Notas iniciais
Capítulo sem formatação. Gomen, mas estou com preguiça, mas tarde resolvo isso.........

"人間はそれで楽しみを容赦なく殺す、と持っているか!悪魔は?男が血をこぼしに喜びを取るとき、彼は次のようになります!?悪魔の愛の能力があります!と悪魔がいる時愛すること、人間になる?"

"Podem os seres humanos matar sem piedade, e se divertirem com isso?! E os demônios, são capazes de amar?! Quando um ser humano sente prazer em derramar sangue, o que ele se torna? Um demônio?! E quando demônios passam a amar, se tornam seres humanos?!"

Yuki

Me ajoelhei em frente aquela mulher, tomando cuidado para que ela não acordasse. Tsunami sempre tinha sido muito energica, quando estava acordada ficava andando de um lado pro outro, sem parar pra nada. Dormindo, ela parecia um anjo, tranquila e serena, como se nada no mundo estivesse errado. Uma anja... uma puta duma anja gostosa pra caralho...

Naruto riu na minha cabeça, me enviando imagens de quando tinha visitado aquele lugar aos vinte anos. Naquela época eu tinha sido nomeado "Gama sannin", a segunda geração dos ninjas lendários de Konoha, o único que tinha herdado aquele título. Sasuke era nukennin, e Sakura tinha estagnado como chunnin, não tinha capacidade pra levar aquele título adiante, e no fundo eu sabia disso, as vezes que discutia com a Tsunade pra passar logo a bola pra ela, eram só por ela ser minha amiga. Ou pelo menos eu a considerava assim. Depois de ser nomeado sannin, ela parou de falar comigo, ficou com inveja, ou alguma coisa parecida e tão idiota quanto. Tinha acabado de pegar um time pra treinar, justamente o do Konohamaru, e aquela seria a nossa primeira missão juntos...

Bufei irritado, tentando tirar aqueles pensamentos da cabeça, antes que acabasse ficando excitado. Tsunami estava cortes bem feios no couro cabeludo, onde os samurais a arrastaram e chacoalharam, a segurando pelos cabelos, enquanto Inari apenas chorava e ficava observando. Lembrar daquilo me fez querer mata-lo mais uma vez, logo quando eu tinha acabado de me acalmar, então tentei me concentrar no que tinha que fazer, limpar aqueles ferimentos.

Como toda boa e cuidadosa mãe, Tsunami tinha diversos remédios em casa, a maioria deles feitos com ervas, que ela mesmo preparava e estocava. Alguns ela até mesmo vendia, ou dava, para os outros moradores, era disso que tiravam algum dinheiro quando Tazuna ficava sem trabalho. Afastei os cabelos da sua testa, onde eles estavam grudados pelo sangue coagulado, e passei com cuidado um naco de algodão ali, umidecido com um extrato de ervas fervidas. A expressão dela se alterou um pouco, mas ela continuou dormindo, ainda estava sob o efeito do jutsu, e demoraria um bom tempo pra acordar... Ou não, poderia acordar a qualquer momento, eu nunca fui muito bom com jutsus de memória...

Mas mesmo assim ela não acordou. Limpei todos os ferimentos, e fiz os curativos, usando um pouco das minhas próprias bandagéns. Estava enrolando uma faixa delas na sua testa, deixando os cabelos caindo por cima, quando ela piscou, ainda grogue. Ficou alguns instantes meio fora do ar, e depois gemeu, levando a mão até a cabeça.

-Quieta — disse suavemente, segurando sua mão no meio do caminho e a baixando, delicadamente. Ela não ofereceu resistência nenhuma a isso — Já estou terminando, Tsunami-dono...

Levou menos de um minuto pra terminar aquilo, amarrar as bandagens com um nós firme, mas tomando cuidado que não apertasse sua cabeça, e deixar os cabelos cairem por cima. Ela já estava com os olhos bem mais em foco, e me olhou por um longo momento, abrindo a boca e deixando um som meio estrangulado sair deles.

-Quem... é você?

Sorri amarelo com essa pergunta, eu era mesmo ruim em jutsus de memória.

-Sou o Naruto — disse sorrindo, e ela corou levemente — Estou em missão aqui, protegendo o seu pai, enquanto ele termina a ponte.

-Naruto... — ela murmurou, ainda meio desconexa, depois colocou a mão na cabeça e gemeu levemente — Dói...

-Só vai doer por algumas horas, depois as ervas farão efeito — eu disse, segurando sua mão — Pode ficar tranquila, Tsunami-dono, eu vou cuidar de você.

Sorri da mesma maneira que o Minato costumava sorrir, quando saia com a Kushina, e só percebi que fiz isso algumas horas depois... Mas cara, nunca me arrependi, nem por um momento.

Tsunami sorriu de volta, corando bem mais do que antes, e apertou a minha mão entre as dela.

-Obrigado — ela disse, sorrindo assim como a Kushina sorria quando saía com o Minato — Naruto-kun...

Quando eu acordei, minha cabeça doía que era uma desgraça. Levei a mão até ela, parecia que alguém tinha dançado encima dela, e o pior é que eu não me lembrava o que tinha acontecido. Lembrava do Naruto-san, e de orelhas vermelhas... Por alguma razão, tinha muito vermelho nas minhas memórias, mas devia ser só um sonho idiota. O que o Naruto-san estaria fazendo com orelhas vermelhas?!

Tentei me levantar, e fazer qualquer coisa que não ficar ali parado feito um imbecil. As coisas que ele tinha dito pra mim, sobre os pais dele, ainda estavam muito frescas nas minhas memórias. Ele ser filho do Relampago-amarelo era meio surreal, desde criança eu ouvia histórias sobre ele, costumava pensar que era o homem mais forte do mundo.

"Bobagem — meu pai dizia, sorrindo pra mim — Eu sou bem mais forte que ele! Seu pai é o homem mais forte do mundo!"

Senti meu peito doer, e as lágrimas queimarem de novo nos meus olhos. Ele sempre me dizia aquilo quando eu comentava sobre o Relampago-amarelo, adorava ouvir as histórias de como ele parava exércitos inteiros apenas com um olhar, ou de como até os demônios tremiam ao ouvir o seu nome, era bem comum ouvir coisas assim em vilarejos pequenos como aquele, onde pouca coisa acontece. Meu pai sempre ria quando dizia aquilo, e minha mãe sempre batia nele, pra depois rir de novo. Eu adorava aqueles tempos, e por causa de Gatou...

Conti as lágrimas, não queria chorar, não mais. Eu sempre considerei o Raio-dourado um herói, e agora meu pai também era um. Meu pai sempre disse que era como o Raio-dourado, e no fim, provou que era verdade. Mesmo que tenha morrido, ele foi um herói e eu era filho dele. Naruto também era filho de um herói, assim como eu, só que eu ainda não era como ele. Eu olhava pra ele, e não me via daquela maneira. Era como se ouvesse um abismo interminável que nos separasse, e eu queria ficar do outro lado. Não queria ser um pivete chorão. Nunca tinha me dado conta disso até ele me dizer aquilo, eu adorava quando meu pai afagava a minha cabeça, quando ele estava orgulhoso de mim, eu queria que ele ficasse orgulhoso de mim de novo. Queria poder ficar forte, assim como o Naruto-san. Queria proteger a minha mãe, o vovô, queria...

"AAAAAAhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh"

...Queria poder proteger...

"AAAAAAAAAAAAAAAHHHHH... NARUTO!"

...Queria...

"MAIS!"

Perdi o rumo dos pensamentos com aquilo, alguém esta gritando, e gritando muito. Me levantei num pulo daonde ainda estava sentado, ou deitado, ou sei lá, mas propriamente jogado. Ainda tinha um vazio meio estranho na minha cabeça, e eu fiquei meio sem saber onde estava, ou o que estava acontecendo. Até notar que eu estava na minha casa... Mas o que diabos estava acontecendo?!

Deve ter passado várias horas, ou talvez fosse apenas alguns minutos. Aqueles gritos continuavam e diziam coisas que eu não entendia, além de me passar uma sensação constrangedora, é quase como se eu NÃO devesse entender mesmo aquilo. Tentei tirar aqueles gritos e quem estivesse gritando da minha cabeça, mas foi meio difícil. Ela estava gritando muito alto mesmo. "Ela"... Acabei notando que era uma mulher que estava gritando, ou pelo menos eu tinha notado que já tinha notado... E então notei uma coisa infinitamente mais importante. Era a minha mãe.

Não pensei no que estava fazendo, apenas corri, e segui a direção dos gritos. Não levou muito tempo, por que estava bem ao comodo ao lado, na minha própria casa, por isso estava fazendo tanto barulho. Ia abrir a porta quando alguma coisa me impediu. Na verdade duas coisas, e uma delas não tinha a menor importância. A coisa que não tinha importância era o fato da minha mãe sempre me dizer pra não usar linguajars. Não era nada que valesse a pena ser comentado, mas eu me senti realmente indgnado. "Como ela podia me dizer aquilo, quando estava berrado a plenos pulmões obcenidades como aquelas?!"

Eu nem sei se chegar a mentalizar aquele pensamento, foi apenas uma sensação, que passou e sumiu, atrás de uma onda esmagadora de medo. Lembrei dela sendo arrastada por dois samurais, gritando pra mim fugir e me esconder. Era uma memória bem vívida, embora eu não soubesse de onde ela tinha saído. Minha mãe estava gritando, tão ou até mais alto que antes, e se os samurais tivessem voltado?!

Mas não... Ela estava gritando o nome do Naruto-san... Por que diabos ela estava gritando o nome do Naruto-san?!

Em apenas alguns minutos formulei uma imagem mental, que explicasse aquela barulheira toda... O Naruto lutando contra os dois samurais, e minha mãe torcendo por ele... Não, não combinava. Talvez o Naruto-san sendo morto pelos samurais, e minha mãe chorando por ele... Também não combinava, ela não parecia triste nos gritos, parecia até feliz demais...

Me lembrei do que havia escutado, sobre o meu pai, sobre o Raio-dourado. Me senti de novo um verme, e mesmo tendo o péssimo e intenso pressentimento de que não deveria, de jeito nenhum, abrir aquela porta. Foi isso que eu fiz. Abri a porta e me joguei pra dentro, estava pronto pra dizer alguma coisa, quando... Eu não sei bem explicar, mas fiquei parado, estático e com a boca aberta, observando a cena que se seguia.

"AAAH! ME COME, NARUTO!!!!!!"

O Naruto-san estava... comendo a minha mãe!

Sem nenhuma reação, e ainda completamente gelado e parado no lugar, eu fiquei observando o que estava acontecendo. Não tinha nenhuma escolha, e era realmente impossível não olhar. O quarto todo estava escuro, e minha mãe estava de gatinhas no cochão... O Naruto-san, atrás dela, puxando os seus cabelos, e...

Senti um arrepio percorrer a minha coluna. Ele estava metendo nela sem nenhuma dó, puxando seus cabelos enquanto ela gritava e pedia mais. Vi dois rubis cintilar no meio da escuridão, e o Naruto-san estava olhando fixamente pra mim, um sorriso insano e cruél rasgado nos seus lábios.

"Fique aí olhando, frutinha — ele não disse realmente, só moveu os lábios bem lentamente, mas de um jeito que era impossível eu não entender. Mesmo com aquela gritaria toda, e o som repetido das batidas da bunda da minha mãe no Naruto, e a cama chacoalhando — Enquanto eu continuo fodendo a sua mãe"

Ele riu, mesmo que baixinho. Se curvou, enquanto ainda continuava com o movimento, e beijou as costas da minha mãe, enquanto ela sorria ainda mais e pedia pra ele ir com mais força...

Não vi o que aconteceu depois. Sai correndo dali, com lágrimas molhando a minha visão. Não entendia completamente o que tinha acontecido, mas compreendia o suficiente pra odiar aquele cara. Pra querer mata-lo!

-Ahhh... Naruto, mais... mais...

Continue com o movimento, sorrindo cinicamente por dentro. Todos os meus sentidos estavam entorpecidos pelo cheiro daquela mulher, os beijos dela, o jeito que me olhava, e pedia mais... Era realmente maravilhoso sentir aquilo de novo. Ela fechou as pernas em torno da minha cintura, e me prendeu ali, com ela, enquanto continuava socando com força. A bunda dela já estava vermelha, e as contrações da sua boceta já estava aumentando, cada vez mais rápido, chupando e apertando meu pau, enquanto a cama chacoalhava e o barulho da bunda dela, já bem vermelhinha, batendo contra o meu saco enchia o ar com a mais bela sinfonia do mundo, pra mim.

-Naruto... Ahhh, eu vou... Eu vou... GOZAR!!!!!!!!

Ela enfiou as unhas no meu ombro, travando as pernas na minha cintura enquanto eu socava de uma vez, até o fundo, me apertando com ela e despejando vários jatos de porra dentro da sua boceta. Ela tremia inteirinha, e o suór perfumado dela já se misturava com o meu, muito melhor que qualquer colônia. Continuamos por um minuto inteiro abraçados, respirando fundo, e nos olhando direto nos olhos. Por fim ela sorriu, meio timidamente, mas ainda sim um sorriso enorme.

-Foi maravilhoso, você...

A calei com um beijo, e ela prontamente correspondeu, envolvendo minha língua com a sua, fazendo um arrepio percorrer a minha espinha. Desde que eu existia, aquela tinha sido minha maior surpresa. O sexo... Como eu era idiota, por que matar humanos?! Por que matar mulheres?! Era infinitamente mais gostoso foder com elas.

-Foi a primeira vez mais maravilhosa que alguém podia ter — eu disse, afagando seu rosto e colocando uma mecha do seu cabelo pra trás da orelha. Não era realmente mentira, era?! Afinal, aquele corpo jovem, naquele tempo...- Obrigado, Tsunami-chan...

Ela corou com isso, depois me olhou com carinho. Me deu outro beijo, dessa vez mais lento, e inacreditavelmente doce, deixando sua língua passear devagar pela minha boca, encerrando o contato com um longo selinho.

-Pra mim foi maravilhoso também, você é inacreditável...

Ela me abraçou, ao lado dela na cama, e deitou a cabeça no meu peito. Cansada como estava — modéstia a parte — não demorou nada pra dormir, e logo já estava ressoando sonoramente. Sai com muito cuidado dos seus braços, e lavei o rosto, com a água de uma bacia que tinha ali. Tinha que correr, por que não demoraria muito para o Zabuza reaparecer na ponte... Pelo menos, se já tivesse aparecido, eu teria uma excelente desculpa. Além do mais, Kakashi e Sasuke podiam derrota-los tranquilamente, então não tinha por que me apressar tanto... Exceto por uma ideia maluca que talvez, só talvez, desse certo. Valia tentar não?! Se não valesse nem levantaria daquela cama.

Me vesti, ajeitando a espada na cintura. Sentia o abalo gritante no chakra do Inari, e sorri com isso, ele ia tentar alguma coisa, e algo me dizia que ia ser divertido. Antes de sair, afaguei o rosto da Tsunami, e beijei bem de leve os seus lábios, deixando o gosto saboroso dela na minha boca. Sorri mais sadicamente ainda, aquele dia tinha começado mal, mas agora prometia ser muito divertido.

Sai do quarto sem me importar em olhar para os lados, e como pensei que aconteceria, senti Harusame deixando a minha bainha, ruidosamente, bem diferente de quando eu a sacava. Era quase como se ela sentisse outras mãos a segurando, e chorasse pra voltar ao dono. Na verdade, ela ainda chorava, depois de muito tempo... Eu podia senti-la chorando quando a usava, mas isso é assunto pra uma outra hora.

Me virei, e dei de cara com o Inari, quase tombando pra trás com o peso da katana. Ele a ergueu com visível esforço, segurando com as duas mãos e me encarando vermelho de raiva.

-Ora... — disse baixinho, dando alguns passos pra trás, enquanto ele me seguia. Deve ter parecido um gesto de medo, mas era apenas pra ficar longe daquele quarto, não queria acordar a Tsunami — Esta zangado, pivete?

Ele entendeu o gesto da maneira que eu achei que entenderia, e deu um sorriso azedo, era bom se sentir no controle, era bom causar medo nas pessoas, e até mesmo um pivete como aquele podia sentir isso. Acho que provava, afinal, que demônios e seres humanos não são tão diferentes, apenas somos menos hipócritas.

-Maldito... eu — ele parecia bem inseguro disso — Eu vou te matar!

Ele também falava baixinho, talvez não quizesse acordar a mãe, talvez estivesse com medo... Talvez ambos, eu não sabia definir muito bem suas expressões, parecia que tinha desaprendido a fazer isso com humanos. Expressões de demônios eram diferentes.

-Mesmo...?! — sorri zombeteiro, dando um passo pra frente, e colocando as mãos no bolso. Meus olhos cintilaram vermelhos de novo, e os caninos se alongaram, as suiças ficando mais profundas e rasgadas, as expressões ferais. Inari quase caíu pra trás, mas ainda sim empunhou a espada mais alto, mesmo com dificuldades — parece que ficou corajoso de repente... O que esta esperando, me ataque, me mate!

Ele não se mexeu.

-Vamos! Você não disse que ia me matar?! — Sorri de canto, exibindo uma fileira perfeitamente branca de presas... digo, dentes — Eu acabei de fazer sexo com a sua mãe! Acabei de foder com ela na mesma posição que o seu pai fazia!

Ele arregalou os olhos.

-Vamos garoto! Seja homem! — eu disse, mesmo baixo, não teria mais efeito nem se eu tivesse gritado, a crueldade ainda permeava cada palavra — Limpe a honra do seu pai! Ela gemeu como nunca seu pai a fez gemer enquanto eu transava com ela! Ela...

Parei de falar, por que a katana agora transpassava o meu estomago. Era bem difícil falar com o estomago retalhado. Inari mordia os lábios tão forte que um filete de sangue escorria por eles, pingando no chão. Sorri ao ver aquilo, ele não chorava, nem uma única lágrima nos olhos que ardiam de ódio, enquanto encaravam os meus. Vendo aquilo, não pude evitar rir, mesmo fazendo isso baixinho.

A raiva nos olhos dele foi diminuindo, e ele pareceu assustado de repente. Deu dois passos pra trás, e tropeçou nos próprios pés, caindo sentado no chão, enquanto me fitava retirar a katana do estomago, com os olhos esbugalhados.

-Grande garoto! — eu disse, rindo, enquanto ele me olhava sem reação, a boca aberta e tremendo.

Limpei o sangue da katana, e a embainhei, enquanto o corte se curava sozinho no meu estomâgo. Gastava uma boa quantidade de chakra pra me recuperar daquela maneira, mas chakra era o que eu mais tinha. Podia reconstituir cada célula do meu corpo inteiro e ainda sobraria o suficiente pra uma boa luta. Caminhei até Inari, que não se mexeu um mílimetro, acho que simplesemtne por que não conseguiu pensar claramente pra fazer algo assim. E me ajoelhei na frente dele, tocando o seu ombro. Tinha trocado o sorriso sádico por um outro, que eu costumava usar quando era o "Naruto".

-Você esta ficando forte, Inari. Acho que já posso deixar a sua mãe com você.

É meio cara de pau falar desse jeito, e ainda esperar uma boa reação, mas eu era cara de pau mesmo. Sorri ainda mais pra ele, e me levantei.

-Você ainda é muito jovem, e não vai conseguir me matar — eu disse, sorrindo de canto — Se quizer realmente se vingar pelo que aconteceu hoje, fique mais forte, e então venha atrás de mim. Vou estar te esperando... Por hora, tenho que ir proteger o seu avô, Zabuza vai reaparecer logo, e quero estar lá pra ganhar dele de novo.

Afaguei sua cabeça, e a expressão dele tremeu, mesmo assim ele não chorou. Dei dois passo pra trás, e sumi da sua vista, deixando pra trás apenas um fino e leve raio dourado no ar.

Sasuke pulou de uma árvore mais alta, e continuou correndo pelo chão das florestas do país da névoa. O clima naquele país era agrádavel, as matas que cercavam o vilarejo eram frias, o ar bastante úmido refrescava sua pele e a neblina rala fazia a grama ficar permanentemente coberta de orvalho, espalhando um agrádavel cheiro de relva pelo ar. O que normalmente o deixaria cansado agora mal o fazia soar. Já tinha notado a presença de Kakashi a um tempo, estava andando calmamente, com Tazuna e Sakura nos flancos, mas não correu até eles, apenas ocultou sua presença, e tentou segui-los de perto. Queria saber o quão hábil era aquele jounnin... Até aquele momento não o tinha visto lutar a sério, e pelas suas maneiras não tinha se impressionado nem um pouco...

Tentou pensar em alguma outra coisa enquanto percorria a mata, evitando folhas secas e gravetos, usando a neblina e as sombras pra se ocultar, mas a história com aquela garota ainda estava muito fresca na sua mente. Algo gritava pra ele que tinha feito uma coisa tremendamente burra, e aquela sensação fazia um calafrio percorrer sua espinha, fazia seus pensamentos perderem o rumo, mesmo depois de ter decidido deixar pra lá.

-Sasuke — ele ouviu a voz tranquila de Kakashi soar através da névoa — Apereça...

O uchiha sorriu, da árvore em que estava. Sakura olhou pros lados e pra cima, tentando encontra-lo, e quando estava prestes a gritar alguma coisa sentiu um calafrio passar pela espinha. Ele estava atrás dele.

-Parece que ainda tenho que melhorar um pouco...

-Hai hai... — Kakashi disse sorrindo, por baixo da máscara — Mesmo vocês sendo talentosos, eu ainda sou um jounnin, respeite minhas habilidades, por favor...

O garoto bufou e sorriu amarelo, encarando o jeito bobo com que seu sensei o olhava com uma gota na cabeça. Era tremendamente parecido com o jeito que o Naruto sorria como bobo as vezes, e como ele, Sasuke sabia que não era uma expressão verdadeira... Ou talvez fosse, assim como seu companheiro, eles mudavam drasticamente de expressão, e isso o tornava imprevisívels, ele não sabia explicar direito. Sentia o chakra do Kakashi, e mesmo sendo pouco em comparação com o dele, sabia que não duraria muito numa luta com um jounnin como aquele. Ele não tinha mostrado suas habilidades, mas sentia um arrepio de expectativa na coluna quando ficava de frente a seu sensei, o mesmo arrepio, talvez um pouco menos intenso, que sentia quando encarava Naruto. Ambos eram tremendamente poderosos, e não tinham mostrado mais que uma fração das suas verdadeiras habilidades...

-Yo, Sasuke-kun! — Sakura sorriu gentilmente, mas não parecia querer cair pra cima dele como antes, esse pensamento foi engraçado, até acabou sorrindo de volta — Vamos proteger o Tazuna-san, com nossos dois braços!

Kakashi e Tazuna riram, e a garota corou um pouco, resmungando algo como "O Naruto-kun ficou bem legal dizendo isso". Sasuke sorriu de canto por um segundo, mas não deu muita mais atenção, se colocando ao flanco direito do construtor, enquanto Kakashi passava pra frente e Sakura ia nos esquerdo. Hora ou outra ela dava um passo de dança discreto, cantarolando algo baixinho, de olhos fechados, com um sorriso despreocupado no rosto. Kakashi olhou aquilo de canto, e sorriu tranquilamente, ela parecia muito a Rin quando fazia isso, as duas pareciam ficar felizes do nada, apenas andando a toa, ou quando estava em companhia dos seus companheiros, por mais frios ou esquisitos que eles fossem.

Sakura o olhou pelo canto dos olhos, e sorriu um pouco mais largamente, como se adivinhasse o que ela estava pensando. No rosto delicado e quase infantil dela, um sorriso como aquele ficava assustador. Ela girou mais uma vez, e quando voltou a olha-lo, segurava duas kunais longas nas mãos, parecia pronta pra usa-las a qualquer momento, e aquilo surpreendeu um pouco o jounnin, ele não a tinha visto saca-las. "Talvez crescer ao lado do Sasuke e do Naruto esteja fazendo bem a ela..." — o jounnin pensou. Sasuke apenas sorriu levemente, depois bufou, entediado. A ponte já estava a vista deles.

-MAS O QUE É ISSO?! — Tazuna gritou e correu, até onde alguns trabalhadores estavam caídos no chão. Sasuke e Sakura se apressaram a segui-lo, olhando em voltas e atentos. Os olhos do Uchiha brilharam vermelhos por um instante, enquanto ele buscava traços de chakra naqueles corpos, mas ninguém reparou nisso.

Kakashi não correu junto deles, apurou os sentidos, tentando sentir algum cheiro incomum, ou localizar o cheiro do Zabuza, que ele tinha decorado. Se amaldiçoou por não ter prestado atenção do cheiro daquele garoto Oinnin, mas já que estava feito... O traço era bem leve, e parecia se perder entre o cheiro de sangue e da névoa em si. Com todas as coisas juntas daquela maneira, não restava dúvidas, era ele...

-Mas o que ouve aqui? — Tazuna perguntou, sacudindo os moradores e erguendo suas cabeças.

-Um... Um monstro! — o homém gritou, olhando apavorado para os lados.

-Sasuke! Sakura! — ele disse, um pouco alto pra chamar a atenção deles — Foco, temos companhia...

-Hai — os dois disseram em uníssono.

-Ah quanto tempo Kakashi — uma voz soou da névoa, que pouco a pouco se estendia sobre a ponte incompleta — Da ourta vez mal tivemos tempo de lutar... E parece que aquele garoto interessante não esta aqui dessa vez.

-Verdade... — Kakashi respondeu, formando um tom casual por cima da voz tensa, tentando relaxar os músculos das costas e antecipar qualquer ataque ou movimento daquele nukennin — Mas eu estou aqui... Também não tivemos chance de lutar da outra vez.

A voz da névoa riu.

-Você é só aquecimento — ele disse, em tom zombeteiro — Vou te matar, e usar o seu sharingam pra matar aquele garoto...

Sasuke retesou o músculo. Da própria névoa se formaram cinco clones, em volta do grupo, com as espadas nas costas e prontos pra atacar. Sasuke e Sakura tremiam levemente, e o nukennin riu com isso.

-Assustados crianças? — um dos clones disse, sacando a zambatou das costas e a apontando pro rosto da rosada, que não piscou.

-Idiota... — o Uchiha disse, ficando estático de repente — Estava tremendo de expectativa.

Mal ele terminou de dizer aquilo, apoiou as mãos no chão e girou, dando uma rasteira em um clone, e subindo com a Kunai já pronta pras costas dele. Tazuna tapou os olhos, e não viu enquanto vários clones tentavam ataca-lo simultaneamente. Sakura deu um passo a frente e segurou uma espada, com as palmas prensadas do lado chato da lamina, o fio a centímetros do seu pescoço. Ela engoliu em seco com isso. Sasuke pulou encima da enorme zambatou, e cravou a garganta na garganta do clone, enquanto kakashi destruia mais dois com um único movimento rápido e fluído das duas mãos, e Sakura acertou um chute na cara do outro, que cambaleou enquanto Sasuke acertava várias shurikes em seu estomago, até ele virar uma poça de água novamente.

O silêncio imperou por alguns segundos, enquanto o único barulho na ponte era o som metalico das estrelas caindo no chão.

-Estava tremendo de excitação também, Sakura? — o moreno perguntou, com um sorriso incomum repuxando os lábios pra cima.

-Não... — ela ainda tremia, e o encarou como se fosse louco — Estou com medo...

Ele não respondeu, enquanto uma gota escorria pela testa dele e de Kakashi. Apenas relaxou os ombros e voltou a postura rígida de antes. O silêncio durou até uma gargalhada encher o ar, e o vulto de Zabuza aparecer, recortado pela névoa. Ao seu lado, bem mais baixo que ele, o hunter que tinha o salvado na última luta.

-Esses garotos estão melhorando, não?! — ele disse, sacando a Zambatou — Cuide deles, Haku...

-Hai, Zabuza-sama...

-Parece que vocês acertaram em cheio, afinal... — Kakashi deu um sorriso conformado por debaixo da máscara, não demoraria muito pra eles o ultrapassarem — Sasuke, Sakura, tomem conta do Tasuna-san. Se tiverem que lutar, fiquem na evasiva.

-Eu consigo segura-lo — o moreno disse — Sakura pode cuidar do Tazuna-jiji...

O construtor sorriu azedo pelo "jiji". Kakashi olhou de canto o Uchiha, e percebeu um leve brilho vermelho nos olhos dele. Ficou bem mais surpreso do que demonstrou.

-Se acha que pode... — ele disse — Sakura, protega o Tazuna-san, eu e Sasuke vamos tentar segurar aqueles dois.

-Mas sensei, eu...

-É uma ordem — ele disse, um pouco seco, e a gennin se calou — Não tente interferir, se Tazuna morrer, tudo terá sido em vão... E o Naruto vai ficar muito irritado com você.

A garota gelou e um percorreu a sua espinha. Kakashi sorriu, tinha encontrado uma forma bem interessante de lidar com aquela garota hiperativa. Ela pulou mais pra trás, se afastando na batalha enquanto Tazuna ficava às suas costas.

-Não vou deixar!

Haku sacou diversas senbos do estojo na cintura, e atirou, enquanto corria. Sakura retesou os músculos, focando a visão e rebatou todas com a kunai, desviando daquelas que não acertariam o construtor. Sasuke se adiantou e acertou um chute no oinnin, o mandando alguns metros pra trás, cambaleando.

-Impressionante... — ele disse, a voz era suave demais, e Sasuke teve um péssimo pressentimento com isso, conhecia aquela voz — Como eu tinha dito, vocês são todos muito fortes... Mas não o suficiente.

-Tsc... — Sasuke Sasuke riu baixinho — Por que esta se achando tanto, estando cercado desse jeito?

Haku sentiu um calafrio passar pelas sua espinha, mas antes que pudesse se mexer, dezenas de shurikéns se cravaram nas suas costas, a fazendo perder o equilíbrio e cair no chão, logo uma poça de sangue se formou ali. Atrás dela, alguns metros longe e escondido pela nevoa, outro Sasuke apareceu, sorrindo de canto e com as mãos no bolso. Kakashi olhou surpreso pra aquilo.

-Kage bunshin no jutsu — ele disse — Bem que o Naruto disse que seria muito útil, quando me ensinou...

"Naruto... — o jounnin pensou, sorrindo mais por baixo da máscara — Ele esta se saindo muito melhor como chunnin do que achei que se sairia"

-Sugoi! Sasuke-kun! — Sakura agitou os braços no ar, chamando a atenção pra ela — Vocês são incríveis!

-Sakura! Se foque no construtor... — Kakashi a repreendeu e ela corou, resmungando algo ininteligível — E desculpe te fazer esperar, Zabuza, queria saber se esses dois dariam conta...

-Nada que eu me importe — o demônio resmungou de onde estava, observando a luta de Haku com os gennins, depois levantou a voz e disse para o nada — Haku, pare de brincar...

Sasuke pareceu surpreso com isso, o sangue que escorria dos ferimentos e por baixo da máscara, provavelmente da boca, foi perdendo a cor e a viscosidade até se transformar em água, o corpo do oinnin no chão se quebrou em vários pedaços de gelo, que pouco depois começaram a derreter. Ele olhou para seu clone, e em um único instante, tão rápido que ele mal teve tempo de ver daonde vieram, seis agulhas lhe atravessaram o pescoço e ele sumiu numa nuvem de fumaça.

-Hai, Zabuza-sama... — o oinnin disse, aparecendo entre a névoa, a alguns metros de Sasuke com uma agulha apontada para seu pescoço, que foi defendida com uma kunai — Esse garoto é bom, mas eu já tenho várias vantagens sobre ele.

-Várias é... ?! — ele disse, forçando a kunai contra a agulha numa competição de força. Ele não demonstrou nenhum esforço, e empurrou de volta, fazendo fagulhas saltar enquanto metal arranhava metal.

-Hai — Haku respondeu educadamente — Primeiro a água no chão, e depois, o fato de eu estar com uma mão livre...

Sasuke se preparou pra defender de outro golpe, mas para sua surpresa, ele começou a fazer selamentos de mão em alta velocidade, com a mão livre. Kakashi também pareceu aturdido com aquilo, e Zabuza riu discretamente.

-Hyuuton! Sensatsu Suishou!

Toda a água do chão se levantou, congelando e se afunilando até formar dezenas de agulhas cristalinas, que dispararam na direção de Sasuke. Ele pareceu surpreso por apenas um segundo, depois fez o sinal do tigre com a mão livre, e desapareceu no ar, deixando as agulhas se fincarem até a metade no concreto da ponte, e voltarem a forma líquida. Haku não se moveu, olhando pros lados. Apurou os sentidos, e pulou pra trás, antes de uma chuva de shurikens a acertar. Enquanto estava no ar, Sasuke apareceu a sua frente, tão rápido que aos olhos alheios devia parecer mais um borrão, e o mandou cambaleando pra trás.

-Você se gaba da sua velocidade — o moreno apareceu atrás dele, que se levantava — Mas é muito lento... A partir de agora só vai poder fugir dos meus jutsus...

-Haku perdeu em agilidade?! — Zabuza parecia surpreso, como se não esperasse que aquilo fosse acontecer.

-Não posso permitir que você desmereça a minha equipe — Kakashi de de ombros, andando tranquilamente na direção do demônio da névoa, que segurou o cabo da espada, pronto pra saca-la — Sasuke é um dos gennins mais talentosos da vila, Sakura é a mais inteligente de todos os gennins esse ano, e Naruto...

Ele não terminou o que ia dizer. Zabuza arregalou os olhos, sentindo o contato de uma kunai com seu pescoço, enquanto a imagem do jounnin apareceu entrecortada pela névoa, atrás dele, e o Kakashi que até agora estava na sua frente se desfez ao vento, um simples genjutsu, e ele tinha caído nele... Maldição.

-O Naruto é um demônio de verdade...

O silêncio se prolongou por alguns segundos, até que a risada baixa do nukennin ecoou nas vigas de ferro e aço da ponte. Sakura observava tensa a situação. Haku caído no chão, e Zabuza com uma kunai na garganta, tudo indicava que eles tinham vencido. Mesmo assim, ela tinha a sensação de que estavam longe de ganhar aquela luta, e apertou a kunais mais firmemente na mão. Não tinha chance com nenhum daqueles dois... ainda. Então se concentraria em não deixar o Tazuna-san sofrer nenhum arranhão... Queria que eles se orgulhassem dela, queria poder caminhar ao lado deles, não ficar pra trás, como estava agora...

-Haku... se você continuar bancando o bonzinho, nós vamos morrer.

O tom dele era calmo, e até meio brincalhão, mas não seria pior nem se ele tivesse gritado. O oinnin ficou de pé, ajeitando a máscara, e murmurou um "hai", que mal lhe escapou entre os lábios. Sasuke sentiu um arrepio na coluna, era como se ele estivesse crescendo, ate se tornar um gigante diante dele. O chakra estava correndo mais livre pelas suas veias, cinco, até seis vezes mais intenso que antes. os movimentos de mão foram tão rápidos que ele mal teve tempo de acompanhar.

-Suiton! Makyou Hyoushou!

Toda a água do chão se levantou, cercando o Uchiha que olhou aturdido para os lados, enquando o gelo se formava e se dividia entre fomas planas e espelhadas, o cercando. Encima, de todos os lados. Ele estava preso. A surpresa foi bem maior quando caçador caminhou calmamente até um dos espelhos, e "entrou" nele. Sua imagem imediatamente foi refletida por todos os outros.

"Que espécie de jutsu é esse?!" — Kakashi pensou, se distraindo do nukennin por um segundo, um único segundo que o custou uma cotovelada na cara. Zabuza pulou pra frente, tomando distância de Kakashi que se amaldiçoou por cometer um erro tão infantil.

-Vamos, "Copy-ninja" — ele disse, deixando o sarcasmo bem claro na voz — Ou tudo o que dizem sobre você são apenas palavras?

"Bastardo" — Kakashi massageou o queixo dolorido, estalando o pescoço, e guardou a kunai no bolso da perna, colocando a mão da bandana, costumeiramente abaixada sobre o olhos direito. "Vou te mostrar a razão pelo qual me chamam de ninja copiador" — ele disse, e Zabuza sorriu em expectativa. Estava tendo boas lutas com aqueles garotos.

-Humm... — ele disse, sacando a espada e riscando o chão com ela, deixando um talho fundo no concreto — Então esse é o tão temido sharingan... Assustador.

-Você não tem ideia — Kakashi liberou a sua intenção assassina. Não era nada mal, mas agora que tinha sentido a daquele garoto, aquele chakra parecia o de uma criança birrenta se comparasse — De quão assustador eu posso ser...

Zabuza sorriu, embora as bandagens no seu rosto escondessem suas expressões, elas ficavam bem claras nos seus olhos. Kakashi desapareceu da sua vista nun shunshin, e ele pulou pra frente, concentrando todos os seus sentidos no cheiro daquele homem. Num giro, a espada passou zunindo por baixo dos pés dele, que pulou e tentou acertar um chute no rosto do nukennin, também desviado. Mal os pés de ambos tocaram o chão, e eles partiram pra cima um do outro novamente. Kakashi com duas kunais, uma em cada mão, e Zabuza segurando a enomr zambatô com uma única mão. As únicas expressões visíveis no rosto dos dois mascarados era concentração, eles estavam no mesmo nível, com poucas diferenças, e qualquer vacilo custaria muito sangue.

-Katon! Goukayou no jutsu!

Zabuza pulou pra trás, enquanto uma bola de fogo razoavelmente grande vinha em sua direção, dissipando um pouco a neblina na ponte, tornando o terreno menos favorável pra ele, mas nem tanto.

-Suiton! Suishouha!

O nukennin cuspiu uma pequena quantidade de água, se comparada com a quantidade de fogo. o jato sob pressão acertou o centro da esfera, que se desfazeu, levantando uma cortina densa de vapor, que logo pareceu grudar na pele de Zabuza, fazendo-o suar. Sua mão escorregou e ele teve que segurar zambatô com as duas mãos, amaldiçoando o jounnin por aquilo. antes que todas as labaredas se desfizessem, a imagem de Kakashi apareceu recortada pela neve.

-Você só sabe falar, como a maioria dos nukennins idiotas que eu já matei...

Ele não teve tempo pra responder, pulou para o lado e arremeteu a espada com velocidade sobre ele, que desviou pelo seu flanco direito e tentou cravar uma kunai aonde estaria um rim. O nukennin girou para o lado, girando a espada e acertando em cheio o jounnin, que gritou. Estava prestes a sorrir quando ele estourou numa nvem de fumaça, e um simples pedaço de tronco apareceu cravado na sua lamina.

Zabuza se desfez dele, vracou zambatou no chão, e iniciou uma sequencia rápida de selos, parando com uma as mãos totalmente eruida e a outra rente ao seu queixo.

-Vamos ver como você se sai — ele disse, antes da sua forma tremer, e ele começar a desaparecer em meio a neblina — lutando contra a própria névoa...

Sasuke bufou irritado, olhando a imagem refletida do oinnin em todos os blocos de gelo. Ele sabia que não adiantaria correr pra fora, ou atacar, não teria sentido ele usar aquele jutsu se fosse assim tão fácil. Teria que esperar o primeiro movimento partir dele, e depois tentar contra-atacar, ou encontrar uma brecha pra ataca-lo do lado de fora. Se tivesse pelo menos deixado um clone... "Maldição..." — ele murmurou — "Devia ter escutado o conselhor do Naruto inteiro... Mas esse jutsu é muito desgastante"

-Bom... Vamos começar, Sasuke-san? — a voz veio de todos os espelhos, e de nenhum deles ao mesmo tempo. O eco confundia os sentidos do Uchiha — Vou te mostrar a minha verdadeira agilidade.

Sasuke mal teve tempo de se mover, quando dezenas de senbons passaram por ele, arranhando sua pele, se cravando no chão, dentro e fora da recoma de espelhos. Não tinha como saber qual era a trajetória delas, por que pareciam sair de todos os espelhos ao mesmo tempo. Ele contraiu os músuculos e mordeu a língua pra não gritar, seus braços e seu pescoço estavam todos arranhados, assim como suas costas e sua camisa, quase destruída. Os ferimentos ardiam, mas não eram fatais.

-Esse é apenas um aviso, pra você saber que não tem chance de me derrotar — A voz continuou, não havia nenhum sentimento na voz dele, gentil e educada como de costume — A próxima vou acertar todos seus pontos vitais ao mesmo tempo. Rins, coração, artérias, pulmão, coração, jugular. Adeus...

Sasuke riu baixinho, e o oinnin deteve os movimentos. A máscara de Hunter-nin impedia que o moreno visse suas expressões, assim como ele só podia ver o sorriso de canto do gennin, as expressões estavam escondidas pelos cabelos, que faziam uma sombra assustadora no seu rosto. Ele ergueu a cabeça lentamente, e abriu os olhos.

-Obrigado por em dar a dica de como derrotar você...

Haku prendeu a respiração... Aqueles olhos...

Sasuke abriu bem os olhos, e o sharingan brilhou vermelho neles, três vígulas que giraram levemente e focaram a visão através da névoa, de qualquer taijutsu, genjutsu, ou ninjutsu. Ele podia ver tudo. Sem desviar os olhos daquela criança, ele sacou várias kunais de um bolso da perna. Se desse certo, e ele estava certo que daria, poderia ganhar daquele cara, mas custaria vários ferimentos.

"Tsc.. Que criança mais infeliz... Ninguém quer um pivete como você. Você morrerá sem sonhos, nem liberdade...

Zabuza franziu o senho, quando aquela garotinha se levantou e sorriu pra ele.

"Você e eu... Temos os mesmos olhos..."

Kakashi focou os olhos na névoa, mantendo Tazuna e Sakura na sua vista. Sabia que o construtor era o alvo principal dele, então era lógico que usasse aquele jutsu pra despista-lo e mata-lo de uma vez, mas Zabuza era bem diferente dos shinobis que Kakashi estava acostumado a lidar. Não gostava da comparação, mas as pessoas que mais se pareciam com ele eram o próprio Yondaime, e Naruto...

Samurais... Quando conheceu seu sensei, e soube que ele era um samurai, ou filho de um, achou que fosse só mais um fraco idiota que usasse uma espada. Entre os ninjas, samurais eram considerados inferiores, eles não podiam usar chakra, nem jutsus, apenas fortalecer um pouco seus corpos e laminas, atacavam de frente como idiotas, e seguiam as ordens do seu senhor tão cegamente que se falhassem, eles mesmo se suicidavam. Eram dignos de pena...

Claro, na época ele era apenas um gennin ignorante, irritado pelo que o pai tinha feito, pra ele, aquele sentimentalismo era idiotice, a missão era sempre mais importante, companheiros eram dispensáveis.

Se lembrava até hoje da surra que levou quando disse aquilo pro novo sensei, passou pelo menos dois meses no hospital, a beira da morte, cheio de cortes e hematomas pelo corpo... Bons tempos. Depois daquilo, poucos inimigos o assustaram, ver o Yondaime realmente zangado e viver pra contar a história era uma coisa até então inédita.

O jounnin afastou aqueles pensamentos da cabeça, tentando se concentrar na batalha. Tinha que ficar atento ao construtor e ao mesmo tempo permanecer relativamente longe dele. Sasuke tinha sido pego num jutsu estranho, mas parecia estar lidando bem com aquilo, então ele não se preocupou. Sentiu um arrepio na coluna, e por puro instinto, um instinto desenvolvido em meio as guerras que já tinha lutado, pulou pra frente, rolando e pulando de novo pra trás, enquanto via o estrago que aquela espada monstruosa tinha feito no concreto. Zabuza sorriu e a levantou, girando e a pousando nas costas. Tinha algo diferente dele.

-Crescer em meio a tanto sangue é algo que muda a gente, não é?!

O jounnin não respondeu, mas a sua mente insistiu em voltar até o momento que tinha perdido seu olho direito, quando Obito o salvou e deu seu sharingan pra ele. A imagem do seu companheiro, com o lado esquerdo do corpo completamente esmagado embaixo de uma rocha enorme, e com aquele sorriso alegre nos lábios era uma coisa que ele nunca iria esquecer. Usou o sunshin, aparecendo encima do nukennin e tentando acerta-lo na cabeça, mas Zabuza apenas sorriu de canto. O corpo estava relaxado, e a única coisa que se moveu foi seu braço, que levantou a espada e a girou pra trás, acertando o jounnin em cheio, com o lado chato da lamina, o fazendo capotar e se levantar, cambaleante.

Kakashi não disse nada, assim que se levantou, correu em direção ao nukennin novamente, atento aos seus movimentos com o sharingan. Ele não dava nenhum sinal de que se mexeria, as articulações estavam estáticas, e os músculos relaxados. Confiante, ele se jogou pra frente e tentou acertar uma rasteira nele, apoiando as mãos no chão e girando. Novamente, sem ele entender como tinha se mexido, Zabuza apenas pisou com força na sua cabeça, interrompendo o movimento e enchendo a boca do jounnin com o gosto metálico de sangue. Antes que tivesse reação, ele pisou com mais força, pulando e dando um mortal pra trás, caindo a alguns metros de onde Kakashi se levantava. O sorriso por debaixo das bandagens estava bem evidente nos seus olhos, assim como a imcompreensão nos olhos do ex-anbu.

-Como... o Sharingan não consegue ler os seus movimentos?! — ele perguntou mais pra ele que pro seu oponente, mas no silêncio da ponte, cortado apenas pelo barulho das shurikens que Sasuke arremessava nos espelhos, ele ouviu perfeitamente.

-Curioso...?! — Zabuza riu, girando a espada pra esquerda, confundindo o olho do jounnin, que tinha antecipado um movimento pra direita — Como será que eu faço isso...?!

Sem esperar resposta, Zabuza correu, inclinando o corpo pra frente e a espada pra trás. O sharingan captou perfeitamente os movimentos, via o demônio da névoa correndo até ele e tentando acerta-lo em cheio, pelo flanco esquerdo. Se preparou pra defender esse movimento, naquela posição não seria difícil fincar uma kunai da garganta dele.

Mas diferente do que ele pensava, Zabuza não fez o que seus movimentos davam a enteder, em vez de atacar com a zambatô, ele a arremessou, fazendo Kakashi ficar imóvel por um segundo, com a surpresa. Assim que a retalhadora saiu de suas mãos, ele iniciou uma rápida sequencia de selos, sem parar de correr nem por um segundo:

-Suiton! Daibakufu no Justu!

Kakashi se jogou pro lado pra desviar da espada, que passou arranhando sua pele, abrindo um rasgo profundo no seu colete e um corte raso no estomago, que imediatamente começou a sangrar e molhar o tecido da sua roupa. Como ainda estava no ar, não conseguiu desviar do jutsu, que o acertou em cheio, o mandando pra trás. Sakura gritou alguma coisa, mas o que fosse que tenha dito se perdeu em meio ao barulho da água. Ele girou, engoliu um quantidade enorme de água e engasgou, perdendo todo o ar dos pulmões enquanto era chacoalhado sem controle, até bater as costas em alguma coisa dura, e descer escorregando por um caixote de madeira, enxarcado e meio quebrado.

-Ninjas são patéticos, não?!

Kakashi levantou a cabeça com dificuldade, respirandp fundo e urgentemente, encarando a imagem embaçada do nukennin de pé, diante dele, com aquela espada monstruosa descansando no ombro. Ele se lembrou quando o próprio Yondaime disse aquilo pra ele, a cena era tão parecida que seus olhos cansados confndiram a imagem do nukennin com a do seu antigo sensei por um segundo. Zambatô diminuiu e se escureceu até se transformar na Harusame, As bandagens no rosto sumiram, os cabelos negros ficaram maiores e amarelos, e a capa branca apareceu nas suas costas, enquanto os olhos azuis brilhavam. Quando estavam sérios, eram assustadores.

Mas depois a imagem se dissipou, e ele estava encarando novamente o demônio da névoa oculta, que olhava pra ele com zombaria. Já não era mais um gennin, e sim um tobetsu jounnin, especialista em em assassinatos, ex membro do time fundador da ANBU da vila da folha... falando daquela maneira agora, aqueles títulos pareciam muito estúpidos se atribuidos a um shinobi patético como ele. Queria ter tido mais tempo pra se aprimorar, queria ter chance de ficar mais forte, agora que descobrira o quão fraco era. Sempre tinha sido tão seletivo quanto aos seus times, aquele era o primeiro que ele achava digno de treinar, e pra que?! Só pra descobrir que não estava a altura daqueles três. Via sombras enormes neles, dizem que os gêneos nascem apenas a algumas gerações, mas daquela vez tinha reunido três, os maiores gênios que a vila da folha veria em muito, muito tempo... Se apenas tivessem chance de despertarem todo aquele potêncial...

Fechou os olhos, o jutsu havia tirado todas as forças do seu corpo, ele já não conseguia se levantar, não conseguia enfrentar um shinobi-samurai como aquele, só lhe restava morrer, sem nenhuma dignidade...

O zumbido da Zambatô cortou o ar, afiado como sua própria lamina, mas não terminou como ele esperava. Depois do que julgou um minuto inteiro, ele abriu os olhos, só pra descobrir que ainda estava inteiro, ainda não tinha morrido.

-Essa foi por um fio, não, Kakashi-sensei?

Kakashi olhou pra cima, e a única coisa que focou foram dois rubis cintilando no meio da neblina. Não entendeu de cara o que tinha acontecido, e por um momento imaginou que estivesse diante do shinigami. Não era uma comparação tão ridícula quanto poderia parecer, na realidade, naquele momento fez todo o sentido pra ele. Depois sua vista foi clareando, deixando mais nítida a imagem dos caninos proeminentes, perolados e afiados como navalha. As suiças no seu rosto destacadas, e o olhar feral, parecia estar se divertindo imensamente com alguma coisa.

Quando compreendeu exatamante que estava de pé, diante dele, pode jurar que nunca ficaria tão feliz em ver alguém como ficou naquele momento.

Naruto segurava Harusame, com uma única mão, e parecia não se esforçar em nada pra isso. A lamina negra estava encaixada no orofício redondo da Zambatô, detendo a enorme espada de transpassar seu pescoço bem no último instante. A expressão "por um fio" se encaixava perfeitamente pra aquela situação.

-Heróis sempre aparecem no último momento, não?! — o jounnin disse baixinho, sem entender realmente por que dissera aquilo. Viu uma sombra de surpresa passar pelos olhos vermelhos, mas depois um sorriso ainda maior rasgar aquele rosto, um perfeito sorriso de raposa.

-Hai hai... — ele disse, depois de voltou pra Zabuza, que parecia surpreso — Yo, Zabuza-kun, parece que te fiz esperar de novo.

Ele não esperou resposta, a onda de youki que emanou dele fz o chão rachar, de tão densa que era. Naruto virou a espada, fazendo a lamina afiada riscar contra o metal, afastou o pé e se jogou pra frente com força, fazendo mais uma rachadura aparecer no chão, enquanto Kakashi observava completamente pasmo a lamina da "Chuva de Primavera" começar a cortar o metal da espada do nukennin, abrindo um rasgo enorme e o desequilibrando, quase fazendo-o cair pra trás.

Zabuza virou um mortal pra absorver pelo menos em parte aquela força inumana, e tentar se recuperar daquela intenção assassina demôniaca. Entendia o por que de kakashi tê-lo chamado de demônio, aquele sorriso ao lutar, o brilho daqueles olhos vermelhos, a aura de puro poder que ele emanava. Era um demônio, não havia outra definição, e mesmo ele, que se chamava de demônio, ficou acuado diante daquele garoto, daquele mero gennin.

Quando Sakura sentiu aquela energia latente percorrendo toda a extenção da ponte, permeando em cada célula de concreto, e deixando o ar mais frio, não pode evitar sorrir largamente. Era uma força sinistra, que a assustava, mas era sem dúvida o Naruto-kun. Nunca pensou que ficaria tão feliz por sentir a presença de alguém como sentira a daquele garoto. Sasuke também sorriu de canto dentro da recoma de espelhos de cristal. Estava com cortes por todo o corpo, e a camisa estava jogado a um canto qualquer, no chão, deixando-o om o peito nu. Ele sacou mais várias shurikens, ligadas por um fino fio de aço, e as arremessou contra o hunter-nin, inutilmente. A maioria ricocheteou nos espelhos, e caiu de volta no chão, mas algumas mudaram suas trajetórias e se fincaram no chão, do lado de fora da redoma. O Uchiha sorriu, bem onde ele tinha mirado...

Zabuza se levantou, aturdido, olhando pro rasgo feito na sua espada,quase a separando ao meio. Resmungou alguma coisa que passou ininteligível, através das faixas no seu rosto, mas depois sorriu. Quanto tempo, quantos anos que não tinha uma luta tão interessante quanto aquela?! Possivelmente des de que enfrentara o Yondaime Mizukage, e quase morrera tentando mata-lo. Mesmo sendo controlado, aquele pivete era muito forte, ele sentia falta de quando lutavam juntos. Sentia falta do tempo que era um tobetsu jounnin da névoa oculta, antes de se meter em toda aquela merda. Sentia falta do verdadeiro Yagura...

O demônio da névoa oculta tirou esses pensamentos da cabeça, olhando atentamente pra aquele garoto. Os olhos vermelhos se fixaram nos negros, e ele se manteve de pé, mesmo recebendo aquela intenção assassina colossal. Não era nada se comparasse com a da outra vez, e mesmo que fosse, agora que ele já tinha a sentido uma vez, não seria afetado tão facilmente de novo.

-Sensei — ele disse, olhando de canto pra Kakashi, que ainda estava jogado no chão — Eu assumo daqui, ok?

-Hai — ele respondeu, depois de algum tempo, respirando fundo, depois murmurou baixinho — Da próxima vez não vou precisar...

-Eu sei... — Naruto respondeu, sorrindo de canto, depois se voltou para o nukennin — Dessa vez eu vou te matar, Zabuza-kun...

-Você consegue? — o espadachin o encarou por um longo momento. Da primeira vez não tinha reparado, mas olhando bem pro balanço daquela espada... — Parece que você não consegue usar essa harusame como deveria...

Naruto não disse nada, apenas estreitou os olhos, que ficaram ainda mais vermelhos, se é que isso era possível.

-O que foi — o nukennin riu, zombeteiro — Não é bom o suficiente pra usar a arma do Yondaime?!

Ele sorriu de canto, deixando o canino a mostra e olhando tristemente pra lamina ônix daquela katana lendária. Depois se voltou para o nukennin e sorriu parcamente.

-Como eu seria capaz de usar a espada — ele parou por um segundo — De alguém que eu mesmo matei?

Kakashi levantou a cabeça, assustado ao ouvir aquelas palavras. Todo o cansaço sumiu e ele se jogou em pé de uma vez, só pra depois cair sentado, esgotade de novo. Encarou os olhos vermelhos do seu aluno, e não encontrou nem uma fração de mentira neles, só havia tristeza, nostalgia e sinceridade ali. Zabuza percebeu as mesmas coisas, e inconcientemente, deu um passo pra trás.

-Mas sabe... — ele continuou — Não preciso de uma espada totalmente minha pra acabar com alguém como você.

O ex-assassino da névoa não teve tempo de responder, apenas levantou a zambatô, e foi arrastado vários metros pra trás, enquanto sua lâmina se chocava com aquela fila lamina negra. Fagulhas e faíscas incadecentes saltavam a cada golpe que ele recebia, sendo empurrado mais e mais pra trás, e sua espada ficava cada vez mais e mais danificada, enquanto Harusame continuava perfeitamente lisa, imaculada. Mesmo assim, ele não estava tendo muitas dificuldades em se proteger. Aquele garoto era forte, inumanamente forte, e rápido. Mas não tinha sintonia com sua espada. Ele conseguia prever seus movimentos agora, depois de já ter lutado com ele.

A katana não se movia aleatóriamente, muito pelo contrário, havia uma técnica muito fina que impregnava cada movimento seu. Mas mesmo aquilo ainda não era o necessário pra se tornar um verdadeiro espadachin. Lhe falta-va uma espada completamente sua, uma que fosse parte do seu corpo, que fosse seu braço. Os movimentos de um espadachinnão devem ser planejados, eles devem fluir diretamente do seu inconciente, retratar a essência individual de cada um. Só dessa maneira um espadachin se tornava uno com a espada. Zabuza conseguia fazer isso com sua zambatô, e não conseguiria com nenhuma outra espada no mundo. Já aquele garoto... Ainda não tinha uma espada completamente dele.

Por isso foi razoavelmente fácil pra ele se abaixar, e cortar seu tórax em dois com a katana. Naruto saiu rolando pelo chão, capotando e deixando traços de sangue no chão da ponte. Kakashi arregalou os olhos, rezando pra todos os Deuses que conhecia, e até mesmo os desconhecidos, para que ele explodisse numa nuvem de fumaça, um kage bunshin, um kawarimi, qualquer coisa, mas pelo amor de Deus, que ele esteja vivo!

Naruto não se moveu, e logo o sangue começou a inundar o chão, denso e vermelho. O silêncio tomou conta da ponte, até a risada do demônio da névoa oculta gargalhar.

-NAAAARUUUTOOOO!!!!

kakashi olhou assustado pro lado, e viu Sakura se aproximando. Tazuna estava atrás dela, e olhava com lágrimas nos olhos o corpo daquele garoto estirado no chão, morto. As lágrimas pingaram dos olhos de Sakura, e ela caiu de joelhos no chão, tremendo, com o olhar vidrado. A kunai na sua mão estava tão apertada que as juntas estavam brancas, sangue lhe escapava da palma.

Zabuza gargalhou de novo.

-Demônio! — ele levou a mão no rosto e rasgou as bandagens, deixando a boca livre, exibindo uma fileira de dentes afiados — É isso que chama de demônio Kakashi?!

Ele fincou Zambatô no chão, e atirou a cabeça pra trás, rindo insanamente, sem nenhuma pitada de humor. ignorando o construtor de pontes, e a garota que murmurava alguma coisa muito baixo no chão. O assassino da névoa continuou rindo, até que um som gutural encheu a clareira. Estirado no chão, aparentemente morto, Naruto ria.

Seja o que for que Sasuke sentiu, ou percebeu dentro da redoma de vidro, não percebeu. Conseguir perceber melhor do que ninguém, ou talvez seja mais correto dizer que ele foi o único a perceber aquela presença sinistra avançando, não era humano, simplesmente não era e isso o apavorava, mas o deixava excitado ao mesmo tempo, com vontade de lutar, com vontade de derramar sangue. Ele entendia aquela alegria, por um motivo insondável, passou a entender enquanto treinava com o louro. Toda vez que ele ria quando Sasuke o cortava, toda vez que sorria, ele acabou aprendendo a sorrir daquela maneira também, mas naquele momento, estava cansado demais pra sorrir.

Por causa do sharingan, desviar das senbons não er aum problema muito grande. Algumas passavam de raspão por ele, mas como conseguia prever a trajetória delas, conseguia se deslocar pra acertarem pontos não vitais. O chão daquele lugar estava repleto de água, das agulhas de gelo que descongelaram, e ele por um momento ficou tenso, aquilo podia atrapalhar o seu plano. Já estava ficando sem chakra por usar o sharingan continuamente, e por tanto tempo, e se aquilo não desse certo, morreia. Simples assim. Não que isso o assustasse, sempre seria simples, as coisas eram assim pra shinobis, não havia segundas chances.

Sacou mais algumas shurikens, e as atirou em alguns espelhos, mirando bem pra não errar, já estava ficando sem estrelas também. Antes que elas acertassem o alvo, fez alguns selos e mandou um jutsu de fogo relativamente débil, só pra manter as aparências. Se ficasse só atacando com shurikens, pareceria suspeito. O Hunter-nin também parecia estar se cansado, como ele, aquilo era uma kekkei gekai, e lhe esgotava mais rápido do que deveria. A pergunta éra... Quem tinha mais chakra?!

Haku parecia ter conciência disso. Atacava em pontos fatais, e ele desviava completamente, tentando ataca-la hora ou outra. Mesmo que aqueles olhos pudessem ler seus movimentos, o seu corpo não era ágil o bastante pra acompanha-la, e isso era uma fraqueza que lhe custaria a morte. Precisava acabar com aquilo logo, senão acabaria ficando sem chakra, e se ficasse sem chakra, morreia. ou pior, seguiria vivo, apenas mais uma arma enferrujada, novamente inútil ao mundo e a seu mestre.

Por sua vontade, nunca teria se tornado shinobi, nunca teria aprendido sobre chakra, nem mataria pessoas. Apenas viveria uma vida simples de camponesa, cuidaria de uma casa, talvez no meio da mata. Colheria flores, e viveria pacificamente até o dia de sua morte. Esse era o tipo de vida que ela teria escolhido, se lhe dessem esse direito. Mas o fato de nascer com aquela kekkei gekai selou o seu destino, custou a morte de sua mãe, e seu pai, e agora ela não passava de uma arma nas mãos de outra pessoa. Não se incomodava com isso. Tinha experimentado o verdadeiro inferno quando se viu sozinha no mundo, sem utilidade, dispensável, e não queria sentir aquilo de novo. Por isso, mesmo que lhe custasse a vida, protegeria o nukennin a quem servia, era uma promessa, que tinha feito a si mesma inúmeras vezes a si mesma, naqueles poucos anos que passaram juntos.

-Desculpe garoto — ela disse, deixando um pouco de tristeza passar através da voz cansada, se tivesse qualquer escolha, preferia não mata-los — Eu não me tornei um shinobi por minha escolha. Por mim, eu não mataria nenhum de vocês, e nem lutaria mais, mas sou apenas uma arma daquele que me porta. Por Ele, eu posso esfaquear o meu próprio coração, e derramar sangue, pelos sonhos dele, e pelo meu sonho, eu posso acabar com esse sentimento. Por favor, não me odeie...

A voz dele morreu na garganta, quando setiu algo lhe tocar a nuca. Apurou a visão, e uma linha de aço na su frente. Não entendeu a começo o que ela estava fazendo ali, até que notou a risada baixa do Uchiha, abaixo dela. Ele estava se levantando, endiretamente a coluna, e segurando as mãos nas costas. Um sorriso cruel pintado no rosto. Haku tentou se mover, mas a voz dele a deteve:

-Melhor ficar quietinho — Sasuke disse, levantando os olhos pra aquele garoto — Se não quizer ficar em pedaços... Agora você é apenas uma mosca na teia da aranha...

Haku engoliu em seco, olhou ao redor, e qualquer coisa que fosse dizer morreu na sua garganta. O garoto moveu um único dedo, e todas as dezenas, talvez centenas de linhas de aço entrecruzadas brilharam à luz do sol que passava através da névoa. Ela estava completamente cercada, não tinha onde se mover sem tocar naqueles fios, que ela sabia, eram tão afiados quanto um bisturi. O oinnin olhou para os lados, pasmo. Vendo todas as shurikens cravadas fora da redoma, e as cravadas dentro. Linhas de chakra se juntavam a elas, se enrolano e formando nós com outras, algumas enroladas nos seus próprios espelhos, dando sustentação pros outros fios que se ligavam aos dedos daquele garoto. Era uma teia de aranha, e aquele garoto de cabelos e olhos negros, que sorria sarcasticamente era a aranha. Cada shuriken, cada corte... Não era possível que ele tivesse planejado aquilo tudo, construir uma teia de fios daquele tamanho, sem que ela notasse, com aquela precisão e velocidade... Era inumano, aquela criança estava muito além das habilidades dela.

Sasuke fez um leve movimento com o indicador esquerdo, e o fio na sua nuca se comprimiu minimamente, lhe penetrando a pele alva e fazendo um filete fino de sangue escorrer pelo seu pescoço. Um arrepio lhe percorreu a espinha, ela só não soube se por medo, ou por causa da gota de sangue. No fundo, talvez estivesse um pouco aliviada também.

Sasuke quase pode ver a surpresa passar atravéz dos olhos daquele garoto. Ela tentou passar pra outro reflexo, mas com tantos fios de aço afiado no seu caminho, aquilo ficava praticamente impossível. Sasuke moveu o dedo indicador direito, e o anular esquerdo, e vários fios foram pra cima dela, bloqueando sua passagem. Se prendendo e cortando seus braços, pernas, e a máscara, que trincou e caiu, com o som caracteríscico de madeira caindo no chão. Haku estava completamente presa, uma mosca na teia da aranha. Um único filete de sangue escapou pelo corte superficil na testa daquele garoto... Garota, e Sasuke prendeu a respiração, congelado onde estava. Era ela.... Era ela...

Sakura parou de chorar e olhou pra cima, surpresa, ainda com lágrimas peroladas lhe banhando a visão. Ela sentiu algo sinistro lhe tocar a pele, lhe eriçar os pelos e arrepiar sua coluna, suspirou com aquilo, era uma sensação muito estranha, e muito contraditória que nunca tinha sentido, uma estranha mistura de medo e prazer. Zabuza também sentiu o arrepio na coluna, assim como Kakashi e Tazuna, mas no caso desses últimos, o calafrios que os deixou estáticos foi de puro medo. Naruto estava se levantando do chão, a camisa vermelha destruída e empapada de sangue. Os cabelos amarelos meio tingidos de vermelhos, e pingando. As suiças no rosto se envergaram mais ainda, os olhos cintilaram ainda mais vermelhos, um tom de vermelho muito forte pra sequer existir naquele mundo.

-Mas... que diabos.

Kakashi permaneceu calado enquanto sentia aquela energia tocar o ar, lhe paralisando. Já não era mais simplesmente o chakra, ou a intenção assassina. Aquela presença, aquela sede incontrolável de sangue, sem dúvida nenhuma era a Kyuubi no Youko. Ele tinha certeza agora que o selo tinha se rompido, tinha certeza absoluta que estaria morto. Tentou fazer alguma coisa, mas seu corpo estava pesado, aquela energia sinistra e quase tangível lhe mantinha no chão, os músculos pesados. Ele viu o louro se levantar, e arregalou os olhos a mostra.

O peito dele ainda estava aberto, quase que completamente. Zabuza conseguia ver costelas quebradas, a carne inundada de sangue, e mais ao fundo, o próprio coração dele, batendo num ritmo constante, inalterado. Duas massas mais claras atrás inchavam e contraíam frequentemente, enquanto ele respirava, os pulmões.

-Quanto tempo... — ele disse, de olhos fechados, como se saboreasse algo delicioso — Quanto tempo não me retalham dessa maneira?!

Kakashi engoliu em seco, paralisado de terror. Ele viu Naruto fincar Harusame no chão, e caminhar lentamente até Zabuza, que estava imovel. O olhar no seu rosto era claro, os olhos dele não mentiam. Ele ia retalha-lo com as próprias mãos, e se fosse divertido, até com os dentes. Aquele não era o Naruto, era uma fera faminha e incontroláve, com sede de sangue. Mais uma vez, e desesperado, ele tentou se mover, mas tudo o que conseguiu foi arquejar e ficar estático no lugar. Estava apavorado como nunca ficara na vida.

Zabuza pareceu se dar conta do que estava acontecendo, e pulou pra trás.

-Ba... Bakemono! Fique longe de mim!

Os olhos, antes insanos do demônio da névoa estavam vidrados. Ele fez uma sequencia rápida de selos, e cuspiu uma quantidade enorme de água em Naruto. Por onde o jutsu passava arrancava blocos de concreto do chão. O louro colocou os braços a frente do rosto, e continuou caminhando, enclinando o corpo pra frente e vendendo aquela pressão. Zabuza sentiu um aperto o coração, era quase como se aquele garoto estivesse enfiando a mão ali, envolvendo o órgão com dedos frios e garras longas. Um bloco de concreto enorme saiu do chão e acertou em cheio a cara do Uzumaki, se quebrando em vários pedaços e sendo impulsionado pela força da água, até cair do mar. O nukennin parou o jutsu. pegou Zambatô e correu até ele, a empunahdno do alto e descendo com força em direção ao braço dele. Naruto não fez nada pra se defender, nem tentou desviar. A espada monstruosa separou o braço esquerdo do corpo, e ele sorriu ainda mais largamente, gargalhando.

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Zabuza continuou retalhando o corpo dele, abrindo talhos e destruindo todos os ossos do peito do garoto, um dos cortes acertou seu rosto e destruiu o lado esquerdo da sua mandibula, revelano a arcada dentária quebrada, o maxilar pendurado apenas po um dos lados no cranio. Mesmo assim, o sorriso zombeteiro ainda estava lá.

-MONSTRO! O QUE DIABOS É VOCÊ?

Naruto riu mais alto, Sakura observava tudo aquilo calada, os olhos vidrados de medo, lágrimas escorrendo interruptas pela suas bochechas.

-Vá lá se saber... — Ele respondeu, segurando o maxilar quebrado com uma mão e o encaixando de volta no rosto, com um "crack" alto que ecoou pela clareira. Tazuna caiu de joelhos, e vomitou, ficando de quatro no chão, com a mão na garganta e tremendo. Kakashi não estava em melhor estado, e só não vomitou por que achou melhor manter a comida no estomâgo, seria útil quase precisasse lutar. Aos poucos, um chakra vermelho vibrante foi envolvendo o corpo do louro, ele pegou o braço caído no chão, e o enxaixou de volta no lugar. Zabuza olhava pra aquilo tão ou até mais apavorado que Kakashi, ele queria por tudo no mundo correr e ficar o mais longe possível daquele demônio, só que suas pernas não se moviam. Alguma parte irritante da sua mente, que não estava ocupada fazendo nada útil, como por exemplo, mover as suas pernas, lhe enviou a ideia de quão ridículo ele próprio era por se chamar de demônio. Em comparação com aquele garoto, ele não era nada.

Rapidamente, toda a carne, ossos e pedaços de órgãos destruídos foram sendo reconstruídos pelo chakra, que circulava seu corpo completamente. Os ferimentos no rosto voltarão ao normal, e até mesmo os fios de cabelo que foram arrancados se reestruturaram. Naruto sorriu desafiadoramente, encarando o nukennin aterrorizado na sua frente. Por um instante se preocupou se tinha ido longe demais, mas decidiu não se preocupar com isso por hora, estava se divertindo como a muito tempo não fazia.

o chunnin levantou uma única mão, e todo o chakra vermelho que o rodeava foi atraído pra ela, girando rapidamente e formando algo que lembrava muito um sol. Se Kakashi não estivesse tão apavorado, teria percebido na mesma hora que aquilo era o rasengan.

-Agora, Zabuza... — ele disse, a voz soando mais rouxa e grave que de costume — Diga adeus...

Sasuke ficou imóvel, vendo aquela garota sorrir pra ele tão gentilmente. Os braços e pernas presos por fios de aço, que ele manipulava com os dedos. Era a mesma que tinha colhido flores com ele naquele bosque, a mesma que lhe disse que ele tinha que ficar forte, pra proteger as pessoas que eram importantes pra ele. A mesma que disse que ele ficaria forte.

-Surpreso, Sasuke-san?

-Você... — ele engasgou com as palavras, não sabia o que dizer, nem o que pensar dela.

-Pois é... — ele, no caso ela, respondeu como se não fosse nada — Me mate de uma vez...

Sasuke não respondeu, aquela garota olhava pra ele sem nenhuma expressão de medo no rosto, ela não estava mentindo, estava tão serena como quando colhia flores.

-O que esta esperando, me mate...

-Como você pode pedir algo assim?! — Sasuke disse, ainda mantendo ela presa na sua teia de fios de metal.

-O que pretende fazer então, me deixar presa aqui eternamente, até morrer de fome?!

Sasuke não respondeu. Agora que tinha pensado no assunto, ele não sabia o que fazer. Tinha lutado contra ele o tempo todo com a intenção de derrota-la, mas nunca tinha imaginado o que fazer depois. Talvez não tivesse problema em mata-la se foss qualquer outra pessoa, mas sendo aquela garota, que sorriu tão gentilmente pra ele, e que disse tudo aquilo. Ele não podia mata-la, simplesmente não podia. Mas também não podia solta-la... O que devia fazer?!

-Eu sou apenas uma arma quebrada, que não serve mais para o seu propósito — ela disse, ainda sorrindo tranquilamente pra ele, não parecia ter o menor remorso, nem a menor pena em falar de si mesma daquela maneira — Se não quizer se sujar com o meu sangue, apenas solte uma das minhas mãos, eu mesma me mato...

-COMO PODE DIZER ISSO?! — Sasuke explodiu — COMO PODE DAR TANTO PRA UM CARA COMO O ZABUZA, QUE TE USA SEM SE IMPORTAR COM VOCÊ?! COMO PODE SE IMPORTAR COM UM CARA COMO AQUELE?!

Ela não pareceu surpresa, nem ofendida, nem nada. Somente sorria gentilmente pra aquele garoto. Não queria mata-lo, nem a ninguém, tinha servido o Zabuza-sama da melhor forma que podia, então não tinha do que reclamar. A verdade é que ela estava contente pelas coisas terem acabado daquele jeito.

-Eu tive outros, que me importaram antes, meu pai, e minha mãe.

Sasuke engoliu em seco, por que diabos todos tinham que ter histórias tão parecidas com a sua?! Primeiro o Naruto, agora aquela garota...

-Eles eram pessoas pobres, fazendeiros de uma vila no país da névoa, mas eram gentis um com o outro e amáveis comigo, mas aí eu cresci, e descobri uma coisa...

-Uma coisa?! — Sasuke murmurou, mais pra si mesmo que para Haku. Ela continuou o observando por um longo momento, sem dizer mais nada — Então, o que aconteceu?!

Ele quase gritou, estava confuso, sem entender o que estava acontecendo e o que deveria fazer naquela situação. O mais simples seria mata-la. Era só puxar um pouco mais o anular, e ele cortaria fora seus braços e pernas, depois era só mover mais alguns fios, e tudo o que restaria seria pedaços daquele corpo. Por alguma razão, ele não queria fazer isso, alguma coisa gritava pra ele não fazer aquilo. Haku sorriu um pouco mais, os olhos brilhando, nostálgicos.

-O meu pai matou a minha mãe, e tentou me matar...

Sasuke arregalou os olhos, nunca esperaria uma resposta como aquela. Ele se lembrou de Itachi, do dia em que viu todo seu clã morto, o dia que passou a odiar Itachi. Ele percebeu que ainda o odiava, mesmo que quizesse salva-lo, e mostrar que ele era um herói, ele ainda o odiava por ter matado seus pais, mesmo que pudesse perdoa-lo, eles nunca voltariam a ser o que eram. Sempre haveria ódio e vazio entre os dois.

-Depois da terceira guerra mundial ninha, o país da névoa passou por diversas guerras civís, e os clãs com kekkeis gekais passaram a ser odiados. Por causa dessas habilidades, esses clãs foram usados em batalhas interminaveis, depois que as crises acabaram, nos culparam por toda aquela guerra.

-Mas isso...

-Os clãs se viram obrigados a se esconder, pra garantir sua sobrevivência — ela continuou, ignorando o que Sasuke disse, ou ao menos tentou dizer — Aqueles cujo segredo era descoberto, só a morte os aguardava. Você deve entender bem o que estou dizendo, tendo as habilidades que tem... Pessoas com kekkeis gekais geralmente são temidas.

A expressão surpresa de chakra silenciou, sobrando apenas a tristeza. Por causa daqueles olhos, ele tinha perdido tudo por causa daqueles olhos...

-Minha mãe pertencia a uma dessas linhagéns, e descobriu isso... Quando vi o corpo da minha mãe, estirado no chão, quando percebi o que tinha feito, eu o matei... Matei meu próprio pai... Naquele momento eu percebi que... Não, na verdade eu não tive outra escolha a não ser perceber que, nesse mundo, eu sou uma pessoa indesejada...

A expressão dela era calma, mas sua voz falhada mostrava o quão falar daquilo era difícil pra Haku. Sasuke não pensou no que estava fazendo, apenas afrouxou o aperto, e a soltou. Haku caiu de pé no chão, o olhando surpresa.

-Não vou te matar...

Ela não respondeu.

-Eu não vou te matar, por que você é igual a mim...

Haku observou com a expressão confusa, enquanto aquele garoto afrouxava os fios de aço que mantinham suas pernas presas, e baixava levemente as do braço, que se soltaram quando seus pés tocaram o chão. Perceu um momento tentando entender a complexidade daquela teia de aço, era simplesemnte inacreditável que alguém conseguisse manipular aquilo de uma forma tão precisa e efetiva, e o fato de ter a montade inteiramente sem que ela percebesse, estando preso dentro de seu próprio jutsu, era mais incrível ainda. Não... Era mais que isso, era simplesmente genial.

Mas essas coisas não a preocupavam agora. Ela o observou enquanto ele, em apenas um movimento amplo de ambas as mãos, fez todos os fios de aço se soltarem, caindo no chão numa cascata prateada, que brilhava a luz parca do sol. Era bonito, a expressão com que ele fez aquilo, o tom de preto tão expressivo nos seus olhos, a tristeza permeada neles, a ponto de esclarecer o negro das suas irís era bonito aos olhos daquela garota. Aquelas expressões eram como a chuva pra ela, como a neve. Eles eram realmente muito parecidos.

-Por que me deixou livre? Sabe que posso te matar agora, esse truque não vai funcionar de novo comigo...

-Você não vai fazer isso. — ele respondeu sem nenhuma exitação, e a segurança na sua voz assustou a oinnin, ainda mais por que ele tinha razão, ela não iria fazer nada pra machuca-lo, nem aos seus companheiros. Haku não respondeu aquilo, apenas ficou parada, concentrada nos seus movimentos, não tinha certeza do que fazer agora. Pensou que devia se matar, seria o mais correto a fazer, mas perdeu o rumo dos pensamentos quando a voz cansada do Uchiha ecoou entre a névoa, muito baixa e cansada, pouco mais que um múrmurio.

-Quando eu tinha oito anos, meu irmão mais velho assassinou toda a nossa família, e todo o nosso clã — Ele dizia de costas, olhando pra algum lugar em especifico no céu — Só eu sobrevivi, quando me encontrou, ele me prendeu num genjutsu, e eu acordei no hospital. Ele tinha dito que queria apenas testar suas habilidades...

Sasuke mordeu a própria língua, não entendia por que estava dizendo tanto a respeito de si mesmo pra aquela garota que mal conhecia, e que já tinha tentado mata-lo. Ele respirou fundo, relaxando os ombros, e continuou.

-Mas isso não era verdade — Haku continuou o observando em silêncio enquanto ele falava — O clã Uchiha estava planejando um ataque surpresa à Konoha, iria trair a própria vila, e então tomar o poder, mas não deu certo. Meu irmão, a mando dos próprios conselheiros, sem o consentimento do Hokage, assassinou toda a própria família, nosso Otou-san, e nossa Kaa-san, apenas pra evitar uma guerra. E depois disso, foi declarado nukennin, acusado de matar a todos apenas pra se provar.

Haku abaixou um pouco a cabeça. Sempre soube que histórias como aquela eram comuns, por isso não se permitiu odiar as pessoas do seu país. Seu primeiro instinto tinha sido odia-los, e se vingar, mas ela não conseguia fazer isso. Uma vinganç cega como aquela, contra pessoas ignorantes que eram manipuladas por trás de um jogo político, era como culpar os peões pelos atos de um rei.

-Depois, ele se juntou a uma organização criminosa, conhecida como Akatsuki — Sasuke continuou, não se importava mais se ela soubesse, na verdade, se surpreendeu quando percebeu que queria que ela soubesse — Até hoje ele esta arriscando a própria vida, sendo espião deles enquanto a própria vila que ele esta protegendo o odeia, e o caça.

Uma lágrima perolada escapou dos olhos do oinnin, era uma história parecida demais com a dela... Mais própriamente com a dele.

-A alguns anos atrás, antes do meu pai matar a minha mãe, e eu mata-lo — Haku disse, e Sasuke a olhou surpreso, pelo canto dos olhos — A vila da névoa era governada pelo Yondaime Mizukage, Yagura-sama. Naquele tempo ganhamos o apelido de névoa sangrenta, por que pra um gennin se formar, ele tinha que matar o restante da sua equipe. Zabuza-sama se formou dessa maneira, um pouco antes da terceira guerra mundial ninja terminou. Alguns anos depois, enquanto voltava de uma missão, ele descobriu uma coisa, uma coisa sobre o Yondaime-sama, ele...

Haku parou de falar por que uma explosão inácreditável de youki quase a fez cair pra frente. Sasuke não pareceu se alterar por aquilo, apenas virou a cabeça pro lado onde Naruto estava de pé, visível agora que os espelhos de gelo demôniaco tinham ruído, apenas um vulto indistinto entre a névoa. Ele ativou o sharingan, e sua visão atravessou a névoa, os olhos mostraram uma leve surpresa ao ver o peito do seu companheiro rasgado ao meio, e o sorriso diabólico com que ele olhava o nukennin. Mas depois desviou os olhos, perdendo o interesse. Sabia que por mais assustador que ele ficasse, não machucaria seus companheiros. Haku já não podia dizer isso. Antes que Sasuke pudesse impedi-la, ela se virou, e desapareceu da sua vista.

-Agora, Zabuza... — aquela voz grave e arranhada percorreu a ponte. Assustadora — Diga Adeus...

O nukennin não coseguia se mover, ele quase podia ver aquele jutsu estranho vindo em sua direção em camera lenta. Via todo aquele chakra vermelho como sangue girando furiosamente, e quase conseguiu se ver refletido nele. Era assim que terminaria então, ele nunca conseguiria cumprir a promessa que fez aquele pivete...

-NÃO!!!!!!!!

Naruto deteve o movimento, Haku estava na sua frente, os olhos fechados bem apertados no rosto, ela não tinha gritado, e não foi ela que deteve seu movimento, foram outros dois gritos, que soaram quase ao mesmo tempo. Sasuke e Sakura.

Os braços da rosada o envolverão por trás, num abraço, e ela afundou o rosto nas suas costas, chorando. Naruto podia sentir as lágrimas dela escorrendo pela curvatura do seu pescoço, e aquilo fez um arrepio percorrer sua espinha. Sasuke estava parado um pouco ao seu lado, olhando dele pra Haku com um olhar temeroso.

-Já chega Naruto! — Sakura chorou, apertando mais firmemente o louro nos braços — Por favor, chega... Eu não quero mais ver sangue...

Ele por um momento rangeu os dentes, aquilo o irritara, mas tão rápido quanto veio, a raiva se esvaiu, deixando um pouco de tristeza, e um sentimento pesaroso que ele não reconheceu, algo como nostálgia, talvez. Ele se virou e envolveu Sakura nos braços, murmurando pra que ela se acalmasse, sem prestar atenção ao nukennin paralisado, e a um Haku no mínino, muito surpreso. Sasuke ficou atento a ele, mas não parecia que ele se mexeria mais, estava gelado, e os seus olhos tremiam levemente.

Kakashi tentou se levantar de onde estava, mas lhe faltavam forças. Antes que pudesse dizer alguma coisa, Sasuke estava ao seu lado, o levantando por um braço e sustentando por cima do ombro. O jounnin não disse nada, apenas assentiu.

-Parece que essa luta acabou, não...?! — Tazuna disse, meio receoso de onde estava escondido, atrás de um caixote, esquecido pelos outros.

-Vá saber, não estou entendendo mais nada... — kakashi murmurou, depois levantou a voz e disse — Você esta bem, Naruto?

-Hai — o louro respondeu, o encarando, os olhos de volta ao azul-céu costumeiro. Ele ainda estava abraçado com a garota, e parece que ela não o soltaria tão cedo. Já tinha parado de chorar mas parecia quase estar dormindo no peito dele — Zabuza não parece mais capaz de se mover.

-Não se preocupem com Haku — Sasuke disse, massageando o ombro dolorido. A oinnin não disse nada, apenasabaixou um pouco a cabeça — Ela...

Mas ele não terminou de falar, seja lá o que ia dizer morreu na sua garganta quando um zumbido cortou o ar, ele ouviu um grito e por puro instinto Sasuke se jogou na direção da caçadora. Os dois caíram juntos no chão, rolando um pouco até pararem, mas não ficaram naquela posição muito tempo. Sakura soltou uma exclamação surpresa, e quanto viu aquilo, Haku gritou.

No peito do demônio da névoa oculta, enfincada até a metade, bem no coração, havia uma flexa.

Sasuke se virou, enquanto a garota corria aos tropeços até ele, e olhava aquela flexa, murmurando algo desconexo que o Uchiha não entendeu. Naruto se virou na direção que a flexa tinha vindo, e os olhos azuis cintilaram vermelhos mais uma vez, antes de uma careta de desagrado deformar o seu rosto, um rosnado baixo e gutural lhe escapando da garganta. Sasuke olhou na mesma direção, com o sharingan ativado, e cerrou os punhos.

-Parece que temos companhia... — Ele disse — Sakura, cuide de Kakashi e protega Tazuna.

-Hai — ela sustentou o peso do jounnin sobre um ombro, e sacou uma kunai com a outra.

No outro extremo da ponte, atrás da névoa que se dissepava com a luz do sol da tarde, estava um Gatou sorridente, entre centenas de capangas armados com espadas, katanas, clavas e diversos outros tipos de armas.

-No final — a voz sibilante daquele verme ecoou pela ponte, enquanto ele gritava — Eu ainda estou por cima! Eu matei o grande demônio da névoa oculta, e a próxima vai ser a prostitutazinha dele!

Os capangas riram atrás dele, alguns eram bem grandes, outros mais magros, e levavam as katanas na cintura. Sasuke rangeu os dentes, aquele sujeito o irritava mais do que lhe agradaria demonstrar, e Naruto parecia tão ou mais irado que ele. Estava perfeitamente pronto pra acabar com cada um daqueles vermes, quando uma presença esmagadora passou através dele.

A expressão de Haku, realmente zangada, era assustadora.

Naruto ficou ereto, segurando a binha com a mão esquerda. Um pouco da raiva de Sasuke também se dissipou, enquanto ele observava aquela garota caminhar lentamente na direção deles. A intenção assassina que emanava dela era gélida, afiada como navalha, e parecia te sufocar lentamente.

-Não se atrevam — ela disse, a voz soou tremida numa falha tentativa de parecer calma — a tentar me ajudar... Eu mesmo vou mata-los.

-Mas... — Sasuke começou, mas se calou ao sentir um aperto no ombro. Naruto o olhou por um segundo, e ele abaixou levemente a cabeça, contrariado.

-Tudo bem...

Tudo o que os dois ouviram depois foram gritos. Com a graça de uma felina caçando, Haku corria entre os capangas, levantando uma nuvem de sangue com ela, Tazuna desviou os olhos, mas nenhum dos gennin, e nem o jounnin a perderam de vista. Sasuke estava tranquilo, a face neutra estava serena, já Naruto estava mais sério que o costume, parecia perdido em pensamentos, e Sakura estava um pouco triste, um pouco assustada, e mais alguma coisa. Tudo aquilo era muito novo pra ela, e ela parecia entender que qualquer coisa que tivesse imaginado antes seria mera ilusão. Parecia estar se dando conta do que realmente é ser um shinobi, e aceitava aquilo.

Quando o último mercenário caiu, Gatou estava caído no chão, tentando se arrastar pra longe daquela garota. Metade do seu rosto estava coberto de sangue, assim como as suas roupas encharcadas e manchadas de vermelho. Nem um único arranhão na sua pele imaculada, mesmo enquanto ela matava sem piedade uma centena de homéns armados. O comerciante tentou implerar, rezou, chorou, pediu perdão e ofereceu dinheiro, mas nada parava aquela garota, que caminhava até ele lentamente, com a expressão vazia. A própria presença da morte que ia ao seu encontro. O cheiro de sangue, os olhos vagos, a certeza que iria morrer assim que ela se aproximasse o suficiente, esses foram os últimos pensamentos desconexos da mente dele, antes da sua carne ser rasgada, e congelada, e quebrada em mil pedaços. Gatou estava morto. Zabuza estava morto. E Haku... Seus olhos estavam em pedaços...

-Eu não disse, garoto... — o som de uma risada baixa encheu a clareira, enquanto o demônio da névoa dizia suas últimas palavras, segurando a flexa envenenada que se aojaram bem no centro do seu coração — Que tinha tirado a sorte grande ao encontrar Haku? Essa criança é a arma perfeita...

Ele riu de novo. Haku, ouvindo aquela voz, correu até ele e se ajoelhou ao seu lado, não estava chorando, Zabuza não gostava quando ela chorava. Kakashi, amparado por Sakura, também tinha se aproximado, assim como os dois gennins, e um Tazuna meio desconfiado, que parecia pronto pra dar no pé a qualquer sinal de perigo.

-Foram bons anos os que passamos juntos, Haku — ele disse, tossindo um pouco de sangue, encarando a garota ajoelhada ao lado dele — Apesar de querer passar mais tempo com você, não tenho como.

Ela fechou os olhos, tremendo, e as lágrimas começaram a escorrer. Zabuza não chorou, mas sua expressão estava triste também.

-Eu já disse que não gosto quando você chora — ele estendeu a mão, e Haku a apertou entre as suas mãos pequenas — Então sorria, você não vai ficar sozinha... Naruto?

-Hai? — o louro respondeu, um pouco curioso pelo rumo que a conversa estava tomando.

-Creio que conhece o código — Zabuza disse, sorrindo zombeteiro pra ele — Você me matou, e deixou a minha filha sem casa, e sem família... É sua responsabilidade cuidar dela agora.

Haku pareceu surpresa por ter sido chamada de filha, e Zabuza sorriu tranquilamente pra ela. Kakashi estava assustado com o rumo que a conversa estava tomando, e já adivinhava que teria muito dor de cabeça com aquilo. Sakura estava com uma expressão muito cômica de "Não estou entendendo nada", e Sasuke, por incrível que pareça, estava sorrindo.

-Maldito... — Naruto murmurou, mas depois sorriu — Vou honrar o código... Isso é, se ela aceitar.

A oinnin olhou confusa pra ele, depois pra Zabuza, que a tranquilizou.

-Essa é a minha última ordem pra você, Haku — ele disse, e ela assentiu, esperando atenta o que ele ia dizer — Siga esse garoto, já que ele me matou, você é por direito dele. Uma arma precisa de um dono, senão vai acabar enferrujada, sem uso em algum lugar.

-Mas... Isso — Kakashi tentou dizer, mas Naruto o interrompeu.

-Quando um samurai mata outro samurai, seja em guerra, numa missão, ou simplesmente por uma ordem — ele disse seriamente, enquanto todos os outros prestavam atenção nele — Ele deve assumir a responsabilidade por quaisquer bens do samurai morto. A esposa dele se torna sua esposa, e seus filhos se tornam seus filhos. É a lei.

-Exatamete... — Zabuza concordou — Quero que cuide dela, e não se preocupe, Haku vai lhe ser útil...

Não respondi mais depois daquilo. Demorou mais alguns minutos pra ele fechar os olhos, e naquele tempo todo o silêncio imperou na ponte, era quase como uma tumba. Sasuke observava com cuidado as expressões de Haku, e Sakura estava com as feições tristes, assim como Kakashi. Aqueles dois sempre foram muito moles, mesmo na época que eu era jounnin, mesmo no meio da guerra. A única coisa que quebrou aquele silêncio foi o choro de Haku, quando a cabeça de Zabuza pendeu pra um lado. Eu nunca imaginei que as coisas aconteceriam daquela meneira, nunca imaginei que ela pudesse demonstrar tantas expressões como estava fazendo.

Depois do que pareceram horas, ou talvez tenha sido apenas alguns minutos, ela se levantou, pegando Zabuza nos braços e envolvendo o corpo do antigo mestre no seu haori, e se voltando pra mim. Nos encaramos por alguns instantes, e ela não disse nada, apenas fez uma profunda reverência, e saimos da ponte.

Ninguém reparou, ou ficou sabendo, quando algumas horas mais tarde, a noite, um vulto paseava entre os cadáveres. Ele abriu um longo pergaminho no chão, e fez alguns selamentos. Um selo longo e complexo se formou, e os corpos de cinco mercenários foram tragados pra dentro da tinta, selados no pergaminho. O vulto o amarrou com uma corda e guardou num bolso interno do casaco, antes de sumir na escuridão da noite.

Os dias seguintes passaram lentos e indistintos. Haku ficava muito em silêncio, mas era muito educada quando alguém vinha conversar com ela, o que Tsunami parecia ter adorado fazer. Tinha simpatizado bastante com a oinnin, de forma que estavam até conversando parcamente, o que só aconteceu depois de muito esforço da filha do construtor, pra fazer a garota falar mais do que apenas respostas curtas a perguntas diretas. A obra da ponte seguia como antes, agora com muito mais pessoas trabalhando nela. Kakashi estava se recuperando, e parecia preocupado com várias coisas, desde em como explicar pro Sandaime sobre como fizemos uma missão daquelas e voltavamos sem nenhum pagamento, e sobre o fato de estarmos levando pra vila uma shinobi de outro país. Ele só pareceu ficar menos preocupado quando disse que talvez, Haku mesmo fosse o pagamento.

Ela também me tratava muito respeituosamente, e parecia bem atenciosa quando eu estava perto. Dava pra ver que ainda estava triste, mas mesmo assim se esforçava pra sorrir, um sorriso doce que transmitia paz, eu gostava daquele sorriso dela. Sasuke também gostava, embora tenha corado e me mandado calar a boca quando perguntei aquilo. Minha relação com Inari também melhorou, embora eu não fizesse muita questão disso, no fundo eu gostava daquele moleque, o que não queria dizer realmente muita coisa, ainda pensava em mata-lo de vez em quando, só não fiz isso pela Tsu-chan...

Quanto a ela... Bem, as coisas tinham melhorado bastante. Ela tinha uma tremenda tara por fazer as coisas escondidas, então tinha se tornado comum vir me acordar a noite, e fazermos sexo na sala, na cozinha, no banheiro... Era ela uma tremenda pervertida. Numa noite notei Kakashi nos espiando, mas apenas fiz que não vi, enquanto sentia o abalo no chakra dele, espiando por trás da porta. Fiquei imaginando quanta inveja ele devia estar sentindo.

E assim se seguiu, até que fomos embora da vila da névoa, deixando um Inari e uma Tsunami chorosa pra trás (ela disse que era pra mim visita-la, assim que fosse possível, e que passasse a noite lá... talvez uma semana) a ponte não recebeu o meu nome, como da outra vez, na verdade, eu não fiquei sabendo que nome deram pra ela, acho que só lembraram que ela devia ter um após nós já termos ido. Kakashi caminhava na frente, e nós três atrás, tranquilamente. Haku se esforçava pra parecer tranquila, mas olhava muito pros lados, ela parecia muito nervosa.

-Naruto-sama...? — ela perguntou de repente.

Olhei pra ela, com um sorriso no rosto. Kakashi olhou de canto, e Sasuke, que caminhava ao lado dela, também a olhou curioso. Ela parecia estar tentando se expressar da melhor maneira possível.

-Onde... eu vou dormir?

-Bom... — deixei um canino a mostra, aquele sorriso fazia as pessoas engolirem em seco, e não foi diferente dessa vez — Eu só tenho uma cama...

-NAAANIIII?!

Ri enquanto Haku corava até a raíz dos cabelos de vergonha, Sasuke de raiva, SAkura de cíumes, e Kakashi... imaginando a cena, como o perfeito pervertido que ela. Tive que tirar esses pensamentos da cabeça, desviando de um soco da Sakura que gritava alguma coisa e começava a correr atrás de mim, enquanto eu ria.

Vendo aqueles dois correndo, Haku sorriu de canto, estava tendo um bom pressentimento com aquelas crianças.