Killer
5 Reflexos do Inferno
Notas iniciais
[Loren P.O.V.]
Angels House estava agitada aquela noite. Uma trilha de luzes azuis iluminava o caminho até a fazenda, que estava cheia de pessoas com as mais diversas fantasias.
– Melhore essa cara, Loren. Parece até que vai a um enterro e não a uma festa. – Jess reclamou enquanto ajeitava seu sutiã de coco.
– Tem muita gente aí. – choraminguei.
– Claro que tem muita gente. É uma festa. – Norah disse, me olhando através do retrovisor.
Senti Pietro segurar minha mão.
– Não se preocupe, Loren. Com essa máscara ninguém vai reconhecer você. – ele me consolou – E, em todo caso, estarei por perto se precisar.
Apertei a mão de Pietro e abri um pequeno sorriso. Tentaria me manter tranquila em relação à festa e me divertir, era isso que havia planejado quando saí de casa afinal.
Norah estacionou o Jeep e seguimos para a grande casa onde a festa acontecia, passando por alguns de nossos colegas de escola ao longo do caminho, que nos cumprimentavam com breves acenos.
Certifiquei-me de que a máscara estava realmente ali em meu rosto e meu gesto não passou despercebido por Pietro.
– Fique calma, Loren. Estou aqui. – disse ele baixo, para que só eu pudesse ouvir e voltando a segurar minha mão.
Assenti com um breve aceno de cabeça.
Era engraçado me sentir mais confiante quando Pietro me auxiliava, pois ainda me lembrava de que no meu primeiro dia de aula na Trevolts High School nós não havíamos nos dado muito bem.
Eu o achava muito estranho no início, com sua pele bronzeada e seus cachos dourados, além dos grandes olhos cor de mel, mas com o passar do tempo comecei a achá-lo muito bonito. Uma beleza rara e especial que agora estava oculta em sua fantasia de Elvis.
Passamos por muitos garçons que circulavam para lá e para cá oferecendo aos convidados os mais diversos aperitivos e por artistas circenses fazendo acrobacias ou pirotecnia. Após algum tempo encontramos uma mesa vazia e decidimos nos sentar um pouco.
– Ai-Meu-Deus! – Norah exclamou – O Ethan está aqui!
Ethan Hetcliff era um dos garotos do time de futebol do colégio por quem Norah tinha uma paixonite desde a quinta série, segundo Pietro havia me contado. Os dois nunca se falaram muito, mas esse ano eram parceiros nas aulas de artes e Norah estava radiante.
– Eu estou bonita? – ela perguntou ajeitando compulsivamente a peruca Channel preta que usava em sua fantasia de Branca de Neve. Seus olhos azuis claros brilhavam entrando em contraste com sua pele, que estava mais branca que o habitual por conta da maquiagem que ela usava.
– Claro que está. Você é a segunda garota mais bonita da festa, pois eu sou a primeira, é claro. – respondeu Jess.
– E eu? – perguntei encontrando uma deixa para tentar me soltar um pouco ali.
–Você é a terceira, ora essa. – Jess olhou para mim e depois para Pietro – E o Pete... Bem, não se pode ter três Belas e nenhuma Fera, não é?
Pietro fechou a cara para Jess e mostrou-lhe o dedo do meio, ao que ela retribuiu mostrando-lhe a língua. Os dois costumavam implicar um com o outro sempre, era o jeito deles de demonstrar o carinho que sentiam e até nos divertiam com suas brigas.
– Acham que eu deveria ir até lá? – Norah perguntou nervosa.
– Não. – dissemos eu, Pietro e Jess ao mesmo tempo, o que fez a rir.
– Ok, foi realmente uma péssima ideia, eu admito. Mas não sei o que fazer, ele está bem ali. – ela quase choramingou.
– Ora, faça ele vir até você. Aprenda com o mestre! – disse Jess, jogando os longos cabelos ondulados e ruivos para trás – Pietro, Loren. Eu e Norah vamos dançar um pouco.
Jess se levantou e puxou Norah para o centro da pista de dança enquanto eu e Pietro olhávamos a cena, divertidos. Não demorou muito para que Ethan Hetcliff as notasse ali e se aproximasse um pouco mais e eu e Pietro rimos quando Norah e Jess começaram a dançar de forma mais sedutora para chamar a atenção dele.
As duas dançaram durante alguns minutos antes de voltarem – extremamente cansadas – para nossa mesa.
– Você viu o jeito que o Ethan te olhou? Cheio de desejo. – Jess disse à Norah.
– Que desejo, Jess? Está louca? – Ela riu, mas acabou corando.
– Desejo, sim. Ele estava quase babando enquanto você dançava, Norah. – constatei.
– Pete, diga a elas que estão surtando. – Norah pediu sorrindo.
– Eu diria, mas elas estão certas. – Pietro deu de ombros.
Vi que o objeto de nossa conversa vinha em nossa direção e relatei isso, disfarçadamente, à Norah, que logo se pôs a arrumar a peruca novamente, enquanto Jess se concentrava em tomar o refrigerante que havia roubado de Pietro e ele a olhava furioso.
– Ei. Norah. – disse Ethan aproximando-se de nossa mesa usando uma fantasia de policial que mais parecia ter saído de uma loja de sexy shop – Não fala mais com os amigos, é?
– Ethan? – Norah fingiu estar surpresa – Não tinha visto você. Como está?
Ela se levantou para abraçá-lo e dar-lhe os tradicionais três beijinhos no rosto.
– Estou legal. E você?
– Bem também. – Norah respondeu com um sorriso de orelha a orelha.
Ethan fez um cumprimento geral para o resto de nós e retribuímos com acenos e sorrisos.
– E aí, estão curtindo a festa? – ele perguntou.
– Sim, está ótima. – Nora respondeu entusiasmada demais e nós nos controlamos para não rir disso.
– Norah eu vim com uns amigos. – Ethan apontou para um grupinho sentado em uma rodinha distante da festa – Não querem se juntar a nós? Trouxemos algumas bebidas escondido.
Dessa vez foi Jess quem se pronunciou, levantando-se prontamente da mesa.
– Claro! Vamos lá. Somos jovens e queremos curtir a noite. – respondeu – E esse refrigerante de laranja está horrível também.
– Agora que você já tomou tudo deve estar horrível mesmo. – Pietro reclamou.
Jess devolveu a latinha de refrigerante a Pietro enquanto nos dirigíamos ao grupinho de amigos de Ethan e Pietro puxou o cabelo dela, mas sem machucá-la.
Quando Ethan havia dito que ele e os amigos tinham trago “algumas bebidas” ele tinha sido muito modesto. Havia muitas garrafas de Vodca, Tequila, vinho e cerveja ali e nós todos estaríamos perdidos se nos pegassem, já que éramos todos menores de idade.
– Junta aí. – disse um garoto fantasiado de Superman, oferecendo-nos pequenos copos de Tequila.
Jess e Pietro – os dois grandes cachaceiros de nosso quarteto – logo aderiram à ideia e se sentaram já tomando posse de seus copos, que ingeriram rapidamente, como se estivessem bebendo água ao invés de álcool. Norah também pegou o seu, mas sentou-se na rodinha ao lado de Ethan, enquanto ria de algo que ele acabara de dizer.
– Senta aí, Loren. – disse Pietro estendendo-me um copo que ele acabara de encher com vodca.
– Ei, não foi você quem matou o Daniel Clark? – perguntou uma garota loira, já bastante bêbada pelo visto e fantasiada de mulher gato.
– Ela não matou ninguém. – Pietro retrucou com um tom severo.
– E se tiver matado quem se importa? – disse a garota erguendo seu copo – Vamos beber!.
Pietro sorriu e voltou a me oferecer o copo com Vodca, mas eu o recusei com um aceno de cabeça.
– Qual é? Bebe aí. – disse um garoto gordinho que parecia estar fantasiado de espantalho e logo a rodinha inteira fez coro pra mim, gritando: “Bebe, bebe, bebe.”.
– Só um copo. – disse eu, pegando o copo e virando-o de uma só vez, sentindo o líquido ardente esquentar minha garganta.
Jess e Pietro urraram sendo seguidos pelo restante das pessoas ali, mas Ethan fez sinal para que parassem de gritar, olhando em volta para ver se não tínhamos chamado a atenção de ninguém. Eu ri.
Pete deu dois tapinhas no chão ao seu lado indicando que eu me sentasse ali e segui sua indicação.
Logo a pequena quantidade de Vodca que eu havia tomado ali começou a fazer efeito e me senti um pouco mais leve. A maior parte dos adolescentes ali já estava bêbada e, talvez por isso, não estivessem me tratando como uma aberração ambulante. Alguns até mencionavam o fato de eu estar sob a acusação de homicídio, mas quando isso acontecia era sempre em tom de brincadeira, como se achassem graça de toda a situação, ou não se importassem com o fato de que um colega havia sido assassinado brutalmente algumas semanas antes.
Apesar de nefasto, eu comecei a me sentir melhor. As últimas semanas como “monstro de Trevolts” haviam me deixado bastante solitária e ter pessoas a minha volta que não me condenavam por nada era bom.
Eu já me sentia parte da galera de novo, como se tudo pelo qual havia passado nunca tivesse acontecido e não pude deixar de me alegrar com isso, de me soltar novamente e esquecer o resto.
– Me dá outro copo. – pedi a Pietro. Eu estava afim de comemorar aquela noite.
– Tem certeza? – ele sorriu – Um de nós vai ter que dirigir de volta pra casa e você, até agora, é a que bebeu menos.
– Mentira. Norah ainda nem terminou o primeiro copo que pegou.
– Eu sei. Mas não tenho certeza se ela ainda vai voltar pra casa com a gente. Está no maior clima com o Ethan. Olha lá. – Pietro apontou para onde Norah estava e eu vi que ela sorria por algo que Ethan havia acabado de falar ao seu ouvido.
– O clima está esquentando ali. – constatei.
– É... Podia esquentar em outro lugar também. – disse Pietro enchendo o pequeno copo de Tequila e oferecendo-o a mim.
– Em que lugar? – perguntei, pegando o copo de sua mão.
– Sei lá em algum lugar mais próximo daqui. Tipo, entre você e eu.
E ao dizer isso, Pietro simplesmente me puxou para um beijo. Senti o gosto da Tequila que ele havia bebido, mas gostei dos lábios macios e da língua quente dele percorrendo a minha. Ouvi os gritos das pessoas ali e a voz de Norah exclamando um “WOW!”, enquanto Jess batia palmas e assobiava e me senti envergonhada, mas Pietro não parou de me beijar e eu não o forcei a fazê-lo. Estava gostando.
– Vamos para um lugar mais reservado. – disse ele em meu ouvido, assim que pausou o beijo por alguns segundos.
Assenti com um aceno e, depois de beber a Tequila que estava em meu copo, deixei que ele me conduzisse para um local mais afastado dali. Eu havia ficado tempo demais sozinha e tempo demais sendo ignorada por todo mundo, agora queria aquilo tanto quanto ele
– Acha mesmo que estamos agindo certo? – perguntei, enquanto corríamos meio trôpegos em direção às arvores no limite da fazenda.
– Sei lá, mas eu vou descobrir isso agora. – disse ele encostando-me contra uma das árvores enquanto segurava em minha cintura e me beijava com intensidade.
Aquela situação me pareceu familiar por algum motivo que eu não compreendi. Não havia nada ali que eu já tivesse feito antes. Talvez fosse a cena de algum filme que já tinha assistido ou algo assim. Preferi deixar esse fato pra lá e aproveitar o momento. Estava gostando de ter o corpo dele junto ao meu e sua boca passeando de minha boca para meu pescoço e as vezes mordiscando minha orelha.
À medida que a intensidade dos beijos aumentava, aumentavam também as carícias. Eu sentia as mãos de Pietro passearem por meu corpo, subindo e descendo por minhas coxas, pressionando minha cintura, ás vezes, se aventurando por baixo de meu vestido de encontro ao meu quadril... As coisas estavam ficando mais sérias ali.
Soltei-me dele por instante para recuperar um pouco do fôlego e, ao abrir os olhos, deparei-me com uma visão horrorosa.
Ao invés de estar abraçada a Pietro, meus braços estavam ao redor de uma criatura horrenda. Seus olhos estavam brancos e vidrados, como os de um cego, havia olheiras enormes e arroxeadas em sua face e sua mandíbula estava solta, como se a pele tivesse sido cortada com uma faca e os ossos tivessem sido deslocados. Uma quantidade de sangue negro jorrava de lá sujando suas roupas e respingando ao redor. Quase gritei de horror, mas toda a imagem sumiu quando pisquei e novamente era o rosto de Pietro que eu encarava.
– Tudo bem? – Pietro perguntou me olhando confuso.
Percebi que eu havia me afastado dele bruscamente. Algo que ele com certeza interpretaria como uma rejeição ou algo do tipo.
Respirei fundo e fingi um sorriso.
– Acho que bebi demais. – falei sacudindo a cabeça de um lado para o outro, como se isso pudesse ordenar minha mente – Vou ao banheiro molhar o rosto um pouco, ok?
– Não acredito que ficou bêbada com um só copo de vodca. – ele sorriu.
– Na verdade, foi um copo de vodca e um de Tequila. – eu o corrigi.
– Nossa! Quanto álcool. – ele disse brincalhão.
– Preciso aprender com você a arte de beber sem cair. – eu apertei sua bochecha corada e dei-lhe um selinho – Vou lá e já volto. Me espere aqui.
– Tudo bem, se precisar de ajuda me ligue. – disse Pietro.
Segui o caminho de volta para a casa sentindo minha cabeça rodar. A bebida devia estar me fazendo ter alucinações, talvez molhar um pouco a cabeça e relaxar me ajudasse a ficar melhor.
Assim que entrei no banheiro, tirei a máscara carnavalesca e dei uma boa olhada em meu reflexo no espelho. Fora os olhos assustados eu parecia estar bem, mesmo assim enchi as mãos de água e molhei meu rosto várias vezes. A porta de um dos sanitários ali se abriu e uma senhora de mais ou menos cinquenta anos, vestida de Chapeuzinho Vermelho – ou pelo menos era o que parecia ser – se dirigiu à pia ao meu lado.
– Boa noite. – disse eu, educadamente e ela deu um pequeno sorriso em resposta.
Abaixei-me mais uma vez para molhar meu rosto e ao me levantar e abrir os olhos novamente já não era mais a senhora quem estava ao meu lado e, sim, uma garota loira, com olheiras profundas, roupas brancas manchadas de sangue e pescoço degolado estendendo a mão para tentar me alcançar. Gritei de horror e me joguei contra a parede do lado oposto, mas um segundo depois a garota já não estava mais ali.
Encarei a mulher, sentindo meu coração pular dentro de meu peito e ela me lançou um olhar de recriminação e saiu do banheiro apressada, provavelmente achando que eu era louca.
– O que está acontecendo comigo? – perguntei a mim mesma, escorregando pela parede fria até me sentar no chão do banheiro e deixando que algumas lágrimas escapassem de meus olhos.
Eu estava com medo e confusa. Só não sabia se tinha mais medo de tudo aquilo que eu estava vendo ou medo de estar enlouquecendo.
A mesma garota loira e degolada que eu havia visto minutos antes apareceu gritando ao meu lado e tentando me arranhar com as longas unhas apodrecidas que tinha. O susto foi tão grande que saí do banheiro correndo, esquecendo-me até mesmo de pegar a máscara carnavalesca que eu havia deixado sobre a pia, mas eu não voltaria lá.
Segui apressada entre a multidão que estava na festa, esbarrando em algumas pessoas e até derrubando a bandeja de um dos garçons que gritou algo para mim – provavelmente um palavrão –, mas eu não parei para me desculpar ou para tentar entender. Só queria me afastar da visão aterrorizante do banheiro.
Mas isso já não era mais possível.
De repente, onde eu olhava havia corpos mutilados, ou assombrações cobertas por sangue que se arrastavam como zumbis. Era como estar protagonizando o filme Madrugada dos Mortos¹, só que aquilo não era um filme. Quanto mais eu corria, mais seres aterrorizantes pareciam surgir de todos os lados, seguindo-me, caçando-me e forçando-me a fugir para mais e mais longe.
Corri feito louca enquanto todas aquelas pessoas mortas me seguiam onde quer que eu fosse e, cada vez que eu achava que estava segura, elas pareciam brotar da terra bem na minha frente, tentando me agarrar.
Um homem com metade do crânio destruído apareceu na minha frente lançando ameaçadoramente um machado em minha direção. Ele passou a centímetros de minha cabeça e eu quase pude ouvir o silvo do aço cortando o vento. Olhei de novo para o homem e vi que ele corria em minha direção como um animal selvagem, faminto por sangue.
Aquilo já não parecia mais uma simples alucinação causada pela bebida ou pelo quer que fosse. Aquele machado era real e podia ter me matado, então talvez todas aquelas pessoas também pudessem.
Não tive tempo de pensar muito nisso ou de cogitar o fato de que eu havia enlouquecido completamente, pois uma mulher com uma faca cravada no peito e vários outros ferimentos que pareciam ter sido causados pelo mesmo objeto surgiu ao meu lado, segurando meu cabelo com força e tive que abrir mão de uma mecha dele para me livrar dela e correr na direção oposta.
Avistei ao longe um estábulo e corri em direção a ele, esperando poder me esconder ali. Os cavalos se agitaram quando entrei, fazendo as tábuas da construção tremerem também. Alguns relinchavam alto e mostravam os dentes ameaçadoramente para mim, mas como estavam presos em suas baias, não podiam me fazer mal.
Procurei ao redor por algum lugar que pudesse usar como esconderijo, mas não havia muitas opções ali, então me esgueirei por trás de um das baias dos cavalos e agarrei um forcado² que estava encostado junto a ela, segurando-o junto ao peito.
Me espremi contra uma das paredes ali e tentei me acalmar. Eu precisava me defender, precisava estar focada nisso se quisesse ter alguma chance de sair viva daquele lugar. Respirei fundo, ficando alerta para qualquer coisa que ousasse se aproximar e escutei passos pesados se aproximarem cada vez mais de mim e, como num passe de mágica, cessarem. Não me movi, tentei controlar minha respiração e meu coração para ter coragem de sair de meu esconderijo, mas então senti uma mão segurar meu ombro.
Reagi por instinto. Me virei rapidamente e perfurei com o forcado aquilo que eu julgava ser mais uma assombração, mas logo me arrependi de minha ação.
– Lo-Loren... – Pietro balbuciou e um punhado de sangue escorreu por sua boca.
Olhei para baixo e vi que o forcado que eu segurava havia penetrado o abdômen dele, fazendo o sangue escorrer por ali, manchando sua fantasia de Elvis Presley.
Estaquei, completamente em choque.
Pietro caiu de joelhos e logo despencou completamente no chão. A cada vez que tossia, quase sem forças, uma quantidade absurda de sangue fluía por seus lábios manchando a palha que havia ali de vermelho vivo.
Ouvi alguém gritar e depois Jess se aproximou correndo, desesperada.
– Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Jess gritou, abaixando-se ao lado de Pietro e tentando inutilmente fazer algo para estancar o sangue que fluía de seu abdômen.
Ela ainda estava meio bêbada, mas o desespero a fez ficar ao menos um pouco mais lúcida.
– Ai meu Deus! O que você fez, Loren?! – exclamou ela me olhando assustada.
Soltei o forcado e olhei para minhas mãos manchadas de sangue. Pietro estava morrendo e eu tinha feito aquilo.
Entrei em pânico.
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