Killer

22 De Volta Ao Lar


Notas iniciais
Olá, há quantas eras, hein? XD Sei que demorei mais que o normal (e olha que eu sempre demoro para atualizar essa estória), mas mesmo estando de férias da faculdade e tendo muito mais tempo livre para escrever, só agora consegui terminar esse capítulo. O motivo: tive um daqueles bloqueios criativos fortíssimos e toda vez que eu tentava escrever a Killer nunca saía nada que prestasse. Quem me tem como contato no Facebook, pode presenciar o meu sofrimento para terminar esse capítulo kkk Chegou um momento em que eu estava a ponto de ter um surto psicótico por causa da dificuldade que estava tendo, mas.... felizmente passou. Antes de deixá-los ler, gostaria de dedicar esse capítulo à Jessica que fez uma bela recomendação dessa fanfic e ainda me deu forças para terminar de escrever esse capítulo e à Bia Redbird, leitora assídua das minhas outras duas fanfics e que me mandou um belíssimo comentário nessa estória. Obrigadinha, garotas! Agora, vamos ao capítulo 22 que assim como o capítulo 23 é um P.O.V. do Bryan. Aproveitem ^^ Boa leitura.

[Bryan P.O.V.]

Enquanto me dirigia ao encontro de Miguel eu só conseguia pensar em Loren e na expressão triste que havia se instalado em seu rosto quando nos despedimos. Era nítido que o fato de eu tê-la deixado dois anos antes a atormentava e eu me sentia mal por, de certa forma, estar deixando-a novamente, logo depois de termos compartilhado um momento tão bonito.

Se a situação fosse outra, eu jamais teria deixado Loren sozinha. Ainda estaria no Saint Auguste, envolvendo-a em meus braços e aproveitando cada segundo que tínhamos, mas ela havia me contado sobre sua visão e, por mais que aquilo doesse em nós dois, eu não tinha outra escolha a não ser voltar para casa e alertar Miguel.

Apesar de o Reino Celeste ser a minha morada natural, diferente de meus irmãos, eu não costumava visitá-lo com frequência. Desde a criação dos seres humanos eu havia passado a ficar mais tempo na Terra que no Paraíso e, depois que conheci Loren – algumas centenas de milhares de anos depois da Criação –, minha presença entre os mortais se tornou ainda mais frequente.

Alguns de meus irmãos até estranharam o fato de eu ficar tanto tempo na Terra, mas nenhum deles me questionou a respeito. Acho que, no fim, eles acabaram associando o longo período que eu permanecia entre os mortais com as tarefas que eu realizava como Ceifeiro e esqueceram o assunto. O que eles não sabiam, entretanto, era que o grande motivo pelo qual eu passava tanto tempo no mundo dos mortais era porque, depois de tantas eras no Paraíso, eu havia simplesmente me cansado da paisagem e da rotina daquele lugar.

No momento de sua criação a Terra se tornou uma espécie de rota de escape para mim e, depois que conheci Loren, ela se tornou uma espécie de lar também. Um lar que eu tinha deixado para trás pela primeira vez em séculos.

Assim que me aproximei dos Portões Celestiais, Galgaliel veio ao meu encontro. Ele trajava uma armadura prateada e reluzente, cujo elmo era moldado com o mesmo formato da cabeça de uma águia e cujo corpo possuía alguns relevos no formato de penas. Apesar de manter sua espada dentro da bainha, Galgaliel carregava o escudo nas mãos e a faixa vermelha e transversal em seu tronco indicava que ele era a autoridade responsável pelos anjos daquele grupo.

– Azrael. – ele me cumprimentou pousando o punho fechado sobre o coração e abaixando levemente a cabeça em sinal de respeito – Já faz algum tempo que não o vejo atravessando esses portões.

– Tenho andado ocupado. – respondi repetindo seu gesto.

Eu havia passado, exatamente, quatrocentos e sessenta e oito anos na Terra, mas não esperava que Galgaliel percebesse isso. A passagem do tempo no Paraíso não era como a passagem do tempo no mundo dos mortais e para um anjo que nunca havia cruzado A Fronteira, como Galgaliel, seria complicado entender essa diferença.

– A população humana tem crescido rápido, não é mesmo? – ele comentou revelando que eu estava certo em minhas suposições – Há algum tempo todos eles cabiam em único continente e, hoje em dia, estão espalhados ao redor do mundo. Vocês, Ceifeiros, devem ter muito mais trabalho agora.

– Sim. – assenti – Nós temos muito trabalho e, ao que parece, vocês também.

Olhei para os Anjos da Fronteira ao meu redor que, assim como Galgaliel, trajavam armaduras prateadas e reluzentes e portavam diversas armas, como: espadas, lanças, arco e flechas e maças. A última vez que eu os vira tão bem armados assim tinha sido durante a guerra que resultou na expulsão de Lúcifer e sua horda de traidores do Reino Celeste, então, eu presumia que algo grande devia estar acontecendo para que os Anjos da Fronteira se armassem daquela forma novamente.

– Miguel nos deu ordens para aumentar a segurança nos Portões. – Galgaliel me explicou – Ele não nos disse o porquê, entretanto.

– Por falar em Miguel – desviei meu olhar dos Anjos da Fronteira e me concentrei em Galgaliel –, você sabe onde ele está agora?

– É provável que esteja na Armada. – ele respondeu aproximando-se um pouco mais de mim e abaixando o tom de voz – Miguel e O Exército têm passado a maior parte do tempo por lá. Praticamente se isolaram do restante de nós. Sabe se tem alguma coisa estranha acontecendo, Azrael?

– Não estou à parte dos assuntos do Exército, Galgaliel. Sou um Ceifeiro, lembra-se?

Galgaliel assentiu, envergonhado.

– Perdão, irmão. Eu me equivoquei.

– Não se preocupe. – ergui a palma da mão brevemente, indicando que deveríamos esquecer o assunto – Mas será que poderia abrir os Portões para mim? Tenho um assunto a tratar com Miguel.

– Claro. – Galgaliel fez sinal para Adonael e Dabriel, dois Anjos da Fronteira responsáveis por guardar o grande portão de bronze próximo a nós, o abrirem – Foi bom revê-lo, irmão. – ele depositou novamente o punho fechado sobre o peito em despedida.

– Igualmente – retribui dirigindo-me ao portão.

O Paraíso era dividido em Sete Céus, entretanto, os anjos tinham livre acesso a apenas quatro deles.

O primeiro céu – por onde eu acabara de passar – era chamado de Portões Celestiais e consistia em uma grande muralha de pedra repleta de portões de bronze ao longo de sua extensão. Cada portão era guardado por um grupo de anjos que, sob o comando de Galgaliel, era responsável por manter fora do Paraíso aqueles que não tinham permissão de entrar e por manter, dentro dele, aqueles que não deveriam sair.

O segundo céu era chamado de Almas Cativas. Ele era assim conhecido por ser o local destinado a abrigar as almas de todos os santos, profetas e mártires que haviam morrido ao longo dos séculos. Assemelhava-se aos antigos Jardins Suspensos da Babilônia, com suas grandes árvores, montanhas e lagos e, creio eu, tinha sido idealizado dessa forma numa tentativa de tornar o Reino Celeste mais familiar para os humanos que ali residiam.

Apesar de os anjos terem livre acesso ao segundo céu, nenhum de nós o frequentava a menos que fosse necessário. Entretanto, havia um limite entre o terceiro e o quarto céu que, praticamente, nenhum anjo ousava ultrapassar.

O terceiro céu era conhecido como Torres de Marfim e era assim chamado porque possuía milhares de torres brancas e gigantescas espalhadas por toda a sua extensão. Essas torres não possuíam portas ou escadas e eram usadas como residências oficiais das mais diversas castas angelicais existentes no Paraíso, com exceção dos Ceifeiros.

Por serem anjos que lidavam com a morte, os Ceifeiros eram diferentes das demais castas em diversos aspectos. Sua personalidade era mais fria, suas atitudes mais rudes e até mesmo suas asas eram diferentes dos demais, pois, ao invés do branco que simbolizava a pureza e a paz dos outros anjos, os Ceifeiros possuíam asas negras para simbolizar o constante luto causado pela morte.

Todas essas diferenças faziam com que as outras castas temessem a presença dos Ceifeiros quase tanto quanto os humanos temiam a ideia de personificação da morte, com seu capuz negro e sua grande foice, por isso, foi dado aos Ceifeiros um céu próprio, que refletia exatamente a sua personalidade assassina.

Esse era o quarto céu.

O quarto céu era conhecido entre os anjos como O Abismo e tinha recebido esse nome porque a morada dos Ceifeiros tratava-se de nada mais que um grande despenhadeiro escuro, com diversas criptas incrustadas em suas paredes. Por causa aura obscura do Abismo os demais anjos evitavam se aproximar dele e os Ceifeiros viviam praticamente isolados no quarto céu, tendo como visitantes apenas O Exército que, algumas vezes, aparecia por lá para requisitar seus trabalhos.

O quinto céu – que era para onde eu me dirigia naquele momento – também era um local isolado. Entretanto, não era pelo fato de os outros anjos terem medo de se aproximar dele e, sim, porque Miguel o tinha marcado como uma área restrita.

Ele se chamava Armada Celestial e era assim conhecido por funcionar como uma espécie de Quartel General para O Exército. O quinto céu também era a morada oficial de Miguel e a única rota para se chegar ao sexto e ao sétimo céu, nos quais ele não permitia que ninguém entrasse sem sua permissão.

E o que havia no sexto e no sétimo céu? Bem, nada demais. Apenas o Jardim do Éden, com cada espécie animal e vegetal existente na Terra, além da famosa Árvore do Conhecimento que levou Adão e Eva à ruína e, é claro, Deus.

Na verdade, tudo isso ficava no sétimo céu. O sexto céu era apenas um oceano imenso, sobre o qual você poderia voar até suas asas cansarem e, ainda assim, jamais encontraria a entrada para o Éden a menos que Miguel o guiasse ou a menos que você encontrasse uma forma de burlar o poder divino que existia ali, o que, é claro, ninguém se atreveria a fazer a não ser que quisesse passar o restante de sua existência no Inferno, sentado em um banquinho ao lado de Lúcifer.

Eu considerava todas aquelas divisões no Paraíso uma besteira tão grande quanto as segregações sociais existentes na Terra, onde os pobres não podiam entrar em determinados lugares que eram frequentados pela dita “alta sociedade”, mas quem era eu para dizer ao Criador que ele havia errado em sua obra? Entretanto, eu não conseguia deixar de pensar que havia um dedinho de Miguel em toda essa divisão de Sete Céus. Ele sempre fora um grande narcisista maníaco por controle, em minha opinião, e tudo aquilo combinava bastante com sua personalidade. Eu só não tinha como provar minhas suposições.

Sacudindo um pouco a cabeça para livrar dos devaneios, inclinei minhas asas para trás e pousei, pesadamente, diante da Armada, sendo recebido pelos três anjos que montavam guarda na porta de entrada com um sacar de espadas que logo foram apontadas, perigosamente, em minha direção.

Eles usavam a armadura dourada com bordas azuis do Exército completa, o que os deixava mais corpulentos e ameaçadores e, apesar de eu estranhar o fato de que, assim como os Anjos da Fronteira, aqueles três guardas estavam muito bem armados, o que me chamou mesmo a atenção foi o fato de que havia três deles em um lugar onde, normalmente, havia apenas um.

Natanael foi o primeiro a abaixar sua espada.

– Azrael! – ele exclamou recolando a espada na bainha e abrindo o sorriso que já lhe era tão característico – Há quanto tempo!

– Desde quando são necessários três anjos para guardar a entrada da Armada? – perguntei sem me preocupar em lhe fazer uma saudação – Um anjo não é o suficiente?

Natanael olhou para os dois anjos atrás de si, que continuavam empunhando suas espadas em minha direção e depois se voltou para mim.

– Teoricamente, eu sou o responsável por guardar a entrada da Armada, – ele explicou com um sorriso tímido –, mas Miguel tem feito muitas reuniões com O Exército aqui e achou que seria bom reforçar a segurança com mais dois de nós.

Ergui uma sobrancelha, desconfiado.

– Miguel designou três anjos para guardar uma única porta? Acho que essas reuniões devem ser muito importantes.

– E são. – Sarakiel respondeu abrindo a porta de repente e postando-se diante dela como uma muralha – Como vai, Azrael?

A última vez que eu encontrara Sarakiel fora em Angel’s House, enquanto eu procurava por Loren depois de toda a confusão que acontecera na festa. Naquela ocasião, Sarakiel havia me dado um sermão por não fazer meu trabalho de Ceifeiro corretamente, esquecendo-me de acompanhar Theodore Walters – meu trabalho daquela noite – para ter certeza de que ele morreria no momento predestinado. Ele também havia me ameaçado, dizendo-me que se eu quebrasse as regras mais uma vez faria questão de me arranjar um lugar no Inferno, o que me forçou a me afastar de Loren por algum tempo, deixando-a sozinha para enfrentar uma investigação policial, um julgamento e, é claro, as artimanhas de Lúcifer.

Apesar de os humanos imaginarem que no Paraíso todos os anjos vivem em harmonia, na verdade, as coisas não são exatamente assim. Boa parte dos anjos realmente vive em paz uns com os outros, mas há aqueles que, como eu e Sarakiel, são uma exceção.

Não era segredo para ninguém que Sarakiel e eu nos odiávamos. Nós nos tratávamos sempre com um mínimo de educação apesar disso, mas todos percebiam que essas formalidades não passavam de um mecanismo para esconder o ódio que sentíamos um do outro.

– Sarakiel. – eu o cumprimentei fazendo questão de deixar evidente todo o meu desagrado com sua presença – Há quanto tempo.

– Não tanto quanto eu gostaria. – ele abriu um breve sorriso presunçoso, mas logo voltou a assumir a expressão séria – Posso saber o que traz aqui?

– Preciso falar com Miguel. – respondi de maneira direta.

– Ah, sim. – Sarakiel assentiu vagarosamente – Infelizmente O Grande Príncipe está ocupado agora. – ele fechou a porta atrás de si e caminhou em minha direção com passos lentos – Porque não volta depois?

Cerrei os punhos, tentando controlar a raiva que crescia dentro de mim e o encarei com seriedade.

– E porque você não volta lá para dentro e pede que Miguel venha até aqui? – sugeri entre dentes – O que eu tenho a dizer é importante.

Sarakiel se aproximou mais um passo, olhando-me como se estivesse diante de um inseto inconveniente que precisava ser esmagado. Assim como Miguel, ele tinha aquele olhar de superioridade que me irritava. A única diferença era que Miguel inspirava o respeito de todos a sua volta por ser o anjo de maior hierarquia entre nós, já Sarakiel... era apenas metido.

– Você está me desafiando, Azrael? – ele perguntou semicerrando os olhos – Por acaso acha que eu estava brincado quando falei sobre arranjar um lugarzinho para você ao lado de Lúcifer?

– Isso nunca me passou pela cabeça. – respondi de maneira seca.

Sarakiel permaneceu me encarando e retribuí a igual maneira, enquanto Natanael e os outros dois anjos a nossa volta nos encaravam apreensivos. Desavenças entre anjos eram normais, mas não em público. Geralmente, era o respeito que imperava em nossa raça, então ver anjos discutindo assim era como observar a passagem do cometa Halley pela Terra. Acontecia algumas vezes, mas era algo raro.

– Eu teria mais cuidado se fosse você, Azrael. Eu não costumo aceitar esse tipo de insolência de um relis Ceifeiro. – Sarakiel me advertiu, praticamente cuspindo as palavras na minha cara.

– Este “relis Ceifeiro” já foi o seu Capitão, Sarakiel. – a voz grave de Miguel ecoou pelo ambiente, fazendo todos se voltarem para a porta de entrada da Armada, onde ele agora estava parado, imponente em sua grandiosa armadura dourada – Nós lhe devemos respeito.

Notas finais
Bem galera, depois de todo o meu sofrimento, eu espero que vocês tenham gostado do capítulo. Criei um Reino Celeste totalmente meu, então, espero que não tenha ficado muito estranho. Já comecei a escrever o capítulo 23 e acho que conseguirei terminá-lo até, no máximo, quarta ou quinta feira (se eu não tiver outro terrível bloqueio criativo, é claro). No próximo fim de semana eu pretendo fazer uma revisão nos capítulos anteriores, pois fui dar uma olhadinha neles e vi que deixei passar muitos erros gramaticais e de digitação. Não sei se quando eu consertar os erros do capítulo anterior vocês receberão algum notificação de atualização na fanfic, mas caso recebam, lembre-se que não se trata de um novo capítulo, será apenas uma revisão. Beijos e até o próximo.