Notas iniciais
Postando rápido, eu sei. Capítulos curtos, vocês que pediram.

Existem várias maneiras de definir coragem, assim como covardia, e muitas delas são contraditórias. As vezes, ficar e lutar, quando você poderia fugir, é mais uma covardia do que uma amostra de bravura, as vezes se manter em pé por uma causa estúpida não é mais que estupidez, mas se ajoelhar também não deixa de ser covardia. Existe coragem em assumir a própria estupidez, mas se voltar contra ela não é propriamente covardia, é discernimento, sabedoria.

Yugao tentou encontrar uma outra boa razão pro que estava fazendo, mas era meio inútil. No seu caso, ela estava apenas sendo covarde mesmo.

Afinal, fugir por medo de encarar um problema é covardia, em sua forma mais básica. Yugao gostava de pensar que era valente, ela estava provando o contrário. Sangrar por seus amigos, pela sua aldeia, seria fácil. Morrer seria fácil. Encarar o desgosto deles, perde-los, é que era difícil. Por isso ela fugiu.

A pior parte é que foi pateticamente fácil. Um ANBU sabe demais, pontos fortes, pontos fracos, ataques e defesas e rotas de entrada e saída secretas. Sendo discreto, qualquer ANBU que se preze poderia deixar a vila e, com sorte, estar a muitos quilômetros dela antes mesmo que dessem pela sua falta. Ela, no entanto, talvez pra mostrar alguma bravura na sua própria covardia, escolheu sair pelo portão principal.

Não foi exatamente bravura, foi estupidez. Ela sabia disso, e pra se firmar ainda mais nesse conceito, como mostra de coragem, fez outra idiotice.

Ela matou os chunnins que estavam de guarda.

Talvez convenha dizer exatamente como ela fez isso, mas não é difícil de imaginar. Roupas e mantimentos selados em pergaminhos separados, uma barraca e um par de cobertores em outro, e tudo isso amarrado num pacote, que ela levava as costas. Ainda era de manhã, duas horas antes de um compromisso que ela faltaria, horas longe de qualquer caçador, e então, talvez um dia ou dois de vantagem, antes do Sandaime ser obrigado, tanto pela sua própria consciência já maltratada, quanto pelo conselho, a lista-la como uma nukennin.

Ela não deixou espaços pra dúvidas, não deixou nenhuma suspeita, era um fato simples, tanto quanto o era com Itachi, ou Megami, ou Sasami, ou qualquer outro nukennin que a vila havia produzido nas últimas gerações. Ela deixou provas disso.

Os corpos do chunnin, no portão, foram apenas o começo. Havia bombas. Muitas.

Ela só rezava pra que nenhum dos seus amigos a perseguisse, ou, ao menos, que fossem bons o suficiente pra ver o papel bomba, que ela não fez questão de esconder tão bem quanto podia.

Apesar da fria racionalidade, Yugao chorou o tempo todo. Ela saiu de casa derramando lágrimas, matou Mura e Kotetsu derramando lágrimas, saiu da vila e montou as armadilhas derramando lágrimas, e mesmo quando já estava no alto da manhã, e ela sabia que as pessoas tinham começado a procura-la, ela ainda estava chorando.

Por que Yugao, tanto quanto valente, era uma covarde.

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“Talvez, se eu tivesse percebido, se tivesse farejado melhor, ou a ouvido chorar, tudo poderia ter sido diferente” – Um Naruto, mais adiante na história, pensou tristemente, mas ele não havia percebido nada. O Naruto de agora havia passado a manhã toda transando com a namorada, pouco preocupado com qualquer outro som que os gemidos dela, ou qualquer outro cheiro que o da pele dela, misturado com a sua. Ele saiu de casa e não deu nem um olhar pra pessoa da casa ao lado, por que... Quando nos sentimos seguros de nossas posses, é que nos descuidamos delas.

Ele deveria ter sabido melhor.

Naruto chegou a academia bem atrasado, e não se preocupou tanto em esconder o fato. Ele passou a entrada já meio vazia, e o segundo andar, onde Izumo disfarçado ainda mantinha um grupo de retardatários pra fora e, ao mesmo tempo, presos no seu pré-teste. Uma breve olhada em volta, e ele não chegou a reconhecer nenhum daqueles rostos, apenas subiu as escadas, indo direto para o terceiro andar, onde um jounnin familiar esperava na entrada, junto com duas outras pessoas, uma delas muito brava.

–Ora, você veio – Kakashi disse num tom entediado, apesar de não parecer nem um pouco surpreso.

Naruto respondeu com um sorriso.

–Desculpe o atraso.

–Onde diabos você estava? – Sasuke quase gritou, ameaçando pegá-lo pelo quimono, mas conteve o gesto, levando a própria mão estendida e passando os cabelos pra trás, furioso – Nós quase fomos desclassificados por sua causa!

–Ara... Por que? – ele se fez de desentendido, parando pra acenar pra Haku, que o cumprimentou com um aceno leve de cabeça e um sorriso igualmente sem peso – Os testes não são individuais?

–Foi isso que você me disse...

–Foi isso que Kakashi me disse...

–Mas não são! – Sasuke apontou o dedo indicador bem no meio da fuça de Kakashi, que levantou os olhos do seu livro por um instante, antes de suspirar, parecendo extremamente desolado com qualquer coisa – Esse imbecil nos disse que só equipes completas podem competir, por que diabos colocariam Haku então?

–Então vocês já se conheceram?

–Não mude de assunto, eu posso passar por isso sozinho facilmente!

–Mas não vai – Kakashi fechou o livro e o acertou de leve na cabeça de Sasuke, apenas a fazendo sacudir um pouco – Você chegou bem encima da hora Naruto, quer me dizer por que se atrasou tanto?

–Eu preciso?

–Sim...

–Eu estava com a Anko...

–E...? – Kakashi riu baixinho, as faces brevemente vermelhas. Sasuke apenas contraiu uma sobrancelha, sem pegar o sentido extremamente explícito da coisa, enquanto Kohaku corou e se virou pra um canto qualquer, mordendo algo imaginário – Vai ter que ser mais específico...

–O cheiro dela esta em mim Onii-san... – Naruto disse quase derrotado, como se implorasse pra não ter que fazer algo que estivesse sendo obrigado a fazer.

–Isso não quer dizer nada... Como seu sensei responsável e irmão mais velho preocupado eu tenho que saber por que meu otouto se atrasa pra algo tão importante.

–Eu estava fazendo sexo com minha namorada – Naruto revirou os olhos, sem ligar pra forma como Sasuke corou em vermelho vivo, os olhos esbugalhados como se ouvisse algo inacreditável e anormal – Satisfeito?

–Ahhh, você nem imagina – ele riu e puxou uma mexa dos cabelos do Uchiha, o acordando de qualquer devaneio sem sentido em que ele estivesse metido. Antes que ele pudesse responder a altura, entretanto, Kakashi apontou a porta, repentinamente muito sério.

–Vocês três são fortes, mas vão ter que se unir e trabalhar como uma equipe pra passar nesse teste, os índices de mortos nunca são menores que trinta por cento, e eu não quero vocês três nesse grupo, entenderam? Se acharem que não estão na altura desistam agora, não é nenhuma vergonha jogar a toalha e esperar pelo ano que vem.

Sasuke bufou de irritação, acertando um tapa no braço de Kakashi e passando pela porta, com Haku atrás dele e Naruto por último. Nenhum dos seus companheiros, mesmo o dragão, viu a troca rápida de papéis entre Naruto e Kakashi, que piscou e fechou a porta, assim que os três entraram, voltando alegremente pra sua porn... literatura.

Dentro, no entanto, era tudo um tanto mais escuro e lotado que a maioria das pessoas esperaria. Se o miasma de intenção assassina que saturava o quarto queria dizer alguma coisa, era que ninjas não gostavam de lugares fechados, cercados de outros ninjas. Os olhos deles eram uma coisa incrível, que deslumbraria qualquer civil que se visse preso naquela cena. Imagine um pequeno coelho, talvez um filhote, cercado por lobos. Era mais ou menos isso.

Cada um dos aspirantes a chunnin parecia tão centrado que não seria exagero nenhum dizer que o ar estava pesado. Os olhos deles firmemente postos em possíveis alvos, ao mesmo tempo em que eles procuravam por possíveis ataques. Milhares de ataques e defesas planejadas a cada instante, numa sala cheia de pessoas que queriam, literalmente, matar umas as outras.

Sasuke foi o primeiro a debochar da cena, talvez por ser o único no seu time que tivesse ficado impressionado por aquilo, o único a sentir um tremor descendo pela sua coluna, e as mãos suarem repentinamente.

Entre uma raposa e um dragão, ele era um mero coelhinho.

–Tsc, que bando de coitados – ele disse, sorrindo da maneira mais arrogante que ele conseguia – Eles parecem só estar esperando pra morrer...

Kohaku até pensou em dar uma resposta, algo que não soasse grosseiro e nem deixasse de ser repreensivo, mas ele acabou dando de ombros e seguindo o exemplo de Chihiro, que era ignora-lo completamente. O ruivo, por sua vez, se adiantou em direção a um grupo familiar, e os sorrisos dos três deles se espelharam, largos e afiados.

Exceto Shino, mas ele ergueu a mão num comprimento, o que pra um Aburame era quase como um abraço regado a lágrimas.

–Ei Naruto – Kiba disse, espalmando a mão do amigo num aperto forte, que fez um estalo percorrer a sala – Você esta pronto? Eu estou praticamente pegando fogo!

–Se acalme Kiba – Naruto riu – Ou você vai morrer antes que se de conta.

Hinata se cansou de esperar, e antes que o namorado pudesse responder ela pulou e envolveu Naruto num abraço carinhoso, antes de se afastar, ignorando o olhar meio ciumento do Inuzuka.

–Eu estou pronta! – ela disse, e mesmo parecendo fora de lugar, ele entendeu exatamente o que ela quis dizer, e afagou a cabeça dela.

–Mostre a eles.

Hinata não tinta trocado de roupa, mas não tinha como estar mais diferente da garota tímida e quieta que ele tinha levado pra treinar fora da vila, cinco meses atrás. Os cabelos mais longos, fora daquele corte reto e comportado que ela sempre usava realçavam seu rosto de uma forma completamente diferente, e onde antes você podia reparar nas bochechas fofinhas ou no olhar meio choroso, agora já dava pra ver os lábios carnudos e os olhos levemente maquiados, com sombras negras, destacando ainda mais suas íris branco-prateadas. As calças e sandálias eram as mesmas, mas a jaqueta era diferente, ainda branca e roxa, mas maior que a anterior e aberta, deixando a vista sua figura esbelta, os seios maiores do que a maioria das meninas da sua idade e a barriga lisa de fora.

Essa foi a primeira coisa que Ino reparou, enquanto se aproximou do grupo, ladeada pelos seus companheiros de equipe.

–Hinata? – ela examinou a garota de cima abaixo, com um toque de rosa nas bochechas e um pouco de inveja nos olhos – Você esta... diferente.

Ela sorriu em resposta, acenando e sacudindo a manga longa do casaco, que cobria suas mãos. A loura voltou o olhar pro restante deles, e não pareceu muito impressionada com Kiba ou Sasuke, eles estavam idênticos a antes.

–Na-Naruto – ela corou em vermelho vivo quando o cumprimentou, entretanto, por pura vergonha – Vocês todos vão competir nos exames? E onde esta a Sakura...?

–Yo Ino, a Sakura... não estava apta a participar – o espadachim respondeu, com um gesto desconfortável, antes de indicar o antigo amigo com a cabeça – Haku entrou no lugar dela.

Ambos trocaram um comprimento educado, e por mais alguns minutos conversaram tranquilamente, sobre missões e coisas assim. Ino havia acabado de perguntar se “Haku-chan” fazia alguma dieta especial pra ficar magra daquela forma, e estava no processo de dar um chilique ao saber que “ela”, era na verdade “ele”, quando um garoto mais velho se aproximou do grupo.

Ele parecia ter dezessete anos, talvez dezoito, com roupas roxas, cabelos brancos e um par de óculos que viviam escorregando do seu nariz. Ninguém deu muita bola pra ele, Naruto o achou completamente suspeito.

–Vocês não deviam chamar tanto a atenção desse jeito – ele disse, um tanto sério – Estão apenas pintando alvos nas suas costas.

–E quem seria você? – Kiba perguntou – E o que te põe na posição de dar conselhos?

–Meu nome é Kabuto, Yakushi Kabuto – ele respondeu, amigavelmente – E essa já é a minha sétima vez competindo.

–Nossa, você deve ser um lixo...

Ele abaixou os ombros em derrota, enquanto Kiba ria.

–Não seja idiota Kiba! – Ino se aproximou sorrindo daquela forma que as meninas fazem, quando flertam – Se é a sua sétima vez, você deve ter muita experiência né?

Ele empurrou os óculos pra cima.

–Sim, eu meio que falhei todas as vezes por ser mais especializado em medicina – ele bufou meio desanimado – Mas usei isso pra reunir algumas informações, sobre as vilas e os participantes.

–Será que você poderia compartilhar algo assim conosco? Somos estreantes, depois de tudo – Ino gingou um pouco na sola dos sapatos, a expressão de quem estava pronta pra negociar carinhos em troca da informação. Em sua opinião, um beijo seu valia muita coisa.

–Bem, a começar pelas vilas concorrentes – ele apontou em volta discretamente, enquanto falava – Temos as cinco principais, é claro, embora a areia e a pedra tenham mandado apenas uma equipe. Fora isso temos alguns ninjas da chuva, da grama, da lua, e mesmo uma equipe de uma vila nova, a vila do som. Eles ainda não são muito conhecidos...

Naruto levantou milimetricamente o olhar, acompanhando a forma como os três referidos ninjas do som se aproximaram, cada um com um sorriso, do grupo, e também não deixou de pegar a forma como Kabuto percebeu isso, mas não tomou qualquer reação. Do soco a falação que vieram depois, ele não se meteu, apenas prestou atenção naquele breve olhar no ninja de cabelos brancos.

Era um olhar incomum, nojo. Não era raiva de quem tinha acabado de te fazer sangrar, ou ser humilhado, era apenas os olhos de alguém que se vê, de repente, em frente a um inseto particularmente insignificante, e se pega pensando se devia esmaga-lo e terminar com o sofrimento da sua vida inútil, ou passar por cima, pra não sujar a sola dos sapatos.

Não era realmente importante, a parte interessante veio quando ele tirou um baralho de cartas do bolso, e explicou o funcionamento delas. Sasuke, é claro, imediatamente deu um passo a frente, interessado.

–Então... tem alguém particular de quem você queira saber?

–Rock Lee, Hyuuga Neji e Uzumaki Naruto, de Konoha.

–Ah, você sabe até os nomes – ele riu – Desse jeito fica fácil demais, vamos começar com o primeiro...

Ele canalizou um pouco de chakra nas cartas, parecendo bem concentrado. Enquanto isso Naruto se virou pra Kohaku.

“Quem é Lee?” – ele sussurrou.

“Um garoto que se veste todo de verde e grita como um gato escaldado”

“Ahh... Acho que eu sei quem pode ser” – ele estava pensando em Gai, tentando imaginar como um aluno daquele cara seria– “Houve algo”?

“Ele humilhou Sasuke numa luta de taijutsu...”.

“Eu posso ver isso acontecendo...”.

–Então... Ah, aqui esta, Rock Lee – Kabuto sorriu – Vamos ver, gennin de Konoha, aparentemente um ano mais velho que vocês. Ele cumpriu um total de vinte e sete missões rank D e trinta e duas rank C. Seus companheiros de equipe São Hyuuga Neji e Hoshigaki Tenten, e seu sensei é Maito Gai. Ao que parece ele não tem nenhuma qualidade em ninjutsu ou genjutsu, mas é uma potência em taijutsu.

Sasuke fez uma careta, ele poderia confirmar aquilo.

–Agora o próximo, Hyuuga Neji – Kabuto parou pra ajeitar os óculos, que tinham escorregado levemente pra baixo do nariz fino – Ele é um dos companheiros de Lee, cumpriu a mesma quantidade de missões, é claro. Sua proficiência e ninjutsu e genjutsu também é desconhecida, mas ao que parece ele usa o taijutsu do clã Hyuuga e possui o byakugan, sendo considerado um gênio no mesmo. Por último, Uzumaki Naruto...

Kiba se mexeu desconfortavelmente, assim como todos que estiveram na guerra, mas como Naruto não fez qualquer movimento, eles o deixaram continuar, cada vez mais pálido e parecendo francamente embasbacado com o que estava lendo.

–Uzumaki Naruto... membro do time sete, companheiros de equipe são Uchiha Sasuke e Haruno Sakura, embora a última tenha sido substituída por Koori Haku, o último membro vivo do clã Koori, de Kirigakure, o sensei é Hatake Kakashi, e suas habilidades...

Foi mais ou menos aqui que ele começou a ficar branco, feito papel.

–Suas habilidades... são...

Sasuke bufou, irritado, o incitando a continuar com um olhar furioso. Kabuto tossiu levemente, e disse, com uma voz quase solene.

–Ele não tem nenhuma qualificação conhecida em ninjutsu ou genjutsu, embora esteja listado que ele conseguiu iludir até mesmo uma ANBU, em meio a uma batalha. Suas habilidades em taijutsu e Kenjutsu, principalmente, são listadas ambos como rank S. Ele é perito em battou e usuário do Shigure Soen Ryu, assim como um outro estilo desconhecido, sua capacidade com uma katana é superior inclusive a dos sete espadachins lendários de Kirigakure, prova disso é que ele derrotou Momochi Zabuza, o demônio da névoa, usando uma espada de madeira, e saiu da luta sem um arranhão. Esta escrito também que Uzumaki Naruto liderou um grupo de elite de gennins, jounnins e ANBU’s, inclusive a lendária “Presa escarlate” na guerra de Kiri, atuando com a facção rebelde e derrubando, pessoalmente, o Yondaime Mizukage numa luta. Afora isso, essa pessoa tem uma recompensa de dezesseis milhões pela sua cabeça na vila da Pedra, uma qualificação rank S no bingo internacional e um aviso “Fuja a vista”, pra qualquer shinobi que não um jounnin ou superior...

Se a sala antes estava silenciosa, agora estava praticamente coberta com uma mortalha. Ninguém ousou fazer muito silêncio, e um breve olhar em volta mostrou ao ruivo que a maioria das equipes o encaravam com medo, descrença e receio no olhar, apesar de uma equipe com ninjas de roupas vermelhas o olhar como se fosse um bife particularmente grande e suculento. Ao lado deles, ironicamente, duas equipes de ninjas vestindo azul o observavam com os olhos brilhando, como se ele fosse o messias em pessoa.

–Nossa... – Kabuto riu consigo mesmo – Quem é esse cara?

Sasuke, que até o momento estava em choque, apenas apontou para o lado. Kabuto levantou o olhar e Naruto pode ver a clara curiosidade, curiosidade maníaca, como se ele fosse um rato de laboratório. Ao mesmo tempo, os gennins que estavam em Kiri riram entre si, e uma garota saiu do meio da multidão, segurando um pergaminho aberto.

–Prepare-se! – ela apontou o dedo pra ele, parecendo fula da vila e extremamente animada ao mesmo tempo. Sem mais nem menos ela sacou um porrete de ferro gigante de dentro do pergaminho e correu, o mandando direto pra cabeça do ruivo.

Naruto apenas revirou os olhos internamente, protegendo a cabeça com uma baixa quantidade de youki e levando o golpe sem desviar, indo parar, como resultado, de cara no chão.

–Itai! – ele rolou um pouco, segurando a cabeça, pra dar mais ênfase na bobagem, enquanto olhava pra cima, com lágrimas nos olhos – Por que você fez isso?

Tenten parecia confusa até a morte.

–E-Eu pensei que você fosse desviar! – ela apontou o porrete pra ele – Você não é um espadachim rank S? O cara que matou o Mizukage e o demônio da névoa?

Hinata tinha tencionado voar na garota e fechar a garganta dela assim que ela acertou o seu “sensei”, mas Kiba a segurou pelo ombro, piscando com um sorriso divertido nos lábios.

“Deixe ele brincar” – ele sussurrou, no seu ouvido – “Isso pode vir a ser vantajoso”.

–Eu não matei ninguém, sua maluca – Naruto se levantou, aparentemente inconsciente do olhar confuso do resto da sala. Após espanar o pó das calças e tirar as lascas de madeira do piso que ficaram no cabelo, ele puxou a espada da cintura, pela bainha, a estendendo até Tenten, que a desembainhou confusa – Você acha que eu posso matar alguém com isso?

Ela parecia fascinada olhando para a espada, desde a lamina prateada invertida, até o contorno elegante da empunhadura, o arco da lamina e o ângulo do fio, tudo parecia tão perfeito que ela quase não acreditou que aquela espada existia mesmo fora das espadas, mas...

–Quem foi o idiota que fez isso?! – ela trincou os dentes – A lamina esta do lado errado!

–É proposital – ele estendeu a bainha de volta, e a contra-gosto, a garota deixou a katana deslizar pra dentro dela – Como você pode ver, eu não posso ter matado ninguém com isso.

Na verdade ele podia, mas deixa pra lá...

–Então... é mentira? – ela franziu o cenho – Você não derrotou o Mizukage e o demônio da névoa?

–Eu os derrotei, só não os matei – ele olhou diretamente nos olhos dela, e pela primeira vez sorriu – Eu prometi que nunca ia matar ninguém.

Tenten o observou por quase dez segundos, antes de suspirar e dar as costas.

–Desisto, você é um idiota.

Metade das pessoas na sala sentiram gotas na cabeça. Foi apenas um pouco antes que Ibiki apareceu, efetivamente silenciando a maioria dos gennins. Ele fez um breve show mostrando suas cicatrizes e assustou até a morte a grande maioria dos gennins com uma facilidade praticada. Após todos estarem sentados, e em silêncio, ele começou a distribuir as provas, explicando as regras um tanto confusas.

Naruto não pegou imediatamente o sentido daquilo tudo, e tencionou responder o que pudesse até notar a complexidade escandalosa da pergunta. Ele sabia que metade dos jounnins da vila teriam dificuldade pra responder aquelas questões, enquanto a outra metade mal conseguiria ler do começo ao fim sem se perder. Foi quando o propósito óbvio meio que clicou na sua mente, como uma lâmpada sendo acesa.

O objetivo era colar, simples e fácil. Estendendo seu sentido, ele tentou encontrar alguém que parecia saber o que estava fazendo, e acabou dando com três pessoas que respondiam tudo como uma máquina, um na penúltima carteira, na fila do meio, e um bem na frente de todos, parecendo bem entediado enquanto escrevia o texto decorado.

Eles eram uma equipe de chunnins, os guardas da informação em uma missão simulada de coleta de informações, e o terceiro integrante do grupo, por conveniência, estava bem ao seu lado esquerdo. Reexaminando mentalmente as regras, ele sorriu enquanto montava um plano.

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Lafiel parou de chorar alguns minutos depois, com Tsume e Hanna esfregando carinhosamente as suas costas, e o pai segurando suas mãos e murmurando palavras de conforto que ela, obviamente, não merecia. Aquela hora Yugao já devia ter contado a todos o que ela fizera, eles não deviam estar zangados com ela?!

Será que ela não tinha contado? – ela chegou a pensar, com uma luzinha de esperança – Vai ver ela ficou com pena e não resolver contar.

A garota sabia que ia ouvir um sermão dos bravos quando reencontrasse a ANBU, mas se ela não estava zangada a ponto de dizer a todos, talvez ela pudesse perdoa-la.

Soltando as mãos do aperto protetor de Ryuzen, ela esfregou os olhos, tentando se recompor o suficiente pra olhar para as três sem sentir vergonha.

–D-Desculpem – ela murmurou, e ficou irritada consigo mesmo o quão fraca sua voz havia saído – Papai, eu posso ir falar com Yugao-san?

–Por que você quer falar com ela filha?

–Eu... – ela engoliu em seco e trincou os dentes, forçando sua voz a sair mais firme, ou o mais firme que podia – Eu tenho que me desculpar com ela, eu fiz uma coisa muito ruim.

Tsume franziu o cenho, sem acreditar muito no que estava ouvindo.

–O que você poderia ter feito pra magoar Yugao pequena?

Ela corou em vermelho vivo, os olhos brilhando ainda mais luminosos, agora que estavam repletos de lágrimas. Lafiel procurou qualquer ajuda em Ryuzen, e ele, sendo o bom pai que era, entendeu tudo o que tinha acontecido no mesmo instante.

–Ok, nós podemos ir vê-la mais tarde.

–Eu não entendo, qual é o problema? – Tsume voltou a insistir, até Hanna pegá-la pela orelha e puxa-la de volta pra mesa, sob protestos.

–Deixe-os mamãe, isso é algo entre pai e filha, né, Lafiel?

A elfa assentiu, grata. Ela estava pra pular de pé e arrastar o pai junto, pra qualquer lugar que fosse, quando ele a pegou pelos ombros e empurrou pra mesa.

–Não, vamos comer primeiro, a senhorita já nos fez esperar bastante.

Ela assentiu, mas mexendo na comida, o sentimento de culpa voltou com tudo. Pode parecer algo bobo, chorar duas vezes por comida fria, mas quando se tem alguém cuidando de nós, qualquer farpa nessa pessoa é como uma ferroada, dói. Tsume riu abertamente da garota.

–Não se preocupe com isso querida, esse é um prato que se come frio.

Era mentira, claro, mas após aquilo, as batatas pareceram ainda mais saborosas, mesmo frias.

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Ibiki ocupou a maior parte do seu tempo examinando os concorrentes, enquanto os chunnins olhos de águia buscavam por qualquer tentativa falida de colar. É claro que eles ignoraram a maior parte das coisas, deixando os ninjas que tinham como reunir informações passarem livros, de outra forma, como é que cinco ninjas altamente classificados não notariam um olho de areia flutuando no ar, ou os doujutsus ativos e outros truques um tanto bobos pra reunir informações?! Eles precisavam ser refinados, mas estavam ali, e esse era o princípio do teste. Os que simplesmente se inclinaram e tentaram olhar pro lado foram rapidamente desclassificados, e faltando dez minutos pro fim do teste, mais da metade dos concorrentes já tinham saído da sala.

Ele notou também que Naruto não parecia fazer nada, apenas estava rabiscando coisas inúteis no verso da folha de teste, ou brincando com o próprio cabelo, com a cabeça descansando sobre um cotovelo enquanto tamborilava na própria mesa. Ele não queria ter que reprova-lo, é claro, tanto por interesse profissional quanto pessoal. Dada a capacidade do garoto, todos os gennins estariam mortos com apenas alguns movimentos, e as informações recolhidas, então ele claramente estava apto a ser um jounnin. Outra coisa é que o Hokage já havia deixado claro que Naruto tinha um papel vital a cumprir nos exames, e não tinha nada a ver com se tornar ou não um chunnin.

Mas ele também não estava facilitando, se ele aceitasse responder a última questão passaria, independente do que fizesse no teste, mas e se ele desse pra trás?

“Como se ele fosse” – ele acabou pensando, divertido consigo mesmo e com suas próprias preocupações. Um gennin levantou a mão pra pedir quanto tempo faltava pra passar o teste, e após ser informado que em mais dez minutos a décima questão seria entregue, Naruto levantou a mão.

–Sim?

–O senhor pode avisar quando faltarem dez segundos pra última questão, Ibiki-san?

Normalmente ele teria respondido não, mas algo no olhar azul elétrico o intrigou. O que ele estava pensando em fazer?

–Se acha que vai fazer alguma diferença – ele acabou dando de ombros – Muito bem...

Sasuke já tinha terminado sua própria prova àquele ponto, assim como Haku, e estava tentando desesperadamente chamar a atenção do companheiro de equipe pra dar-lhe as respostas. A única vez que seus olhos se cruzaram, no entanto, ele apenas ganhou um aceno desinteressado de mão, como um cachorro sendo enxotado.

“Não se preocupe, eu estou bem” – ele tinha murmurado, sem fazer qualquer som, mas pelo Sharingan ele tinha conseguido ler seus lábios.

O tempo passou até que faltasse apenas um minuto pro teste, e quando o ponteiro dos segundos estava a apenas quinze passos do topo, ele levantou o olhar pra Naruto.

–Dez segundos...

–Muito bem – o ruivo se levantou, com a prova em mãos, caminhando displicentemente até a mesa ao lado. Antes que qualquer chunnin pudesse dizer qualquer coisa, ele acertou um soco no queixo do garoto, o mandando desacordado de cara na carteira, e trocou os papéis – Eu perco dois pontos com isso né?

Ibiki nunca sentiu tanta vontade de gargalhar na vida, e enquanto os gennins ao redor, mesmo os da sua equipe, e mesmo os Olhos de águia o encaravam, com a boca aberta, ele assentiu.

–Com isso você tira no máximo um oito.

–Obrigado – ele voltou pra sua carteira e se sentou, bem a tempo.

Ibiki bateu o relógio e se levantou, ficando mais uma vez a frente da mesa, de braços cruzados e com uma expressão séria no rosto.

Ele explicou a décima questão, e observou com um pouco de decepção mais da metade dos gennins restantes saírem. Quando apenas metade da metade dos participantes originais estavam presentes, e mais nenhum parecia mesmo em dúvida sobre ficar ou sair, ele declarou que todos eles haviam passado.

–Chunnins são lideres de batalhão de segunda fileira – ele disse, deixando a mostra as cicatrizes – Capacidade de liderança é um fator extremamente importante pra ninjas dessa categoria, em ocasiões de guerra, vocês ficarão somente atrás dos jounnins, vão ser a força maciça a ser reconhecida pela sua vida, um chunnin não deve nunca recuar, ou os que estão atrás deles recuaram, e sendo assim, a guerra seria perdido. Simples e fácil pivetes.

Ele teria esperado uma salva de palmas pelo discurso inspirador, talvez, mas Anko resolveu aparecer, é claro, justo nesse momento. O imenso pergaminho voou através de uma janela, se desenrolando e se pregando no teto, deixando escorregar pra baixo uma faixa escrita com letras vermelhas brilhantes, cercada de coraçõezinhos felizes e outros coraçõezinhos esfaqueados.

–Ahh Anko... – Naruto abaixou a cabeça nas mãos, tentando esconder o sorriso divertido do rosto, não deu muito certo.

No cartaz estava escrito: “A primeira e única, ninja super sexy e monitora da segunda fase dos exames: Mitarashi Anko”, e embaixo, com letras particularmente felizes cercados de coraçõezinhos particularmente felizes: “E a futura Sra. Uzumaki”.

–Muito bem palermas – ela fez uma pausa pra acenar pro namorado, que sorriu, já vendo onde aquilo ia dar – Eu vou tomar conta de vocês a partir de agora, e isso quer dizer que quando terminar, pelo menos uns quarenta vão estar mortos, dilacerados e sangrando no meio da minha floresta. Mexam esses rabos preguiçosos e vão logo pro campo de treinamento 44, os que chegarem atrasados vão ser desclassificados. CORRAM!

A maioria correu direto pelas janelas, enquanto outros seguiram a tropeços pelas escadas, se acotovelando pra sair o mais rápido possível. Haku e Naruto acenaram pro torturador e a tokujo, antes se seguirem Sasuke através dos telhados.

–Você continua afiado como sempre Ibiki – ela disse, rindo – Não acho que vão sobrar muitos pra terceira fase...

–Os que interessam vão estar lá – ele deu de ombros, recolhendo as provas, a maioria estava com todas as respostas corretas, cada palavra idêntica uma outra. Crianças.

–Como o Naru foi?

–Como sempre...

–Brilhante e imprevisível?

–Eu acho que você esta começando a corrompê-lo.

–Por que? – ela pareceu infinitamente alegre com a possibilidade – O que ele fez?

–Ele pediu que eu o avisasse quando faltassem dez segundos pro final do teste, e nocauteou um dos chunnins infiltrados entre os alunos, trocando o teste com ele.

Isso fez até mesmo a torturadora parar, por vários segundos, com a boca aberta, antes dela explodir numa gargalhada histérica.

Notas finais
A ideia de como passar na primeira parte dos exames, isso é, socando outro participante e tirando a prova dela foi algo que eu vi numa fic em inglês, eu achei tão hilário que resolvi pegar a ideia emprestado. Quando coisas assim acontecerem eu vou dar um aviso, apenas não quero ninguém me acusando de plágio, certo?! Espero que tenham gostado.