Notas iniciais
Outro capítulo....... Ufa..................
Mais uma coisa. Não deem muita atenção aos títulos, eles são meio aleatórios mesmo.
Enjoy.....

"Estranho... é como se eu estivesse me esquecendo de alguma coisa"

Pude notar que pela expressão, Kakashi tinha percebido exatamente o que eu queria que ele notasse de uma vez, quando mais demorasse pra ele entender que Zabuza estava vivo mais arriscado seria aquela missão. Dessa vez no entanto, não foi enquanto ele estava deitado, machucado como da outra vez, foi enquanto comiamos, a cara de surpresa dele foi tão evidente que por um momento imaginei como aquele cara havia sido um ANBU... Claro, considerando que foi treinado pelo Minato era bem compreensiva aquela personalidade, o Yondaime nunca foi um shinobi... convencional, por assim dizer. E talvez, ou talvez principalmente por isso, eu o respeitava tanto.

-O que foi, Kakashi-sensei? — Tsunami perguntou, enquanto servia mais uma porção de batatas no prato dele, que ainda estava intocado.

Ele não respondeu de imediato, e isso fez Sakura começar a tamborilar os dedos na mesa, impaciente. Sasuke me olhou de canto de um jeito que dizia claramente: "Ele percebeu". E eu apenas acenei levemente com a cabeça, Sasuke também não era um ninja medíocre, nunca tinha sido, mas dessa vez estava se sobressaindo, talvez ter alguém com quem competir tenha feito bem a ele, afinal.

-Tazuna-san — ele (Kakashi) murmurou, parecia ter pesado cada possibilidade e chego naquela conclusão — Não quero assustar o senhor, mas é bem possível que Zabuza ainda esteja vivo.

Ele não respondeu, ninguém na mesa fez o menor barulho. Exceto Sakura, que engasgou. Dei uns tapinhas nas costas dela e ela olhou pra ele com uma expressão que eu não sabia definir ao certo, estava com os olhos lacrimejados e com os olhos tão esbugalhados que pensei que fossem cair pra fora.

-Mas... mas... O Naruto-kun o derrotou, e aquele garoto...

-Então — eu murmurei, tomando uma golada do suco que Tsunami-gostosa tinha servido pra mim — O senhor também notou?

Todo mundo na mesa olhou pra mim, exceto Sasuke que tentava negar mais comida, mas levou uma cacetada na cabeça e acabou aceitando mais. Kakashi me olhou profundamente por um segundo, como não disse nada imaginei que queria que eu explicasse o que tinha dito.

-Iryo-nins — eu comecei, todos na mesa prestavam bastante atenção — Por norma sempre destróem o corpo no local onde o encontram, nunca levam pra outro lugar antes.

-Isso diminui as chances de que talvez reste alguma amostra de sangue, tecido, ou qualquer coisa assim — Sasuke continuou o meu racíocinio, enquanto Kakashi olhava pra ele surpreso, pela total falta de surpresa com que falava.

-Além do mais... — Sakura murmuou, parecia estar falando mais pra si mesma do que para os outros, e corou um pouco quando percebeu que estavamos a encarando — Quer dizer... Aquele garoto não devia ser muito mais velho que nós, e o Zabuza era pesado. Pra que carregar um corpo tão pesado quanto aquele se ele podia ter feito o trabalho ali mesmo?

Ela olhou pra mim um pouco nervosa, como se esperasse que eu zombasse ou esnobasse o que ela disse.

-Tem razão nee-chan — sorri pra ela, que pareceu um pouco aliviada, mesmo um pouco surpresa pela forma que eu a tratei — Não faz sentido... a menos...

-A menos — Kakashi continuou, parecia meio desanimado — Que aquele garoto seja na verdade um aliado de Zabuza, se passando por Iryo-nin, ele não estava lá pra mata-lo, e sim pra salva-lo do Naruto-kun...

-Hai... — concordei seriamente, Sasuke remexeu com o garfo a comida do prato, mas a um olhar da Tazuna começou a comer, ainda que a contra gosto — São minhas conclusões também.

"Devo estar ficando velho — Kakashi pensou com ele mesmo — Esses três são incríveis, a Sakura nem parece mais aquela garota irritante de antes. O Sasuke não esta tão sombrio, e o Naruto... eu nem sem o que pensar sobre ele. Melhor começar a me esforçar também, ou logo esses três vão me ultrapassar..."

-Mas... isso — Tazuna tinha caído na real, finalmente — É terrível!

-Não se preocupe — eu disse, levantando os braços e sorrindo largamente, como antes — Eu vou proteger o senhor, com os meus dois braços!

Sorri interiormente vendo a surpresa passar pela mesa, o abalo no chakra do construtor da ponte, da filha gostosa dele e do Inari, que estava a ponto de descer as escadas. Ele estancou e ficou parado no lugar, podia escutar ele respirar mais pesadamente, devia estar a ponto de chorar. Sakura sorriu pela minha animação e Sasuke sorriu em deboche, mas antes que dissesse alguma coisa começou a comer de novo, sob outro olhar cortante da Tsunami.

-BAKA! — olhei pra cima, e não demonstrei surpresa nenhuma vendo aquele garotinho parado encima da escada, me olhando com raiva — A única coisa que você vai conseguir é morrer! SEU IDIOTA!

Ele correu de volta pro quarto dele, enquanto a mesa continuava silenciosa. A expressão de Tazuna era triste, igual a da Tsunami.

"Ora... Por que fez isso?! — Naruto perguntou, curioso"

"Como quando coloquei o apagador encima da porta — respondi — Não quero que as coisas saiam muito diferentes"

Naruto me encarou por um segundo, e então sorriu cinicamente, parecia achar alguma coisa imensamente divertida.

"O que foi?"

"Nada... — ele disse, rindo baixinho — Você é bem peculiar, Yoko"

"Baka, o que quer dizer..."

"Esqueça... raposa idiota"

-Desculpem pelo meu neto — Tazuna apoiou a cabeça nas mãos, parecia bem velho e cansado quando fazia aquilo, de um jeito estranho, me lembrava o sandaime. Eles eram bem joviais, mas determinados gestos que faziam os deixavam mais velhos — Mas ele esta passando por um momento difícil...

-O que aconteceu com ele? — perguntei calmamente, me sentando — Foi algo que eu disse?

-Foi, mas não tem nada a ver com você, Naruto-kun — Tsunami disse, ajeitando o avental. Tentei não reparar como seus seios apertavam e relaxavam quando ela fazia isso, mas era impossível. Pelo olhar de Kakashi ele devia estar pensando na mesma coisa — A frase que você disse, foi igualzinha a que o pai do Inari disse, assim que eles se conheceram...

E como antes, ela contou toda a história sobre Kaiza, quando ele resgatou o Inari do rio, e sobre tudo o que ele tinha feito por aquela vila. Antigamente eu fiquei surpreso ao ouvir aquela história, posso nunca ter pensado nisso, mas aquele homem sempre foi um dos meus maiores exemplos, ele reforçou minha vontade de ser Hokage, era visto como um herói e eu queria ser visto como ele. Agora... Não tenho certeza do que pensar sobre ele, uma parte minha dizia que ele era um tolo idiota, outra parte que era um bom homem. Não sabia como conciliar essas duas opiniões, mesmo que a maioria dos homéns bons fossem tolos idiotas...

-Pobrezinho — Sakura murmurou, a expressão estava meio chorosa — Não quero nem imaginar pelo que ele esta passando, não é, Naru...

Ela não terminou o que ia dizer, por que a minha expressão estava gelada, sem nenhuma expressão. Eu pedi licença e sai da mesa, pegando Harusame no caminho e a colocando na cintura. Todos na mesa me acompanharam com o olhar até que eu sai dacozinha, seguindo o caminho daquele lamuriar baixo, tão baixo que só os cachorros deviam escutar. Era por isso que os cães uivavam tanto naquela vila, eles choravam junto do Inari.

Kakashi suspirou assim que não pode ouvir mais os passos do Naruto. Sasuke na mesa também estava sério, mas não tanto quanto o louro que acabara de sair, Sakura parecia confusa, assim como Tazuna e Tsunami.

-Não se ofendam por isso — o jounnin disse — O Naruto não...

-Aquele pivete! — Tsunami puxou uma manga pra cima, como se fosse realmente bater nele, e se tivesse chance talvez até fizesse isso — Só por ser um chunnin ele deve pensar que o Kaisa é um idiota, e que o Inari é um covarde!

-Tsunami-san, espere por favor — Kakashi tentou acalmar os animos da anfitriça, assim como o construtor — Eu sei que ele pareceu um pouco rude, mas na verdade o Naruto... Ele apenas entende o que o Inari-kun esta passando. Talvez melhor que todos nós...

Tazuna abaixou um pouco a cabeça, entendia onde ele queria chegar, ou pensava que entendia. Tsunami pareceu ter esquecido a raiva, que foi substituida por uma expressão surpresa.

-Por que diz isso, sensei...?

Kakashi suspirou, não gostava daquela história, mas parecia que ia ter que contar de novo...

Pude ver aquele garoto bem antes dele perceber a minha presença. Ele segurava o retrato de um homem com uma corda amarrada na testa, segurando os cabelos espetados e uma cicatriz no queixo, o vidro estava meio embaçado e as lagrimas não paravam de pingar ali. Acho que ele sempre escolhia aquele lugar pra chorar por causa do oceano, perdi um bom tempo olhando pra ele, antes de ir falar com o garoto. O oceano devia lembra-lo de quando saia pra pescar com o pai, as ondas altas e o barulho das poucas gaivotas que passavam ali camuflavam um pouco o seu lamento.

-Posso me juntar a você...?

Inari olhou pra cima surpreso, vendo a imagem daquele louro embaçada pelas próprias lágrimas. Enquanto ele ficava de pé, segurando a bainha da katana parecia muito forte, um arrepio passou pela sua coluna enquanto o observava, algo gritava dentro dele pra correr, mas ele apenas continuou ali, em silêncio. Sem nenhuma resposta, ele se sentou ao seu lado, tirando a espada da cintura a a descansando em seu flanco, apoiada no ombro direito.

-Eu entendo o que você esta passando — eu disse, olhando pro horizonte assim como ele — Mas você esta errado.

Naruto riu baixinho na minha mente, me olhando com aqueles olhos azuis profundos que pareciam atravessar o vermelho dos meus, vendo coisas que eu não via dentro de mim mesmo.

"Você é mesmo peculiar, raposa... — ele disse, zombando de mim — Você disse que apenas quer fazer as coisas serem iguais, mas na verdade você se importa com esse pivete...

Não respondi aquilo, não sabia realmente o que dizer, e qualquer coisa que eu dissesse pareceria mentira contra aquele argumento, talvez fosse mesmo.

Inari continuou me olhando surpreso por um tempo, então pouco a pouco a surpresa foi sendo substituida pela raiva. Ele se levantou e praticamente cuspiu as palavras pra mim:

-Você não entende nada!

E se virou pra ir embora, andando a passos largos, querendo se distanciar o mais rápido possível de mim. Antes que fosse muito longe eu disse baixinho, mas alto o suficiente pra ele conseguir ouvir claramente, mesmo acima do barulho das ondas quebrando na praia.

-Sabe... Eu também sou filho de um herói.

Ele parou no meio do caminho, então olhou pra mim surpreso. Como não fez nenhuma menção de voltar a se sentar ao meu lado, ou talvez estivesse surpreso demais pra conseguir formular essa ideia doerentemente, continuei falando.

-A doze anos atrás, a minha vila foi atacada por um monstro — não era realmente mentira, não?! — A grande raposa de nove caudas. Muitos shinobis valentes e poderosos morreram tentando impedi-la, só que não era o suficiente, ela era forte demais. Pra evitar a destruição, um homem teve que lutar contra ele, e por causa disso perdeu a sua vida. Esse homem era...

-"O-raio-dourado-da-folha" — ele murmurou, me surpreendendo, mas não era tão estranho assim que conhecesse sobre o Minato, ele era um ninja conhecido no mundo todo, e só o nome dele já fazia exércitos tremerem — O que...

-Ele era o meu pai — disse simplesmente, e os olhos dele se esbugalharam.

Não disse mais nada e ele não parecia tencionado a se mexer por um bom tempo. Mas aos poucos ele veio na minha direção, caminhando a passos lentos e se sentou ao meu lado, encarando longamente o oceano antes de perguntar baixinho.

-Você... Sente falta dele?

-Eu era apenas um bebê quando ele e minha mãe morreram — eu disse, e ele pareceu novamente surpreso — Então não me lembro muito deles. Mas tenho orgulho de ser filho de alguém tão forte, e quero ficar cada vez mais forte pra poder me igualar com ele. Assim como eu tenho orgulho dele, quero que se orgulhe de mim.

Ele não respondeu, mas uma lágrimas escorreu dos seus olhos e ele abaixou levemente a cabeça.

-Por isso — eu continuei — Você devia parar de chorar. Se seu pai te visse dessa maneira ficaria triste. Ele devia querer que você fosse feliz, que ficasse forte e pudesse proteger a sua mãe e essa vila. Ele morreu deixando esse legado pra você.

Pus a mão na sua cabeça e afaguei levemente, enquanto ele me olhava de um jeito que nunca tinha me olhado antes, nem mesmo nas vezes que tinha ido me visitar em Konoha, ou quando eu tinha vindo ali novamente, com meus vinte anos e acompanhado de Konohamaru e do seu time. Ele me olhou com respeito.

Me levantei, colocando a espada na cintura e saindo dali. Aquele garoto precisava de um tempo pra pensar no que eu tinha dito, e além disso, já estava de saco cheio de ficar ouvindo ele chorar.

-Não se preocupe — disse antes de deixa-lo sozinho — Não ou deixar o Gatou ou o Zabuza destruirem o que seu avô construiu.

-Então até mesmo o demônio da névoa oculta voltou derrotado — Haku se virou pra olhar aquele homem detestável que tinha entrado em seu esconderijo — Abanando o rabinho pra cima de seu dono...

Os dois samurais idiotas que o escoltavam sorriram, segurando os cabos da sua katana como se quizesses mostrar que tinham uma. Ela apenas os mirou por um instante, e então voltou aos cuidados pra com seu mestre, aquelas pessoas imundas não eram dignas nem mesmo da sua atenção.

-Parece que os ninjas da névoa são bem patéticos mesmo, não?! — Waraji, o "samurai" de tapa olho disse, sorrindo tal como se companheiro.

-Você não consegue nem ao menos vingar seus homéns — Zouri disse, sorrindo zombeteiro, a pintura abaixo dos seus olhos deixavam seu olhar afiado... mas nem tanto — E ainda se considera um demônio, não me faça rir...

Zabuza olhou longamente de um pra outro, mirando a imagem de Gatou bem no meio (e bem abaixo) dos outros dois, apenas bufou e voltou a olhar pro teto, enquanto sua arma favorita limpava o ferimento no seu peito, trocando as bandagéns. Ao serem destratados daquela maneira os samurais grunhiram irritados, segurando os cabos da sua katana, as puxando lentamente...

"Um ataque...?!" — Haku pensou, os músculos da sua perna ficarem tensos, estava pronta pra mata-los a qualquer momento que fosse, logo quando as espadas saissem completamente das bainhas, mas elas não chegaram a sair, não ainda.

-Esperem um pouco... — Gatou deu dois passos a frente, fazendo os guarda-costas embainharem suas espadas novamente, mesmo a contra gosto — Quero saber o motivo desse silêncio todo...

Os olhos daquela garota acompanharam a mão daquele homem ( lê-se verme) até que estivesse ameaçadoramente perto do queixo do seu mestre. Quando ia se aproximar mais, ela achou que já estava na hora de tomar alguma atitude. Sem ele nem perceber a principio, segurou seu punho e apertou com um pouco de força, ouvindo os ossos estalarem. Se colocasse mais força conseguiria esmagar aquele braço gordo, e foi só após esse pensamento, que transcorreu logo depois do estalo, que Gatou gritou, assustado e pela dor... Mas principalmente pela dor.

-Não toque Zabuza-sama — ela disse, deixando as palavras escorrerem como um silo pra fora da sua garganta — Com essas mãos imundas...

Não teve tempo de dizer muito mais, ouviu o barulho agudo e prolongado das katanas serem desenbainhadas, e largou o braço trincado, e talvez quebrado, daquele verme a se contorcer de dor. Olhou de canto e pode ver os samurais avançando em camera lenta, embora tivesse noção que ela é que era rápida demais pra eles. Girou o corpo e deu a volta em torno deles, pulando na parede e de lá até as costas daqueles lixos que se diziam samurais. Enquanto segurava as duas katanas e as virava contra os pescoços dele, um único pensamento passou por sua cabeça, e isso a fez sorrir debochada.

"Gostaria de ver o Naruto-sama de frente à esses lixos..."

-Como pode... ele se moveu em segundos! — um deles disse, e Haku não se deu ao trabalho de entender qual. Estava pesando os motivos pelo qual tratou o garoto que quase matou seu mestre por sama... Se bem que talvez esse fosse o principal motivo.

-Vocês não deviam fazer movimentos tão bruscos... — ela disse, lentamente, e sua voz ecoou no teto alto do esconderijo — Eu não estou de muito bom humor hoje.

"Bakemono..." — Waraji pensou, sempre se considerou um monstro, e gostava de quando as pessoas o chamavam assim, antes de serem fatiadas, mas aquele garoto era um monstro muito mais terrível que ele.

Gatou ficou em silêncio, segurando o braço ferido e olhando seus dois samurais serem dominados daquela maneira por um ninja patético que não passava de uma arma nas mãos de um nukennin. Cerrou o punho bom e quase gritou, enquanto Haku largava os dois, que quase inconcientemente deram vários passos pra longe dela.

-Mais uma vez! Se você falhar apenas mais uma vez — ele apontou a mão boa pra Zabuza, mas logo tornou a segurar a ruim de volta, imaginando as torturas que faria aquele garoto passar por te-lo ferido daquela forma — Você não sera mais bem vindo aqui! Lembre-se disso!

Assim que ele saiu, batendo a porta, Zabuza se voltou pra aquele garoto, que sorria meio tímido. Ele não entendia de certo os modos dela, mesmo tendo a criado desde tanto tempo atrás.

-Haku, você não precisava... — ele apertou a kunai que segurava embaixo do cobertor, mas antes que pudesse terminar o que ia dizer, ela o interrompeu educadamente.

-Eu sei, mas ainda é cedo pra matarmos o Gatou — ela disse, sorrindo daquele jeito doce que era tão típico dela — Se nós causarmos muita confusão aqui, eles virão atrás de nós novamente... Por favor, Zabuza-sama, tenha paciência.

-É... tem razão — ele concordou, afundando mais a cabeça no travesseiro.

Sakura bocejou, esticando os braços pra cima e sorrindo. O que o Naruto dizia podia parecer estranho, mas era verdade, bocejar era muito bom...

Ainda sorrindo ela olhou em volta, imaginou aquela ponte mais movimentada, mas ela estava com poucos trabalhadores. Não que não entendesse o por que, já que o motivo era meio óbvio e bastante compreensivo. Os moradores tinham medo. Tinham medo de serem mortos pelo Zabuza ou pelo Gatou, assim como o Kaisa-dono, e então tentavam não ficar no caminho dele. Era um fato que se todos se empenhassem, eles com certeza conseguiriam, mas sempre tinha o primeiro que decidia não ir, achando que assim se manteria a salvo e não faria muita diferença, afinal, era apenas um trabalhador a menos. O problema é que todos seguiam esse exemplo e só sobravam alguns poucos que trabalhariam, o que tornava a derrota deles quase certa pra com Gatou.

Esse pensamento veio de uma única vez e Sakura sorriu orgulhosa de si mesma, as aulas na academia realmente tinham valido a pena. Tambez sorriu ao notar que havia tratado Kaisa por "dono", era um modo meio antigo e respeitoso de se tratar alguém, quase não usado mais. Sorriu ainda mais, na verdade riu baixinho e se sentindo meio idiota por ter pego aquele costume do Naruto, ele tinha alguns modos e gestos que eram bem retrógados, passava a impressão que era bem mais velho as vezes, mesmo sorrindo daquele jeito bobo. Lembrou quando a poucos meses atrás o tinha destratado na academia, pensava que só por tirar notas mais altas era superior a ele... Garota tola...

Ele já tinha derrotado um jounnin que se equiparava ao próprio sensei deles, e as habilidades dele eram assustadoras. Já tinha se graduado chunnin mesmo sem prestar o exame, e provavelemnte seria graduado jounnin, não demoraria muito. Imaginou quanto tempo duraria numa luta com ele, e sentiu um arrepio passar pela sua nuca... Poucos segundos, provavelmente.

Deixou esses pensamentos de lado e continuou olhando a construção. Apenas Kakashi e ela ainda estavam ali, Sasuke decidiu continuar treinando, e o louro disse que ainda se sentia indisposto pra caso houvesse uma luta. Então o sensei o deixou responsável por cuidar da Tsunami-san e do Inari-kun enquanto ficasse na casa, caso alguns ladrões ou capangas decidissem aparecer, aquela altura do campeonato, era mesmo uma boa ideia alguém ficar ali.

Pensando no Inari-kun, e no Naruto, ela sorriu um pouco triste, encarando o sol que ainda estava subindo no céu. Nunca imaginaria que ele fosse quem realmente era...

-Como assim, sensei — ela perguntou, enquanto Tsunami se sentava novamente, curiosa — Por que o Naruto entende o Inari-kun melhor do que nós?

-Por que eles são iguais, Sakura — Kakashi respondeu — O Naruto entende exatamente o que o Inari-kun esta passando por que já passou pela mesma coisa... Não, talvez tenha sido dezenas de vezes pior pra ele.

Todos na mesa arregalaram os olhos, Sasuke apenas sorriu um pouco tristemente, ele sabia do que Kakashi estava falando, e concordava plenamente com ele... Embora soubesse também o que aquele garoto guardava debaixo daquela máscara, ele era perigoso, sofrer tanto o tornou perigoso, alguém que ele queria de qualquer jeito que ficasse do seu lado. Sabia que não podia com ele, era um fato simples que já tinha aceitado, mas mesmo assim queria ficar mais forte, tão forte quanto fosse possível, tão forte que Naruto pudesse considera-lo um companheiro de valor.

-Por que diz isso, sensei? — tsunami perguntou, sem entender exatamente onde ele queria chegar — Como ele pode ser igual ao Inari?

Kakashi respirou fundo, não gostava daquela história, mas parece que tinha que conta-la de novo...

"A doze anos atrás, a vila da folha foi atacada por um monstro, a Raposa de nove caudas. Ela chegou e sem mais nem menos começou a destruir tudo o que estava em seu caminho, matando dezenas de pessoas. Vários shinobis honrados morreram tentando impedi-la, mas ninguém era páreo pra tanto poder... Ninguém, exceto uma pessoa"

-Yondaime... — Sakura murmurou, meio desnorteada, conhecia aquela história, mas não entendia onde seu sensei queria chegar com ela. Na verdade, parecia algo muito óbvio que ficava lhe escapando entre os dedos.

-O que o raio dourado de Konoha — Tsunami perguntou — Tem a ver com isso?

-Tem a ver, Tsunami-san — Kakashi olhou pra cada um naquela mesa separadamente — Por que o Yondaime, meu antigo sensei, é pai do Naruto.

Tsunami gaguejou alguma coisa, mas nada que fizesse algum sentido e merecesse ser relatado. Tazuna também arregalou os olhos, ele pensou que Kakashi ia mencionar sobre a vila do redemoinho, mas aquilo... E mais aquilo ainda, não queria nem imaginar o que aquele garoto já tinha passado. Sasuke não demonstrou muita reação, mas estava quase gritando interiormente, era como se estivesse ouvindo sobre um reflexo, Naruto era exatamente igual a ele, tinha passado pelas mesmas coisas, sentido as mesmas dores, era alguém igual a ele!

Já Sakura... bem, ela levantou e gritou, apontando o dedo pro sensei.

-QUER DIZER QUE O NARUTO-KUN É FILHO DO QUARTO HOKAGE?

-Hai, hai... — Kakashi sorriu de canto, tentando acalmar aquela garota hiperativa — Acalme-se, Sakura...

-Então... — Sasuke disse, com o queixo apoiado nas mãos, parecia estar pensando muito em alguma coisa — A mãe dele é Uzumaki Kushina?

-Hai — Kakashi disse, não era muito estranho ele perceber aquilo, mas mostrava um nível de atenção interessante, já que mesmo Sakura, que com certeza conseguiria citar cada passo que cada Hokage já deu na vida pareceu surpresa com isso — E como o Yondaime, ela também esta morta.

Tsunami abaixou a cabeça, a escondendo entre as mãos, calada. Pouco depois um filete prateado de lágrimas escorreu pelo seu braço. Ela tinha julgado aquele garoto tão erroneamente, quando ele devia ter passado por um inferno muito pior que o seu filho. Inari perdeu o pai, Naruto tinha perdido tudo...

-Mas, Kakashi-sensei — Sakura levantou a mão — Por que nós nunca souemos disso? Por que o Naruto vive naquele apartamente sendo que é o filho de um Hokage, ele...

-Essa informação, Sakura, é ultra-secreta — o jounnin murmurou, sentindo vontade de quebrar alguma coisa. Quando soube daquela decisão, realmente tinha quebrado — Por ordéns do conselho dos moradores, o Naruto estaria proibido de saber qualquer coisa sobre sua ascendencia, de receber qualquer parte da herança que lhe é devida, entre qualquer objeto, técnicas ou afins dos seus pais.

Sasuke apertou os punhos, se concentrando ao máximo pra não ativar o sharingan contra sua própria vontade. Tinha certeza que se já não o tivesse despertado, despertaria agora. Imaginou-se no lugar dele, e o quão puto ficaria se soubesse daquilo.

-Mas por que? — ela perguntou, também parecia irritada — Ele tem o direito de saber!

-O porque é algo que não posso lhes contar — Kakashi disse — Eu não deveria ter dito nada disso, e espero que entendar que esse é um segredo militar de classe S da vila.

-Então... — Sasuke murmurou, fitando o seu sensei seriamente — Por que...

-Por que eu os contei disso tudo? — ele continuou a pergunta do seu aluno, que assentiu — Eu sempre fui contra essa decisão, assim como o Hokage, e todos os shinobis que sabem a verdade, mas os votos do conselho de moradores foram unanimes. Dessa forma, eles tem poder até mesmo contra uma ordem direta do Sandaime, ele ficou de mãos atadas.

-Mas não...

-Não adianta, Sakura — Kakashi completou — O poder do conselho, se for unanime, é maior que o do Hokage. Eles proibiram diversas coisas, inclusive que ele fosse adotado. A líder do clã Inuzuka, assim como eu, e alguns ANBU's que eram amigos do Yondaime já tentamos diversas vezes, mas nunca conseguimos. Se vocês imaginassem até mesmo o trabalho que deu pro Naruto conseguir se matricular na academia...

Sakura entendia, mas mesmo assim... Não era justo.

Tentei ignorar aquelas olhares da Tsunami-gostosa e do Tazuna durante aquela tarde, mas estava realmente difícil. Por um instante amaldiçoei o meu sensei, por embelezar tanto uma história que não era assim tão dramática. Toda hora que Tsunami passava na minha frente, ela abaixava a cabeça e segurava as mãos no peito, ficava minutos assim, até me dar um abraço e apertar minha cara naqueles seios fantásticos, e dizer pra mim ser forte. Não que eu esteja reclamando, aquela era a parte boa — muito boa — da situação.

O chato é que eu não conseguia me concentrar em nada a minha volta, ouvindo os múrmurios pela casa, os latidos do cachorros, os insetos, o chakra instável e praticamente choroso de todo mundo ali. Chegava a deixar o ambiente pesado e acabava com qualquer traço de bom humor, o mesmo que estar num velório... Eu odiava velórios...

Estava sentado, como sempre, com Harusame descansando apoiada no meu ombro. Eu não conseguia descrever a sensação de segurança e familiaridade que ter uma katana me passava, no primeiro dia, assim que voltei naquele tempo, não tinha me incomodado por isso por que... bem... Acho que estava tão surpreso que se estivesse nú só notaria quando alguém me batesse por isso. Mas no segundo dia, quando acordei e toquei a cintura vazia, sem nenhuma bainha... A falta era tanta que eu não sabia nem como me mover ao certo. Por diversas vezes, em diversas vidas já tinha vivido como samurais, e dizem que a alma de um samurai é a sua katana. Eu não conhecia verdade maior que essa no mundo. Embora também fosse verdade que aquela Harusame, a chuva de primavera do Yondaime Hokage, não era a minha ala. Eu não a sentia minha, não conseguia usar todas as minhas habilidades com aquela lamina, não conseguia senti-la como parte do meu corpo. O movimento com ela não era instintivo. Ela era uma espada, uma espada magnífica diga-se de passagem, mas apenas uma espada. Não era a minha espada...

Mas por hora serviria, até poder encontrar ou fazer uma nova alma pra mim.

"Esperança... ta aí uma coisa que eu nunca entendi"

Sakura se virou mais que pronta pra acertar um soco na boca de quem tinha puxado a barra do seu quimono, mas parou ao notar que era apeas um garotinho. Ele tinha um sorriso tão... inocente e gentil no corpo que ela ficou estática por vários segundos, olhando os olhos grandes dele, que brilhavam com uma alegria que eu não entendia... Nunca tinha entendido aquelas expressões.

A expressão dela foi se suavizando, da surpresa e espanto pra pura e simples tristeza. Sakura era uma garota tola e infantil, mas quando sorria daquela maneira não parecia nada disso, ela conseguia ficar muito parecida, tão parecido com "ela" que me deixava desconfortável. Eu nunca tinha visto um humano sorrir tristemente daquela maneira, além daquelas duas, aquele sorriso ainda me perturbava as vezes, mesmo tendo... quantos séculos desde que eu não a via?! Dois?! Três?! Dez... Eu não tinha certeza, minhas memórias mais antigas ainda eram meio nebulosas...

Suspirando, ela tirou algumas balas da bolsa, nem sabia por que ela tinha as comprado na verdade. Sakura nunca comia doces, talvez por toda aquela bobagem de se manter em forma. Mas pela forma que ela entregou as balas ao garoto, parecia quase como se ela soubesse que alguém ia pedir, como se ela tivesse comprado os doces única e exclusivamente pra aquele garotinho.

Ele sorriu, olhando pro punhado de chocolates e caramelos nas mãos, e deu um sorriso tão grande e feliz pra Sakura que ela sorriu de volta, os olhos levemente marejados. Eu não entendia aquele sorriso, era um sorriso simples e sem nenhuma faceta de cinismo, mentira, sem qualquer intenção. Era apenas felicidade, alegria em sua forma mais simples e primária. Um sorriso que demônios não conseguia mostrar. Como aquela garota na minha frente não era um demônio, ela sorriu daquela mesma maneira, curiosamente olhando pra mim. Eu não sabia como minha expressão estava exatamente, mas devia ser um misto de tristeza, seriedade e dúvida, ela viu tudo aquilo e sorriu pra mim, tocando no meu braço e me chamando pra continuar.

-Vamos, senão Kakashi-sensei vai nos dar uma bronca.

-Hai...

Sorri de canto, não era um sorriso de felicidade, mas o único que viu o cinismo e o sarcasmo nele foi Naruto, que me encarou e sorriu da mesma maneira. Apesar daquilo tudo, havia tristeza naquele sorriso, talvez o que mais houvesse ali, um cinismo triste, um sarcasmo melancólico que escondia por trás da zombaria várias coisas que eu não queria mostrar. Era melhor permanecer assim, melhor ser um demônio sarcástico e sem sentimentos, era mais fácil, mais simpels lidar com isso, do que encarar o verdadeiro monstro, que rugia por trás da sombra do meu inconciente.

"Seres humanos... São tão interessantes..."

Abri os olhos de repente, assustado. Levei a mão a Harusame e ela não estava na minha bainha, não havia nada na minha cintura, nem katana, nem bainha. Senti um arrepio passar pela minha espinha, até me dar conta de onde estava, sentado encostado na parede, a espada do Yondaime como sempre apoiada no meu ombro, adormecida dentro da bainha. Suspirei, aquilo não era comum pra mim.

Encarei o tempo por alguns instantes, a casa estava silênciosa, as nuvens fechando o céu acima da minha cabeça, visível pela janela. Estava quase na hora... Aquela lamina negra ia beber um pouco de sangue, até agora ela apenas cortara, sem tirar a vida de nenhum oponente, mas dessa vez era pra matar. Sacar a espada e não dar sangue pra ela a deixaria preguiçosa, a faria falhar quando eu precisasse, a faria perder o gosto por sangrar oponentes, por retalhar a carne e o músculo, por mandar mais e mais almas até o shinigami. Aquela era uma velha superstição no país do ferro, que se originou num outro continente, do leste, quando um espadachin andarilho cruzou o oceano, tanto tempo atrás. Ele mesmo tinha me dito aquilo, e eu acreditei nele.

"Pare de ficar remoendo memórias de Eras atrás, Yoko! Temos companhia!"

Sorri ao que ele tinha dito, será que ele também se importava?! Ri quando ele bufou a esse pensamento.

"Estou conciente daqueles dois — eu respondi, agora estava encima de uma árvore próxima, observando aqueles dois bastardos se aproximares, ora cortando alguns galhos, ora riscando o fio da katana no chão, como se quizessem chamar a atenção. Eu não sabia descreve-los muito bem, aqueles dois lixos que se chamavam "samurais" estavam além de qualquer definição minha de "verme".

Ao que parecia, o humano no meu subconciente concordava com essas expressões, por que olhou com nojo pros dois mercenários que sorriam sinistramente. Gente como aquela que sente prazer em se sujar de sangue, pessoas que almejam o título de "demônio"... Eu só queria fatia-los em mil pedaços e ver o horror em seus olhos enquanto bebia seu sangue ainda quente...

"Mas... o que esta esperando? — ele mormurou, virando a cabeça dos dois patetas e me encarando profundamente"

"Um motivo..."

Naruto ainda gritou um monte de coisas na minha cabeça, que não me dei ao trabalho de responder. Sorri maniacamente comparando ele com aquele que tinha me falado logo que voltei a esse tempo, e de certa forma comparando a mim mesmo agora, com quando o MInato tinha liberado o selo. As coisas estavam diferentes... Eu pensei que não sentiria mais prazer com aquele tipo de coisa depois de ser selado e viver como um humano, sem as minhas memórias. Mas o arrepio ainda estava lá, a adrenalina, a emoção. A minha boca ainda salivava... Matar, mesmo depois de tudo, ainda era imensamente e insanamente divertido pra mim...

Assisti a tudo em silêncio, eles entrarem na casa, quebrando a porta e enchendo o ar, até então silêncioso, com gritos de medo desagrádaveis. Tsunami gritou e alguns minutos depois ela estava sendo tirado da casa, sendo arrastada pelos cabelos enquanto se debatia. Não daria pra ouvir Inari naquele barulho todo, não se eu fosse humano... As duas orelhas vermelhas de raposa se materializaram, como se uma chama queimasse o próprio ar, e o derrete-se e modela-se até que eu senti as pontas felpudas, macias e grandes de duas orelhas vermelhas, aos lados da minha cabeça, só que mais para o topo do que orelhas normais. Elas eram completamente vermelhas, exceto pelo último chumaço de pelo, que escondia a sua ponta numa mecha negra.

Escutei tudo, ainda que meio embaçado, e precisei virar um pouco a esquerda pra separar o lamuriar daquele pivete do meio de todos os barulhos da floresta. Eu sabia que ele tinha enfrentado os dois na outra época, e aquilo tinha sido a redenção pra ele. Se não fizesse o mesmo dessa vez, ia crescer como um covarde, se odiando. Nesse caso, era melhor deixa-lo morrer, seria mais fácil, e mais justo pra ele.

"Já começou a agir como um juíz, raposa maldita"

"Não se meta..."

"Acha realmente certo o que esta fazendo? — Levantei uma sombrancelha, não entendia por estava tendo aquela conversa com ele, que até então estava implorando pra mim matar o maior número de pessoas possíveis. Fui aí que reparei no sorriso de canto dele, e mesmo eu senti um arrepio pela minha coluna. Nunca tinha visto tanta insanidade assim em alguém, o mais assustador era que era o meu próprio rosto sorrindo.

Me recuperei do susto, e não durou nem mesmo um instante. Sorri junto com ele, mas não tanto e nem tão insanamente, apenas levantei o canto da bochecha, fazendo as suiças se acentuarem e meus olhos brilharem, ferinos.

"Des de quando ligamos pro que é certo ou errado? Raposa?!"

"Tirou as palavras da minha boca — ele deu de ombros, ainda sorrindo — Raposa..."

Nos encaramos por um longo momento e então rimos um para o outro, sem nenhum motivo aparente.

Inari caiu de joelhos, as lágrimas já pingavam no chão e ele observava os dois samurais com tristeza. Não havia raiva naquele olhar, só submissão, era como se fosse um cachorrinho que fosse chutado, e voltasse se arrastando pra lamber os pés do dono. Zouri e Waraji estavam segurando sua mãe pelos cabelos, sorrindo sadicamente enquanto ela gritava pra que ele fugisse. E ele só continuava lá, de joelhos, implorando em silêncio.

Meu sangue ferveu vendo aquilo, tive que controlar muito minha ansia pra não ir até lá e desmembrar aquele pirralho a mordidas. meus olhos cintilavam no mais intenso vermelho, as suiças do meu rosto se acentuaram, minha boca salivava pra afundar os dentes em alguma coisa. Controlei esse impulso, controlei a tremedeira e tentei respirar fundo, contra um verme como aquele, não valia nem a pena me sujar com um sangue ralo como aquele. Segurei o cabo da katana e pulei do tronco, que se partiu tamanho o impacto dos músculos tensionados com youki. Apareci a apenas um palmo de distancia do maior deles, no ar, os pés acima do solo. Pude ver a sombra da expressão no seu rosto sendo substituída por surpresa e depois pavor, enquanto o encarava com os olhos rubros em fúria. Tinha muito tempo desde que não ficava irritado daquela maneira, e a razão disso ser um filhote covarde que mal saíra das fraldas me deixava ainda mais puto.

Todo o olhar, todo o movimento, não durou nem um segundo. Eu ainda estava no ar enquanto sacava a katana, enquanto deslizava o fio perfeitamente afiado pelo seu pescoço, enquanto sentia o sangue dele espirrando no meu corpo, na minha boca. Sorri com aquilo, o sangue dele não tinha o gosto ruim, tinha o gosto de alguém que já estraçalhara e se deliciara muito pelo sangue. Naquele momento, dei mais valor a vida daquele verme do que a de Inari, por que diferente dele, que era um cão estúpido, aquele homem realmente estava pronto pra morrer. Sabia que ia passar a eternidade gritando em agonia, torturado pelas mãos do Deus dos mortos, mas ainda sim sentia prazer em tirar vidas, escolheu aquele caminho e o seguiu até o fim. Não era melhor que um verme pra mim, mas ainda sim um bom verme. Inari era um tipo muito pior de verme, o tipo que me dava nojo. Não era divertido matar pessoas como ele.

Mais cinco cortes se seguiram ao primeiro, dez, quinze, vinte cortes de espada em um segundo, um instante. Choveu sangue naquele lugar, enquanto o corpo que era de Waraji se desmontava em dezenas de pequenos pedaços. Zouri encarava a sua frente sem entender exatamente o que tinha acontecido, o lado esquerdo do corpo totalmente encharcado. Meu cabelo, meu rosto, minha roupa, estava tudo tingido de vermelho, assim como a lamina negra da Harusame, ela parecia pulsar em concordância, pedindo mais. Mais sangue. Eu a daria mais então.

Podia ter fatiado o outro ali naquele instante, mas que graça teria?! Queria ver pavor nos olhos dele, queria vê-lo se encolher de medo e implorar por misericórdia, queria enfiar a mão no seu peito e apertar seu coração, sentir ele tremer e tentar bater contra a pressão dos meus dedos, queria ver os olhos dele se encherem de sangue, a ponto de vazar pelos cantos, pelas orelhas, pelo nariz. Queria vê-lo tentar lutar, pegar a katana e se lançar contra mim. Deixaria que me cortasse, só faria as coisas ficarem mais divertidas, e então, quando ele percebesse que não adiantava, quando ele notasse que eu me curava, quando largasse a arma e tentasse fugir, só então eu o mataria. Só então arrancaria o coração ainda pulsante do seu peito. Deuses... A quanto tempo não me divertia tanto?!

Tsunami me olhou com horror, assim como Inari, ele tremia a ponto de parecer um bambu no vento, as pupilas diminutas, pequenas como o buraco de uma agulha. O suór brotando do seu rosto, era isso que eu queria ver... Adorava roubar dele aquela expressão, adorava ver o que só o Shinigami podia ver nos olhos dos condenados, aquele pavor... Aquele terror que beirava a insanidade, era excitante. Meu sorriso só aumentou desde então. O som do Naruto rindo, gargalhando insandecido parecia real, mesmo estando só na minha mente. O aço frio dilacerando meus músculos era ainda mais adorável, a quanto tempo... A quanto tempo que não me sentia tão vivo.

O chakra vermelho da Kyuubi, meu chakra, me circulou, e reconstruiu a carne rasgada, no meu peito, nos meus braços, sem deixar nem mesmo o mais leve traço de cicatriz. Zouri me olhou apavorado, caiu pra trás, tentou se arrastar pra longe. Arreganhei mais o sorriso, não havia outra definição além de diabólico pra ele, os olhos também mereciam esse crédito, talvez até mais que o sorriso. Ele gritou. Aquele que se julgava um samurai correu e tropeçou, arrastando a katana consigo, tentando limpar o sangue e terra do rosto. Sangue do seu parceiro, terra da queda. Tsunami e Inari estavam imóveis, não me preocupei com eles, caminhei tranquilamente até o samurais, ele foi bem rápido, apenas alguns poucos cortes já o fizeram entender que estava morto. Adorava quando entendiam aquilo, quando se davam conta de que não havia escapatória. Era o momento que os olhos ficavam vagos e a sanidade da pessoa era engolida pelas sombras.

-BA-BAKEMONO!

Sorri sadicamente com aquilo, tão previsível e clichê. Quantas eras já havia vivido, quantas pessoas já havia matado e quantas me chamavam de monstro?! Não entendiam a graça que humanos viam em ficar repetindo continuamente o óbvio mais óbvio. "Como o dia estava bonito", ou "Acho que esta chovendo". "Monstro"... Por que ficar repetindo isso, não era nenhuma novidade pra mim. Era óbvio, eu era um monstro, assim como o céu é azul e a chuva e fria.

Mas então ele fez uma coisa que eu não contava. Zouri segurou na própria lamina da espada, enquanto me encarava suando e com os olhos tremendo, sem se importar com o fluxo largo de sangue que saia das suas palmas. E gritando, cravou a espada no próprio peito. Fiquei estático com aquilo, todo e qualquer sentimento sumiram, deixando apenas a perplexidade, demorei alguns instantes pra entender o que tinha acontecido. "Ele se matou..." — pensei. Não me conformei e repeti de novo. Até que a raiva voltou, ele não passava de um mero cão, outro cão imundo como Inari.

Voltei meus olhos pra aqueles dois, estirados no chão, sujos com respingos de sangue e me olhando como se eu fosse o próprio Diabo. Não liguei pra aquilo, normalmente acharia engraçado, mas aquele maldito suicida tinha deixado meu humor na merda pelo resto do dia. Limpei o vermelho da lamina de Harusame, e a embainhei. Não queria matar os dois, por algum motivo não queria. Talvez fosse meu lado sentimental apelando de novo, ou apenas o fato de estar de mal humor — péssimo humor. Talvez apenas quizesse dar uma segunda chance àquele verme, não importava realmente. Fiz alguns selos e toquei a testa dos dois, eles ficaram imóveis enquanto eu fazia isso, estavam estáticos de medo, e depois de terem as memórias apagadas, ficaram com o olhar vago. Peguei os dois nos braços e entrei na casa. Ainda tinha que pensar numa boa história, e também que limpar a droga daquele sangue, e catar todos os pedaços de waraji espalhados pelo chão... Saco...

Só uma hora depois notei que ainda estava com as orelhas de raposa na cabeça, e tratei de voltar a minha aparência completamente humana. Me perguntei se aquelas orelhas tiveram alguma importância no fato deles terem olhado pra mim tão apavorados... Não, eram os olhos mesmo, aquelas orelhas vermelhas só me deixavam ainda mais kawai...

"Idiota" — ouvi um múrmurio cansado na minha cabeça, ao qual não me dei ao trabalho de responder. Já precisava de muita atenção pra achar todos os pedaços, e a fatia onde estava o nariz do waraji parecia ter sumido... Droga...

Demorou vários minutos pra arrumar as coisas e deixa-las como antes, Inari e Tsunami estavam sentados lado a lado no sofá, ainda com o olhar vago e sem foco. Levaria uma hora, talvez menos pra eles recuperarem os sentidos, e quando isso acontecesse, só lembrariam de um dia normal, sem nada de muito estranho ter acontecido. Suspirei pesadamente, tentando me lembrar exatamente o que tinha acontecido da outra vez, pra decidir o que fazer agora. Eu me lembro que na noite passada a essa, Sasuke e eu tinhamos ficado treinando até nem conseguirmos nos mover direito, e eu tinha ficado pra trás, enquanto ele iam proteger o Tazuna...

A menos que eu muito me enganasse, Zabuza daria o ar da graça hoje, e não levaria muito tempo pra isso, talvez duas, ou três horas, no máximo. Sasuke também não estava com eles, tinha passado a noite fora de casa. Sakura tinha reclamado muito daquilo, imaginando aonde — ou com quem -ele devia estar. Não dei muita bola pra ela, já que era apenas uma recaída, mas estaria mentindo se dissesse que não fiquei curioso. Tudo estava acontecendo de um jeito completamente diferente, mas o rumo que estava seguindo era o mesmo. Kakashi estava em perfeito estado, enquanto eu fiquei paralisado por dias. Eu estava agindo seriamente e agora Sakura estava agindo como um idiota, ou pelo menos, hiperativa demais, assim como eu da outra vez. Se daquela vez eu durmi fora de casa, e encontrei uma certa garota... Tinha boas razões pra imaginar que Sasuke tinha passado por aquilo no meu lugar. Isso deixava tudo ainda mais interessante...

Haku sorriu, enquanto um canário pousou sobre seu ombro, observando o que ela estava fazendo. A cesta de ervas estava quase cheia, apenas mais algumas e poderia preparar o remédio. Por ela Zabuza ficaria de cama mais um dia, ou dois, ele ainda não estava 100%, mas as ordens eram claras, o construtor de pontes estaria parcamente protegido hoje, o garoto samurai não estava lá, e ele precisava apenas de algo que lhe diminuisse a dor. Já estava pronto pra lutar, e dessa vez ia vencer. Como a boa ferramenta que era, ela não insistiu, apenas se curvou a vontade do seu mestre.

O passáro no seu ombro não estava ciente de nada disso, ele apenas observava curioso a garota arrancar talo após talo de ervas e coloca-las na cesta, até que outra coisa lhe chamou a atenção. Ele piou, e voou do ombro de Haku, que seguiu seu olhar e viu a figura de um garoto deitado na grama. Se surpreendeu por não tê-lo percebido antes. O canário pousou encima da sua cabeça e ficou olhando pra ele como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Ela se aproximou, e sentiu os músculos gelarem quando o reconheceu.

Era um shinobi de Konoha, com cabelos negros e olhos sérios cor de onix, que olhavam diretamente pra ela.

Ficaram se encarando, durante quase um minuto, até que ela sorriu e se ajoelhou:

-Vai acabar pegando um resfriado se continuar deitado na relva...

Ele não respondeu de imediato, olhou para o canário e sacuriu a cabeça. Ele, por sua vez, piou alto e assustado, e voltou voando pro ombro daquela garota. Ela cheirava melhor, e era muito mais gentil, na opinião dele...

-Não precisa se preocupar — Sasuke disse, a voz baixinha soando meio cansada — Eu não sou assim tão fraco...

-Não, você parece bem forte...

Sasuke levantou uma sobrancelha, encarando aquela garota. Ele não sabia, pelo tom de voz, se ela estava zombando dele, ou apenas sendo gentil. Aquela postura lhe lembrava alguém, mas ele não conseguia se lembrar quem era, embora seu lado racional gritasse que era impossível que ele a conhecesse, nunca tinha saído da vila antes.

-Você é um shinobi, não é? — ela perguntou, ainda com aquela voz gentil, que o deixava confuso — Percebi pelo seu hitaiate.

-Sim...

-Estava treinando?

Ele levantou uma sobrancelha de novo, ela fazia muitas perguntas...

-É essa a planta? — ele perguntou, olhando pra garota.

-Sim! — ela disse, aumentando um pouco o sorriso — Obrigado por me ajudar, Sasuke-kun...

Sasuke sorriu, um pouco envergonhado cosigo mesmo, sem perceber já tinha contado pra ela até mesmo seu nome, e o pior é que não tinha nem noção de como isso tinha acontecido. Ela era muito gentil, e atenciosa, as coisas simplesmente escaparam dele.

-Não tem de que — ele respondeu, sentindo o rosto levemente quente. O fato dela ser tremendamente linda não lhe ajudava em nada — Pra que precisa dessas ervas?

-Remédio — ela disse, se sentando no chão — As folhas dessas plantas fazem um chá que entorpecem levemente os sentidos, é muito bom se você esta com alguma sensação desagradável no corpo.

Ele assentiu, olhando pra folhas e as alisando, notando os finos pelos que cresciam ali.

-Mas você ainda não me disse — Haku tornou a dizer, com aquele tom entre gentil e desinteressado dela — Por que esta aqui treinando, a essa hora da manhã?

-Por que eu preciso ficar mais forte — a resposta lhe escapou antes que ele desse conta do que tinha dito, apenas deixou os pensamentos lhe escaparem pela boca.

-Mas você já parece muito forte...

Sasuke suspirou, já tinha contado coisas muito mais importantes pra aquela garota, algo simples como um treinamento, ou seus motivos, não fariam a mínima diferença.

-Eu preciso ficar ainda mais forte — ele disse, puxando mais uma planta e colocando na cesta, que estava no chão, entre eles — Pra não ficar atrás dos meus companheiros.

Era verdade que Sasuke era muito mais forte que Sakura, e que uma luta entre os dois terminaria rápido. Mas por quanto tempo aquela diferença duraria?! A verdade é que ele estava se sentindo o mais fraco de toda sua equipe, logo ele, que sempre tinha sido o mais forte. Sempre o melhor nos estudos, sempre o primeiro em tudo na academia. Mesmo assim, Sakura já tinha um controle de chakra bem melhor que o dele, e quando aprendesse os jutsus certos, poderia derrota-lo. kakashi era um jounnin de elite de Konoha, alguém que dominava o sharingan, alguém que já tinha sido da segurança pessoal do próprio Hokage... É, ele tinha muitas informações de diversos ninjas na aldeia, estava tudo nos arquivos do seu clã.

Naruto... Ele não tinha nem palavras, a verdade é que aquele louro o assustava como ninguém já tinha lhe assustado antes, nem memso seu irmão. Os olhos dele não eram frios, mas passavam uma alegria quase insana, como se destroça-lo bem lenamente fosse ser extremamente divertido. Ele mal conseguia evitar tremer quando estava perto dele, e tinha a péssima impressão que ele sabia disso. Precisava ficar mais forte, senão não mereceria estar do lado daqueles três... do lado do Naruto.

-Entendo... — Haku lhe tirou dos seus pensamentos — Existe alguém... Importante pra você?

O jeito que ela disse isso fez o Uchiha corar levemente, ele não entendeu a princípio o que ela quiz dizer, mas quando pensou, a imagem do seu irmão lhe veio a cabeça. Durante muito tempo mata-lo tinha sido seu principal objetivo, agora, depois de saber de tudo o que tinha acontecido... Ele queria tira-lo das sombras, queria que todos soubessem o grande herói que ele era, queria esmagar os malditos conselheiros daquela vila...

-Meu irmão — Sasuke resmungou, e antes que se desse conta, completou — E meus companheiros, eles são importantes pra mim...

Haku sorriu gentilmente pra ele, poderia mata-lo, certamente era isso que ela devia fazer. Mas por alguma razão não conseguia encostar naquele garoto. Lembranças de quando era mais jovem, uma época negra para o país da névoa, onde portadores de kekkei gekai eram caçados e assassinados, voltaram a mente dela. Se lembrou de quando pegava comida do lixo, e dividia com os cachorros. Podia mata-los se quizesse, e seria muito fácil pra ela, mas por algum motivo nunca fez isso, sempre dividia... Sentimentalismo idiota. Deu de ombros, era uma arma imperfeita e teria que conviver com isso.

-Você vai ficar mais forte — Sasuke a encarou longamente, depois se permitiu sorrir um pouco de canto — Quando uma pessoa tem algo importante, algo que queira proteger, é aí que ela pode se tornar realmente forte.

Sasuke sorriu com isso. Ela tinha razão, seu irmão sempre havia pensado que o ódio tornasse as pessoas fortes, por isso disse aquilo pra ele, disse pra ele crescer odiando, mas ele fez aquilo pra protege-lo, fez aquilo pensando na sua segurança, e foi isso que o deixou forte. Não o ódio. Ele iria dizer isso pra ele, depois que o derrotasse... Ainda queria muito derrota-lo.

-Entendo — ele sorriu mais ainda, não estava acostumado a isso — Obrigado.

-A gente se vê por aí...

E ele ficou observando ela ir embora, carregando a cesta com as ervas que ele tinha a ajudado a apanhar. Sorriu mais ainda, estava um dia bonito, e ele não se importou em mostrar tanto dele pra aquela garota, embora não tivesse a mínima ideia do porque, ele sentia que podia confiar nela. Se levantou e bateu o pó da roupa, o sol já subia alto pelo horizonte, e Sakura e Kakashi já deviam estar a caminho da ponte. Ele se apressou, e correu, logo pulando entre as árvores, tomando o caminho para a ponte.

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Clã Kuroitsuki, pois não somos autores de fanfics, somos escritores.

Vamos as indicações de fics.

http://www.fanfiction.com.br/historia/89065/Futatsu_No_Kokoro_-_Dois_Coracoes

Uma fic da minha maninha. Ela é muito boa mesmo, não deixem de conferir.

É baseada no relacionamento de um humano e uma bijuu, sem passado, com mistérios e poderes diversos. Mostra a maioria dos problemas enfrentados por um casal muito diferente. Em um continente além-mar do País do Fogo, muito distante do mesmo, Yuukiko, é um médico que utiliza também o sousen no jutsu e é descendente do Clã Uzumaki, se tornou um jinchuuriki para escapar da morte.

Agora, a indicação de quem me indicou. Indiquem, e eu os indico também! Nada mais justo, não?!

http://www.fanfiction.com.br/historia/135992/Novas_Vidas_Novas_Historias

Três jovens que amam Artes Marciais e o anime Naruto de alguma maneira desconhecida vão parar dentro do mundo de seu anime favorito e por mais incrível que pareça parecem ter um passado lá. Um passado triste e sombrio. Juntos eles começam a interferir na história, o que pode acarretar grandes confusões e muitas cenas engraçadas.

Notas finais
Que saco, tive que pedir ajuda pra postar esse capítulo, de novo. Então valorizem meu esforço e comentem!