Killer

21 Despertando de Um Pesadelo


Notas iniciais
Olá, como vocês estão? Bravos? rsrs Acho que depois de eu demorar uma vida para atualizar a fic muita gente aqui deve estar querendo me matar ou algo do tipo, né? Mas tudo bem, eu entendo. Sei como é chato ficar esperando um capítulo novo e peço desculpas pela demora em atualizar essa estória. Entretanto, peço também um montão de paciência de vocês. Sua pobre autora se forma daqui a dois semestres e teve que começar a desenvolver o projeto de TCC (com um orientador que é o diabo em forma de professor) rsrs Então.. se antes eu já não tinha muito tempo para escrever, agora, com esse carrasco tirando meu couro, as coisas pioraram. Quase todos os meus minutos estão reservados ao TCC e quando sobra um tempinho para escrever, geralmente eu já queimei tanto os meus neurônios com artigos científicos e pesquisas aplicadas que não me sobra inspiração suficiente para escrever algo descente para vocês. Tenho feito o possível para não demorar tanto para postar os capítulos (para vocês terem uma ideia, estou até escrevendo dentro do ônibus, em pé, enquanto volto para casa), mas ainda assim está complicado, então peço humildemente a compreensão de todos e aproveito para ressaltar que eu não vou desistir da fanfic ou excluí-la. Apenas sou enrolada mesmo XD Bem, dadas as devidas explicações, vou deixar que leiam o capítulo, né? Boa leitura!

[Loren P.O.V.]

Dias Atuais

O ardor em meu corpo diminuiu gradualmente. Começou pela ponta de meus dedos e foi se extinguindo lentamente até que meus ossos já não se pareciam tanto com ferro em brasa quanto antes e, conforme a sensação de estar sendo queimada viva começou a passar, pude sentir minha respiração e meus batimentos cardíacos voltarem ao seu ritmo normal.

– Loren? – Bryan me chamou e tocou meu rosto de maneira suave.

Sua voz estava carregada de preocupação e sua pele estava fria de encontro a minha, mas ainda assim senti meu interior se aquecer ao ouvi-lo. Era como se eu estivesse sendo consumida pelo fogo novamente, porém, a chama que ardia em meu interior naquele momento era bem diferente da que tinha percorrido meu corpo quando toquei a tatuagem no peito de Bryan. Aquela chama não me causava dor. Ela me despertava.

Abri os olhos e encontrei Bryan diante de mim.

Ele ainda possuía os mesmos olhos azuis intensos que eu tinha visto antes de apagar. Sua boca ainda possuía o mesmo formato e a mesma coloração avermelhada e seu cabelo negro ainda contrastava perfeitamente com sua pele branca e imaculada, que ainda parecia reluzir sob a luz do luar que invadia o quarto naquela noite, mas ainda assim, quando olhei para ele foi como se eu o estivesse vendo pela primeira vez em séculos.

Ele não era apenas Bryan, o garoto estranho e misteriosamente sedutor que eu havia conhecido no Saint Auguste. Não. Ele era Bryan, o anjo da morte que havia salvado minha vida e por quem eu havia me apaixonado perdidamente. Nós não éramos apenas dois estranhos, mentalmente perturbados, que haviam sido trancafiados juntos em um quarto branco sem janelas. Nós tínhamos uma história. Pertencíamos um ao outro.

Sem pensar duas vezes, lancei meus braços ao redor de seu pescoço e uni meus lábios aos dele, sentido uma corrente elétrica atravessar meu corpo, tão forte que seria suficiente para iluminar toda uma cidade.

Era como se todo o tempo que havíamos passado longe um do outro nunca tivesse existido. Como se todas as tragédias que eu tinha suportado até então fossem apenas pesadelos dos quais eu, finalmente, estava acordando. E eu estava acordando nos braços de Bryan. Aquecida e segura.

Separei minha boca da dele por um momento e fitei seu rosto, sentindo as lágrimas se acumularem em meus olhos, embaçando minha visão.

– Eu senti tanta saudade. – disse com a voz embargada por causa do choro.

Minha afirmação podia até não fazer muito sentido para Bryan, afinal ele tinha apagado minha memória – duas vezes – e eu podia ver em seus olhos que ele achava que era impossível eu ter me lembrado dele durante esse tempo e que, portanto, também era impossível que eu tivesse sentido sua falta. Mas ele estava errado. Ele podia ter arrancando de mim todas as lembranças dos momentos que passamos juntos, mas ele jamais seria capaz de arrancar de mim aquela sensação de que faltava alguma coisa em minha vida.

Durante os dois anos que passei em Trevolts, eu sempre me senti incompleta e, agora, eu sabia que Bryan era o motivo. Eu havia sentido sua falta a cada maldita hora de cada maldito dia e nenhum poder celestial que ele pudesse usar mudaria isso. Mesmo tendo apagado minha memória, Bryan não pode apagar a forma como sua presença ficou gravada em mim.

– Está tudo bem. – ele disse de forma terna, passando seus braços ao meu redor e me abraçando – Eu estou aqui agora.

Assenti brevemente e apertei meus braços um pouco mais ao redor de seu pescoço. Mesmo estando ao seu lado nos últimos dias, a sensação de tê-lo em meus braços agora era diferente. Parecia que, finalmente, aquele espaço vazio em meu peito tinha sido preenchido. Eu me sentia completa agora.

– Por favor, não me deixe de novo. – pedi em voz baixa.

Bryan se afastou um pouco e segurou meu rosto entre as mãos, fazendo com que eu o olhasse nos olhos. Aqueles olhos azuis que pareciam absorver tudo ao seu redor.

– Eu não vou te deixar. – disse ele e cada sílaba daquela frase era como uma promessa – Não vou te deixar nunca mais, Loren.

Sem aviso, ele se inclinou em minha direção e uniu seus lábios aos meus mais uma vez. Sua boca era doce e suave de encontro a minha e cada vez que nossos lábios se tocavam eu sentia borboletas dançarem em meu estômago.

E então eu me dei conta de que estávamos sozinhos em meu quarto. Me dei conta de que Bryan ainda estava sem camisa e que seu corpo estava quente de encontro ao meu. Me dei conta de que a lua continuava brilhando no céu lá fora, revelando que ainda faltavam algumas horas para o amanhecer e esse simples pensamento fez minha pele arder.

Eu nunca tinha desejado ir para cama com alguém antes, mas – no pouco tempo que tivemos para ter uma conversa desse tipo – minha mãe havia me dito que quando esse momento chegasse, eu saberia que estava pronta para me entregar a alguém e, ali, com Bryan, eu soube que aquele era o momento do qual minha mãe falara. Eu estava pronta. Eu queria me entregar.

– Eu te amo. – sussurrei, separando minha boca da dele apenas por um segundo.

– Eu também te amo. – ele respondeu mordendo meu lábio inferior levemente, fazendo com que uma queimação lenta e profunda se instalasse em meu baixo ventre.

Apertei meu corpo um pouco mais contra o seu e ele deslizou uma das mãos de meu rosto para minha cintura e a outra para minha nuca, entrelaçando os dedos em meus cabelos. Logo. os beijos castos e suaves que trocávamos deram lugar aos beijos intensos e quentes, tão quentes que eu sentia que poderia entrar em combustão espontânea a qualquer instante.

– Loren. – Bryan sussurrou o meu nome em meio a um suspiro.

Sua voz era profunda e sexy em meu ouvido e seus dedos estavam tão apertados em meus cabelos que chegava a doer um pouco, mas eu não me importava. Eu estava faminta por ele e tinha certeza que ele sentia o mesmo por mim. Nós queríamos mais. E eu queria tudo o que ele pudesse me dar.

Deslizei minhas mãos de seu pescoço para suas costas e o arranhei devagar, sentindo seus músculos se contraírem sob o meu toque.

– Eu quero você. – sussurrei em seu ouvido.

Senti os lábios de Bryan se repuxarem em um pequeno sorriso contra meu rosto e, um milésimo de segundo depois, senti seus lábios em meu pescoço, beijando-me com ternura.

– Você já me tem. – ele disse erguendo a cabeça para me olhar nos olhos – Eu me tornei seu no momento em que te conheci.

Sorri e, sem dizer mais uma palavra, pressionei meus lábios nos seus e me deixei cair completamente em seu feitiço, enquanto sentia seu corpo quente cobrir o meu. Eu estava totalmente absorvida por ele. Perdida dentro daquele momento.

Não importava quanta dor ou quanta escuridão eu tivera que suportar no passado. Bryan estava ali, comigo, e não havia outro lugar onde eu gostaria de estar naquele momento, senão naquela cama, enquanto nos beijávamos e nos tocávamos. Enquanto descobríamos um ao outro.

Senti Bryan segurar a barra de minha camiseta branca, puxando-a lentamente para cima e ergui os braços para que ele pudesse retirá-la por completo.

Eu não estava usando sutiã, pois o uniforme do Saint Auguste não incluía tal peça, então, assim que Bryan retirou minha camiseta não havia mais nada que o impedisse de ver minha nudez e automaticamente me senti envergonhada. Eu nunca gostei muito do meu corpo. Sempre achei que meus seios eram pequenos e que eu era muito magra – algo que devia ter se acentuado ainda mais depois do tempo que eu tinha passado no Saint Auguste – e não sabia se Bryan ia gostar do que veria.

Olhei para ele, sentindo minhas bochechas corarem, mas ao invés de encontrar uma expressão de decepção em seu rosto, vi que seus olhos azuis estavam brilhando enquanto ele me encarava, prendendo a respiração.

– Você é linda. – ele murmurou cobrindo minha boca com a sua.

Sua mão forte acariciou meu seio, fazendo arrepios percorrerem minha espinha e, sem me conter, cravei minhas unhas em suas costas, arranhando-o com mais força do que havia planejado. Ouvi Bryan suspirar de encontro a minha boca e então ele segurou meus pulsos, retirando minhas mãos de suas costas e prendendo-as acima de minha cabeça.

Eu estava prestes a reclamar, quando ele deslizou suas mãos de meus pulsos para o cós de minha calça e, com relativa facilidade, a puxou para baixo, levando junto minha roupa íntima e deixando-me completamente nua.

Não tive tempo de me sentir envergonhada dessa vez. Senti Bryan acariciar minha panturrilha, deslizando seus dedos em direção à parte interna de minhas coxas, enquanto alternava entre beijar e mordiscar meu umbigo.

Fechei os olhos e mordi meu lábio inferior com força, tentando controlar minha respiração que estava rápida e alta demais, mas era difícil me controlar com Bryan me tocando daquela forma e, embora eu soubesse que àquela hora, no Saint Auguste, qualquer ruído soava alto demais, não pude evitar que um gemido escapasse de meus lábios.

Bryan pareceu não se importar. Muito pelo contrário. Isso pareceu servir como um incentivo para ele, que guiou suas mãos de minhas coxas para meus quadris e levou seus lábios de meu umbigo para meus seios, fazendo-me delirar com a sensação que sua boca deixava em minha pele.

– Bryan! – sussurrei o nome dele, quase sem fôlego e entrelacei meus dedos em seus cabelos negros novamente, puxando sua boca para a minha, enquanto segurava o cós de sua calça com a mão livre e a puxava para baixo, recebendo uma ajuda dele para terminar o meu trabalho.

Àquela altura já não havia nada mais entre nós e, apesar de eu ter certeza do que queria, o próximo passo seria um grande passo para mim e eu não pude evitar de me sentir um pouco nervosa, então, separei meus lábios dos lábios de Bryan uma última vez e fitei seus belos olhos azuis, procurando neles a segurança de que eu precisava.

Não foi difícil encontrá-la.

Os olhos de Bryan queimaram nos meus com tanta paixão e com tanta admiração que todo o meu nervosismo se dissipou instantaneamente e naquele momento eu soube que não importava se eu estava condenada a passar o resto dos meus dias em um hospício ou se o Alto Escalão Celeste iria nos condenar ao inferno. Eu era dele e ele era meu. Nada mais importava.

– Eu te amo. – repeti.

– E eu te amo. – ele disse selando minha boca com a sua e, ao mesmo tempo, deslizando seu corpo no meu.

Apertei meus braços ao seu redor e cerrei os dentes para bloquear o grito que, sem querer, escapou por minha garganta quando o senti alcançando lugares cada vez mais profundos dentro de mim.

– Me desculpe. – Bryan sussurrou, fitando-me com intensidade – Eu te machuquei?

Balancei a cabeça de forma negativa.

– Estou bem. – respondi um tanto sem fôlego – Não pare.

Ele sorriu e voltou a me penetrar, primeiro lentamente e depois de forma mais intensa. A cada investida eu sentia a dor em meu baixo ventre se esvair um pouco, até que ela finalmente desapareceu e tudo o que restou foi a sensação de ter o corpo de Bryan chocando-se contra o meu.

Comecei a me mover junto com ele, ajustando-me ao seu ritmo até que nossos corpos se tornaram completamente sincronizados, movendo-se tão facilmente quanto uma dupla de dançarinos bem ensaiados. Eu sentia Bryan se afundar cada vez mais em mim, intensificando o ritmo e fazendo-me perder a cabeça com cada impulso.

Aquilo me surpreendeu um pouco, afinal, Bryan era um anjo e eu tinha certeza que, assim sendo, ele era tão inexperiente nas questões sexuais quanto eu. Entretanto, diferente de mim, ele estava completamente seguro guiando-me por esse novo caminho e cada recanto de minha mente estava concentrado naquela sensação inebriante que era tê-lo dentro de mim e uma onda incrível de prazer começava a avançar em meu interior, devastando-me. Cravei minhas unhas em suas costas mais uma vez e, então, senti o meu corpo convulsionar, chegando ao ápice do prazer.

Bryan se desfez logo depois, desmoronando sobre mim. Todo o seu corpo estava tenso de encontro ao meu e uma fina camada de suor cobria sua pele e, enquanto eu o olhava, só pude pensar que ele nunca tinha parecido tão humano para mim quanto naquele momento.

– Isso foi incrível. – eu disse com um sorriso cansado.

Bryan assentiu brevemente e segurou minha cintura com força, invertendo nossas posições e aninhando-me em seus braços, permitindo que eu descansasse minha cabeça em seu peito.

Naquela posição eu podia ver sua tatuagem e, apenas por curiosidade, guiei minha mão até ela, contornando suas linhas negras com a ponta do dedo indicador. Dessa vez, nenhuma lembrança invadiu minha mente ao tocá-la, mas eu ainda podia sentir certo poder emanando dela.

– O que é essa tatuagem? – perguntei, erguendo um pouco a cabeça para olhar para Bryan.

– Bem... Isso não é exatamente uma tatuagem. – ele franziu um pouco a testa, pensando – Nós a consideramos mais como uma marca, já que ela não foi feita com tinta e agulha como as tatuagens humanas, entende?

– Entendo. – assenti com um sorriso tímido.

A verdade era que eu, realmente, não havia imaginado que aquela marca fosse como uma tatuagem humana. Entretanto, eu também não havia imaginado que ela pudesse ter sido feita sem a utilização de tintas e agulhas e isso fazia com que eu me sentisse uma perfeita idiota, afinal, era óbvio que os anjos não eram criaturas que costumavam frequentar estúdios de tatuagem.

– Respondendo a sua pergunta – Bryan interrompeu meus pensamentos e voltei a me concentrar nele –, essa marca representa nossa união com Deus. Nós a recebemos no dia da nossa criação e é através dela que recebemos nossa Graça e podemos nos identificar como Filhos de Deus.

– Então todos os anjos possuem uma marca igual a essa? – indaguei, ainda contornando as linhas negras do desenho com a ponta de meu dedo indicador.

– Mais ou menos.

– Como assim? – franzi a testa, confusa.

– Bem, essa é uma marca de união com O Altíssimo. – Bryan explicou – Quando Lúcifer e suas hordas se rebelaram contra Ele e foram expulsos do Paraíso, essa união se quebrou e, por isso, eles perderam sua marca.

– Então, Lúcifer e os anjos caídos não possuem uma marca como você?

– Não exatamente. – Bryan respondeu com um sorriso divertido – De fato, Lúcifer perdeu sua marca ao cair, mas ele quer tanto ser igual a Deus que criou sua própria marca para simbolizar sua união com os anjos caídos.

Aquela informação despertou minha curiosidade e me apoiei sobre os cotovelos, encarando-o.

– Qual é a marca de Lúcifer? – eu quis saber.

– Uma serpente. – Bryan deu de ombros – Lúcifer nunca foi muito criativo.

Não retruquei.

Ao ouvir aquilo não pude deixar de me lembrar da visão que tive quando Bryan e eu nos beijamos pela primeira vez. A visão em que Anjos e Demônios lutavam lado a lado contra outros Anjos e a visão que eu havia decidido que contaria a ele antes de ele apagar minha memória.

Lembrei-me, também, que Bryan havia ido ao meu quarto naquela noite, disposto a devolver minhas lembranças, justamente porque achava que havia alguma informação nelas que poderia ajudá-lo a compreender algo que ele não conseguira compreender sozinho e, mesmo que eu não quisesse estragar aquele belo momento em que estávamos, não pude deixar de pensar que aquele era um assunto importante que não poderia ser adiado.

– Lembra quando você me falou que eu era uma profetisa? – perguntei sentando-me na cama. Bryan assentiu e eu continuei: – Você me disse que Gabriel era responsável por revelar aos profetas suas obrigações e que, quando chegasse a hora, ele revelaria as minhas, não é?

– Sim. – Bryan se sentou também e me encarou com atenção – Você viu alguma coisa?

Respirei fundo e me ajeitei melhor na cama.

– Quando nos beijamos pela primeira vez, logo depois de você me salvar daqueles homens, eu vi algumas imagens. – expliquei – No início, eu não as entendi muito bem. Achei que elas fossem algum tipo de alucinação causada pelo estresse que eu tinha enfrentado, ou algo do tipo, mas, com o tempo, elas se tornaram mais intensas e mais nítidas e, então, eu comecei a pensar que elas, talvez, fossem as revelações de Gabriel. Eu ia te contar sobre elas, mas você apagou a minha memória antes que eu tivesse a chance de fazer isso.

Bryan engoliu em seco e abaixou a cabeça, parecendo envergonhado e eu, automaticamente, desejei ter escolhido melhor minhas palavras.

Eu tinha certeza que havia sido difícil para ele apagar todas as minhas lembranças e se afastar daquela forma e eu entendia, perfeitamente, que ele havia feito aquilo para me proteger. Não tinha intenção alguma de condená-lo pelo que fizera no passado, mas acho que ele interpretou minhas palavras exatamente como uma condenação.

– Eu sinto muito por isso. – Bryan disse em voz baixa, depois de um breve momento.

– Tudo bem. – eu o abracei para reconfortá-lo – Isso não importa mais.

Ele beijou o topo de minha cabeça, com ternura e me apertou em seus braços.

– Posso saber o que você viu?

Apertei os lábios e tentei recordar todas as imagens que passaram por minha cabeça naquele dia.

– Primeiro eu vi você. – respondi contando nos dedos – Depois eu vi uma criança que tinha olhos azuis iguais aos seus e, depois, vi minhas próprias mãos cobertas de sangue.

Um estranho arrepio atravessou meu corpo ao rever essa imagem em minha mente e eu sacudi minha cabeça levemente para me afastar a lembrança dali.

– Depois eu vi uma guerra entre Anjos e Demônios. – continuei, acariciando meus braços para me livrar da sensação gelada que se instalara em minha pele – Essa guerra se parecia com aquela que você descreveu quando me contou como Lúcifer foi expulso do Céu, mas, dessa vez, havia Anjos lutando ao lado dos Demônios e o mundo estava um verdadeiro caos.

Bryan permaneceu calado por um momento, parecendo absorver aquelas informações. Através de seus olhos era possível ver que ele se esforçava para encontrar um sentido em tudo o que eu vira.

– Tem certeza que havia Anjos lutando ao lado dos Demônios? – ele perguntou por fim.

– Absoluta.

Ele pensou por mais um momento e depois se colocou de pé, recolhendo suas roupas do chão.

– Aonde você vai? – perguntei sentindo a aflição começar a brotar dentro de mim.

– Se o que você viu realmente estiver correto, Miguel precisa ser avisado. – ele respondeu, vestindo-se rapidamente – Tenho certeza que Lúcifer está tramando alguma coisa e, se for uma guerra e ele tiver corrompido mais Anjos para sua causa, O Exército precisa estar preparado.

– Você está indo embora? – questionei.

Agora que eu havia recuperado minhas memórias, a lembrança de Bryan me deixando estava bem viva em minha mente e eu não podia deixar de pensar que ele estava prestes a me abandonar de novo.

– Não. – ele respondeu, aproximando-se da cama e segurando minhas mãos – Eu só preciso falar com Miguel sobre a sua visão, está bem? Eu não estou indo embora para sempre.

Olhei para o chão, sentindo meu coração se afundar dentro peito.

– Não fique assim, Loren. – ele segurou meu queixo gentilmente, fazendo-me erguer a cabeça e encará-lo. – Eu vou voltar.

Assenti brevemente e forcei-me a segurar as lágrimas que ameaçavam inundar meus olhos. Por algum motivo eu não conseguia afastar de mim aquela sensação de que, se o deixasse partir agora, eu não o veria nunca mais. Entretanto, eu não podia prendê-lo ali.

– Você promete? – perguntei fitando seus belos azuis – Promete que volta?

– Eu prometo. – ele respondeu e uniu seus lábios aos meus uma última vez antes de partir.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado do capítulo e que ele tenha valido toda a espera. Dedico esse capítulo à Lunatic (que encontrou essa fanfic através de um grupo no Facebook) e a Nai Azevedo - vulgo Belas e Malvadas (que também é leitora assídua das minhas outras duas fanfics). Garotas, muito obrigada por suas belíssimas recomendações *----* e obrigada a todos os leitores dessa fanfic por seus reviews. Beijos e até o próximo capítulo, que deve demorar outra eternidade para ser postado (infelizmente!)