Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
29 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo agora revisado pelo Gustrubio, então aqueles erros toscos de antes foram corrigidos, agradecimentos a ele.
Sendo Guerra, o Deus Demônio que trazia a discórdia, a encarnação do conflito no coração dos homens, eu nunca acreditei na paz.
Sempre foi uma ideia estranha para mim. No começo, era ridícula, detestável. Quando minha consciência era permeada de insanidade, quando eu apenas queria sangue, não havia nada mais horroroso para mim. O rosto de Harmonia, os olhos dela, e depois Perdão...ao meu ver ambas eram monstruosas. Gado. Algo pra mim quebrar, e eu gostei tanto de quebra-las, repetidamente, até que não restasse mais que uma sombra difusa das duas, insistindo em existir no mundo, por mais negra que a escuridão fosse.
No entanto, quando todos os homens afiaram suas espadas, beijaram suas mulheres e partiram para batalha, alguma coisa mudou. Eu vi tudo aquilo, assisti como pais prometeram aos seus filhos que iriam voltar para casa, que tudo ficaria bem, mesmo que os próprios não acreditassem nisso. Vi que quando encurralados, eles se levantavam, e por um momento, aquela... sombra dentro deles, aquele lado escuro e detestável regredia, e tudo era tão brilhante. Eles não pensavam em si próprios naquele estado. Não havia egoísmo ou arrependimento, eles só desejavam e lutavam para proteger aqueles lhes eram importantes.
Aquela luz cegou-me, fazendo com que eu me rastejasse pela lama, mesmo com minhas entranhas queimando em fogo vivo, foi aquele mesmo fogo que me limpou. Da mesma forma que Morte tinha nascido, quando perfurou sua foice no estomago daquela criança, quando cortou sua cabeça e fez chover sangue no mundo, eu nasci quando os homens limparam esse sangue de suas faces, e escolheram lutar. Não por ganância, prazer ou até mesmo por poder, mas por que queriam proteger aqueles que eram importantes para eles, pois esse era o seu dever.
Comparado a Morte, meu nascimento foi doloroso. Lento. Eu me arrastei pelo chão da floresta, queimando e sufocando, e o próprio inferno seria um sonho molhado naquele momento. Ainda era eu, o tempo todo, mas... era mais. Era como se toneladas e toneladas de sujeira fossem retiradas de dentro de mim, tão fundo encrustadas no meu ser que nada menos que garras incandescentes poderiam remover. E elas foram removidas, sem piedade. Casca por casca, pus por pus, e livre dessa sujeira, eu pude ver. Pude ver longe, pude ver tudo.
E nada foi mais horrível do que olhar para dentro de mim mesmo. Toda a imundice da minha alma quase me afogou naquele dia, eu me lembro bem do sentimento. Enquanto estava sentado nas raízes de uma árvore que hoje já não existe mais, observando as estrelas que eram ancestrais das estrelas de hoje, eu senti que não poderia ser igual a nada no mundo, por que não havia um lugar que eu poderia chamar de meu, não havia pessoas que sorririam pra mim, com aquela espontaneidade deliciosa e inocente, sem segundas intenções. O sorriso de Harmonia, o brilho nos olhos de Perdão, de repente, não eram mais horríveis, eram lindos, perfeitos e magníficos, era tudo o que eu queria, e pensar que eu tinha aquilo ao meu alcance, e simplesmente pisoteei em tudo até não restar mais nada, fazendo com que eu me odiasse ainda mais.
No auge de minha loucura cravei as mãos em meu peito, rasguei minha carne até arrancar a cartilagem, quebrei ossos atrás de ossos e triturei o coração sob minhas garras. Quebrei meu próprio pescoço e arranquei minhas próprias caudas, sujando cada vez mais o chão fértil da floresta com o meu sangue imundo, que não parava de escorrer, mas não importava o quanto eu me ferisse, o quanto me mutilasse, eu era incapaz de morrer. Não importa o que eu fizesse, eu continuava a existir.
Morte, com aquela máscara assustadoramente neutra, me observou o tempo todo, recostada na sua motocicleta com a foice descansada em seu ombro. Eu soube que ela estava apreciando ver a forma como eu me rasgava, então só para agrada-la, me rasguei novamente, me machuquei novamente, rezando pra que ela entendesse que eu estava tentando, mesmo da forma mais covarde e inútil possível, compensar a dor que eu a tinha feito passar.
Eu já não era Discórdia, eu era Guerra, mas Discórdia ainda vivia dentro de mim, como sempre viveria.
E como Guerra, minha opinião não havia mudado, apenas se esclarecido. Não havia paz no mundo, não por que eu não desejava, ou por que eu não gostava, mas por que minha presença impedia isso, e eu não podia morrer.
Então os homens continuaram a se matar, e quanto mais se matavam, mais eu via aquele horizonte, aquele amanhã, se afastando de mim...
Kaen no Rei
“Oe gaki, pode me passar aquele talo de bambu?”
Kotarou espalhou o vapor a frente do rosto e enfiou a mão na bolsa do samurai retirando o que ele tinha pedido. Era um talo de bambu escuro e pesado, já completamente seco e com um cheiro estranhamente familiar.
“Esse aqui?”
“hum... – ele deu de ombros, o corpo escondido pelo vapor da fonte termal, apesar das várias cicatrizes pálidas cobrirem suas costas e braços serem bem visíveis – me de aqui...”.
O garoto demorou pra entregar o frasco, o olhar vacilando entre uma marca e outra, cada uma arranhada e longa, algumas mais curtas, nos braços, mais largas.
“Por que você tem tantas cicatrizes?”
A expressão dele, ou parte dela visível através do vapor escorregou pra uma séria, o sorriso se desmanchou até não existir mais. Ele estendeu a mão e pegou o frasco das mãos do garoto, despejando a substância estranha nas mãos.
“O que é isso?”
“Tintura...”
“Pra que?”
Em resposta, Nanashi se levantou e se aproximou, e sobre a luz da lua, Kotarou pode ver muito bem pra que servia a tintura.
Os cabelos dele, sempre tão escuros, agora iluminados pela lua cheia, eram vermelhos como sangue.
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“Diferente dos homens, os cachorros são fiéis. Eles não se importam se você é rico, se é bonito ou se é popular, se for bom com ele, ele vai segui-lo para onde quer que vá, e nunca irá traí-lo, vai morrer defendendo você se necessário, e é por isso que eu prefiro os gatos. Traiçoeiros e preguiçosos, eles pelo menos vão fugir e se esconder se eu estiver em perigo, assim, não vou precisar ver um amigo morrer se não puder protegê-lo” – Hound.
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Zabuza jogou a cabeça pra trás, arranhando o cabelo com os dedos e tentando se livrar deles... dos malditos números que insistiam em ficar na sua mente. Número de vítimas, número de sobreviventes, números de rebanhos de gado, números de comerciantes e rotas de comerciantes, e códigos... ah, os códigos. Códigos de compras e vendas, e missões e rótulos de missões, de compradores e de clientes antigos, e uma infinidade de coisas sobre uma infinidade de assuntos.
O infinito dentro do infinito. A chatice infinita ao quadrado – Essa era a equação que descrevia perfeitamente o trabalho burocrático de um Kage. Por que diabos ele aceitou aquele trabalho mesmo? Por que ele não podia ter morrido na guerra? Seria tão mais simples e agora ele teria um túmulo muito bonito repleto de flores onde as pessoas passariam, olhariam e diriam coisas bonitas, como Zanza. Zanza é que tinha sido inteligente pra morrer, em vez de ficar vivo e encarar a maldita papelada. Papelada sem fim. Parecia que a vila produzia shinobis e os mandava em missões para lucrar e com o dinheiro comprar um estoque infinito de papel, para eles poderem assinar coisas e escreverem declarações com palavras difíceis...
–Zabuza-sama?
... que ele não entendia. É claro que eles também gastavam parte do dinheiro contratando pessoas para escrever tudo aquilo, só pra ele ter todo o trabalho de lê-los e assina-los e...
–Zabuza-sama... – Chojuro acenou com a mão frente aos seus olhos – O senhor esta bem? Esta pálido...
...E então ele ficaria preso naquele maldito escritório mofando pela eternidade... É claro, como ele não tinha visto aquilo antes, era tão simples, tão simples e tão brilhante...
–Zabuza... O senhor esta me assustando.
...Era óbvio que aquilo era um genjutsu, um genjutsu rank S... não, SS, não, um genjutsu rank SSS, um super hiper ultra mega genjutsu rank SSS completamente brilhante e completamente maligno, que nada menos que um demônio poderia sequer cogitar. Pegar todos os shinobis mais poderosos do mundo e trancafia-los em salas apertadas, repletas de livros velhos e mofados, e nenhum deles tinha fotos de garotas de biquínis, pra então eles enlouquecerem de maneira lenta e cruelmente, e suas habilidades se denegrirem até que mesmo civis poderiam vencê-los e tomarem o mundo para si...
Chojuro quase caiu pra trás quando Zabuza se levantou com os olhos queimando de determinação.
–HIMITSU GENJUTSU OUGI! AKUMA NO YOSAI-CHI! – ele reuniu uma quantidade enorme de chakra em todos os tenketsus, os agitando pra que ficassem selvagens e fora de controle. A sua frente, o mais jovem espadachim da névoa engoliu em seco e tentou se virar para correr, mas era tarde demais – KAI!
A explosão literalmente rachou o chão em todos os sentidos, levantando estrias nas paredes e fazendo os vidros explodirem pra trás, ao mesmo tempo em que a mesa tombava e os papéis choviam em retalhos pela sala, retalhos de documentos importantes em chamas... Nezumi não ia ficar nada feliz com aquilo
–Ora... – Zabuza olhou ao redor por alguns segundos, então soltou as mãos do selo que ele ainda mantinha febrilmente e coçou o queixo – Então era tudo real mesmo?
–O que o senhor quer dizer...? – Chojuro perguntou, trincando os dentes e segurando todas as dúzias de respostas sarcásticas que vinham acompanhadas por agressões físicas naquele momento. Aquele cara era seu Kage, ele tinha que respeita-lo, por mais insano, estúpido, ignorante e idiota que pudesse ser... respire... expire... respire...
–Hummm... você sabe, isso tudo – ele apontou em volta, agora levemente ruborizado – A papelada...
–O senhor...?
–É, por aí mesmo – eles se entenderem com uma simples troca de olhares, como geralmente acontece com pessoas que passam por situações ruins juntos, mas o garoto de cabelos azuis fez questão de verbalizar seus pensamentos, numa tentativa vazia de fazê-los parecer mais razoáveis.
–...Achou que era tudo um genjutsu?
–Pois é garoto – Zabuza se sentou novamente na cadeira que, por algum motivo, estava intacta, frente ao resto do escritório completamente destruído – Foi um erro honesto, não me olhe com essa cara...
Chojuro apenas franziu mais os olhos.
–Infelizmente, parece que nosso mundo é cruel a ponto de algo assim realmente existir... E pensar que mais de dois mil documentos que eu já assinei, nenhum deles, nenhunzinho sequer tinha pornografia, o que eles esperam de nós? Os terceiros realmente passaram a vida encarando essa merda? Não é possível...
–Sim, sim, eu queria informar que... – o garoto tentou retornar o assunto que viera tratar, mas foi rapidamente cortado antes disso.
–Eu tive uma ideia, Chojuro-kun, mande chamar o conselho ninja!
–Eles estão todos em missão senhor...
–Todos é?
–Sim... nossa vila precisa se mostrar forte no momento, só a aliança com Konoha não vai segurar nossos inimigos, precisamos fazer missões o quanto antes, mostrar que tudo esta normal.
–Entendo... Bem, nesse caso eu tenho autoridade pra sancionar decretos que julgue necessário como em corte marcial, na ocasião em que os caros conselheiros – Zabuza recitou com muito gosto a única lei que ele tinha decorado apenas dez minutos depois de ter se tornado Kage temporário, ele sabia que seria útil em algum momento – Estão ausentes, me concedendo o direito sagrado e divino a palavra absoluta não?
Chojuro tremeu da cabeça aos pés, mas foi obrigado a concordar.
–Sim senhor...
–Então... prepare imediatamente um documento, intitulado... – ele pensou por um momento – “Clausula do desafio” que deve ser conhecida após aprovada, ou seja, imediatamente, como “Clausula Momochi”, que da direito a todo e qualquer shinobi nascido na Névoa, com mínimo de cinco anos de serviço ativo e que esteja atualmente no serviço, de desafiar o Mizukage em uma luta mano a mano pela sua posição como Kage. Eu quero que esteja pronta pra ontem e quero que seja classificada como uma lei SS, que apenas o Mizukage com cem por cento dos votos do conselho pode anular, revogar, ou modificar, estou sendo claro...?
Chojuro tremeu, até convulsionou enquanto a prancheta em suas mãos se partia em pedaços de tanto que ele a apertou.
–Cristalino senhor...
–Maravilha, agora – ele apontou o dedo diretamente para a testa do garoto – Eu te desafio a me desafiar.
–Hein?
–Muito bem, sabia que ia concordar – Zabuza bateu palmas alegremente, pulando por cima da papelada destruída – Eu me rendo, você venceu, meus parabéns Mizukage-sama, se me der licença vou tirar o resto do dia de folga, a luta foi muito cansativa e não me sinto disponível pra qualquer serviço agora. Adeus.
E, sem mais nem menos, ele saiu cantarolando pra fora do escritório mil vezes maldito do Mizukage, informando todas as pessoas que pôde encontrar no caminho que Chojuro o tinha derrotado num combate feroz deixando todo o lugar destruído.
–Eu sou brilhante – ele pegou sua bíblia pornográfica da bolsa do quadril, e a abraçou alegremente, com lágrimas nos olhos – Tudo graças aos seus ensinamentos, Jiraya-sama, eu nunca vou me esquecer do senhor!
De volta ao escritório, Chojuro apenas franziu a sobrancelha, antes de levantar a cabeça e gritar inconsolável aos céus.
.....
Quilômetros longe dali, na vila da Onda, o “Deus raposa da espada de madeira” estava vivendo sua própria grande aventura.
“Calmo como a água... Selvagem como o fogo”.
O espadachim olhou em volta, toda a concentração dividida em sete, sete bandidos, sete adversários, sete alvos, cada qual respirando pesadamente e lhe lançando olhares de raiva, incredulidade e ódio. O seu braço sangrava onde havia sido atingido, e um fio de líquido vermelho brotava do seu quimono manchado, escorrendo pelo braço até a mão, e continuando até a ponta da sua espada de madeira, tão lendária quanto seu nome.
–Essa habilidade, e tão jovem – disse um dos bandidos, um homem de cabelo grisalho que parecia ter um olhar mais sábio que o resto dos babuínos no seu grupo – Você realmente merece o título de espadachim sagrado, Inari-kun...
–O que você quer dizer, tou-san? – gritou um dos homens a frente, segurando sua própria espada de folha larga – Esse garoto não pode ser aquele que chamam de “Deus raposa”, ele é muito jovem e pequeno...
Os outros mercenários concordaram com ele, alguns gritando pra deixar a conversa de lado e atacar. Ele foi derrotado com três movimentos, um afastando sua perna esquerda e o fazendo cair dolorosamente no chão, outro no seu ombro, impedindo o ataque que mal havia começado a se formar, e outro na parte de trás da cabeça, com força apenas para desmaia-lo, e talvez, deixa-lo com algumas sequelas por alguns meses. Inari podia se gabar de ser preciso, mas ele nunca tinha alcançado a precisão elegante e graciosa que fazia do seu mestre tão perigoso.
–Seus idiotas! – o velho gritou com os rapazes, que mesmo sendo em sua maioria, maiores e aparentemente mais fortes que ele, se encolheram de medo – Eu não ensinei nada a vocês? Nesse mundo, tamanho e aparência não são nada, ou vocês se esquecem de que o Kaen, com apenas doze anos, já era uma força decisiva em combate? O homem que derrotou o Yondaime Mizukage, Umi no Yagura... Peguem leve e vão acabar mortos... Embora, com essa espada de madeira, será que você compartilha da promessa do seu mestre rapaz?
Inari apenas assentiu uma vez, sem verbalizar suas respostas. Ele não se moveu ou atacou, dando a chance dos seus inimigos saírem da frente e ilesos da batalha.
–Entendo... É um desperdício de verdade, com sua habilidade você poderia claramente ser um assassino rank S em qualquer uma das vilas escondidas, dois grandes talentos desperdiçados na mesma geração, se eu fosse velho poderia enfartar...
–O que você quer dizer Jiji – brincou um dos filhos – Você já é velho pra caramba...
Ele levantou a cabeça e riu, sem notar os companheiros saindo lentamente de perto dele, e nem mesmo notou quando o velho pulou até as suas costas e acertou a bengala com força em sua cabeça, o mandando desmaiado pro chão.
–Eu ainda estou na flor da idade – ele tossiu, mexendo nos ombros doloridos – É realmente uma pena, como espadachim eu te respeito garoto, de verdade, vejo um potencial monstruoso em você, mas nós somos mercenários. Espero que entenda...
A um estalar de dedos, o grupo restante de grandalhões partiu pra cima de Inari, cada um segurando sua própria espada gigantesca, que parecia diferente entre cada um deles. Algumas eram simples massas grotescas com espinhos, outras tinham cavidades e irregularidades estranhas na lamina, e algumas delas nem lamina tinham, eram como pedaços roliços de metal com uma ponta afiada, pequenos e grossos demais para ser considerada uma lança. O Deus raposa observou cada um deles, focado nas suas coxas, nos ombros e nas expressões, as palavras do seu sensei, daquela tarde de tantos anos atrás nunca tendo saído de sua cabeça.
“Não observe as mãos Inari, não foque no tamanho dos seus adversários e nem no tamanho das suas armas, não se importe com eles. Uma espada é uma espada, sendo grande ou pequena, e o melhor jeito de desviar é sempre saindo do caminho do corte, se incline, e mesmo uma espada de três metros será inútil. Se não te acertar, mesmo uma Zanbatou de derrubar cavalos não terá diferença alguma entre uma adaga. Foque nos ombros, preste atenção nos músculos, e saiba prever os movimentos dos seus adversários”.
“Como eu faço isso?” – ele tinha perguntado, na época, sem nenhum pingo do respeito que passou a nutrir mais tarde por um dos homens que tinha lhe ensinado coisas que ele havia levado adiante para a própria vida, e prometeu um dia passa-las adiante.
“Imagine que são vetores de força – Inari riu ao lembrar que nesse momento, Naruto tivera que parar pra lhe explicar o que era um vetor – percorrendo os músculos dos seus adversários, e todas as forças do universo unidas numa reação em cadeia. O melhor entre todos os artistas marciais, seja um artista de espadas ou um artista de luta corpo-a-corpo, se concentra em entender e prever as reações causadas por essa interação de forças. Um golpe não é mais que um vetor, a gravidade o afeta, assim como o peso do espadachim e todas as leis da física. Você pode bloqueá-lo, mas isso vai causar uma reação oposta que pode te prejudicar durante uma luta. Concentre-se em prever as metas desses vetores, pra onde estão apontados, e desviar. Uma espada não pode machuca-lo, mesmo se você estiver a um milímetro da sua lamina, e mesmo os maiores e mais perigosos ninjutsus do mundo não são nada se você não for acertado por eles”.
Tinha levado muito tempo para entender aquilo, e um tempo ainda maior para por em prática. Inari não podia se considerar um mestre artista marcial, mas ele podia, ao menos, detectar boa parte desses vetores, e foi de olho nele, que ele desviou. A flecha negra imaginária passou junto com a espada, a apenas alguns centímetros do seu rosto, e ele golpeou diretamente na abertura da sua guarda, um ponto indefensável bem no meio do seu estomago, com a guarda da boken, arrancando sangue da respiração do seu inimigo.
A sua volta, mil vetores se uniam, em todas as direções, numa meticulosa e complicada dança de forças, cada qual com seu valor e sua natureza, e ele contornou todos eles, desmaiando mercenário após mercenário, até que todos estavam caídos no chão, pelo seu caminho, alguns sortudos desacordados, enquanto outros ainda estavam conscientes pra sentir toda a dor de ser acertado pela sua presa de madeira.
–Impressionante, muito impressionante... – disse o velho – Então... Você aprendeu até mesmo isso?
Inari franziu as sobrancelhas, então, pela primeira vez durante toda a luta, seus olhos mostraram incompreensão, com uma pitada de medo.
–O que... você...
A área ao redor do velho, diferente de todo o ambiente, de todas as pessoas e do mundo todo estava livre de força. Ele não conseguia ver os vetores musculares, como eles estavam completamente relaxados, não conseguia sequer ver a forma como a gravidade ou a pressão do ar agiam no corpo dele.
–Imagino que você esteja confuso... – O velho deu alguns passos a frente, e alguns vetores de força minúsculos, quase invisíveis, passaram a agir, muito difíceis de serem vistos, mas claramente estando ali – Por que não consegue ver... Não é?
–O que você fez? – ele perguntou, calmamente, não adiantaria nada se estressar num momento como aquele.
“Nunca perca a calma, Inari, um espadachim, acima de tudo, deve estar concentrado nos seus adversários, e consciente dos seus arredores”.
–A muito tempo eu encontrei um homem que me treinou nas artes da espada – disse o velho – Ele não se importou por eu ser um mercenário, e não parecia interessa-lo o fato de eu matar por dinheiro, assim como fizeram meus pais e avôs, e assim como meus filhos fazem e meus netos farão um dia. Ele apenas disse que eu era fraco, e que estaria me dando a oportunidade de ficar forte... Ele me ensinou tudo o que um espadachim deve saber. No entanto, demorou muito tempo... sim, demorou muito tempo para entender completamente e poder usufruir dos seus ensinamentos, o homem era um sábio das laminas e eu era pouco mais que um rapazote com ideias vagas na cabeça...
Inari franziu as sobrancelhas, se mantendo alerta e firme.
–Ele me ensinou como ler o mundo e um adversário, assim como seu mestre também me ensinou... Mas aparentemente, você nunca teve que enfrentar alguém que conhece essa mesma arte, nunca se deparou com alguém a um nível maior que o seu...
O velho desapareceu numa explosão de velocidade, e reapareceu as suas costas. Inari sentiu o vento lhe agitar os cabelos e pode ver milhares de flechas negras sendo agitadas a sua frente. Seguindo o movimento delas, ele se abaixou, a tempo apenas de evitar um golpe que, no mínimo, o teria deixado inconsciente. O velho havia largado o cajado de eixo retorcido aos seus pés, e de dentro do manto esfarrapado, havia tirado uma katana velha, mas aparentemente muito afiada.
–Muito bom, muito bom – Ele ergueu a espada, e Inari arregalou os olhos àquela monstruosidade – Vejo que esta impressionado com minha “Presa de gafanhoto”, ela é uma bela espada, não é?
Diferente de todas as katanas que Inari já tinha visto, aquela era uma katana fina, pequena e pontuda, a espada havia sido afiada até um ponto que desgastasse o metal, o fazendo parecer um pedaço quebradiço de lamina de barbear. Ele se perguntou que tipo de idiota faria aquilo com a própria espada, aumentando seu poder de corte em troca de quase toda a durabilidade da lamina, até se dar conta de que aquilo, nas mãos de um mestre de vetores, era provavelmente a arma de assassinato perfeita. Descartável, mas perfeita.
–Eu tenho muitas dessas, não há por que se sentir triste – O velho disse – Mesmo que ela quebre em algum momento, eu só preciso arrumar outra espada e afia-la novamente.
A falta de cuidado e respeito com sua própria lamina fez o sangue de Inari ferver, e pela primeira vez em muito tempo, ele desejou que estivesse segurando uma lamina verdadeira, em vez da boken que Naruto havia dado a ele um dia. Os olhos dele, enquanto falava de espadas... Quão diferente eram dos olhos do seu sensei?
“Naruto... por que você olha desse jeito pras espadas?” – Inari tinha perguntado, já ao fim da tarde, naquela clareira que seu mestre o levara pra treina-lo.
“Hummm? O que quer dizer?”
“Você sabe... parece que você esta apaixonado por elas”.
Naruto riu com gosto, embainhando a Sakabatou e lhe acariciando os cabelos.
“É por que espadas são importantes Inari, acho que você pode dizer que eu sou realmente apaixonado por elas, assim como um artista é pelo seu pincel, ou um escritor é pela sua pena. Ela não é apenas a minha ferramenta, ela é minha parceira, essencial e insubstituível”.
–Pra tratar uma katana dessa forma, ainda mais uma katana com um nome, com uma alma – Inari apertou mais firmemente sua presa de madeira, e sentiu ela se aquecer ao seu toque – Eu não vou perdoa-lo jamais!
Ambos os lutadores avançaram, os olhos focados um no outro, as espadas cantando umas paras as outras. No final, a melodia mais afiada seria a vencedora...
–Inari!
No final, não se tratava mais apenas de espadachins, ou mesmo de espadas, quem estava lutando eram seus ideais, suas concepções que batiam uma de frente com a outra, a mais verdadeira é que sairia vitoriosa...
–Inari! – Tsunami gritou, acenando – Você esta ouvindo?
No final...
–Inari, você esta bem?
No final..........
–Inaaaaaaaaaaaaaaaaaaariiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!
Inari bufou, jogando os ombros pra trás e ignorando os risos de Momo e Tsubaki. Ele já não estava mais vestido com um quimono e uma hakama, já não era mais um espadachim sagrado e nem estava no alto da sua juventude. Ele era apenas um garoto de bermuda e camiseta, segurando uma espada de madeira, e os ensinamentos do seu sensei, numa clareira na floresta, tinham acontecido a pouco mais de um mês, e não longe através dos seus anos.
–O que você quer mãe? – ele gritou de volta, meio rabugento – Eu estou brincando!
–Ara... Não seja grosso comigo, eu só estava preocupada – ela gritou de volta, enfiando a cabeça pela janela – Eu estou indo a cidade fazer as compras, quer vir comigo?
–Não!
–Quer alguma coisa?
–MÃE!
Tsunami riu com gosto, crianças eram tão divertidas.
–Tudo bem, tudo bem – ela gritou de volta, dessa vez só pra constrange-lo – Eu não mais te incomodar mais enquanto esta com seus amiguinhos, Inari-chan!
–MÃE!!!
–Ah sim, você quer que eu traga docinhos de novo?
Tsubaki e Momo riram um pro outro, enquanto Inari caiu de joelhos na grama e afundou a cabeça no chão, se alguém olhasse bem veria uma nuvem de tempestade pairando acima da cabeça dele.
–Então, Inari-chan... – Momo brincou, pulando pra frente – Você não quer seus docinhos?
–Orusai!
–Você devia ter mais respeito com sua Haha-ue, Inari – Tsubaki disse, corando levemente abaixo dos seus cabelos azuis – Ela é muito boazinha e muito bonita...
–Ahhh... – Momo olhou bem pra ele, e então começou a correr em círculos cantando – Tsubaki ama a Tsunami-san! Tsubaki ama a Tsubaki-san! Tsuba...
–Orusai!
–Mas Tsubaki, você mesmo concordou que ela é uma coroa bonitona, e até seus nomes são parecidos, será que você quer ser o papai adotivo do Inari?
–Você não devia estar amordaçada, cercada por bandidos?
Ela apenas mostrou a língua, enquanto Tsubaki montou a sua melhor expressão de seriedade calculista e voltou a empunhar um galho como se fosse “Presa de gafanhoto” – a espada maligna que eles tinham inventado na semana passada.
–Você é muito fraco, Inari-kun... Você é fraco por que lhe falta a experiência e... Inari?
Inari tinha caído na grama, deitado e com o braço a frente dos olhos, parecendo completamente indiferente a brincadeira. Momo se aproximou devagarzinho, se ajoelhando do lado dele.
–Você esta bravo por que eu estava provocando o Tsubaki com sua Haha-ue, Inari-kun? – ela perguntou sensível – Gomen...
–Ahh... Não, não é isso Momo-chan – Inari sorriu largamente, pra mostrar que não estava magoado, e sentiu Tsubaki se deitar logo ao seu lado, olhando as nuvens preguiçosas no céu – É que... eu estava me lembrando o que o sensei tinha dito.
–Você quer dizer... Naruto-sama? – Tsubaki virou a cabeça – Ele te treinou mesmo, não era uma brincadeira?
–Bem... Ele me treinou mesmo, mas foi apenas por um dia, e eu não prestei atenção em muitas coisas que ele disse... Mas foi realmente útil, quando eu derrotei aqueles dois samurais que tentaram sequestrar minha mãe! – Ele não pode evitar pular animado, se sentando e olhando pros amigos – Ele prometeu depois que me ensinaria muitas coisas mais, e que um dia eu poderia ficar tão forte quanto ele!
–Então... ele vai voltar pra cá?
Na verdade, Inari não sabia, mas mesmo assim ele alargou o sorriso o máximo que pode.
–Sim!
–Incrível... – Momo disse, com os olhos brilhando e um rubor se espalhando pelo seu rosto – Você se lembra dele, Tsubaki-kun? Ele era tão bonito!
Os dois garotos se entreolharam e rolaram os olhos.
–Como seria se ele voltasse? A vila com certeza iria fazer uma festa, ou algo assim... Já ouvi alguns adultos dizerem que vão construir uma estátua dele e de Kiba-sama ao lado da ponte.
–Verdade?
–Eu não sei... mas pelo que eles fizeram por nós – Tsubaki se deitou novamente, com um sorriso no rosto – Lembra quando seu avô achou a pilha de diamantes que ele deixou na sua sala? Ele quase enfartou...
–Não eram diamantes, eram safiras – Inari disse com um tom de quem conhece muitas coisas – E ele ainda deixou uma porção de pergaminhos diferentes, com ouro e um monte de papéis que eu não sei o que eram...
–Sim, e fui eu que mostrei como fazia pra abri-los!
Inari bufou, inconformado que ele ainda não conseguia aquilo, era tão legal!
–Ne... Inari-kun? – Momo voltou a conversa, com um brilho nos olhos que os dois reconheceram imediatamente.
–O que você quer?
–Se Naruto-sama voltar... Será que você pode pedir pra ele me levar junto também?
–Hein?
–Você não é jovem demais pra ele, Momo-chan?
A garota corou, brincando com os cabelos agora limpos e bem cortados.
–Não foi isso que eu quis dizer... Eu quero que ele me leve como aprendiz também.
–Pra que você quer isso?
–Pra... Pra...
Na verdade ela queria impressiona-lo, casar com ele e viver feliz pra sempre, mas nunca que Momo diria isso pra um menino bobo, eles nunca entenderiam!
–Eu quero proteger as minhas pessoas preciosas! – ela disse, num surto de inspiração – Se for com ele, eu posso ser forte o suficiente pra isso né?
–Humm... Não sei, você nunca vai ficar tão forte quanto eu – Inari se gabou, pegando a sua boken e a brandindo como se fosse uma prova indiscutível do que ele estava dizendo – Ainda mais se continuar sendo uma menina boba e chorona que nem você é agora!
Tsubaki até tentou conter a situação, mas no final, Momo tinha saído correndo aos prantos e Inari estava massageando seu novo galo na cabeça.
–Essas garotas parecem ficar mais violentas a cada dia que passa...
–Ne, Inari-kun?
–O que Tsubaki? – ele se deitou de volta na grama, mal humorado. Por que ela tinha batido nele? Ele só tinha dito a verdade mesmo – Você quer ir com ele também, quando ele vier?
–Bem...
–Não da, espadachins só podem ter um aprendiz – ele disse, forçando pro rosto seu melhor sorriso arrogante – Então ele vai ter que escolher o mais forte, e... Tsubaki?
O garoto de cabelos azuis agora olhava tristemente seus próprios pés.
–Ei, eu estava só brincando – Inari tentou se desculpar, meio desesperado que tivesse realmente magoado seu melhor amigo – Tsu...
–Você acha que eu sou louco?
–Hein?
–Você acha que eu sou louco?
Inari coçou a cabeça, gemendo levemente quando suas unhas rasparam no galo dolorido, o que diabos aquele cara estava dizendo?
–Eu não... Por que eu acharia?
–Meu pai... ele diz que eu sou louco.
–Seu pai é um bêbado inútil bom pra nada – Inari disse, mal humorado – Que moral ele tem pra dizer que você é louco?
–Bem... É que eu vejo coisas, as vezes... como a vez que vi o Kaen...
–Ah, sim – Inari pulou de pé, caindo sentado imediatamente depois a frente de Tsubaki – Eu queria te perguntar isso há algum tempo, mas sempre acabo esquecendo, o que é essa coisa de Kaen no Rei que você disse? Eu achei demais, e pensei que era algo pra brincadeira, mas você parecia mesmo sério... Você até gritou isso na hora de nomear a ponte.
–Bem, eu... Eu não sei – ele se afastou levemente, envergonhado – Eu vi...
–O que?
Tsubaki não gostava de contar esse tipo de coisa pras pessoas, durante a nomeação na ponte ele tinha agido por impulso, e quando contara pro seu pai tinha levado outra surra – mais uma, pra sua coleção – Mas a expressão completamente curiosa de Inari acabou o convencendo.
–Quando Tazuna-san ia nomear a ponte, eu estava encima de um telhado... e teve um momento que Naruto-sama olhou diretamente pra mim, e... eu vi...
–O que?
–Bem... eu vi ele, mais velho, apesar de usar roupas parecidas, ele tinha um haori branco, e isso estava escrito nas costas, “Kaen no rei”, em kanjis negros elegantes...
–Você sabe ler kanjis?
–Não... mas na hora eu simplesmente soube o que queria dizer, entende?
Francamente, Inari não entendia, mas assentiu pro amigo continuar.
–E... Bem, ele tinha quatro pessoas atrás dele – Tsubaki continuou, sem precisar forçar a memória pra se lembrar de algo que, ele sabia, ficaria pra sempre gravado no seu cérebro – um era um homem de cabelos negros e olhos vermelhos, a outra era uma mulher de roupas vermelhas com o rosto escondido, e os outros dois usavam mantos... mas todos tinham... animais com eles...
–Animais?
–Sim... Naruto tinha um leão com armadura, a mulher de vermelho tinha um... gato gigante e o homem vermelho tinha algo como um gato também, segurando um sino... um bastão com um sino...
Agora Inari franziu a sobrancelha, tentando imaginar as cenas. Um leão com armadura... Ok, era até razoável, um gato gigante também, mas um gato... segurando um sino? Ele tratou de não mostrar no rosto a incompreensão, com medo que fosse tomada por incredulidade.
–E o que esses caras tinham a ver com Naruto? – Inari perguntou – Eles estavam tentando mata-lo?
–Não, estavam com ele... Eles eram chamados de os “Quatro guarda costas do Kaen”... Havia também uma mulher muito bonita, de cabelos negros e olhos vermelhos, que se chamava Lilith... Ela olhou pra mim...
–Olhou?
–Sim... Ela me disse algo, eu não sei o que era – Tsubaki disse, se recostando pra trás – Foi numa outra língua, ou algo assim, e então eu acabei gritando aquela bobagem e todo mundo riu de mim.
–Vai ver você esta vendo o futuro!
–O futuro? – Tsubaki riu, até notara expressão séria do amigo – Você não esta brincando?
–Não caralho! Pensa só, você viu o sensei mais velho, deve ser no futuro, né?
–É... – Tsubaki concordou – Quem sabe...
Um silêncio tenso se espalhou entre os dois, no quintal gramado, até que Inari ficou de pé num pulo.
–Você pode ser um mestre em vetores, velho – O Deus raposa disse, segurando firmemente sua boken rente ao chão – Mas eu tenho algo que você nunca vai ter...
Tsubaki sorriu, se jogando de pé com seu graveto logo depois.
–Ah é... e o que é?
–Um parceiro! – ele gritou, e juntos, Inari e presa de madeira atacaram, cada qual com seu sorriso.
......
O primeiro a se recuperar completamente da história foi Yagura, e também foi o primeiro a se expressar, enquanto Anko chorava inconsolável num canto por não ter roubado o primeiro beijo do seu namorado, e Yugao mal conseguia segurar a vontade de correr até a cidade Imperial do fogo, até aquela tal de Lafiel, e perguntar quais eram as intenções dela com seu irmãozinho bonitinho. Haku apenas sorriu de canto, afagando distraidamente os pelos dos lobos, que a muito tinham caído no sono. Seja qual for a essência que Chihiro usava, devia ser fatal contra mulheres... Ou isso ou elas realmente gostavam de garotinhos bonitos que pareciam meninas – ele pensou, sem se dar conta que a carapuça servia, e muito bem, nele mesmo.
–Isso é... inacreditável – O antigo Mizukage disse – Como você ficou tão forte tão cedo, Naruto?
–Eu treino muito – ele disse com um sorriso – Até cair no chão.
–É, mas... esse nível de habilidade...
–Incrível né? – Anko disse, caindo sentada no colo dele e o abraçando – Meu namorado é tão incrível!
–Anko... você vai desmaia-lo desse jeito.
–Orusai ne, Yugao, você só esta com inveja.
–Você que esta brava por não ter tido o primeiro beijo do Naruto!
–Você também!
–É VERDADE! – Yugao gritou, imediatamente caindo em lágrimas e depressão, sem notar a imensa gota na cabeça de todos os que não estavam desacordados.
–Bem... isso não importa – Anko saltou do colo do garoto, com os braços abertos como que se equilibrando, até abrir um sorriso muito largo – Vocês vão ficar aqui né, Mei-chan?
Ela e Yagura assentiram.
–Se formos fazer essa aliança, tem muitas coisas que precisamos discutir, por hora, Yagura vai ser meu guarda-costas.
–Entendo... deve ser muito chato...
–Você não faz ideia – ela riu, apesar do seu rosto tremer muito levemente.
–Então... O que vocês vão fazer?
Kurenai apenas se levantou, pegando Kiba no ombro e Hinata meio ajeitada no colo.
–Eu vou levar esses dois pra casa, não se preocupem – ela se abaixou levemente pra Akamaru pular encima do estomago de Hinata, se esparramando ali e caindo no sono – Hanna-chan?
–Vou levar esses caras pro distrito Inuzuka – ela acariciou o pescoço que Tsokoka, que acabara de acordar – Se o Naru não se importar, eu quero fazer uns exames em todos.
–Claro – O ruivo concordar com um sorriso, se ajoelhando pra dar um abraço na loba adulta, que pareceu realmente muito tímida com mais uma demonstração gratuita de afeto, ou pelo menos tão tímido quanto um lobo pode parecer. Os filhos estavam acordando, se lambendo e até lambendo uns aos outros, e tentaram pular pra alcançar a manga do quimono de Naruto, que riu enquanto os afagava – Eu vou vê-los depois, embora ache mais seguro eles ficarem com você, se for possível... No meu apartamento... bem...
–Eu sei – Hanna deu um meio sorriso azedo, não tinha como dizer o que aconteceria com eles, ainda mais os filhotes, se ficarem lá – Bem, eu já vou indo.
Ela se despediu de todos com um beijo, até mesmo em Yagura, que ruborizou o máximo que podia, e saiu com Kurenai, pegando Kiba nos seus braços e jogando conversa fora. Sem os cachorros e lobos, o lugar ficou bem mais silencioso, com um kage adormecido, quase afogado no próprio sangue. Shino se despediu e saiu logo depois, e Yugao acabou ficando, dizendo que mesmo naquela situação, um kage, ainda mais um inconsciente, precisaria de um guarda-costas... pura formalidade, no final das contas. Já houve, historicamente falando, tentativas de assassinato durante encontros diplomáticos entre vilas diferentes, mas Mei... Depois de tudo, não era exatamente alguém perigosa, exceto se ela tentasse matar o velhote por excesso de perda de sangue, nesse caso era só se inclinar pra frente algumas vezes, mostrar um pouco de pele, essas coisas...
“Pervertidos ficam tão frágeis durante a velhice” – ela riu consigo mesma, tentando acordar o Hokage enquanto Naruto e Anko saíam, um ao lado do outro, dando-se as mãos em algum momento do longo corredor.
–Ne... Naru?
–Hai?
–Você... bem...
–Humm?
–Você gostaria de ir num encontro comigo? – ela perguntou tão desajeitada que era até bonitinho – Quer dizer... foi só uma ideia boba, tudo bem se você não quiser, e...
–É uma ótima ideia Anko – Naruto abriu um largo sorriso, muito mais feral e malicioso no seu focinho que ninguém podia ver – Mas eu nunca fui num encontro antes... O que eu devo fazer?
–Você tem que... – ela curiosamente não soube o que dizer, até notar que nunca tinha estado num encontro também – Sei lá... levar alguém pra jantar?
–Então vamos esperar até de noite?
–Não! Eu quero um encontro agora!
–Então... pode ser um almoço?
–Eu não sei... não esta bem nas regras, mas eu acho que tudo bem – ela abriu um sorriso convencido – Eu vou te deixar fazer o almoço pra mim.
–Anko... se isso for um encontro, nós já tivemos vários.
–Disse, alguma coisa querido?
–Não... nada...
–Eu pensei que não.
Ela tomou o braço dele no seu e pulou por sobre um telhado, quase o arrastando junto com ela.
...
O rumor que Naruto tinha voltado, vivo, de qualquer que fosse a loucura que ele estava fazendo já tinha percorrido toda a vila até a tarde, quando o sol estava alto no céu e os falcões mensageiros grasniam em suas gaiolas. Foi mais ou menos nesse horário que alcançou Kakashi, que aquele ponto, já tinha contado até números que ele nem sabia que existiam pra não perder a paciência com os pivetes que mandaram que ele treinasse.
–Como assim aquele idiooota – Sakura carregou a sílaba com gosto, quase como se ofender Naruto a excitasse sexualmente – voltou? Eu pensei que ele tinha morrido em algum lugar por ser tão estúpido, como se fosse dar certo o que ele esta tentando fazer, me impressionar por tentar ser tão legal quanto Sasuke-kun...
Rim piscou confusa ao discurso acalorado que ela estava dando a garota dos Yamanaka, e quando se voltou pro namorado, atrás de uma resposta, ele apenas deu de ombros, o único olho a mostra passando todo o tédio que ele estava sentindo.
–Eu sabia que eles não se entendiam muito bem – ela disse, brincando com os dedos da sua mão, enlaçada a sua em seu estômago – Mas isso é ridículo, qual o problema desses dois afinal?
–Aparentemente – Kakashi mudou levemente de posição, pra não perturbar Rim que descansava no seu colo – Sasuke esta com inveja ou raiva, ou os dois, de Naruto em algum nível por tê-los mandado de volta pra casa, e Sakura... bem...
–Ela o defende em qualquer situação, não é? – A garota riu – é meio parecido comigo quando tinha a idade dela...
–É... – Kakashi concordou com um dar de ombros, apesar de encontrar milhares de diferenças entre os dois casos, e agradecer aos céus por todas elas – Tomara que ela cresça logo, você também era bem irritante quando éramos crianças...
A expressão da medi-nin travou em um sorriso que, normalmente seria agradável, mas daquele jeito estava assustador. Kakashi só notou o que tinha dito após alguns momentos, e engoliu em seco, sentindo um arrepio lhe varrer a coluna e procurando desesperadamente por algo com o que se explicar.
–Eu... quero dizer – ele recuou como podia da kunoiche assustadora, mas não deu pra ir muito longe já que ela estava no seu colo, o aperto carinhoso na sua mão se tornando forte quase ao ponto de quebrar seus dedos – Você não era irritante mesmo, é que...
–Kakashi-kun...- ela disse, a voz ameaçadora e pegajosa de tão doce – Você me achava irritante mesmo... me achava um estorvo que queria manter longe de você, e depois de se cansar disso acabou aceitando namorar comigo? Foi por isso... você se cansou de correr e se rendeu, e agora espera ansiosamente o dia em que eu vou morrer numa missão pra poder correr pros braços da sua amante secreta num país distante, uma moça linda que esta disposta a servir a todas as suas fantasias depravadas, é isso?
Kakashi já tinha começado a suar frio antes mesmo de Rim começar com o discurso hipotético mais ridículo que ele já tinha visto na vida, se não fosse assustador, seria engraçado.
–E então o pai dela que te odeia por ser um pervertido e um shinobi vai contratar ladrões pra te matar, e essa garota vai pular na frente de uma flecha por você, e sem ter como salvá-la você vai ver o amor da sua vida morrendo nos seus braços, e vai amaldiçoar o meu nome por ter te segurado por tanto tempo, tempo que você podia ter vivido em felicidade com ela, não é? Não é? Não é...?
Ignorando a expressão estranha de Tenzou, que fumava um cigarro num galho longe deles, Kakashi decidiu ignorar os gennins, a namorada e o melhor amigo e fazer a coisa mais sadia que ele conseguiu pensar no momento. Sair correndo pra longe, gritando feito uma garotinha.
Rim o observou fugindo por alguns segundos, se perguntando se devia ir atrás dele e atormenta-lo mais um pouco... Não, já era o suficiente. Desmanchando a expressão maníaca do rosto ela pulou para o galho de Tenzou e pegou um cigarro do maço que ele estendia.
–Você não se cansa de brincar com ele, Nee-san?
Ela deu um trago e pareceu pensar no assunto.
–Não.
–Calma Sakura – Ino tentou apaziguar a melhor amiga, ou a antiga melhor amiga e atual rival, ou a antiga rival e ainda mais antiga melhor amiga, já que ela tinha desistido de Sasuke a algum tempo já – Por que esta tão irritada? Eu só disse que o Naruto voltou.
–Tsc, aquele idiota vive fazendo besteira – Sakura passou os cabelos pra trás da orelha – Você o viu, é isso?
–Na verdade não, eu só ouvi alguns clientes comentando isso, e achei que deveria vir te contar – ela abriu um sorriso ansioso, esperando, ao menos, uma reação normal da garota.
Não aconteceu.
–Por que?
–Ué... vocês não são companheiros de equipe? – ela arqueou as sobrancelhas – Não são amigos?
–Tsc, como se fosse... – Sakura cruzou os braços, irritada, mas acabou voltando o olhar pra loira – O que eles disseram, afinal?
–Bem... eles estavam brigando – Ino alargou o sorriso, feliz que enfim havia chegado no objetivo final da coisa toda, fofocar – Um deles parecia bem contente que Naruto tinha voltado, já o outro homem parecia irritado por alguma razão, eu não ouvi muito, mas eles disseram que Naruto participou da guerra!
–Hein?
–Sabe... na vila da Névoa – Sakura assentiu hesitante – Eles estavam tendo uma guerra há vários meses, eu não sei por que já que as informações são classificadas, mas parece que Naruto se juntou ao lado rebelde e os ajudou a ganhar.
–Ino – Sakura riu com gosto – Pare de ser boba, você acredita em qualquer coisa, como aquele idiota poderia fazer algo assim? Ele foi o pior de toda a classe, mesmo Hinata poderia ganhar dele, contra alguém como eu ele não teria a mínima chance, e eu nem ouso compara-lo a Sasuke-kun...
–Eu sei que Sasuke é forte – Ino revirou os olhos – Mas eles disseram que Naruto lutou contra um nukennin e venceu, um dos espadachins da névoa...
Rim cutucou o irmão mais novo com o cotovelo, e com um sorriso, apontou pras garotas. Disfarçadamente, os dois passaram a ouvir a conversa delas.
–...E então, ele convenceu Kurenai-sensei, e uma tokubetsu-jounnin da vila a acompanha-los e esse nukennin até a Névoa, onde ele ofereceu seus serviços para a líder rebelde, e lutou com eles durante um mês, até algum espadachim super forte conseguir derrotar o Mizukage atual... Eu ouvi também que eles eram apaixonados, e os dois se beijaram depois que a guerra acabou e ficaram juntos!
Sakura revirou os olhos enquanto Ino praticamente quicava de empolgação no lugar, com coraçõezinhos fumegantes nos olhos e um sorriso bobo no rosto.
–Deve ter sido a coisa mais linda... Imagina só! Eles devem ter todo um passado juntos, e cada um lutou em um lado diferente por sua honra – Ino abraçou a si mesma, se remexendo no lugar – Mas no final o amor dos dois foi mais forte e eles se encontraram no fim da batalha e compartilharam um beijo de língua de amor absoluto...
–Essa é uma história muito boa, mas... –Sakura apontou um dedo entre as sobrancelhas da loirinha ainda presa em delírios yaoi – Convenhamos, qual a chance disso tudo ter acontecido?
–Eu sei que é estranho – Ino se defendeu – Por isso eu vim te contar a história, eu queria saber quais as chances de Naruto ter feito isso mesmo... já que você é companheira de esquadrão dele deve conhecê-lo bem né?
–Sim, sim, só tem duas coisas que eu sei sobre aquele ruivo imbecil, uma – Sakura levantou um dedo – Ele é um dead-last bom pra nada que nem devia ser um ninja, e dois – ela levantou o outro – Não importa o que ele faça, eu nunca vou sair num encontro com ele.
–Ele pediu pra você sair num encontro com você?
–Claro!
–Na verdade ele não pediu – Sasuke disse, se aproximando, e notando quase com um sorriso, ele ainda era vingador demais pra sorrir, que Ino não pulou encima dele – Acho que a única vez que vocês se falaram diretamente foi quando ele fez aqueles bentos no campo de treinamento.
Sakura corou, mas rapidamente se apressou a concordar com sua eterna paixão, pra ele não ficar zangado com ela.
–É verdade! – Ino franziu a testa e a rosada se apressou a continuar – Quer dizer... Eu sei que ele tem uma queda por mim, ele sempre fica me olhando as vezes... Mas não importa o que ele faça, eu nunca vou sair com ele... Isso é, por que... minha única paixão é...
Ela se virou pra olhar pra Sasuke, e quase caiu de testa no chão ao notar que não havia sinal dele. Ino tentou o máximo pra esconder a risada, mas não foi possível, e logo as duas estavam discutindo, enchendo o campo de treinamento com ofensas esgoeladas.
–Eu vou sair daqui... – Tenzou deu um último trago e apagou o resto do cigarro no tronco onde estava sentado – Isso deve ser contagioso.
Rim concordou com um dar de ombros, se perguntando o que na terra faria aquela garota estúpida acreditar ser mais forte que qualquer estudante meia-boca da academia, ainda mais alguém como Naruto.
“Deve ser a tinta pra cabelo – ela pensou consigo mesma – Esta envenenando o cérebro dela”.
...
Sarutobi resmungou em seu sono, enquanto sentia algo lhe cutucar repetidamente a cabeça careca. Ele riu consigo mesmo, se vendo em volta de nuvens coloridas, onde mulheres de biquíni tomavam banho de sol, havia tantas mulheres quentes lá que ele não conseguia olhar para um só lugar. Algumas lhe chamaram a atenção por ser de sua própria vila.
“Hokage-sama... – uma Kurenai apenas de fio dental, escondendo o topless com os braços disse, lhe estendendo uma garrafa de óleo – O senhor pode passar óleo no meu corpo todo com suas mãos velhas e enrugadas?”
“Não... O Hokage-sama vai passar em mim primeiro, não é? – uma Yugao completamente nua pulou nas suas costas, falando ao pé do seu ouvido – Não é mesmo... Ho-Ka-Ge-Sa-Ma?
Ele riu ainda mais, ignorando os puxões chatos na sua barba, devia ser algum mosquitinho a toa.
“Hokage-sama... – disse uma Mei imaginária, vestindo um quimono completo, que ela começou a descer, lentamente, deixando os ombros e o decote de fora – Pra firmarmos o nosso acordo, por que nós... não vamos pra um lugar mais discreto... eu sei que o senhor quer...”
“Hokage-sama...”
“Hokage-sama...”
“Hokage-sama!”
“Onegai... Hokage-sama...”.
Sarutobi praticamente convulsionou em seu sonho, explodindo sangue do nariz em rajadas curtas sincronizadas enquanto Kurenai, Anko, Hanna, Yugao, Mikoto e Kushina se apertavam contra ele, mostrando mais pele do que ele tinha visto em anos com sua esposa. Por fim ele acordou, com um puxão violento nos cabelos e se jogou pra cima de sua cadeira, fazendo a primeira coisa que lhe passou pela cabeça.
Ele levantou as mãos, e agarrou. E sentiu... macios... dois montes macios de carne, que praticamente se moldaram ao seu aperto firme. Ele não abriu os olhos, querendo fazer aquela fantasia durar o máximo possível. Em vez disso ele os apertou de novo, o rosto todo corado em êxtase enquanto brincava com peitões imaginários, já sentindo que eles desapareceriam em breve.
A sensação de nuvens desapareceu. As mulheres desapareceram e aquele frio reconhecimento da realidade lhe veio novamente... Ele estava acordado? Não... os peitões ainda estavam ali... por que ele não conferia?
Mais um apertão... Sim, definitivamente, macios e aconchegantes... aquilo era bom, ele ia conferir de novo... Sim, certamente, aquilo era bem real... Mas... – outro apertão – Se ele estava consciente, ou seja, não estava sonhando – mais um aperto – então... aquilo era inexplicável, não era?
Ele resolveu dar mais um apertão, e então, abriu os olhos.
A cena diante dele foi tão incompreensível que ele acabou apertando novamente, e mais uma vez só pra ter certeza. Ele estava... de pé, no seu escritório, com Yugao em um silêncio tenso ao seu lado, enquanto Yagura e Haku, por algum motivo, batiam a cabeça de forma sincronizada na parede, e Mei olhava fixamente pra ele, a expressão completamente vazia enquanto ele apertava seus peitos uma e outra vez.
Pressentindo a morte, ele os apertou mais uma vez.
–Já não esta na hora de você cair na realidade... Hokage-sama? – ela lhe disse, com um tom completamente neutro.
Apertão...
“Oh Deus... por quê?!” – ele teria levantado as mãos aos céus, mas elas pareciam grudadas nos peitões da Mizukage.
Yugao foi a primeira a ter uma reação, e não foi o tipo saudável de reação – não pra ele.
-Hokage no... – ela torceu o punho – BAKAAAAAAAA!
O soco o mandou de queixo para o chão, e outros vieram logo em seguida, praticamente afundando sua cara no concreto maciço, enquanto Mei arrumava o vestido levemente desorganizado e se sentava, limpando a garganta e ainda mantendo a expressão neutra. Ela teria provavelmente ficado com raiva em qualquer outra situação, mas aquela era uma tentativa de aliança entre duas vilas, e espancar o líder dela não parecia uma boa forma de começar.
Se bem que ela também estava com pena do velhinho... que mal teria deixa-lo brincar um pouco com seus peitos, não é?!
Levou cinco minutos pra fúria de Yugao baixar, e no final, ela ficou arfando, exausta ao lado direito do Hokage, olhando de um lado a outro enquanto puxava o ar em golfadas longas, parecendo bastante cansada. Sarutobi estava quase caindo pro andar de baixo, que estava em euforia procurando invasores nas barreiras.
-Bem... – ele se levantou alguns minutos depois, por algum motivo insondável, completamente incólume apesar do seu rosto ter atravessado um andar a base de pancadas. Mei concluiu que era pelo menos motivo que cuecas eram indestrutíveis em batalhas e shinobis tinham penteados tão estranhos e, aparentemente, inconscientes da gravidade – Isso foi violento, Yugao...
-O senhor mereceu...
-Certo... – ele se virou pra Mei, com um rubor abaixo dos olhos – Primeiramente, deixe-me dar as boas vindas a nossa vila, Mizukage-dono, eu estou certo que a senhora não ficou ferida com a guerra, não?
-Obrigada, Hokage-dono, a recepção, pelo menos em parte, foi bastante agradável, é muito bom conhecer o lugar onde meu general nasceu...
-Entendo, é claro, será que a senhora aceita um chá, ou... – ele parou no meio do discurso – Espere, general?
-Sim, de fato, Naruto não lutou apenas na linha de frente, ele ajudou de forma vital com os preparativos que levaram ao fim da guerra civil na Névoa, sem a sua intervenção, eu posso garantir, que teríamos mais meses, senão anos, de guerra pela frente, e as baixas seriam infinitamente maiores. Suas ações não são menores que as de um general, um talentoso e muito experiente, por sinal...
-Ahh, bem – Sarutobi coçou a garganta, desconfortável com o rumo da conversa – Eu fico feliz em saber, mas gostaria de ressaltar que...
-Não se preocupe, Hokage-dono, eu entendo a importância de Naruto para a vila e o senhor, e mesmo que possa garantir que a Névoa toda o receberia de braços abertos – ela deixou a ameaçava velada parar no ar por um segundo – Não gostaria de separa-lo dos seus amigos, não tenho nenhuma intenção de trazê-lo a força para a minha vila.
Sarutobi suspirou. “As portas da névoa estão abertas, e eu não vou trazê-lo a força, mas se ele quiser vir... vamos lutar por ele”. Ele odiava política.
Sua resposta muito bem bolada, no entanto, não teve chances no jogo, como Nyoko, sua nova secretária entrou sem bater. Ela também estava no sonho das nuvens e meninas de biquíni.
-Hokage-sama, Mizukage-sama, Minna-san – ela disse, com um sorriso agradável no rosto, não parecendo nem um pouco intimidada por tantos ninjas de rank tão alto no mesmo lugar – Eu queria avisar ao senhor que Danzou reuniu o conselho há alguns minutos, e estão no meio de uma reunião agora.
-O que?! Por que eu não fui avisado?
-Eles não mandaram chama-lo senhor, na verdade, me disseram pra não chama-lo – Nyoko abriu um sorriso cheio de presas, aumentando ainda mais as suspeitas do Hokage que aquela garota deveria ter parentes Inuzuka – Mas é claro que eu vim chamar o senhor vovô, vá lá e dê-lhes o inferno por mim! Jaa...
E ela saiu, sem nem mesmo esperar resposta, assobiando, ainda por cima. Mei riu baixinho.
-O senhor tem subordinados muito interessantes, Hokage-dono.
-Não os encoraje, por favor – o velho brincou por um segundo, antes de ficar repentinamente sério – Será que você se importa de me acompanhar pra essa reunião? Eu tenho uma suspeita desagradável de que se trata do Naruto... e Danzou não tem seus melhores interesses no coração.
-É claro, vamos todos.
Sala do conselho:
Danzou estava no meio de um acalorado discurso planejado as pressas, pra todos os chefes de clãs e chefes das principais famílias civis na vila, sobre um Uzumaki Naruto e sua infinita petulância e incapacidade para cumprir ordens, quando as portas foram abertas, e três dos monstros daquele mundo entraram, enfileirados, seguidos por outros monstros relativamente menores e menos conhecidos.
Sarutobi Hiruzen, o Deus dos shinobi, se sentou a cabeceira da mesa, enquanto seus dois assessores imediatamente se levantaram, cedendo lugar para Mizukage e seu guarda costas, ambos rostos muito conhecidos por todo o continente. Aka no Maou e Umi no Yagura, os dois monstros mais temidos da névoa, cada um deles poderia fazer mesmo Hoshigake Kisame, o bijuu sem cauda, parecer menor que um peixinho de aquário.
-Desculpem a interrupção – O Sandaime continuou, a voz tão carregada de sarcasmo que muitos presentes abaixaram a cabeça – Mas eu tive a impressão que devia ser informado sobre as próprias reuniões dos membros do meu conselho... Talvez estivesse errado?
-Sarutobi, nós – Danzou começou, só pra gelar até os ossos quando Hiruzen se levantou, pegando sua própria cadeira e atirando na parede, a reduzindo a farpas. O conselho inteiro praticamente gelou em seus lugares, os civis, corajosos pelas palavras de Danzou a um minuto atrás, praticamente seguravam seus rabos na mãos.
-CALA A BOCA! – ele gritou, e ninguém ousou mesmo respirar direito – Eu estou exausto da sua insubordinação Danzou, esse é o meu conselho, e eu sou o Hokage, ou preciso lembrar a vocês que essa vila não é uma democracia, mas uma DITADURA MILITAR, da qual EU sou o DITADOR?
Ninguém ousou responder,e Mei sentiu ate mesmo um comichão na calcinha, em pensar que aquele velho, repentinamente alto e monstruosamente poderoso, era o lendário Deus dos Shinobi. Ter os peitos apertados por ele, de repente, não pareceu tão mal.
-Agora, prestem atenção, todos vocês – ele disse, apesar de focar unicamente em Danzou – Eu não vou aceitar mais a petulância de qualquer um de vocês, que aparentemente se acham acima das leis que os meus antecessores criaram. Minha palavra nessa vila é lei, e qualquer desobediência vai ser tomada como uma traição, a partir desse momento... Agora, meus amigos... – ele montou uma expressão gentil, a voz baixando durante o discurso até não ser mais alto que um sussurro, completamente audível no interior do quarto – Do que estamos falando?
Verdade seja dita, ele queria fazer aquilo a um bom tempo, um tempo realmente enorme mesmo, e toda a desobediência, insubordinação e mal criação daquelas crianças já estavam começando a incomoda-lo, em especial, seu antigo amigo. Ele tinha sido calmo demais, compreensivo demais, e tinha cometido erros demais com eles, agora era hora de corrigir isso. Acima de tudo, ele pensou, durante um momento, ele tinha que agradecer a Mei depois, se ela não estivesse aqui, e ele não quisesse impressiona-la, a coisa teria tomado um outro rumo...
-Estamos discutindo sobre a insubordinação e traição de Uzumaki Naruto – Danzou disse, levemente abalado, mas tentando manter a voz o mais firme e fria possível. Verdade seja dita, mesmo depois de todos aqueles anos, mesmo depois de implantar sharingans por todo o braço e mesmo com todas as vantagens que ele tinha, ele não achava que podia derrotar Sarutobi. O homem sempre esteve fora do seu alcance, milhas e milhas a frente dele, não importa o quanto ele corresse pra alcança-lo – Sua participação durante a guerra civil, em um país inimigo ao nosso...
Mei, no seu lugar, apenas limpou a garganta, as a sua posição trouxe a um simples gesto todo o peso de uma sentença de morte.
-...A um país, até então nosso inimigo, foi claramente uma...
-Foi claramente uma ação completamente legal, autorizada e apoiada por mim, Danzou – o velho meteu a mão dentro das vestes, percorrendo uma longa lista de selos, e encontrando um em especial, antes de tirar o documento consigo. Era engraçado pensar que os civis ficavam matutando de onde ele tirava aquelas coisas – Leia...
A contra gosto, Danzou leu todo o documento, frente e verso, para todo o conselho. Nele alegava, com toda a veracidade possível, que os gestos de Naruto eram completamente dentro da vontade de seu Kage. Naquela situação, nada mais importava.
-Então... tendo resolvido isso...
-Espere – Danzou sentiu um arrepio na espinha quando os olhos de Sarutobi encontraram os seus, gelados feito uma nevasca – Hokage-sama... Esse documento é posterior a saída de Naruto da vila.
-Sim... e?
-Ora, claramente é...
-Falso? – ele levantou uma sobrancelha, rindo levemente – Eu o fiz Danzou, é obviamente legal, ou você acha que um simples henge pode enganar uma sala toda repleta dos mais importantes shinobis do nosso e de outro país?
-E-Eu...
-Aqui, pra assegurar os ânimos – O Hokage fez dois selos simples e bateu a mão na mesa, invocando sem qualquer dificuldade o líder dos macacos, Enma, que apenas cruzou os braços, e ficou a espera de qualquer comando, também focando Danzou com olhos afiados. Vários ninjas se surpreenderam que o Hokage pudesse invocar um chefe de contrato com tanta facilidade, e Danzou mordeu o lábio, sabendo o que uma impressão como aquela significava, naquele momento – Satisfeitos agora? O documento é legal, e mesmo que redatado tardiamente, comprova que Naruto agia completamente dentro das minhas ordens, em uma missão rank S secreta que foi, devo dizer, completa com sucesso mais que satisfatório.
-E-Entendo... No entanto, Hokage-sama, enviar um gennin para... – Danzou começou, tentando desmerecer a lógica do Hokage pelo baixo rank do ninja encaminhado pra tal missão, ele foi interrompido, no entanto, quando a Mizukage se levantou.
-Posso ter a palavra, Hokage-sama?
-Que Insolência, falando frente a...
-Danzou – o Hokage comentou, agora divertido – Eu teria cuidado com a língua, nesse momento – ela apontou levemente por cima do seu ombro, e só então os mais desavisados notaram Yagura ali, o gancho do seu cajado pressionado muito suavemente na artéria de Danzou. Hiashi sorriu, do seu lugar, a coisa estava finalmente de volta nos eixos.
-Yagura, não seja mal-educado com os mais velhos – Mei disse, com um tom muito levemente zombeteiro, que fez mesmo alguns civis, antes veementes apoiantes de Danzou, rirem baixinho. Se aquilo não era uma vitória, Sarutobi não sabia o que era – Como eu estava dizendo, antes de sermos convocados, Naruto não agiu simplesmente como um suporte na vila da Névoa, ele foi declaradamente um de meus generais.
Isso pegou muitas pessoas, até mesmo Tsume (que estava mordendo a língua pra segurar uma gargalhada frente ao estado de Danzou) de surpresa. Ela se levantou, quase sem perceber.
-Um general, você diz – ela notou a falta de decoro e tratou de se corrigir – Você poderia nos esclarecer isso, Misukage-sama?
Mei sorriu junto com ela.
-Claro, é um prazer – ela disse – Naruto lutou na linha de frente durante a última batalha, derrotando um incontável número de shinobis antes de derrotar o próprio Yagura aqui, em uma luta um a um, estando em clara desvantagem ainda por cima. Fora isso ele cumpriu missões rank A e rank S com perfeição absoluta durante o decorrer do mês, comandou um pequeno contingente de shinobis a um ataque direto a base inimiga, e ajudou efetivamente com o planejamento durante a guerra. Devo ressalvar que, durante a última batalha, ele não salvou apenas a minha vida, mas a de vários shinobis, incluindo do seu próprio grupo, uma diversidade de vezes.
Mei teve que respirar fundo pra evitar de sair correndo e gritando por aí o quanto o filhotinho que ela tinha amamentado e dado banho tinha crescido. Ter sido a primeira a dar-lhe um orgasmo nunca havia lhe sido um orgulho tão grande como era naquele momento.
-Mizukage-sama... A senhora esta falando sério mesmo? Um gennin de todas as coisas...
-Eu acredito que posso confirmar tudo – Yagura tomou a palavra sem qualquer pedido, interrompendo o ancião civil, apesar de curvar-se levemente a ele – Sendo eu que comandei o extermínio de Kekkeis Gekais, enquanto preso em um genjutsu, que tinha por natureza adulterar minha vontade, mas não meu raciocínio. Eu posso garantir com toda certeza que, sem a intervenção de Naruto, a guerra teria durado anos a mais, ele foi um golpe direto e fatal nas minhas forças, e depois de nossa luta, eu mal conseguia me manter em pé. Aquele garoto é extremamente forte, extremamente talentoso e extremamente capaz, categoriza-lo como um ninja rank S não é menos que apropriado, mesmo para sua idade.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Yagura terminou com um sorriso de canto, afinal... Ele não era mais que três anos mais velho que ele.
Danzou tentou mais algumas cartadas durante o decorrer da reunião, entre elas trazer a possibilidade de Naruto estar sendo controlado pela Kyuubi, e essa foi realmente mais fácil de rebater do que qualquer um deles teria pensado. O selo estava intacto, perfeitamente intacto e nenhum dos seus sensores pode detectar nem mesmo a menor quantidade de youki nele, mais um pouco de intenção assassina sanguinária pôs fim ao ponto. Fora isso, ele tentou trazê-lo sobre sua asa, o que foi negado, tentou até mesmo acusar a própria Mizukage de estar cooperando com Naruto para levar a Kyuubi a vila da Névoa e tomar posse do Bijuu. Ao final de três ondas maciças e sanguinárias de intenção assassina, Danzou, completamente derrotado e humilhado, foi posto sob vigilância e expulso da reunião e do conselho até segunda ordem.
As coisas, desse momento em diante, correram muito facilmente. Haku foi apresentado a vila e sua posição como chunnin estabelecida, apesar de ter ficado entre o conselho, com ordens de não espalhar a palavra para qualquer um fora daquela sala até segunda ordem. A sua kekkei-gekai foi revelada, e o CRA abertamente negada, embora dessa vez não houvesse muitas insistências. Por último, a situação na vila da Névoa foi trazida a tona, e pela última vez, um civil extremista tentou prender Naruto por doar tanto dinheiro, que poderia ser usado em prol da vila para uma aldeia pertencente ao território da Névoa. Por causa de uma falha no discurso ele foi posto sob investigação, e alguns dias depois, seria preso por corrupção ativa e suborno. Até o final daquela reunião, Sarutobi era um homem extraordinariamente satisfeito, por três fatores em particular.
Primeiro: Ele tivera, depois de anos e anos de empate, uma derrota completa e avassaladora contra seu segundo maior inimigo, Danzou (o primeiro era realmente a papelada).
Segundo. Mei sugeriu, em termos inequívocos, apesar de subliminares, que Naruto tinha total apoio da vila da Névoa, uma posição como jounnin de elite o aguardando, e se bobear, até mesmo um assento no conselho como seu assessor particular. Ela deixou claro que Naruto era um herói no país da Névoa e no país da Onda, contando com a amizade pessoal e apoio de um Kage e todo o seu país, e fora isso, de um dos homens mais ricos do mundo, Tazuna, da Onda, cujo respeito por Naruto beirava a devoção.
Desnecessário dizer, até o final da reunião, muitos membros do conselho que antes inclinavam a balança contra Naruto agora estavam muito ansiosos para agrada-lo o máximo possível, e o mais rápido possível.
E terceiro e mais importante de todos: Quando voltaram ao seu escritório, Mei por alguma razão tocou Yugao e Yagura pra fora da sala, e fechou as portas. Sarutobi engoliu em seco e teve que conter uma hemorragia nasal quando ela caminhou sedutoramente até ela, se inclinando na sua mesa até o ponto que seus peitos quase saltaram do vestido.
-Você sabe... Hokage-sama – ela disse, a voz pouco mais que um miado – Eu adoro homens fortes e autoritários...
...
Sakura suspirou, se esticando toda enquanto caminhava com Sasuke e Kakashi para o prédio do fogo, informar mais uma missão, graças a Kami-sama, a última do castigo por terem desobedecido Naruto durante o início da missão rank C que ele acabou concluindo sozinho, com Yugao.
“Hummm, aquele idiota – Sakura sorriu mentalmente, imaginando que tipo de coisa ele deve ter passado – Não é a toa que eles tiveram que chamar tanta gente pra ajudar com uma mísera missão rank C, primeiro o time da Hinata, e até mesmo uma tokubetsu... Aquele imbecil não deve ter conseguido encarar nada de frente”.
Ela quase gargalhou enquanto pensava consigo mesma as coisas que Ino tinha dito. Ela tinha que ser muito boba mesmo pra sequer cogitar aquilo. Naruto derrotando um jounnin?! Claro, com certeza que ia acontecer. Ela enfiaria uma maça na bunda e tiraria pela boca no dia que aquele inútil fizesse algo assim. Como é que ninguém enxergava, é o que a deixava ainda mais pasma, ainda mais quando Kakashi colocou Naruto como o líder de esquadrão. Sinceramente, Naruto?! Num time com o Shinobi estreante do ano, e a Kunoiche estreante ainda? Sakura sabia que não estava a par com Sasuke, mas ela tinha consciência do quão forte ela era, enquanto observava as pessoas em volta, ela praticamente tinha em mente dezenas de maneiras de mata-las, todas lidas cuidadosamente e decoradas perfeitamente, ao longo dos anos como aluna da academia. Ino não teria chances, Hinata então... ela ria só de imaginar o quanto a garota tímida e fraca dos Hyuugas ia sofrer se tivesse que ir mano a mano com ela, era um fato.
E era um fato também que, mesmo ela sendo tão forte, e tendo plena consciência disso, ela não conseguia nem mesmo calcular o tamanho do abismo que havia entre ela e Sasuke, entre todos os outros e Sasuke, era enorme e impressionante, e chegaria a ser assustador se ele não fosse uma pessoa tão boa, mas ele era gentil demais e ninguém parecia entender isso. Ninguém via o quão genial ele era. Mesmo Kakashi não teria qualquer chance se Sasuke levasse a sério, era algo que praticamente emanava dos dois, a forma como andava, como olhava ao redor, perfeitamente ciente dos seus arredores, pronto a todo o segundo pra defender seus companheiros de equipe, pra defende-la, e até defender Naruto, mesmo que ele merecesse morrer por ser tão estúpido e se achar um ninja.
Ela tinha visto aquilo na missão, tinha visto como Kakashi fingiu ser derrotado e Naruto gritou ordens sem sentido, e então viu como Sasuke tão corajosamente partiu a frente dos dois, protegendo Naruto com seu próprio corpo caso fosse necessário, como ela sabia que ele faria por ela também, a qualquer momento.
Era assim que ele era, simples assim, tão forte e tão gentil, o homem que ela tinha se apaixonado. Infelizmente ele também era tímido, e por mais que Sakura desse sinais, ele não conseguia entender que ela também estava afim. O que ela teria que fazer? Beija-lo do nada pra ele sacar que ela também o queria, que o sentimento deles era recíproco?! Ela não tinha feito ainda por medo dele achar que ela era uma vagabunda... Mas Sasuke nunca acharia isso né? Não tinha como alguém gentil e atencioso como ele pensar dessa maneira, é claro que não.
Olhando em volta, ela se certificou que as situações pro seu primeiro beijo e sua declaração de amor estavam boas. Não era um quarto com velas e pétalas de rosa no chão, mas ela não tinha tempo de preparar isso agora, Ino estava fazendo seus planos, ela tinha certeza disso, ela também queria Sasuke, e ela sabia que, se ela confessasse... Talvez fosse o fim de tudo! Sasuke acabaria aceitando seus sentimentos, mesmo não a amando, só pra não magoa-la, era simplesmente o tipo de cara que ele era, ele sacrificaria sua própria felicidade pelos outros, ela já tinha visto vários exemplos disso... Ela tinha que fazer, rápido... agora!
Sakura estava pra pular, confessar seu amor e tomar seus lábios quando uma coisa a distraiu. Uma coisa peluda, pequena, fofinha e tão incrivelmente bonita que devia ser um presente de kami-sama a terra!
–Cachorrinho! – ela gritou, praticamente pulando pra pegar a coisa pequena e peluda no colo, e abraça-lo.
O cachorro pulou no seu colo assim que ela tinha aberto os braços, raspando as unhas pelo seu vestido tentando subir um pouco, e começou a lamber seu rosto e sua orelha, enquanto a garota ria sem conseguir parar.
“Onde é que esta? Onde estão os morangos, eu gosto de morangos, de pra mim!”
“Garou! – Tsokoka latiu, assustando Sakura – Eu já disse pra parar de pular nesses bichos estranhos, mesmo que eles cheirem como comida eles não estão escondendo nada...”
“Mas então por que eles cheiram assim?”
“Pra tentar atrair parceiros sexuais... – Tsokoka explicou, tentando soar segura de si mesma por mais incerta que estivesse – os machos sentem o aroma de comida nelas e acabam as montando para procurar, então elas aproveitam a chance e acoplam com ele... Não é assim, Hanna?”
Hanna mal conseguiu segurar a risada.
“Não é bem por isso...”
“Então é pelo que?”
“Só pra ficarem cheirosas mesmo, é agradável”
“Ahhh... eu não entendo”
“É coisa de humanos mesmo, você não precisa se preocupar com isso”.
“Claro... desculpe incomoda-la”.
“Não – Hanna agitou as mãos meio envergonhado – Não me importo que me pergunte as coisas, eu sempre vou explicar quando puder”
“Entendo... Obrigada de novo”.
–Ei moça – Sakura disse, depois de alguns momentos – Esses cachorros são seus?
–Ahh, não são cachorros, são lobos – Hanna tirou Garou de cima de uma Sakura repentinamente gelada – E eles não são de ninguém, são amigos que o Naruto fez na missão.”
–Naruto-baka?
–Baka...? – Hanna estreitou os olhos perigosamente, e Sakura se sentiu tremer, dos pés a cabeça.
–E-Eu... quis dizer N-Naruto – ela concertou – Quer dizer a missão na Onda?
–É... por lá mesmo, mas isso é confidencial, desculpe não te contar.
–Tudo bem – ela respondeu, ansiosa pra que a mulher estranha fosse embora, o que realmente não tardou a acontecer.
Por fim Sakura se levantou, balançando a cabeça inconformada. Que tipo de kunoiche andava por aí com lobos? Eles eram loucos? Tinha que ser coisa daquele clã de pessoas estranhas próximo onde Naruto morava, eles eram tão fracos que tinham que soltar cachorros nos seus inimigos? Se sim, ela não sabia como eles não tinham virado motivo de chacota entre todas as kunoiches sérias de Konoha. Se aquela moça fosse um padrão também... seria um bem baixo, tanto em matéria de força quanto de beleza. O que ela estava pensando, usando os cabelos daquele jeito? Eram tão desiguais e horríveis, e aquela maquiagem então? Argh... Em força, ela praticamente riu, lembrando todos os pontos catalogados no seu databook mental. O quão fácil seria matar aquela coisinha sem que ela nem tivesse tempo pra se defender? Apenas sacar uma kunai, jogar num dos pontos, e pronto, uma kunoiche a menos em Konoha.
–Aquela mulher parecia bem patética, não é Sasuke-kun? – Sakura disse em voz alta, tentando chamar atenção, de novo.
Kakashi praticamente gelou com o que ela disse, olhando pra trás pra ver se havia qualquer golpe mortal destinado a cabeça da Sakura, mas Hanna já estava longe de ser vista. Por fim ele suspirou, deixando as garotas com seus devaneios apaixonados, que eram bem piores do que ele imaginava.
–Hummm... – ele respondeu, como sempre, irritado.
Sakura a xingou mentalmente de novo, provavelmente ela tinha irritado Sasuke-kun com sua presença. Alguém tão fraca como ela, era bem provável que fosse isso mesmo, será que essas mulheres não percebiam que pessoas do nível delas deviam se ajoelhar a passagem de alguém tão forte? Criadas com cachorros também, o que ela poderia esperar? Não eram mais que cadelas burras, só deviam servir mesmo pra serem montadas, se bem que quem ia querer uma cadela feia como aquela? Sakura não tinha ideia...
–Pelo menos os filhotes eram bonitinhos, não eram, Sasuke-kun?
Sasuke se virou, talvez pela primeira vez em meses, e Sakura quase se derreteu quando ele olhou diretamente pra ela, os olhos tão graves como sempre.
–Eu detesto cachorros – ele disse, e logo depois voltou a caminhar ao lado de Kakashi.
Sakura ficou parada uns bons cinco segundos, a cabeça cheia com uma cacofonia de ideias e pensamentos conflitantes. Por fim, ela correu atrás dele, um sorriso pintado no rosto.
–É, eu também Sasuke-kun!
Kakashi olhou de canto e revirou o único olho a mostra. Aquilo parecia ficar pior a cada dia.
....
Naruto acordou com o som de batidas na janela, e por um segundo sentiu o corpo todo arrepiando, enquanto procurava a Katana, ao lado da cama, e a empunhava firmemente. A noção de espaço e tempo meio distorcida por um segundo, até ele notar estar na cama, nu, ao lado de Anko, que agora abraçava seu travesseiro e murmurava alguma coisa incoerente contra ele.
“Naru... Naru-chan... chuuuu – ela beijou o travesseiro, remexendo o quadril de um lado a outro e rindo sozinha – Aí não Naru... Ahhhh...”.
Segurando o riso, ele se levantou, procurando alguma coisa pra vestir, e acabou pegando o sobretudo de Anko mesmo, o enrolando em torno do corpo com a faixa que ela sempre ignorava, as barras pesadas do tecido lhe chegando até as canelas, por ele ainda ser um pouco mais baixo que Anko, mesmo sem os saltos. Ele puxou o elástico e prendeu o cabelo enquanto andava mesmo, tentando ajeitar a franja pra longe dos olhos.
Foi nessa situação que ele abriu a porta, com os cabelos amarrotados, usando o sobretudo de uma kunoiche e cheirando a sexo. Kakashi olhou de cima abaixo várias vezes, parecendo cada vez mais ruborizado a cada volta que dava no corpo do garoto.
-Sensei...?
-Hai?
-O senhor precisa de alguma coisa?
Kakashi rapidamente olhou para os lados, agarrando o garoto pelo cangote como se fosse um filhotinho de gato e o arrastando consigo. Naruto não sentiu nenhum perigo vindo dele, ainda mais do cara que ele considerava um irmão mais velho, e se permitiu ser levado pra qualquer lugar que ele tivesse em mente, apenas arregalando os olhos de surpresa pra combinar com a situação. Apesar de tudo, Kakashi não chegou a ir muito longe, ele parou encima de um prédio vizinho, olhando em volta e imediatamente caindo de joelhos a frente de Naruto, com as mãos nos seus ombros e um olhar estranho no único olho a mostra.
-Naruto...
-H-Hai?
-Você esta tendo sexo com Anko?
-Eu... sim – o garoto acabou corando, embora Kyuubi sorrisse internamente – Ela é minha namorada...
-Sua o que? – Kakashi quase gritou, então puxou o garoto consigo e olhou em volta, desesperado, pulando pra outro prédio só por segurando – Não grite!
-Mas foi você que... – ele sacudiu a cabeça – Deixa pra lá... Kakashi, eu estou nu e acabei de sair da cama, o que você quer?
-Mesmo?
-Sim, veja – Ele fez que ia puxar o sobretudo, mas Kakashi o impediu, segurando suas mãos.
-Não isso droga, você esta mesmo dormindo com Anko, é sério?
-Sim... Tem algum problema sensei, o senhor gosta dela, ou algo assim?
-Não, não, nada desse tipo – ele caiu sentado pra trás – É só que... você me pegou de surpresa.
-Por que?
-Bem... você sabe, eu sempre pensei que... bem... – ele corou, cutucando os dedos um no outro – você sabe...
-Desculpe...
-Bem, Naruto... você tem que entender que você... causa uma certa impressão nas pessoas...
-Eu faço isso?
-Sim... você sabe do que estou falando?
-Não tenho ideia...
-Bem... você tem cabelos compridos, e muito bem cuidados...
-Eu uso sabonete sensei – Naruto sorriu, pegando uma mexa pra provar seu ponto, e apenas provando o contrário, enquanto a cascata ruiva caiu pra trás como um lençol de água – Viu?
-É... não foi muito convincente – ele tossiu – E além disso, você... sabe, eu estava brincando com isso, mas você realmente se parece com uma garota...
Kyuubi não aguentou mais segurar o riso e gargalhou, apesar da expressão de Naruto permanecer quase inalterada.
-Todo mundo me diz isso... mas eu achei que fosse implicância... – ele se recostou pra trás, na caixa d’água – eu ao menos achava que era implicância...
-Bem... você é meio fofinho demais pra ser um homem...
-Isso é maldade da sua parte.
Kakashi riu e segurou a cabeça dele, a afagando com um pouco de força e a empurrando pra baixo.
-Mesmo assim, eu estou orgulhoso de você – o jounnin disse – Mais que isso, nós temos que comemorar, você já bebeu antes?
-Sim... depois da guerra, na vila da névoa...
-Ótimo – ele tirou um pergaminho do bolso, liberando o selo e trazendo pra realidade uma cabaça de sakê e várias taças empilhadas – Falando sobre isso, eu quero ouvir o que aconteceu, eu sei de algumas coisas por causa dos relatórios de Anko e de Yugao, mas vamos ter uma longa conversa sobre isso, de acordo?
-Claro – Naruto pegou a taça que Kakashi lhe estendia, se perguntando o que mais ele levava selado o tempo todo com ele – Não devíamos fazer isso em outro lugar?
-O que quer dizer?
-Brindar encima de uma caixa d’água é meio estranho... O que estamos brindando mesmo?
-Ao meu irmãozinho ter perdido a virgindade – ele deixou escapar com um tom sinceramente alegre, até notar a escorregada no discurso e arregalar o único olho a mostra – Eu... quero dizer...
-Kanpai – Naruto disse, com um sorriso, ignorando a confusão mental de Kakashi – Falando nisso, Kakashi, eu tenho umas coisas pra te agradecer também... Será que podemos brindar a elas também?
-C-Claro – o jounnin serviu mais um pouco de sakê em ambas as taças, e com um sorriso, acabou abaixando a máscara pela primeira vez na frente de outra pessoa que não Tenzou ou Rin – O que quer brindar?
-Em primeiro lugar... Obrigado por me salvar todas aquelas vezes, quando eu era um bebê... Eu realmente não me lembro disso direito, mas eu ouvi várias pessoas conversando sobre isso, e um dia perguntei ao Hokage como tinha ganho essas cicatrizes – Naruto apontou para as omoplatas – Kanpai!
Kakashi respondeu ao brinde com a boca seca, sem saber direito o que dizer. Naruto pegou a cabaça de sakê e serviu novamente a ambos, e ele não o impediu.
-Depois disso, obrigado pelas visitas, quando você achava que eu estava dormindo... Eu entendo o porquê daquilo, mas eu estava acordado todas às vezes.
Kakashi engoliu em seco, os olhos, mesmo o coberto, ficando úmidos contra a sua vontade.
-E também... Obrigado por ter me comprado aquele cachorro de pelúcia, eu sinto muito que eu nunca consegui brincar com ele, a senhora do orfanato o deu pras outras crianças...
Mais sakê, mais um brinde. Naruto já estava derramando lágrimas e não faltava muito pra Kakashi fazer o mesmo.
-E então... daquela vez, nas termas... Obrigado por ter me protegido, eu não estaria aqui caso você não o tivesse feito.
Kakashi deixou as lágrimas rolarem, sem tentar para-las mais. Mais sakê, e mais um brinde. A sua garganta já estava ardendo, e ele não tinha certeza se era pelo álcool, Naruto, no entanto, parecia perfeitamente composto, exceto as lágrimas que rolavam abertamente dos seus olhos.
-E acima de tudo... obrigado por ter ficado sempre do meu lado, e me considerar um irmão mais novo depois do que aconteceu com meus pais e a Kyuubi, Kakashi-nii-san...
Kakashi largou a taça, que tiniu de encontro a caixa d’água de lata, e abraçou o garoto que ele sempre tinha considerado da família, mas era impedido de mostrar por causa de uma lei estúpida e um preconceito ainda mais estúpido. Naruto apenas afundou no abraço, envolvendo o torço daquela criança, tão jovem, que ele considerava, mesmo com seus milhares e milhares de anos, um irmão mais velho. As lágrimas não eram de mentira, não daquela vez, o abraço também não, e por um segundo, Naruto quase disse a verdade. Ele sentiu as palavras virem a sua língua, e elas tinham um gosto tão bom que era quase irresistível deixa-las sair.
“Eu sou a Kyuubi Kakashi, desculpe por tudo, será que você pode me aceitar desse jeito mesmo? Eu sou Kyuubi, e eu sou um demônio. Eu sou Guerra, e eu fiz as katanas. Eu sou filho de Lilith, o primeiro pecado, e tenho meus próprios filhos, muitos deles já estão mortos e outros vivem até hoje, eu sou o pai de Perdão e Rancor, e de Dor e Esperança. Eu já fiz muitas coisas erradas e gostaria de concertar cada uma delas, eu estuprei minha própria filha e arranquei suas asas, levei a minha irmã a loucura e destruí seu coração, e por mais que eu me desculpe ela não pode me perdoar. Eu já vivi como homem e como mulher, já voei nas costas de um dragão e nunca consegui acariciar os pelos de Holy Night, mesmo que algumas vezes tenha me refugiado na floresta por décadas apenas pra vê-lo. Eu fui o mestre de Morai e Kenshin, dois dos seres humanos mais importantes que esse mundo já viu, e mesmo depois de você ter morrido eu ainda vou estar vivo, ainda vou estar respirando, e correndo por aí, vivendo vidas diferentes e tendo amigos diferentes, maridos diferentes ou esposas diferentes, mas eu sempre vou me lembrar de você. Mesmo que se passem milhões de anos e eu ainda esteja vivo, você ainda vai ser meu irmão mais velho...”
Naruto sentiu o gosto dessas palavras, cada uma, das doces às salgadas, das amargas até as azedas, e todas eram tão atraentes que se montaram sozinhas, sem esforço. Ele quis contar, quis mais que tudo, gritar isso a todo pulmão, ir até o escritório de Sarutobi e dizer isso a Mei, a Yagura e ao velhote, dizer que a Kyuubi que tinha falado era ele mesmo, e pedir desculpas de joelhos por ter mentido pra todos, por tanto tempo.
Mas ele não contou. Ele apenas afundou mais no abraço de Kakashi e o abraçou, como se sua vida dependesse disso, e antes que percebesse, ele estava gritando contra o colete grosso dele, pra abafar o barulho, e Kakashi o abraçou ainda mais, tentando aliviar o sofrimento que julgava, erroneamente, conhecer.
Anko acordou em algum momento durante qualquer que seja a quantidade de tempo que ele passou ali, de olhos fechados, implorando mentalmente que ela percebesse tudo, por que ele não iria contar. Não de novo, não depois de ter tentado tantas vezes, e tantas vezes ter se arrependido disso. Mesmo que fosse o seu erro favorito, ele não o cometeria de novo, não daquela vez. Kakashi, é claro, não percebeu, e quando sentiu os braços de Anko em torno dele, acariciando seu rosto, ele a abraçou também, e os três ficaram, por um tempo, chorando sobre uma caixa d’água, cada um pelos seus próprios motivos diferentes. Kakashi chorou por Óbito e por Minato, pelo passado de Naruto e pelo que poderia ter sido, assim como Anko chorou por Orochimaru e pela vila que achou que ela deveria ser culpada pelos erros do seu sensei. Ambos choraram por Naruto, e Naruto chorou por ambos, e por mais milhares e milhares de pessoas diferentes.
Por fim, os três pararam, entraram, e Naruto e Anko trocaram as roupas – Já que ela também estava usando apenas o quimono dele, que mal lhe cobria o quadril. Kakashi teria tido uma hemorragia nasal se o clima não estivesse tão sério – E por um bom tempo, todos os três ficaram em silêncio, cada um segurando sua própria caneca de chá que nenhum deles sequer provou.
-Desculpe por isso... – Naruto disse, mais pra quebrar o silêncio do que por estar arrependido, na verdade, ele estava se sentindo bem mais leve, agora que podia chamar Kakashi da forma como sempre tinha pensado nele.
-Não... a culpa foi minha...
-O que vocês estavam fazendo lá encima, no final das contas? – Anko aceitou um cigarro de Kakashi, enquanto Naruto negou com um gesto de mão – Se importa Naruto?
-Não, tem um cinzeiro em algum lugar no armário...
-Não se preocupe – Kakashi tirou outro pergaminho – Eu tenho um...
-Falando nisso... Quanta coisa você leva por aí nii-san?
Kakashi sorriu por causa do título, e veio com a lista mental super exagerada que ele tinha feito praqueles casos.
-Bem... Eu tenho bebidas, cigarros, louça, talheres, dinheiro, suprimentos, comida de cachorro, roupas, móveis...
-Tudo bem, já entendemos – Anko tentou interrompe-lo, mas ele continuou como se nem tivesse a ouvido.
-... E pesos, e roupa de baixo, e lingeries,e minha coleção de livros, de maços de cigarros dos cinco países, minha coleção de tigelas de arroz, minha maquina de fazer arroz, meus livros, produtos higiênicos, um penico...
Anko acertou o queixo dele, que caiu pra trás, deitado no chão do apartamento, e acabou ficando por lá mesmo.
-Agora... Naru-chan, o que aconteceu?
-Humm? – ele desviou os olhos da própria caneca – Desculpe, eu estava meio distraído... Não estávamos fazendo nada mesmo, só brindando algumas coisas e falando do passado.
-E em que ponto dele vocês começaram a chorar? – Anko tentou brincar com a questão, mas não deu muito certo por ela também ter chorado.
-Bem... O orfanato.
Anko engoliu em seco, se chutando mentalmente por ser tão insensível e arrastando a cadeira até ficar tão próximo dele quanto possível, o trazendo pra perto num abraço.
-Desculpe...
Naruto sorriu, virado o rosto e a beijando uma vez na bochecha, e outras nos lábios, quando ela se afastou. Por fim os dois ficaram frente a frente um do outro, com seus narizes se tocando.
-Não tem de que – ele pescou uma mexa dos cabelos roxos e enrolou no dedo – Eu também tenho que te agradecer por um monte de coisas né?
-Ah é?
-É... mas podemos fazer isso quando estivermos sozinhos...
Anko corou com o tom malicioso que raramente aparecia na voz do namorado, e só concordou com um aceno de cabeça, mordendo o lábio e avançando logo depois, pra um beijo mais íntimo e demorado. Ambos travaram quando Kakashi começou a rir, anotando tudo o que estava acontecendo.
-Eu vou enviar essas notas pra Jiraya-sama – Ele disse, aparentemente sem notar o olhar assassino que Anko estava lhe dando – E então ele vai fazer um super best-seller em honra ao meu irmãozinho... quem sabe eu até não ganhe uma notinha de agradecimentos? Seria um sonho se tornando realidade...
Naruto riu enquanto Anko voava pra cima do jounnin caolho, montando no seu peito e o sufocando, batendo com sua cabeça no chão repetidas vezes enquanto gritava uma série de palavrões que seriam censurados até num filme pornô, e recolheu as canecas com o chá, já esfriando, as despejando dentro da pia. Ele serviu um pouco mais pra ele e tomou um gole, olhando por cima da bancada sua namorada tentar matar seu irmão mais velho enquanto lavava a própria louça.
-Então é isso que é ter uma família... – ele murmurou consigo mesmo, com o tom meio avoado e encoberto por cima do “Tum, Tum, Tum” e das ofensas constantes – É reconfortante... Ne, onii-san?
-Hai... – Kakashi murmurou, meio engasgado por que Anko ainda estava tentado sufoca-lo.
-O que você queria quando veio me ver mesmo? Parecia que você ia dizer alguma coisa quando chegou aqui...
-Ah sim... – Kakashi passou uma rasteira em Anko e se jogou pra cima, a deixando resmungando, sentada no chão – O Hokage pediu que lhe entregasse isso, ele estava prestes a mandar um ANBU quando fui informa-lo de uma missão concluída...
Naruto franziu as sobrancelhas, secando as mãos em um avental e pegando três atestados aparentemente idênticos. Uma breve leitura em um deles, que estava destinado a Sasuke, e ele sacou imediatamente do que se tratava.
-Exames chunnin.. – Kakashi assentiu com um sorriso – Então esse ano vamos ter um aqui na vila, por que o senhor nos inscreveu, pensei que os times tinham que ter um ano de serviço de campo antes disso...
-Não necessariamente, mas a maioria dos jounnins considera isso meio necessário, sabe – Kakashi se sentou novamente, a máscara até então esquecida, dentro do seu bolso. O fato de nem Naruto e nem Anko terem sequer reparado na sua cicatriz só contribuía pro sorriso não lhe sair da cara – Você já esta claramente acima de algo assim, se fosse dizer pelos relatórios de Yugao, poderia te colocar facilmente como um jounnin, então você pode proteger Sakura e Sasuke caso algo acontença... além disso, considerando o estado do seu time no momento...
-Entendo, o senhor acha que alguma experiência em campo vai nos unir?
-É o que eu espero, ou então não vamos ter remédio a não ser separa-los – Kakashi disse, gravemente, e Anko bufou.
-Sinceramente Kakashi, separa-los é a melhor coisa que você pode fazer...
-Eu sei que eles não se dão bem – o jounnin se defendeu – Mas isso pode ser remediado. Sasuke ainda é muito arrogante e Sakura muito... bem...
-Estúpida? – Anko sugeriu com um sorriso.
-Eu ia dizer... ingênua, mas sim, é isso mesmo. A pressão de algo desse calibre podem tirar seus egos dos pedestais onde eles os colocaram...
-Bem, se o senhor acha que é uma boa ideia, eu não vejo por que não – Naruto disse, guardando uma das folhas entre o quimono branco e o azul, e selando as de Sasuke e Sakura dentro das mangas – Eu vou entrega-las a eles, pode ser uma boa desculpa pra tentar nos reunir novamente...
-Sim, foi isso o que eu pensei.
-Droga... – Anko murmurou, jogando a cabeça pra trás – Eu queria que você me agradecesse por aquelas coisas agora...
Naruto riu, ainda mais quando o rosto de Kakashi ficou vermelho e ele segurou o riso pervertido na garganta. Decidindo que não havia por que esperar mais, ele acomodou Rurouni no seishin na cintura e o cachecol em torno do pescoço, e após dar um beijo em Anko, pulou pra fora da janela, correndo de talhado em telhado até o distrito Uchiha, no norte da vila.
Kakashi e Anko olharam pra janela por um momento, até olharam um para o outro. De repente, consciente do perigo, o jounnin tentou fugir, mas parou ao sentir uma kunai de encontro ao seu pescoço e outro mais abaixo, num lugar muito, mas muito mais precioso.
-Então... Kakashi-onii-san – Anko disse, a voz doce como mel – Onde paramos?
Os gritos de dor e medo foram ouvidos pelo prédio todo, e daquela vez, ninguém se atreveu a ir reclamar.
...
Sakura voltou da missão em silêncio, olhando em volta às vezes, mas no geral, calada com seus próprios pensamentos. Ela mal notou quando chegou em casa, abriu a porta e entrou, com o intuito de ir pro seu próprio quarto e dormir por um longo, longo tempo.
Foi quando ele apareceu, aquele cachorro estúpido...
Brow sentiu o cheiro da dona e imediatamente correu até ela, da cozinha, quase derrubando a Sra. Haruno que xingou baixinho, apesar de ter um sorriso no rosto. Ela foi até a pia e lavou as mãos, as secando em um avental rapidamente antes de seguir até onde a filha estava, só pra parar na porta sem e olhar a cena diante dela, lenta demais pra categorizar tudo.
Sakura estava de olhos fechados, com lágrimas lentamente se formando nos cantos da sua visão. Ela viu Brow se equilibrar nas patas traseiras e pular pra lamber seu rosto, e antes que percebesse, ela tinha acertado um soco na cara do cachorro, que caiu pra trás com a força.
–CACHORRO IDIOTA! EU TE ODEIO! EU TE ODEIO!
Brow se retraiu todo, assustado com a dona gritando com tanta raiva pra ele. Ele encolheu o rabo entre as penas e se abaixou rente ao chão, ficando o mais abaixo dela que possível, pra mostrar o quanto estava arrependido. O que ele tinha feito? Será que ela não gostou do jeito que ele a tinha cumprimentado? Ela nunca tinha parecido se importar... Talvez ela não tivesse gostado nunca, e ele nunca percebeu... Ele teria que pedir desculpas então, ele vinha sendo mal a um bom tempo...
Rastejando baixinho, sem ousar levantar, ele tentou se aproximar dela, pra mostrar o quanto estava arrependido, quando a dona bateu nele novamente. Dessa vez um chute no estomago, era forte, ele sentiu um osso rachando no contato e rolou no corredor, ganindo de dor e chorando. Por que ela estava tão zangada? O que ele tinha feito era tão ruim assim?
–CALA A BOCA! CALA A BOCA SEU IDIOTA! EU TE ODEIO! CALA A BOCA!
A Sra. Haruno viu tudo sem entender o que estava acontecendo, o que tinha acontecido com Sakura pra ela ficar nervosa a esse ponto? Nem mesmo quando brigava com Ino ela ficava desse jeito. O que a tirou do lugar foi a forma como ela chutou Brow na barriga, e o cachorro caiu ganindo pra trás. Deus, o que tinha acontecido? Sakura amava Brow, as vezes ela pensava que ela o amava mais que amava a própria mãe, ok... Ela realmente era muito mais carinhosa com ele, e mesmo que dissesse diariamente que não suportava aquele cachorro, ela o adorava quem não adoraria? Ele era tão grande, e bobo e sincero que era impossível não gostar dele... Se todos os homens fossem assim...
–Sakura, o que aconteceu, você...
Ela congelou novamente quando a filha mais uma vez pulou pra cima do cachorro, acertando outro chute nele, a esse ponto ganindo alto de dor enquanto ela esgoelava pra quem quisesse ouvir que o odiava. O que a tirou novamente do lugar foi quando ela disse que iria mata-lo.
Deus... Não era possível... Era?
Brow rastejou, ganiu e tentou de todo jeito se desculpas, mas até quando ele virou de costas, erguendo as patas, por mais que isso doesse, ela apenas o bateu de novo. Aquele ponto lágrimas já caíam dos olhos do cachorro, e ele guardou a língua firmemente dentro da boca, era por que ele tinha a lambido? Tinha que ser por isso... Ele sempre achou que ela não se importava, ele estava apenas dizendo que gostava dela, não tinha nada de errado nisso né? Ele achou que tinha, tinha que ter algo haver com isso por que era a única coisa que ele fazia, era por dormir com ela de vez em quando? Mas ela sempre o abraçava nessas ocasiões, ele gostava disso, de dormir com ela e ser abraçado por ela, mas agora ela estava batendo nele sem parar, e isso doía, fisicamente e... no peito, parecia que os gritos machucavam de algum jeito que ele não entendia bem, mas o mesmo lugar que se aquecia tão agradavelmente quando ela o abraçava doía quando ela gritava com ele. Ele não entendia direito o que ela queria dizer, mas aquelas palavras repetidas... Elas soavam terríveis, ela o estava o culpando de algo terrível, ele tinha que ter feito algo terrível, não é?! Mas o que poderia ser tão grave a ponto dela ficar tão zangada com ele?
Alguns instintos, velhos e inutilizados, gritavam pra ele se defender, ela o estava batendo, o estava machucando e ele não sabia por que, se continuasse assim, o que aconteceria? Ele sentiu a boca salivando e as presas prontas pra apertar a mão dela, mas o próprio pensamento de morder Sakura o fez recuar contra si mesmo, ele não iria mordê-la, como é que ele faria isso? Ele se lembrava de que foram aquelas mãos que o escolheram dentre tantos quando ele era apenas um filhotinho, foram aquelas mãos que o alimentaram e acariciaram durantes anos, as mãos que o faziam sentir tão bem, ele não poderia ferir aquelas mãos, ele precisava descobrir o que tinha feito de errado, e se desculpar, era isso.
–SAKURA, PARE! – A Sra. Haruno gritou, tentando se aproximar da filha, que ainda batia no cachorro mais e mais. Àquele ponto sangue já manchava a boca dele, escorrendo pelas presas firmemente travadas. – PARE PELO AMOR DE DEUS!
Ela tentou segurar a mão da filha, mas ela revirou, girando sua mão e torcendo seu pulso, a fazendo gritar de dor. Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, ela sentiu um murro lhe acertar a mandíbula e caiu pra trás, gemendo por causa da dor. Brow também gania, sem conseguir mais conter a dor, os ossos quebrados tinham feito alguma coisa, alguma coisa horrível dentro dele e doía... doía tanto, os instintos ficaram mais fortes, ele tinha que morde-la, se defender, ou ele ia acabar morrendo, ele não conseguia encontrar o que havia feito de errado, e não sabia como deveria se desculpar, cada vez que tentava se aproximar ela o jogava pra longe.
Por fim, Sakura se afastou, a passos largos, entrando dentro da casa sem tirar os sapatos. A Sra. Haruno continuou no chão, chorando em silêncio por medo... Deus, ela estava com medo da sua própria a filha?! O que estava acontecendo, o que tinha acontecido? Notando o estado lastimável do cachorro, ela se aproximou dele, correndo as mãos pelo seu pelo manchado de sangue. Tentando pensar racionalmente ela examinou o seu estado, e teve que conter mais do choro só pela forma como ele tinha ficado, o olho esquerdo estava fechado e algo lhe dizia que nunca mais tornaria a abrir, sangue manchava o pelo em volta, o endurecendo, enquanto ele respirava com dificuldade, soltando um pouco de sangue pela boca a cada vez. Ela tinha que leva-lo ao veterinário, imediatamente, ou ele ia morrer!
No entanto, antes que pudesse mesmo se levantar, Sakura apareceu novamente. Ela não tinha ido pro quarto, ou pra qualquer lugar que a Sra. Haruno imaginou que ela estivesse, e o pior, ela não tinha terminado.
Nas mãos, agora, ela trazia uma barra de ferro. A barra de ferro que ela escondia atrás da cama, pro caso de alguém tentar entrar em casa, parecia bobagem numa vila ninja, mas tinha servido, pelo menos, pra acalmar o seu coração.
Agora, teria um propósito muito mais sinistro.
–Sakura, pare, por favor, por favor, não faça isso, não faça, pare e pense no que você esta fazendo, no que vai fazer, é o Brow querida, você esta matando ele, você entendeu? – ela tentou lhe implorar, agarrando o tecido do seu vestido – Você vai mata-lo querida, você...
Sakura respondeu com mais uma bofetada no rosto, de mão nua, a mandando chorando para o chão enquanto tentava parar a filha. Sangue encheu a sua boca enquanto ela tocava o ferimento, tentando se levantar pra impedi-la, mas era inútil, ela era uma civil, sem qualquer treinamento, e estar diante de uma kunoiche a congelou de medo no chão. Sakura sempre disse que era muito forte, e em boa parte ela tinha pensado que era exagero da parte dela, agora... Agora ela não sabia mais o quão falso, ou o quão verdadeiro, aquilo era. Se Sakura era realmente tão forte, ela poderia mata-la... Não? Naquele estado, ela realmente não duvidou que ela faria isso, e o medo a travou no lugar, mesmo que por alguns segundos, enquanto ela presenciava a coisa mais cruel que já tinha visto na vida. Sua filha estar fazendo aquilo, com um cachorro, seu cachorro, só tornava tudo pior.
–EU ODEIO VOCÊ! MORRA! MORRA!
Cada palavra vinha intercalada com uma pancada da barra de ferro. A primeira encheu o ar com um estalo horrível quando acertou o peito do cachorro, que inchou logo depois. A segunda o fez cuspir uma massa sólida de sangue, e ele não se mexeu mais após isso. Mesmo quando deu pra notar, claramente, que ele estava morto, Sakura não parou. Ela gritava chorando que o odiava, e o acertava mais uma vez. A carne do cachorro estourou no lugar onde ela estava batendo, sua barriga já inchada e sangue lhe escapando do anus, do nariz e da boca, formou uma poça ao redor dele, o pelo marrom praticamente indiscernível do vermelho.
Foi essa cena que Naruto encontrou quando forçou a porta a abrir, com a mão no cabo da espada, procurando ansioso por um atacante. A visão a sua frente o congelou, assim como os dois chunnins atrás dele, por um longe segundo, antes dele disparar pra frente e segurar as mãos de Sakura, apertando apenas o suficiente pra ela largar a barra de ferro, que tiniu no chão. Ele a segurou firmemente por um segundo, esperando uma explicação, e, aparentemente, concluindo que nada viria dela naquele estado, a desmaiou com uma leve pressão dos dedos num ponto específico do pescoço. Ele a deixou nos braços de um chunnin, que parecia entre enojado, horrorizado e completamente confuso, e caminhou até a Sra. Haruno no chão, após dar uma longa olhada no cachorro.
–A senhora esta bem?
No estado em que estava, ela nem notou que o moleque Kyuubi, que tinha matado seu marido, estava na sua casa, ela apenas assentiu, sem nenhum brilho nos olhos.
–Nós vamos levar a senhora e sua filha pro hospital, você pode andar?
Ela não respondeu. Naruto suspirou e a desmaiou também, a pegando no colo e entregando pra outro chunnin.
–Por favor, levem essas duas pro hospital, depois procurem por Hatake Kakashi, ele é o sensei do nosso time...
–Hai, Naruto-sama...?
Numa situação normal, ele teria franzido a sobrancelha ao “sama”, mas naquele momento nem lhe passou pela cabeça. Ele apenas assentiu, indicando que estava ouvindo, enquanto ajoelhava diante do cachorro, examinando seu estado.
–O... O que o senhor acha que aconteceu aqui?
–Eu não tenho ideia... – ele suspirou ao notar que o cão estava morto – Eu vou leva-lo até os Inuzuka, por favor, façam o que eu pedi.
–H-Hai! Imediatamente senhor!
Os dois imediatamente saíram pela porta, ainda aberta, onde vários moradores começavam a se juntar, olhando curiosos pra dentro e trocando fofocas um com o outro. Naruto caminhou até lá e, sem a menor cerimônia, a bateu no rosto dos curiosos, voltando pro cachorro enquanto tirava o quimono, e enrolava o corpo grande do pastor alemão nele, sem se preocupar com o sangue todo no local. Se xingando por não ter pedido para um dos chunnins irem chamarem o Hokage, e sabendo que os moradores do lado de fora seriam piores que inúteis naquela situação, ele pulou por sobre o muro, carregando o cachorro nos braços, e imediatamente correu por sobre o telhado, em direção ao distrito Inuzuka, acima de tudo, torcendo pro que ele achava que tinha acontecido não ser a realidade naquela situação... Senão... Era muito capaz dele esquecer do seu juramento e fatiar aquela garota em tantos pedaços que seria difícil mesmo pra um iryonin dizer do que cada um se tratava.
Ninguém devia ser tão cruel aquele ponto... Não, ninguém devia ser tão cruel quanto ele já tinha sido.
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