Killer

34 Aliança


Notas iniciais
Olá, Quanto tempo, hein? Faz uma eternidade que não apareço por aqui, mas eu andei ocupada nos últimos dias e a inspiração também não estava muito afim de colaborar. Felizmente, essa semana ela voltou e eu tive um tempinho a mais de folga, então consegui terminar o capítulo e eu espero que vocês gostem. Boa leitura.

[Bryan P.O.V.]

A Corte Del Fontego era um cortiço cheio de prédios antigos e mal conservados, onde residiam dezenas de famílias de classe média-baixa e algumas crianças barulhentas que corriam, para lá e para cá, parecendo alheias a todos os adultos que estavam a sua volta... Exceto Lúcifer.

Conforme atravessávamos o pátio as crianças paravam o que estavam fazendo para encará-lo com olhos arregalados e bocas abertas e eu me perguntava se toda essa reação delas era apenas por causa de sua aparência peculiar ou se as crianças realmente podiam ver o que ele era de verdade.

Os adultos, por sua vez, pareciam não se importar com nossa presença. Alguns nos olhavam torto por não sermos moradores do bairro, mas a maioria sequer parecia notar que estávamos lá e permanecia conversando, animada, com seus vizinhos e vizinhas.

Tábita, a garota demônio que nos recebera, nos conduziu até o último prédio da vila e nos guiou, escada acima, por três andares, até um pequeno corredor onde havia duas portas de madeira gastas.

Ela bateu três vezes na porta identificada com uma placa desbotada onde se lia o número 302 e aguardou. Meio minutos depois outra jovem, de cabelos ruivos e curtos, que também não parecia ter muito mais que quinze anos apareceu ali para nos receber.

– Milord. – ela fez uma reverência para Lúcifer e depois se voltou para mim – General.

Franzi a testa porque ainda não tinha entendido o que significava aquilo, mas acenei levemente com a cabeça e ela sorriu.

– Por favor, entrem. – disse abrindo um pouco mais a porta e fazendo um gesto abrangente para o interior do apartamento.

Lúcifer foi o primeiro a entrar e, assim que ele passou pela porta, eu acenei para que Tábita o seguisse e entrei logo depois dela.

Como eu já imaginava o apartamento era pequeno e sem qualquer luxo. As paredes eram pintadas em tons pastéis desbotados, os móveis eram antigos e, em sua grande maioria, feitos de madeira e os eletrodomésticos eram um pouco ultrapassados. Ainda assim, a maneira como estava organizado e os enfeites que havia nas paredes, mesas e estantes, o tornavam aconchegante. Quase como um lar de verdade.

– Brigitte. – Lúcifer se dirigiu à garota ruiva – Onde está Lisandra?

– Ela estava ajudando a garota com o banho, Milord, mas já devem ter terminado. Em breve ela virá cumprimentá-lo.

– Ótimo. – Lúcifer sorriu – Todos estão bem?

– Sim, senhor. Temos sido muito cuidadosas como o senhor pediu;

Mal Brigitte terminou de falar, uma mulher mais velha, provavelmente na casa dos trinta anos, adentrou na sala carregando uma bacia repleta de roupas de bebê.

– Milord. – ela fez uma reverência para Lúcifer, assim que o viu, e se virou para mim, para repetir o gesto, mas eu a interrompi antes que ela tivesse a chance de fazê-lo.

– O que é isso? – indaguei apontando para a bacia cheia de roupas de bebê.

A mulher abriu a boca para responder, mas antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, Lúcifer se postou ao seu lado e colocou as mãos em seus ombros.

– Deixe que eu cuido disso, Lisandra. Pode continuar com sua tarefa.

– Sim, senhor. – ela se despediu com outra reverência e sumiu pela porta que levava a uma pequena varanda, enquanto eu me virei para Lúcifer, fuzilando-o com o olhar.

– Explique. – exigi, assim que Lisandra estava fora de vista.

Ele assentiu, mas ao invés de começar a falar, se aproximou de mim e fez um gesto para Tábita, que continuava parada ao lado da porta de entrada.

– Tábita irá levá-lo até Loren. – disse – Encontre-a e veja com seus próprios olhos aquilo que tenho para lhe mostrar. Nós conversaremos depois e eu responderei às suas perguntas.

Lúcifer deu dois tapinhas em meu ombro e, então, seguiu para a varanda, atrás de Lisandra, enquanto Tábita se encaminhou para a entrada de um pequeno corredor à esquerda da sala.

– Por aqui. – ela indicou e, sem nenhuma outra palavra, eu a segui.

O corredor, que não tinha mais que um metro e meio de cumprimento, se abria em outro pequeno espaço que comportava dois quartos e um banheiro simples, que eu podia ver parcialmente através da porta entreaberta.

– Ela está no quarto à sua direita. – Tábita comunicou, parando no final do corredor e fazendo um gesto para que eu seguisse em frente.

Assenti e assim que dei o primeiro passo para fora do corredor, ela se virou e refez seu caminho de volta para a sala.

Continuei em frente, sentindo o nervosismo crescer dentro de mim a cada passo que eu dava. A possibilidade de tudo aquilo não passar de uma brincadeira de mau gosto criada por Lúcifer ainda martelava em minha cabeça e eu temia pelo que poderia encontrar quando chegasse ao quarto.

A porta à minha esquerda estava escancarada, revelando duas pequenas camas de solteiro com lençóis amarelados, que eu imaginei que pertencessem à Lisandra e às outras duas garotas, mas a porta à minha direita estava fechada e precisei reunir toda a minha coragem para girar a maçaneta e a abrir.

A primeira coisa que vi foi uma cascata de cabelos castanho escuro no extremo oposto do quarto, seguida pela cor azul vibrante do tecido de um vestido e quando Loren finalmente se virou para mim, com os olhos brilhando e um sorriso curvando seus lábios rosados, quase caí de joelhos em agradecimento.

Ela estava viva. Viva e tão linda quanto a última vez em que eu a tinha visto, logo antes de ela fechar os olhos e levar todo o meu mundo com ela.

– Loren. – balbuciei sem conseguir encontrar forças para dizer ou fazer qualquer coisa que não fosse ficar ali parado, encarando-a como um bobo, com medo até de piscar e ela acabar desaparecendo como fumaça escapando por entre os meus dedos.

Felizmente, para nós dois, Loren parecia ser bem mais corajosa que eu e, com três passos rápidos, ela extinguiu a distância que havia entre nós e pulou nos meus braços.

– Você está bem? – ela me abraçou com força e o calor de seu corpo invadiu o meu, levando lágrimas aos meus olhos – Eu achei que nunca mais ia te ver. Achei que Miguel...

Sua frase foi interrompida quando, sem qualquer aviso, eu a beijei e enlacei meus braços ao redor de sua cintura.

Eu achei que nunca mais sentiria isso. O gosto de seus beijos, o cheiro doce de sua pele, o calor de sua respiração contra a minha pele... Achei que eu a tinha perdido para sempre e agora que eu sabia que ela estava ali e que aquilo não era um sonho ou uma fantasia, eu me sentia tão feliz que pensei que poderia explodir.

– Eu te amo. – disse assim que separei minha boca da sua – Te amo mais do que qualquer outra coisa no universo. Você é tudo para mim, Loren. É a verdadeira razão pela qual eu existo.

Ela me encarou por um momento, parecendo encantada com minhas palavras e então sorriu e acariciou o meu rosto.

– Eu também te amo. – respondeu depositando um selinho breve em meus lábios – Mais do que quase qualquer coisa.

– Quase? – eu franzi a testa e isso a fez rir baixinho.

– Tem alguém que você precisa conhecer, Bryan. Alguém que é muito especial para mim.

Loren deu um passo para o lado e olhou para o interior do quarto, especificamente para o local onde ela estava quando abri a porta, e só então eu reparei no pequeno berço, coberto com lençóis brancos cheios de babados, que havia ali.

– Vem. – Loren me estendeu a mão e eu a segurei, sem conseguir desviar os olhos do pequeno móvel a nossa frente por um só segundo enquanto ela me conduzia até ele.

Quando nos aproximamos do berço e pude contemplar a face gorducha e rosada do pequeno ser que repousava ali dentro, não pude descrever o que senti.

Eu podia ouvir os batimentos de seu pequeno coração, trabalhando para manter todo o seu corpinho vivo. Podia ouvir o ressoar suave de sua respiração, enquanto seu peito subia e descia num ritmo lento e constante. Podia ver os movimentos quase imperceptíveis que seus dedos faziam sobre a grossa manta, azul e branca, com que ele estava embrulhado, e o cheiro sutil de sua pele invadia o meu nariz da mesma forma que o perfume de um campo de flores.

Eu vagava por esse universo desde a aurora dos tempos. Havia assistido a criação das estrelas, do Planeta Terra, dos seres humanos e de tudo o que existia nesse vasto mundo. Vi civilizações surgirem e decaírem, estive presente em quase todos os grandes feitos da humanidade e do Altíssimo, mas nunca tinha visto algo tão magnífico quanto aquilo.

– Ele é...

– Nosso. – Loren me interrompeu com um sorriso afetado – É o nosso filho, Bryan. Fruto de todo o amor que eu e você compartilhamos.

Assenti e respirei fundo, ainda sem conseguir tirar os meus olhos do rostinho daquela criança que dormia tranquilamente, sem saber que o mundo fora daquele quarto estava praticamente desmoronando.

– Qual é o seu nome? – questionei.

Eu me sentia a ponto de chorar e não sabia dizer se isso era bom ou ruim, porque eu não entendia quase nada sobre as emoções humanas. Tudo o que eu sabia sobre sentimentos, sobre amor ou felicidade, eu havia aprendido com Loren e eu sabia que eu estava feliz e que aquele era o momento mais surpreendente de toda a minha existência, mas não tinha certeza se lágrimas seriam uma demonstração coerente para o que eu sentia naquele momento.

– Seu nome é Jonah. – Loren respondeu sorridente – Lisandra disse que é hebraico, mas eu não sei. Eu apenas acho esse nome bonito.

– Jonah. – consegui dizer finalmente – Ele é... perfeito. A coisa mais linda que eu já vi e estou feliz por finalmente conhecê-lo, mas eu não entendo. Só se passaram três dias. Como ele pode estar... assim?

Loren sorriu e se aproximou do berço, passando os dedos delicadamente pela bochecha rosada de nosso filho, como se ele pudesse quebrar se fosse tocado da maneira errada.

– Ele estava morrendo. – ela disse baixinho – Meu corpo parecia não querer aceitá-lo quando acordei aquela noite, no terraço do Saint Auguste. Achei que eu iria perdê-lo.

– Me conte sobre aquela noite. – pedi depositando minha mão sobre a sua que estava apoiada sobre a grade do berço – O que realmente aconteceu lá, Loren?

Ela respirou fundo e parou de acariciar a bochecha de Jonah, voltando a manter a postura ereta quando se virou para mim.

– Eu não sei explicar muito bem o que aconteceu aquela noite. Eu só me lembro que eu estava morrendo e que estava olhando para você. Falando com você. Então tudo ficou escuro e eu senti como se estivesse flutuando, suspensa no centro de um buraco negro. Eu não sabia onde o meu corpo começava ou terminava e tudo estava muito confuso, então, de repente, eu abri os olhos e ele estava lá. – Loren explicou, parecendo perdida em suas lembranças – De início eu não sabia que ele era quem ele é. Eu apenas o ouvi dizer que eu precisava ficar calma e que tudo ficaria bem, mas eu estava me sentindo completamente aérea e a fumaça negra que saía do Saint Auguste fazia os meus pulmões arderem, então não prestei muita atenção nele. Eu só notei que estava na presença de um demônio quando vi a tatuagem no braço dele. A serpente da qual você me falou quando eu perguntei qual era o símbolo dos anjos caídos, lembra?

Assenti e ela continuou:

– Eu fiquei assustada quando percebi com quem eu estava. Então, mesmo debilitada, eu tentei me levantar e correr para longe dele e foi aí que eu senti a dor. Uma pontada aguda na parte inferior do meu ventre e então eu comecei a sangrar. Entrei em desespero, porque eu sabia que se tratava do bebê. Eu estava perdendo o nosso filho e eu não sabia o que fazer. – ela me olhou com tristeza – Foi aí que Lúcifer se ofereceu para ajudar. Ele disse que o meu corpo estava rejeitando o bebê, porque teoricamente Jonah deveria estar morto assim como eu estava minutos antes, mas ele disse que poderia dar um jeito naquilo se eu permitisse.

– E você permitiu? – retirei minha mão da sua, mas Loren a segurou novamente.

– O nosso filho estava morrendo. – ela retrucou – Lúcifer disse que Miguel havia te banido para inferno e eu não sabia se algum dia eu te veria de novo, Bryan. Jonah era tudo o que me restava de você. A única coisa que eu ainda tinha. Eu não podia perdê-lo.

Loren estava chorando agora e eu me recriminava por tê-la feito chorar. Eu devia entender exatamente como ela se sentia, pois foi da mesma forma que eu me senti quando achei que a tivesse perdido. Eu daria qualquer coisa para vê-la de novo e embora eu tenha ficado bravo pelo que Lúcifer havia feito, também havia ficado feliz por tê-la de volta, principalmente agora que ela estava aqui, na minha frente. Então como eu poderia julgá-la por ter concordado com qualquer coisa que Lúcifer tivesse proposto apenas para poder salvar o nosso filho? Seria hipocrisia.

– O que Lúcifer fez? – perguntei segurando a mão dela com mais firmeza. Eu queria que ela soubesse que eu a apoiaria, independente do que viesse a seguir, pois Jonah também era importante para mim. Ele era uma parte minha.

– Lúcifer disse que eu não conseguiria manter a gravidez por todo o tempo necessário para que o bebê se desenvolvesse e que, se eu quisesse que ele vivesse, teria que avançar as etapas. – ela explicou – Eu não entendi o que ele quis dizer com isso, mas ele disse que tudo que acontecia na Terra era uma questão de espaço-tempo e que havia uma maneira de controlar isso. Então, ele disse que precisava que eu cedesse a ele oito meses da minha vida.

– Como uma oferenda?

– Não sei. Ele disse que esses oito meses de vida seriam retirados de mim e doados ao bebê, para que ele crescesse e se desenvolvesse como deveria, então eu concordei. – Loren deu de ombros – Foi aí que Lúcifer chamou Tábita, Lisandra e Brigitte para ajudá-lo. Eles me deitaram no chão e fizeram um círculo ao meu redor. Lúcifer cortou a própria mão com uma adaga de prata e desenhou alguns símbolos estranhos na minha barriga. Então eles fizeram algum ritual que eu não compreendi, mas aquilo funcionou. Eu pude sentir o bebê crescendo dentro de mim, como se os meses estivessem sendo compactados naquela única noite e o meu corpo começou a mudar. A mudança realmente doeu, Bryan. Doeu como se alguém tivesse enfiado a mão dentro do meu corpo e estivesse quebrando todos os meus ossos, esticando os meus músculos até que eles não aguentassem mais e eu pedi para que Lúcifer parasse. Eu chorei, gritei e implorei para que ele parasse porque eu achei que iria morrer, mas quando tudo finalmente terminou e eu ouvi o choro do nosso filho pela primeira vez, tudo aquilo simplesmente valeu a pena.

– E, então, Lúcifer te trouxe para Veneza?

– Ele pediu a Lisandra e às outras garotas que me trouxessem. Me deu seu sobretudo para que eu pudesse sair do Saint Auguste e as garotas arrumaram umas roupas para mim e para o Jonah. – Loren abriu um sorriso triste – Eu tive que me trocar em um banheiro público e não sei quais truques Tábita usou para que nós pudéssemos pegar um avião para Veneza sem ter documentos, passagem ou pelo menos um passaporte, mas aqui estamos. Foram doze horas de voo, mas estamos bem agora.

Assenti e olhei para Jonah, que continuava dormindo tranquilamente em seu berço. Ele nem sabia pelas coisas horríveis que havia passado. Seja lá como Lúcifer o havia trazido a esse mundo, eu sabia que envolvia um ritual tão ruim ou até pior e ainda mais proibido do que o que ele usara para ressuscitar Loren, mas eu estava aliviado porque as coisas pareciam ter terminado bem apesar de tudo.

Jonah parecia saudável e sereno, como uma criança deveria ser e Loren também parecia estar bem e feliz, apesar de tudo o que havia acontecido três dias atrás. Eu devia estar assustado, irado, ou determinado a denunciar todas as coisas malucas que Lúcifer havia feito, mas eu estava ao lado das duas pessoas que eu mais amava na vida e eu não conseguia pensar em nada melhor que isso.

– Desculpe por não estar com você quando tudo isso aconteceu. – disse envolvendo o corpo de Loren em meus braços e puxando-a para mais perto de mim – Nunca mais quero que coisas assim aconteçam com você.

– Não foi culpa sua. – ela descansou a cabeça em meu peito – Você não tinha como prever que isso aconteceria.

– Mas eu sabia dos riscos ao quais eu estava te expondo quando me envolvi com você. Não devia ter sido tão imprudente.

– Acho melhor você não falar mais isso. – Loren ergueu a cabeça para me olhar – Você me deu tudo o que tenho de bom na vida, Bryan. Um amor de verdade, um filho. Não me importa o que aconteceu ou como aconteceu, eu faria tudo de novo se isso significasse que chegaríamos até aqui.

As palavras dela tocaram no fundo de minha alma e então eu percebi que ela tinha razão. Eu podia dizer o quanto eu abominava tudo o que aconteceu, desde a maneira como Lúcifer a trouxera de volta a vida até a maneira como ele fez com que Jonah nascesse, mas olhando para Loren agora e para Jonah em seu berço, tão sereno e tão inocente quanto a melhor das almas que o altíssimo já criara, eu não podia dizer que me arrependia de ter me envolvido com Loren.

Ela também havia me dado tudo o que eu tinha. Um amor de verdade, um filho e uma razão para lutar todos os dias. Como eu poderia não amar isso?

Olho para baixo, para ela e é então que noto o grande corte avermelhado que está exposto em seu peito.

– Foi a espada de Miguel que causou isso? – aceno com a cabeça em direção ao ferimento e ela se afasta de mim, para olhar para o corte.

– Sim, mas já está quase bom. Vê? – Loren joga algumas mechas de seu cabelo para trás de seu ombro e se inclina em minha direção para que eu possa observar o ferimento melhor.

– Dói? – pergunto sentindo que alguma coisa dentro de minha alma acabou de se partir em mil pedaços. Eu não queria que ela tivesse de sofrer esse tipo de coisa. Ela não merecia algo assim.

– Já não dói tanto. – Loren abre um sorriso tímido, mas eu tenho a impressão de que ela está ser durona – Só preciso ter cuidado na hora de segurar o Jonah, pois às vezes ele bate a cabeça aqui sem querer.

Engulo em seco, triste e enraivecido ao mesmo tempo.

Era para tudo isso ser diferente. Loren não merecia o que houve com ela e eu me sinto um inútil por não ter impedido que ela se machucasse, que quase perdesse o nosso filho e que tivesse de passar por tanta coisa ruim apenas por eu ser quem sou e apenas por eu amá-la tanto quanto eu amo. Esse tipo de coisa não parece justa e odeio ter sido fraco demais para ajudá-la, mas eu não vou deixar que isso aconteça de novo. Nunca mais!

– Você me espera aqui, por um minuto? – pedi depositando um beijo cálido em sua testa – Eu volto rápido. Prometo.

Ela me olhou, certamente lembrando-se da ultima vez em que eu disse que voltaria rápido e passei mais de um mês sem lhe dar qualquer notícia, mas mesmo assim ela assentiu e eu percebi que eu poderia viver pela eternidade e jamais mereceria toda a confiança e todo o amor que Loren tinha por mim. Ela simplesmente mais do que eu podia sonhar em ter.

– Eu te amo. – eu disse mais uma vez, apenas para deixar isso bem claro para ela e então saí do quarto.

Atravessei o corredor que levava de volta a sala, onde encontrei Tábita e Brigitte organizando uma pequena pilha de roupas recém-lavadas e segui diretamente para a varanda, onde Lúcifer e Lisandra estavam conversando.

Ele se calou, no momento em que me viu e Lisandra se apressou em sair dali, passando por mim como um raio, certamente pensando que eu estava ali para causar alguma confusão. Não era esse o caso.

– Azrael... – Lúcifer começou falar, quando me aproximei, mas eu o cortei com um único olhar.

– Eu aceito. – disse e ele me encarou parecendo pasmo.

– Você o que?

– Eu aceito a sua oferta. – repeti – Ainda quero saber como você fez e porque você fez o que fez, mas se você precisa de alguém para colocar um fim à tirania de Miguel, então pode contar comigo.

Lúcifer me encarou por um tempo, parecendo não acreditar nas palavras que acabara de ouvir, mas após um momento um sorriso começou a se formar em seus lábios e ele me estendeu a mão.

– Então, você está comigo?

Prendi os meus olhos nos olhos vermelhos dele por um breve instante, lembrando-me das milhões de razões pelas quais eu deveria recuar naquele exato momento, mas não eram minhas desavenças com Lúcifer que estavam jogo ali. Pela primeira vez, em séculos, nós tínhamos um objetivo em comum e seria útil usar o seu ódio por Miguel e pelo Reino Celeste a meu favor, então eu deixei tudo aquilo de lado e apertei sua mão.

– Estou. – respondi e no instante seguinte senti uma queimação atípica correr por meu braço esquerdo em direção ao meu peito, marcando-me com a imagem da serpente símbolo dos aliados de Lúcifer.

Eu não sabia como essa aliança entre nós iria terminar, mas eu sabia de uma coisa: Miguel pagaria por todo o sofrimento que ele havia causado à Loren.

Notas finais
Então, muitas surpresas nesse capítulo, né? Algumas boas, outras preocupantes, mas eu espero que vocês tenham curtido, principalmente os sentimentos do Bryan pelo "fiote" dele, porque cá entre nós, sua escritora aqui morreu de amores ao descrever a cena *-* Gostaria de agradecer a JEMIMA por ter deixado seu comentário no último capítulo e por estar acompanhando a fanfic e vejo todos vocês em breve. Beijos e até lá.