Era manhã de sexta-feira. Seis horas, pra ser mais exata. Os raios de sol adentravam no quarto com certa persistência, já que a cortina de tecido pesado dificultava a claridade. Mas ainda estava frio. Assim que o primeiro raio atingiu o rosto sonolento de Nina, ela abriu os olhos lentamente, e encarou o despertador ao seu lado, que por sinal, não tinha tocado. Levantou-se com pressa da cama, já estava atrasada para a aula. Correu para o guarda-roupa, e vestiu a primeira roupa que encontrou por lá, então foi até a frente do grande espelho que cobria uma parede inteira, e prendeu o cabelo com rapidez em um rabo-de-cavalo. Saiu do quarto correndo e desceu as escadas, quase caindo várias vezes enquanto descia os 14 degraus. Quando chegou no primeiro andar da casa, Nina correu até a porta, e saiu, indo na direção do carro, uma minivan preta, que era de sua mãe, na verdade, mas ela podia usar quando quisesse. Entrou no carro e o ligou, saindo da garagem da casa, então dirigiu por um caminho cheio de curvas para a esquerda, curvas para a direita, e linhas retas. Assim que chegou na escola, estacionou na vaga de sempre, na frente da secretaria. Quando ela desceu do carro, viu suas duas melhores amigas, Katrina e Anne paradas na frente de seus armários, então sorriu e foi correndo até elas, com a mochilha pendurada no ombro por apenas uma alça, seu cabelo ruivo batendo nas costas e a franja se soltando por causa da corrida, os olhos verde-esmeralda demonstrando uma certa excitação enquanto fitava as amigas.
– Oi Trina. Oi Anne. -Nina disse enquanto se dirigia ao seu armário, colocando a combinação, logo o abriu e checou as aulas que teria naquele dia. Pegou o material necessário e colocou na mochila.
– Oi Nina. -Katrina e Anne disseram juntas, então se entreolharam e sorriram.
– Alguma novidade?
– Hn... — Katrina pensou, e enquanto fazia isso, mordia o lábio inferior. — O Baile de outono vai acontecer daqui há um mês.
– Ah. Entendi.
Ela odiava os bailes de outono. Na verdade, odiava todo tipo de baile. Por quê? Porque ela simplesmente não via o sentido de ficar toda embelezada pra sair com um cara que ela provavelmente gostaria de manter certa distância. Nina ajeitou seu moletom azul do tipo um-dia-ainda-lavo-isso, e checou se o seu shorts era pelo menos aceitável. Um shorts jeans escuro com algumas partes rasgadas e desfiadas. Ok, pensou ela, até que não está tão ruim assim. O primeiro sinal tocou, o que significa que faltava 5 minutos pra aula. As pessoas que estavam no corredor começaram a correr de um lado pro outro, pegando seu material, de modo que formavam uma pequena multidão. Como sempre, Nina, Katrina e Anne andaram uma ao lado da outra, e como sempre, a pequena multidão abriu caminho para elas. Logo as três chegaram na sala de aula, e sentaram-se em carteiras uma ao lado da outra.
Logo a sala estava lotada de alunos gritando, conversando, jogando bolinhas de papel com cuspe uns nos outros, mas isso só durou três minutos, até a professora entrar na sala. Assim que ela entrou, todos ficaram quietos, e os que estavam fora de seus lugares, voltaram para o mesmo. Mas aquela era uma professora nova. Não era aquela velha de 89 anos chamada Rita que mal conseguia respirar sem um enorme esforço que dava aula de religião para aquela turma. Ela era nova, uns 23 anos, no máximo. Cabelos castanhos na altura dos ombros, olhos azuis penetrantes, e um olhar severo. Traços fortes, e um lábio fino, avermelhado pelo batom que tinha acabado de aplicar e estava colocando no bolso.
– Bom dia, turma. Eu sou Elizabeth Dellary, e serei a professora substituta de vocês. A Rita sofreu um acidente e teve que ser internada, mas logo ela deve voltar. — Enquanto falava, ela se sentava na mesa, cruzando as pernas, deixando a saia que já não era tão grande, menor ainda.
Vários garotos, inclusive Matt Damer, namorado de Nina, arregalaram os olhos ao olhar para as pernas da nova professora, o que fez Nina revirar os olhos e tirar uma folha de seu caderno para jogar na cabeça dele. Ela fez o possível para evitar olhar os relógios enquanto estava na aula de religião, para tentar entender alguma coisa sobre o Cristianismo e o Islamismo. Ela ficou surpresa ao olhar no relógio novamente e ver que só tinham se passado cinco minutos. Revirou os olhos, e tirou o celular de dentro da bolsa, colocando no modo vibração para não chamar muita atenção. Assim que fez isso, recebeu uma mensagem. Nela estava escrito:
As pessoas ao seu redor irão morrer, e você levará a culpa por esses assassinatos. Descubra quem eu sou antes que o próximo corpo encontrado seja o seu.
Nina olhou o número. Restrito. Mordeu o lábio inferior e bloqueou a tela, colocando o celular de volta na bolsa. Aquilo deve ter sido só uma brincadeira de mau gosto. Quem iria matar pessoas só pra me ferrar?, pensou Nina. Não tenho inimigos aqui.
E como sempre, estava enganada.
Notas finais
Espero que gostem
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