Killer
6 Ceifeiro
Notas iniciais
[Bryan P.O.V.]
Theodore Walters morreria essa noite. Seria uma morte simples: um ataque cardíaco enquanto dirigia de volta pra casa.
Como Anjo da Morte, meu trabalho é fazer com que a morte das pessoas ocorra no momento em que havia sido predestinada e, apesar de isso parecer uma tarefa simples, fazer com que um humano morra quando ele deve morrer não é nada fácil.
Ao dar o Livre Arbítrio a essas criaturas, o Altíssimo deu-lhes também o poder de mudar seu próprio destino e, a cada escolha que eles fazem, alteram algo que Deus já havia traçado para suas vidas.
Isso dificulta muito o meu trabalho. Aliás, não só o meu, mas de todos os anjos que têm ligação com a raça humana – como, por exemplo, Anjos da Guarda e Cupidos.
Todos sofremos quando os mortais, simplesmente, decidem burlar as Escrituras Divinas e reescrever seus destinos. É frustrante! Entretanto, Deus deu aos humanos o poder de mudar quase todas as coisas em suas vidas, exceto uma: a hora de sua morte.
E é aí que começa o trabalho.
Há milhões de Anjos da Morte ao redor do mundo e eles são divididos em duas classes: Ceifeiros e Coletores.
Os Ceifeiros são responsáveis por fazerem com que um humano morra na hora marcada, independente de que escolhas ele possa ter feito durante sua vida. Por isso, quando um humano não “caminha para a morte”, é dever dos Ceifeiros empurrá-lo até ela.
Já os Coletores são responsáveis por levar a alma do humano do Plano Terreno para o Plano Espiritual. Entretanto, os Coletores só podem levar as almas que querem seguir em frente – e nem sempre elas querem – então, é dever dos Coletores convencê-las a partir.
Claro que nem sempre os Coletores conseguem convencê-las e, assim, surgem aquilo que os humanos costumam chamar de “almas penadas” – espíritos que vagam sem rumo entre o Plano Terreno e o Espiritual. Essas pobres almas não costumam causar problemas a ninguém – exceto quando são aliciadas por Demônios – mas, a partir daí, os Anjos da Morte já não tem nada a ver com a história.
Extirpar esse tipo de alma e o Demônio que a aliciou é um trabalho para outra classe de Anjos, aqueles que nós chamamos de O Exército. Eles são o tipo de anjos com os quais ninguém quer arrumar briga. Foram os responsáveis por mandar Lúcifer e todos os seus seguidores para o Inferno e, agora, também são os responsáveis por banir qualquer anjo que saia da linha. Resumindo: são o topo da hierarquia angelical, bem acima de seres como eu.
Eu e Lorelei somos Ceifeiros, enquanto Jeremyah é um Coletor. Talvez seja por isso que ele tenha a irritante mania de estar sempre me dando conselhos.
– Você não está vestido a caráter. O sucesso de um trabalho depende da camuflagem. – disse Lorelei aproximando-se de mim sorrateiramente.
Ela tinha o péssimo hábito de sempre tentar me surpreender, mesmo sabendo que isso não era possível.
– O que faz aqui? – perguntei sem tirar os olhos de Theodore Walters, meu trabalho daquela noite.
Era simplesmente um saco ter que seguir os passos de um humano pra me certificar de que ele morreria como o planejado ou interferir caso houvesse alguma chance de isso não acontecer, mas eu não tinha opção, aquela era a norma.
– Eita. Por que esse mau humor? Nem parece que está numa festa. – disse ela sentando-se ao meu lado no telhado da casa de festas de Angels House.
Percebi que Lorelei usava uma fantasia ridícula de anjo, com aureola e pequenas asas brancas, que somada com um vestido branco de cetim e uma sapatilha brilhante, tornavam tudo ainda mais ridículo.
– O que é isso, Lorelei? – perguntei sem ânimo algum.
– É uma festa a fantasia, não é? Estou me camuflando. – ela respondeu, abrindo um sorriso – Além do mais, sempre achei as asas brancas mais bonitas que as negras.
Revirei os olhos e respirei fundo. Eu não estava com muita paciência aquela noite e não sabia o que, diabos, Lorelei estava fazendo ali quando deveria estar fazendo seu próprio trabalho e, não, atrapalhando o meu.
– Você sabe que ninguém pode te ver, a menos que você deixe. – foi tudo o que eu disse, já que parecia que ela não ia me dizer por que estava em Angels House naquela noite.
– E daí?! Deixe-me ser feliz usando minha fantasia, Bryan. – ela fechou a cara pra mim, fazendo bico.
Lorelei era o Ceifeiro mais estranho que existia. Em sua forma humana possuía cabelos loiros tão claros, que quase podia ser confundida com um albino, além de ser pequenina e magra e usar as roupas mais chamativas que encontrava no mundo dos mortais. Jeremyah e eu costumávamos dizer que ela havia sido colocada no cargo errado.
– Faça como quiser, então. – dei de ombros. Não ia deixar ela me irritar aquela noite. Eu já tinha coisas demais com o que me irritar sem precisar que Lorelei ajudasse nisso.
Continuamos em silêncio por um longo tempo, enquanto eu vigiava os passos de Theodore Walters. Eu tinha quase certeza de que a morte original dele se concretizaria, tendo em vista seus hábitos alimentares.
Theodore era o tesoureiro da prefeitura de Trevolts. Era um homem pequeno e gordo, que naquele momento estava usando uma fantasia estranha de cowboy. Os botões da blusa social xadrez pareciam prestes a saltar de seus lugares e a calça com estampa de vaca malhada combinada com o cinto vermelho, deixavam tudo pior. Desde o momento em que eu havia começado a vigiá-lo, Teddy Walters – como era chamado na cidade – não havia parado de comer um só minuto e, às vezes, eu achava que ele seria o tipo de pessoa capaz de regurgitar tudo que comera só para poder comer mais.
– Parece piada, não é? – disse Lorelei, quebrando nosso silêncio de repente.
– O que? – perguntei, tirando minha atenção de Theodore que, mais uma vez, atacava a bandeja de um dos garçons.
Segui o olhar de Lorelei e me deparei com Loren e seu amigo, Pietro, sentados em uma mesa, conversando animados sobre alguma coisa, enquanto as outras duas meninas, Norah e Jess, dançavam.
– Ah, isso. – disse eu ficando ainda mais desanimado.
– Às vezes parece que ela é o seu carma. – Lorelei se pôs de pé no telhado, olhando tristemente para mim – Não quer que eu faça esse trabalho pra você?
Olhei sério para Lorelei. Então era por isso que ela estava ali. Estava se certificando de que eu não colocaria Loren em nossas vidas mais uma vez.
– Jeremyah te mandou aqui, não foi? – perguntei, embora já tivesse plena certeza do que ela responderia.
– Bem... Ele meio que sugeriu que eu viesse. – disse ela na defensiva, ajeitando a aureola de sua fantasia.
Bufei. Irritava-me o fato de Jeremyah e Lorelei estarem sempre me vigiando e dando palpite em minhas ações.
– Pois avise-o que o trabalho dele é coletar as almas e, não, ficar de olho em mim, como se fosse meu Anjo da Guarda. – reclamei e pulei do telhado, aterrissando pesadamente no chão e olhando irritado para Lorelei lá em cima.
Ela pulou de lá também aterrissando ao meu lado. Era fato, ela iria me seguir onde quer que eu fosse agora.
– Bryan, eu e Jeremyah nos preocupamos com você e com o que suas atitudes possam causar. Nenhum de nós quer que um irmão seja banido por fazer escolhas erradas. – ela se defendeu, ficando de frente pra mim e erguendo a cabeça para me olhar nos olhos.
– Lorelei, eu já disse que não cometerei mais o mesmo erro. Então, por favor, parem de ficar me perseguindo, como se eu não tivesse aprendido e confiem no que estou dizendo. – pedi exaltado.
Ela colocou as mãos na cintura, me avaliando. Olhei para Theodore pelo canto do olho, certificando-me de que ele ainda estava por ali e voltei a encará-la com raiva.
– E então, Lorelei? Vai ficar por aqui me atrapalhando ou vai fazer seu próprio trabalho?
Lorelei expirou profundamente e, de má vontade, retirou as asas brancas e a aureola.
– Está bem, eu vou embora. – ela abriu as longas asas negras que possuía – Vou encontrar o Jeremyah e dizer que você tem tudo sob controle.
– Ótimo. Aproveite e livre-se dessa fantasia horrível. – disse eu, ainda irritado.
Ela fechou a cara novamente e, com brutalidade, alçou voo fazendo uma rajada de vento passar por mim. Ela não gostava que ninguém a criticasse, mas diferente de Jeremyah, eu a criticava assim mesmo e não me importava com seus ataques de fúria.
Observei até que ela sumisse de vista e voltei ao meu posto no alto do telhado, observando Theodore, que havia se sentado à mesa do prefeito com quem conversava sobre as novas regras sobre a utilização das verbas da prefeitura.
Aquela era uma conversa longa e tediosa, que me fazia praticamente implorar para que os ponteiros do relógio atrás deles girassem tão rápido quanto as hélices dos helicópteros.
Sem que eu percebesse, minha atenção se voltou para Loren e seus amigos, que agora seguiam, com um garoto que eu não conhecia, em direção a um grupo de adolescentes alcoolizados que estavam num canto mais afastado da fazenda. Aqueles adolescentes eram o tipo de má companhia que fariam com que Loren se metesse em encrenca e o mais sensato seria que ela se afastasse deles naquele minuto, mas eu não deveria me importar com isso. Eu deveria estar concentrado em meu trabalho. Havia prometido a todos e a mim mesmo que não cometeria os mesmos erros.
Em uma coisa eu concordava com Lorelei: parecia piada!
Loren estava sempre cruzando meu caminho. Não importava o que eu fizesse, mais cedo ou mais tarde ela sempre aparecia. Às vezes eu até me perguntava se o Altíssimo não estava me testando de alguma forma. Bem, se fosse um teste... Eu tinha certeza de que estava falhando, por isso voltei prestar atenção em Theodore. Era isso que eu devia fazer.
Fiquei de olho naquele homem com péssimos hábitos alimentares por um longo tempo, seguindo-o quando ele se afastava demais. Faltava pouco agora para que ele saísse da festa e morresse. Tudo estava acontecendo como havia sido predestinado.
Meu trabalho ali estava acabando. Em breve eu estaria livre de Theodore e daquela festa, entretanto, algo fez com que eu me distraísse. Ouvi gritos vindos do grupo de adolescentes bêbados com os quais Loren estava e, ao me virar para ver que algazarra toda era aquela, deparei-me com Pietro beijando-a.
Não sei descrever o que senti exatamente naquela hora, mas de uma coisa eu tinha certeza: era pior que o ódio.
Eu sabia que não deveria me importar com aquilo, afinal Loren não era nada minha, nunca seria. Mas não pude. Antes que eu pudesse me conter, já havia pulado do telhado e seguia em direção aos dois. A raiva pulsava dentro de mim e se expandiu ainda mais quando vi Pietro e Loren se levantarem e correrem sorridentes até os limites de Angels House.
Eu estava furioso por Pietro fazer aquilo e mais furioso ainda por Loren segui-lo. Minha vontade era arrancar o coração daquele garoto e fazê-lo engasgar com o próprio sangue só por ter tido a ousadia de tocar nela. Só eu podia tocá-la. Só eu podia tê-la em meus braços. Só eu podia amá-la.
Ela era minha. Ela me pertencia!
Quando Pietro a encostou em uma das árvores ali e começou a beijá-la e acariciá-la eu soube que eu, realmente, queria matá-lo, mas não somente isso. Eu queria torturá-lo, fazê-lo sofrer a tal ponto, que ele implorasse para que eu acabasse logo com sua vida.
Seria muito fácil fazer isso. Os humanos eram frágeis demais, morriam facilmente, eu só precisaria “estalar os dedos” e a existência daquele verme acabaria ali.
Lembrei-me das pessoas que eu já havia matado das mais diversas formas no decorrer das eras. Algumas mortes haviam sido tão brutais que nenhum Coletor pode convencer aquelas almas a seguir em frente.
Matar Pietro seria fácil demais.
Loren afastou-se bruscamente dele, surpreendendo-me e interferindo em meus pensamentos homicidas, o que me deu um segundo para recuperar um pouco da sanidade.
Percebi que eu já estava muito próximo dos dois, mas nem mesmo me lembrava de ter me aproximado tanto. Eu havia me deixado levar por minhas emoções e quase havia feito uma loucura. Sim, seria fácil matar aquele garoto... Mas eu não poderia fazer isso, embora quisesse muito.
Os humanos tinham sua hora para morrer e a hora de Pietro ainda estava distante. Eu não poderia tirar a vida dele naquele momento quando ele só morreria dali a quase setenta anos. Se fizesse isso, estaria indo contra as Leis de Deus e minha punição seria severa.
Observei Loren seguir novamente para a casa de festas, enquanto Pietro permaneceu encostado à árvore com um sorriso estampado no rosto. Era sorte dele eu não poder matá-lo naquela noite, mas isso não me impedia de imaginar todas as maneiras de como aquilo poderia acontecer.
Eu odiava aquele sorriso idiota que estava estampado no rosto dele agora, odiava saber que Loren era a responsável por ele e odiava ainda mais não poder fazer nada a respeito. Loren não pertencia ao meu mundo e eu não podia arrastá-la para ele, mas não suportava que, algum dia, ela viesse a pertencer ao mundo de Pietro ou de qualquer outro. Acho que eu nunca suportaria isso.
Minutos depois, Pietro levantou-se abruptamente e começou a correr em direção ao outro lado da fazenda. Olhei na direção para a qual ele se deslocava e avistei a conhecida imagem de Loren correndo por lá.
Com um susto, notei que ela não estava simplesmente correndo e, sim, fugindo de centenas de almas que a perseguiam, enquanto ela lutava, desesperada e inutilmente, para se livrar delas.
Aquelas não eram simples almas penadas. Eu conhecia cada uma delas, pois eu havia matado cada uma daquelas pessoas. Não entendia porque elas a estavam perseguindo agora, mas não podia permitir que elas a tocassem.
Rapidamente abri minhas asas e voei o mais rápido que pude até lá, me livrando das almas que pude pelo caminho. Loren não poderia me ver se eu não quisesse que ela visse e isso facilitava as coisas, eu não precisaria me preocupar com a possibilidade de ter de apagar sua mente de novo.
Greg Sanders – um homem que eu havia matado num acidente enquanto cortava uma árvore em seu quintal há quarenta e cinco anos atrás –, reconheceu-me e lançou ameaçadoramente seu machado em minha direção, mas como não conseguiu me acertar, investiu contra mim. Ele estava quase exatamente como eu me lembrava: uma parte do crânio, onde a arvore havia caído, estava decepada e havia muito sangue por seu macacão azul marinho. Entretanto, sua aparência estava ainda mais decrépita por conta dos longos anos que havia passado vagando entre o Plano Terreno e o Espiritual.
Enquanto eu tentava me livrar de Greg, Loren seguiu em direção a um estábulo não muito longe dali e logo Pietro passou por mim indo de encontro a ela.
Várias outras almas ao verem que Greg lutava contra mim, juntaram-se a ele e precisei de um pouco mais de esforço para me livrar de todas elas.
Segui, então, para o estábulo onde Loren e Pietro haviam entrado e me deparei com Pietro caído no chão esvaindo-se em sangue, enquanto Loren segurava um forcado, olhando assustada para ele.
Atrás de mim, ouvi o grito estridente de Jess. Ela devia ter visto toda a correria de Pietro e Loren e seguido os dois até ali.
– Ai meu Deus! Ai meu Deus! – Jess gritou correndo até Pietro e tentando desajeitadamente estancar o sangue que fluía pelo abdômen do garoto – Ai meu Deus! O que você fez, Loren?!
Olhei para aquela cena sem saber o que fazer. Loren soltou o forcado que segurava e olhou para as mãos ensanguentadas.
Ela parecia tão assustada e frágil naquele momento, que meu primeiro impulso foi tomá-la em meus braços e ampará-la, mas não cheguei a esse ponto, pois Jeremyah lançou-se sobre mim, arrastando-me para longe dali, com o auxílio de Lorelei.
– Solte-me, Jeremyah! – gritei, enquanto tentava me livrar dele e de Lorelei.
Saímos praticamente rolando no chão, nossas asas negras se chocando violentamente umas contra as outras, enquanto nos confrontávamos. Eu queria ir até Loren, queria cuidar dela e os dois queriam me impedir.
– Eu não vou te soltar, Bryan. Não vou deixar que ponha tudo a perder novamente. – disse Jeremyah, entre dentes, esforçando-se para me segurar.
– Você não pode ir até lá, Bryan. Escute-nos ao menos uma vez. – disse Lorelei somando forças com Jeremyah em sua tentativa de me manter longe do estábulo.
Mas eu não queria ouvi-los. Não conseguia sequer cogitar a possibilidade de deixar Loren sozinha naquele momento. Concentrei toda minha força para me livrar deles e, em um movimento violento de minhas asas, consegui me desvencilhar dos dois.
– Pare, Bryan! – gritou Jeremyah, pouco antes de eu alcançar a porta do estábulo – Vai matá-la se entrar lá.
Parei e me virei, encarando-o seriamente. Um segundo depois Lorelei estava entre a mim e a porta com as penas de suas asas eriçadas, posicionando-se de forma ameaçadora, a fim de impedir minha passagem caso eu resolvesse entrar ali.
– O que quer dizer com isso? – indaguei.
Jeremyah olhou para o céu escuro e depois para mim. Sua expressão era rígida.
– Precisamos ir. – disse ele, apenas – Eu te explicarei tudo, mas precisamos sair daqui agora.
– Eu não irei a lugar algum. – sentenciei e virei-me novamente para a porta onde Lorelei estava – Saia da minha frente.
Ela colocou a mão sobre meu peito e, assim como Jeremyah, olhou para o céu.
– Bryan, O Exército está vindo. – disse ela em um tom quase de súplica – Miguel nunca vai compreender se encontrar você com a Loren outra vez. Ele vai apagar a memória dela e vai te banir para o inferno. Você precisa vir conosco se ainda quiser ver a Loren de novo.
Olhei para a porta do estábulo onde Loren estava. Eu não queria ter que partir agora. Não queria ter que deixá-la mais uma vez desamparada como estava, mas a aflição no rosto de Lorelei deixava explícito que eu não tinha outra escolha e eu sabia que ela estava certa. Se Miguel me encontrasse ali, ele não entenderia e nosso destino seria desastroso.
Lorelei desceu a mão que estava em meu peito até meu pulso e o segurou com firmeza, olhando-me nos olhos como se implorasse para que, pela primeira vez em minha existência, eu acatasse um pedido deles.
– Precisamos ir. – Jeremyah repetiu, me olhando com seriedade – Agora.
Assenti com um pequeno aceno de cabeça e, sem dizer uma palavra, voei para longe dali, com Jeremyah e Lorelei em meu encalço.
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