Notas iniciais
Aqui o que todo mundo queria ver, finalmente a chegada de Naruto em Konoha, e muitas explicações que eu fiquei devendo. O próximo capítulo vai ser um flash back especial, não percam Naruto gaiden.
E mais uma coisa, antes que me esqueça. Veio um caboclo um dia desses me criticar que eu sempre peço rewies, mas não respondo. Gente, não tenho certeza se eu já disse isso, provavelmente já, mas vou repetir.
Eu respondo os rewies que tem cabimento, e que pedem uma resposta.
Exemplo. O cara faz o comentário, e me da uma ideia, e pergunta se eu gostei. Eu vou responder. Eu não respondo rewies que o cara só diz "continua", ou "ótimo", ou qualquer coisa do tipo, não tem sentido. Mesmo rewies legais, as vezes eu não respondo, por que não tem necessidade. Podem ter certeza que se tiver uma pergunta - que não envolva spoilar a fic - eu sempre vou responder.
Bem, chega de chororo, leia logo.

O Hokage dobrou o relatório com um sorriso no rosto, imediatamente o guardando dentro da gaveta e saindo do escritório com o cachimbo na boca. Não deveria levar muito tempo pra todos chegarem, já que Yugao disse ter escrito o relatório a bordo do navio, e ele queria estar lá pra recepciona-los pessoalmente.

Infelizmente, outra pessoa tinha essa mesma intenção.

Danzou estava parado calmamente do lado de fora do escritório, e quando Sarutobi saiu, ele simplesmente passou a acompanha-lo em silêncio, sem dizer, com dois ANBU raiz as suas costas. Hiruzen mordeu o cachimbo irritado, lembrando todas as horas que tinha passado em reunião, e todas as concessões que fora obrigado a abrir pra ele. Tecnicamente, a raiz não existia mais, mas não havia nenhuma lei que impedisse Danzou de treinar seus próprios guardas pessoais, e era isso que os cinquenta shinobis sob seu comando eram, tecnicamente. Guarda costas.

Na prática, era bem diferente.

O ANBU com máscara de carneiro imediatamente se juntou ao Hokage, guardando-lhe as costas e observando desconfiado os outros dois, com uma careta que ficava escondida pela máscara, mas não disse nada. Nenhum dos velhos disse nada também, apenas caminharam lado a lado, até chegar sair para as ruas.

-Você tem ignorado muito das regras do conselho ultimamente, Hiruzen...

-São regras absurdas...

-Ainda sim são regras, os civis...

-Minha bunda com os civis – ele quase gritou, sentindo a madeira do cachimbo estalar sob a pressão das suas presas – Esses idiotas não tem a menor capacidade pra se intrometer em assuntos shinobis, suas exigências são completamente absurdas, e você mesmo só esta presente naquele conselho por ser popular com eles Danzou!

O sorriso do velho falcão de guerra distorceu seu rosto quase que anormalmente, recombinando todas as rugas de um jeito antinatural.

-Bem, isso se chama política...

-Isso se chama compra de votos, extorsão, chantagem e corrupção a último nível.

-Que monte de palavras feias...

-Até onde você desceu...

-Eu desci? – ele se voltou irritado pro Sandaime – Tudo o que eu tenho feito, sempre, foi pra proteger essa aldeia Hiruzen! Você amoleceu com o tempo, trata seus shinobis como crianças...

-Como seres humanos – o Hokage o interrompeu – Eles são pessoas Danzou, tem corações que batem, sangue que flui por suas veias, como os nossos, e acima de tudo, tem mente própria... diferente das suas maquinas...

-Elas são eficientes.

-São robóticas, fazem apenas o que você ordena, sem nenhuma preocupação real com a missão, eles não moveriam um dedo pra proteger Konoha, sem serem ordenados pra isso.

Danzou suspirou, como se fosse a milésima vez que estivessem tendo aquela discussão, o que não era distante da verdade.

-É impossível discutir com você, a velhice lhe amoleceu o coração.

-A velhice lhe amoleceu o cérebro...

-O que?

-Humm? – Sarutobi olhou em volta, sufocando uma risada – Quem disse o que?

Carneiro quase riu da expressão mortificada de Danzou. Quase. No segundo seguinte, os dois estavam explodindo intenção assassina, um em direção ao outro, sem deixar que ela vazasse pra fora, de forma que ele só podia sentir a borda de um oceano de poder, em que ambos tentavam afogar um ao outro.

-Eu vou proceder como achar melhor – Danzou disse, quase que tristemente.

-Eu vou lhe impedir – Sarutobi rugiu – Quase não se lembre, eu sou o Hokage!

Ambos se olharam por um longo momento, e então o Ki simplesmente desapareceu, enquanto os dois chegavam ao portão da vila, ambos olhando rigidamente pra frente, mas atentos aos movimentos um do outro.

-É uma pena, velho amigo... – Sarutobi sussurrou pra si mesmo, baixinho.

-Sim... – Danzou repetiu, a expressão tão idêntica a do Hokage que dava pra acreditar que eles eram irmãos.

Izumo e Kotetsu, que pareceram nascer pregados aqueles portões acenaram quando o Hokage passou, mas travaram a coluna e se curvaram rigidamente, com as expressões tensas, quando Danzou olhou friamente pra eles. Quando os dois tinham passado, os dois se entreolharam, suando frio e engolindo em seco.

-Assustador...

Foi meia hora, talvez uma hora depois, e os dois velhos ainda estavam imóveis, um ao lado do outro, esperando a volta do grupo que tinha partido ilicitamente pra Kirigakure. Não tardou muito pra silhueta deles aparecerem, entre as árvores, e todos pularem imediatamente pra estrada, passando a caminhar lentamente até os portões.

Sarutobi sorriu ao notar Naruto logo na frente, o quimono azul e a hakama branca rasgada no joelho, com o longo lenço que ele usava no pescoço desfiado e meio queimado nas pontas. Dava pra ver seu peito enrolado em bandagens por baixo das vestimentas, os cabelos ligeiramente mais longos e os olhos mais brilhantes, com uma única espada na cintura. A bainha ele reconheceu como a de Harusami, que Gekko tinha lhe dado, mas alguma coisa lhe dizia que não era essa lamina lá dentro. A boken estava longe de ser vista.

Logo atrás dele, em seus flancos, vinham duas figuras encapuzadas, que emitiam apenas uma quantidade razoável de chakra. O Hokage supôs serem os guardas de Kiri que estavam lhe escoltando de volta para a vila. Kurenai e os gennins vinham atrás deles, com Anko e Yugao caminhando lado a lado com a jounnin, e Hanna na retaguarda, vários cachorros cercando o grupo... Cachorros não, lobos.

Sarutobi estava pra saudá-los quando Danzou deu um passo a frente, seus dois ANBU se movendo junto com ele.

-Uzumaki Naruto – ele disse em alto e bom tom, chamando a atenção dos chunnins do portão e das pessoas que passavam – Por alta traição a vila de Konoha, e ajudar uma vila inimiga em emergência de guerra, você foi sentenciado a morte, e todos seus companheiros terão suas licenças ninjas depostas e seus privilégios retirados. Anbu, podem prendê-lo.

O Hokage estava pra dar um passo a frente e parar aquela barbaridade, quando duas coisas aconteceram simultaneamente.

Primeiro: Os civis que assistiam a cena começaram a aplaudir, enquanto os Anbu’s raiz se adiantavam pra cumprir as ordens de Danzou.

Segundo: Naruto sorriu. Sem nem olhar pra eles, ele apenas baixou os olhos e abriu um sorriso.

Ele não precisou mover sequer um músculo. E não moveu. Os dois encapuzados se atiraram a frente e cercaram Danzou, e antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, estava cercado de ambos os lados por ondas de lava e água, que chiavam e ameaçaram acerta-lo, sem deixar nenhum centímetro livre de terreno pra ele se mexer, quando mais escapar. Gelo cobriu o chão, subindo pelas pernas dos dois shinobis e os imobilizando, enquanto Hanna e Meron cobriam as costas de Naruto, rugindo pra quem ousasse se aproximar, e Yugao e Anko se colocavam a sua frente, cruzando suas tantos a frente do seu peito. Uma onda de vento varreu a área, enquanto Kurenai preparava um genjutsu, e os insetos de Shino zumbiam. Hinata ativou seu byakugan e entrou na posição primária do Hakke sho, e Kiba rugiu, acompanhado ate mesmo pelos lobos.

Naruto apenas sorriu, enquanto o Hokage observava surpreso e maravilhado. Sem nenhum segundo de hesitação, todos se moveram pra protegê-lo, e ele tinha uma estranha sensação que mesmo se a vila toda estivesse diante deles, eles ainda continuariam tão firmes quanto estavam agora.

Os civis se calaram frente a cena, enquanto muitos ficavam verdes e até mesmo inconscientes pela explosão maciça de múltiplas intenções assassinas. Mesmo Danzou ficou calado, olhando horrorizado para o nada, com seus guarda costas congelados e tantos ninjas prontos pra ataca-lo a uma simples ordem. O mais terrível, no entanto, foi notar que o garoto que sorria tranquilamente é que podia dar essa ordem.

No entanto, ele não fez nada, apenas alargar o sorriso:

-Calma todos vocês... – ele disse, e uma explosão de Ki inverso suprimiu todos as intenções assassinas do lugar. Mesmo as mais poderosas, dos shinobis cobertos por mantos e Hanna e Anko silenciaram, enquanto uma onda de paz e tranquilidade cobriu o ar como uma nuvem, relaxando todos os músculos de Danzou involuntariamente.

E ele nem mesmo suou, nem parecia ter de se concentrar pra emitir algo tão poderoso do próprio chakra, ainda mais algo complicado como Ki inverso. Seria assustador, se não fosse tão bom.

Um por um, todos baixaram a postura, começando por Yugao e Anko, que embainharam suas tantos, e depois Hanna e Meron, que voltou para o selo em silêncio, e os gennins, que relaxaram suas posições de ataque, apesar de manter os olhos atentos. O gelo lentamente começou a descongelar, embora pelos olhos de Haku, estar pronto pra agir novamente, e os lobos se calaram, sentando tranquilamente e observando os arredores.

Por fim, a lava e a água recuaram, e os dois shinobis cobertos por mantos se afastaram. Os poucos civis reunidos ali ainda estavam pasmos, mas sendo um shinobi experiente, Danzou conseguiu recuperar a postura rápido o bastante, e seu olho a mostra era uma mistura de ganância e irritação. Quem aquele garoto pensava que era, e que poder ele tinha? Como ele podia se livrar dele, e tomar esse poder para si?

-Atacar um conselheiro dessa forma... – ele se preparou pra um discurso longo repreensivo, mas os ninjas cobertos com mantos se viraram para o Hokage, que a essa altura, estava sorrindo.

-Hokage-sama, é uma honra – Mei tirou a capa, e Danzou e imediatamente travou no lugar, seu rosto bem conhecido no bingo book sorrindo tranquilamente.

-Igualmente – foi a vez de Yagura tirar o capuz, e Danzou quase teve um infarto.

-Aka no Maou, e Umi no Yagura também... – Sarutobi murmurou, parecendo de repente comicamente exausto – Você tem muito o que explicar Naruto...

-Hai!

-Não diga “Hai” tão alegremente quando estiver te dando uma bronca!

-Hai! – seu sorriso apenas alargou.

Anko se voltou pra Yugao com um sorriso, e cochichou:

-Onde já ouvi isso antes?

-Orusai...

O sorriso de todos no grupo apenas aumentou, com um ar de amizade e companheirismo fluindo entre eles.

-Bem... pelo visto, nós temos muito o que discutir – Sarutobi se voltou com um sorriso – Por que não me acompanham para o meu escritório?

-Claro. – Mei tirou o manto, o largando de qualquer forma no chão, e vestiu o chapéu azul do Kage da água, até então descansando tranquilamente às suas costas – Mostre o caminho...

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O caminho todo do grupo até o prédio Hokage foi cercado de civis curiosos e boatos. Muitos sorriam, imaginando que se tratava de uma execução pública do garoto-Kyuubi, até que os rumores sobre o acontecido nos portões chegar até eles, e causar um rebuliço eufórico que chegou até os ninjas.

A palavra de “Naruto voltou” foi espalhado por todas as fileiras, desde os jounnins até os gennins recém saídos da academia, e mesmo alguns chunnins interromperam as aulas pra dar a notícia, alguns sorrindo loucamente, outros desgostosos.

“A missão rank S da névoa foi cumprida. Naruto voltou, não houve nenhuma baixa” – Em menos de uma hora, cada ninja na vila sabia disso.

Esperava encontrar Kokoro pra atrasar nossa reunião mais uma vez, como sempre, mas me surpreendi ao notar uma outra garota, mais jovem, lixando as unhas com um sorriso tranquilo no rosto. Quando paramos frente a sua mesa, ela se preparou pra dizer qualquer coisa, mas parou o discurso enquanto olhava pra mim.

“Pronto, outra que me odeia também, só faltava essa” — eu pensei comigo mesmo, só pra ter a maior surpresa da minha vida... Ok, não era a maior surpresa da minha vida, mas ainda sim. Se levantando, ela largou a lixa encima da mesa, e se aproximou, inclinando a cabeça levemente pro lado e me olhando nos olhos com tanta intensidade que eu quase recuei.

E, sem mais nem menos, ela me beijou, segurando meu rosto carinhosamente entre suas mãos e movendo os lábios devagar, deixando o gosto dela ali. Senti minhas bochechas esquentarem até o ponto onde estavam febris, enquanto Yugao e Anko tentaram avançar acima dela, só pra serem paradas pelo Hokage, que as levantou do chão como se fossem gatinhas.

-Nyoko – ele falou, tentando o máximo possível não rir como o pervertido que era e soar repreensivo – O que você esta fazendo?

A garota maluca me soltou, deixando um último beijo estalado no meu rosto que já devia estar saindo fumaça, comicamente caído pra trás como se eu estivesse desacordado. Na verdade estava rindo internamente, mas aquilo tudo era tão inesperado e divertido que eu acabei não resistindo. Nyoko, como aparentemente ela se chamava apenas se voltou para o Hokage com um sorriso:

-Gomen, ele é tão Kawaii que eu não resisti – ela tossiu, e assumindo a postura mais profissional possível, se pôs a recolher nossas identificações e valida-las, sem nem parecer notar Anko ou Yugao prometendo dores horríveis a ela – Aqui estão, podem seguir em frente.

E se voltando pra mim, ela piscou e soprou um beijo, enquanto eu seguia confuso pra dentro do prédio, com Mei, Haku e Kurenai rindo as minhas costas. Não notei em nenhum momento o sorriso absolutamente perigoso que a nova secretária soltou as minhas costas.

“Você aqui, nove caudas... – Nyoko pensou consigo mesma – Isso vai ser ultra divertido”.

Sarutobi nos guiou pra dentro do seu escritório, oferecendo os dois sofás e as cadeiras pros convidados, enquanto Yugao e Anko lhe entregavam pergaminhos, se curvando logo depois de mim.

-Pela primeira vez na história da vila da folha – ele sorriu – Uma missão rank S foi completa por um gennin recém-saído da academia... Eu não posso dizer que não fiquei preocupado com você, Naru-kun, mas não posso dizer também que estou surpreso.

Meu sorriso alargou, enquanto todos olhavam pra ele curiosamente. Quando Anko estava pra fazer uma pergunta, ele se moveu, dirigindo sua palavra para a Mizukage, que observava tudo com um sorriso, mesmo que um rastro de dúvida também brilhasse nos seus olhos.

-É uma situação estranha, mas eu ainda sim gostaria de lhe dar as boas vindas a aldeia da folha, Mizukage-dono, a você também, Yondaime-dono.

-Hai, Arigato ne, Hokage-sama – ela curvou a cabeça, e Yagura não tardou a repetir o gesto – Tenho certeza que você esta esperando pra saber tudo o que aconteceu, diretamente de nós, não?

-Se tiverem a gentileza...

-Pois bem...

E Mei contou a ele, desde o início, tudo o que tinha acontecido. A maior parte das coisas eu sabia, mas havia certas missões que o restante do grupo fizeram, e eu não tinha conhecimento. Mei falou sobre meu combate com Chojuro logo que chegamos a onda, e o velhote pareceu bastante interessante na minha nova espada.

-Quer dizer que você aprendeu a forjar Naruto? – ele perguntou, apenas por cortesia, seus olhos me diziam que teríamos uma conversa em breve.

No entanto, todos naquela sala sabiam, então, por mais que ele parecesse surpreso e até mesmo levemente irritado com o que eu disse, não teve importância.

-Não, eu nunca aprendi a forjar – eu disse, e antes que ele pudesse me impedir – Foi a Kyuubi que a fez pra mim.

O clima na sala caiu vários graus, enquanto ele me fuzilava com os olhos.

-Eles já sabiam, eu usei o chakra dela pra terminar a luta contra Yagura.

A intenção assassina caiu, e junto com ela, suas intenções irritadas, até que ele se deu conta que provavelmente tinha ofendido o kage de uma possível aldeia aliada, e se voltou para Mei, se desculpando. Ela não deu chances dele falar nada, no entanto.

-Eu entendo sua reação, acho que seriam as minhas, se a situação se invertesse – ela sorriu, e murmurou consigo mesmo, com um sorriso – Embora duvido que as suas seriam as minhas, se tratando do Naru-chan...

-Então... todos aqui já sabem? – ele suspirou conforme acenamos – Acho que não preciso dizer que isso é um segredo classe S pra todos vocês, e Mei-dono, Yagura-dono, eu não posso impedi-los de...

-Não vamos contar a ninguém – ela disse com toda a certeza do mundo – Naruto fez muito por nós, mais do que podemos pagar de volta, guardar seus segredos é menos que o mínimo que podemos fazer.

Ele pareceu surpreso, mas depois acabou sorrindo.

-Bem... já que não há nenhum problema – ele mordeu um dedo, e passou pela parede, onde um símbolo brilhou e a sala pulsou em azul claro – Você poderia me dizer sobre isso, Naruto?

Estava pra contar qualquer coisa, mas uma outra ideia me veio a cabeça. Essa era perigosa o bastante pra me arrepiar a coluna, mas por mais que eu a observasse, não conseguia encontrar falhas nela, e se desse certo, eu poderia até mesmo aumentar minha margem de manobra.

-Eu vou fazer melhor que isso – sorri – Vou deixar que ela conte pro senhor...

E abaixei a cabeça. O Hokage não teve tempo de dizer nada, por que quando eu levantei os olhos, eles cintilaram no mais profundo tom de vermelho que eu poderia queimar, e minha voz soou como um rosnado, arranhada, ainda que inegavelmente feminina. Tsokoka e Akamaru se arrepiaram.

-Você quer saber como eu posso forjar armas, Hokage-no-gaki? – Quase cai na risada pelas expressões dele, e de todos a minha volta, que mesclavam pavor absoluto e uma veneração estranha, embora isso também me entristecesse.

Relutante, ele fez que sim, e eu estava pronto pra contar a história, quando algo se chocou contra mim. Se a expressão de todos na sala já estavam horrivelmente surpresa, agora eu não tinha nem palavras pra descrever a forma como todos me olhavam, com Yagura me abraçando e gritando no meu ouvido.

-Onee-sama! Onee-sama! – ele riu, a voz saindo infantil e feminina, enquanto esfregava sua bochecha contra a minha, mandando Yugao nocauteada pra trás sobre uma hemorragia nasal e sonhos com garotos bonitos – Eu senti tanta saudade de você, Nanami-nee-sama!

-Oe, Kusaribi – tentei empurrar ela pra trás, mas ela só se afastava um pouco, antes de saltar novamente e me abraçar ainda com mais força – Esse não é o momento pra matar a saudades...

-Mas eu senti tanto a sua falta – ela agitou os braços, com os olhos arregalados pra tentar enfatizar o “tanto” – Você também esta selada num garoto! Que horrível!

Suspirei, ignorando a confusão alarmantemente óbvia misturada a descrença no rosto do Hokage e dos outros.

-Sua opinião sobre os homens continuam ruins como sempre, eu pensei que era apenas uma fase, mas pelo visto, você ainda gosta só de garotas...

Dessa vez foi Anko que foi mandada pra trás, pintando o chão de vermelho e com redemoinhos felizes nos olhos. O Hokage tossiu nesse momento, e pareceu extremamente arrependido quando voltamos os olhos pra ele, vermelho e azul cintilantes atravessando sua alma.

-Eu... bem, é... – ele tossiu novamente, tentando parecer digno e respeitável, ao mesmo tempo que severo. Ele teria ficado irritado, talvez até mesmo furioso, mas esses sentimentos se perderam no meio da estranheza do momento – Será que alguém pode me explicar tudo o que esta acontecendo.

-É eu também quero saber – Mei disse – O que você esta fazendo, Yagura?

Kusaribi se voltou pra Mei com um sorriso:

-Eu sou a Kusaribi – ela apontou pra si mesma, sorrindo docemente com a cabeça inclinada e os olhos fechados – Sou a Deusa do Mar, o Ya-chan me deixou assumir pra mim poder falar com a Nanami-nee-sama, não se preocupe, depois ele vai voltar normalmente.

Ninguém prestou atenção em nada depois dela afirmar ser uma Deusa, e por um minuto eu quis dar um croque nela por ser tão boba.

-Kusaribi é o que vocês chamam de bijuu das três caudas – eu expliquei, me levantando com ela logo atrás de mim, ignorando a confusão e incredulidade de todos no escritório – Mas isso não vem ao caso, você tinha me perguntado como eu posso forjar laminas, não é gaki?

Levou um momento pra Sarutobi notar que eu estava falando com ele, e meio desconcertado, ele assentiu.

-Bem... eu aprendi a muito tempo – cocei o queixo, meio distraidamente – Antes das vilas shinobis serem formadas, quando os cinco países eram repletos de feudos, e o mundo pertencia aos samurais.

Saquei a katana lentamente, com a outra mão estendida pra deixar claro que não tinha nenhuma intenção de machucar ninguém, e a deixei encima da mesa, me afastando logo depois. O Hokage a pegou com um leve toque de medo, que foi relaxando aos poucos, enquanto ele examinava a lamina com cuidado.

-Até onde eu posso ver, é um trabalho muito fino, de extrema qualidade – ele sorriu, apesar de não olhar pra mim, mas mesmo assim curvei a cabeça, num agradecimento silencioso – Mas por que a lamina é ao contrário?

-Isso é uma longa história, mas tem a ver principalmente com a promessa do meu discípulo – todos me olharam com um arquear de sobrancelhas, exceto Kusaribi e Haku, que sorriram, sem ninguém perceber – A alguns séculos atrás, o mundo passou por uma mudança grave de governo. Foi um período de lutas infindáveis por poder, e devido a falta de policiamento, o número de bandidos cresceu absurdamente. Muitos faziam uso das espadas pra espalhar o terror onde passavam.

“Eu vivia como um samurai naquela época, um andarilho. Um dia, eu encontrei um clã de bandidos assaltando uma caravana de mercadores de escravos, matando todos pelo caminho. Eles já tinham matado todos até eu chegar lá, e matar todos eles. Só havia um sobrevivente, era um garotinho pequeno, não devia ter nem sete anos ainda. Ele tremia olhando todo o sangue a sua volta, e por um momento, eu considerei se devia mata-lo...

No entanto, eu não gostava de me meter em vidas humanas, e já tinha feito aquilo matando os bandidos, então resolvi deixar o garoto pra lá. No outro dia voltei pra enterrar todos eles, mas só encontrei um campo repleto de cruzes de madeira no lugar, e aquele mesmo garotinho estava olhando pra três pedras, as mãos sangrando pelo esforço.”

Haku não pode evitar sorrir, enquanto olhava Chihiro contar o que provavelmente era uma das coisas mais importantes da sua vida. Ele não sabia se os outros podiam ver isso, mas o amor que irradiava dos olhos dele enquanto falava de Kenshin era quase palpável, era tão evidente que ele a via como seu próprio filho que chegava a ser estúpido que os outros não percebessem.

No entanto, sem que ele soubesse, todos perceberam, e isso os deixou mais confusos ainda, por que não havia o menor traço de mentira naqueles olhos.

“Eu resolvi cuidar daquele garoto, e o ensinei como lutar com uma espada. Por mais sete anos ele ficou comigo, e eu lhe dei o nome de Kenshin. Himura Kenshin. Esse nome foi perdido pela história, mas naquela época, se tornou famoso, como o maior espadachim que já andou sobre o continente. Era meu desejo que Kenshin não tomasse mais parte nos assuntos dos homens, ainda mais naqueles tempos de guerra, mas ele era incapaz de ver as pessoas sofrendo sem fazer nada pra ajudar, assim que, quando tinha quatorze anos, ele abandonou o treinamento, e se tornou um hitokiri, um assassino, a mando dos revolucionários.

Toda a guerra durou três anos, em que ele matou centenas de pessoas, ganhando o título de Battousai. Quando o conflito terminou, no entanto, em vez de ficar e colher os frutos do seu esforço, como tantos outros fizeram, e assumir uma alta posição entre os nobres, ele se tornou um andarilho, e jurou nunca mais matar novamente”.

Me aproximei da mesa, e puxei a espada, a empunhando frente ao rosto, enquanto ela refletia a luz dos meus olhos.

“Essa foi a espada que eu fiz pra ele, a lamina inversa serviu pra mim testar sua determinação em cumprir sua promessa, e ele a cumpriu até o fim de sua vida. Kenshin nunca mais matou, mas durante muito tempo ele viajou, ajudando as pessoas como podia, e mais tarde se casou com uma jovem. Se passaram muitos anos, mas a sua linhagem continua viva, no clã dos shinobis que vocês chamam Uzumakis...”

Tive que sorrir com a surpresa escancarada nos olhos de todos na sala.

“Sim, esse garoto tem o sangue do meu aprendiz nas suas veias, e também partilha a sua vontade de nunca matar, por isso, eu lhe dei a localização dessa katana, que ele e Haku foram buscar, enquanto estavam nas ondas... Acho que isso responde a sua pergunta, gaki?”

-Como... isso é verdade mesmo – Sarutobi perguntou, parecendo em conflito interno – Tudo isso, como pode ser verdade?

-Por que não seria?

-Kyuubi... Você é a Kyuubi não, a raposa de nove caudas?

-Sim...

-Como pode um monstro como você fazer isso?

Kusaribi arqueou as costas e rosnou, enchendo a sala com o cheiro de sal do mar, e fazendo os vidros se partirem, enquanto todos, mesmo o Hokage, se curvaram frente a intenção assassina que era como uma onda gigantesca, ameaçando afogar a todos. A contive apenas um segundo depois, tentando esconder a tristeza dos meus olhos, que Haku e ela conseguiram perceber.

-Meça melhor suas palavras, pirralho – eu deixei minha voz sair ainda mais arranhada – O que você sabe, alem do que viu e do que ouviu? Você não tem o direito de me julgar...

Ele continuou me olhando firmemente por um longo tempo, mas seus olhos logo amoleceram. Não entendi exatamente o porquê, já que as palavras que disse soaram vazias, até mesmo pra mim, é claro que ele tinha todo o direito de me julgar, eu apenas não queria que ele fizesse, doía...

-Eu nunca tive qualquer má vontade para com essa vila – eu disse, dessa vez suavemente – Nunca tive qualquer desejo que ela fosse destruída, eu estaria muito bem ignorando todos vocês, não tinha por que me envolver...

-Mas você nos atacou – ele disse, um tanto friamente, mas sem o ódio de antes. Shinobis eram geralmente bons em superar sentimentos como esses, naquele mundo em que inimigos e aliados mudavam tão rápido de posição, mas claro que havia exceções – Por quê?

­-A resposta... é o que vocês chamam de genjutsu – eu contive um rosnado, lembrando da ocasião do meu selamento – No dia do parto dessa criança, um shinobi mascarado atacou o lugar em que Kushina estava, e ameaçou matar o bebe recém nascido, se o Yondaime não se afastasse...

-Um shinobi? Quem – o Hokage se levantou, parecendo pronto pra tomar alguma atitude, mas se sentando logo depois, percebendo a contra gosto que não havia nada que pudesse fazer, não treze anos depois – Você... pode continuar.

-Eu não sei quem ele era, mas uma coisa eu posso dizer – suspirei – Esse shinobi era um Uchiha, e ele provavelmente ainda esta vivo.

Esperei que o choque de todos passasse, notando com um sorriso Mei trocar de posição, por ter seu antecessor ainda segurando firmemente minha mão, e estar tomando parte involuntariamente nos assuntos de outra vila.

-Com o sharingan, ele conseguiu me colocar em um genjutsu, me fazendo atacar Konoha. Sinceramente, eu pensava estar atacando um bando de pássaros gigantes com cabeças humanas distorcidas que tentavam me devorar viva...

-É por isso que você ficava rugindo e virando a cabeça pra todo lado? – O Hokage pareceu quase divertido com a informação.

-Provavelmente, eu só sei que depois estava selada dentro dessa criança, a vendo crescer — sorri – Ele sempre foi muito gentil, muito suave pros seus padrões, e era tão parecido com Kenshin que foi perturbador pra mim. Acabei conversando com ele, e nos tornamos amigos...

-E você o treinou?

-Na medida do possível, sim.

-Há quanto tempo vocês tem se comunicado?

-Alguns anos talvez, eu não sei exatamente, não vejo o tempo passar como seres humanos.

-Entendo... – ele se moveu desconfortavelmente – Será que você tem algo a acrescentar sobre a missão, err... Kyuubi-san?

Quase ri com o constrangimento dele, mas tentei manter a face séria.

-Nada significativo, ele fez tudo por si só o tempo todo, não precisou nem mesmo do meu chakra...

O Hokage abriu um sorriso, mas ele morreu em um instante, enquanto ele se voltava pra mim, confuso:

-Espere, nos relatórios consta que durante sua luta contra Yagura-dono – ele estava pra apontar pra Kusaribi, mas o gesto morreu ao ver seus brilhantes olhos azul-verde, e ele tossiu, tentando recuperar a compostura – Bem, consta que você... Quer dizer, que Naruto gerou uma quantidade enorme de chakra, e que ela assumiu a forma da Kyuu... Quer dizer, sua forma — ele pareceu meio sem jeito – Isso foi o seu chakra, não?

Apenas sorri de volta.

-Não exatamente, eu vou deixar ele mesmo explicar a você – me voltei pra Kusaribi/Yagura, e afaguei a sua cabeça, enquanto ela praticamente ronronava de contentamento – Eu vou voltar já Kusaribi-chan, você deve fazer o mesmo também.

-Nããoo... Eu vou morrer de saudade de novo!

-Não seja uma garotinha mimada – sorri como ela fez beicinho – Eu e Naruto vamos te visitar quando pudermos.

Ela assentiu, ainda meio contrariada, e então pulou e me abraçou mais uma vez, voltando logo em seguida pra dentro do selo, descansar. O brilho nos olhos de Yagura diminuiu, e eu tratei de voltar os meus para o azul de sempre.

Quando ele percebeu que estávamos abraçados, se afastou como um raio e se virou, a face ardendo em vermelho vivo, e eu espelhei suas ações, me divertindo internamente. Todos na sala riram, exceto Anko e Yugao, que agora dormiam abraçadinhas uma a outra, tendo seus próprios sonhos molhados de yaoi e yuri, respectivamente.

-Bem... – o Hokage tossiu – Você ouviu a conversa toda, Naru-kun?

-H-Hai... – sem perceber, eu levei a mão pra coçar a cabeça, distraidamente – Desculpe nunca ter contado pro senhor, vovô, eu achei que seria melhor ninguém saber.

-Por que decidiu me contar agora?

-Pareceu certo na hora...

-Pra um gênio, você é muito afetado pelo calor do momento, Naru – Mei riu com gosto – Isso combina tanto com você.

Corei, apesar de sorrir de volta pra ela.

-Sobre o chakra que você emanou no final da luta – o Hokage disse – O que é exatamente?

-Jutsu de invocação – respondi com um sorriso.

-O que?

-É um jutsu de invocação – eu apontei Hanna, com um sorriso – É bem parecido com o que Hanna-nee-chan faz, na verdade.

-Refere-se a Meron, Naru-kun? – Hanna disse, pela primeira vez, até então ela só observava tudo em silêncio – Eu pensei que ele fosse o único do seu clã...

-Não, não exatamente... – eu me levantei – É melhor eu mostrar.

Levantando a sakabatou, eu fechei a mão em torno da lamina e puxei. Não foi preciso muita força pra abrir um talho na minha mão, de onde eu deixei o sangue escorrer.

-Diferente de um Kuchiose normal, esse precisa de um pouco mais e sangue – eu expliquei, já formando uma sequência de selos – Kuchiose no jutsu! Natsu!

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As tatuagens nos meus antebraços, escondidas pelas mangas do quimono cintilaram em vermelho vivo, e escorreram pro chão como se fossem líquidas, e num redemoinho de fogo, Natsu apareceu, sentado no meu ombro, com seus pelos ardendo em chamas douradas e sua armadura irradiando luz pela sala.

O Hokage ficou em silêncio, observando o gatinho com curiosidade brilhando nos olhos, mas quando estava pra dizer alguma coisa...

-Kawaii!!! – Hanna pulou e o tirou do meu ombro, o apertando num abraço – Ele esta todo armado e pegando fogo, é tão lindinho! Por que as coisas mais fofas sempre vão pro Naru-chan?!

Sem se incomodar com o fogo, ou talvez instintivamente sabendo que ele não a machucaria, Hanna esfregou a bochecha na juba incandescente do gatinho, enquanto o Hokage e todos os outros gaguejavam confusos e assustados, e Natsu ronronava tranquilamente.

-Naruto... eu estou confiando que você vai me dizer onde o encontrou?

-Ahh... gomen, isso é um segredo.

Ele pareceu mais surpreso ainda, mas por fim deu de ombros.

-Bem, não se pode exigir que cada shinobi diga seus segredos não – ele encheu o cachimbo com uma pilha quase absurda de tabaco, e tragou com vontade – Será que melhora se eu fingir que tudo isso foi um sonho?

-Eu acho que não...

-Entendo...

Anko e Yugao escolheram precisamente esse momento pra acordar, e a fizeram da forma mais sensual que uma pessoa podia, inconsciente dos seus atos. Esticando os braços, elas se apertaram uma na outra, enroscando as pernas e se esticando, com os seios saltando do sutiã e os lábios a um fio de cabelo de se tocarem.

O nariz do Hokage explodiu como um chafariz, e ele foi atirado pra parede, com um sorriso enorme no rosto, inconsciente, eu chutava, por boa parte da tarde. Kiba e Hinata foram logo atrás, caindo felizes nos braços um do outro, e Haku e Yagura se virara, vermelhos feito tomates. Sem prestar atenção a nada, e sem saber o estrago que causaram, mesmo sem querer, as duas se levantaram, e caíram sentadas tranquilamente no sofá. Anko deu por falta de alguma coisa, e me chamou, abrindo um lugar pra mim me sentar, e logo depois deitando a cabeça no meu colo, enquanto se esticava pra me beijar.

-O que eu perdi amor?

-Basicamente tudo – respondi com uma risada – Quer que te conte?

-Mais tarde – Yugao disse, deitando a cabeça no meu colo também, ao lado da de Anko, enquanto as duas ocupavam quase todo o sofá, deixando as pernas caírem encima do colo de Kurenai e Mei, que não pareceram se importar muito – Você pode nos contar o que o Hokage-sama quis dizer com o sucesso da missão não ser uma surpresa pra você?

Haku e Shino se voltaram pra nós interessados, mas vendo as duas deitadas no meu colo, imediatamente coraram e se voltaram de volta, enquanto Hanna, abraçada com Natsu, se sentou no chão em frente a nós, e assentiu várias vezes.

-Bem, por que não, mas isso vai levar algum tempo – eu disse, sorrindo – Foi a minha primeira missão não oficial, durante a academia, como guarda-costas do Hokage-sama...

Notas finais
E aí, curtiram ? Deixem os comentários pra mim saber, não tenho como ler mentes né.