Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
28 Naruto gaiden - Parte 01
Notas iniciais
Essa não é uma história sobre Kyuubi no Youko, Guerra, ou qualquer um das centenas de nomes pelo qual ele já foi chamado. Também não é a história que ele contou no escritório do Hokage, cheio com uma porção de pessoas que lhe detinham amor, e eram amadas de volta, sem saberem exatamente o que isso significava, para o mundo, ou para ele próprio. Entretando, tudo o que aqui se passa é o máximo que qualquer pessoa vai ouvir sobre sua primeira missão para a vila de Konohagakure, enquanto ainda era um estudante da academia, e foi o que cimentou mutias das atitudes futuras do hokage em relação a ele. O resto, fica apenas em sua memória, e na memória das pessoas que o observaram de perto.
Essa história, no entanto, talvez retrate coisas que o próprio Naruto nunca tenha vindo a saber, sobre uma pessoa que, mais tarde, seria chamada de O grande amor de sua vida. Sua esposa.
Lafiel.
Watashi no kawaii... Lafiel.
"A coisa mais fofa, de todas que eu me lembro sobre Lafiel — comentou uma raposa avermelhada, olhando para o horizonte, milênios depois dos passos dela terem encontrado descanso sob a areia. Às suas costas, uma pequena criança escutava curiosa, suas asas longas e alvas clareando a escuridão — É que ela sempre morreu de medo de duendes... Você teria gostado de conhecê-la, Perdão, ela era como você. Sempre que contava histórias pra ela, dava um jeito pra colocar essas criaturinhas no meio, apenas pra vê-la tremer e se enroscar em mim, e mesmo quando nos casamos, eu sussurrei em seu ouvido, no momento das promessas, que a protegeria de todos os duendes do mundo.
"Foi quando ambos tinhamos dez anos, ela era uma nobre de Vermillion, e eu, um estudante da academia bancando o guarda-costas para o Hokage... nunca imaginei que ele realmente precisaria da minha proteção"
Perdão se debruçou com um sorriso na pelagem avermelhada do seu pai. Os mesmos olhos que, milênios atrás, eram seu terror, agora só lhe trazia um sentimento produndo e quente de paz e carinho.
"Aconteceu assim..."
E Guerra falou. Falou de nuvens que mudavam de forma, e montanhas que, com o tempo, se tornaram muralhas. Ele sempre adorava falar sobre isso, e ela considerou se não estava relembrando a história a si mesmo, pra que pudesse conta-la com perfeição quando se reencontrasse com Morai e Kenshin, e pudesse falar com eles novamente como um sensei.
Ela tinha certeza que era isso. Talvez, a maior certeza que tivesse, embora duvidasse que o pai sequer já tivesse considerado isso, era o número de expectadores pra ouvir essas histórias. Sempre que pensava no passado, ele trazia seus dois aprendizes, e talvez uma ou duas pessoas, Perdão sabia que nunca lhe passara pela mente aquela cena que mamãe vira, uma raposa sob um penhasco, cantando sobre estrelas, e muralhas e amores antigos a milhares de anjos e demônios, e mais milhões de almas, todas tão importantes pra ele, que, no meio delas, ele era apenas mais um grão de areia no mar. Muitas daquelas pessoas ainda não tinham nascido, e não nasceriam em milhões e milhões de eras que estavam por vir, mas existiriam, seriam amadas, e o amariam de volta. O amariam tanto, que o fato de ser um demônio não importaria.
Não importava pra ela, que já tivera as asas arrancadas e a inocência tomada por ele, não importaria pra eles também, por que, excencialmente, Guerra era uma melodia.
Aquela música triste que evitamos ouvir, e fingimos que não gostamos, por que sempre que suas notas abraçam nossos ouvidos, não conseguimos evitar de chorar. Era o apíce da tristeza e da alegria, a um nível absurdo que beirava a insanidade. Guerra, em si próprio, era como um sopro de vida e razão na inércia da Existência, ele era necessário, era fundamental, e quando, muitos milhões de bilhões de vidas depois, a própria existência se cansasse da rotina que ela própria tinha criado, e rabiscasse toda a história já escrita com tinta vermelha, pra reescreve-la depois, Guerra os veria novamente.
Veria Kenshin, e Morai, e Lafiel, que nesse momento, tinha dez anos de idade e nada sabia do amor ou da vida, mas tinha um ego tão grande quanto seu status, ou Chihiho, um único grão de areia tão importante na praia da sua história, branco e inocente quanto nenhum outro.
Havia paz, no futuro, para ele. Paz, ternura e calor. No fim, não haveriam mais espadas. Por mais que as amasse, e talvez exatamente por isso, Guerra fincaria sua katana na terra, e olhando pro horizonte, saíria pra se encontrar com aquela pessoa, todas elas, que esperaram tanto pra que ele voltasse da sua viagem pelo mundo.
Perdão sorriu, deixando os pelos avermelhados do pai lhe acariarem a face, e o amor que escorregava por sua voz, enquanto falava de Lafiel, lhe cobrir como um cobertor. Mais um beijo, e ela estaria dormindo, mas não dormiu, ela gostava de histórias, e as de Guerra... eram inestimáveis.
Naruto Gaiden...
Lafiel acordou com um sopro de vento nos ouvidos, espalhando seus longos cabelos pra trás e assobiando atravéz das janelas, que logo alguém se apressou a fechar. Esse mesmo alguém, usando um terno negro com um conjunto branco e vermelho de gravata e camisa se pôs ao lado da cama da menina, imediatamente após fechar as vidraças, com as faces em branco de expressão.
A garota se remexeu e se esticou, e o pequeno corpo pálido se levantou, as cobertas escorrendo para o chão. Sentiu algo pousar sobre seus ombros, e o robe lhe cobrir o torço nu, e não disse nada. O homem o amarrou em torno de sua cintura, e segurou sua mão pra que ela levantasse. Saiu logo depois, sem nenhuma palavra. Lafiel não agradeceu.
Pouco depois ele voltou, com uma tigela polida de cerâmica nas mãos, e uma toalha branca no braço. As deixou encima de uma mesa larga de madeira clara de eucalipto, e saiu novamente. Sem palavras, sem olhares, era assim que servos e senhores se tratavam, em Vermillion.
Lafiel lavou o rosto, se olhando no espelho e traçando com os dedos a pele pálida e cremosa. Sua mãe uma vez tinha lhe que a mais fina porcelana no Senhor Feudal não poderia competir com a polidez da sua pele, e nem as mais guardadas e zelosas princesas poderiam rivalizar com sua beleza. Ela tinha adorado ouvir aquilo, e desde então tomou especial cuidado com sua aparência, desde seus cabelos azuis tão exóticos, até suas roupas. Ela não tinha permissão pra usar maquiagem, nenhuma moça de família nobre, antes dos treze anos – onde ela seria vista como adulta e poderia se casar – tinha permissão de esconder sua inocência e zelar por sua beleza daquela forma, era um rito de passagem importante, quando sua mãe a banharia, maquiaria e vestiria, pra apresenta-la aos filhos dos nobres e encontrar um noivo ideal... No seu caso, seria feito por uma empregada, sua mãe já não estava mais entre eles...
Mas ela não se importava com pinturas, ou com laços no cabelo. Sua família parecia ter a beleza incrustada em seu sangue, e todas as fêmeas nasciam com corpos delgados, cabelos azuis e orelhas pontudas, e olhos felinos misteriosos que pareciam agradar a todos na corte. Elas poderiam desfilar na mais simples das vestimentas, entre uma fila de princesas usando seda e pinturas, e ainda atrair inveja da maioria delas. Lafiel adorava isso. E foi com a mesma importância de uma princesa no andar que ela desceu as escadas, envolvendo o robe mais apertado em torno da cintura, como uma princesa, rica e linda princesa...
Isso é... até tropeçar no último degrau e quase ir de cara na parede, se um velhinho de roupas brancas e vermelhas não tivesse contornado a mesa com velocidade estonteante e a segurado com delicadeza. Com o rosto corado até os fios dos cabelos ela tentou se endireitar novamente, ignorando as gargalhadas do bobalhão do seu pai e fuzilando com o olhar a menina que tinha a distraído.
Cabelos vermelhos levemente rosados presos em um rabo de cavalo, um quimono rosa com folhas de videira negros e uma espada de madeira nas costas, numa bainha redonda de bambu. Com um sorriso gentil no rosto ele se levantou e fez uma profunda reverência, os olhos azuis fosforescentes brilhando com uma alegria infantil.
Ela era... ela era... Linda!
Lafiel a odiou no instante em que viu.
-A senhorita deve ser mais cuidadosa, hime-sama – disse o velhote, dando uns tapinhas afetuosos na sua cabeça.
-Quem você acha que é pra... – ela começou o que seria, provavelmente, uma lista longa de ofensas atribuídas a ele e elogios a ela mesma, quando a voz grave do seu pai, tão raramente severa, ressoou pelo cômodo.
-Lafiel! – ela se calou instantaneamente, esperando uma ordem – Demonstre mais respeito ao nosso Hokage-sama...
Compreensão a atingiu como uma parede de tijolos, e a garota sentiu os músculos gelarem. Aquele... era o Hokage? O líder militar de todo o país que só respondia ao Daimyo, e o único que tinha autoridade pra desafia-lo em situações de guerra, o supremo comandante de cada ninja, desde os estudantes até os mais notáveis ANBU?!
Ela olhou pra ele de novo, de cima abaixo... Não, não podia ser. O Hokage devia ser alguém forte e poderoso, trajado numa armadura brilhante com centenas de samurais as suas costas, com cavalos brancos e espadas entalhadas... Aquilo era só, um velhinho...
-Lafiel... – o pai murmurou, com a cabeça entre as mãos, já consciente de tudo o que ela estava pensando – Esse é o Hokage... Cumprimente-o e o agradeça, sim, ele te salvou de ter um hematoma na cara...
Imediatamente ela se afastou e se curvou, e nas palavras mais graciosas que pode encontrar, compôs um ode em agradecimento a sua gentileza, e nobreza, e um punhado de qualidades poéticas a mais. Quando parou pra tomar fôlego ela levantou os olhos, esperando ver o velho surpreso e impressionado por suas boas maneiras, radiante por ter sido tão engrandecido por alguém como ela...
Ele estava na mesa, conversando com seu pai, e parecia não ter ouvido sequer uma palavra. Enrijecendo, ela marchou até sua cadeira e se sentou, a boca travada numa linha fina e o rosto vermelho, esperando alguém servi-la. Levou bons dez minutos, até seu pai sair da conversa com uma gargalhada e se voltar a ela.
-Lafiel querida, você não vai comer? – ele não esperou resposta – Hoje é um dia importante, e você deveria se alimentar bem.
-Onde estão os servos?
-Ah, eu dei o dia de folga ao Tatsu-kun e a Mone-san saiu logo depois de preparar o café... Os outros, eu... não tenho ideia.
Ela respondeu o sorriso despreocupado dele com uma careta indignada, até que notou a ruiva dando a volta pela mesa, até parar ao seu lado com uma reverência.
-Permita-lo sirva-la, Hime-sama – ela não esperou resposta e encheu a sua xícara com chá fumegante, antes de servir seu prato com um pouco de tudo o que ela queria comer. Como ela sabia exatamente o que era, ela não tinha ideia. A voz dela era gentil e agradável, mas já parecia ter perdido a fina entonação infantil, o que Lafiel, pra irritação da menina, insistia em manter. Seus gestos também eram extremamente corteses, dignas de uma dama, e ela imaginou que aquela fosse Lady Astoria... Embora, pelo que tinha ouvido, ela devia ser uma senhora... Bem, boatos.
-Meus agradecimentos – ela disse, tentando manter a voz um pouco mais grave – É muita gentileza sua se retirar do seu acento Lady Astoria, pra fazer o dever de um servo, mas seus modos ao faze-lo superam e muito os dos brutos criados dessa nobre casa, eu...
-Hein? – a ruiva curvou a cabeça confusa – Lady o que?
Lafiel piscou confusa por um segundo, até assumir – com um sorriso arrogante – que ela tinha se pedido em meio a sofisticação do seu discurso. Natural.
-Sinto muito, lady Astoria...
-Não, não – ela interrompeu novamente, com um sorriso bobo e um gesto de mão nada nobre – A senhorita me confundiu com outra pessoa, eu sou Naruto.
-Na...ruto – Lafiel forçou a memória, mas não encontrou o nome em nada que já tivesse lido sobre a corte do Senhor Feudal – Eu sinto dizer que desconheço vossa senhorita, poderia...
-Lafiel – seu pai a interrompeu novamente, o que já estava se tornando um hábito irritante, do ponto de vista da garoto – Naruto-kun não é uma moça de nenhuma família nobre, ele é o guarda-costas do Hokage-sama...
-Ah... – ela piscou surpresa, até os seus olhos se arregalarem – Espere, ele?!
-Hai! – Naruto se afastou um passo, sorrindo ainda mais, por nenhum motivo em especial, ele só parecia gostar de sorrir – Eu sou um garoto.
Lafiel desmaiou.
Kaen no Rei... Kaen no rei... Kaen no rei... Kaen no rei...
-Mas... papai! – ela tentou argumentar, escandalizada com o que ele estava dizendo.
-Sem mas Lafiel – ele disse, se ajoelhando pra poder olha-la direto nos olhos, o rosto bonito dele coberto com uma camada rala de barba azul escura, assim como seus cabelos – Nós estaremos fazendo a viagem com o Hokage-sama, e eles se ofereceram pra nos proteger por todo o percurso, é uma grande honra, então quero que você seja educada.
-Mas por que eu tenho que ir com ela... ele?!
-Qual o problema Lafiel – ele olhou pra onde ela apontava, e sorriu ao ver o garoto conversando animadamente com o Hokage – Por que não gostou dele?
-É por que... por que – ela lutou pra encontrar uma razão – Ele é deselegante!
Seu pai se levantou e afagou sua cabeça, rindo das suas tentativas patéticas de convencê-lo.
-Ele é o garoto mais gentil que eu já conheci, e você vai concordar comigo quando encontrar os outros filhos de nobres, alem do mais, ele vai estar te protegendo durante todo o caminho.
-Ele é só um estudante da academia – ela quase gritou, ainda não entendendo bem o que isso queria dizer – Como ele pode me proteger? Não posso ir com o senhor papai...?
-Não querida – ela estava pra protestar, até que viu o olhar firme nos olhos de gato do seu pai.
-Muito bem então – ela se curvou, fria e graciosamente, e pôs-se a andar em direção ao garoto, sem nunca ver o olhar cansado que seu pai pareceu mandar para os céus.
“Eu disse pra você, você quis me ouvir? Não... Tsubaki-chan... Isso é tudo culpa sua – ele apontou acusadoramente para o céu, com um trilho de lágrimas comicamente escorrendo pelo seu rosto”.
-Ah, hime-sama, já terminou de se despedir do seu chichi-ue? – o Hokage sorriu gentilmente – Nós estamos pra entrar nas carruagens.
-Hai, Hokage-sama.
-Muito bem, então – ele se voltou pra Naruto – Você vai ser responsável pela segurança da princesa até chegarmos a Incandescence, Naruto-kun, você pode lidar com isso?
-Hai! – ele agarrou o cabo da espada de madeira nas costas e sorriu mais largamente – Eu vou protegê-la com a minha vida, se necessário!
Lafiel sentiu um rubor lhe subir as bochechas, mas rapidamente o empurrou pra baixo de uma expressão fria e desinteressada.
-Muito bem, me faça orgulhoso – ele disse, antes de se reunir com Ryusen, e entrarem na carruagem com uma risada compartilhada.
Naruto sorriu para a garota, que se virou com um “huh”, e se pôs a andar até a carruagem, sem nunca ver o brilho divertido nos olhos azuis dele. “Nobres” – ele riu consigo mesmo, a seguindo.
A viagem de Vermillion, a capital imperial, até Incandescence, a cidade das chamas onde as reuniões diplomáticas eram feitas levaria, pra um ninja capaz, cinco ou seis horas, sem parar pra descansar, Pra nobres em carruagens, puxadas por cavalos brancos e escoltadas por samurais, levaria... uns três dias. Três dias, na opinião de Lafiel, que demorariam anos pra passar.
Durante o primeiro dia, Naruto tentou conversar com ela, sem obter muitas respostas. Ele fez mais algumas novas tentativas, e até chegou a falar sobre ele mesmo e as pessoas que conhecia, até que Lafiel disse, dessa vez sem nenhum traço de classe ou deferência na voz, pra calar a boca e deixa-la em paz. Ele o fez, apesar dos olhos tristes dele e a expressão amuada a terem atormentado por toda a tarde e a noite do primeiro dia de viagem. Quando ela estava prestes a se desculpar, apenas pra ele tirar aquela expressão de cachorro chutado do rosto, seu pai a chamou, pra onde os servos montaram o acampamento, forrando o chão com várias camadas de tecido e erguendo enormes barracas em torno dos dois. Naruto também acompanhou o Hokage, e antes mesmo dos servos terem terminado de estirar a segunda camada de pele sobre o chão, eles já tinham terminado de montar acampamento, e o Hokage estava prestes a preparar uma fogueira, quando Ryusen os chamou pra comer com eles. Ambos aceitaram com um agradecimento, e a garota se viu mais uma vez, emburrada, sentada ao lado de Naruto, que agora contava sobre como era a academia para um genuinamente interessado nobre da corte.
Sarutobi sorriu, ele estava esperando um homem gordo e enfadonho, foi sorte que o Senhor Feudal era seu amigo pessoal, e não só lhe deu a companhia de nobre nada convencional, mas permitiu que ele levasse Naruto com ele. Em outras situações seria idiotice levar um estudante da academia consigo, mas ele não era o Hokage pra nada, e as chances de serem atacados por shinobis era mínima.
Essa mínima chance se mostrou verdadeira, logo no dia seguinte.
Naruto acordou no outro dia, após ter dormido apenas quatro horas por ter feito o primeiro turno de vigia, e olhou com os olhos embaçados para o velhote, que o sacudia pelo ombro.
-Vamos Naruto-kun, nós vamos nos preparar pra partir – ele sorriu – O que achou dessa missão? Você é o ajudante da academia mais sortudo de todos hein, protegendo uma nobre bonitinha e tendo o dia todo pra falar com ela e impressiona-la...
Sarutobi sorriu mais largamente, tentando reprimir uma risada pervertida. Ele ia guardar aquela história na cabeça pra contar a Jiraya na próxima oportunidade que tivesse. Seria um Best-seller, ah, se seria...
-Ela é bonitinha – Naruto concordou, com um rubor leve lhe cobrindo as bochechas – Mas é muito chata...
-Você se acostuma, todos os nobres são assim...
-Por que?
-Sei lá... Coisa deles, vai entender – ele puxou o garoto de pé e o empurrou pra fora da tenda – Vá se lavar, tem um rio a um quilômetro naquela direção – ele apontou pra leste, a partir das tendas –Vamos sair em uma hora, mas eu quero você de volta aqui em dez minutos.
-Hai!
Ryusen sorriu constrangido, quando o Hokage voltou ao seu lado.
-O senhor tem certeza que foi sábio manda-lo lá enquanto Lafiel se banha? Ela pode ficar meio... violenta, quando contrariada.
-Não, deixe disso – o hokage agitou as mãos, da mesma forma que Naruto tinha feito na manhã passada, e o nobre se encontrou pensando em quem tinha pegado o hábito do outro – Ela precisa de proteção em todos os momentos, e depois disso, ambos só tem dez anos...
-É, mas um garoto...
-Ele é bem inocente pra idade dele, e também tem um senso de dever maior que qualquer outro estudante da academia – Sarutobi disse, orgulhoso – Tenho certeza que vai crescer em um ninja como nenhum outro.
Ryusen sorriu, confiando no discernimento do Hokage.
Naruto percorreu em menos de um minuto o quilômetro até o rio, e quando o encontrou, a primeira coisa que ele notou foi uma garotinha na beirada, se despindo após mandar o samurai que a tinha acompanhado se retirar. Ela entrou na água com um leve tremor, murmurando coisas que a raposa, daquela distância, não conseguia entender, os lábios tremendo muito pra que ele pudesse ler.
Decidindo que não tinha mal nenhum levar a situação adiante, ele se despiu e deixou o quimono numa árvore próxima, caminhando até o rio sorrateiramente pra que ela não o ouvisse e deixando a boken próxima, pra que ele pudesse chegar rapidamente até ela se houvesse qualquer inconveniente.
Se afastando e traçando um círculo ao redor dela, ele simplesmente encontrou um ponto, se pôs de costas, e esperou.
Cinco... Quatro... Três... Dois... Um...
As costas de Lafiel se encontraram com algo rígido, e quente e molhado, e ela imediatamente escorregou, e teria ido de cabeça pro fundo do rio se Naruto não a segurasse. Ele a puxou pra cima, onde ela respirou fundo, tentando tirar os fios azuis da frente da cara.
-O... O que – ela tremeu, parecendo pronta pra dar um grito, mas não gritou – O que você esta fazendo aqui?
-Eu...
-Plebeu insolente! – ela tentou apontar pra ele, mas escorregou novamente, e Naruto tornou a puxa-la pra cima – Eu ou ter sua cabeça por isso, como se atreve a...
Suspirando, Naruto cobriu sua boca com a palma da mão, sorrindo interiormente quando ela corou ao contato.
-Não atraia atenção, Lafiel – ele disse, a chamando pela primeira vez pelo seu nome e arrancando um rubor irritado dela – Eu estou aqui pra te proteger, e nós temos que nos banhar e voltar pro acampamento.
-Como você se atreve... Plebeu insolente... Imundo!
Naruto suspirou, aquela ia ser uma longa viagem...
De volta ao acampamento, o Hokage estava acompanhando Ryusen, enquanto os samurais que os acompanhavam desmontavam a barraca e enrolavam as várias camadas de pele e tecido, os guardando num terceiro carro vazio. Ele não percebeu que todos estavam sendo observados, até que fosse quase tarde demais, e se amaldiçoou por perder o foco daquele jeito.
Em um ataque combinado, vários shinobis pularam para os galhos mais próximos e fizeram selos de mão em sincronia perfeita, atirando jatos de chamas que se espalharam como um mar de fogo até as carruagens, destruindo os acampamentos e matando vários dos samurais no mesmo instante. Se xingando por não ter uma guarda jounnins apropriada numa situação como aquela, o Hokage fez três clones, dois dos quais levantaram Ryusen sobre os ombros e tomaram distância do acampamento, imediatamente seguidos por dois shinobis inimigos, que foram confrontados no caminho até o nobre por um dos clones.
-Vocês não vão passar daqui – o clone disse, com uma voz calma e grave que conflitava e muito com seu nervosismo. Aquilo não ia ser fácil.
Ambos os ninjas, dispostos de qualquer identificação e com máscaras apenas se entreolharam, e juntos, avançaram até o clone do Hokage, lançando shurikens que ele desviava sem muita dificuldade, tentando se aproximar e dissipa-lo rapidamente, pra poderem chegar até o primeiro alvo.
Ao mesmo tempo, no acampamento, o verdadeiro Sarutobi se viu em meio a uma batalha de taijutsu com cinco dos atacantes, ao mesmo tempo. Seu clone convocou Genma imediatamente, e antes de desaparecer devido a falta de chakra, lançou o bastão de diamante até ele, que o pegou e, num único giro, acertou três dos seus atacantes, antes de se ver obrigado a fugir de um jutsu de vento que lhe cortou a barra das vestes. Os samurais estavam todos mortos, e as carruagens destruídas. Ele rezou que onde Naruto e Lafiel estivessem, estivessem bem.
Lafiel ainda estava no processo de escorregar e cair, e voltar a ofender o garoto por se atrever a estar nu, no mesmo lugar que ela, até que as ondas de calor da explosão atingiram os dois, e a fumaça negra se tornou visível por sobre as árvores. Naruto pulou até a margem, e teve tempo apenas de agarrar sua katana antes de três shinobis inimigos aparecerem, um dos quais segurava pelo pescoço um samurai morto.
-O que temos aqui... – um deles disse, e pela voz, era uma mulher – Dois pombinhos se banhando juntos... que fofo...
-E um deles tem uma espada de madeira – o ninja da lateral esquerda riu com gosto – Ó meu Deus, nós estamos tão ferrados.
-O que você vai fazer garoto? – o terceiro ninja riu, lançando intenção de matar no ar – Com a merda de uma boken, por que você não corre daqui? Só queremos a garota...
-Humm... não sei não – o da esquerda disse, com um olhar de luxúria no rosto – Mesmo ele sendo um garoto, é bem bonitinho, não posso brincar um pouco com ele antes?
Lafiel recurou em horror, enquanto o ninja que tinha falado acariciou o pênis por sobre a calça. Naruto permaneceu inabalável.
-Você é um porco mesmo, Ganta – disse a mulher, entre os dois – Mas se quer fazer mesmo isso, não vejo por que não, apenas vá fazer longe daqui, e tente não desmembra-lo enquanto isso, ele parece ser bem frágil, coitadinho... deve estar morrendo de medo...
Naruto travou os pés no chão, tenso, lançando um olhar de esguela a Lafiel, que permanescia congelada no meio do rio. O ninja chamado Ganta pulou para o chão, pondo-se a caminhar em direção a Naruto.
-Vamos meu benzinho – ele estendeu a mão – Vamos nos conhecer melhor em algum lugar, você não precisa ver esses dois matarem sua amiguinha...
Lafiel congelou, os dois ninjas sorriram mais largamente, fazendo seu caminho até ela, e a mão d ganta tocou o ombro de Naruto.
Por dentro, de seu próprio corpo e das entranhas da sua alma, Kyuubi sorriu, alargando as presas e sentindo o corpo de Naruto repetir os gestos. O tempo pareceu parar, retrair até ficar lento e azulado, cada segundo parecia uma eternidade a passar, quando se tinha aprendido os fundamentos do Shinsoku...
A espada de madeira saiu da bainha, e num arco gracioso, atingiu o pulso de Ganta. Antes que ele pudesse sequer notar, quanto mais reagir, Naruto bombeou uma quantidade absurda de youki nos braços, justo no momento em que a boken atingiu o osso, o esmigalhando e estilhaçando e cortando as artérias. Ganta saiu do chão com a força, girando até cair no chão, e antes que pudesse se levantar Naruto acertou sua garganta com a espada, o desmaiando e tirando todo o ar dos seus pulmões, enchendo sua boca e garganta com sangue, mirando com uma precisão absurda a linha tênue que existia entre aleijar alguém permanentemente e mata-la.
Os outros dois pararam no meio do caminho, voltando seus olhos para o ruivo, que agora empunhava a espada com uma liberdade completamente diferente a tensão de antes. Onde antes parecia apenas haver um aprendiz portando uma boken, agora havia um mestre espadachin, que pelos olhos, sabia exatamente como usar a sua arma pra causar-lhes o máximo de dor possível, e não tinha nenhum escrúpulo em fazer exatamente isso.
Kyuubi riu consigo mesmo, era notável como a percepção dos seres humanos aumentavam tanto quando achavam que estavam prestes a morrer.
Bombeando os músculos com força, Naruto correu, deixando pra trás uma nuvem de poeira até chegar ao shinobi mais próximo, que sorriu, virando um chute poderoso em direção ao seu estomago, do qual ele não desviou.
Mas tampouco acertou alguma coisa. A imagem residual da sua velocidade se desfez no ar, e o homem caiu pra frente, com sangue enchendo sua boca e perdendo o controle do restante do seu corpo, a espada tinha acertado com força a exata base da sua espinha, não a quebrando, mas fraturando e cortando todos os nervos. Ele não conseguiria se mexer mais, e ninguém menos hábil que Tsunade poderia remendar os danos feitos a sua medula.
A mulher olhou pra ele com terror cobrindo o cinza pálido dos olhos, antes de percorrer uma sequência de selos e soprar um jato de fogo nele. Sem esperar pra ver os resultados da sua técnica, ela se virou, e correu. O que viu, no entanto, a fez engasgar com as próprias palavras.
Naruto não estava atrás de si, provavelmente lutando pra escapar das suas chamas, ele estava diretamente a sua frente, correndo até ela com uma velocidade vertiginosa. Antes que a capitã do esquadrão pudesse racionalizar e conceber um meio de escapar dele, a boken cortou o ar e atingiu seu joelho esquerdo, esmigalhando o osso e a fazendo agonizar de dor. No mesmo movimento ele acertou seus cotovelos, e assim que ela caiu no cão, ele pisou em seu joelho bom.
-Você vai me dizer exatamente quem são vocês... – ele queimou os olhos em vermelho vivo – E vai me dizer o que querem, agora...
Ela não pensou sequer um segundo em negar, e após ouvir tudo o que a shinobi inimiga tinha pra dizer, e quebrar seu joelho restante só por garantia, ele se voltou pra Lafiel, que o encarava com uma expressão de pavor absoluto...
-Vamos Lafiel – Naruto disse – Nós temos que encontrar os outros...
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