Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
37 Especial - Madara, da espada de vidro
Notas iniciais
Noite outra vez, a pousada “Trilhas do rio” estava em silêncio. E era um silêncio em três partes.
A parte mais óbvia era, de fato, a falta de barulho, a falta da falta de silêncio. Não havia o som de passos entre as mesas, nem o burburinho de conversas que seria de esperar haver numa estalagem. O telhado era silencioso e os alicerces não rangiam, assim como os soalhos estavam firmes e sólidos, como se fossem recém-construídos, o que não era distante da verdade. Havia uma insuficiência de pessoas, e uma insuficiência de barulhos.
O segundo silêncio, entretanto, era mais sutil, mas se você parasse por algum tempo e prestasse atenção, talvez começasse a ouvi-lo. Era o silêncio nos olhos daquelas pessoas, nos seus trejeitos. Lenhadores não foram feitos pra ficar em silêncio, eles eram construídos com braços fortes e gargantas grossas, pra rir e falar alto, assim como lavradores, com vozes tão carregadas quanto os braços, no período da colheita. Esposas também, apesar de obedientemente caladas, nunca estavam em silêncio, elas cochichavam umas com as outras, sempre cuidadosas de tudo os que a cercava, velhas o suficiente pra saberem o lugar correto de cada coisa, seja uma palavra ou um olhar severo, ou jovens demais pra cochicharem umas com as outras obscenidades que seus maridos não sabiam que elas falavam dos amigos de seus maridos.
Entretanto, aquelas pessoas não estavam apenas caladas, elas estavam em silêncio. Poderia haver conversas e risos, e ainda sim haveria silêncio, estava nos gestos delas, nos olhos tensos e nas respirações leves, quase como se estivessem receosos de acordar alguém muito querido e muito cansado, que dormia a poucos passos de distância.
O terceiro silêncio, no entanto, era o mais sutil de todos, e como era de se esperar, e era apropriado que assim o fosse, o maior de todos eles, englobando todos os outros e se elevando acima deles. Estava nas feições e principalmente nas mãos, ágeis e cuidadosas, do homem que ficava atrás do balcão, esfregando um trapo numa caneca de cerveja já reluzente.
O homem tinha cabelos ruivos, num tom gentil que insistia em ficar acima do alaranjado de sempre, mas não tinha pretensões de ser mais que isso. Os olhos, entretanto, eram fantásticos, azuis como duas safiras, como dois pedaços de céu limpo de nuvens, eles poderiam ser tão brilhantes como a chama dos dragões, ou tão gentis quanto um afago materno, quentes e gelados e duros e moles ao mesmo tempo, pendendo para um lado ou outro, era um espetáculo pra ser visto. Mergulhados, no entanto, em silêncio, eles estavam mornos, quase azuis, lindos, é claro, mas nada como deviam ser.
Dele era a pousada “Trilhas do rio”, assim como dele era o terceiro silêncio. Pesado como um pedregulho na beira do rio e amplo como a fim de outono, era o silêncio de quem esperava a morte.
Eu... Ele
Assim como o silêncio, ele...
As batidas soaram calmas na porta, mas
Como sempre as noites
Kohaku amaldiçoou internamente, gentil demais pra soltar um palavrão. Ele deixou a caneta cair de lado e se recostou mais fundo na cama que o Hokage o havia cedido, numa pensão familiar confortável na vila da folha. Havia um pouco de comida inacabada encima de uma mesa, uma lareira pequenina que queimava com a mansidão de um gato ronronando e um punhado de papéis, com mais rabiscos e rasuras do que seria prático demonstrar.
–Essa – o dragão dos rios disse pra si mesmo, fulminando sua quinta tentativa de escrever uma história, e isso foi apenas após sete ou oito tentativas de escrever um poema – Foi a pior coisa que eu decidi fazer.
Funciona assim. Algumas pessoas são desapegadas das coisas, elas desistem fácil, sabe?! Pode ser coisas simples como sair de casa e mudar de ideia no meio do caminho, e voltar, ou levantar a noite pra comer alguma coisa e resolver voltar pra cama quando sente o piso frio nas solas descalças dos pés. Eles mudavam de ideia,deixavam as coisas pra lá e nunca mais lembravam delas.
Haku era do tipo diferente, do tipo que, se começa uma coisa, ele tem que ir até o fim. E pior que isso, ele era um pouco extremo nisso. É como se apaixonar, você toca os lábios de uma bela garota com os seus, compartilha um olhar ou outro e se vê pego naquele momento mágico, delicioso. Algumas pessoas podem esquecê-lo com o tempo, ou deixar de ligar pra ele, a maioria era assim mesmo. Outras, no entanto, levariam o gosto daquele beijo e as cores daqueles olhares por anos, longos anos que viriam pela frentes, eles se lembrariam, e sentiriam falta.
Haku era uma dessas pessoas, mas ele nunca esqueceria um olhar, nunca deixaria pra trás a lembrança do gosto de um par de lábios, e quando começava alguma coisa, por mais simples ou boba que fosse, ele ia até o final.
Era por isso que, enquanto não escrevesse... algo sobre Chihiro, ele não ia poder dormir em paz. Porra.
A primeira coisa que tinha passado pela sua cabeça era um poema, parecia bom o bastante, fácil de fazer, e bonito. As garotas gostavam disso, e Chihiro, apesar de ser um garoto ali, naquela época, daquela vez, já havia sido uma mulher e, em parte, ainda era, ele sabia apreciar coisas que os homens não davam bola, como flores, ou beijos, ou poemas.
Então Haku começou, e continuou... e rabiscou, e amassou, e arremessou, e pisoteou, e xingou meia geração da família da bruxa que comprara seu nome e arrancou seus próprios cabelos, por quase duas horas seguidas. Recapitulando, poemas não era fáceis de fazer, poemas era horrivelmente, e estupidamente, e doentiamente difíceis de serem escritos.
Então ele resolveu ir com a boa e velha prosa, e ver no que dava. Ele já tinha lido dezenas e dezenas de fábulas de Chihiro, Centenas de histórias menores e, francamente, milhares de contos de fogueira, o quão difícil seria fazer algo parecido?!
Aparentemente era muito, muito difícil, e foram mais várias tentativas antes de achar uma ideia que lhe parecesse agradável e maleável o suficiente até mesmo pras suas mãos amadoras poderem amassar um pouco. Continuar até o final é que era difícil.
Tendo aquela pequena nesga do que seria trabalhar com uma história, Haku nunca mais pensaria mal de um cronista, ou um bardo, na sua vida. Ele esfregou o sono dos olhos e, mesmo relutante, fez força pra continuar, tentando desenrolar de uma maneira passável a cena que viria a seguir.
Era noite de terça, e o grupo de praxe se reunia na pousada “Crista Trilhas do rio”. Cinco pessoas não chegavam a formar uma grande, mas era tudo o que a hospedaria andava recebendo ultimamente. O velho (longa pausa pra escolher um bom nome) Masato cumpria seu papel costumeiro de contador de histórias e distribuidor de conselhos. Os homens no bar bebericavam e escutavam. No quarto dos fundos, um jovem hospedeiro se ocupava descascando um punhado de cenouras, sorrindo ao ouvir os detalhes familiares daquela história.
–Quando acordou, Madara se viu preso num cômodo sem portas nem janelas, todo feito de pedra negra lisa. Tinham levado sua espada e tudo o que mais havia nas suas roupas: Sua chave que abria qualquer porta, a moeda que podia se multiplicar e a vela que iluminava qualquer coisa, mas isso nem era o pior, você sabe... Levaram também o seu corpo!
Mako, Toshio e Michiko acenaram com a cabeça, absortos. Os três haviam crescido juntos, ouvindo as histórias de Masato e ignorando seus conselhos.
–Como eles podem ter levado seu corpo?
Masato lançou um olhar fulminante pro seu novo e descrente ouvinte, e apesar dele ser meio palmo maior que todos ali, grosso como um tronco de carvalho e com uma barba rala com um tom de castanho que só a juventude pode trazer, o aprendiz de lenhador se encolheu um pouco.
–Por que não espera eu terminar garoto?! Eu já ia falar disso mesmo, não sabe que não se interrompe um contador de histórias no meio de uma história?
Shizuko concordou levemente, ansioso pra ouvir mais. Ele não tinha crescido naquele lugar a todas as histórias mais comuns eram novas pra ele.
–Como eu ia dizendo, levaram também o corpo de Madara, mas deixaram um outro no lugar( Haku deu um sorrisinho aqui, juntando duas pessoas reais num personagem só) Seu corpo original era um grande felino, de pelos brancos enormes e marcas vermelhas como diagramas cobrindo sua cabeça e costas, como as siglas de Amaterasu, era um corpo lindo, forte, jovem e orgulhoso, mas o que deixaram no lugar era uma coisa horrenda que não fazia jus a ele mesmo.
–O que deixaram?
Dessa vez Masato riu, parando apenas pra beber uma golada de sakê, ele sabia apreciar perguntas quando elas eram úteis a história.
–Deixaram um gato de porcelana.
–Como alguém pode ficar vivo num corpo de porcelana? – Shizuko perguntou, sem se conter, como se a história do velho lavrador fossem fatos científicos, e não apenas um conto da carochinha – E como se pode trocar o corpo de alguém, e...
Ele se calou quando levou um tapa na nuca, apesar do velho ter tido de se levantar pra alcançar aquele ponto, mesmo o garoto estando sentado.
–Eles usaram magia idiota, cale a boca e me deixe terminar isso. Enfim...
Madara era esperto, ele conhecia as sutilezas da magia, por isso, em sua maior parte, ela era inútil contra ele. Entretanto, quando jovem e inexperiente, ele cometeu o erro de confiar numa bruxa, uma bruxa jovem e formosa como uma flor no inverno, e deu a ela seu nome. Não aquele nome que todos ouvidos falar, pelo qual conhecemos as pessoas, ele lhe deu seu verdadeiro nome, aquele que você pode ouvir nos sussurros ao pé do ouvido, quando faz uma amante gozar. Madara havia se apaixonado e, pra mostrar seu amor e confiança, deu a ela seu nome.
–Foi muito bobo da parte dele – Michiko riu – Todos sabem que bruxas são malévolas por natureza.
O jovem lenhador concordou, enfaticamente.
–Não acho que seja por maldade dela – Masato disse, coçando a barba branca – A bruxa na verdade deixou isso escapar uma amiga, uma conhecida de infância, e pediu que ela nunca o revelasse a ninguém logo que percebeu o que tinha feito, mas...
–Por que...
–Droga garoto, cale a boca! – Masato ergueu a mão, como se fosse dar um sopapo no rapaz, mas se conteve no último momento – Elas estavam tendo conversas íntimas, mulheres fazem isso, entende?! Por isso quando for foder a vaquinha da sua namorada, certifique-se de fazer isso direito, ou todas as garotas da cidade vão saber no dia seguinte.
Como eu ia dizendo, ela deixou escapar, mas um perseguidor estavam ouvindo tudo, e se acercou da bruxa. Ela não era tão bem intencionada quanto a amiga, e o grande monte de ouro que o ladrão lhe ofereceu pelo nome do Grande Madara foi mais que o suficiente pra trair sua confiança. Dotado do nome dele, o perseguidor tinha poder sobre Madara, e o usou pra, num momento de fraqueza, arranca-lo de seu corpo e aprisiona-lo naquela torre.
No entanto, Madara sabia tudo sobre magia, e mesmo sem ter o corpo e os poderes plenos de volta, usou seu conhecimento pra fugir. Ele se aproximou da pedra e, conhecendo-a bem, gritou seu nome, e ela se partiu e se curvou, abrindo espaço para a noite sem estrelas. Sem se importar com os muitos metros acima do solo, Madara pulou.
–Desculpe interrompe-lo Masato – disse o hospedeiro, gentil como um filhote de gamo, deixando na mesa uma bandeja larga, repleta de tigelas de sopa, arroz, legumes assados com carne, queijo e farinha, alem de várias canecas de cerveja a mais.
O velho sorriu em resposta, após algum tempo, ele tinha aprendido a tratar o estalajadeiro com a mesma gentileza com que trataria uma donzela.
–Não se preocupe Manda, você chegou em boa hora – ele acariciou discretamente a pança estufada – Eu preciso recarregar pra continuar trabalhando amanhã, você sabe, saco vazio não para em pé.
Ele recebeu um sorriso em resposta.
–Tudo bem, eu
A resposta do hospedeiro foi sorrir bondosamente, o rabo de cavalo vermelho comprido balançando suavemente a sua passagem. Antes que chegasse até o balcão, o velho já tinha a boca cheia de queijo e estava dando colheradas na sua sopa.
–Vocês não acham o Manda meio... estranho? – Soichi perguntou, com um tom zombeteiro, antes de se calar frente a um olhar agudo do contador de histórias.
–Ele parece mesmo meio afeminado – o lenhador disse, parecendo muito orgulhoso do seu porte troncudo, braços tão grossos quanto as pernas do ruivo e um tronco que seria, pelo menos, três vezes maior que o dele.
–Escutem aqui vocês quatro – Masato bebeu uma golada longa de cerveja – Podem pensar o que quiserem daquele rapaz, mas façam apenas isso, pensem. Ele esta na cidade por apenas três anos, mas já demonstrou seu caráter inúmeras vezes, entenderam?
Os três primeiros abaixaram levemente a cabeça, embaraçados de serem repreendidos e um tanto envergonhados de si mesmo, por saberem exatamente do que o velho falava. Shizuko tinha estado a bem menos tempo na cidade, e apenas deu de ombros.
–O que ele fez de tão impressionante? – ele voltou os olhos para o estalajadeiro – Ele parece fraco como um gato pra mim.
–Mas tem dez vezes mais cérebro que qualquer um de vocês. Tenho certeza que você pode citar algumas coisas sobre ele, Mako.
O garoto assentiu.
–Teve uma vez que minha mãe estava doente, e o médico estava na vila vizinha, tratando de uma criança – ele se remexeu no lugar, desconfortável – Perguntamos na cidade inteira se alguém podia nos ajudar a chegar lá, mas era época de colheita, e ninguém pode se desfazer dos seus cavalos... Manda-san, no entanto, deixou a hospedaria e foi ele mesmo, com minha mãe, atrás do médico. Quando voltou ela estava com a saúde perfeita, e o agradeceu até mais que o médico.
–Parece injusto pra mim – o lenhador disse, com um sorriso debochado – Foi o médico que a curou.
–Eu não sei, mas mesmo o médico parecia impressionado, talvez ele tenha feito algo no meio do caminho...
Masato interrompeu a discussão com um aceno de mão, apontando pro terceiro garoto, o mais baixo da mesa.
–Michiko?
–No último inverno ficamos sem lenha, e não foi só eu, Manda-san, entretanto, compartilhou o estoque dele com todo mundo – ele sorriu levemente – Quando viemos aqui, uma manhã, ele estava dormindo ainda, tremendo, sem lenha na lareira.
–Sem contar que as crianças adoram ele – Toshio disse, sem esperar pelas reações do resto da mesa – Teve uma vez que a filha da viúva tropeçou numa pedra, na frente da estalagem, Manda-san a levou pra dentro e fez um curativo nela, ele até beijou a ferida pra ela parar de chorar.
–É, eu vi ele fazendo isso.
–Ele também é sempre tão gentil com todos...
–Sim, sim – Masato calou a mesa de novo, como vinha fazendo com frequência – Manda é muito gentil e bem intencionado, ele sempre ajuda as pessoas, é por isso que eu o trato com o mesmo respeito que trataria qualquer padre, mesmo ele parecendo meio delicado, é um bom homem, lembrem-se disso... Entretanto, voltemos com a história.
Madara, no entanto, não teve medo de pular, ele conhecia o nome do vento, então o vento era seu criado. Quando foi chamado, ele aparou sua queda e o levou até o chão, mansamente, como que num afago. Ainda no corpo de um gato de porcelana, ele correu a noite toda até a passagem do cima e embaixo, e...
–Mas você disse que ele podia ir pra lá só se imaginando lá, era um presente dos elurianos –a bem da verdade, dessa vez foi Toshio que o interrompeu, e a bem da verdade também, ganhou o mesmo tratamento que o lenhador, um tapa na nuca e algumas palavras grosseiras. Masato era, acima de tudo, muito justo.
Como ele havia perdido seu corpo, só lhe restava correr. Entretanto, de volta com os elurianos, ele correu até sua amante, a princesa, e ela fez pra ele um corpo novo, usando o sangue que eu disse que ela guardava. Era um corpo poderoso, forte, todo vermelho com nove caldas imensas, cada uma tão forte que um simples agitar poderia achatar uma montanha, mas pelo imenso poder, Madara só podia usa-lo por alguns minutos a cada ano, e ele fez isso pra destruir o castelo dos perseguidores, e recuperar sua filha...
O velho parou pra beber uma golada de cerveja, e devorou o resto da comida logo depois, bebendo o caldo da sopa da tigela e limpando os restos com fatias de queijo, consumidas uma atrás a outra. Assim que terminou, ele acendeu o cachimbo e se pôs a fumar, como se não tivesse uma única preocupação no mundo.
–E a história? – perguntou o lenhador, claramente impaciente.
–O que tem ela?
–Ela já acabou?!
–Já...
–Mas e a invasão ao castelo, e sobre os Elir e a morte da amante dele?
–Ah, você sabe garoto, a invasão ocorreu mal e Madara matou um amigo por acidente, por não controlar o corpo direito, então chorou sobre ele e o ressuscitou, mas até lá os Elires já tinham alcançado a sua esposa e a matado, e como ele não podia usar o dom de trazer os mortos a vida mais de uma vez por ano, significava que havia perdido a mulher pra sempre, então ficou louco de raiva e destruiu o castelo todo, se matando no processo, coisa e tal...
–O que aconteceu depois?
–Eu é que vou saber?! Pareço um Elir pra você?!
–Com certeza não – Michiko riu, desviando de um golpe na nuca e se afastando antes de levar outro.
Depois daquilo
O resto da noite se passou em silêncio, com o estalajadeiro percorrendo as mesas e as limpando, hora ou outra atendendo um cliente tardio e lhe trazendo comida, sempre com um sorriso nas feições
Haku franziu o cenho, um tanto incomodado consigo mesmo. Os olhos arderam um pouco, as pálpebras pendendo de sono, mas ele não parou. Tinha mais algumas coisas que poderia ter escrito pra coisa ficar bonita e fluída, mas ele queria ao menos terminar aquele rascunho antes de se deitar, então avançou diretamente pra última parte, a terceira cena que havia imaginado.
A noite caiu como um manto, ficando mais escura a cada minuto que passava, e quando tudo lá fora estava num breu quase sobrenatural, as lamparinas na parede brilharam em azul claro, a chama famosa que anunciava a desgraça. Não houve correria ou gritaria, Pegos na surpresa da situação, as únicas oito pessoas no bar, sem contar o hospedeiro, travaram em seus lugares, e antes que uma única palavra fosse dita, a porta se abriu, o nono cliente entrou, usando um manto negro pesado e botas de metal farpados no pé.
Ele parecia um perfeito espectro da morte, desde os esfarrapados até as mãos cadavéricas que alcançaram, discretamente, a espada na sua cintura. No balcão, longe do olhar de todos, o ruivo segurou uma katana, presa num suporte especial. Os olhos estavam diferentes de antes, assim como as feições, sérias e mais assustadoras do que qualquer um daqueles camponeses esperaria ver no rosto agradável e gentil de Manda.
–Já faz um bom tempo, pensei que tivesse morrido – disse a figura sinistra, puxando o cabelo pra trás e deixando um punhado de cabelos brancos a mostra – Como é que vai Madara?
Haku bocejou, escovando o sono dos olhos.
–Foda-se, eu vou terminar isso logo – ele pensou – Amanhã eu posso repassar tudo mesmo.
Não houve murmúrios surpresos nem pessoas apontando, por que, por mais estranho que fosse, até aquele momento tudo se tornara óbvio, os cabelos vermelhos, as marcas negras no pescoço e a espada lendária de vidro, tão afiada que podia cortar palavras no ar. Que outro aquele seria, que não Madara?! Era óbvio, e afirmar o óbvio era perda de tempo.
(Acrescentar luta de espadas aqui)
Ao fim
Assim que a espada de vidro
A espada de Madara parou no pescoço do Elir, tirando um filete de sangue pelo mero contato com a pele, quando de repente, num trinco alto, ela se quebrou, partindo
Haku bufou de irritação, arrancando a página do lugar e a amassando compulsivamente, antes de atira-la na parede, onde ela pagou, achatada, antes de escorrer pro chão. Ele chutou os restos de pergaminho rasgado pra fora da cama e deixou o texto escrito na cadeira, apagando a luz no processo, antes de se enfurnar debaixo das cobertas e cair num sono maravilhoso.
–Amanhã eu continuo... – foi tudo o que ele disse, antes de cair pra inconsciência, uma série de cenas diferentes envolvendo Naruto, uma espada imaginária e demônios sórdidos ocupando seus sonhos.
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