Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei

21 Especial - O Shinobi e a Lua


Notas iniciais
Mais uma das fábulas da Kyuubi, pra irritar as pessoas que pensaram que era a luta dela contra o Yagura, e enriquecer um pouco a história né.
Se bem que vocês nem podem reclamar, tendo esperado tão pouco por uma atualização. O próximo capítulo sai... bem, sei lá, quando terminar de escrever.
Aproveitem.

Era uma vez um shinobi que se apaixonou pela lua. Todas as noites, ele obervava como ela lançava sua luz na floresta, pra que os lobos pudessem caçar, e como iluminava a noite pra que as águias não se perdessem do caminho de seus ninhos. Ele viu como ela voava pelo céu, agitando seu manto pontilhado de estrelas, e como todas as manhãs se escondia no leito do oceano pra que o sol pudesse nascer, e de lá os animais selvagens irem dormir, e os esquilos e guaxinins irem procurar comida.

Desesperado de amor, ele correu a terra, procurando alguém que lhe ensinasse uma forma de conquistar a lua. Durante o dia ele se escondia do brilho do sol, que passara a odiar, e a noite ele viajava, passando feudo após feudo, templo após templo, até que sua pele estava tão pálida quando a lua, e seus olhos, acostumados com a escuridão, se tornaram vermelhos.

Por anos ele procurou, sem encontrar nenhuma maneira de chegar até o céu, e até a lua, até que numa noite, quando estava a beira de desistir de sua busca, e se matar de tristeza, ele avistou na beira de uma trilha abandonada um templo quebrado. As velas apagadas tinham se desgastado, e a comida oferecida ali tinha a muito apodrecido. No topo daquele pequeno templo, havia uma estátua, quebrada e coberta de musgo, da raposa de nove caudas. Conhecendo a lenda do demônio das nove caudas, o seu primeiro instinto foi se afastar de lá, mas desesperado em chegar ao final de sua busca, e alcançar sua amada, o shinobi se ajoelhou, e rezou.

E acendeu todas as velas, e ofereceu todo o resto de comida que tinha nas sacas para aquele Deus. A noite toda se passou, e ninguém veio atende-lo. O sol nasceu e se pôs, e quando o shinobi saiu de seu abrigo, ele encontrou, descansando serenamente encima de um galho, uma raposa pequena, com olhos amarelos e nove caudas alaranjadas que agitavam devagar a passagem do vento.

-Faz tempo que ninguém vem aqui — a raposa disse, num tom cansado e triste — E quando alguém acende essas velas, geralmente o faz por desespero, desespero que eu posso cheirar em você... Me diga, shinobi, qual o seu desejo?

Emudecido de medo, ele apenas apontou para o céu, onde a lua brilhava. A raposa olhou pra ela por um longo tempo, e se voltou para o humano:

-Eis a Deusa dos olhos prateados — ela abriu um sorriso perigoso e trapaceiro — Acaso se apaixonaste pela Donzela da Noite?

-Sim...

-Humano tolo, nenhum Deus esta ao alcance das mãos humanas, apenas os Demônios ignoram as leis antigas.

Depois de tanto tempo procurando, o shinobi ignorou as palavras da raposa, e tornou a insistir. Ele tinha fé que se mostrasse o seu amor e devoção, a lua se comoveria e se apaixonaria por ele também.

-Muito bem...

E, com um gesto das caudas, a raposa fez dois pares de asas negras brotarem das costas do Shinobi, que se agachou e rugiu de dor. Por fim, ele se levantou, e perdendo o equilíbrio, quase caiu de costas. Levou muito tempo pra que se acostumasse as suas asas, e quando estava a ponto de saltar pra finalmente se encontrar com sua amada, as nove caudas da raposa se enrolaram nele. Assustado, o shinobi tentou reagir, até se ver paralisado pelos seus olhos amarelados.

-Eu lhe dei a forma de chegar até ela, humano — Kyuubi disse seriamente — Mas preste atenção, vooe até ela, e diga-lhe o que bem desejar, mas volte antes do amanhecer. Se o sol ver-te ao lado da Lua, não terás piedade com você. Os Deuses são cruéis e egoístas, e vidas humanas pouco valem pra eles.

O Shinobi concordou, amedrontado, e a raposa lhe soltou do aperto das caudas. Voltando para o seu galho, ela se deitou sob as patas e bocejou, pondo-se a descansar, enquanto ele alçava os céus com suas novas asas negras, seguindo sempre o brilho da lua.

Horas se passaram desde que ele tinha acordado, no começo da noite, e a Deusa ainda estava longe dele. Cansado de tanto bater suas asas, mas movido pelo desespero e pelo amor, ele continuou, e continuou, e quando finalmente chegou ao palácio prateado onde a lua vivia, caiu desacordado.

A Lua o encontrou, caído na grama e sujo de terra e sangue, e o trouxe pra dentro de sua morada. Deitando-o em sua cama, ela lhe limpou os ferimentos e o curou. Quando acordou, o shinobi viu uma donzela de pele pálida e cabelos longos e prateados sorrindo pra ele, e soube que aquela era sua amada. Caindo de joelhos, ele lhe tomou a mão e confessou todo o seu amor por ela, que assustada, se afastou.

Ele observou a rejeição com lágrimas nos olhos, e arrependida, a Lua voltou-se a ele e o abraçou. No entanto, em vez de dar-lhe seu amor, ela explicou o dever que cumpria todas as noites, e também que seu coração pertencia a outro, ao Sol, seu irmão gêmeo, filho do Dia e da Noite.

Louco de amor, e horrorizado pela confissão da Lua, o shinobi gritou-lhe que aquilo era errado, e que irmãos não deveriam permanescer no coração uns dos outros. A donzela ouviu todo o ser desabafo, mas tampouco fraquejou em suas convicções, e então, irritado, o shinobi a segurou pelos cabelos e arrastou-lhe da casa, com intenção de leva-va para a terra consigo, e fazer dela sua esposa.

Os gritos da Lua acordaram o sol antes do esperado, e o shinobi viu horrorizado como o manto negro de estrelas se recolheu ao brilho dourado dos cabelos do outro Deus. Seus olhos queimaram e sua pele, a tanto tempo acostumada com a noite, ardeu com o brilho e o calor repentino tão perto de si. Tentando se distanciar o máximo possível, o shinobi pulou para o céu, tentando voltar para a terra e se abrigar do calor que lhe feria.

No entanto, ao ver as lágrimas da Lua, e seu manto rasgado, o Sol, louco de raiva, atirou seus raios de fogo na direção do shinobi, queimando as penas das suas asas, e o fazendo despencar para a terra. A raposa observou todo o decorrido, e estava pra se retirar, quando notou as velas ainda queimando no seu templo destruído.

-Um desejo desesperado já serve pra mover um coração, mesmo um como o meu...

Dando meia volta, ela correu até onde o corpo do shinobi estava caído, as asas que ela lhe dera completamente queimadas, exceto poucas penas que ainda despencavam, flutuando calmamente até o chão. A raposa tomou essas penas com as caudas, e junto com as cinzas do shinobi, construiu cinco pássaros, negros como a noite. Quando foram iluminados pelas velas no seu templo, no entanto, eles abriram os olhos, que cintilaram vermelho, e grasnaram, voando ao redor de si. A raposa observou como eles comeram a comida que lhe fora oferecida pelo shinobi, e partiram dali, se esncondendo do brilho do sol.

Kyuubi chamou aqueles pássaros de Corvos, sempre se escondendo do sol, e procurando o brilho na lua, sem no entanto, conseguir chegar até ela. Apenas cinco penas não eram o suficientes pra transcender o mundo dos homens, e chegar ao lar dos Deuses. No entanto, ela tampouco tinha esperança que eles conseguissem, eram apenas lembranças daquele shinobi, que mesmo movido por desespero e sem sinceridade em suas ações, lhe acendera velas. Velas que já serviam pra afastar o frio da noite.

-Um desejo desesperado já serve pra mover um coração — repetiu a raposa, observando os cinco corvos voando pelo céu, em torno da lua.


Notas finais
E aí, como ficou?!
Agradecimentos especiais ao Joker, por ter me dado a ideia dessa fábula, eu modifiquei um pouquinho pra caber na história em geral, mas não acho que ele vá se importar.
Antes que me esqueça - pela terceira vez - Agradecimentos especiais ao Gabriel Pontas, pelos rewies fodas que me ajudam demais na hora de escrever, e a recomendação a nível fucking boss também, irmão, se ta no clube dos da Hora.
Cluuuuuuuuuuuube dos da hooooooraaaaaaaa!!!!!!!!!!