprezo e eu me senti imediatamente desconfortável por ser o centro das atenções de todos ali, mas me mantive firme em meu lugar.

– Azrael – Lúcifer caminhou até o meu lado e depositou uma mão em meu ombro –, como eu já expliquei a você, estes são os meus Lordes, também conhecidos como os Sete Príncipes do Inferno. Eles são responsáveis por governar este reino ao meu lado e cada um deles comanda um dos Círculos. – Lúcifer explicou – Você já conheceu Lilith, nossa imperatriz. Ela é responsável pelo Terceiro Círculo, o Círculo da Luxúria, e também comanda a legião das súcubos e dos íncubos.

Lilith deu um passo a frente e fez uma pequena reverência, a qual retribuí com um leve aceno de cabeça e, então, voltou ao seu lugar.

– Ao lado de Lilith temos Astaroth. – Lúcifer apontou para o demônio alto e pálido que parecia ser um híbrido de morcego – Ele é responsável pelo Segundo Círculo, o Círculo da Vaidade.

Astaroth fez uma reverência abrangente, altiva e cheia de floreios e, assim como fiz com Lilith, apenas acenei de volta.

– O Lorde ao lado de Astaroth se chama Leviatã. – Lúcifer estendeu a mão para uma criatura que tinha forma humana, mas cujo corpo era inteiramente coberto por escamas negras e cujas presas eram longas e afiadas como as de uma serpente – Leviatã é responsável pelo Quarto Círculo, o Círculo da Inveja e, apesar de não falar muito, têm sido um aliado muito leal.

Acenei com a cabeça para Leviatã e ele acenou de volta.

– Ao seu lado temos Belzebu. – Lúcifer indicou uma criatura horrenda que não tinha apenas uma, mas duas cabeças de bode e cujo torso era igual ao de um ser humano, mas cujas pernas eram iguais a patas de bode negras – Belzebu também é conhecido como o Senhor das Moscas e é o responsável pelo Quinto Círculo, o Círculo da Gula, além de ser o Lorde que responde por tudo aqui em minha ausência.

– É uma honra tê-lo conosco, Azrael. – Belzebu se pronunciou e fiquei surpreso ao descobrir que cada uma de suas cabeças possuía uma voz que, juntas, davam a impressão de que havia duas pessoas falando em uníssono.

– Igualmente. – respondi tentando não olhar para ele com uma expressão de nojo.

Lúcifer, então, se voltou para o demônio ao meu lado.

– Bem, você já teve a oportunidade de falar com Mammon. – disse ele e tanto eu quanto Mammon fizemos questão de ignorar a existência um do outro – Mammon é o Lorde do Sexto Círculo, o Círculo da Avareza, e também possui muitas legiões sob o seu comando.

– Meus soldados sempre me asseguram a vitória sobre os meus inimigos. – Mammon evidenciou, mais como uma espécie de aviso que como um simples comentário – Eles são os meus olhos pelo mundo. Nada se passa sem que eu tenha conhecimento.

– Incrível. – respondi sem qualquer entusiasmo e Lúcifer se apressou em me apresentar o próximo Lorde.

– Este é Andras. – ele apontou para o demônio de cabelos longos e prateados à minha direita – Andras é o responsável pelo Sétimo Círculo, o Círculo da Ira e Violência e também é o nosso Lorde da Guerra, sendo o responsável por todas as nossa inquisições. Ele possui várias legiões sob seu comando e é a pessoa para qual todos os nossos soldados se reportam. Será com ele que você irá trabalhar na maior parte do tempo.

– Com o Primeiro Capitão de Miguel, você será um grande acréscimo às nossas forças. – Andras me cumprimentou com uma leve reverência – Espero que possamos fazer um grande trabalho juntos, Azrael.

– Eu também. – menti.

Na verdade, eu esperava que nós pudéssemos fazer um grande trabalho em deter Miguel e livrar o mundo de sua tirania, mas o prazer pelo trabalho em conjunto acabava ali. Eu não queria estar por dentro de mais nada do que Lúcifer estivesse planejando.

– Por último e não menos importante temos Belfegor. – Lúcifer pressionou meu ombro voltando-me para o demônio ao lado de Andras, uma criatura gorda, que parecia ser um híbrido de ser humano com um burro e que possuía unhas negras e fétidas e um rabo longo e peludo – Belfegor é o Lorde do Oitavo Círculo, o Círculo da Preguiça e também é o nosso mestre de armas, responsável pela criação de nossos melhores aparelhos de destruição e tortura.

Olhei para Lúcifer que estava sorrindo com visível orgulho para Belfegor e senti meu estômago embrulhar.

Quando O Criador nos deu a vida, Ele provavelmente não imaginava que Lúcifer se tornaria uma criatura tão cruel e nefasta quanto se tornou. Lúcifer era o anjo mais belo da Criação, nossa estrela da manhã, e agora estava tão envolto em trevas que eu quase não o reconhecia.

Era fato que, depois de todos os acontecimentos, o mundo precisava se ver livre de Miguel e de sua tirania, mas agora, acima de qualquer coisa, eu também achava o mundo precisava se ver livre de Lúcifer. Não apenas trancafiá-lo em uma prisão, como Miguel havia feito, mas realmente colocar um fim a sua existência maléfica e, quando nossa aliança terminasse, eu mesmo me encarregaria de cumprir essa tarefa.

Acenei brevemente para Belfegor e com um aceno ainda mais breve, que quase não foi perceptível, ele retribuiu ao cumprimento.

– Muito bem, agora que todos já foram apresentados, gostaria que pudéssemos discutir nossos planos para conter os avanços de Miguel. – Lúcifer se voltou para mim e se inclinou em minha direção abaixando o tom de voz – Você irá com Andras, para o Sétimo Círculo. – recomendou – Como esteve ao lado de Miguel durante todos esses anos, você poderá colocá-lo a par de todas as forças e fraquezas do Grande Príncipe e poderá ajudá-lo na criação de táticas que nos favoreçam durante essa batalha.

– Miguel não tem fraquezas. – sussurrei de volta – Você já deveria saber disso.

Lúcifer abriu um sorrisinho.

– Todos têm uma fraqueza, Azrael. Se procurar bastante, sei que encontrará a fraqueza de Miguel, assim como ele encontrou a sua. – ele se aproximou um pouco mais – Não se esqueça que a segurança da Loren e do Jonah depende disso.

Ele se afastou, sem desviar os olhos dos meus e senti uma forte necessidade de cerrar os punhos para conter minha fúria, mas não me movi. Eu já havia demonstrado a Lúcifer mais fraquezas do que gostaria e deixa-lo saber que seus alertas – que, para mim, também podiam ser traduzidos como ameaças veladas – me causavam qualquer desconforto, não era a atitude mais inteligente que eu poderia ter naquele momento.

Assenti, retirando meus olhos dos dele e olhei ao redor, para todos os Lordes ali reunidos, tentando traçar seus perfis.

Todos eles pareciam macabros e agourentos, dentre os quais Mammon me parecia ser o mais perigoso. Não porque ele fosse o mais forte ou mais influente dos Lordes, mas porque fazia com que eu me lembrasse muito de Sarakiel. Estava claro, para mim, que Mammon via minha presença como uma ameaça e que já havia me colocado no topo da lista de inimigos. Lúcifer podia querer que todos nós nos uníssemos e trabalhássemos em harmonia, mas eu não via qualquer harmonia ali. Estávamos cercados por cobras, todas dispostos a destruir tudo e qualquer coisa que se colocasse em seu caminho e, talvez Lúcifer não soubesse ou não se importasse, mas uma dessas coisas no caminho era ele próprio.

Havia uma hierarquia no inferno, mas eu podia sentir que muita gente ali queria quebra-la.

– Está pronto para ir? – Andras pousou a mão em meu ombro e me virei para encará-lo, desfazendo-me de meus pensamentos.

– Mostre o caminho. – disse.

Ele assentiu e rapidamente voltou a se transformar na fumaça negra que tinha sido ao chegar ali, mas não tive muito tempo para me surpreender com aquilo, pois logo o meu próprio corpo também começou a se transformar em fumaça pegando-me de surpresa.

– Primeiro conselho, Azrael. – ouvi a voz de Andras ecoar em meio à escuridão – Em uma guerra, tempo é a sua melhor arma, então, vamos poupar algum evitando a longa caminhada.

Rapidamente, a fumaça negra nos engoliu por completo e a última coisa que vi antes de chegarmos ao Sétimo Círculo do Inferno, do qual Andras era o responsável, foi os olhos dourados de Lilith encarando-me como se guardassem um segredo que eu ainda desconhecia.

Notas finais
Bem, pessoinhas, espero que tenham gostado do capítulo, que foi mais para vocês conhecerem as criaturas com as quais o Bryan terá de lidar nessa jornada. Para nível de esclarecimento, os sete príncipes do inferno não são exatamente estes e vocês podem pesquisar caso tenham a curiosidade de saber quais são eles, mas por experiência própria, evitem fazer essa pesquisa em locais públicos kkkk Sério, eu tive que pesquisar muito sobre demonologia e etc para criar os Lordes e as coisas descritas nesse capítulo e sempre que alguém me via pesquisando isso me olhava estranho, quase como se estivesse pensando em me exorcizar, ou sei lá. Infelizmente, esses são ócios do oficio, né? ^^' Obrigada por acompanharem a história e agradeço à Cris pela recomendação super legal que ela fez da Killer *-* Beijos e até o próximo capítulo, onde vamos saltar um pouco no tempo.