Notas iniciais
Yo, mais um capítulo. Só to deixando postado, meio na pressa, então não coloquei as indicações de fics, nem o brasão da Kuroitsuki. Mais tarde eu volto e concerto isso, mas to realmente com pressa, então.
Enjoy.

-Naruto...
...
-Naruto........
.......
-Naruto-sama — disse uma voz que pareceu ter soado longe, mesmo sendo ao pé do meu ouvido — É a sua vez...
.................................
-NARUTO!!!!!!!

Me levantei quase de um pulo, sacando Harusame e olhando em volta. A primeira coisa que eu notei foi uma risada baixa e gutural saindo do fundo da minha cabeça. Olhei em volta, e Shikamaru me olhava meio entediado, com um dos olhos fechados como se estivesse com preguiça.
-Anda, é a sua vez... baka...
Me sentei de novo, tentando voltar a realidade. Haku estava sentada à minha direita, e parecia um pouco preocupada. Sorri de canto apenas pra ela relaxar, e voltei minha atenção as peças do tabuleiro. A vila estava em silêncio, já que ainda era bem cedo, e Shikamaru parecia estar com sono... Se bem que ele sempre parecia estar com sono.
-Não fique pensando tanto — ele disse, bocejando. Nunca conheci ninguém que gostasse tanto assim de bocejar, na verdade, ninguém que gostasse tanto de bocejar quanto eu.
-Gomén — eu disse, ignorando a risada na minha cabeça, eu tinha saído do ar completamente, e aquilo era muito comum — Qual foi seu movimento?
-Bispo na E4 — ele disse, sem animo.
-Cheque.
Todo o sono se esvaiu da sua cara, e ele encarou o tabuleiro por um longo momento, tão atento que parecia que estava numa luta. Haku sorriu com isso, ela sempre sorria, e eu gostava disso nela.

"Shougi é muito melhor com sakê" — Naruto disse, também observava a luta, pelos meus olhos.
"Concordo — bufei irritado — Mas ainda não tenho vinte e um anos, humanos são bem rigídos quanto a algumas coisas"
"Verdade..."

Já tinha alguns dias desde que tinha voltado da missão no país das ondas, na realidade três, e as coisas estavam andando meio devagar. Kakashi ainda estava tentando explicar pro Hokage tudo o que tinha acontecido, e pelo tempo que passara, duvido que demoraria muito pra mim ser chamado por ele. Talvez ainda hoje.
A notícia que eu tinha me tornado chunnin já começara a se espalhar pela vila, mais lentamente quanto aos aldeões. Eles não gostaram muito da ideia, como era bem compreensível, afinal, eu era — tecnicamente — uma raposa demônio de nove caudas. Eles tinham toda a razão em achar o fato de eu crescer tão rapidamente como shinobi perigoso, e só o fato de estarem completamente certos me impedia de retalhar cada pessoa que me olhava com aquela expressão nojenta. Era um saco ter que encarar aqueles olhares todo dia. Pra uma criança normal, desesperador, pra mim... chato.
Na outra vez, enquanto estava com minhas memórias seladas, tinha sido assustador. As vezes que apanhei de vários moradores, que era perceguido e humilhado. Não tenho certeza como consegui manter minha sanidade, talvez a única coisa que tenha me impedido de crescer como o Sasuke, os odiando e querendo destrui-los, tenha sido o fato de que no fundo, bem no fundo, eu tivesse uma certeza instintiva de que merecia aquilo. Talvez por isso sempre tenha apanhado em silêncio, nunca dito nada a ninguém, e tentado esquecer. Claro, tinha sempre a chance de eu ser enosiofóbido, mas dúvido muito disso...
Shikamaru encarou o tabuleiro com gravidade, depois fez um movimento que eu julguei, no mínimo, muito estranho. Não tinha nenhum sentido voltar com o seu rei daquela maneira, a não ser...
Para seres humanos, os Nara eram impressionantes. Conseguir antecipar e analisar duzentos movimentos a frente do seu, se baseando em escolhas lógicas, era... Como se diz, impossível?! Duvido que mesmo o Hokage conseguiria ganhar dele daquele jogo, acho que dentre quaisquer humanos, nenhum tinham um racíocinio tão refinado quanto os deles, mas claro, aquilo só funcionava com humanos. Demônios não eram lógicos, e eu conseguia, com facilidade, prever e calcular ao menos trezentos movimentos a frente do que ele estava fazendo.
Por isso mesmo foi muito divertido ver a cara de total descrença que ele fez quando eu me movi de uma maneira completamente oposta a que ele tinha formulado, jogando todas as suas teorias no chão, e o forçando a repensar os seus movimentos. Não adiantava, ele podia prever quantos movimentos quizesse, eu estava jogando aleatóriamente. Desde que mantivesse meu rei, e as duas torres a salvo, longe do seu alcance e fora do seu racíocinio, minhas jogadas só fariam sentido depois de duzentos movimentos. Pra ganhar de alguém com aquele racíocinio, você tem que ter um racíocinio maior, ou nenhum racíocinio. Interessante, não?!

"Naruto-sama" — Haku cochichou pra mim — O que esta tentando fazer?! Desse jeito o senhor...
"Fique tranquila — eu sorri pra ela, que voltou a se sentar rigidamente — E pare de me chamar de "sama"...
Ela pareceu pensar por um longo mometo, depois abaixou a cabeça:
"Gomén..." — ela disse, como se estivesse se desculpando por um erro muito grave — "Eu não consigo"...
"Bem, então faça como quizer"

O Sandaime já tinha conciência daquela garota na vila, assim como a raíz, por isso não me surpreendia com o número de ANBU's e ANBU's raíz me seguindo. Sabia que logo um dos lados faria um movimento, e se estivesse certo, seria muito divertido, além de muito útil. Claro, Haku talvez ficasse em risco, mas por hora, isso não era importante. Eu não deixaria que ela se machucasse.
Sem aquelas roupas estranhas que ela usava, Haku ficava muito bonita, talvez a garota mais bonita da vila. Os cabelos dela eram muito negros, e brilhavam como cristais de gelo, assim como os seus olhos, de um caramelo que brilhavam amarelos, quando ela chorava ou ficava muito zangada. Era uma cor assustora, quase como o vermelho dos meus, e eu gostava disso. O corpo dela também era bem esbelto, se considerasse que não era muito mais velha que Sakura, talvez um ano, ou um ano e meio, no máximo, eu nunca tinha perguntado sua idade. Os seios pequenos e bem feitos dela destacavam levemente contra o quimono se seda claro que ela estava usando, suas pernas eram firmes, bem torneadas, e a bunda também não era nada mal. O tipo de garota que arrasaria como modelo. Tudo isso junto com aquele rosto ao mesmo tempo doce e assustador faziam dela uma pessoa fascinante, que atraía olhares por onde passava.

-Você é bom — Shikamaru disse, de repente — Nunca joguei com alguém tão bom quanto você, nem mesmo o meu Chichi-ue...
Sorri com aquele comentário.
-Shougi é um jogo de racíocinio lógico e estratégia — eu disse, e fiz o meu movimento de novo, de olhos fechados — Então, pra ganhar de alguém como você, só tenho que me mover aleatóriamente.
Chougi engasgou com as batatas, e Haku sorriu, divertida.
-Mas, como...
-Você vai continuar tentando analisar os meu movimentos — eu disse, sorrindo bastante — E sem ver nenhuma lógica, é tudo questão de tempo até que você perca a paciência e faça algum movimento errado. Aí eu ganho de você. Claro... Isso não funciona numa luta de verdade.
-Impressionante — Chougi disse, ele não entendia muito de estratégia, mas vendo Shikamaru perdido daquela forma — Bem o que era esperado do cara que se tornou chunnin no exame gennin.
Ele riu, depois enfiou mais batatas na boca. Eu não prestava mais atenção nele, tinha algumas presenças me incomodando ali. Segurei a bainha da katana, e me posicionei como se fosse saca-la. Dois segundos depois, a minha volta aparecerão cinco membros da raíz, ajoelhados, como se me saudassem. Estranhei aquela atitude, não queria dizer nada muito bom, vindo de um verme como o Danzou.
-O que esses caras — Shikamaru disse, mas a sua voz morreu na garganta quando um deles, o que parecia ser o líder, deu um passo na frente e disse, num tom falsamente polido.
-Naruto-san — ele disse — Danzou-sama esta convocando a presença de Haku-san, para a sua sala.
Não respondi de imediato, apenas tentei imaginar o que aquele bastardo queria com ela. Se pensasse um pouco, não era difícil perceber, e aquilo abria uma brecha interessante pra mim agir mais livremente pela vila.
-Naruto-sama? — Haku pediu instruções, sem demonstrar nenhuma expressão, mas pelo seu chakra, eu sabia que ela estava um pouco assustada.
-Vá com eles, Haku — eu disse seriamente pra ela, e pude notar um sorriso cínico por baixo da máscara do líder — Mas tome cuidado.
-Hai!
Ela se levantou, e caminhou entre os raíz, seriamente. Pude notar um deles olhando faminto pro corpo dela, e contive o impulso de rasgar sua garganta. Humanos insolentes, como ousavam olhar daquela maneira pra algo que era meu?!
Todos eles andaram um pouco, depois sumiram num redemoinho de folhas. A última coisa que eu vi foi um olhar levemente preocupado de Haku, não tive tempo de sorrir pra acalma-la, mas não tinha importância, ela não precisava tanto de conforto, se fosse uma garota tola, que precisasse de muita atenção, não teria sentido tê-la ao meu lado.

Estava bem mais assustada do que queria realmente demonstrar. Naruto-sama pareceu bem seguro me mandando ir com eles, então tinha a impressão de que nada de ruim aconteceria, mesmo assim, não podia evitar ficar um pouco aflita. Não gostava daqueles ANBU's, o chakra deles fedia, eram homéns que tinham abandonado sua humanidade, pra ser apenas armas nas mãos de outra pessoa... Não que eu fosse diferente, mas não era igual a eles. Sabia que meu novo mestre não precisava de uma garota chorona ao lado dele, então tentava segurar o meu medo pra mim mesmo. Já tinha aceitado o meu destino, mesmo que tivesse que morrer por seus interesses, morreria feliz, eu era útil novamente. Estava grata a ele por isso.
O shunshin se desfez, e aparecemos na frente do grande prédio de Konoha. Os shinobis mascarados me conduziram pra dentro do prédio, sem dizer uma única palavra. Sentia os olhos de alguns deles sobre o meu corpo, mas não me importei, estava muito mais preocupada com quais seriam os interesses deles sobre mim. Na aldeia da névoa eles abatiam quaisquer shinobis que demonstrassem kekkeis gekais, habilidades passadas de geração a geração, pelo sangue e pelo DNA. SAbia que em vilas pacíficas como aquela, isso não acontecia, mas o que faziam com eles?! Os selavam?! Os colocavam sobre jutsus estranhos?! Eu não queria não ser eu mesma, gostava de pensar livremente, mesmo que minhas ações fossem controladas por outra pessoa, ainda tinha liberdade pra ter uma opinião sobre elas. Por isso estava preocupada. Senti falta da minha máscara, casos minhas expressões me traíssem e demonstrassem medo, não queria demonstrar nada daquilo, queria ficar oculta atrás de um rosto neutro, como sempre fiz.
Depois de vários corredores, e escadas, eles pararam em frente a uma sala em específica, com o símbolo da aldeia gravado nela. Um dos ANBU-s bateu ali, e uma voz seca nos mandou entrar. Respirei fundo, e tentei esconder ao máximo minhas preocupações, estabilizar o meu chakra, não era difícil se eu me concentrasse, embora qualquer descuido podia acabar revelando coisas que eu não tinha interesse em mostrar, não pra eles. O único que podia me ver completamente, nua a inteira, fisicamente e psicológicamente falando, era Naruto-sama. Ele era o meu dono.
Entrei na sala, mas não me curvei como os outros fizeram. Danzou, como aquele homem se chamava, sorriu pra mim, um sorriso que transparecia falsidade e frieza. Ele era um homém assustador, poderoso, talvez mais até mais que Naruto-sama. E isso me preocupou. Ele se submeteria a ele?! Eu teria que cumprir suas ordens?! Se sim, não podia fazer nada, embora não quizesse fazer aquilo.
-Haku-san, não?! — ele disse, educadamente, depois se voltou aos ANBU's — Vocês podem sair.
Todos eles fizeram uma mesura profunda, e saíram. Continuei em silêncio, neutra.
-Na última missão, e a primeira do Naruto — ele disse, não gostei do tom de voz dele ao dizer o nome daquela criança, passava um nojo que ele não conseguia conter — Você voltou junto, um nukennin da vila da névoa, estou certo?
-Hai... — respondi, era melhor me limitar a respostas curtas a perguntas diretas, qualquer outra coisa seria supérflua.
-E como a maioria dos nukennins daquela vila, você possui uma kekkei gekai, uma herançã sanguínea bem exclusiva, estou certo?
-Imagino que sim — deixei um pouco de desgosto passar pela voz, mas só um pouco. Ele percebeu e sorriu ironicamente, estava muito desconfortável ali, quase como se estivesse núa, e ele estivesse me olhando, como se fosse um pedaço grande de carne, e ele um cão faminto.
-Você não sabe, e nem ele deve saber — ele continuou, se levantando e ficando de pé, de frente a sua mesa. Seu único olho a mostra, e as bandagens, junto com a bengala o faziam parecer alguém fraco, mas ele era forte, muito forte — Mas na vila da folha, temos uma segunda únidade ANBU, a raíz. Uma únidade muito mais seletiva em relação aos seus ninjas, e muito mais poderosa e funcional que a que serve ao Hokage.
Notei o desrespeito com que falava em relação ao líder da aldeia, e até mesmo o desagrado dele, mas não fiz comentários. Geralmente, não fazer comentários era a melhor ação a se tomar em situações como aquela.
-E como você deve poder concluir — ele sorriu amigavelmente, como se notasse que eu tinha percebido aonde ele queria chegar. Eu realmente tinha notado, e sabia que ele sabia disso, mas o jeito que ele sorriu passou uma imagem errada disso, como se eu fosse uma criança esperta, e tivesse notado tudo. Não era agradável aquele jeito dele sorrir — Você tem as qualificações necessárias pra poder ingressar nesse grupo de elite.
Estava pronta pra responder não, mas algo me deteve. Eu não tinha esse direito, quem decidiria isso era Naruto, e somente ele.
-Se aceitar — ele continuou — Vai ter uma posição de destaque na vila, um shinobi de elite altamente treinado pra proteger essa vila, além de um salário bem melhor que o de um jounnin comum, e vários outros benefícios... Você aceita?!
Era óbvio que ele não aceitaria uma resposta negativa, pelo jeito que me olhava, ou tentava não me olhar, eu só tinha uma opção.
-Gomén, Danzou-san — eu disse respeituosamente — Não posso aceitar uma oferta dessas, sem falar com meu senhor primeiro.
-Aquele garoto?! — ele disse, um pouco surpreso.
-Sou apenas uma arma nas mãos daquele garoto — continuei, em tom completamente neutro, escondendo a repulsa e vontade que estava se sair correndo dali — O que ele decidir esta válido, se for do desejo dele que eu me torne uma raíz, vou me tornar, se não, não vou.
Ele ponderou por um minuto, depois sorriu, como se aquilo fosse algo muito bom. Não entendi aquele sorriso. Ele se voltou pra mim, e com o mesmo tom amigável, talvez um pouco mais animado, disse:
-Muito bem, entendo a gratidão que sente por ele — com certeza não entende — Vou mandar um dos meus ninjas pra fala om ele, explicar as vantagens e os benefícios que você terá, duvido que ele recuse essa oportunidade, e quem sabe, quando ficar mais hábil, talves vocês dois possam trabalhar juntos pra mim.
-Hai — disse simplesemnte, não gostava do rumo que as coisas estavam tomando, parecia que iriam ficar muito ruins, e tudo só estava nas mãos dele. Seja como decidir, iria o seguir, mesmo que o caminho levasse a minha detruição, já tinha prometido aquilo a mim mesma — Se me da licença...
-Sim sim, eu também tenho outros diversos assuntos pra tratar — ele disse, voltando a mesa e pegando um punhado de pepéis — Um ANBU raíz a acompanhara, ele ficara encarregado de contar tudo ao seu... mestre...
Ele acentuou o "mestre" com um sarcasmo leve, quase imperceptível, mas isso não passou despercebido pra mim. Não me curvei pra ele, nem o cumprimentei de qualquer forma. Me virei pra sair, e um ninja máscarado me esperava na porta, o mesmo que tinha me convocado pra segui-lo até ali. Ele me acompanhou em silêncio, enquanto saíamos do prédio do fogo, e andavamos calmamente pelas ruas movimentadas de Konoha. Alguns aldeões me olhavam com raiva, outros de forma neutra. Não gostava daquelas pessoas, elas também olhavam daquela forma pro meu Naruto-sama...

Estava preocupado com a Haku, por um momento, imaginei se devia mandar um clone segui-la, ou ter preparado um selo nela antecipadamente, mas não tinha como adivinhar aquele movimento do Danzou, por isso estava de mãos atadas. Eu era o dono daquela garota, então era responsável por ela, faria tudo ao meu alcance pra que ficasse em segurança, e na medida do possível, feliz. Eu não era um monstro malvado como podia parecer as vezes, na verdade, tentava me convencer disso. Me transformar de novo em raposa, rasgar aquele corpo humano que me restringia em mil pedaços, e matar todos eles era dolorosamente tentador pra mim. O caminho que me aguardava, se eu não fizesse isso, tambéme seria doloroso, mas era uma escolha simples. Entre ser ou não um monstro. Não podia negar minha natureza de demônio, mas a de um monstro... Quem sabe.
Aquele jogo também estava o mesmo, Shikamaru parecia impaciente, o que era novidade, nunca o tinha visto impaciente antes, mas depois de formular e descartar tantas estratégias, ele parecia até mesmo fisicamente cansado. Pensar do jeito que ele pensava era esgotador, e frustrante, por que nenhuma previsão dava certo, com os meus moviemtos, que até o mometo seguiam aleatórios. Quando perdesse a cabeça ele ou chutaria o tabuleiro longe, ou simplesmente pararia de jogar. E se fizesse isso, eu ganharia. Era um jeito meio apelão de ganhar de alguém, mas a menos que fizesse isso, ficariamos jogando pra sempre. Ele tinha um racíocinio quase tão bom como o meu, mas suficientemente bom pra mim não conseguir encurrala-lo.
Mesmo assim, aquele jogo nunca chegou a terminar. Senti o chakra do Kakashi se aproximando, e em um segundo ele estava atrás de mim, caminhando tranquilamente enquanto lia aquele livro. Sorri com isso, e Shikamaru mais ainda, quase como se estivesse aliviado, quando o jounnin falou:
-O Hokage exige a sua presença, Naruto, imediatamente.
Sorri em espectativa, aquilo seria divertido.
-Hai — fiz um clone, e ele desapareceu num shunshiin de folhas, fazendo Kakashi levantar a sombrancelha. Me adiantei a explicar, antes que ele perguntasse — Haku esta fora, e não quero que ela fique sem saber onde eu estou.
Ele assentiu. Me despedi com um aceno de Chougi e Shikamaru, que estava deitado descansando, e corremos.
No meio do caminho, o sensei me olhou de esguela, ainda concentrado no livro, e disse:
-Você se preocupa muito com aquela garota...
-Ela é minha responsabilidade — eu disse imediatamente, era verdade — Como se fosse a minha filha, não importa se temos idades parecidas.
-Não se acha novo pra ser pai?
"Se você soubesse..."

-Não se acha velho pra ficar espiando enquanto estava com a Tsunami?! — disse sorrindo largamente. Ele tropeçou e quase foi de cara num telhado, corando bastante e desviando os olhos.
-Não sei do que esta falando...
-Claro, claro...
Ficamos um longo tempo em silêncio.
-O que achou? — ele perguntou de repente, tornando a corar, e olhando sonhador pra algum lugar.
-Que você é um pervertido...
-Não sobre isso.
-Humm... — sorri largamente — Foi perfeito.
-Imagino que tenha sido... Como conseguiu?
-Não foi tão difícil — sorri largamente e ele sorriu de canto, rindo baixinho — tipo, ela estava na seca a um ano...
Ele riu mais largamente, pareciamos pai e filho conversando daquela maneira, e isso me agradava. Assim como Minato, Kakashi era bem ligado as pessoas que ele ensinava, sendo treinado por ele, tinha pego vários dos seus costumes, e a maneira de agir em geral. Dizem que o jeito ninja do mestre é passada pro seu aprendiz, aquilo era verdade, pelo menos na maioria dos casos.
O prédio do fogo se estendia a nossa frente, e nós pulamos para o chão, começando a andar lentamente. Uma velha me olhou com nojo enquanto andavamos, e sorri pra ela, deixando os olhos cintilarem vermelhos. Ela tremeu e saiu dali imediatamente.
-Você é bastante simpático...
-Ela que começou — disse me defendendo.

A sala do Hokage ficava no último andar do prédio, os andaresm inferiores eram destinados a salas de pesquisa, reuniões, algumas médicas, aos criptógrafos da vila, e a dezenas de outras atividades vinculadas a Inteligência da vila. Shikaku e Inoiche trabalhavam ali, exceto quando eram mandados pra alguma missão, esporadicamente. Eu sempre achei aquilo interessante, o jeito que o Hokage mantinha todos os ninjas ativos, mesmo os que trabalhavam na vila, pra mante-los em forma e atualizados. Dentro os cinco países, eramos os únicos que tinham essa atitude, se excluindo as vilas menores, como a chuva, a cachoeira, a chave, e dezenas de outras que faziam fronteira com os cinco grandes países dos kages.
Kakashi bateu na porta, e pouco depois uma voz tranquila soou lá de dentro. Entramos, e nos curvamos levemente. Não tive tempo de fazer muito mais que isso, por que fiquei preso pela sombra do Shikaku, e Inoiche estava na minha frente, segurando minha cabeça. O sandaime se levantou, e me olhou prfundamente, tragando seu cachimbo. Eu já disse que nunca o tinha visto sem aquilo?!
-Muito bem, Inoichi, examine! — ele disse, a voz soando grave.
-Hai, Hokage-sama!
Senti a invasão na minha mente, tentando passar através das minha barrreiras. Podia me soltar daquele jutsu fraco de aprisionamente, e não seria difícil invadir a mente do Inoiche, e deixa-la em pedaços, o fazendo passar o resto da vida achando que é uma garotinha de cinco anos. Na verdade, seria bem engraçado, e eu fiquei tentado a fazer isso, mas era melhor cooperar...
Deixei que ele passasse pelas barreiras na minha mente. O jutsu de Inoiche era incompleto, mesmo sendo bem aperfeiçoado pra padrões humanos, e ele não conseguia ver os meus pensamentos, apenas memórias. Ele vasculhou minha mente nos últimos dias, viu a luta com o Zabuza, o jeito que levantei e me curei, e toda a brutalidade do meu olhar. Estava pronto pra sair, mas eu o segurei lá, o fazendo olhar minhas memórias mais antigas, de quando eu era apenas uma criança, sendo odiada pela vila. As vezes que eu apanhei gratuitamente, os mercadores que se recusavam a me atender, ou os que cobravam o dobro do preço por rodutos estragados, e os olhares de ódio dos moradores. Fiz questão de deixar tudo aquilo bem claro pra ele, as mães que diziam pros seus filhos não se aproximarem de mim, as que me chamavam de monstro, e as que tentavam me prejudicar, de qualquer forma. Quando ele se retirou da minha mente, estava respirando fundo, e tremendo levemente.
-Minhas memórias não são agradáveis — disse sem expressões — Inoiche-san?
Ele não respondeu, o Hokage me olhou profundamente por vários segundos, então fez um gesto com a cabeça pra Shikaku, que cancelou o kage mane. Continuei imóvel, exatamente como estava antes.
-Kakashi me contou o que disse pra ele — o Hokage começou, enquanto o Yamanaca ainda respirava fundo — Sobre o selamento do Yondaime, e sobre sua alma ter se unido a da Kyuubi.
-Sim, quando meu pai selou a Kyuubi em mim — Shikaku e Inoiche franziram a testa, não deviam saber que eu tinha conhecimento daquilo — O shinigami fez essa brincadeirinha de mal gosto...
O Hokage pareceu surpreso com isso.
-Como pode tratar algo tão sério assim como uma brincadeira, você não entende que...
-Não me tome por um tolo, Hiruzen — eu disse, deixando minha voz soar mais grave, os olhos vermelhos assustaram os dois jounnins — Você que não entende a complexidade desse ato. Eu nasci como humano, mas não sou mais humano atualmente. Selar a Kyuubi em mim me tornou algo diferente de você.
Ele me olhou profundamente, e entendi que deveria continuar.
-No mundo, existem seres chamados de Youkais — eu disse — São demônios, que tomam forma de seres da natureza, a Kyuubi era um deles, assim como os outros nove bijuus, mas existem muito mais, espalhados pelo mundo. Pessoas que vivem entre nós, youais disfarçados de humanos, e além do continente.
Ele pareceu surpreso com isso.
-Como sabe dessas coisas?
-Me unido com a raposa — eu disse — Eu não tenho apenas acesso ao youki dela. Eu tive acesso a todas as suas memórias, Sei de cada passo que ela deu na sua vida, desde o momento que foi criada, pelo Rikudou saninn.
-O Rikudou é apenas uma lenda — Shikaku disse, seriamente.
-E o que você sabe? — disse no mesmo tom — Seres humanos são jovens desse mundo — Eu tenho memórias de eras antes de você nascer, sei de coisas que seres humanos desconhecem. A Kyuubi não era apenas um monstro sem conciência feita de chakra, ela já passou várias vidas, entre os humanos, vivendo normalmente.
-A Kyuubi... impossíve — o Hokage disse — Ele não passava de um monstor irracional, feito de chakra, existia apenas pra matar.
-Não é de todo mentira — continuei — Mas também não é mentira que ela nunca demonstrou niteresse especial por nenhuma vila. Ela simplesmente existia nesse mundo. Foram os seres humanos que correrão atrás do su poder, a selarão e a obrigaram a usar em lutas que não eram dela.
-Como pode defender o monstro que matou os seus pais?
Shikaku parecia irritado, ele era amigo do Yondaime, acho que da mesma forma que Shikamaru era meu amigo. Os dois se formaram juntos, e ninguém tinha muito conhecimento disso, mais ele seria padrinho do seu primeiro filho, se não tivesse morrido naquele acidente. Como não aconteceu, Chouza e Inouchi o substituiram.
-Não estou a defendendo — eu disse, sem expressão — Mas não sou hipócrita pra condenar os outros apenas pela minha opinião. Eu a conheço melhor que ninguém, conheço a mente dela, e divido minha alma com ela. A alma dela é rasgada pelo ódio, e quando foi selada em mim, isso quase me destruiu. Eu estou condenado a queimar pra sempre no inferno, incapaz de expirar os pecados dela, então, por que se acha no direito que julga-la, sendo que mesmo eu não faço isso?!
Ele não respondeu, parecia pensar no que eu falei.
-Eu não gosto dela tanto quanto você — continuei, um pouco mais calmamente — Por causa dela, tive uma vida miserável desde que nasci, como Inoiche-san pode confirmar.
Olhei pra ele, que assentiu fracamente, não parecia capaz de falar nada agora.
-Cresci sem pais, em meio a pessoas que me odeiam por coisas que não tenho culpa. É como se eu fosse um filho bastardo, nascido de um estupro, e as pessoas me julgassem pelos erros dos meus genitores....
A expressão do Hokage se suavizou, ele tinha conciência daquilo, na verdade, julgava aquilo um dos seus maiores fracassos, e estar de mãos atadas quando aquele assunto o deprimia de verdade.
-No entanto, também conheço todo o sofrimento que ela já passou. Logo ao nascer, mal teve tempo de sentir o sol, a brisa e o cheiro da maré nos seus pelos — Minha voz ficou saudosa de repente, aos olhos daqueles humanos, deveria parecer que eu mesmo tinha passado por aquilo, não podia ser mais verdade — E foi selada, posta dentro de um vaso apertado, por séculos embaixo da terra, sem poder se mexer, sem poder respirar. Depois, quando se libertou por causa de um terremoto, tudo o que sentiu foi ódio, quiz estraçalhar o ser que a tinha preso ali dentro. Conhecia a língua dos homéns naquela época, por ser capaz de sentir o chakra deles, vivendo acima dela. Ela viu vilas se formando e se destruindo, e quando se libertou, destruiu todos ao seu alcance. Já que não podia matar quem a tinha privado do sol, e da brisa, foi atrás do seus semelhantes. Matou crianças, bebês recem nascidos, se fartou no sangue deles.
Eles continuaram calados, imersos no que eu estava dizendo.
-E então, após saciar sua raiva, correu, correu por anos, talvez décadas, tentando se livrar do cheiro de sangue. Nunca conseguiu. Correr passou a ser a sua natureza, ela se perdia em meio ao vento, nas ondas da maré. Era um espírito jovem, um demônio imortal sem razão par existir.
-E o que aconteceu depois? — O Hokage perguntou, parecia imerso na história.
-Não estou certo — eu disse — As memórias dela são nubladas nessa época, talvez tenham passados séculos apenas nisso, talvez ela tenha dormido, quem sabe. Depois de algum tempo, começou a observar os humanos, tinha algum conhecimento dos seus poderes, e sabia que podia tomar a forma deles. Então numa noite, entrou numa casa, e assassinou uma criança no berço, tomando o lugar dele. Cresceu como humano, como filho daquela família de camponeses. Trabalhou no campo, e amou aquelas pessoas. Um dia, contou a eles o que tinha feito, contou quem era, na esperança deles a aceitarem.
Fiquei quieto por um segundo, e eles continuaram me encarando.
-Não aconteceu. Seus "pais" tentaram mata-la. E ela fugiu. A partir daí, a lenda da raposa de nove caudas se espalhou, quase como a conhecemos hoje. Kyuubi tentou várias vezes. Mas nunca mais matou a partir dali, tinha decidido abandonar esse lado da sua natureza. Se trasformou novamente em criança, e ficou a porta de uma fazenda. Na outra manhã, eles a encontraram, e passaram a cria-la. Ela imitava o crescimento das crianças a sua volta, e seu comportamente. Era impossível discerni-la de um humano comum. Ela cresceu novamente naquela fazenda, trabalhou ali, e amou cada uma daquelas pessoas. Quando o velho que cuidava dela morreu, ela assumiu seu lugar, se casou, e teve filhos, como era esperado de um humano.

"Você tem uma história tão triste, Yoko-chan — Naruto disse sarcasticamente pra mim".
"Calado..."
"Mas mesmo assim, ainda não tem educação..."

-Ele sabia que não poderia contar pra sua mulher quem era, mas a amava demais pra esconder dela. Então uma noite, decidiu contar a verdade. Brianna, como ela era chamada, estava cuidando da criança. Ele se aproximou, e disse tudo. Disse que era a Kyuubi no Youko, e que a amava.
-E o que aconteceu? — Inoichi disse, mesmo fatigado mentalmente, parecia atento.
-A mulher pegou uma faca, e matou o bebê nos seus braços. — disse sem expressão, e vi o choque passar pelo rosto de cada um ali — A Kyuubi ficou furiosa, e dilacerou a mulher, num ato impulsivo. Depois disso correu. Na cidade se espalhou a notícia de que ele tinha assassinado, tanto filho, quanto mulher. E vários homéns passaram a caça-lo. Isso se repetiu várias vezes, até ele desistir. Naquele ponto, tinha um ódio mortal por seres humanos. Decidiu viver entre os da sua espécie, e cruzou o mar do oeste a nado. Levou uma semana toda pra fazer isso. Lá haviam alguns humanos, e eles viviam numa paz tolerante, com os youkais. Ele tomou sua forma completa. Um homém de cabelos vermelhos, com orelhas e caudas de raposa. E viveu vários anos ali. Conheceu mulheres que o aceitaram, e que tiveram filhos dele. Mas elas sempre morriam depois, e isso causou uma profunda dor na raposa. Depois disso também tem um grande espaço em branco na sua mente, como se ela estivesse dormindo, ou tivesse apagado propositalmente. E quando esse vazio acaba, ela estava novamente na vila da folha, selada dentro da esposa do Shodaime, Uzumaki Mito. O resto da história, creio que vocês conhecem...
A sala mergulhou num silêncio tumular, a única coisa audível era a respiração daqueles shibnobis, eles estavam tensos, com as feições carregadas.
-E então, Shikaku — eu disse — O que tinha a dizer sobre ela?
Ele não respondeu.
-Como você sabe — O Hokage disse de repente — Que ele não criou essas memórias falsas, apenas pra te enganar.
Tive que rir com aquilo.
-Por que, Hokage-sama — eu disse calmamente — Eu sou ele.
Ele engasgou com isso, e deu um passo pra trás.
-Do que esta falando.
-Quando o shinigami uniu nossas almas, ele nos selou pra sempre, juntos. Nada pode nos separar, somos um único ser. O Naruto que você conhecia e a Kyuubi estão mortos, eu sou o que nasceu da união deles. Não sou humano, mas também não sou um demônio completo. No outro continente, chamam pessoas como eu de Hanyous, mas como a kyuubi era um demônio de nível extremamente alto, meu youki e poder supera em muito o de Youkais ordinários, então pode me considerar um também.

"Você é imprevisível" — Naruto disse cansado — "Por que disse essas coisas?! Pensei que tinha decidido se manter oculto"
"Por que não dizer?! — respondi — "Estou tentando evitar essa guerra pra expirar apenas em parte, meus erros com o Minato, e com a Kushina. Mas se eles forem como todos os outros, que serventia teria isso?! É mais fácil destruir de uma vez essa vila, se eles forem como os outros, Minato estava apenas se enganando...
Ele pareceu pensar por um longo momento, depois disse, sorrindo suavemente:
"Você esta com medo"
Franzi uma sobrancelha.
"Do que eu teria medo, exatamente?!"
"Esta com medo do destino cruel que te espera, ao lado desses humanos. O caminho que esta seguindo vai te levar a um fim doloroso, longo e cansativo. Você tem medo de não conseguir trilhar esse caminho"
Fiquei em silêncio, pesando o que ele tinha dito.
"Viver tanto, ver as pessoas que inevitavelmente você vai amar morrerem, geração após geração. Destruindo e guiando essas pessoas... Yoko, você é um demônio singular, mas ainda tem medo de encarar esse caminho"
"Você tem razão" — eu disse tristemente, conseguia ver o que se estendia a minha frente, sabia que podia expirar cada erro meu com aquilo, mas seria muito doloroso, era quase preferível queimar no inferno, então talvez, e só talvez, eu estivesse procurando maneiras vãs de evitar aquilo.

-Entendo — O Hokage disse, de repente, voltando a se sentar — Isso vai muito além do que eu tinha imaginado. Mas antes de tomar uma decisão sobre o que fazer com você, preciso que me responda.
Levantei uma sobrancelha, não entendia o que aquele velhote estava fazendo.
-O que quer saber?
-Você me odeia? — ele perguntou seriamente, mas senti uma nota clara de tristeza vindo da sua voz — Você me odeia por tudo o que te fiz passar, por ter te impossibilitado de viver uma vida comum, por estar de mãos atadas enquanto você sofria como criança, por não conseguir evitar o que aconteceu no seu nascimento?!
Não esperava uma perunta daquelas, e nem soube como responder ela exatamente. Eu não odiava ele, não queria mata-lo, mas o que ele era pra mim?! Antigamente eu o considerava um avô, mas e agora?!
Sorri quando percebi que ele ainda era o meu avô, mesmo depois de tudo, mesmo sendo incontavelmente mais velho que ele, mesmo com todos os erros tolos e tão característicos do ser humano. Andei até ele, e o abracei, ele pareceu realmente surpreso por aquilo, mas me abraçou de volta.
-Não odeio quaisquer pessoas nessa vila — eu disse — Estar ligado com a Kyuubi me impede disso, a simples presença dela me impede de odiar.
-Por que diz isso?
-Por que ela é um ser ancestral, que foi condenada ao ódio, e esta mergulhado nesse inferno de dor e culpa. Ela nasceu como é hoje, e não teve escolhas a não ser trilhar o caminho que escolheram pra ela. Por isso eu não a odeio, mesmo condenado a sofrer eternamente junto com ela, não consigo odia-la.
Ele me abraçou mais forte. Eu não percebi exatamente quando as lágrimas escaparam dos meus olhos, e estava chorando, pela minha vida, pelo meu destino, por tudo o que me esperava. Eu abracei aquele velho mais forte, e gritei, extravasei tudo o que tinha dentro de mim, queria me livrar daquele ódio, queria sumir, queria dormir pra sempre, desaparecer, queria não ser forçado a passar por tudo aquilo, mas era impossível. Eu era Kyuubi no Youko.
Kakashi também estava chorando, enquanto olhava pela janela. Seu único olho a mostra estava marejado, e lágrimas molhavam a sua máscara. O charuto do velho Hokage estava no chão, e ele me abraçava forte, chorando em silêncio. Shikaku estava sério, mas seus olhos estavam marejados, e Inoichi chorava em silêncio, ele tinha visto as minhas lembranças, e aquilo era o suficiente pra ele. Seres humanos não podem aguentar tanta dor, tanto ódio como eu podia. Eles tinham corações pequenos e frageis, que se partiam com qualquer esforço. Era uma raça jovem, que ainda não conhecia nada de si mesma, ainda tinha muito a aprender. Acho que exatamente por isso, eu deveria fazer aquilo, deveria seguir aquele caminho. Seres humanos não aguentariam, mas e eu?!

Continuei acompanhando o Shinobi enquanto ele rumava para o apartamente do Naruto-sama. Não estava gostando daquilo, e isso por que estava com um péssimo pressentimento. Lembrei de quando tinha perguntando sobre onde dormiria quando chegasse na vila, eu estava bem mais nervosa do que tinha demonstrado, e a pergunta tinha servido apenas pra me acalmar. Imaginei que ele me mandaria dormir no sofá, ou mesmo no chão, não tinha importância, eu só não queria ficar com nenhuma outra pessoa que não ele. O que me surpreendeu foi quando ele me mandou ficar com a cama, enquanto dormia no sofá. Tentei discutir com ele, mas não deu em nada, então simplesmente deitei na cama, e tentei pegar no sono. Como eu imaginava que aconteceria, não consegui.
Agora, o que me fez sair da cama, e ir dormir com ele, eu nunca vou descobrir. Ele pareceu surpreso, quando eu deitei ao seu lado, meio encolhida e evitando me mexer pra não incomoda-lo, mas depois ele sorriu e se virou pra mim, me abraçando e puxando contra ele. Imaginei por um momento quais seriam suas intenções, talvez desfrutar algo do meu corpo, mas ele não fez isso. Se fizesse, não me importaria, eu era dele afinal. Mas tudo o que fez foi puxar minha cabeça pro seu peito, e me abraçar. O peito dele era quente, não um calor doentio, um calor agradável, que te dava sono. Não demorei pra pegar no sono ali. Quando acordei, estavamos enroscados feitos dois gatos no frio, meu quimono tinha subido um pouco, deixando minhas coxas a mostra, nossas pernas enroscadas, aquecendo-se. Ele já estava acordado, e eu corei o encarando, mas ele não parecia se importar de me ter ali. Por im me aconcheguei mais nele, e acabei pegando no sono de novo. Desde aquele primeiro dia, tinhamos dormido na cama, juntos. Era estranho falar dessa maneira, mas não acontecia nada, ele só me abraçava, e eu deitava a cabeça no seu peito, e acabava pegando no sono ali. Era muito confortável.
Sorri com esses pensamentos, ele era uma criança muito interessante.
Quando chegamos no seu apartamento, o ANBU não bateu, o que me deixou irritada, ele pulou pela janela, enquanto eu entrava pela porta e chamva por ele. Chamei duas vezes, mas ele não respondeu, só quando ia chamar a terceira, que ele aparece atrás do shinobi, estava sentado, de pernas cruzadas e bem relaxado no sofá. Quando o ANBU percebeu, deu um pulo pra trás, assustado. Tive que sorrir com aquilo.
-Haku — ele disse, tranquilamente — Como foi a conversa com o Danzou?
O ANBU soltou uma exclamação baixa, parecia ofendido por ter o mestre tratado de maneira tão simples, como se fosse qualquer outra pessoa.
-Ele me ofereceu um convite a ANBU raíz — falei simplesemnte, antes que o outro shinobi dissesse algo — Eu disse que precisava falar com você antes.
Ele coçou o queixo, depois deu um sorriso enorme, e assustador.
-Como Danzou-sama disse — o ANBU começou, forçando um tom neutro por cima do nojo que sua voz transmitia, não estava dando muito certo — Os benefícios que HAku-san...
Ele não terminou de falar. Tão rápido que mesmo eu não cheguei a ver, Naruto desapareceu do sofá e apareceu atrás do ANBU, fazendo uma sequência extremamente rápida de selos.
-Oboe no dataishin no jutsu — ele disse, e o olhar do ANBU ficou vago de repente. Ele menou a cabeça, e caiu no chão, batendo a cara no piso. O som da sua máscara contra o chão foi a última coisa que se ouviu, antes de um silêncio se prolongar ali. Depois ele se voltou pra mim, os olhos estavam vermelhos, excitados, quase famintos. Ele me encarou por um segundo, imaginando alguma coisa, parecia que eu estava nua, devido a intensidade do seu olhar, mas ele não parecia estar pensando em nada relativo a sexo. Depois de um tempo relaxou, e eu consegui respirar normalmente de novo.
-E então, Haku?
Não entendi a pergunta.
-Gomén, Naruto-sama?!
-O que você quer fazer? — ele disse, sorrindo de um jeito mais gentil — Quer entrar na unidade daqueles vermes?
-Eu... — fiquei desconcertada com aquela pergunta, Zabuza-sama nunca tinha me perguntado nada daquele tipo — Eu não sei dizer, o que o senhor decidir, ficarei contente em fazer...
Ele bufou irritado, se jogando de costas no chão. Aqueles gestos me assustavam, algumas vezes ele ficava estaticamente parado por horas, concentrado, depois se jogava no chão daquele jeito, ou fazia alguma coisa estravagante. Eu não entendia exatamente o que se passava na cabeça dele, e não tinha qualquer pretensão de querer entende-lo, pra mim, obedece-lo e segui-lo já era o bastante.
-Você é complicada, garota... — ele disse, sua voz soava tremendamente velha quando ele me chamava assim, parecia ter muito mais que apenas doze anos — Você não tem vontade própria, o que prefere fazer?! Sente vontade de me matar?!
-Na-Naruto-sama! — eu quase engasguei, nunca esperaria que ele disse aquilo — Eu não quero matar o senhor! Eu...
-Você o que?!
Ele me olhou intensamente, ainda deitado no chão, com os braços estendidos e a cabeça levantada, corei sob aquele olhar.
-Eu... — tentei achar uma palavra que combinasse, mas nenhuma se aproximava melhor que aquela — Eu gosto do senhor...
Ele sorriu enormemente, um perfeito sorriso de raposa, só que gentil e alegre, tão simples quanto o sorriso de uma criança. Me surpreendi que alguém como ele conseguisse sorrir daquela maneira, e também sorrir como um demônio, ele era alguém muito singular.
-Eu também gosto de você, Haku-chan! — ele disse, me fazendo corar mais ainda — Então não quero te forçar a nada que você não queira fazer.
Eu tinha noção que ele não disse aquilo com quaisquer segundas intenções, mas o jeito que tinha soado pra mim, pareceu extremamente... erótico. Não era a palavra certa, mas não conseguia encontrar outras. Eu me sentia nua sob o olhar astuto daquele garoto, e era comum, perigosamente comum, ficar sem palavras perto dele. Ele era um tipo muito diferente de pessoa, que eu não entendia completamente. Até aí não tinha nada demais, o problema é o quão eu estava ficando interessada por ele, o quão eu sentia vontade de entende-lo. Aquilo não parecia certo.
-O que o senhor esta planejando? — perguntei, me aproximando dele e sentando ao seu lado.
-Se você concordar — ele disse — Quero que aceite o convite do Danzou.
Aquilo me pegou de surpresa. Até o momento, tinha achado muito mais provavel ele declarar guerra ao Danzou que aceitar aquilo. Minha expressão de total surpresa devia ser muito estúpida, por que ele riu dela, me fazendo corar de novo. Aquilo já estava virando hábito. Mas eu corei de verdade mesmo quando ele se içou, e deitou a cabeça no meu colo, se espreguiçando e eriçando todo, como um gato.
-A ANBU raíz — ele começou, e eu prestei atenção as suas palavras — É uma unidade ANBU separada da original, como você deve saber.
-Hai...
-O que a maioria das pessoas não sabe, é que o líder delas, Danzou, almeja o título de sombra da vila. Ele sempre foi o segundo candidato, mas o Nidaime não o escolheu, com isso, ele acabou ficando rancoroso, e se tornou o velho chato que é hoje, você deve poder concordar comigo.
Sorri aquele comentário, e ele sorriu mais largamente.
-Por isso, como você deve conseguir supor — ele continuou — A ANBU raíz é, no mínimo, muito suspeita. E Danzou não é flor que se cheire...
-Então quer que eu seja sua espiã lá dentro? — o interrompi sem perceber, e quando notei o que tinha feito e fui me desculpar, ele sorriu.
-Não seja tão rígida consigo mesma — ele disse — Não ligo que me interrompa pra dizer algo assim, gosto que responda e dê sua opinião sempre que eu conversar com você, sobre qualquer assunto, entendeu?
Sorri com aquilo.
-Hai!
-Muito bem — ele sorriu, depois me olhou um pouco mais seriamente — Estaria disposta a correr esse risco por mim?
-Hai! Naruto-sama! — respondi prontamente.
-Então tenho uma coisa pra te ensinar — ele se levantou do meu colo, e num pulo, ficou de pé. Me apressei a ficar também — A minha família, por parte de mãe, não é originária da vila da folha, mas sim da vila do redemoinho. E eles são especialistas em selamentos, selamentos secretos, que ninguém mais conhece.
Assenti, embora não entendesse o que ele queria dizer com aquilo.
-Por isso, pra não te deixar desprotegida dentro daquele lugar, vou te ensinar dois jutsus muito úteis. Primeiramente, o "Oboe no daitashin no jutsu" que é um selamento feito pra alterar determinadas memórias em alguém, e em segundo lugar, um selamento que não tem nome, mas que permite que você guarde qualquer coisa dentro de um pergaminho. Esse jutsu já existe, mas os Uzumakis o aperfeiçoaram. O selo normal, usado em larga escala, permite que você guarde determinados objetos dentro de um pergaminho, mas o peso total desses objetos tem que ser igual ou menos que o peso total do pergaminho, e o selamento escrito nele é deveras complicado. Já no caso dos Uzumakis, o pergaminho pode estar em braco, os selos escritos são substituidos por sinais de mão com pulsos regulares de chakra, e o peso do objeto pode ser, aproximadamente, cem vezes maior que o do pergaminho em questão. Óbviamente ele é bem mais usual.
Fiquei surpresa com aquilo, não imaginava que houvesse um jutsu tão pratico quanto aquele, e muito menos que uma criança poderia utiliza-lo. Depois de pensar nisso tive que sorrir. Naruto-sama estava muito longe de ser uma criança qualquer.
-Agora, o primeiro e mais complicado selamento, como eu já disse — ele continuou — Serve pra você alterar as memórias de alguém. Ele é bem simples, mas tem alguns inconvenientes, por exemplo. A quantidade de chakra gasta nele não é pequena, e ela só fica maior conforme as lembranças vão ficando mais distantes do momento atual de realização do jutsu. Por exemplo, se eu quizer selar, ou modificar, uma memória de cinco minutos atrás numa pessoa, a quantidade de chakra gasta seria X. Se eu quizer selar uma memória de cinco meses atrás, a quantidade seria 100X, se fosse de cinco anos atrás, seria de cinco anos atrás, 1000000X. Acho que somente um jinchuuriki que controle completamente seu chakra, ou um youma de alto nível conseguiria selar uma memória com mais de um ano de tempo, com esse jutsu. Esta entendendo?
-Hai — eu disse, estava me esforçando pra decorar e compreender cada palavra que ele dizia, se ele perguntasse, conseguiria repetir tudo, palavra por palavra.
-Como você tem uma kekkei gekai — ele continuou — Seu chakra é tão grande quanto o do Sasuke, ou até maior, então você pode ficar razoavelmente tranquila com essa tecnica. Já que se for usar, sera pra selar memórias recentes, se por acaso alguém te descobrir. Ou quizer colocar uma memória falsa em algum membro idiota da raíz.
-Entendo...
-Então vamos ao principal, como fazer esses jutus...

-Haku — disse, observando ela se afastar suada do shinobi jogado no chão — Tenho que admitir, você é um gênio sem comparação.
Ela sorriu enormemente, depois corou e desviou o olhar, deixando um sorriso dece e gentil nos lábios. Eu adorava o jeito que ela sorria. Caminhei até o bastardo, que ainda estava meio grogue, e o levantei. Ele ficou de pé bambamente, mas não caiu. Pouco a pouco sua visão foi entrando em foco, e ele me encarou por algum momento.
-Então — eu disse, sorrindo do jeito mais bobo que eu conseguia — Queria te agradecer pela oportunidade.
Haku me observou com uma sobrancelha arqueada, parecia curiosa, imaginando como eu mudava de face tão rapidamente. Geralmente todo mundo imagina isso. o ANBU me olhou por um momento em dúvida, mas depois voltou a real, engolindo em seco, com nojo.
-Não há o que agradecer — ele disse, tentando ser educado — Haku-san é um shinobi com muito potencial, e Danzou-sama gostaria de fazer todo esse potencial florecer...
Certo... Claro que queria.
-Então — ele continuou, olhando agora pra ela — Poderia me acompanhar, nós...
-Desculpe, mas agora não vai ser possível — ela disse, o cortando — Naruto-sama tem uma missão, e eu devo acompanha-lo.
-Hai hai — sorri, colocando os braços atrás da cabeça — Parto em uma hora, a conversa com o Danzou vai ter que ficar pra depois.
Ele rangeu os dentes, mas fez uma mesura leve, e desapareceu, num shunshin de folhas. Mal o cara tinha ido, Haku cerrou os punhos, irritada.
-Acalme-se — disse, e o efeito foi imediato, ela relaxou e respirou fundo — Esses caras me dão nojo também. Se não quizer fazer isso tudo bem, só precisamos matar todos eles.
Ela me olhou por um longo momento, como se estivesse tentando adivinhar se eu estava brincando ou falando sério. Não parece ter chegado a nenhuma conclusão, por que suspirou, e se sentou, me encarando com a face neutra. Depois de um tempo, ela perguntou:
-Essa missão — ela disse — Do que se trata?
-O Hokage quer avaliar novamente o meu nível, numa situação mais complexa — eu disse — Dessa vez vou estar no comando, junto com um examinador que não vai tomar partido na missão.
-kakashi-san seria esse examinador? — Haku perguntou.
-Não tenho ideia de quem vai ser, mas se fosse dar um palpite, acho que vai ser um ANBU. — Sorri enquanto lembrava da cara do Kakashi enquanto contava minha triste histórinha na sala do Hokage. Ele não estaria apto a julgar nada pelos próximos dias, muito menos eu. Como eu tinha dito, corações humanos são frageis, eles não suportam tanta dor.
-Entendo — ela disse, depois se levantou, e caminhou para o meu quarto. Alguns minutos depois voltou com duas bolsas prontas, mais uma bandana, que trazia na mão, e a encarava indecisa.
-Aqui... — me aproximei dela, pegando a bandana da folha presa por uma faixa avermelhada, e a amarrei no seu pescoço, com o hitaiate na nuca, e a faixa na parte da frente. Haku era um pouco mais baixa que eu, então quando fiz isso, foi fácil levantar aquela nuvem de cabelos negors, e deixa-los cair por cima do simbolo da folha.
Me afastei mais dela, que olhou pra bandana com o olhar carinhoso, e a afagou.
-Parece uma coleira... — ela disse, sorrindo gentilmente — A coleira da Haku...
Ela poderia ficar assustadora quando zangada, mas falando daquele jeito, ficava extremamente kawaii. Me aproximei dela e a abracei, descansando sua cabeça no meu ombro.
-Obrigado por cuidar de mim, Haku — eu disse, e ela sorriu, meio nervosa e completamente corada — Vamos.
-Hai.
Prendi a bolsa na perna, e depois pulei pela janela, ela veio logo atrás de mim.