Notas iniciais
Olá, Quantas eras, hein? Vocês ainda lembram da história ou terão que voltar alguns capítulos para se atualizarem antes começarem a ler este? kkkk Sério gente, peço mil desculpas por ter deixado essa fanfic às moscas durante mais de dois meses, mas eu tinha começado a escrever uma nova história (Sim, eu sou doida. Nem termino minhas histórias postadas e já começo outra), por isso, acabei ficando com um sério problema para escrever tanto a "Killer" quanto a "O Mestre" (que por sinal ainda preciso atualizar também), já que minha cabeça só estava servindo para pensar em novos capítulos para a "Faking It". Estou concluindo as coisas por lá já, então, é provável que eu recomece a atualizar a Killer e a O Mestre com mais frequência. Agradeço a todos que ainda estão aqui acompanhando e agradeço também aos novos leitores que apareçam por aqui enquanto eu estava ausente ^^ Espero que gostem do capítulo. Boa leitura.

[Bryan P.O.V]

Lúcifer e eu deixamos Veneza pouco antes do nascer do sol e, embora aquela visita tenha sido muito curta para compensar todo o tempo que perdi da vida de Loren e, principalmente, da vida de Jonah, nos últimos três dias, todos concordamos que seria mais seguro para eles se nos mantivéssemos afastados. Miguel ou algum de seus lacaios poderia estar nos observando e, como a parte mais importante do nosso plano consistia, justamente, em não deixá-lo saber que Loren continuava viva e segura, manter certa distância dela e não levantar suspeitas era fundamental.

Foi difícil para mim, no entanto, me despedir dela e de Jonah antes do amanhecer e deixar o pequeno apartamento na Corte Del Fontego para trás sem saber exatamente quando voltaria a vê-los. Enquanto estávamos juntos, porém, aproveitei cada segundo que tínhamos e fiquei a maior parte do tempo com Loren, ambos deitados em sua cama, matando a saudade que sentíamos dos beijos e toques um do outro enquanto conversamos sobre os últimos três dias.

Loren me falou sobre o incêndio no Saint Auguste e sobre seu breve encontro com Miguel naquela noite. Me contou mais detalhes sobre o ritual que Lúcifer havia feito e sobre sua viagem que fizeras às pressas na companhia de Tábita, Brigitte e Lisandra e, principalmente, me falou sobre Jonah, suas manias de bebê e sobre como estavam sendo seus breves dias como mãe.

Em contrapartida, eu contei a ela sobre a missão que fiz com Sarakiel, para recuperar o Cajado de Moisés, sobre como resgatei Gabriel na sala de Miguel e sobre como ele me alertou que ela corria perigo e me pediu para salvá-la. Falei também sobre qual era a sensação de ser banido para o Inferno e sobre como foi acordar, três dias depois, e dar de cara com Lúcifer e contei sobre seu falso funeral – o qual eu ainda não tinha descoberto quem havia sido enterrado em seu lugar – e sobre a reação que Jess e Norah tiveram em seu sepultamento, o que fez Loren se sentir um pouco culpada e fez com que eu me apressasse em dizer que ela não tinha culpa alguma e que aquele, infelizmente, era um mal necessário. Ela concordou, é claro, mas ainda era possível ver em seus olhos que ela se sentia mal por tudo aquilo e que sentia muita saudade das amigas.

Em algum momento de nossa conversa Jonah acordou e, depois de amamentá-lo, Loren o levou para a cama conosco. Ele acabou adormecendo nos meus braços e seu corpo parecia tão pequeno e frágil em minhas mãos que tive medo de quebrá-lo caso me mexesse, mas fiquei feliz quando Loren começou a rir e me chamou de “bobo” por pensar em tal coisa.

Nunca em minha existência eu havia imaginado que poderia gostar de algo como família ou filhos, até mesmo porque tais coisas não faziam parte da minha realidade como anjo, mas agora, enquanto Lúcifer me guiava, sabe-se lá para onde através do Oceano Atlântico Norte, eu só conseguia pensar no corpo quente e macio de Jonah em meus braços e no sorriso emocionado de Loren enquanto nos observava. Eu queria muito mais daquela vida.

– Nós podemos voltar no próximo mês. – a voz de Lúcifer invadiu meus ouvidos, quebrando meus pensamentos e, sem entender a que ele se referia, eu me virei em sua direção.

– Podemos voltar para onde?

– Para Veneza, é claro. – ele abriu seu sorriso de sempre e se aproximou – Acho que se tomarmos os devidos cuidados e formos discretos, podemos voltar à cidade mais vezes. Tenho certeza que você gostaria de ver o seu filho crescer, não é mesmo?

– Achei que você tinha dito que essas visitas eram perigosas. – retruquei – Por acaso está querendo que Miguel descubra que a Loren continua viva?

– É claro que não. – Lúcifer se defendeu – Eu não disse que nós devemos voltar à Veneza. Eu disse apenas que nós podemos voltar à Veneza, caso seja do seu interesse. Isso significa que, se você quiser, podemos dar um jeito de fazer uma visita rápida, de tempos em tempos, para acompanhar o crescimento do Jonah.

– Você prometeu que me entregaria a cabeça de Miguel, em uma bandeja de prata, antes que as últimas folhas deixassem às copas das árvores. – relembrei – A menos que tenha mentido sobre isso, faltam apenas alguns meses para que as árvores percam suas folhas por completo, então, eu não acho que o Jonah terá crescido tanto ao ponto de precisarmos esquecer as regras e acompanhar o crescimento dele.

– Eu reconsideraria essa afirmação. – Lúcifer disse, convencido – Aliás, como um grande conhecedor da raça Nefilim, acho que é meu dever avisá-lo que, se você quisesse mesmo acompanhar todo o crescimento do Jonah, vê-lo todos os dias ainda não seria suficiente.

– Do que está falando?

– Ora, Azrael. – Lúcifer interrompeu seu voo e parou a alguns metros de mim – Você nunca leu nada a respeito dos Nefilins? Nem mesmo naquela tal Bíblia Sagrada?

– É claro que eu li. – respondi na defensiva – O que me surpreende é que você tenha lido. Não sabia que os demônios podiam ler a Bíblia.

– Não seja tolo. – Lúcifer me olhou irritado – É claro que nós não podemos, mas, mesmo que pudéssemos, eu não perderia o meu tempo lendo aquele livro velho. – ele deu de ombros – Só estou dizendo que, certamente, deve haver algo sobre os Nefilins na Bíblia já que, até onde sei, o Altíssimo inundou a Terra durante quarenta dias apenas para destruí-los.

– Não foi apenas por isso. – eu o corrigi – A raça humana estava corrompida.

– Eu sei disso. – Lúcifer sorriu – Quem você acha que a corrompeu?

Nem respondi. Eu já conhecia a história.

Assim que os Anjos Caídos conseguiram se libertar do Inferno e começaram vagar sobre a Terra, eles conheceram as filhas dos Homens e se enamoraram de sua beleza. Decidiram, então, tomar as mulheres para si e, assim, deram origem a uma raça híbrida que foi chamada de Nefilim.

Os Nefilins co-habitaram a Terra junto com os humanos por um tempo e criaram grandes civilizações, já que eram uma raça poderosa, mas sua existência desagradou a Deus, que entristecido com os mortais por cederem às tentações dos Caídos e darem origem aqueles seres impuros, decidiu destruir os Nefilins e, junto com eles, toda a humanidade.

Noé e sua família, por sua vez, não haviam se corrompido com os pecados da humanidade e permaneceram no caminho da retidão e da pureza. O Senhor, então, decidiu poupá-los e ordenou a Noé que construísse a arca e que levasse consigo um casal de cada espécie animal existente na Terra.

Quando o Grande Dilúvio aconteceu, as águas cobriram o planeta por quarenta dias e todo ser vivente na Terra, inclusive os Nefilins, foram destruídos. Quando o nível da água baixou, Noé e sua família saíram da arca, libertaram os animais e repovoaram a Terra com sua descendência obediente e pura.

A história termina com o Altíssimo firmando uma aliança com a raça humana e prometendo nunca mais destruí-la como havia feito, mas eu acharia mais correto se disséssemos que o próprio Miguel havia firmado essa aliança com os humanos, já que não me lembro do Altíssimo ter participado deste episódio e já que, como é do conhecimento de todos, foi Miguel quem agiu como seu porta-voz.

– Em que está pensando? – Lúcifer se aproximou de mim e ficou planando ao meu redor, praticamente mapeando minhas expressões e movimentos com seus olhos vermelhos e analíticos.

Eu odiava quando ele fazia aquilo, quando me olhava como se pudesse decifrar cada um dos meus pensamentos, embora eu soubesse que ele não podia. Aquilo me irritava de tal maneira que minha vontade era lhe dar um soco que o faria sair voando pelo oceano até cair novamente em Veneza, mas eu sabia que brigar não nos levaria a lugar algum e, por mais que o olhar especulativo dele me tirasse do sério, tudo o que me importava agora era destruir Miguel e manter Loren em segurança.

– Estava pensando no Grande Dilúvio. – respondi, meio de má vontade já que Lúcifer continuava me encarando daquele jeito que eu detestava – Também estava pensando nas coisas que sei sobre os Nefilins.

– Ótimo. – ele abriu um sorriso – E o que você sabe?

Dei ombros.

– Não muito. Sei que os Nefilins surgiram a partir das relações entre os Anjos Caídos e os humanos. Sei que eles eram poderosos e inteligentes e sei que a existência deles perturbou tanto o Altíssimo que ele decidiu afogá-los e destruí-los junto com a humanidade inteira.

– Só isso? – Lúcifer pareceu decepcionado – Isso é realmente tudo o que você sabe sobre uma raça que acabou de trazer de volta para o mundo?

– Bem – franzi um pouco a testa –, eu também sei que eles eram chamados de gigantes naquela época.

– Hum... – Lúcifer meneou a cabeça de um lado para o outro – Ainda não é lá grande coisa, mas pelo menos agora você vai entender a que eu me referi quando falei sobre “acompanhar o crescimento do Jonah”.

– Ele não vai se tornar um gigante de três metros de altura. – retruquei – Sei que os Nefilins foram descritos dessa forma na Bíblia, mas eu vi alguns deles e sei que eles não eram realmente gigantes. Os humanos apenas tinham muito medo deles e por isso os descreviam como monstros enormes e assustadores.

– Eu sei. – Lúcifer concordou – Aliás, é surpreendente a forma como o medo muda a perspectiva dos seres humanos. Eu, particularmente, acho genuíno a maneira como a imaginação deles é capaz de criar monstros horripilantes a partir da sombra do mais simples dos objetos, mas isso não vem ao caso agora. – ele dispensou o assunto com um leve aceno de mãos – O que importa é que, aparentemente, você não sabe que o desenvolvimento dos Nefilins é mais acelerado que o dos seres humanos, não é?

– Como assim mais acelerado? – tentei não demonstrar que eu realmente era um completo leigo naquele assunto, mas não sei se fui bem sucedido. Se não fui, Lúcifer não falou nada a respeito.

– Bem – ele disse calmamente – As gestações dos Nefilins são como as gestações humanas normais. Elas duram nove meses e, nesse tempo, o feto se desenvolve na barriga da mãe da mesma forma que um feto humano se desenvolveria. Quando nascem, porém, seu desenvolvimento é muito mais rápido. O Nefilim cresce, em um mês, o que um humano normal cresceria em um ano. Logo, é correto afirmar que quando o nosso plano finalmente for concluído, Jonah já será uma criança de cinco ou seis anos, esperta e bem desenvolvida.

Lúcifer se calou e cravou os olhos em mim, certamente esperando que eu dissesse algo ou fizesse alguma pergunta, mas eu permaneci calado, pois ainda estava em choque. Ninguém nunca tinha me dito que os Nefilins se desenvolviam tão rápido e eu me perguntava porque tinham ocultado uma informação tão importante quanto aquela, mas agora que eu estava parando para pensar no assunto, o que Lúcifer dizia realmente fazia sentido.

Em minhas andanças pela Terra, em meus dias de Ceifeiro, eu encontrei algumas tribos Nefilins em meu caminho e uma das coisas que mais me chamou atenção nelas era o fato de que quase não havia crianças ali. Os povoados humanos eram sempre repletos de crianças correndo para todos os lados, mas os povoados Nefilins eram constituídos quase que exclusivamente de jovens. Era engraçado pensar que eu sempre tinha observado essa estranha característica em suas tribos antes do Grande Dilúvio, mas que só agora, depois de conversar com Lúcifer, é que eu realmente havia me atentado para aquele detalhe.

– O que mais você sabe sobre os Nefilins? – perguntei sem tentar disfarçar o meu interesse no assunto.

Como Lúcifer dissera anteriormente, eu sabia muito pouco sobre a raça que tinha trazido novamente para o mundo e, pelo bem de Jonah e da própria Loren – embora eu não achasse que Jonah poderia representar algum risco a ela –, eu queria saber um pouco mais sobre o que o futuro nos reservaria.

Lúcifer pensou por um instante, mantendo uma expressão concentrada no rosto e eu me perguntei se ele estava apenas se esforçando para se lembrar de mais algum detalhe incomum sobre a raça nefilim ou se estava tentando decidir que detalhes seriam vantajosos para ele me contar e que detalhes não seriam.

Seja como for, após um breve momento pensando no assunto, ele voltou a falar:

– O corpo dos Nefilins é como o nosso corpo na forma humana, mas de uma maneira permanente. Eles se ferem e sentem dor, mas seu corpo é muito resistente e se recupera com facilidade, o que proporciona a eles uma longevidade bem superior a longevidade humana. Alguns chegam a viver até duzentos anos – o que eu acho que deve ter inspirado as histórias sobre vampiros que os jovens leem atualmente, mas não posso dizer com certeza. – Lúcifer riu – No geral, acho que é isso e... Ah! – os olhos dele se iluminaram – Alguns Nefilins tinham dons como os nossos. Nunca soube de nenhum que pudesse voar ou fazer nada muito extraordinário, mas soube de um ou dois que podiam invadir a mente humana e controlar seus pensamentos.

– Esclarecedor. – comentei sem muita emoção.

Era bem verdade que, internamente, havia um turbilhão de questionamentos povoando a minha cabeça, mas obviamente eu não deixaria Lúcifer perceber o que sua breve aula sobre os Nefilins havia despertado em mim.

Eu queria saber como Jonah se comportaria durante o seu crescimento, se o fato de ser um híbrido entre um anjo e um humano influenciaria sua personalidade, se o tornaria agressivo ou não. Queria saber se Loren já estava a par desses detalhes sobre o desenvolvimento dele e como ela se sentia a respeito disso e, mais do que tudo, queria saber se Jonah seria como um dos Nefilins citados por Lúcifer, aqueles que possuíam dons angélicos e, caso ele fosse, que tipo de dom ele possuiria.

Havia tanta coisa para questionar, pensar e repensar sobre Jonah que eu quase nem acreditei que tudo aquilo realmente dizia respeito ao bebê pequeno e frágil que eu havia segurado em meus braços poucas horas antes. Era difícil imaginar que, em seis meses, ele já se seria uma criança bem desenvolvida e capaz de fazer várias coisas sozinho. Loren provavelmente não ia gostar dessa parte. Ela me pareceu muito feliz por ter o seu mundo girando ao redor de Jonah e de suas necessidades. Não que eu achasse que isso iria mudar muito depois que ele crescesse.

Durante toda a minha existência eu já presenciara muitos relacionamentos entre mães e filhos e havia aprendido o suficiente para saber que, mesmo quando o filho já tinha sua própria família e seus próprios filhos, as mães nunca deixavam de tratá-los com o mesmo cuidado, amor e dedicação que tinham quando eles eram crianças. Provavelmente, Loren seria assim.

– Pelo visto voltaremos à Veneza no próximo mês. – Lúcifer disse com um sorriso convencido.

Guardei meus pensamentos para mim e olhei para ele tentando fazer a minha melhor cara de seriedade, o que não foi nada difícil já que a presença dele era totalmente desagradável.

– Porque diz isso?

– Ora – Lúcifer riu –, eu não entendo muito de emoções humanas, mas esse sorriso bobo na sua cara não é um sinal de ternura? Quanto tempo você que acha aguentaria ficar longe da Loren e do Jonah sem morrer de saudades?

Revirei os olhos e balancei a cabeça.

– Porque você não cala essa maldita boca, hein? – reclamei – Aliás, porque nós não mudamos de assunto e vamos direto para a parte onde você me explica porque estamos sobrevoando o Oceano Atlântico como duas aves marinhas desorientadas?

– Em primeiro lugar, você tem noção do quanto é o ofensivo comparar duas criaturas impressionantes como nós a meras aves marinhas? – Lúcifer retrucou – E, em segundo lugar, quem foi que disse que estamos desorientados? Eu sei exatamente para onde estamos indo.

– E para onde estamos indo? – questionei.

O sorriso no rosto de Lúcifer se alargou e suas longas fileiras de dentes pontiagudos ficaram expostas como as de um tubarão, antes de ele dizer:

– Estamos indo conhecer o seu exército, General. Estamos indo para casa.

Notas finais
Bem, senhores e senhoritas, esse capítulo foi curtinho e foi mais para eu dar uma ideia a vocês do que esperar do Jonah e do rumo da fanfic. O proximo capítulo vai ter mais ação, pois como o o tinhoso disse no fim desse capítulo, Bryan e ele retornarão ao inferno para conhecer o "novo exército" dele. XD Vejo vocês em breve. Beijos e até a próxima.