Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
22 Capítulo 15
Notas iniciais
Vocês não sabem como foi difícil escrever isso, mas vamos lá. Obrigado pela paciência, e aproveitem.
“Você sabia Kusaribi-chan, existe uma lenda sobre um shinobi que amou a lua mais do que tudo no mundo”.
Sentada ao colo do Deus demônio Guerra, uma garotinha de longos cabelos azul mar, que ondulavam infinitamente num redemoinho verde e azul abriu uma grade bocarra.
“Shinobi... O que é isso, Nanami-nee-sama?”
“Verdade... eles são criaturas novas, são homens que aprenderam a usar o sangue azul que corre pelos seus corpos pra controlar a água e a terra, o fogo e o ar também”.
“Por que eles fizeram isso?”
“Pra fazer guerra uns com os outros”
“Pra fazer... você, Nanami-nee-sama?”
“Sim – Nanami riu com gosto, apertando a garotinha num abraço e enterrando o rosto nos seus cabelos, beijando levemente suas bochechas. Kusaribi corou – Todos os shinobis no mundo são meus amantes, eles me amam e passam a vida me procurando, e no final... Morte os leva pra descansar”.
“onde?”
“Eu não sei, mas gostaria de ir pra lá um dia”.
“Eu posso ir também?”
“Eu não sei, mas pode ir me visitar se quiser”.
Ela abriu um sorriso, cheio de dentes de leite, e assentiu várias vezes, feliz, se aconchegando contra o colo quente de Guerra. As duas ficaram um longo tempo sem conversar, apenas apreciando a companhia uma da outra, até que, do nada, Kusaribi deu um pulo assustada.
“Isso significa que eles vão se casar com você! – Kusaribi chorou – Eu que... bem...”
Nanami tocou as bochechas aquecidas da garotinha e delicadamente, a fez olhar diretamente pra ela. Os olhos grandes e verde-vermelho escuro estavam embebidos em lágrimas.
“O que foi filhote?”
“É que... eu que queria me casar com a nee-sama...” – Kusaribi resmungou baixinho, e aparente, só se deu conta do que disse depois, ultrapassando vários tons de vermelho e derramando algumas lágrimas. Levando as mãos a boca, ela deu alguns passos pra trás assustada – “Essa não, eu ainda nem confessei meus sentimentos...”.
Guerra sorriu docemente pra ela, a puxando pelas mãos e a sentando novamente no seu colo, afagando seus longos e lindos cabelos, sem se importar em molhar as mãos, e apertando a garotinha firmemente contra ela.
“Kusaribi-chan”
“Você não esta brava comigo... está... Nee-sama?”
“Não, eu amo você”.
“Onee-sama... – Kusaribi tentou olhar dentro dos olhos profundamente vermelhos de Nanami, mas sempre que o fazia sua voz morria. Deixando de encara-la, ela abaixou a cabeça e murmurou um – Eu te amo também”
“Sim, mas você não pode se casar com sua irmã”.
“Por que não?”
“Bem... – um raro rubor avermelhou levemente o rosto de Guerra, enquanto ela coçava o queixo distraidamente tentando encontrar uma forma de explicar – Eu prometo te dizer quando você for mais velha...”.
Aparentemente se esquecendo de toda a emoção da sua confissão apaixonada, Kusaribi fez beicinho irritada.
“Onne-sama, nunca me explica nada...”.
Guerra riu, e as duas só ficaram perturbando uma a outra por mais um longo tempo, até que a expressão de Nanami ficou maliciosa, e ela cochichou algo no ouvido de Kusaribi, que a fez ficar completamente vermelha.
“Além disso, você já tem alguém de quem gosta, né?!”
“Q-Quem?”
“A lua” – Nanami sorriu – “Você a ama também, não, todas as noites quando ela esta mais perto da Terra, você tenta se aproximar dela, mas você ainda é muito jovem e não aprendeu a erguer suas marés o suficiente pra toca-la... Um dia você vai conseguir”.
“Mas eu gosto da Onee-sama também... Eu posso me casar com as duas?”
“Não...”
“Por que não?”
“Por que não...”
“Mas...”
“Não seja uma garotinha mimada” – Kusaribi fez beicinho e virou o rosto, e o sorriso de Nanami só fez aumentar – “Ou você prefere um Ouji-sama?”
A expressão de nojo de Kusaribi quase arrancou uma gargalhada dela.
“Não... homens são nojentos – ela agitou os bracinhos em ênfase – eles não tomam banho, então fedem, e brigam uns com os outros o tempo todo, e cospem... eca...”.
“É... eca...”
“Onne-sama gosta de homens?”
“Te conto quando for mais velha...”
“Chata!”
Kusaribi tentou respirar, mas a montanha de areia que a prendia sufocava o ar dos seus pulmões, e mesmo olhar pra cima tinha se tornado difícil. Toda aquela areia a deixava doente e fraca, a fazia se sentir uma tartaruga recém nascida que tinha sido abandonada da ninhada, que não conseguira alcançar o mar, e por isso morreria, cozida em seu próprio casco pela areia escaldada de sol, longe do mar.
Ficar longe do mar, longe da água... era assustador. Tudo nela gritava e implorava por ele, pelo frescor e pelo conforto do leito do oceano, mas agora parecia distante dela. Mais uma vez ela tentou gritar com aquele homem estúpido, mas sua voz se perdia na areia e não conseguia mais alcança-lo. Antes eles tinham sido amigos, ele a ouvia e eles compartilhavam seus pensamentos sobre tudo, mas agora, ele estava distante. Ele ainda se movia, e andava, e falava, mas estava tão preso quanto ela na areia. A areia do homem de olhos vermelhos.
Sempre que pensava nele um arrepio de ódio lhe percorria as caldas. Por que ele tinha vindo? Ela estava bem ali, mesmo que presa num homem, não era tão ruim. Nem todos eram tão nojentos quanto ela pensava que era, mas agora Yagura tinha se tornado uma criatura odiosa, tudo o que ele via era distorcido por uma mancha vermelha de insanidade, tudo estava oculto a ele.
Se forçando ao máximo, ela conseguia ver o que ele via, mas era por pouco tempo. Ela pode ver novamente, olhos vermelhos. Olhos tão vermelhos quanto dois rubis injetados de sangue, tão brilhantes quanto fogo. Num primeiro momento ela tinha se assustado e rugido, e tentado forçar a areia pra longe, até que notou que não era O “olhos vermelhos”. Não era aquele maldito olho que girava e hipnotiza as pessoas, era... diferente.
Ainda eram olhos assustadores, vermelho sempre seria assustador pra Kusaribi, mas aqueles eram... profundos. Banhados em significado, aqueles olhos pareciam trazer milhares e milhares de anos de dor e sabedoria com eles. Eram olhos terríveis, de alguém terrível, mas eram inacreditavelmente doces. Olhos que pareciam repletos de lágrimas, o tempo todo, e que pareciam ver mais que nenhum outro. Nenhum doujutsu no mundo poderia se comparar aqueles olhos, aos olhos de Guerra.
“Nanami... nee-sama” – Kusaribi murmurou consigo mesmo, surpreendida, e no mesmo instante viu um sorriso pequeno aumentar no rosto dela... dele... ele era um homem agora? Estranho... Mas ele também não parecia mal.
“Nem todos os homens no mundo devem ser maus, afinal” – A deusa do Mar pensou, e numa centelha de humor negro, adicionou – “mas eu ainda gosto mais de mulheres”.
Guerra a sua frente parecia indiferente a ela, como se não a visse, o que era estranho. Ele sempre a tinha visto, mesmo quando estava escondida no fundo do mar, até os limites de si mesma onde começava a imensidão do Oceano, que ela não podia alcançar, mas podia compartilhar. Ele sempre tinha a descoberto em todos os lugares, quando tentava se esconder dela, as vezes por brincadeira, outros por estar chateada. Agora, ela estava invisível pra ele. Por um momento temeu que ele não gostasse mais dela pelo que Yagura tinha feito, e isso foi assustador. Ela tinha dito que lhe amava não?! A muito tempo atrás... ela ainda era uma criança na época, tão jovem ainda que tão antiga, mas ela se lembrava bem disso.
Uma vez ela tinha dito que, apesar de ser sua Nee-sama, ela era mais jovem que ela. Kusaribi sentiu o mundo virar do avesso naquele dia. Como ela podia ser mais antiga que Nanami? Era impossível... Ainda sim, o Mar estava no mundo antes da Guerra, não?!
“Você só demorou mais pra crescer” – ela tinha dito – “Por que nunca precisou disso, você sempre foi tão simples e inocente, que essa forma infantil cai bem em você...”.
Na época Kusaribi tinha ficado zangada com isso, em boa parte na verdade só por inveja de Nanami ser mais bela que ela, e ter peitos tão grandes... ela não tinha nada... Foi quando Guerra a olhou no fundo dos olhos e disse que não havia Deus ou Demônio que pudesse rivalizar com sua beleza, ela era a imensidão verde-água do mar, e era tão bonita que a encantava.
Kusaribi tinha ficado feliz. Os olhos vermelhos dela refletiam sinceridade e carinho, e estavam da mesma forma agora. Mesmo quando o garoto ruivo sacou a espada, e mesmo que estivesse com uma expressão séria, seus olhos eram carinhosos, pareciam querer abraçar o mundo, e envolve-los com suas nove caldas, pra livrar os homens do sofrimento que a si mesmo causavam.
Aquela velha dúvida lhe voltou a mente, com um tom de alegria que ressoou enquanto a lamina inversa de Naruto se chocou com uma kunai de Yagura. Como era possível que Guerra fosse chamado de demônio, tendo olhos como aquele?
Essa mesma dúvida passou pela mente de outra pessoa. Uma pessoa importante que Kusaribi tinha visto de relance algumas vezes, mas nunca chegou a dar-lhe uma palavra. Uma cavaleira que montava um cavalo de ferro negro, e levava consigo os marinheiros que caíam sobre suas águas. Sua máscara não refletia nada das suas expressões, mas por um momento, dentro de si, ela sorriu.
Guerra tinha olhos magníficos – ela pensou, antes de dar meia volta com as rédeas e fazer as rodas rugirem de encontro ao solo, partindo desse mundo abraçada a um shinobi. Normalmente ela os levava arrastados, como poucos eram dignos de até mesmo montar no seu cavalo, mas aquele, Morte lhe abraçou e segurou sua cabeça com carinho, oferecendo-lhe qualquer conforto que pudesse vir junto dela, ao menos a macies do seu colo, pra uma alma que partira do mundo de modo tão singular.
Zanza...
“Você... pode me entender?”
Tsokoka assentiu fracamente.
“Então... será que você pode fazer uma coisa por mim? – ele esperou um aceno positivo dela, que veio meio tarde e inseguro – Eu preciso... que você arranque minha língua”
Se corpo continuava na Terra, onde apodreceria dentro de um túmulo entalhado pela futura Mizukage. Ela podia ver isso. Podia ver até mesmo os ossos que restariam, e podia ver também as lágrimas que molhariam os olhos de tantas pessoas. Da loba que acompanhava seu irmão, até uma garota que cuidava das rosas da vila e lhe tinha afeição. Enquanto sumia daquele mundo, ela contou-lhe como ela cercaria seu túmulo de rosas, e suas lágrimas encheriam as pétalas de todas ela, como orvalho.
Ele apenas sorriu tristemente pra ela, sem conseguir achar o que dizer. Seus olhos pareciam refletir a mesma tristeza que grande parte de todos ali sentiam. Todos que não tinham os olhos nublados por qualquer ideologia ou fanatismo. Todos que não eram insanos a ponto de gostarem daquela matança.
Todos que perdiam algo com a Guerra. Sim... todos sempre perdem algo pra ele.
Rugindo o cavalo, Morte avançou mais rápido, qualquer sorriso desmanchado do seu rosto enquanto lembrava-se daqueles olhos vermelhos. Ela o odiou novamente, e novamente amaldiçoou seu nome, e no entanto, aquele pesar no seu coração permaneceu. Como sempre permaneceria, por que apesar de odiá-lo com todas as fibras do seu ser, ela não conseguia se livrar daquele pequeno pedaço de amor que restara por ele, mesmo depois de tudo, mesmo depois do desprezo e da insanidade dele ter lhe quebrado repetidamente o coração, ainda sobrara um pequeno pedaço, insuficiente pra poder perdoa-lo, mas o bastante pra sentir tristeza. Morte o odiava, e isso a deixava triste, por que ela também o amava.
Incapaz de fazer nada mais que assistir, Kusaribi tentou achar uma maneira confortável de observar a luta. A Areia ainda pesava sobre ela, e mesmo se mover já estava fora de cogitação, mas ela podia se sustentar de pé, mesmo que um pouco. O suficiente pra ver como ele se inclinou pra frente e correu, deixando no ar o traço vermelho dos seus cabelos. A espada na sua mão cintilou ao sol, enquanto ele puxava a bainha pra trás e se lançava pra frente. Ela temeu por um momento que ele cortasse a própria perna com aquele golpe, mas ele passou inofensivo frente ao joelho, mesmo que por poucos centímetros de distância. O Mizukage não teve tempo pra revidar o movimento, ele foi tão próximo que quebrou toda a sua guarda, embora fosse arriscado o bastante pra alguém menos hábil que ele. Tentando girar o corpo pra escapar da arremetida, ele se jogou de lado, rápido o bastante pra não ser atingido, mas demasiado lento pra evitar ser atingido pelo próximo ataque. De um jeito que parecia impossível, o garoto continuou o movimento, girando e atacou por cima, torcendo o punho e traçando uma curva graciosa com a katana. Kusaribi pode jurar que foi como uma águia mergulhando pra pegar um peixe num rio, e o ataque que teria terminado com a vida do Mizukage, caso existisse uma lamina ali, apenas o mandou cambaleando pra trás, com um roxo lentamente se formando no seu ombro.
-Incrível! Isso teria me machucado pra valer, se sua espada prestasse – Yagura praticamente gritou, gargalhando, enquanto Kusaribi rosnava inutilmente e sentia o peso da areia duplicar, calando seus protestos – mas assim, não deixa nenhum arranhão, é uma pena não, Akai-kun, por que não vira sua espada?
Naruto franziu o cenho ao apelido, mas depois suas feições relaxaram. Mei o observou respirar fundo, até mesmo fechando os olhos por um momento. Eles ainda estavam vermelhos quando foram abertos.
-Eu não mato... – ele disse num sussurro – Essa espada não serve pra matar, ela protege as pessoas.
-Não mata?! – Yagura perguntou, por um momento confuso... incrível né?!... Não... Por que não?... Shinobis que não matam são patéticos... Eu acho que são surpreendentes... Não, são idiotas... Ah é... Sai dessa Yagura... Hein?!... Nada... Ta bom — Patético, um shinobi que não mata é patético! Shinobis são armas de assassinato, e espadas são armas de assassinato! Não é mesmo, Akai-kun?
Ele respondeu com outro ataque, mas dessa vez o Mizukage estava preparado. Apesar da luta de Mei ter exaurido um pouco do seu chakra, ainda tinha muito sobrando. Ele fez uma sequência rápida de selos, e uma quantidade ímpar de água vazou da sua boca, logo enchendo o campo. A um gesto de mão a água se levantou e congelou bem a sua frente, barrando o ataque de Naruto.
-Manipulação de água... – ele murmurou surpreso, e da mesma forma Mei arregalou os olhos – Isso deveria ser impossível, a menos...
-Então você sabe... Eu vou te contar – É por que eu estou usando o poder de Sanbi... – É por que eu sou o Deus dos Mares!
Naruto forçou a katana na barra de gelo, a ponto das veias nos seus braços saltarem, e por um momento Yagura arfou assustado quando a agua a ponto zero começou a trincar lentamente. Aquilo era forte como titânio, como ele poderia... Não importa. O gelo se moldou e duas lanças foram em direção a garganta de Naruto, que desviou girando o corpo e emendando um golpe em linha reta no joelho esquerdo do kage. Ele o evitou erguendo a perna e moldando as lanças a se multiplicarem e se tornarem seis, atacando vários pontos ao mesmo tempo. O garoto torceu o corpo e se livrou de todas, mesmo que uma delas tenha transpassado a manga do seu quimono e o levado junto, forçando o tecido a rasgar diretamente encima da ferida no ombro e fazendo o ruivo perder o equilíbrio.
Yagura riu, enquanto Mei estremeceu completamente quando um grito de dor lhe saiu pelos caninos, a pele morta e enegrecida tornando a sangrar. Durou apenas alguns segundos, em que Yagura rapidamente atacou pelo flanco oposto com uma lança de gelo afiada, que foi desviada pela sakabatou num movimento que era praticamente impossível.
No entanto, esse movimento abriu uma abertura diretamente num ponto vital em seu pescoço. Não teria estado lá se Naruto ainda estivesse lutando contra a dor no ombro queimado, e mesmo assim, não teria tido importância se seu oponente fosse um espadachim. Yagura, mesmo afogado em insanidade foi capaz de reconhecer a magnificência da técnica impecável daquele garoto. Sem aberturas, sem poréns, perfeito e infalível. No entanto, a abertura estava ali, por uma combinação imprevisível e incontornável de fatores, e foi diretamente nela que ele atacou. A lança de gelo se contorceu e disparou diretamente na traqueia do garoto. Não havia como desviar.
E ele não desviou. Mas o golpe tampouco o atingiu. Com um zunido agudo, uma flecha passou em rasante, bem abaixo do queixo de Naruto, abrindo um talho raso no seu maxilar pela extrema proximidade, mas fez o trabalho devido, se chocando diretamente contra a ponta da lança de gelo, e a estilhaçando.
Tudo passou em câmera lenta pros shinobis ali, e Mei se congratulou pela enésima vez da ideia genial de contratar aquele arqueiro. A habilidade dele, apesar de completamente diferente, rivalizava com Naruto em sua essência. A precisão absoluta e infalível.
Naruto, por outro lado, observou como as penas da ponta da flecha vieram manchadas de sangue, e um arrepio lhe passou pela coluna. Foi só um segundo, como um grito lhe chegou aos ouvidos, provavelmente inaudível pra todos ali. “Você me deve uma!”.
“Pode deixar...”
Ártemis não viu o sorriso nem tampouco ouviu a resposta, mesmo que seus olhos chegassem longe, não eram sobrenaturais. Ele contraiu dolorosamente os dedos sangrando e machucados, e puxou mais uma flecha. A última. Aquela não seria lançada. Forçando o corpo pra sustentar o peso de Anko, agora desacordada e sangrando abundante por uma ferida no ombro, ele caminhou em direção a tenda médica, tomando cuidado com qualquer invasor, que fugiam quando viam a flecha retesada, mesmo coberta de sangue. Durante a luta, todos tinham aprendido a temer aquelas flechas, por que uma delas lançada, era um bilhete certo de ida para o inferno pra quem fosse destinada. O diabo não errava.
-Você esta com sorte hoje, Akai-kun – Yagura murmurou desapontado, quase comicamente – Esse teria sido um golpe de morte...
-Não se preocupe, eu não abro aberturas pela segunda vez...
-Imagino... – Cale a boca e o mate!... Certo... – Apesar de tudo, isso vai terminar logo.
Formando selos, ele comprimiu uma quantidade inacreditável de água embebida em chakra no estomago, e as lançou como tiros de canhão. Três, cinco, sete esferas de pressão em poucos segundos, que seguiram como mísseis até Naruto. Mesmo com a dor ainda persistente no ombro, ele conseguiu se jogar de lado e correr, com a espada rente ao chão, formando um círculo e seguindo até o kage pela esquerda. Ainda era rápido, mas consideravelmente mais lento que antes. Yagura conseguiu seguir seus movimentos dessa vez, e confiante, sacou uma kunai pra defender, enquanto cuidadosamente fazia selos com a outra mão, escondida pela sua postura defensiva.
Os golpes ainda eram impressionantes, mas estavam mais lentos e fracos que antes. Tendo lutado desde o início, não era estranho que isso acontecesse, o estranho na verdade era que ele ainda estivesse de pé, isso era incrível. O quão forte ele era? Yagura sabia que não teria chances em combate direto com aquele garoto, se ele estivesse cem por cento, mas o cansaço e a dor cobravam caro de todos, e com a vantagem de ter uma arma mais leve e mais fácil de manejar, ele pode lutar de igual pra igual com ele.
“Incrível... Mesmo machucado, cansado e usando uma katana cega, eu não consigo supera-lo no combate direto, esse garoto é mais forte que eu... Não, você é um Deus, você poderia acabar com ele a qualquer momento, você só esta brincando com ele... Isso não é verdade Yagura, volte a si... Eu... não entendo... Mate... Volte... Grite com ele... Pare de lutar... Calem a boca... CALE A BOCA!”
Naruto viu a confusão passando através dos olhos do Mizukage, e por um segundo pensou que ele tivesse recobrado a confiança. No entanto, o sorriso insano que alargou seu rosto no momento seguinte o fez redobrar sua guarda, ele girou, se afastando e guardando a katana no mesmo movimento, e com as mãos livres, terminou a sequência de selos, redobrando o poder da técnica, que também veio sem nenhum nome.
No mesmo instante chakra pulsou pela água, e graças aos instintos extremamente afiados de milhares e milhares de batalhas, Naruto conseguiu saltar pra trás, a tempo de ver a água condensar e estalagmites afiadas saltarem pra cima, de todas as direções e apontando diretamente pra ele. O solta foi pequeno demais, e o terreno onde ele estava prestes a cair já estava tremulando, a ponto de formar mais picos de gelo mortais.
Agradecendo por ainda não ter liberado o selamento, Naruto fez uma sequência rápida de selos, segurando Rurouni no seishin com a boca, e quando estava prestes a ser empalado, os picos de gelo estilhaçaram e quebraram em vários pedaços, enquanto uma rajada de vento varreu a área, e ele pousou em segurança.
Apenas por um segundo. No instante seguinte, uma nova estalagmite se atirou do chão, o chakra encoberto e imperceptível por baixo do jutsu, que quase lhe custou a derrota. O pico de gelo passou arranhando pelo braço, abrindo um talho confuso e vermelho desde o pulso até depois do cotovelo, quase lhe atingindo o ombro. Naruto mordeu o cabo da katana com mais força, sentindo os caninos aumentarem de tamanho, e seus olhos cintilarem mais vermelhos que antes, de raiva. A dor passou aguda pelo corte, que já manchava a água a seus pés de rosa.
“Não tem jeito, desse jeito eu vou acabar perdendo” – ele pensou irritado – “Mas se eu fizer aquilo, não vou mais poder usar nenhum jutsu... e provavelmente vou ter que terminar isso rápido... Droga, eu queria poder manter isso em segredo por mais tempo”.
-Dói né, Akai-kun? – Yagura perguntou, rindo, enquanto o sangue do machucado lhe ensopava o braço e pingava continuamente na água – Quer que termine com sua dor agora? Prometo ser bem rápido...
-Orusai... – Naruto rosnou, a voz mais grave que antes, ainda perfeitamente compreensível apesar da espada entre seus dentes, vindo com uma nota feral que arrepiou a coluna de Mei. Ao seu lado, Tsokoka, que ainda velava o cadáver de Zanza, estremeceu – Eu não queria ter que mostrar isso, mas você fez por merecer Yagura... Considere-se afortunado, por que você vai ser o primeiro a ver, a técnica que pode matar um Deus!
-Hein...?
Naruto, lentamente e ainda mordendo o cabo da Katana, agitou o braço esquerdo com um gemido de dor, e espalhou o sangue pelo chão ao redor dele. Logo depois, ele cruzou as mãos no peito e iniciou uma sequência angustiantemente lenta e centrada de selos.
“Ne, Hare, Tatsu...”
Longe dali, Hanna sentiu um arrepiou lhe varrer a coluna, enquanto o Gatsuga que ela estava pronta pra fazer se desfazia, e uma kunai quase lhe acertou o coração. Ela desviou no último segundo, e acertou as garras na garganta do chunnins, fazendo o sangue espirrar pelo chão. Meron acompanhou seu olhar, e seus olhos cintilaram em reconhecimento.
-O que é... essa sensação?
“Ushi, Tora, Mi...”
Yagura sentiu o mesmo arrepio de reconhecimento estranho, como se sentisse o gosto extremamente familiar de algo que nunca tivesse provado. A névoa na sua visão falhou por um segundo, e ele ouviu um grito extremamente familiar dentro de sua cabeça, mas só durou até que o genjutsu voltou com força total, e ele se atirou pra frente, formando sua própria sequência de selos.
“Idiota!” – foi o grito dentro da sua cabeça.
“Inu, Tatsu, Ushi...”.
-Ninpou! Kandai Kõri Kakucho! – Arte ninja! Esquife de gelo dos cisnes!
(N/A: Sim, é baseado em cavaleiros do zodíaco, o esquife do Yoga na saga das doze casas).
“Ushi, Hare, Ne... Dai Kuchiose no jutsu!...”
Imediatamente a água aos pés de Yagura pulsou com chakra, e envolveu Naruto, condensando até formar um imenso túmulo entalhado de gelo, com a imagem de um cisne na frente. Mei observou aterrorizada a forma do garoto preso lá dentro, o último selo ainda formado. Por um segundo ela achou que era lindo, até que a realidade da situação lhe atingiu em cheio, e ela se viu derramando lágrimas.
“Naruto... perdeu?!” – a ideia pareceu incompreensível por um segundo, estranha demais pra ser verdade – “Ele não pode perder... se ele perder, nós perdemos...”.
Yagura observou divertido as expressões de Mei, que variavam de medo a culpa. Algo no fundo dele lhe incomodava, dizendo que aquilo estava errado, que ele deveria se render e soltar o garoto antes que morresse asfixiado ou congelado, mas a razão lhe disse que ele estava certo. Ele precisava derrota-los, não?! Pra limpar as linhagens da terra... Sim, era o certo a fazer, ele era um herói fazendo isso. Todos veriam depois, todos entenderiam, ele precisava matar quem se opusesse a ele pra vencer. Era necessário.
Yugao tampouco acreditou no que estava vendo. Seus cabelos roxos estavam quase vermelhos, embebidos em sangue e água, e um jutsu de fogo lhe obrigara a tirar o colete, a deixando somente com a pequena camiseta frágil e quase destruída. Seus seios estavam machucados também, mas qualquer dor foi esquecida quando ela viu o esquife se levantando do chão, Naruto dentro dele, de olhos fechados e formando um selo, pra um jutsu que nunca terminaria. Ela sentiu uma miríade de emoções dentro dela, raiva, ódio, culpa, mas todos eles se voltavam pra dor. Ela tinha perdido seu irmãozinho. Ele estava morto. Ela não pode protege-lo.
A ANBU estava pra avançar em Yagura e fatia-lo em pedaços quando uma mão segurou seu ombro. Ela se voltou pronta pra corta-la fora de quem quer que fosse, até que encontrou os olhos molhados de Hanna.
-Vamos juntos... – ela disse – Sozinhos não podemos contra ele... Se nem o Naru-chan conseguiu...
Parecia estranho dizer aquilo, mas durante aquele mês, o fato de Naruto ser mais forte que ela, que todos eles, tinha se tornado claro, compreensível e até mesmo óbvio. Mais que isso, era confortável. Ele ser mais forte que elas era confortável, era bom saber que ele sempre estaria ali, pra ajuda-las, ele saberia o que fazer, não?! Ele as protegeria...
Mas no final, elas não foram capazes de protege-lo, então de que adiantava tudo aquilo? Frente a morte dele, muitas coisas pareciam perder o sentido.
-Ela tem razão – uma voz soou atrás dela, e Yugao viu Zabuza, agora desprovido da constante presença de Chojuro – Vamos todos juntos, e vamos terminar com esse filho da puta...
Todos os três concordaram com um aceno de cabeça.
-Vocês veem isso?! Shinobis da rebelião? – Yagura gritou, elevando sua voz acima de todos – Isso é o que acontece com quem me desafiam! Os que desafiam o Deus dos mares devem permanecer presos! Eternamente em castigo pelos seus pecados!
Sua voz veio com uma sentença absoluta pra todos naquele campo. Muitos dos ninjas rebeldes estavam tremendo de frio, e não era exatamente pela água fria e gelo ao redor. Os fanáticos do lado do Mizukage comemoravam, observando os outros com sorrisos pontudos permeados de arrogância. Eles estavam certos, afinal, linhagens eram manchas de óleo sujas no oceano deles, no Oceano do Yondaime Mizukage, e como tal, deveriam ser limpas.
-Rendam-se – ele gritou, e o eco na campina repetiu o que foi dito muitas vezes – Rendam-se, voltem sua lealdade a mim, e seus pecados serão perdoados. Linhagens sanguíneas são abominações, por que vocês não veem isso? Muitos de vocês antes eram meus mais fiéis shinobis, incluindo você... Zabuza... Venha amigo, livre-se deles, e vamos trazer a paz e equilíbrio a esse país novamente.
Todos voltaram seus olhos para o demônio da névoa, que sangrava de vários cortes no peito e mantinha um olho fechado, um profundo corte lhe trespassando a sobrancelha até quase metade da bochecha. Logo atrás dele, Yugao e Hanna apareceram, cada uma em um flanco seu, enquanto ele tirava a espada das costas, lentamente. Zambatou parecia refletir sua expressão de frieza absoluta, mesmo que ninguém pudesse ver... Ninguém, exceto uma pessoa.
-Venha irmão – Yagura tentou novamente, abrindo um largo sorriso – Volte pra mim...
O silêncio abrangeu o campo, até que uma única sentença instaurou o caos novamente.
-Não...
Yagura rugiu como Zabuza correu novamente até ele, Zambatou firmemente segura na sua mão esquerda, varrendo a água pra fora do seu caminho. Ele se preparou pra fazer um jutsu, mas outros dois vieram antes. Do lado esquerdo Hanna avançou ferozmente, com um Tsuga cinzento e afiado. Sem ter como desviar, ele redirecionou o jutsu pra ela, levantando uma imensa parede de água que barrou sua passagem, mas isso abriu sua guarda para o ataque de Zabuza. A Zambatou veio com intenção de não só matar, mas de separa-lo ao meio, o balanço rápido e extremamente forte, que ele conseguiu evitar com um pulo.
-Não me tome por um fraco Zabuza – Yagura disse, acertando um chute no queixo do espadachim, o mandando cambaleando par trás, enquanto erguia as mãos, fazendo a parede de água dobrar de força, mandando Hanna pra trás com força, despencando no campo ao lado de Meron, que não se levantou após isso – Você não sabe do que eu sou capaz...
Tudo o que veio do espadachim caído foi um sorriso, enquanto uma sombra roxa se materializou atrás dele, com uma tanto pronta.
Yagura não teve tempo de evitar, e a lamina acertou um ponto vital bem na sua espinha.
-O que... – o sorriso de Zabuza desapareceu ao notar o desespero na voz de Yugao – Eu... não consigo te perfurar!
Yagura não se dignou a olhar pra ela, apenas acertou um soco no seu rosto que a jogou pra trás, rolando pela água e quase afundando, sem conseguir se manter em pé direito.
-Eu te avisei Zabuza... Não me tome por um fraco... – ele disse, e no mesmo instante o chakra ao redor dele pulsou, se fazendo visível – Eu não sou um Deus apenas por controlar o Mar, eu sou um Deus... Por ser intocável!
-O... O que diabos é isso?
O chakra de Yagura, agora perfeitamente visível, assumia a forma de algo que se parecia um escudo, quadriculado e com bordas escuras, cobrindo todo seu corpo, desde os pés até acima da cabeça. Atrás desse escudo, três bifurcações de chakra giravam constantemente, espalhando manchas indistintas pelo ar.
-Um... casco? – Zabuza perguntou, pra ninguém alem de si mesmo, apesar de todos ouvirem sua pergunta – Um casco de tartaruga...
-Surpreso? – Yagura riu, seus olhos parecendo cintilar em verde por trás do chakra, como as chamas de uma vela – Essa é a defesa absoluta do Mar, o casco do Sanbi no Kappa... Vocês entendem agora, por que eu sou um Deus? Eu sou aquele que leva dentro de si o espírito do Mar... o Jinchuuriki das três caudas!
-Yagura... você...
-O que, vai dizer que sou um monstro? Um demônio?! – Yagura gritou – Como todos faziam, Zabuza-nii? Grite, grite bem alto, por que vai ser a última coisa que você vai dizer nesse mundo!
-Eu... nunca achei que você era um demônio – Zabuza murmurou baixinho, e Yagura por um momento pareceu perplexo, até que uma expressão de raiva encheu seu rosto – Eu sempre te vi como meu irmão, mas...
-MENTIRA! – Yagura gritou, e o chakra verde se materializou na sua mão, formando a imagem do seu cajado, que logo se solidificou – Vocês todos são mentirosos, malditos vermes com linhagens! Vocês se acham superiores a todos, mas não entendem que eu sou superior a todos vocês! Eu sou um Deus! Sou o Jinchuuriki das três caldas! E vocês...
Ele girou o cajado nas mãos, olhando friamente pra dentro dos olhos de Zabuza.
-...Vão todos morrer pelos seus pecados...
O golpe teria sido direto e limpo, uma morte rápida e até mesmo misericordiosa, se um momento antes de atingir o alvo, uma parede de lava não tivesse se levantado do chão. Mei formava selos compulsivamente, com sangue lhe escapando dos lábios e, antes que Yagura pudesse escapar, a lava formou uma onda e o acertou, o enterrando dentro de um casulo de rocha vulcânica, que lentamente se solidificou. O silêncio percorreu o campo mais uma vez, enquanto ela olhava seu último jutsu, e caía pra frente, completamente exaurida de qualquer força. Yugao se moveu rápido e a pegou, antes que tocasse o chão, e Mei sorriu pra ela, mesmo que seus olhos derramassem lágrimas.
-Nós perdemos muitas pessoas hoje...
Yugao não conseguiu falar, devido ao bolo que se formou na sua garganta.
-Mas nós vence...
-LIXO! – o grito de Yagura ecoou terrivelmente desfigurado por todo o campo, enquanto o casulo de magma e rocha estourava e ele pulava pra fora dele. O casco de tartaruga mais sólido que antes, apesar de ainda transparente – EU VOU MATAR TODOS VOCÊS!
Foi tudo tão rápido que ninguém teve reação. Yagura apontou seu cajado em direção a garganta de Mei e avançou, com um grito. Zabuza não teve tempo sequer de virar a cabeça, enquanto Hanna ainda tentava se levantar. Todos só sentiram o mesmo pavor ao mesmo tempo, o mesmo cansaço que ameaçava derruba-los, e todos tiveram no mesmo instante a certeza de que tinham perdido. Agora, não havia nada mais a fazer, nada mais poderia dete-lo.
Em seguida, todos sentiram o mesmo calor, e o mesmo pulso de chakra que varreu a colina. Não afetou a nenhum deles, exceto Yagura, que foi atirado pra trás como se tivesse se chocado com uma parede. Ele caiu de cabeça no chão e rolou por alguns metros, confusão se espalhando pelas suas feições enquanto ele tentava se levantar, sem no entanto conseguir se erguer acima da enorme pressão de chakra quer percorria a clareira.
-O... O que é isso?
Mais um pulso de chakra veio, chamas varrendo a colina como ondas num lago, e todos notaram que vinham do esquife de gelo. Yugao, Hanna e Mei olharam aquilo maravilhadas, enquanto Zabuza manteve sua Zambatou em posição pra qualquer ameaça, mesmo sentindo que não havia nenhuma. Aquilo... era assustador, aquele poder.
-Impossível... esse esquife é feito congelando a água embebida em chakra até o zero absoluto! É impossível que ele possa ser descongelado!- Yagura gritou, observando com a forma do cisne lentamente escorreu pra fora, ao mesmo tempo que a parte de cima do gelo escorreu pra baixo, como água. Por trás da imagem das asas abertas, só se podia ver uma massa de vermelho se movendo, como vapor em ebulição, e por trás disso, dois olhos de rubis cintilando como estrelas na noite.
-O que é... ele?
Num último pulsar de chakra, o gelo se partiu e explodiu em todas as direções, enquanto os estilhaços eram derretidos em pleno ar, caindo no chão e imediatamente chiando. Água fervente. Aquilo era água fervente. O vapor se dispersou aos poucos, enquanto as ondas de calor varriam o ambiente, fazendo a água chiar e evaporar em questão de segundos. Yagura sentiu o folego deixar seus pulmões, e sua pele ressecada trincar em alguns lugares. Aquilo era quente... demais...
“Dai Kuchiose no jutsu... Natsu!”
As ondas de fogo duplicaram, e do meio das chamas, um borrão difuso de solto se lançou em direção a Yagura. Só era possível ver os cabelos ruivos, soltos do rabo de cavalo e agitando ao ar, parcialmente cobertos de fogo, e os olhos vermelhos. Yagura não teve qualquer chance de desviar, enquanto a sakabatou, agora vermelha a ponto da incandescência acertou o escudo com um baque horrível de vidro se trincando, e o jinchuuriki do Sanbi foi mandado pra trás, capotando pela terra agora seca, livre de água.
-O que... – Zabuza parecia que ia perder os olhos, de tanto que os arregalou, e com as garotas não foi diferente. O esquife agora não passava de um monte de vapor desaparecendo no ar, e a figura de pé, com os olhos vermelhos cintilantes não poderia ser outro que não Naruto.
Ele não fez nenhum movimento até Yagura se levantar completamente, mas depois avançou como um flash vermelho vivo até ele, atacando de todas as direções com a espada de forma impiedosa. O fogo que o cercava constantemente explodia em ondas de calor que ressecavam e enfraqueciam cada vez mais as defesas do Mizukage, embora não fizessem mal aos outros ninjas por perto. Era quente demais, sufocante, mas não parecia ser nada perto do que Yagura estava sentindo. Seus olhos lacrimejaram e seus lábios racharam com o calor, mesmo suas mãos pareciam ressecadas e envelhecidas.
-Maldito... quem diabos é você? – Ele gritou, de dor e raiva, quando a espada lhe acetou o estomago – Eu sou o Deus dos mares, o Jinchuuriki das três caudas!
A sombra vermelho vivo parou o ataque, só pra olhar de uma forma quase que infantilmente confusa pra Yagura.
-Então... Eu sou três vezes mais Deus que você!
A sombra de medo que varreu os olhos do Mizukage durou apenas um segundo. Naruto novamente embainhou a espada, aparentemente deixando a luta de lado, mas no instante seguinte estava dobrando os joelhos e assumindo uma nova postura. Nem Yugao ou Zabuza jamais tinham visto uma daquela antes, mas dado a forma como o vermelho nos seus olhos clareou, e a tensão sobre seus músculos fez suas veias saltarem, era assustadora.
-Isso vai acabar aqui, Yagura... – Naruto disse, com uma nota de tristeza passando pela sua voz – Eu detesto quebrar meu juramento, mas você não me deixou escolhas... Adeus...
(N/A: Imagem completamente nada a ver, mas foi a melhor que encontrei pra traduzir esse momento, basta imafinar que em vez do Natsu é o Naruto, e em vez do Ignnel é a Kyuubi, certo?! Vocês conseguem...)
O fogo em torno de Naruto novamente explodiu, alcançando o céu e girando com a força de um furacão, enquanto nova caudas de chamas cobriam o céu do país da água, e uma raposa de fogo se materializou numa explosão acima da guerra. Cada shinobi ali presente sentiu o mesmo arrepio de pavor absoluto correr pela sua coluna, inclusive Hanna, e Yugao, e Zabuza, e principalmente Yagura. Nove caudas. Eram nova caudas. Três vezes mais deus que ele...
Se fosse outra situação, ele teria rido, mas só houve medo em seus olhos enquanto o garoto dobrava a perna e partia pra frente a uma velocidade monstruosa, ainda coberto de fogo e com a espada ainda embainhada.
-HITEN MITSURUGI RYU! KUZU RYU SEN!
As chamas explodiram, deixando um traço em vermelho-alaranjado pra trás, enquanto Naruto partia pra frente, correndo tão rápido que parecia estar voando. A Kyuubi de chamas se moveu em conjunto, e disparou pelo céu atrás dele, o fogo lentamente se misturando em algo similar a um raio e acertando o próprio Naruto, que foi novamente envolvido numa áurea vermelho sangue que só deixava seus olhos a mostra. Yagura não soube dizer quando o golpe chegou, mas ele sentiu como se todos os ossos do seu corpo quebrassem em conjunto com aquilo.
O escudo de tartaruga foi quebrado, enquanto um eco de vidro sendo estilhaçado varreu o campo como uma onda de vento gelado, rapidamente suprimida pelas chamas escaldantes do jinchuuriki da Kyuubi. O ataque continuou empurrando o Mizukage pra trás, cada vez mais velozmente, e então, surpreendentemente, deixou o chão. O fogo explodiu como a propulsão de um foguete e os lançou ao céu, enquanto a espada sendo desembainhada deixou traços prateados no céu. Os oito ataques vieram simultâneos, tão absurdamente velozes que foi impossível decidir qual teria sido desferido primeiro. Tudo o que os ninjas no chão foram capazes de ver era o círculo prateado que pulsou em meio ao vermelho, parecendo cortar as próprias chamas. Antes que o nono fosse desferido, no entanto, Naruto se voltou novamente para o chão, duplicando a velocidade e forçando o fogo a rugir com mais força, enquanto ele e Yagura acertaram o solo com a velocidade de uma flecha. A força do golpe foi tanta que rachou toda a rocha no lugar, abrindo uma cratera e fazendo um terremoto abalar o lugar.
Lentamente, o fogo se extinguiu da noite, deixando pra trás um sorriso medonho de raposa nas retinas queimadas de todos que tinham visto. Mesmo assim, só durou um segundo, e tudo se tornou silencioso, e escuro. O dia tinha terminado. A batalha foi junto com ele.
Ninguém falou nada durante um longo tempo após aquilo, como se esperassem algo acontecer. Mei, Hanna e Yugao permaneciam olhando uma pra outra com os olhos arregalados, como se não acreditassem no que tivesse acontecido e quisessem tirar a prova uma com a outra. Todos os outros ninjas no campo não estavam diferentes, alguns estavam apavorados, outros maravilhados, outros apenas estupefatos. Dentro da tenda médica, Kohaku sorriu, pra ninguém em específico, enquanto todos os que estavam em boas condições se perguntavam o que tinha acontecido.
-Não se preocupem, nós ganhamos – ele sorriu pros feridos que ainda tratava, e todos pareceram perplexos – Aquele foi o Naruto...
-Naruto-nii... – Kiba engoliu em seco, olhando pros traços de fogo que sumiam da noite – Como aquilo pode ser o Naruto?
-Quem mais seria?
-touche...
Tossindo, Zabuza foi o primeiro a quebrar o silêncio, a expressão extremamente parecida, sem que ele soubesse, a de Kakashi, com os ombros caídos e os olhos baixos.
-Bem... isso certamente foi alguma coisa.
-Meu... Deus... – Mei disse, e Hanna e Yugao assentiram freneticamente com ela – Isso foi incrível.
Tsokoka apenas concordou baixinho, deitando a cabeça sobre as patas, ao lado de Zanza.
“Acabou...”
Notas finais
Agradecimentos super especiais ao Mateus, por, apesar de não ter conseguido, ter se oferecido e tentado me ajudar com a luta. A intenção é que vale meu amigo, e até hoje poucas pessoas tem me ajudado tanto quanto você, então um super abraço.
Outros agradecimentos ao JoãoGT, ao Noir e a pessoa que me fez entender que não existe nada que esteja bom o suficiente pra não poder melhorar, e que se um texto não sai, você deve deixar de ser fresco, apagar tudo e refazer do zero.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Abraços galera, e até a próxima, com as explicações, conclusão da Guerra e a volta até Konoha.
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