Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
39 Preliminares - parte 01
Notas iniciais
Eu tinha muitos anos a minha disposição. Muitas décadas pra narrar cuidadosamente cada lasca em cada casca de cada árvore na floresta da morte, o verde das folhas repletas de veneno e o miasma de intenção assassina que inundava o chão, feito de animais selvagens, ninjas e cogumelos. Podia descrever cada luta, cada armadilha, cada gota de sangue escarlate que encheu aquele lugar.
Mas vocês já estariam velhos antes disso, deixemos isso pra lá. Foram lutas e armadilhas, enganos e traições e surpresas, e no final, os que sobreviveram estavam cansados, feridos e magoados. Como o Hokage bem disse, os exames chunnin eram um substituto para a guerra, feito pra mostrar para os clientes a força da sua aldeia. Eles não faziam apenas isso.
Sentado nas arquibancadas, onde um chunnin explicava como funcionariam as eliminatórias, eu podia sentir, no tremor da espinha de cada um, no próprio ar, nos olhos de todos. As sementes do ódio, da inimizade, sendo plantadas. Ninjas que perderam seus companheiros, pessoas que perderam seus amigos e já começavam a odiar umas as outras.
Flexionei os músculos, estavam fortes. Eu sempre ficava mais forte em lugares cercados de desunião, de discórdia, de rancor e de conflito.
Eu odiava isso. Fechei os olhos, apertando Rurouni no seishin, que estava apoiada no ombro. O cheiro da minha própria pele parecia encher o ar. Kohaku olhou pra mim preocupado. Anko, que ostentava uma nova cicatriz no rosto, essa cruzando sua sobrancelha esquerda, tocou meu ombro. Sorri pra ela, um sorriso completamente vazio que a fez torcer uma careta, o que era... aquele mal pressentimento?
*****************************
Yugao era uma covarde. Mas ela era forte. Cercada por antigos companheiros da ANBU, ela mal tremeu, apenas olhou pra eles através dos cortes diagonais na sua máscara de gato, o símbolo da folha cortado na testa, a bandana intacta, entretanto, guardada na bolsa.
–Uzuki Yugao, ANBU no Neko – Coruja disse, a voz grave tremida de decepção, raiva e incompreensão – Você foi acusada pelo assassinato de dois chunnins e por fugir de Konoha levando consigo informação confidencial... Explique.
“Como explicar...” – ela pensou consigo mesmo – “Como explicar que eu fugi por sentir vergonha de olhar na cara dos meus amigos de novo? Como eu faço isso...”.
–Por que eu decidi sair não é da sua preocupação, Coruja... – Yugao sacou um milímetro da tanto pra fora, e todos ficaram em guarda. Mesmo não estando numa posição tão elevada, todos sabiam o quão mortífera Neko podia ser com aquela lamina – Saia da minha frente.
–Temo que não posso deixa-la fazer isso – Coruja respondeu, os cabelos marrons arrepiados ao redor da máscara se eriçando, como penas. Ele sacou sua própria Katana – Yugao, você...
–Yu-chan – Coiote deu um passo a frente, a voz denunciando suas emoções, era uma novata – Por que... por que você fugiu desse jeito? Tão de repente...
Os outros dois não demonstraram nenhuma reação, embora, se você olhasse bem de perto de um deles, dava pra ver... escorrendo por baixo do queixo, um trilho de lágrimas que pingou na sua armadura. Ela demarcou mais ou menos o início da luta.
Mais tarde, enquanto chorava nos braços da Mizukage, Yugao pensou o quão terrivelmente fácil foi pra ela matar aquelas pessoas. Bastou alguns movimentos, e pegos no calor do momento, a frieza totalmente inesperada dela foi aguçada como uma lamina de gelo. Coiote, pobre e emotiva coiote, caiu pra trás com um corte profundo no pescoço antes sequer que pudesse se defender contra a pessoa que tinha sido a primeira a dar-lhe as boas vindas na ANBU. Garça e Lontra não foram diferentes, embora ao final os dois conseguiram deixar vários cortes rasos nos seus braços, um nas costas e um no quadril, que era mais constrangedor do que doloroso.
Quando só Coruja estava de pé, Yugao já estava arfante, mas curiosamente, nenhuma gota de lágrimas lhe escapou do rosto, no momento, havia apenas o objetivo, havia apenas a missão, o resto foi interpretado, primariamente, como dano colateral, simples e impessoal, apenas números num relatório, uma cova e um nome escrito num memorial antigo.
“Deus... Eu sou um monstro” – ela pensou, mais tarde, chorando até a exaustão, gritando até a voz falhar e a garganta sangrar – “Eu matei todos eles... e se fosse a Anko? E se fosse o Naruto? Eu teria os matado também?”.
Coruja respirou fundo, olhando pros companheiros mortos com o canto dos olhos, sem desviar o olho de Yugao. Por um segundo, alem de raiva e decepção, ele sentiu vontade de rir. Ela tinha se tornado incrivelmente perigosa, com aquela mesma tanto que ele tinha lhe dado de presente.
–Você ficou muito boa Yugao, uma kunoiche muito capaz – ele tirou a máscara rachada, a deixando cair no chão. Dentro, dava pra ver uma mancha de sangue, sangue que lhe escorria pelo queixo – Por que não resolvemos isso... Como antigamente.
Yugao também tirou a máscara, e assim que ela caiu no chão, foi esmagada embaixo do salto da ex-ANBU.
–Se você prefere desse jeito... Gekko-sensei.
Hayate franziu os olhos, fechando um deles, que estava machucado, e se pondo na postura primária do Shigure soen ryu.
–Você pode dizer algo ao Naruto por mim? – Yugao franziu o cenho, contendo um calafrio... ela ainda não tinha pensado em Naruto, e por um segundo, temeu que a lamina de Hayate estivesse próxima demais pra desviar, mas ele não tinha aproveitado o seu momento de distração. Percebido, sim, mas tinha deixado passar... Por que ele tinha deixado passar?! Ele morreria se fizesse isso.
–O que?
–Diga a ele que... bem, não diga nada – ele girou a katana uma vez, afastando as pernas – dizem que espadachins podem se entender com uma simples troca de golpes, então, se o ver de novo, diga a ele as palavras que minha espada cantarem pra você hoje.
Yugao afastou as pernas. “Certo” – ela pensou – “Eu vou dizer... eu também queria te agradecer, você foi um sensei maravilhoso, se não fosse por você, eu seria uma chunnin ainda... eu nunca teria ficado tão forte, desculpe usar a espada que você me deu pra te matar, na verdade... eu sempre gostei muito de você”.
Ela não disse nada disso, espadachins falavam com suas laminas, não com palavras. Gekko saltou, Yugao avançou, e o primeiro golpe deixou fagulhas no ar, que incendiaram a visão de ambos. Mais dois golpes, dois tinidos que ecoaram na clareira. Quatro golpes, a grama agitou com o vento repelido dos ataques. Oito golpes, a velocidade já era demais pra se acompanhar. Dezesseis golpes, sangue esguichou do rosto de Yugao, enquanto um corte profundo percorria seu rosto na horizontal, abaixo do olho, parando quase encima da ponte do nariz. Trinta e dois golpes. Gekko caiu pra trás, a tanto trespassou seu estomago, mais um chute no queixo, uma imobilização, e quando Yugao percebeu, estava montada no peito do seu professor, os braços em volta da sua cabeça, prestes a quebrar seu pescoço.
Ela sentiu um vazio terrível no estomago. Puxou com força, o “crack” característico enchendo seus ouvidos, ele estava morto.
Morto...
Yugao caiu pra trás, arfante. Olhou em volta, ficou em silêncio.
Dois minutos depois, os gritos histéricos de dor agitaram os corvos do topo das árvores.
**********************************
“Tayuya” – ele pensou, enquanto seguia para o centro do campo, mantendo a espada embainhada – “Há algo de muito singular nessa garota”.
E havia mesmo, alguns centímetros mais baixo que ele, com cabelos vermelhos característicos do clã Uzumaki, ela era uma figura que passaria despercebido pra maioria dos ninjas, um efeito que só os mais talentosos conseguiam alcançar, e fazer aquilo com tanta naturalidade...
–Então eu vou ter que lutar com uma menina? Isso não é meio injusto? – ela reclamou em voz alta pro examinador, que suspirou, com uma gota na cabeça – Pensando bem ela é muito fofinha, eu queria passar um tempo com ela...
–Eu sou um garoto – Naruto apontou pra si mesmo, um sorriso bobo no rosto – Você que é uma menina.
Ela piscou, surpresa, e de brincadeira, puxou o tecido da calça pra frente, olhando pra dentro. Com um sorriso surpreso ela soltou o elástico, o fazendo voltar pro lugar com um “tlac” suave, e sacou duas kunais da bolsa das costas.
–Não é que é verdade, você é muito inteligente por ter percebido isso – metade do estágio revirou os olhos para a conversa sem noção dos competidores, mas Naruto agradeceu, como se fosse um elogio sincero – Por que não fazemos assim, eu te deixo tocar um pouco minha xoxota e você me deixa ganhar, que tal?
–Hummm... não, obrigado.
–Vamos lá – ela abriu um sorriso ainda maior – Eu te deixo colocar um dedo lá dentro.
–Tentador, mas vou ter que negar – Naruto sorriu – Minha noiva vai ficar furiosa comigo se eu aceitar.
No segundo andar, Anko sentiu um rubor lhe invadindo a face, e disfarçou isso com um ataque de tosse, os dois cortes grossos no rosto acentuando ainda mais seu sorriso afiado.
–Você é comprometido então, interessante... – ela riu com gosto – Isso me deixa ainda mais afim de você.
–Se vocês já terminaram – o chunnin se adiantou – temos que apressar essas lutas, diferente do normal, teremos duas rodadas de eliminatória, por isso seria bom se...
–Ta, ta, cala a boca, você fala demais – Tayuya o dispensou com um aceno preguiçoso, fazendo o chunnin trincar os dentes – Só comece a luta quando quiser.
Imediatamente o chunnin declarou o início, pulando pra trás logo depois pra não ser pego no fogo cruzado. Daquela vez, foi desnecessário, nenhum dos dois se mexeu, fora um levíssimo movimento de Naruto, apenas um saque de dedão que fez a lamina pular um centímetro pra fora do encaixe da bainha.
–É uma pena não podermos resolver isso de uma forma mais pacífica, sabe... – Tayuya reclamou, batendo com as botas no chão pra tirar alguma sujeira da sola – Eu não sou muito de uma lutadora...
A espada de Naruto escorregou pra dentro da bainha novamente.
–Bem, acho que podemos resolver isso...
A plateia franziu o cenho, acompanhando com os olhos como os dois caminharam até estarem mais ou menos um metro um do outro, cada um com uma postura completamente relaxada. Eles trocaram mais algumas palavras, e em vez de inimigos, pareciam mais dois vizinhos comentando sobre o calor ou a chuva.
–Melhor de três então? – Tayuya abriu um largo sorriso, aquilo estava sendo inesperadamente divertido.
–Por que não?
–Então não pegue leve comigo – ela sorriu sedutoramente, um dedo percorrendo o lábio inferior até parar – Futuro chefinho-sama...
Naruto franziu o cenho, mas acabou por dar de ombros, e levantou a mão direita, em paralelo com a dela.
A plateia se aproximou mais da grade pra ver, todos presos em silêncio pela expectativa.
–Jo-ken-PÔ! – Naruto e Tayuya disseram, ao mesmo tempo, abaixando as mãos frente uma da outra.
A totalidade do salão, exceto os dois, caiu de cara no chão. Anko estourou numa gargalhada ruidosa logo depois.
–Droga, eu perdi! – Tayuya bufou, pulando no mesmo lugar como uma criança fazendo uma birra, pra diversão do ruivo na sua frente – Bem... já que é assim.
Ela desatou os nós das calças e a deixou cair no chão, revelando as penas cor de creme e a bunda redondinha pra todos na torre. Algumas pessoas foram mandadas pro chão, desacordadas por uma hemorragia nasal, entre eles o examinador-chunnin, Anko, Kiba... Hinata...
–Ahhh... O que você esta fazendo? – Naruto franziu a sobrancelha, apesar do seu rosto meio vermelho, aquela garota era muito bonitinha...
–Ué... esta nas regras, não? O perdedor tem que tirar um conjunto de roupas.
–Isso não esta nas regras...
–Não?
–Não...
–Então o que?
–O perdedor tem que comprar o almoço do outro.
–ISSO TAMBÉM NÃO ESTA NAS REGRAS! – O chunnin se levantou de uma vez, a expressão abobada de alguém que se vê no meio de um manga... bem... mais ou menos assim – Vocês vão ou não levar isso a sério?
–Mas esta divertido desse jeito – Tayuya reclamou – E eu posso ficar nua pra um ruivo muito bonitinho... ME DEIXA EM PAZ!
Naruto riu com ele mesmo, erguendo a mão em seguida. Tayuya sorriu e repetiu seu gesto, balançando de um lado a outro pro fio-dental vermelho ficar mais confortável.
–Se perder dessa vez – Tayuya sorriu – o que você quer ver?
Naruto olhou pro outro lado, um rubor mais pronunciado abaixo dos olhos. A ruiva riu com gosto.
–Jo-ken-PÔ!
–YES! Fique nu pra mim baby! – Tayuya pulou de alegria no lugar, o sorriso enorme tão bem montado no rosto que era quase impossível dizer que era falso.
Naruto deu de ombros, e desatou o nó da Hakama, o atando novamente por baixo do quimono, e em seguida, deixando os dois caírem no chão, ficando apenas com a calça e as sandálias, alem do cachecol azul claro. O peito de alabastro chamou a atenção de algumas meninas, os músculos pálidos e longos, construídos pra velocidade se contraíram quando ele estalou os ombros, algumas cicatrizes finas aparecendo e desaparecendo logo em seguida, como num truque de luz.
–Podemos aumentar isso pra um melhor de cinco? – Tayuya disse, de repente, parecendo perdida em pensamentos – Eu quero te ver pelado...
–Sinto muito, trato é trato.
–Ok... Acho que não tem jeito – ela ergueu a mão, Naruto tornou a repetir seus gestos – Mas quero mudar a aposta pra esse último... você concorda?
O espadachim pareceu pensar por um segundo, então assentiu, era razoável.
–O perdedor tem que dar um beijo no vencedor... onde o vencedor quiser.
O sorriso completamente maligno no rosto da garota mandou mais da metade da plateia desacordada pro chão, de novo.
–Eu acho que tudo bem...
A outra metade da plateia foi de cara no chão. O quão sem noção estava sendo aquela luta?!
–Jo-ken-PÔ!
Tayuya olhou pra sua mão. Uma pedra. Naruto ostentava uma tesoura.
–É! Eu ganhei! Eu quero que você beije a minha bun...
–Espere, eu ganhei... – Naruto levantou os dedos, mostrando a forma de tesoura com firme resolução.
Tayuya, e mesmo o instrutor chunnin, o olharam como se fosse louco por um segundo.
–Você sabe jogar pedra, papel e tesoura, não?!
–Claro que sim.
–Então você sabe que pedra derrota tesoura... né?!
Naruto abriu um largo, tenebroso sorriso.
–Exceto se for um fuuton! Hasami! – Naruto demonstrou, envolvendo os dedos com uma camada fina de chakra pra ilustrar seu ponto – Essa tesoura pode cortar qualquer coisa.
Uma imensa gota apareceu na cabeça de todos ali.
–Uau, impressionante – Tayuya sorriu, olhando pra mão do ruivo de vários ângulos diferentes – Então eu perdi né?!
Todos caíram de cara no chão, de novo, alguns desistindo daquela confusão sem sentido e voltando pros seus quartos, alguns ainda desmaiados pelo efeito da bunda nua da ruiva.
–Já que eu perdi... onde você quer o seu beijo? – ela olhou maliciosamente pra um determinado ponto no corpo do rapaz, e Naruto não pode evitar considerar pedir exatamente aquilo.
Por fim ele deu de ombros, mentalmente, abrindo no rosto o sorriso mais inocente que conseguia, e apontando pra sua bochecha.
–Aqui, por favor.
–Ara... como você é simplório, pode escolher outro lugar se quiser...
–Não, aqui esta bom – ele se curvou um pouco, pra ruiva alcança-lo com facilidade.
Tayuya sorriu, e segurando o ruivo pelos ombros, plantou um beijo apertado nos lábios dele.
–Eu disse que você podia escolher – ela respondeu,se afastando um segundo depois, coradinha e lambendo os lábios – Não que eu ia obedecer...
*****************************
Fora da floresta da morte, Lafiel se sentou sozinha nos canis Inuzuka. Ela estava inconsolável, ali, o fato de Yugao ter fugido da vila e, no processo, matado um monte de gente, não era segredo.
Mas o fato de ser tudo culpa dela era, e isso estava a matando.
Do alto de uma árvore próxima, Tsokoka a olhou com uma expressão estranha. Hanna a tinha explicado uma vez, em uma das suas muitas perguntas sobre seres humanos, que quando viam alguém chorando era gentil ir ver o que tinha acontecido e tentar ajudar.
“Mesmo com pessoas que você não conhece?” – ela tinha perguntado.
“Sim, mesmo nesse caso” – a garota havia respondido – “Embora nem todos façam isso, é gentil e muito legal de se fazer, te faz uma pessoa melhor... eu acho, mas você tem que querer ajudar sinceramente”.
“E se eu não quiser ajudar sinceramente? E se for alguém que eu odeio?” – ela tinha perguntado isso pensando nas duas dálmatas vadias que sequestraram seus filhotes.
“Bem... nesse caso... eu não sei, acho que não, depende”.
“Depende do que?”.
Hanna riu.
“Eu não sei exatamente Tsokoka, seres humanos são complicados, as vezes nós agimos da forma como nos sentimos, se quiser ir ajudar, ajude, senão...”.
“Eu acho que entendo... isso só funciona pra seres humanos?”.
“Acho que com cachorros também... e lobos, claro”.
“E raposas” – Tsokoka pensou, mas não disse – “Se o Naruto estiver mal, eu certamente iria querer ajudar”.
Dando de ombros, a loba desceu da árvore, pousando mansamente no chão e seguindo na direção da garota. A meio caminho até ela, Lafiel notou sua presença e gelou no lugar. A loba se aproximou devagar, consciente dos movimentos dela, até que estava bem ao seu lado.
A elfa tremia da cabeça aos pés, olhando pros olhos luminosos da loba. Ela não ouviu a pergunta que ela fez, e após a terceira vez, que incluía um rosnado pra se certificar que ela estava prestando atenção, Tsokoka percebeu que ela era uma daquelas pessoas que não tinham bons ouvidos. Dando de ombros, ela estava pra se levantar e ir embora, quando Lafiel começou a falar.
–Sabe... eu fiz uma coisa muito ruim.
*****************************
–O vencedor dessa... luta – O instrutor chunnin limpou a garganta, com uma carranca no rosto – Foi Uzumaki Naruto, Tayuya esta desclassificada dos exames finais.
–Ah, é uma pena... – a dita ruiva reclamou, erguendo a calça novamente, movendo muito mais o quadril do que seria necessário pra isso. Ao final, ela olhou no fundo dos olhos azuis de Naruto, e abriu um largo sorriso – Te vejo depois gatinho.
–Muito bem, muito bem – o chunnin os tocou da primeira área do estádio – Os próximos competidores, Inuzuka Kiba e Hozuki Mangetsu desçam agora.
Naruto não prestou muito atenção a sua volta enquanto subia as escadas, ele apenas bateu no punho oferecido de Kiba, e deu-lhe um sorriso em troca. Mangetsu no centro da arena improvisada acenou alegremente para o ruivo, e sacou a katana da bainha, e recebeu outro aceno distraído em compensação. Mesmo quando Hinata ao seu lado apontou a luta animada, e mesmo quando Kiba fez um ótimo uso dos golpes que tinha aperfeiçoado durante os cinco meses na floresta, a cabeça de Naruto estava ocupada com algumas coisas bastante inusitadas.
“Chefinho...” – ele repetiu consigo mesmo, e por um segundo sentiu falta de um cachimbo ou cigarro, eles eram ótimos pra pensar – “O que será que ela quis dizer com isso”.
Naruto só reparou na luta quando Mangetsu cobriu sua espada com água, e num domínio espetacular de suiton e kenjutsu, conseguiu cortar o presa sobre presa, literalmente, pela metade. Akamaru caiu pelo campo, rolando e deixando um traço raso de sangue, que manchava seus pelos brancos como neve. Kiba tentou se levantar, mas a perna estalou e ele caiu no chão, com um grito.
Quando estava pra dar um último ataque, a voz do ruivo se elevou na animação do estádio.
–Mangetsu! – o aspirante a chunnin da nevoa parou o que estava fazendo pra observa-lo, muitas pessoas notaram, sem um segundo de hesitação – Já é o suficiente...
O adolescente de cabelos brancos voltou o olhar pra Kiba, ele parecia ter esquecido da luta, embalando o filhote de cachorro no colo e o chamando compulsivamente, enquanto a equipe médica corria com uma maca. Se fosse numa situação normal, ambos estariam mortos, um erro grave pra um chunnin.
–Baka-ero-inu – Anko gemeu, e os cortes no seu rosto, tanto os de garra na bochecha quanto o da acima da sobrancelha, a partindo ao meio, se emendaram as suas expressões, as realçando. Naruto achou incrivelmente bonito – Ele deixou a luta pra lá no momento que o cachorro foi ferido, o que esse idiota pensa que esta fazendo.
–Não seja tão dura com ele, Anko-sensei – Hinata murmurou, diplomaticamente- Como você se sentiria se Naruto-sensei se machucasse durante uma luta?
A torturadora bufou e virou o rosto, e resmungou e coçou o pescoço, mas não encontrou nada a que contrariar.
–Hozuki Mangetsu passou da primeira fase eliminatória, Inuzuka Kiba esta desqualificado.
“Droga... minha mãe vai me matar” – ele pensou, enquanto saía mancando apoiado num médico, levando Akamaru no outro braço.
“Nós demos tudo de nós” – o cachorro respondeu, com um sorriso no focinho – “É o que importa. Vamos continuar nos esforçando e fazer bem melhor das próximas vezes...”.
“Sim... o foda é que não pudemos usar quase nada das nossas novas técnicas, essa não é uma luta até a morte”.
“É mesmo...”.
–Yuuki Onna e Kidomaru – o chunnin gritou para os competidores animados – Desçam aqui, é a vez de vocês!
A atenção de Naruto voltou-se, no mesmo momento, pra garota de quimono azul e branco que descia as escadas até o centro da torre, parecendo muito tranquila consigo mesmo.
–O que você acha, Chihiro?
Naruto franziu o cenho, mas aos poucos, um sorriso diferente foi aparecendo no seu rosto. Não era o afiado de quando ele estava animado, nem o gentil e bobo de sempre, esse era o sorriso de Chihiro, melhor que isso, o sorriso de Guerra. Haku conteve um arrepio na espinha.
–Quem quer que seja lutando contra ela... não vai sobreviver muito tempo.
O Deus Dragão dos rios acenou, voltando os olhos pra figura esguia e, se você olhasse bem, meio distorcida as vezes. Ela ainda não era muito boa em manter a forma humana...
***************
Floresta da Morte: Início da segunda fase dos exames chunnin.
Anko ainda não tinha aparecido, apesar de contar em minutos o tempo que faltava pra isso, foram alguns minutos importantes, em que muita coisa aconteceu e, talvez, deixou de acontecer. Minutos decisivos. Foi nesses minutos que uma garotinha, no interior da vila, cantou uma canção que não devia ser cantada. Foi também nesses minutos a invasão se tornou algo sólido, e não apenas uma ideia alimentada por Orochimaru. Que Tayuya observou longamente o futuro chefe pela primeira vez, e que alguns daqueles gennins tomavam a decisão que garantiria suas mortes.
Foi nesses breves minutos que Naruto viu um rosto velho, que não esperava ver novamente... não naquele lugar.
–Mangetsu... – não, não era ele – Sora também...
Também não era ela. Ambos os gennins da névoa sorriram e se curvaram respeitosamente ao seu, agora não mais, general.
Mangetsu era um dos filhotes de clã que tinham sobrevivido a chacina do Yondaime Mizukage, agora Hunter-nin. Ele tinha cabelos brancos, olhos azuis fosforescentes num tom mais claro que os de Naruto, e dentes pontudos e maliciosos que apareciam por trás de um sorriso gentil. Assim como seu irmãozinho mais novo, seu sonho era se tornar um espadachim da névoa.
Sora era o calor em pessoa, o que era muito estranho pra alguém vindo do país da névoa. Sua pele era escura, num tom erótico de chocolate que não se via muito fora do país do raio, e os lábios, cheios e convidativos, sorriam largamente. Os cabelos rastafári, negros como piche, estavam presos pra trás numa tiara. Ela corou e sorriu para o garoto que tinha salvo sua vida. Duas vezes.
O terceiro rosto, no entanto, foi o que chamou a atenção do ruivo.
“O que ela faz aqui...?!”
–Parece que vocês tem um novo companheiro de equipe – O ruivo se curvou pra garota, sem dar quaisquer sinais de que já a conhecia – Meu nome é Naruto, muito prazer.
Ela acenou duas vezes, lentamente, olhando de Haku pra Naruto, e se curvou formalmente, os cabelos brancos como neve cortados como os de Hinata escondendo suas sobrancelhas.
–Ah sim, essa é a Yuki, Yuki Onna, ela se apresentou a Mizukage algumas semanas depois do fim da guerra, disse que gostaria de ser uma kunoiche.
Mangetsu fez sinal pra que o ruivo se aproximasse, se abaixou até que pudesse cochichar no seu ouvido. Era um gesto estranho, por que Mangetsu era quase uma cabeça mais alto do que ele, e alguns anos mais velho.
“Não conte pra ninguém, mas ela só se tornou gennin por formalidade, alem disso, Mei-sama achou que seria uma boa chance pra nós chegarmos até o fim dos exames – ele sorriu largamente e apontou pra ela, que olhava desinteressada ao redor, voltando os olhos pra Haku hora ou outra, corando, e olhando pro céu em seguida – Ela é incrivelmente forte, praticamente espancou o jounnin que deveria averiguar suas habilidades”.
“Eu vejo isso acontecendo – Naruto sussurrou de volta, compartilhando uma risada com seu ex-subordinado”.
Foi mais ou menos esse momento que Sasuke decidiu que tinha ficado em silêncio por muito tempo, e decidiu chatear as pessoas em torno dele. Naruto não deu-lhe chance de fazer isso.
–Que grosseria a minha, eu quero que conheçam meus companheiros – Haku deu um passo pra frente e se curvou, antes de sorrir, Sasuke foi puxado pra frente pelos outros dois e arqueou o rosto numa careta – Vocês já conhecem o Haku, esse é o Sasuke, ele parece meio azedo, mas no fundo é uma pessoa muito gentil.
Não era bem verdade, mas uma mentirinha inocente não ia leva-lo pro inferno... pelo menos, não ia fazer diferença.
Os seis deles, ou mais exatamente, cinco, por que um ficou emburrado em silêncio, conversaram sobre banalidades, até que Anko aparecesse de repente, sorrindo como boba enquanto abria os portões principais e divagava em voz alta as muitas e terríveis formas que eles poderiam morrer.
**********************
–Eu quase queria poder lutar contra ela – Haku comentou, animado.
–Não diga isso – Naruto fingiu um estremecimento – Você sabe o caos que é quando Dragões lutam, ainda mais Deuses Dragões...
No centro do estádio, o Deus Dragão do Frio abriu um largo sorriso, enquanto Kidomaru descia, parecendo bastante confiante, como toda boa bucha de canhão.
–Eu só vou te dar um aviso, Ojou-chan – Kidomaru sorriu, exibindo seus vários conjuntos de braço, arrogantemente, pra uma plateia pasma – Desista agora, ou você vai se arrepender... seu azar foi ter sido colocada contra mim nessa luta, se pegasse alguém mais gentil, talvez tivesse alguma chance de sobreviver.
Yuki abriu um sorriso gentil. O examinador baixou o braço, pulou pra trás.
Não levou um segundo, e o gennin do som estava morto. Como uma nota musical aguda, gelo cobriu toda a extensão da torre, alcançando até mesmo as paredes e se alongando pela fresta, começando a formar o que seria uma fortaleza de gelo, se ela tivesse continuado. A pele, gordura, sangue e mesmo os ossos do garoto foram imediatamente congelados, a um ponto que seu corpo se tornou tão duro quanto titânio, mas controlar a dureza do próprio gelo era algo muito fácil pra um dragão, ainda mais o implacável dragão do frio.
Bastou uma senbon, atingindo o ponto certo, e o gelo se partiu em milhares de lascas que cobriram a arena, logo derretendo e cobrindo o chão da torre com sangue coagulado.
Ninguém falou por vários segundos, mesmo os jounnins, mesmo o Hokage, estavam pasmos, aquele nível de perícia com Hyoton, aquele nível de periculosidade, e uma técnica de assassinato tão perfeita e imediata, qual era o nível daquela garota? Jounnin? ANBU? Kage?
Um dragão.
“Ela continua estupidamente forte... como sempre” – Naruto pensou.
–Yuki-san – Sora sorriu, dentre os competidores – Você pegou muito pesado novamente, usar uma técnica rank S contra um mero gennin é quase covardia.
“Você acha que ela sabia? – Haku comentou, com uma sobrancelha arqueada ao testemunhar a execução brutal – Sobre Orochimaru e a vila do som?”
“Talvez... Eles não se toparam durante a segunda fase, mas Frio não é do tipo que mata crianças a toa, ela é cruel, mas não mesquinha”.
“Pelo que eu me lembro, vocês já lutaram antes, e você ganhou... será por isso?”
Yuki Onna olhou diretamente dentro dos olhos do ruivo, do estádio, e a reposta estava clara neles.
“Não... ela não veio atrás de mim”.
“Então?!”
Naruto se virou, e Kohaku quase não percebeu o sorriso tremido no seu rosto.
“Você”.
Haku franziu o cenho com isso, e voltou os olhos pro andar de baixo. Yuki Onna desviou os olhos imediatamente, corada até a raiz dos cabelos.
“Fala sério...” – Rio murmurou, os ombros caídos em descrença.
Naruto teve que conter uma risada.
Se o exame fosse um pouco menos severo, a próxima luta teria sido adiada, mas todos eles eram ninjas, lidar com imprevistos era parte do trabalho, e lutar sobre uma superfície escorregadia de sangue e alguns pedaços de gelo era algo que podia acontecer, eventualmente. Kankurou e Jirobou desceram até o centro da torre, e imediatamente começaram a lutar. Não foi nada digno de nota, a técnica de força utilizada pelo gennin do som eram razoavelmente boas, se tratando de um gennin, e até mesmo a maioria dos chunnins regulares teriam problemas em lidar com ela, mas as palavras que Temari tinha dito, no escritório do Hokage, a algum tempo atrás, eram apropriadas.
Mesmo gennins de Suna são mais fortes que chunnins, na maioria dos outros países. Após perfurar o estomago de Kankurou, Jirobou cometeu o erro amador de esquecer completamente da luta, se gabando pra plateia. Quando notou que não tinha acabado, bem...
Foi seu último pensamento, Ninjas de Suna também eram cruéis, se uma centenas de agulhas envenenadas cruzando todos seus órgãos vitais era alguma indicação. Muitos bucha de canhão já teriam desistido a esse ponto, mas a esse ponto, já não havia mais bucha de canhão no estádio.
–Jirobou da vila do som esta morto, Sabaku no Kankuro é o vencedor, os próximos competidores, por favor, desçam para a arena...
Na verdade aquilo era um piso central de uma torre, e era muito difícil de chamar de qualquer outra coisa, mas pra todos os efeitos, arena serve.
Sarutobi carregou mais fumo no cachimbo enquanto assistia, ao seu lado, Jiraya permaneceu escondido de olhares indiscretos, apesar do velho Hokage ter consciência de que pelo menos metade dos gennins presentes sabiam que ele estava ali.
–Esse ano... tivemos uma remessa muito boa.
“É... uma remessa do caralho – ele pensou, com seus botões – Estou ficando velho pra essa merda”.
Temari e Samui eram profissionais, duas kunoiches que almejavam, e mereciam, reconhecimento . Elas não fizeram piadinhas nem tiraram com a cara uma da outra. Ambas eram fortes e ambas sabiam disso, então, quando o examinador deu a ordem de início, ambas foram com tudo. Uma rajada de vento, só pra começar, desviando uma chuva de shurikens que transformariam quem acertassem numa peneira, elas foram mandadas voando pras paredes e o teto. A onda de vento também destruiu alguns alicerces de um lado do segundo andar, e os ninjas ali, incluindo Naruto e Anko, pularam para a parede ou as outras três pontes de observação.
Isso foi só o começo, a próxima opção óbvia de Samui, como uma combatente de curto alcance, foi se aproximar o máximo possível, tentando sobreviver as ondas furiosas de laminas de vento que já começavam a rachar a parede oeste da torre. Sasuke foi pego por uma dessas laminas e escorregou, sendo pego por Hinata. Quando em segurança, ele se debruçou sobre um belo corte na panturrilha, perigosamente próximo ao tendão de Aquiles.
–Maldição! – ele olhou pra baixo, fuzilando a gennin de Suna, que nem reparou nele – Eu vou precisar tratar disso antes da minha luta, Naruto, venha me chamar quando chegar a hora.
–ok, pode contar comigo.
“Droga, se eu parar de atacar ela vai se aproximar de mim, mas eu estou ficando sem chakra...” – Temari trincou os dentes, tentando pensar num plano pra lidar com a espadachim incrivelmente veloz. Até agora, ela nem tinha usado qualquer jutsu.
E Samui não pretendia, sua afinidade de raio seria derrotada rapidamente pelo jutsu exageradamente poderoso de vento da loira de Suna, e serviria no máximo como uma distração. No entanto, continuar só fugindo era impraticável, e se ela fosse acertada por um daqueles ataques, seria o fim incontestável da luta.
“Droga...”.
–Raiton! Gian! – Elemento relâmpago! Falsa escuridão!
Temari quase sorriu quando percebeu que Samui tinha sido forçada a usar jutsus, àquela hora, já era de se esperar, suas roupas estavam cobertas de cortes e sangue escorria profusamente de um dos braços. Se demorasse muito mais, ela acabaria desmaiando por perda de sangue. O ataque de raio, no entanto, foi facilmente dissipado por uma onde de vento, que seguiu em direção a Samui.
No final, Temari não percebeu os selos de mão que ela fez, enquanto desviava, e só pulou pra trás, quando a ninja de kumo atirou sua própria katana, rodopiando, na sua direção.
A espada parou enfincada no piso de madeira, e Temari caiu no chão, paralisada. Os gennins no segundo andar explodiram em aplausos animados.
–Essa foi uma luta muito difícil, e você teria ganhado se tivesse sacado o meu último jutsu... – Samui comentou, pegando calmamente a katana no chão e a embainhando. Apesar da sua adversária estar, literalmente, no chão, ela não a desrespeitou de forma alguma. Temari de Suna... tinha sido uma boa adversária.
–Que último jutsu – a gennin de Suna conseguiu dizer, com o devido esforço, mas nem mesmo seu queixo conseguia se mover direito – Tudo o que eu senti foi um choque nas costas, mas aquela bola de raio foi dissipada pelo meu fuuton... a menos que você...
–Ah, isso mesmo – Samui caiu sentada, exausta – Eu usei Gian só pra te distrair, e depois fiz mais um jutsu, usando as kunais que tinha atirado em você no começo da partida como receptores. Usando Raiton, Maisou! Eu consegui formar um campo elétrico bem atrás de você, depois, era só questão de te fazer tocar nele.
–Por isso você arremessou sua espada...
–Sim... Foi uma boa luta né?!
Temari bufou, mas depois sorriu de volta, enquanto os ninjas médicos saíram, a carregando numa maca pra fora da arena.
–Ora... – Naruto comentou baixinho, lá de cima – Que ótima luta, essas garotas tem talento.
Sarutobi, do outro lado do estádio, pensou a mesma coisa. Anko olhou de um para o outro, as expressões quase idênticas, e saltou nas costas de Naruto, esfregando suas bochechas juntos.
–Naru-chan, você parede um jiji superexperiente quando fala desse jeito!
–Não diga isso, Anko... – Naruto sorriu, ainda que puxando seus braços pro seu peito e a mantendo no abraço – Agora é sua vez né, Haku...
–Hai... eu vou lutar contra um cara de Kumo também.
–Tome cuidado.
Anko acenou também, enquanto ele descia as escadas calmamente. Quando chegou no centro da arena, Omoi estava sentado no chão, descascando um pirulito e preso num monólogo de bobagens tão improvável que era até cômico.
–Ambos os competidores estão prontos? – depois de dois acenos espelhados, o examinador pulou pra trás – Comecem!
Haku imediatamente correu pra frente, maneirando em muito sua velocidade, sacando uma kunai em cada mão e tentando acertar no ombro do garoto sentado, que sacou a katana enquanto virava um flip pra trás. De algum modo, ele conseguiu girar, enquanto sobre uma única mão, e pareceu um mini redemoinho humano trocando golpes com um dragão.
–Haku-chan parece estar com problemas...
Naruto apenas se recostou mais nela, de olhos fechados. Aquela não era uma luta que valia a pena ver, a única questão era quanto tempo levaria pra Kohaku ajudar sua própria força, pra não machucar muito o adversário.
–Ele vai se recuperar... não vai demorar.
Fiel as palavras do ruivo, depois de um minuto de troca de golpes, e alguns jutsus por parte do ninja de cabelos brancos, Haku conseguiu acertar um tapa forte no ombro esquerdo de Omoi, o manando rodopiando feito um pião pra trás. Foram apenas alguns segundos de vantagem, mas foram o necessário pra terminar uma sequência de selos.
–Hyoton! Makyou Hyoushou!
O chão da arena, ainda cheio de sangue, foi transformado num grande espelho vermelho. Omoi caiu direto pra dentro.
–Preste atenção enquanto esta aí dentro – Haku disse, levantando o espelho com um gesto de mão. Ele quase se esqueceu dos selamentos, mas se recuperou a ponto de conseguir fingir usar alguns pra formar uma estaca de gelo exageradamente grande, bem em frente ao espelho, e apontando direto pro meio da testa de Omoi – Essa é uma dimensão alternativa que só eu posso usar, se o espelho quebrar, você não vai ter como sair... renda-se.
Levou dez minutos pra convencer o garoto a se render, e nem foi por ele ainda tentar se manter na luta. Omoi caiu sentado logo após a explicação, com um novo pirulito na boca, e começou a divagar sobre coisas referentes a gelos, dimensões paralelas, desastres naturais e pôneis coloridos.
–O vencedor – disse o chunnin, que parecia francamente exausto de ouvir tanta bobagem – É Yuki Haku... Nós entraremos para uma breve pausa antes da segunda fase das eliminatórias, vocês tem todos trinta minutos pra descansar e esticar as pernas. Os shinobis em atendimento na ala médica devem retornar nesse meio tempo, ou serão imediatamente desclassificados... Vocês estão dispensados.
Fale com o autor