Assim que o sinal tocou, simbolizando o final daquela longa aula de religião, Nina suspirou, aliviada. Antes da professora sair, levantou a mão, e assim que Elizabeth viu sua mão levantada, deu um breve sorriso.

– Sim, Nina?

– Eu posso beber água?

– Claro. — Elizabeth respondeu, em um tom um tanto decepcionado.

Nina pegou o celular de sua mochila e levantou-se da carteira que estava, caminhando em passos lentos na direção da porta. Quando chegou na mesma, encarou-a e a abriu com um movimento rápido. Enquanto saia da sala e virava-se para fechar a porta, olhou de relance para Matt, que estava inclinado para o lado na carteira, conversando com seu melhor amigo, Luck Wyler. Desbloqueou a tela do celular. " Você tem uma nova mensagem. ". O coração dela gelou. Abriu a mensagem, mas logo viu que era de sua mãe. Dizia:

Nina, eu provavelmente não esteja em casa quando você sair da escola. Deixei comida pronta na geladeira, é só esquentar no microondas. Vou estar em uma reunião.

Revirou os olhos e sorriu. Nunca esteve tão aliviada assim. Bloqueou a tela do celular e o colocou no bolso traseiro do shorts. Foi até o bebedouro, e quando estava se inclinando para beber um gole da água, escutou um barulho de tiro vindo do lado de fora da escola. Seu coração acelerou, e a primeira coisa que veio na cabeça dela foi correr até o local de onde o som. E foi exatamente o que ela fez.

Ao chegar no pátio, Nina logo viu o corpo de um homem de meia idade jogado no chão, o cabelo castanho com alguns fios brancos bagunçados, os olhos verdes olhando para o teto do pátio. Mas era como se não estivesse ali... O olhar dele estava distante. Provavelmente estava pensando nas pessoas que iria deixar. As pessoas que tomavam conta da cantina já estavam ao redor do corpo. Ela se aproximou, exitante. Não sabia quem era, mas logo a dúvida desapareceu, quando viu que era o velho faz-tudo da escola. E, além de faz-tudo, ele era seu avó. Nina se aproximou dele, que agora estava com as mãos na cabeça, se contorcendo desesperadamente. Parecia que estava lutando para dar um ultimo suspiro. Tudo isso em vão. Colocou a mão sobre o buraco do tiro no peito dele. Lágrimas quentes rolaram por seu rosto. Logo a escola inteira, incluindo aquela professora substituta insuportável estaria ali. Todos vendo o sofrimento dela, mas ninguém que realmente conseguisse compreender a dor que ela sentia no fundo do peito naquele momento. Era como se o tiro tivesse pegado em seu coração, não no coração de seu avó. Inclinou-se para frente, as lágrimas agora caíam sobre o rosto do homem ao chão, que agora tinha parado de se contorcer. Estava em paz agora. Sem dor. Sem sofrimento. Estava em um outro lado. E Nina esperava que esse lado fosse melhor que o que ela estava. Beijou a testa dele antes de ser pegada no colo por Matt, e levada para longe.

A matança tinha começado, mas Nina não queria acreditar nisso. Queria acreditar que tinha sido apenas uma morte, sem a intenção de a incriminar. Mas o assassino, quem quer que fosse, já tinha dado um passo certo. Ninguém viu Nina até o momento em que ela chegou, alguns segundos depois de seu avó ser morto. Iriam a investigar. Fazer perguntas. Ela provavelmente teria que ser investigada pelo CSI como principal suspeita. Só de pensar nisso, ela se desesperou. Abraçou Matt com força, as unhas cravadas em suas costas. Não gostava nem um pouco da ideia de ser a principal suspeita de um crime que ela não tinha envolvimento nenhum.