Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei

38 Especial - Momentos Naru x Anko


Notas iniciais
Ta aqui o especial que eu tinha prometido. Eu espero que vocês esqueçam tudo o que tinha acontecido nos exames chunnin, depois da primeira fase, por que vou fazer tudo diferente. O próximo capítulo já vai se passar nas eliminatórias da terceira fase. Aproveitem.

O espião-urso.

(Konoha-orfanato)

A raposa levantou o nariz, quase afagando o aroma no ar. Era aquela garota de novo. Levou alguns bons segundos antes dele poder ouvir o ruído abafado dos seus passos, e em seguida, o “click” da porta sendo aberta. O cheiro ficou mais perto quando ela se aproximou dele. Daquela vez, ela estava sozinha.

–Oi – ela disse baixinho, e a raposa sentiu seus dedos afagarem sua testa, retirando alguns fios do cabelo vermelho, que já passava das omoplatas – Naru-chan, oi!

Naruto não se moveu, mas sorriu levemente. A garota sorriu de volta e embrenhou as mãos nos seus cabelos.

–Eu vim te ver – ela disse, ainda sussurrando, a voz bonitinha de uma garota que ainda não tinha chegado no ápice da adolescência – Eu sei que eu sempre venho te ver... mas eu vim de novo, você não se importa com isso, né?

Ele não respondeu, mas virou de bruços, deixando o rosto de lado no travesseiro e a mais cabelo pra ela coçar.

–Você é tão bonitinho – ela riu baixinho, se sentando ao lado da sua cama. Naruto não chegou a ver, mas ela se apoiou no colchão pra ficar um pouco mais próxima, até que seu nariz tocou os fios vermelhos, e ela aspirou devagar – Eu posso te contar um segredo?

Silêncio. A raposa se contorceu um pouco de curiosidade, mas se obrigou a ficar quietinho, por mais torturante que fosse. Quando estava quase a ponto de pular sentado e dizer que queria ouvir o tal segredo, Anko tornou a falar.

–Eu gosto muito dos seus cabelos... – ela disse, e mais uma vez, pescou uma mexa entre as mãos pra dar uma cheirada – Eles são tão bonitos e cheirosos... Eu queria ser um homem pra poder casar com você e cheirar seu cabelo de noite...

Um tique apareceu nos olhos da raposa, mas ele tratou de ficar quieto de novo. “Eu sou um garoto, droga...”.

–Eu também queria te perguntar... bem, eu sei que você esta dormindo – ela riu de si mesma, e Naruto teve a nítida impressão que Anko acertou um peteleco na própria testa – Mas você não gosta das coisas que eu trago pra você?

Kyuubi afundou a cara no travesseiro, sem querer, sentindo uma umidade lhe escorrer dos olhos.

–Eu nunca tive brinquedos quando era criança... nem ursinhos – ela disse, e a voz pareceu tão magoada que ele quase pulou pra abraça-la – Mas... você devia ao menos ter um pouco de educação e fingir gostar deles, seu chato, não ficar dando pros outros...

A umidade se transformou em lágrimas, e elas escorreram pelo travesseiro.

“Idiota...”

–Por ser um mal menino – ela disse, de novo – Eu não trouxe nada pra você hoje... Não adianta implorar, sua irmãzona Anko esta te pondo de castigo...

Naruto desejou não ter uma audição tão boa, naquele momento... Seria muito mais fácil se segurar se ele não tivesse que ouvir as fungadas leves dela.

–Mas sabe... se tiver algo que você goste... você pode me dizer, e eu vou tentar... sabe... comprar pra você...

Nenhuma resposta. Naruto não se mexeu, ele apenas enfiou mais a cara no travesseiro, tentando não tremer com o choro contigo. Maldição. Raposa demoníaca sentimental de merda.

–Bem... eu só queria mesmo vir te ver... antes de sair de missão com o meu sensei – ela disse, e Naruto conseguiu ouvir o tecido da sua camiseta sendo esfregado contra os olhos – É uma pena que você é um dorminhoco, Naru-chan... Boa noite.

“Boa noite Anko” – ele quis dizer. Não disse.

Ela se levantou, afagou seus cabelos uma última vez, e foi embora.

Silêncio.

Naruto contou os segundos até ter dado dez minutos, então se sentou na cama, e esfregou os olhos no lençol.

–Sabe... – ele disse, pra ninguém em especial – Eu sou um idiota.

Alguns dias depois, Anko chegou de missão, e conteve um suspiro ao entrar no seu apartamento. No meio da sala, maior que o seu sofá, descansava sentado um ursinho de pelúcia gigantesco. Não havia cartão, mas amarrado no seu pulso, um único fio de cabelo vermelho, que Anko tanto gostava.

Ela passou o resto do dia rindo feito uma maníaca, numa sessão de interrogatório e tortura com o ursinho. A única pergunta que ela sempre repetia era: “Quem mandou você?! Quem te enviou?!”.

“Definitivamente, eu sou um idiota – Naruto riu, consigo mesmo – Mas ela é mais”.

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Os dangos do auto-desaparecimento.

(Konoha-orfanato)

Anko conteve o impulso de chutar a porta quando entrou no quarto de Naruto, ou como a maioria dos bastardos sacos de lixo do orfanato gostavam de chamar: “O covil do demônio”.

–Sabe... eu parei de gostar de histórias de princesas raptadas por monstros por sua causa – a garota disse, mais consigo mesmo do que com o garoto, dormindo na cama – Se você é o que chamam de monstro, Naru-chan... eu prefiro aquelas que as princesas fogem pra se casar com os monstros... eles devem ser fofinhos...

Naruto não respondeu, ele estava concentrado em outra coisa, no momento.

Alguns pequenos fatos:

*Naruto tinha ficado de castigo por que, aparentemente, um garoto tinha escorregado no parquinho e ralado o joelho, enquanto ele estava no seu quarto – evidenciando que era, claramente, sua culpa – Então a matrona do orfanato o tinha mandado pro seu quarto, sem comer.

*Aquilo já tinha três dias.

*Anko estava com uma tigela de Dango nas mãos. Uma tigela deliciosa de dangos deliciosos boiando em molho doce delicioso.

–Ou então dragões... eu gosto de dragões – ela disse, apanhando um dango da tigela e dando uma boa mordida dele, manchando os lábios com molho – Eu gostaria de invocar dragões...

Naruto se manteve atento... Assim que ela piscasse...

–Você já ouviu histórias sobre dragões? Dizem que eles vivem em montanhas enormes e sequestram princesas – Anko riu consigo mesma, os movimentos de Naruto foram imperceptíveis – Mas eu acho que eles a levam lá pra fazer companhia pra eles... Deve ser chato viver em montanhas enormes sozinho, você não acha?

“Definitivamente, continue” – ele pensou, consigo mesmo, como costumava fazer quando queria responder à garota.

Aquele dango era delicioso, ele esperou ela piscar de novo.

–Alguns dizem que eles devoram a princesa... – Anko girou a bolinha de Dango no molho, pegando o máximo possível do doce antes de levar a boca e dar uma mordida. Ao lado daquele, as bolinhas foram desaparecendo, uma a uma, sem que ela percebesse – Em que sentido será que fazem isso... quer dizer, comer princesas não deve ser agradável... elas usam muita maquiagem, deve bagunçar todo o gosto...

“Uhun... concordo plenamente” – ele riu consigo mesmo, a boca satisfatoriamente cheia.

–Mas e se eles... sabe... “comem” elas? – Anko riu consigo mesma, tendo que se conter muito pra não soltar uma gargalhada. A ideia de um dragão montando uma princesa era muito estranha – Será que elas aguentam? Quer dizer... deve ser enorme...

“Boba... eu sou só uma criança”.

Anko meteu a mão na tigela, pra pegar outra bolinha, e franziu o cenho.

–Engraçado... pensei que tivesse trazido mais...

“Impressão sua” – Naruto pensou, mastigando alegremente a pasta doce.

–Bem... – ela pegou uma outra, e descruzou as pernas, trocando de posição – Eu posso convocar serpentes... é bem próximo de um dragão né?!

“Nem tanto como todo mundo pensa...”.

–As vezes eu fico pensando que Manda não é mesmo o chefe de convocação... E na verdade é um dragão vermelho gigantesco, que mora dentro de um vulcão – ela riu – E então eu teria que passar num teste dele pra poder convoca-los... Seria foda né?

Naruto ponderou, com a boca cheia.

“Eu acho...”.

–O que você invocaria, se pudesse? Que tal pássaros?

“Definitivamente não...”

–Hummm... não, não combina com você... que tal raposas?! Afinal, com a Kyuubi selada dentro de você e tudo mais... deve ter um contrato com as raposas por aí...

Naruto pegou mais uma bolinha, Anko era terrivelmente descuidada quando distraída.

–Se a Kyuubi seria o chefão de todas as raposas, isso faria de você uma espécie de príncipe né?! Tipo... você teria um harém de meninas-raposas Naru-chan, não é muito legal?!

“Não sei... eu ainda não cheguei na puberdade”

–Ah... mas que bobagem da minha parte, se um contrato desse existisse alguém já teria encontrado... – ela bateu o olhar na tigela no colo, e encontrou apenas duas bolinhas solitárias, boiando no molho – Ara... como isso acaba rápido... Bem, eu tenho que ir.

Anko se inclinou pra dar um beijo no rosto do garoto, e trincou os dentes um segundo depois.

O rosto dele estava todo manchado de molho.

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Chá da meia noite

(Konoha-apartamento de Naruto)

Já era bem tarde da noite, quando uma raposa mística milenar foi acordada com o som da sua janela sendo aberta. Naruto apertou uma kunai debaixo do travesseiro, pronto pra se defender caso fosse necessário, até que aquele perfume familiar chegou as suas narinas, e ele relaxou.

Aquele perfume quase sempre vinha junto com a lua cheia, e isso tinha tanto tempo que ele acabou assimilando os dois.

Anko tinha o cheiro da lua.

–Você esta acordado... não esta? – ela se preparou pra pular encima dele – Não esta?

Naruto suspirou.

–Calma, eu estou acor...

Naruto foi interrompido quando Anko caiu encima dele, os seios pequenos de adolescente comprimindo contra o seu rosto.

Ele nunca tinha sentido o cheiro da lua tão de perto. Era bom.

–Naru-chan! – Anko saiu de cima dele – Você esta bem?

–Ótimo... – ele se sentou, massageando o pescoço, e lançou um sorriso cheio de presas pra garota mais velha, na sua cama – Oi Anko.

–Oi! – ela levantou o braço bem acima do rosto, e saudou, tão moleca como sempre.

–Por mais que eu aprecie sua companhia – ele disse – O que veio fazer aqui no meio da noite?

Ela piscou. Uma. Duas vezes.

–Naru-chan... não fique usando palavras difíceis comigo – ela agitou ambas as mãos a frente do seu rosto, rindo feito uma panaca – Eu vim te ver, você sabe que eu sempre venho te ver.

Depois do episódio dos Dangos, não foi difícil dizer que ele estava sempre acordado durante suas sessões da meia-noite.

–Eu gosto quando você vem me ver – ele riu sem motivo nenhum, e Anko riu da forma como seus cabelos estavam espalhados pra todo lado, já chegando ao meio das costas – Você fez alguma missão hoje?

–Sim! Hoje eu fui com um bando de babacas chunnins pra encontrar um outro babaca chunnin que resolveu fugir da aldeia!

–Isso é muito bom, foi divertido?

–Sim, foi muito divertido! No final ele implorou pela misericórdia da Anko-sama enquanto eu quebrava as duas pernas dele!

Naruto revirou os olhos.

–Você é tão cruel Anko...

Ela corou profundamente.

–Obrigado... – ela notou o garoto se levantando da cama, e franziu o cenho – Onde você vai?

–Fazer um chá, quer um pouco?

–Claro!

Apenas alguns minutos depois, ambos estavam sentados na cozinha, cada um com uma xícara de chá quente entre as mãos. Enquanto Anko bebericava a dela, queimando a língua toda vez e reclamando por isso, Naruto apenas girou a dele entre os dedos, apreciam o calor da louça nas suas mãos.

–Naru-chan... eu queria um conselho seu... e um favor...

“Agora... isso deve ser interessante”.

–Estou ouvindo.

–Você sabe... tem um jounnin que fez algumas missões comigo, ele disse que eu sou muito bonita, e... me perguntou se eu queria sair com ele...

–O que você disse?

Ela olhou pra ele, os olhos marejados arregalados de medo. Era tão engraçado que ele teve que conter uma gargalhada.

–Eu fugi.

Naruto tossiu, mas mesmo assim ela escapou, alta e meio engasgada, até que ele estava no chão, rindo até seu estomago doer. Anko fez biquinho, emburrada, o rosto vermelho feito um tomate, e logo depois estava montada no seu estomago, puxando seus cabelos.

–Baka! Baka! Baka! Baka!

Ele riu mais ainda.

–Calma, calma – Naruto segurou suas mãos, evitando que ela arrancasse ainda mais fios do seu cabelo – Por que você correu?

–Eu fiquei com medo!

–Por que?

–O que eu deveria dizer?

–Sei lá... você quer sair com ele?

–Sim!... Não, eu... eu não sei!

–Olha Anko... você gosta dele?

–Eu não sei, o que você sente quando gosta de alguém?

–Bem... você sempre fica contente quando esta com ele, e se ele chegar perto de você, ou te tocar, seu coração acelera, e você sente como se tivesse borboletas no seu estomago, e acaba ficando ruborizada se eles te fazem um elogio...

Anko piscou surpresa, em seguida se agachou e chegou pertinho, até que seu nariz estivesse quase tocando o do garoto embaixo dela.

–Mas eu sinto isso quando estou com você – ela disse, a expressão adoravelmente confusa.

Naruto sentiu o rosto esquentar ao ponto da fervura, e até mesmo seu focinho interno queimou a ponto de poder fritar um ovo. Quando estava prestes a responder, Anko caiu na gargalhada.

–Você devia ter visto a sua cara! – ela apontou e riu, e de brincadeira, pegou seu nariz entre os dedos e apertou levemente – Foi tão fofinho, você ficou todo vermelho e envergonhado.

–Ahh Anko, você não pode dizer isso pras pessoas...

–Por que não?

–Por que é rude.

–É?

–Sim, você pode magoar os sentimentos delas, se elas gostarem mesmo de você.

–Ahhh... – ela chegou pertinho de novo – Eu não quis te fazer sentir assim...

–Eu não...

–Mas sabe... – dessa vez ela mesmo ficou corada – Eu gosto mesmo de você.

Com os rostos próximos daquele jeito, os narizes quase se tocando, Naruto só pode arreganhar um sorriso pra não ser pego ruborizando novamente.

–Eu também gosto muito de você –ele disse – É por que somos amigos!

Anko riu com ele, e sem saber, cada um deles fez uma promessa pessoal, de que sempre protegeria aquela pessoa especial que eles tinham na frente um do outro.

–Você disse que tinha um favor pra pedir – Naruto disse, pra cortar o silêncio – O que é?

–Ah sim, é que eu sou meio inexperiente, e ele é um jounnin, então pensei que você me deixaria ver seu pau, pra mim ter uma ideia com o que estou lidando, e... Naruto? Naruto!

O garoto estava inconsciente, o rosto caído pra trás com uma expressão boba no rosto. Internamente, Kyuubi arreganhou um sorriso cheio de presas.

“Baka”.

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Péssima com nomes.

(Guerra civil – Névoa escondida)

–Ah Naruto, desculpe! Eu estava de novo no meu modo “Alarme contra pervertidos”.

O garoto se deixou cair pra trás, de onde tinha parado estatelado na parede, com um galo crescente na cabeça.

–Você tem que aprender a se controlar Anko...

–Desculpe... –ela abaixou a cabeça, envergonhada.

Naruto chegou mais perto dela e se sentou na sua frente, de pernas cruzadas. Ambos estavam completamente nus, e ele não pode deixar de admirar o tom de alabastro da sua pele, de manhã cedo. Se aproximando, Naruto deu um beijo no seu rosto, antes de tocar a testa na dela.

–Tudo bem, não doeu nada.

Ela sorriu em resposta, apesar de ainda estar meio sonolenta.

–Que horas são? Parece ser muito cedo...

–Ainda é de madrugada, mas nos temos uma missão de manhã, quer se levantar?

–Não... eu quero ficar na cama com o Naru-chan.

–Você sabe que me faz parecer uma criança quando fala de mim na terceira pessoa.

–Sim... você é fofinho demais pra ser um adulto ainda.

–Baka...

Meia hora depois, ambos ainda estavam deitados, um edredom cobrindo os dois até a cintura, enquanto Anko desenhava círculos no peito do namorado, com a unha, levemente pra não deixar marcas.

–Naruto...?

–Hummm... – ele respondeu, abafando um bocejo, os olhos fechados e quase que totalmente concentrado no cheiro e no toque da pele dela. Era incrivelmente relaxante – Eu estou ouvindo...

–Você já pensou em... sei lá... ter uma família?

Ele soube imediatamente onde ela queria chegar, mas de brincadeira, resolveu desconversar um pouco.

–Você diz... como um pai e uma mãe? Ou avós?

Anko engoliu, um pouco nervosa de abordar um assunto daqueles naquela hora. O caso é que, nos últimos dias, ela vinha pensando cada vez mais nisso.

–Não... eu quero dizer, ser um pai, sabe? E ter filhos...

–Ah sim... muitas vezes.

Ela levantou a cabeça, surpresa, dando de cara com a expressão brincalhona dele, os olhos semicerrados e um sorriso torto no rosto.

–Mesmo?

–Sim, eu penso em... como seria ser um pai, e coisas desse tipo.

Anko descansou a cabeça no peito dele, ponderando a mesma questão...

–Eu não sei como seria ser um pai...

–É por que você é uma garota – ele respondeu, uma gota na cabeça – Você seria uma mãe...

–Eu sei... também não sei como seria ser uma mãe...

–Bem...você teria que cuidar dos bebês também, quando o pai deles estivesse fora...

–Quem seria o pai deles?

Naruto e ela se entreolharam, e dava pra ver claramente que ela implorava mentalmente por um tipo de resposta.

–Se quiser... pode ser eu.

–Eu quero!

Naruto riu.

–Então... quando eu estivesse fora, você teria que cuidar deles.

–Como se faz isso?

–Bem – ele tentou explicar de uma forma que não denotasse a experiência dele em cuidar de crianças – Bebês bebem leite, então você teria que amamenta-los... e trocar as fraldas.

–Eca... Isso não meio injusto?

–Como assim?

–Por que eu tenho que limpar a merda de alguém que tem a honra de mamar nos meus peitos?

Naruto explodiu numa gargalhada.

–Tem outras coisas pra fazer também... você teria que dar banho nele, e as vezes ele ia chorar no meio da noite, e...

–Espera, e o que você faria? Por que eu fico com o trabalho todo?!

–Eu faria tudo isso também... menos a parte dele mamar em mim, eu não produzo leite... Nesse caso eu daria mamadeira pra ele.

–Ah... mas o Naru-chan produz leite – Anko desceu a mão pelo peito dele, até o estomago, e coçou o pedaço de pele embaixo do seu umbigo – Um leitinho bem gostoso.

Naruto corou.

–Mas eu concordo com você – Anko se puxou mais pra ele, até que seus lábios estivessem a um fio de cabelo de distância, roçando uns nos outros enquanto ela falou – Esse leite é só meu.

O resto da conversa foi feita em pequenos pedaços, pontuados por beijos.

–As pessoas também compram carrinhos e levam eles pra passear né? – ela disse- Eu já vi isso.

Naruto assentiu, mordendo seu lábio inferior e acariciando uma área especificado seu pescoço, que ele sabia, a fazia se arrepiar inteira.

–Sim... você quer um menino ou uma menina?

–Eu não sei... – ela beijou seu rosto, e em seguida os lábios – O que você quer?

–Não sei também... que tal um de cada?

–Um casal?

–É... nada mal né?

–E quais seriam os nomes deles?

–Hummm... acho que pra ser justo, devíamos escolher cada um o nome de um deles, ou entrar em acordo com os dois.

–Faz sentido... o menino pode se chamar... Tobimaru!

Naruto bufou.

–Isso é nome de cachorro Anko.

–Mas é fofinho!

–Não... não vou ter um filho meu com nome de cachorro.

–Você parece bem veemente sobre isso – ela piscou surpresa – Bem... Acho que não seria justo se só eu fosse exigente sobre algumas coisas, então vou aceitar isso... alguma dica?

–Bem... que tal Kenshin?

–Kenshin? – ela testou o nome na língua – Parece nome de samurai... o que significa?

Naruto riu, ele nunca esqueceria aquele significado.

–Coração da espada.

–É um nome muito bonito! E também é bem a sua cara.

–Então esta decidido?

–Acho que sim... eu não sou boa com nomes masculinos... Posso decidir o nome da nossa garotinha?

Ambos compartilharam um sorriso e um beijo com isso.

–Acho que é justo... Qual vai ser?

–Que tal... Cho?!

Naruto bufou.

–Isso é nome de cachorro Anko!

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Histórias pra crianças

(Guerra civil – Névoa escondida)

–E então – Naruto ficou em silêncio por um momento, pra aumentar a dramaticidade do momento – A grande raposa pulou sobre o corpo do pastor, ficou bem encima dele. A medida que os yuokais avançavam, ela o protegeu, não deixando que nenhum deles prejudicasse aquele homem, que tinha a alimentado e cuidado dela quando estava ferida!

A garotinha no seu colo pulou de animação, enquanto todas as crianças em volta comentavam animadas o quão legal era aquela história.

–O que aconteceu depois, onii-chan?

–Bem... dizem que nenhum youkai conseguiu sequer arranhar o pastor, e no final, a raposa se transformou numa jovem mulher muito bonita – os meninos se entreolharam, fazendo caretas de nojo, enquanto as meninas assentiram, com os olhos brilhantes de lágrimas – Ela se aproximou do pastor, que a olhou encantado e...

–E o que?! – as crianças pularam de pé, querendo ouvir o final de uma vez.

Naruto riu.

–Ela fez assim: — Naruto pegou a garotinha pequena no seu colo, e deu um beijo apertado no rostinho corado dela, a fazendo rir até perder o fôlego – Então ambos foram pra casa e viveram felizes pra sempre.

–Isso é muito chato onii-chan! – um dos garotos reclamou – Por que as histórias que você conta tem esses finais melosos?

–Baka, foi um lindo final! – a garota ao seu lado acertou um cascudo na sua cabeça, e se aproximou do ruivo, coradinha – Né... onii-chan, você podia me mostrar como a raposa e o pastor fizeram de novo?

Naruto riu, e deixou um beijo no seu rosto também, que avermelhou ao ponto da incandescência.

–Não é assim! – uma das meninas disse, emburrada – Eles não viraram um casal? Casais não se beijam assim!

–E como é que casais se beijam, Asu-chan?

Ela corou como um beterraba.

–E-Eles se beijam na boca!

Mas um coro de “Eca” dos meninos repercutiu pela vila. As pessoas que passavam sorriam pela interação de Naruto com as crianças, quem diria que um general seria tão gentil?!

–Elas estão certas, Naru – Anko dise, assustando as crianças, que não tinham a visto chegar – Você tem que mostrar pra elas exatamente como o fazendeiro e a raposa fizeram...

–Hai, hai... – ele tirou a menina do seu colo, ainda rindo e se levantou, os garotos o seguiram com curiosidade, até que ele envolveu os braços ao redor de Anko – Prestem atenção, o fazendeiro e a raposa fizeram assim...

Anko e Naruto se aproximaram, os rostos cada vez mais próximos um do outro, a mesma medida que os olhos das crianças iam se arregalando. Quando os lábios dos dois estavam a um centímetro de se tocar, Naruto desviou e deu um beijo na ponta do nariz dela.

Mei, meio ao longe, riu da vaia de todas as meninas, que passaram a perseguir os dois, até pular encima deles.

–Naru-chan... ele é mesmo uma pessoa gentil, não é?

Ártemis, ao seu lado, só assentiu devagarinho, um sorriso no rosto. Antes que o arqueiro percebesse, no entanto, Mei envolveu sua cintura num abraço, olhando maliciosamente pros seus olhos.

–Por que você não me leva pra um lugar privado e... – ela lambeu os lábios – Me mostra exatamente como a raposa e o pastor fizeram?

Ártemis desmaiou pela perda de sangue.

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De vermelho e orvalho.

(Fim da guerra civil – País da névoa)

Anko acordou, meio grogue de sono, e deu por falta de algo, algo importante, na cama dela. Já tinha um mês que ela estava acostumada a dormir coladinha ao corpo de Naruto, aproveitando o seu calor e aquela sensação de serenidade que ele lhe trazia. Sozinha, a cama estava gelada demais pro seu gosto. Gelada e solitária.

–Será que ele foi ao banheiro...? – ela passou a mão pelo lençol – Esta frio,ele saiu já tem algum tempo...

Sabendo que não conseguiria mais pegar no sono sozinha, ela puxou o casaco ao lado da cama e se envolveu nele, indo na pontinha dos pés até a porta. Ainda estava bem escuro e frio, como todas as noites na névoa eram, embora não fosse exatamente desagradável. Crescendo num país quente, era agradável sentir aquela umidade da madrugada na sua pele, o cheiro de orvalho que brilharia na grama quando o sol nascesse e o chilrear dos grilos à distância.

Ela saiu da mansão que haviam dividido com Mei e seus amigos no último mês, e acabou encontrando Naruto, encostado numa árvore. Ele vestia apenas as calças, e o quimono azul aberto sobre seus ombros.

–Você perdeu o sono?

Perdido em pensamentos como estava, Naruto não conseguiu evitar pular de susto, segurando o cabo da Kanata e parando de pé, quase na posição de saque do battoujutsu, que ele empunhava com tanta maestria. Anko riu.

–Eu vou assumir que você estava muito distraído.

–Você assumiria correto – ele caiu sentado novamente – Será que eu te acordei?

–Não... eu senti falta do seu calor na cama.

Naruto corou levemente, antes de estender a mão. Anko aceitou o convite e se sentou no seu colo, de lado, compartilhando de um beijo lento e carinhoso, antes de deitar a cabeça no seu ombro. Ela adorava o fato de Naruto já ser mais alto do que ela.

–No que estava pensando?

–Ah... em nada exatamente, eu só quis sentir um pouco do vento na minha pele.

Anko assentiu, acreditando nele. Naruto era uma pessoa extraordinariamente simples as vezes, do tipo que gostava de sair na chuva pra se molhar, ou deitar na grama pra se refrescar no orvalho, era simples e bonito, e combinava com ele.

–Nós vamos estar voltando pra Konoha logo, não...?

–Sim...

–Você vai sentir falta daqui?

Ele envolveu sua cintura com um braço, a puxando mais pra ele.

–Vou sentir falta do frio... e das pessoas.

–É estranho né...? Como deixamos ficar ligados a esse lugar.

Naruto encostou o rosto no dela, e antes de responder, a beijou devagarinho. Ela amava aquilo nele.

–Nós podemos ser shinobis, mas também somos seres humanos... é natural que nos apeguemos alguns lugares e pessoas.

–Mas e se uma guerra estourar... e formos forçados a lutar com essas pessoas... Com a Mei, ou o Chojuro...

Naruto ficou em silêncio.

–O que você faria nesse caso?

–Eu lutaria.

–Verdade?

–Sim, eu... não sei, eu não sei se lutaria com eles, mas eu também não quero fugir de uma luta.

–Bem... você pode se tornar a Hokage, e então impedir a guerra.

Anko riu com gosto agora.

–Eu? Hokage?

Naruto assentiu silenciosamente, e percebendo isso, ela parou de rir aos poucos.

–Fala sério, como se isso fosse acontecer...

–Por que não aconteceria?

–Por que aconteceria? Eu sou aluna de...

–Foda-se o Orochimaru – Naruto disse, num breve momento furioso que enviou um calafrio pela sua espinha. Curiosamente, nas poucas vezes que o vira sério, ou zangado, que vira o brilho daqueles olhos vermelhos e as presas afiadas na sua boca, ela não conseguia ficar com medo, só excitada – Você pode ser o que quiser Anko.

–Mas eu não sou forte o bastante.

–Vamos ficar mais fortes então.

–Mas e se não me aceitarem?

–Eles vão.

Agora foi a vez dela ficar um pouco irritada.

–Será que tudo é tão simples pra você?

–É – ele respondeu – Tudo é simples assim.

Anko se levantou, se curvando e olhando pra ele, ainda sentado, os rostos tão próximos que poderiam se beijar. Pela primeira vez, eles franziram o cenho um pro outro.

–As coisas não são simples assim Naruto!

–Por que não?

–Por que... Ora, por que não! Não tem como eu ser Hokage, por que eu não vou ficar forte o bastante, eu não vou ser popular o bastante, e o Sandaime nunca me escolheria como a quinta!

–Anko... um gennin pode derrotar um kage?

Ela quase respondeu que não, até se tocar que a prova viva de que sim, um gennin podia muito bem derrotar um kage, estava sorrindo como um cretino na sua frente.

–Isso é diferente.

–Não é. Você vai ficar tão forte quanto sua determinação o for.

–O que diabos isso quer dizer?

–Quer dizer que, se enfiar na cabeça que quer ser Hokage, você vai ser! Se quiser se tornar a pessoa mais forte desse mundo, você vai ser. Só precisa trabalhar pra isso.

Ela estava prestes a responder quando Naruto puxou a barra do seu casaco, a fazendo cair sentada no seu colo. As garras alcançaram suas costas, e aqueles olhos vermelhos queimaram nos seus, indescritivelmente terríveis e maravilhosos, ao mesmo tempo.

A discussão foi encerrada do modo mais estranho e apropriado possível, e com os olhos ainda queimando em vermelho vivo, Naruto fez amor com Anko sobre a grama orvalhada da manhã, sabendo que a vila da névoa estava ficando pra trás.

Notas finais
Se vocês gostarem desse tipo de especial, eu posso fazer uma continuação, com mais momentos de Naruto e Anko, ou pode ser com outros personagens também. Até a próxima.