Notas iniciais
Ufa... o maior capítulo da fic até agora, contendo o hentai com a vencedora da enquete - não, eu não esqueci dela - A...
Mei! (aplausos)
Sem mais lenga lenga, aproveitem. Meus dedos estão doendo, escrevi metade disso hoje, e quero muitos rewies hein?

Mei terminou de assinar o último documento que havia na sua mesa com um floreio afiado, quase cortando o pergaminho com a pena metálica da sua caneta tinteiro, e de repente, a falta de mais trabalho foi incompreensível pra ela. Não havia secretária, nem documentos, nem cartas, nada...

Ela olhou pra mesa por um longo minuto, engolindo em seco e se ajustando na cadeira, num raro momento de constrangimento sem sentido, e ao ver o escritório vazio continuar vazio, um sorriso foi nascendo no seu rosto, alongando os lábios pintados de roxo sobre os caninos, ela pulou da cadeira rindo, e jogou os braços pro ar como uma criança, até as juntas dos seus dedos explodirem em dor e ela cair no chão, rolando de um lado a outro com lágrimas nos olhos.

Foi essa cena de Yagura viu quando entrou no escritório. A mesa limpa e Mei chorando e rolando de um lado pro outro, berrando qualquer coisa sobre ser incapaz de usar as mãos novamente. Ele piscou algumas vezes e estava pra sair de fininho quando os olhos de Mei caíram sobre ele, e ela ficou em silêncio.

Yagura tentou encontrar a voz, mas ela falhou. Ele abriu a boca uma e outra vez pra dizer alguma coisa, tentando não olhar pra Mizukage agora abraçando a si mesma no chão daquela forma, mas seus seios apertados no decote pareciam chamar sua atenção como um imã. Ele corou e virou o rosto, enquanto Mei, também ruborizada, se levantava e colocava o chapéu sobre a cabeça, tossindo e assumindo a postura mais digna que ela conseguia.

-Eu... é... estava feliz...

Yagura concordou, sem saber exatamente o que dizer, e os dois ficaram apenas olhando um pro outro por mais um longo momento.

-Então... veio tentar me convencer a te colocar na prisão, ou te condenar a uma execução pública de novo? – Mei sorriu provocativamente – Não vai funcionar, sabe...

-Não, eu... – Yagura franziu o cenho, logo depois suspirando – Eu decidi aceitar seu convite, pra assumir a posição de Hunter-nin da Névoa... Mizukage-sama.

O sorriso de Mei se desfez, e ela olhou Yagura longamente, piscando surpresa e logo depois pulando alegremente no lugar mais uma vez, pra constrangimento do Yondaime.

-Sério! Que bom! – ela o abraçou e o girou pela sala, estufando seus peitos no rosto dele pra depois o deixar escorado numa parede tentando segurar um sangramento nasal – Não precisa responder se não quiser, mas o que causou essa mudança de pensamento?

-Naruto...

-Humm... Naru-chan?

Yagura assentiu, com um sorriso pequeno no rosto:

-Ele me contou uma história... – ele sorriu, e frente ao olhar confuso de Mei, acrescentou – Disse que temos que aprender a perdoar a nós mesmos, senão Rancor vai ficar cada vez mais forte...

-Quer dizer “o rancor”, não?

-Não... Rancor, é um personagem da história, ele tem caudas e chifres, e uma língua bifurcada... Perdão é um personagem também, mas ela esta fraca depois de ser estuprada pelo seu próprio pai...

Mei franziu as sobrancelhas, e se virou rapidamente, saindo a passos altos do escritório.

-Onde você vai Mei?

-Vou ter uma conversa com Yu-chan e Anko-chan, elas andam contando coisas inapropriadas pro Naru-chan!

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Tsokoka sentou diante do túmulo de arenito e pedra-rosa, todo coberto com flores-de-maré azuis turquesa. O nome de Zanza estava esculpido a cinzel ali, junto com o tempo de sua vida, suas honrarias como um herói da Guerra civil, e uma pequena frase, que Naruto tinha esculpido logo abaixo:

“Como shinobi, esse homem viveu com a sombra da morte logo atrás de si por toda sua vida, mas no final, a acolheu, e partiu desse mundo com a cabeça descansando em seu colo. Abençoado seja”.

Tsokoka mirou as palavras por muito tempo. Ela não sabia ler o que estava gravado ali, mas podia imaginar as palavras que Naruto lhe tinha dito, enquanto corria os olhos pelos kanjis.

“Aqui – ele tinha apontado um símbolo no meio da curta frase – esse quer dizer morte, significa morrer, ou terra dos mortos, mas em conjunto com a frase toda, fica sendo morte mesmo”

“E esse, significa sono, mas também pode ser entendido como morte, ou berço, ou sonho. Retrata como Zanza partiu desse mundo no colo de Morte...”.

O jeito que ele falava da morte lhe confundia. Como loba, Tsokoka estava em constante presença dela. Nas caçadas, onde ela abatia coelhos e veados e os levava pra sua toca, ou então quando o frio era demais e os animais desapareciam, e seus filhotes choravam de fome. Dos sete que ela havia tido, apenas três tinha sobrevivido, os outros quatro, que nunca chegaram a ter um nome, serviram de alimento para seus irmãos. Ela não comeu nada da carne deles, carne que ela mesma tinha gerado, e Garou, Nezumi e Nami ainda eram jovens demais pra se lembrar. Nunca que ela diria a eles.

Morte sempre tinha sido algo horrível pra ela, uma fatalidade, triste, que recaia sobre todos. Como tinha recaído sobre seu pai, e o pai de seu pai antes dele, e sua mãe, e mesmo seu companheiro e seus outros filhotes. Não havia nada de bonito nela, nada de bom, nada de desejável...

Mas ele, Naruto, parecia pensar nela de uma forma diferente. Seu rosto sempre era sorridente enquanto a mencionava, e seus olhos... eles eram iguais os seus, enquanto pensava no seu companheiro, ou no seu pai, era olhos que ardiam de saudade, e desejo. Ele desejava a morte, ansiava por ela, e Tsokoka nunca compreenderia isso, mas vendo seus olhos, ela podia sentir... a dor que estava por trás dele. A mesma que ela sentia quando pensava nos corpos descarnados de seus filhotes, que ela teve que esconder abaixo da neve, couro arrancado e órgãos faltando, corações mastigados e ossos quebrados pelas suas próprias presas. Seus filhotes não tinham caninos fortes o bastante pra triturar osso, mesmo osso de recém nascido. Pra ela, era fácil, como moer cartilagem nos molares, odiosamente fácil.

“Humanos são estranhos” – ela pensou, deitando a cabeça com cuidado pra não ferir as pétalas delicadas das flores – “Alguns ainda mais que outros...”.

Ela foi tirada dos seus pensamentos quando Garou veio correndo até ela e se chocou, e logo Tsokoka estava rosnando irritada, carregando seus filhotes pelo cangote pra longe das flores que eles queriam mastigar.

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Yugao e Anko se esticaram na banheira, as roupas espalhadas pelo quarto e os cabelos soltos, misturados uma a outra, enquanto os braços da ANBU empurravam a cabeça roxa de Anko mais forte em sua intimidade.

-Anko-chan... quase... quase...

Anko não respondeu, só continuou usando a língua com o dobro de vontade de antes, apreciando a vermelhidão no rosto e no sexo da sua melhor amiga, e o frio no estomago de excitação, sabendo que ela estava prestes a gozar na sua boca.

-Anko... – Yugao suspirou como o ar dos seus pulmões faltou, e num engasgo, ela encontrou o clímax – EEEEEEEEKKKKKKKKKK!!!

O som estrangulado foi tão engraçado que mesmo Anko riu, soprando ondas do hálito quente bem diante do clitóris rígido de Yugao, que ficou ainda mais duro e sensível. Os dedos dos pés completamente esticados pareciam procurar algum ponto de apoio na banheira lisa, enquanto ela se arquejava toda e esticava o máximo que podia a coluna, sentindo aquele alívio gostoso lhe percorrer o corpo de cima abaixo.

-Ahh, eu adoro sua expressão depois de gozar, Yu – Anko escalou por sobre seu corpo, deitando a cabeça sobre seus seios e a abraçando – Você fica tão lindinha.

-É por que é gostoso demais... – ela murmurou, ainda fracamente, com a boca entreaberta respirando golfadas selvagens de ar, enquanto o suor lhe cortava a sobrancelha e umedecia seus cílios.

-Sim, sim, claro que é, sou eu que estou fazendo, é lógico que vai ser supremamente prazeroso!

-Supremamente?

-É...

-Essa palavra existe?

-Não sei... acabei de inventar.

-Aahhh...

-Nós não devíamos estar fazendo alguma outra coisa? – Anko perguntou – Hoje é o nosso último dia aqui, depois de tudo...

-É mesmo... – Yugao pareceu triste de repente – Eu vou sentir tanta falta de todo mundo... Da Mei, do Cho-chan, mesmo do Zabuza...

-Não vou sentir falta do Zabuza... eca...

Yugao riu, e mesmo Anko não pode segurar uma gargalhada por muito mais tempo.

-Eu vou, ele é bonitinho quando não esta sendo malvado.

-Ele sempre esta sendo malvado.

-Não seja boba Anko... Haku vai embora conosco, né? – ela pareceu pensativa de repente, acariciando distraidamente os cabelos roxos de Anko – Era o trato do Naru, afinal de contas...

-Sim, e ao que parece, Mei vai dispensar alguns shinobis pra nos acompanharem de volta.

A conversa morreu aí, e nenhuma das duas por algum tempo soube o que dizer pra quebrar o silêncio irritante. Yugao abriu a boca pra falar alguma coisa um tempo depois, mas a fechou constrangida frente o olhar de Anko.

-O que foi? – ela perguntou baixinho, quase recuando quando os olhos da jounnin brilharam – Anko...

-Cale a boca e me chupe...

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Haku observou Chihiro dormir com a cabeça apoiada no seu colo por quase uma hora, sem se mover nem um milímetro pra perturba-lo, e foi só quando o sol da manhã já estava ficando alto, tocando-lhe a face, que ele acordou, resmungando um pouco e fazendo careta. O Dragão riu suavemente, tirando o cabelo ruivo da testa dele e lhe sacudindo levemente pelo ombro.

-Você não muda nunca...

-Orusai – ele disse com um leve rubor nas bochechas, antes de se atirar fora do colo e se esticar longamente – Raposas são noturnas...

Kohaku apenas sorriu ironicamente por um momento, até suas expressões caírem pra uma preocupada, que não passou despercebido pro ruivo. Ele se lembrou de tudo, da história, e de dormir exausto após ter uma ridícula crise de choro, mas não falou nada, em parte por estar envergonhado, e em parte por não ter vontade alguma de discutir o assunto. Haku obviamente pensava diferente.

-Chihiro, agora a pouco, você...

-Kohaku – ele disse o nome baixinho, mas Haku se calou na hora, o observando com os olhos brilhando de curiosidade e apreensão – Você se lembra sobre o que te contei, sobre quem eu era, naquele rio...?

Os ombros de Haku caíram, mas ele assentiu fracamente, se sentindo estranhamente assustado e ansioso.

-Então... tem certas coisas, que eu fiz... das quais eu não gosto de lembrar, elas são... horríveis...

-Chihiro, você...

-Eu sou um monstro Haku – Naruto disse quase agressivamente, os olhos agora vermelhos a mirando com seriedade – Eu disse isso pra você, a muito tempo atrás. Você não me conhece totalmente, e eu não quero que conheça, por que nem mesmo você gostaria do que iria ver. Matar Chihiro, aquele bebe... não foi nada, foi compaixão, se comparado ao que eu fiz antes...

-Eu... entendo – O dragão dos rios disse por fim, se levantando, e caminhando até estar de frente a Naruto. Lenta e cuidadosamente, ele levou uma mão até o ombro, e a outra lhe afagou a face. Quente – Mas você não é um monstro.

-Eu...

-Monstros não sentem dor, Chihiro – Haku disse, e frente a expressão duvidosa e quase desamparada dele, acrescentou – Monstros não choram...

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Kiba se reuniu com Hinata e Shino, junto com Hanna na saída do recém restaurado conselho da vila da névoa. Cada um dos gennins tinha um pergaminho nas mãos, um certificado de honra e amizade da vila, assinada por todos os vereadores e com o selo do senhor feudal nele. Era uma honraria valiosa, e deveria ser guardada com zelo e orgulho, como disse um dos comerciantes, sorridente.

Eles pareciam queimar nas mãos das crianças.

-Nenhum deles estava lá – Kiba disse, rosnando – E agora eles agem como se... Tivesse sido algo bonito!

Akamaru latiu em acordo, e isso pareceu encher Kiba de coragem pra erguer o pergaminho e rasga-lo em pedaços bem na frente dos seus olhos. Antes que pudesse sequer se mover direito, no entanto, Hanna segurou seu pulso firmemente, enquanto os trigêmeos o miravam seriamente, quase como se fosse um alvo.

-Não otouto! – ela segurou mais firmemente quando ele reagiu e tentou se soltar – Não!

-Como você pode dizer isso Hanna-nee-chan! – ele cuspiu, e quando Hanna notou que ele não iria tentar rasgar novamente o pergaminho, o soltou – Eles estão todos lá, comendo e rindo e CONTANDO PIADAS! Eles estão fazendo pouco caso de tudo o que aconteceu, e eu deveria...

-Acalme-se Kiba, eu entendo o que você quer dizer – ela disse, com a mão em seu ombro – Eu também estou com raiva, mas você não pode rasgar uma declaração de amizade, é um insulto ao país todo!

-Mas...

-Pense na Mei, ok? – ela disse, e vendo seu olhar duvidoso, continuou, o tom mais baixo – Imagine que isso veio dela, não dos vereadores. Foi um presente por que você se esforçou e ajudou a salvar muitos vidas durante a guerra, se não tivesse sido você, muitas pessoas, muitos ninjas, estariam mortos agora.

-Eu só enrolei bandagens, nee-chan – Kiba disse amargamente – Eu não ajudei em nada! Naruto lutou e se machucou lá na frente, e eu não pude protege-lo por que estava enrolando bandagens! Eu não ajudei em nada droga!

Hanna teria o parado novamente, mas as lágrimas de frustração nos olhos dele a paralisaram. Por um segundo, ela se sentiu quase orgulhosa dele. “Igualzinho a mim” – ela disse a si mesma, antes do bom senso ganhar a melhor e ela voltar a se preocupar. Apesar dele ter corrido, ela não foi atrás dele. Tinha sido o mesmo com ela, e Hanna sabia que o melhor era deixar a cabeça dele esfriar, pra então pensar no assunto. Até ele perceber, ela não poderia fazer nada.

-Você só precisa perceber, otouto...

-Perceber o que, Hanna-san? – Hinata perguntou, a voz livre de gagueira e os olhos a encarando firmes, sem tremerem.

A Inuzuka sorriu orgulhosa, apesar de tudo, muitas coisas naquela guerra tinham mudado pra melhor.

-Que tirar uma vida é muito mais fácil do que salvar uma – ela disse, e então sorriu ainda mais – Me pergunto se Naruto entende isso, se é por isso que ele não mata...

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Ártemis ficou olhando pras suas coisas por um bom tempo. O manto longo que ele sempre usava estava caído na cama, junto com sua aljava de flechas e seu arco, polido depois de ter passado por uma cuidadosa manutenção. A saca com o dinheiro, comida e roupas que ele tinha estava na cadeira, à frente da escrivaninha, e os cabelos longos estavam presos num rabo de cavalo.

Sem seu equipamento de sempre, o arqueiro estava irreconhecível. O rosto jovem, ainda nos seus vinte e tantos anos já marcado com uma cicatriz, grossa e tremida, que acompanhava o contorno do seu olho esquerdo, afunilando até quase chegar a ponta do nariz. Olhar pra ela, frente ao espelho, era quase o mesmo que olhar pro seu sensei, morto e enterrado, e da lembrança da sua última lição que ficara gravada na sua mente.

“Não confie em ninguém, não fique no mesmo lugar muito tempo, e não se apaixone”.

Ele sempre foi muito bom em quebrar todas essas regras, e como seu sensei sempre ria dele quando tentava se desculpar, encabulado, Ártemis não teve nenhum remorso em tirar do bolso a bandana de fita marrom, com o símbolo da névoa gravada no metal ainda brilhando.

-Chega uma hora, sensei – ele disse consigo mesmo – Que todos nós encontramos a nossa casa... Eu acho que encontrei a minha agora.

Ele amarrou a bandana em volta da testa, soltando o rabo de cavalo e permitindo que seus cabelos caíssem novamente a frente do rosto, as mechas castanhas bagunçadas que deixavam seus olhos escondidos, e seu sorriso jogado nas sombras. Com um último suspiro triste, ele puxou o manto e o jogou por sobre os ombros, ajeitando a aljava e guardando o arco, rente a seu braço esquerdo.

“Nunca coloque seu arco nas costas, leva tempo demais pra tira-lo” – ele repetiu a si mesmo uma das lições mais dolorosas da sua vida, antes de se virar e sair do quarto. O sol já estava no céu, e ele tinha amigos pra se despedir.

“Você ficaria tão orgulhoso sensei, eu encontrei vários amigos... Eles são todos muito estranhos, e alguns deles são violentos, mas todas as mulheres são extremamente quentes!”

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Zabuza bateu na porta devagar, e entrou logo após receber uma resposta afirmativa, a fechando em seguida. As paredes eram todas irritantemente brancas, assim como os lençóis e as roupas que Chojuro usava, uma calça simples de pano e uma camisa cavada. Hiramekarei, e espada em forma de peixe, estava envolta em suas bandagens, quase como se dormisse, encostada na cadeira ao alcance das mãos do garoto, se fosse necessária.

O espadachim da névoa lambeu os lábios, em seguida pigarreou meio envergonhado, deixando um vazo de flores que Haku tinha preparado de antemão na cômoda, sob o olhar surpreso do garoto.

-Você veio me visitar... Arigato, mas e as flores?

-Haku me obrigou a trazê-las...

-Aahhh...

Os dois ficaram olhando um pro outro por um longo tempo, com as expressões completamente em branco, enquanto Zabuza se ajeitava na pequena cadeira e descansava as mãos nos joelhos. Seu corpo estava todo rígido e seus olhos vasculhavam os arredores a cada poucos segundos.

-Eu... estou fazendo certo? – ele perguntou meio encabulado, após quase cinco minutos de silêncio.

-O que? – Chojuro perguntou, genuinamente confuso.

-Bem... isso... sabe – Zabuza coçou o queixo, onde a pele pálida lentamente escurecia e se misturava com o bronzeado do resto do seu corpo – É assim que se visita alguém num hospital?

-Eu acho que sim... – Chojuro disse após algum tempo, piscando – Eu nunca fiquei doente antes.

-Nem eu...

-Se for chato assim, não quero ficar de novo...

-Ahh, sobre isso – Zabuza puxou o bolso de trás um pequeno embrulho alaranjado – Aquele arqueiro esquisito disse pra te entregar isso, disse que vai fazer sua estadia aqui no hospital mais interessante, ou algo assim...

Chojuro puxou o pacote das mãos dele, e devagar desatou a fita adesiva do embrulho, deixando a embalagem cair e revelando a glória alaranjada de um livro, com um grande “+18” impresso em vermelho na capa. Os olhos dele se crisparam em curiosidade, enquanto Zabuza gaguejava e suava frio, os olhos arregalados enquanto olhava a capa... Os traços, a forma, seria possível que aquilo fosse... O lendário...

-Que porra é essa? – Chojuro virou o livro pro outro lado e coçou a cabeça – É um hentai?

-Orusai! Kono Yaro! – Zabuza puxou o livro das mãos dele, sem perceber, caindo de joelhos enquanto o mirava com os olhos brilhando – Isso... é... “Icha Icha dream”, volume 1... encadernação original em couro, e a assinatura do próprio Jiraya-sama na capa... Você... tem ideia do quanto isso vale?! A lendária primeira edição, de uma editora desconhecida... Só existem cem exemplares disso no mundo! Alguns países o declararam como tesouro nacional, poder botar os olhos sobre ela, é...

Chojuro franziu as sobrancelhas, observando como ele gaguejava incoerentemente.

-Isso é o que é ser iluminado? Eu posso sentir... o Poder! O Poder desse livro sagrado flui pra mim, é como chakra!!!! É... VIVO! ESTA VIVO!!!!

Suspirando, Chojuro apertou o botão vermelho a beirada da sua cama, e uma voz feminina um pouco impaciente respondeu do outro lado.

-Com licença enfermeira, mas tem uma pessoa me incomodando no meu quarto, será que você poderia retira-lo?

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Mei avançou a passos largos pelo corredor, saindo da mansão do fogo e imediatamente pulando sobre os telhados da vila rebelde, como ficara conhecida após o fim da Guerra civil, uma semana antes. Ela ignorou a visão de Zabuza sendo atirado pra fora do hospital por seguranças chunnins, enquanto se arrastava até a sarjeta, balançando levemente pra frente e pra trás, com os olhos vidrados e um livro no colo, e se apressou até ir para casa...

Por um segundo ela quase parou, e a expressão furiosa derreteu em uma gentil.

“Casa” – ela repetiu pra si mesma, apreciando a sensação de conforto que isso lhe trazia – “Quando foi que comecei a pensar naquele lugar como a minha casa?”.

Ela não sabia exatamente, mas em algum momento, daquele mês que acabara de passar, aquela grande casa de dois andares, nos arredores da vila rebelde, tinha se tornado sua casa. A presença constante e reconfortante de Naruto, as brigas com Zabuza, as discussões inofensivas e excitantes de Anko, Yugao e Hanna, e os gennins, sempre procurando atenção, e Ártemis, e Haku, e Chojuro...

Quando foi que ela começou a pensar neles como a sua família? Em apenas um mês...

Por um minuto, foi quase constrangedor perceber que ela, uma kunoiche rank S e atual Mizukage da vila da névoa tinha, em um pequeno mês, se afeiçoado tanto a pessoas que nem eram da sua vila. Ninjas que, de uma hora pra outra, poderiam se tornar inimigos.

“Baka...”

A leve sombra de tremor foi afastada quando uma onda de vento atirou seus cabelos pra trás, e as nuvens passaram mais rápido no céu, quase como se algo as atravessasse voando, e do nada, a presença estava ali de volta. Quente e doce e carinhosa.

Naruto.

-Onde estão seus pensamentos, Mei?

Ela observou seu mais jovem amigo e general aparecer ao seu lado num shunshin de folhas, sorrindo calorosamente, pra logo depois se dobrar de joelhos e tirar de dentro do quimono um pergaminho, que ele segurou estendido.

-A missão foi um sucesso – ele disse, e ela quase riu. Claro que seria. Que missão com ele não era um sucesso?! Fracasso não parecia uma opção quando ele estava na equipe – Akaru-san, Chizoyo-san e Ichinomi-san aceitaram voltar pro país, sob proteção, e reabrir suas linhas de comércio novamente. Eles não me deram chance de oferecer a escolta necessária, já que afirmaram que estavam dispostos a contratar um grupo de gennins pra traze-los pra cá em segurança. Com a possibilidade de lucro extra, eu posso ter esquecido de mencionar que você ofereceu proteção jounnin gratuita, caso eles concordassem em reabrir suas lojas no país...

Mei sorriu largamente, pegando o pergaminho e assentindo pra que ele se levantasse.

-Você demorou, qualquer imprevisto na missão?

Ele sorriu, de repente envergonhado.

-Não senhora, na verdade, eu retornei de missão logo ao amanhecer, mas acabei encontrando Yagura no jardim, e resolvi conversar com ele, depois, eu... bem...

Ela apenas afagou os cabelos ruivos, encantada com a macies dos fios, e sorriu:

-Não se preocupe com isso Naru, você fez muito bem. Qualquer coisa que tenha dito a Yagura o convenceu a continuar na Névoa, então eu tenho apenas que te agradecer.

Naruto sorriu brilhantemente:

-É um prazer – ele parou de repente, confuso – Se não é ousadia minha perguntar... Onde a senhora esta indo?

-Não é ousadia, e eu... nós – ela o puxou num abraço – Estamos indo pra casa.

Naruto sorriu como Mei esfregou a bochecha na dele, e depois o deu um beijo apertado ali, esquentado a sua face até deixa-la completamente vermelha.

-Hai.

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Yagura parou frente ao armário, correndo a mão pela maçaneta polida e fria ao toque, antes de abri-la. Lá dentro, estava um conjunto completo de roupas, um quimono azul-verde-mar, com um haori bege e hakama azul escura, um par de sandálias num canto e uma máscara, verde escura e reptiliana, mostrando o rosto de uma tartaruga.

Ele, deliberadamente lento, tirou seu próprio conjunto de roupas, e vestiu com cuidado as novas, ignorando o haori médio e a espada, fixa por um suporte na porta. As sembons e frascos com venenos e antídotos, no entanto, ele pegou e arrumou com cuidado na bolsa, se certificando de decorar o lugar de cada um, caso precisasse puxa-los sem olhar, no meio de uma batalha. Seu novo cajado, feito de madeira de Sakura e com um gancho entalhado na extremidade, ocupou o lugar onde a espada deveria ficar, nas suas costas.

Com um último olhar pra si mesmo, ele puxou a máscara e a ajustou no rosto, deixando seus cabelos caírem por cima dela, curtos o bastante pra não cobrir os buracos dos olhos.

“Você tem pensamentos muito bobos, Yagura” – Kusaribi acusou com uma voz cansada na sua cabeça, como sempre quando tentava convence-lo de algo – “Não posso dizer que ninguém desse país te odeia, mas entre eles, nenhum tem qualquer má vontade para com você”.

O ex-Mizukage não pode evitar imaginar, era lógico, todos eles deveriam odiá-lo, e ele deveria estar preso, droga, até morto. No entanto, ele estava aqui, livre, com permissão pra viajar por todo o continente, com passaporte livre ente as cinco grandes nações devido ao seu status de Hunter-nin. Era um acordo de restrições. Haviam hunters em todos os continentes, e muitos deles serviam como espiões, é claro que as aldeias sabiam disso, mas mantinha os danos mínimos, e provinha uma boa rede de informações entre um lugar e outro, então era ignorado. Como também havia nukennins em toda a parte, era necessário haver hunters também. Aldeias menores ficavam longe desse tratado, quando era necessário, a permissão do Senhor Feudal do lugar era requisitada, ou se a aldeia prestasse vassalagem a uma das cinco grandes, era imediatamente incluída no acordo.

“Você é uma nova pessoa agora” – Kusaribi insistiu – “Nada do que você fez foi culpa sua, foi tudo por causa do genjutsu, e você perdeu sua posição na Névoa por isso. Por que diabos não aceita que não depende de você, Yagura?”.

-Falar é fácil... – ele murmurou.

Durante muito tempo Yagura se convenceu que dependia dele. Ele era o Kage, a Sombra da água e o protetor do país, mas ele tinha falhado, e a responsabilidade foi arrancada de suas mãos. Ele não se ressentia com isso, na verdade, mesmo que ele fosse considerado apto a continuar com o posto de kage, ele não teria. Ele teria abdicado, e saído do país. Era o que ele estava fazendo agora, tentando minimizar os danos, acabando com os traidores que poderiam prejudicar o seu povo precioso. Cuidando das ameaças de fora, em vez de dentro, como antes.

Ver Mei se afogando em papelada quase fez tudo valer a pena, com um toque escuro e sinistro de humor totalmente sem graça.

“Deixe de ser idiota – Kusaribi sorriu – Vá até lá, todos vão estar lá, e você ainda não se desculpou pessoalmente com todos. Vá fazer uma cena de auto piedade, só pra alguém te acertar a cabeça, e em seguida, beba até cair... Ou qualquer coisa que homens fazem nesse tipo de situação”.

-Kusaribi-chan, você ainda tem uma péssima opinião sobre homens...

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Mei e Naruto chegaram na casa caminhando lentamente, e não se preocuparam em bater. Kurenai ouviu a porta sendo aberta, e veio com um guardanapo nas mãos, o vestido de faixas longe de ser visto, em vez disso, ela usava um conjunto simples de saia e camiseta, com um avental cobrindo tudo. Kiba praticamente babava enquanto seguia seus movimentos pela cozinha.

-Vocês chegaram, que bom – ela deu um abraço em Mei, e puxou Naruto com ela logo depois – Eu preciso de ajuda, e ninguém sabe cozinhar aqui alem de você, anda, vista isso!

Naruto se atrapalhou com o avental, enquanto Kurenai empurrava uma tigela e uma colher pra ele.

-Bata até ficar em clara, hoje vamos ter torta!

Hinata ficou em alerta no mesmo momento, olhando pra tigela com os olhos brilhando, o que equivaleria a uma pessoa normal pulando e gritando “Eba! Torta”, o que ela ainda era tímida demais pra fazer. Anko e Yugao não tiveram problemas com isso, pulando abraçadas uma com a outra, enquanto Shino apenas ajeitava os óculos frente ao rosto, repetindo seu mantra freneticamente.

“Eu sou uma criança lógica, pessoas ilógicas não me excitam... Eu sou uma criança lógica, pessoas ilógicas não me excitam, eu sou uma...”.

Mais batidas na porta, que Kiba se levantou pra atender, enquanto Mei ia brigar com as duas por contar coisas inapropriadas pra crianças. Ártemis entrou com um sorriso, bagunçando os cabelos de Kiba e afagando Akamaru, e tirou duas garrafas de sake de dentro do casaco, as estendendo pelo ar enquanto Hanna trazia uma porção de pequenas taças nos braços. Mesmo os gennins beberam um pouco, pra logo depois ficarem rindo como bobos, sob o olhar divertido dos adultos e de Naruto, que não era tão afetado pelo álcool como uma pessoa normal. Yagura chegou logo depois, e só precisou uma boa pancada com uma garrafa vazia pra que ele deixasse de se desculpar e aceitasse uma taça também.

O clima todo na casa ia ficando mais e mais caloroso, enquanto o sake ia acabando e a torta terminava de assar, junto com o peixe no forno e o sukyaki, que descansava calmamente encima do fogão, com a tampa entreaberta na panela. Yugao e Anko contaram piadas, e algumas fizeram mesmo Shino derramar alguns sorrisos. Hinata e Kiba desapareceram no meio da tarde, e só mais tarde que foram encontrados, se beijando dentro de um quarto vazio. Akamaru e os filhotes descansavam contra Tsokoka, com vários potes de comida vazios ao redor deles, e enquanto o dia ia passando, cada um deles começou a contar suas histórias. Algumas que tinham ouvido, outras que tinham vivenciado, outras que eram lendas comuns no lugar em que nasceram.

Zabuza e Haku chegaram no momento que Naruto terminava de contar como tinha sido sua primeira missão, em que ele tinha arrastado os barcos de suprimentos todo o caminho até a vila rebelde, e imediatamente depois Yugao disse como tinha sido sua inclusão na ANBU, como Neko. Anko contou um pouco sobre sua infância, enquanto Naruto descansava no seu colo, e sobre como Orochimaru tinha traído a vila. Zabuza e Yagura se revezaram pra contar uma versão detalhada de como tinha sido o extermínio de linhagens, e no final, ignorando a expressão culpada do recém-nomeado Hunter-nin, Mei propôs um brinde.

-Ao fim da guerra.

-Ao fim da Guerra – todos responderam, erguendo suas taças.

-A Zanza – Naruto disse – e a todos os heróis que não estão mais entre nós.

-A eles!

-A Ao – Mei disse – Nunca mais vou ter ele por perto pra me encher a paciência.

-A Ao!

-Ao Naruto – Mei sorriu pra ele, enquanto Anko ria da forma como seu rosto avermelhou – Por ter feito disso tudo possível.

-A Naruto!

Os brindes continuaram por quase meia hora, e mesmo depois que o sake tinha terminado, todos ainda estavam brindando. Eles brindaram ao sake, a Inari, o deus das colheitas, a Tazuna, na Onda, ao sake novamente, e até mesmo aos brindes, e no final, quando o céu já estava escurecendo e as sobras de comida esfriavam encima da mesa, todos estavam dormindo. Chojuro e Zabuza dormiam costa a costa um contra o outro, como lutaram na guerra, e Mei e Yugao e Hanna estavam debruçadas uma sobre as outras. Kurenai se deitou, com a cabeça de Shino, e Hinata e Kiba apoiadas no seu colo, e Haku dormiu cercada de lobos e cachorros, enquanto Ártemis dormia escorado na parede, abraçando seu arco. Naruto e Anko, no entanto, ficaram acordados por um longo tempo, apreciando a companhia um do outro e observando os outros.

-É normal, Anko?

-O que querido?

-Eu me afeiçoar tanto a eles?

Ela sorriu, o puxando mais pra si e beijando seus lábios, que tinham gosto de sake e sukyaki.

-Sim, humanos são criaturas bobas e felizes, eles se apegam uns aos outros, eu acho...

“Humanos... demônios são assim também, eu acho, ou será que estou me tornando mais humano com o tempo?”

***************************************

Longe da vila da Névoa, dentro das florestas tropicais do país do fogo, Sarutobi acendeu novamente seu cachimbo, tragando profundamente e soltando a fumaça pelo nariz, enquanto se recostava na cadeira. Na sua frente, o corvo mensageiro esperava pacientemente que ele retirasse a mensagem na sua perna, e quando o Hokage o fez, ele grasnou um comprimento e voou pela janela, desaparecendo na noite da vila da folha.

Desdobrando o pequeno recorte de pergaminho, ele mordeu o dedo e deixou uma única gota de sangue cair sobre o pequeno selo, lambendo o sangue que ainda escorria enquanto fazia um selo simples com a outra mão.

-Kai!

O pedaço de papel explodiu em fumaça, e um pergaminho selado apareceu sobre sua mesa. Ele rasgou o lacre, e curioso, se pôs a ler.

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Sétimo relatório referente a Missão no país da Névoa, de Uzuki Yugao, ANBU Neko. Black Ops.

Missão – Completa com sucesso.

Baixas – 000

Situação do país – Yondaime Mizukage, Umi no Yagura, deposto da posição. Terumi Mei, Aka no Maou, sagrada Godaime Mizukage.

Hokage-sama,

Todos os protocolos foram cumpridos, e sob a liderança recém nomeada de Uzumaki Naruto (otouto Kawaii *__*) a missão foi um completo e absoluto sucesso. Não tivemos nenhuma baixa na equipe, e todos os membros do esquadrão foram aproveitados com engenho e efetividade.

No último relatório eu informei ao senhor, vovô, como Naruto completou com sucesso além do previsto a missão dada a ele por Mei, até então líder do grupo rebelde de Iwa, acerca da destruição de provimentos para o exercito de Yagura. Em vez disso, ele trouxe os barcos consigo pelo oceano, até o ponto esperado, apenas com um ligeiro atraso. Os guardas jounnins foram derrotados e presos, e nenhum civil sofreu qualquer dano. Naruto voltou da missão sem nenhum arranhão.

Após isso, Yagura atacou uma vila próxima, montando um posto avançado estrategicamente prejudicial as nossas forças, mas encontramos uma maneira de contornar isso.

Desculpe por ficar tanto tempo sem relatar devidamente, mas é que a situação tem sido complicada por aqui. Não vejo as coisas agitadas assim desde a terceira guerra, e eu era só uma menininha pra lembrar, foi novo e assustador até pra mim, mas Naruto levou tudo com frieza e profissionalismo. Foi difícil de acreditar que ele até então não tivesse nenhuma experiência em campo, devido a forma como procedeu.

Enfim, Mei estava disposta a tomar uma cidade próxima como posto pra sustentar sua posição contra Yagura, mas Naruto teve a ideia de atacarmos diretamente na base principal, com um contingente pequeno de homens liderados por ele (não enfarte, tudo ocorreu extremamente bem). Mei achou demasiadamente perigoso tomar essa sugestão, mas após Hanna chegar, ela decidiu que seria a melhor opção.

O grupo de ataque foi composto por Naruto, na liderança, acompanhado de Momochi Zabuza e Chojuro (sobrenome desconhecido. Vou perguntar a ele depois) em seus flancos, como força de ataque direto. Koori Haku e Hanna-chan ficaram logo atrás, cuidando das laterais da posição, e um arqueiro chamado Ártemis (isso não seria nome de mulher?!) que Mei contratou em algum momento antes da nossa chegada cobriria nossa retaguarda. Apesar da posição ter algumas falhas a uma primeira vista, ela foi perfeita. Naruto, Zabuza e Chojuro, como espadachins causaram um dano direto absurdo, enquanto Haku e Hanna, nas laterais cuidaram das costas dele e também causaram distrações, e Ártemis, na retaguarda, com suas flechas conseguiu proteger a todos muito bem. Ele é muito habilidoso, se fosse me perguntar, poderia classifica-lo como rank S. Nunca vi um arqueiro tão bom antes.

Os resultados desse ataque, apesar de satisfatórios, são confusos. Não tem como saber exatamente quantas baixas o inimigo teve, já que Naruto não matou nenhum shinobi, e muitos do que ele deixou desacordados acabaram sendo mortos por Hanna ou Ártemis, ou mesmo Zabuza ou Chojuro. Sabemos que tudo deu certo e que foi um golpe dolorido nas fileiras de Yagura, mas não exatamente quantos pontos ele teve de dar nessa ferida.

Kiba estava bastante confuso nesse ponto, com o aparecimento subido de Hanna, mas eu Kurenai conseguimos explicar tudo muito bem pra ele. No final ele estava insuportavelmente convencido, pela sua irmã mais velha ser tão forte, e quase desmaiou de tanto treinar por botar na cabeça que iria ficar mais forte que ela. Eu pessoalmente acho bobagem, mas Naruto disse que ele conseguiria. Não sei se ele estava sendo apenas gentil ou não, o sorriso dele me confunde as vezes, é como se ele soubesse coisas que eu não sei...

Ele é tão legaaaaaaaaaal!!!!!!

Não é exatamente relevante a missão, mas eu acho que deveria informa-lo que Anko ignorou as regras sobre ninjas não se envolverem sentimentalmente no meio de uma missão e tirou a inocência do meu irmãozinho. Espero sinceramente que ela seja punida com toda a severidade quando retornarmos da missão, Jiji, enquanto isso eu a estou punindo... com minha língua.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Eu sei que o senhor teve uma hemorragia nasal agora, não tente esconder.

Após o ataque, que ocorreu cerca de três semanas atrás, Mei designou diversas missões pra cada um de nós, e muitas se faziam necessário o desmantelamento do nosso grupo, por isso levou algum tempo até que pudesse reunir as informações precisas do que aconteceu durante esse tempo, com cada um de nós. Como a lista seria demasiadamente extensa de escrever, eu vou contar ao senhor diretamente quando chegarmos em casa, tomando um chocolate quente que o senhor vai pagar. Quem sabe biscoitos...

Enfim Jiji, o próximo movimento de Yagura forçou que nos aproximássemos da sua base avançada, e a tomássemos pra nós, mas ele de alguma forma sabia disso, e alinhou suas tropas bem em frente á cidade. Até então não sabíamos da existência de um espião, apesar de estarmos desconfiados disso, e como não era possível mandar pistas falsas pelas tropas no momento, nós simplesmente avançamos com tudo. Nossas tropas se encontraram por volta das oito da manhã, frente a um contingente três vezes maior em número que o nosso. Yagura estava logo na retaguarda, observando tudo com um sorriso horroroso no rosto, e Mei também estava ali. Seria a batalha decisiva.

A batalha toda durou quase um dia, e foi bastante confusa. Todos do nosso grupo, exceto o time de Kurenai e Haku partimos para a linha de frente. Haku tinha a habilidade necessária, mas precisávamos de todos os médicos que tivéssemos pra dar atendimento aos feridos, então ela foi designada para a tenda médica. Mesmo com todo shinobi com conhecimento médico trabalhando lá, com ajuda do time de Kurenai e outros chunnins da retaguarda, muitos ninjas morreram devido a falta de atendimento.

Quanto às forças de Yagura, elas eram descentralizadas. Havia um grande excesso de chunnins, e mesmo gennins enchendo seus números na campina, e boa parte deles morreu facilmente, mas mesmo em jounnins eles excediam o nosso número. Hanna foi decisiva nesse momento, já que ela matou um grande contingente de chunnins sozinha, abrindo o campo pros jounnins lutarem com mais liberdade. Foi uma chacina pra ambos os lados, e isso durou grande parte do dia. Os medi-nins trabalharam apenas nos casos mais urgentes, por isso nossos números de feridos aumentaram. Kurenai passou algumas horas longe da luta por causa disso, apesar de seus ferimentos não serem graves, e os gennins ajudaram bastante dando pontos e enrolando ataduras.

Com os nossos números caindo, e os shinobis ficando exaustos, a batalha se resumiu mais aos jounnins, e jutsus começaram a ser lançados em ambos os lados. Foi um caos, eu nunca vi tanta água e fogo na minha vida. Naruto durante esse tempo todo ficou na linha de frente, desmaiando inimigo após inimigo. Um dos jutsus o acertou no ombro, deixando uma queimadura grave de terceiro grau em grande parte das suas costas, mas ele não parou um segundo de lutar. Pensei que fosse morrer naquela hora, e foi quase a dentadas que arranquei as tripas do idiota que ousou machucar meu irmãozinho.

Você teria ficado tão orgulhoso vovô! Algo assim tem que ser inédito, nem mesmo o Yondaime-sama poderia se gabar de ser tão forte tão cedo.

No entanto, em algum ponto durante a batalha, Naruto simplesmente desapareceu. Eu estava ferida no momento, então não tive como ajudar, mas Anko disse que procurou por quase uma hora e não o encontrou. Não teve como cobrir o campo todo, é claro, e haviam muitos corpos espalhados por aí. Todos nós pensamos que ele estava morto, mas ele apareceu mais tarde, do nada na verdade, e bem na hora...

Nesse meio tempo, Mei chegou até Yagura e começou a lutar com ele, usando técnicas de lava e vapor que eu nunca tinha visto antes. Ela nos contou durante um jantar ou outro que tinha duas kekkei gekais, mas eu não sabia que elas eram tão mortais assim. Tenho certeza que ela teria vencido se já não estivesse exausta.

Yagura ganhou a luta sem se desgastar muito, apenas usando jutsus e manipulação de água. Eu sei que parece impossível, mas Haku aparentemente pode fazer isso também. Isso seria uma nova kekkei gekai? Se for, estamos com sorte, por que ele vai estar voltando conosco após eu terminar de escrever isso... Só temos que achar o Naru-chan, ele sumiu a algum tempo...

Enfim, Mei tentou um último ataque em Yagura, mas por alguma razão ela não conseguiu atingi-lo, apesar de termos certeza de que havia acertado, sua kunai parou rente a pele como se não pudesse perfura-lo. No momento nenhum de nós entendeu, e seria só mais tarde que descobriríamos o por que daquilo. Yagura, é claro, se gabou aos quatro ventos sobre ser o Deus do mar, e como todos éramos medíocres por nos opor a ele. Ele estava pra matar Mei quando Zanza apareceu no último momento. Não sei se cheguei a falar dele, é um cara que o Naruto capturou após chegarmos a vila da Névoa. Ele era bastante gente fina, mas um selo na língua o obrigava a servir Yagura. Acabamos nos descuidando, e ele sequestrou Kiba, Shino e Hinata.

Não se preocupe, Naruto conseguiu resgata-los, e Zanza foi preso. Tsokoka ficou encarregada de tomar conta dele desde então.

Sobre Tsokoka... bem, digamos que Naruto encontrou uns amiguinhos na floresta, e vamos estar levando eles de volta conosco também. Não se preocupe, o clã Inuzuka vai cuidar deles.

Zanza apareceu pra salvar Mei no último momento, e lutou contra Yagura bravamente. Nenhum de nós soube exatamente o que tinha acontecido, e só depois da batalha ter terminado é que Tsokoka contou pra Naruto, que nos contou. Aparentemente meu irmãozinho tem algumas habilidades Inuzuka, e consegue falar com lobos, estranho né?! Ele deve ter aprendido por passar tanto tempo com Kiba no composto, praticando, mas acho que sendo o Naruto, é bem a cara dele. Zanza, agora morto, pediu pra que Tsokoka arrancasse sua língua com os dentes, pra que ele viesse vir nos ajudar. Foi doloroso ouvir isso, mas acho que no fim, ele fez o que foi necessário pra proteger aqueles que amava. Poucos ninjas têm honra pra fazer algo assim. Você deve ter visto o túmulo que Mei fez pra ele com rocha vulcânica, foi muito bonito. Uma garota o encheu de rosas quando o velório terminou, acho que ela gostava dele...

Voltando a batalha, Zanza interferiu e saltou Mei, mas acabou morrendo, e Naruto apareceu logo depois, salvando Mei no último momento. Ele partiu o bastão de Yagura em dois em um único movimento, e disse algo sobre ser o primeiro a ter a fama de matar um Deus. Eu estava na tenda médica no momento, então não vi, mas umas garotas ficaram gritando que foi incrível e super legal quando perguntei pra elas. Uma até teve a cara de pau de me perguntar se o Naru-chan tinha namorada, da pra acreditar?! Anko teria feito comida de cobra dela...

A batalha entre os dois foi simplesmente incrível, eu nunca vi Naruto lutar com tanta força. Ele estava par a par com Yagura, mesmo exausto e ferido. No entanto, por estar cansado demais, acabou se enfraquecendo após quase uma hora, e Yagura conseguiu prende-lo num esquife de gelo. Todos nós pensamos realmente que tínhamos perdido naquele momento, quer dizer, se o Naruto não tinha sido forte o bastante...

Zabuza, Hanna e eu acabamos por enfrenta-lo em seguida, mas não teve muito o que pudemos fazer. Novamente ele conseguiu escapar de um golpe que com certeza acertou um ponto fatal da sua coluna, e só então revelou que aquilo era um jutsu. Uma defesa absoluta, acho que como a dos Hyuuga, só que era constante. Um grande casco de tartaruga com três caudas gigantes. Ele disse algo relativo a ser o casco do Sanbi, mas eu não entendi muito bem o que ele quis dizer. O que o Sanbi é, vovô? É alguma kekkei gekai?

Foi então que aconteceu a coisa mais incrível, incrível mesmo, que eu vi na vida. Naruto conseguiu de alguma forma quebrar todo o esquife de gelo, e saiu de lá literalmente pegando fogo. Toda a água perto dele evaporou de tão quente que ele estava – sim, duplo sentido intencional – e tudo o que dava pra ver era seus olhos, brilhando carmesim. A um primeiro momento pensei ser o poder da raposa, mas depois se provou ser outra coisa... Algo ainda mais estranho.

Sério, eu ainda vou ficar louca se as surpresas continuarem. Só falta o Naruto se virar e dizer que na verdade ele era a Kyuubi o tempo todo, e que Haku era algum tipo de Deus Dragão.

Kkkkkkkkkkkkkkkkkk

Bem, brincadeiras de lado, foi realmente a coisa mais bonita e assustadora que eu já vi. O resto da batalha foi um massacre, Naruto atacou de todos os lados e não deu nenhuma chance pra Yagura contra atacar. Tudo estava tão rápido e quente e forte que mesmo o chão tremeu. Tudo terminou quando Yagura gritou algo sobre ser um Deus novamente, e Naruto apenas disse:

“Se é assim, eu sou três vezes mais Deus que você...”.

Parando pra pensar, Sanbi quer dizer “Três caudas” não, isso seria um outro bijuu? Se sim, a frase deve ter sido referência ao Naruto ser o jinchuuriki das nove caudas, mas como ele sabia disso tudo? Sobre a Kyuubi tudo bem, mas e esse tal de Sanbi?

Quando Naruto acertou o golpe final, que ele chamou de “Kuzu ryu sem” – vou ter que perguntar ao Gekko-kun qual é esse, eu nunca o vi usar antes – Eu sabia que tudo tinha terminado. Não era possível sobreviver a uma coisa daquelas. Tudo simplesmente incendiou e Naruto jogou Yagura pra cima, como um foguete, subindo pro céu junto com ele. Os golpes da katana eram tão poderosos que deixaram o céu todo prateado, e quando o ataque terminou, ele arremessou Yagura pro chão, com tanta força que abriu uma cratera gigante.

Eles simplesmente não voltaram depois disso, e eu cheguei a pensar que ele tivesse se suicidado pra matar o Mizukage.

Não foi bem assim, eu vou contar pro senhor o que eu vi quando corri pra lá...

**************

Yugao tropeçou enquanto tentava subir a enorme colina que o jutsu de Naruto tinha levantado em torno da cratera onde ele estava. Por um longo momento, ela tinha esperado ele voltar, sorrindo gentilmente como sempre e dizendo que tudo ficaria bem, mas ele não tinha voltado, e agora a realidade provável da situação caía sobre ela como uma pilha de tijolos.

A realidade de ser bem possível que Naruto tivesse morrido com aquele ataque... a deixava sem ar nos pulmões.

Zabuza tentou impedi-la, segurando seu ombro por algum motivo, mas ela se soltou e continuou subindo, tropeçando e ralando o joelho, sem nem perceber direito. Sua boca estava com gosto de terra pela enorme nuvem de poeira no lugar, e os olhos ardiam, mas mesmo tropeçando e cambaleando, ela tinha que chegar até lá, ver por si própria.

Yugao finalmente alcançou o topo, dando algumas lufadas desesperadas de ar, antes de olhar pra baixo.

A cena a fez engolir em seco e corar uns trinta tons de vermelhos diferentes, antes de uma hemorragia nasal a mandar sorrindo a toa pra trás.

Yagura não estava morto, mas estava bem machucado, caído sem poder se mexer com lágrimas lhe escorrendo compulsivamente dos olhos, enquanto ele mordia os lábios pra não gritar. Sua cabeça no momento estava apoiada nos braços de Naruto, com um cuidado quase carinhoso, e seus olhos estavam fixos um no outro. Ele estava se aproximando dele, chegando cada vez mais perto.

Os olhos de Yugao se arregalaram enquanto ela inconscientemente se inclinou mais pra frente, prendendo a respiração em expectativa. Eles estavam cada vez mais perto, perto demais, ainda olhando um pro outro.

“Não pode ser... Naru-chan vai beijar um garoto... eu quero ver!”

Como toda garota que fantasia sobre romances com garotos bonitinhos, Yugao estava em êxtase, imaginando todo o drama da cena diante dela. O Mizukage deposto, e a própria pessoa que o tirou do poder, aquilo ia ser bom demais!

Praticamente quicando no lugar, ela acompanhou como os dois se aproximaram um do outro lentamente, mas em vez de se beijarem, Naruto apenas deixou que sua testa tocasse a de Yagura, que suspirou com o calor fervente na sua pele fria. Os cabelos de Naruto se moveram levemente, e tudo o que a ANBU pode ver antes da cascata vermelha cobrir o rosto de ambos foi um brilho vermelho nos olhos dos ruivos.

Eles ficaram assim por alguns minutos, tenta contra testa, os cabelos ruivos e longos escondendo tanto os olhos desfocados de Yagura quanto os concentrados de Naruto. Por fim, eles se arregalaram, e lentamente voltaram ao azul, enquanto ele se levantava, e puxava Yagura com ele pra cima.

Yugao observou toda a interação sem entender praticamente nada, Yagura se levantando, olhando pros lados, confuso, perguntando o que tinha acontecido, se agachando e quase caindo, aparentemente, de dor de cabeça, e então culpa e horror que passaram muito distintos através dos olhos cor de rosa dele.

Genjutsu – a resposta caiu como uma pilha de tijolos encima dela, e todas as coisas estranhas se encaixaram como peças de quebra cabeça. O comportamento estranho após o fim da terceira guerra, o comando incompreensível de extermínio das linhagens, e aqueles olhos, olhos que não faziam sentido.

O pensamento de ser tudo um genjutsu, de um simples genjutsu ter movido toda aquela guerra, e causado todas aquelas mortes, desde Ao, a Zanza, e tantos outros, a fez ficar com raiva. Mais que isso, seus olhos marejaram e ela mordeu os lábios, chorando de frustração. Quem poderia ter feito aquilo, brincado com as pessoas daquela maneira, quem era poderoso o bastante, e quem tinha motivos pra isso?!

Seja quem for, ele não merecia perdão.

Escorregando pela descida da cratera, Yugao caiu até lá, enquanto Yagura se voltava pra ela, de repente hiper-conciente e apavorado. Não era medo de ser atacado, ou algo assim, mas a forma como ele olhou pra baixo, com os olhos vidrados e o corpo todo travado deixou muito óbvio a quantidade de culpa que ele devia estar sentindo. Apesar de tudo seus olhos continuavam meio fora da realidade, não como antes, mas era como se ele estivesse com a cabeça em outro lugar, como se estivesse atento a algo dentro de sua cabeça...

Naruto apenas me olhou com o canto dos olhos, suspirando, e seus olhos voltaram ao azul de sempre. Olhando de perto, dava pra ver que chamas ainda lambiam sua pele e seu quimono, agora bem mais claras e num tom amarelado. Ele se aproximou e tocou levemente o ombro da ANBU, que se retraiu por um segundo com o pensamento de ser queimada, mas não aconteceu. Naruto, é claro, notou isso e sorriu:

-Acabou – ele sorriu mais largamente, enquanto o mesmo sorriso se espalhava lento e hesitante nos lábios de Yugao, sua atenção presa na presença recente e meio desconfortável de Yagura, mansamente parado ao lado – Grite isso pra todos, grite que a guerra terminou, e reúna Mei e os outros.

Ele se voltou pra Yagura novamente.

-Você deve apresentar uma rendição formal, apesar de tudo, tecnicamente ainda estamos em guerra.

A resposta dele foi abanar lentamente a cabeça pra frente e pra trás, as coisas que tinham acontecido ainda confusas na sua cabeça.

******************************

Aquelas chamas foram o mais estranho vovô, só um pouco mais tarde ele explicou sobre o que se tratava, e também o por que dele poder usar jutsus, sendo que não aprendeu na academia, embora isso eu já soubesse. Ele pediu pra não contar isso no relatório, e disse que vai explicar tudo diretamente pro senhor quando chegarmos aí, então tudo bem, não?!

Yagura se rendeu logo após sairmos daquela cratera, e por um minuto os extremistas do seu lado quase armaram um motim. Todos foram rapidamente contidos, no entanto, e a Inteligência cuidou de cada shinobi, separando os que são leais a Mei e Yagura, dos extremistas e dos que estavam apenas sem chances de mudar de lado. Todos os selos de obediência foram retirados, e voluntários de ambos os lados recolheram todos os cadáveres e feridos, os médicos dos dois lados se unindo e agilizando o atendimento. Mesmo assim, muitos morreram na espera mesmo.

Mei avaliou que as baixas foram graves, beirando gravíssimas, com muitos mortos e muitos feridos, mas não nos deu os números exatos, e nós nem pedimos, já que isso é informação referente apenas a vila da névoa, mas se fosse comparar, eu diria que seria equivalente a nossa situação após o ataque da Kyuubi. A vila toda esta muito fragilizada e a economia sofreu um golpe duro, mas eles vão conseguir passar por isso. Uma aliança entre a folha e a Névoa, nesse momento, parece extremamente rentável no presente momento.

Isso é tudo vovô, abra as portas da vila e soe as trombetas, nós estamos voltando!

**************************************

Sarutobi riu quando terminou o relatório, meio manchado de sangue do seu nariz, que ele coçava compulsivamente, tentando afastar certas imagens da cabeça. Como ele imaginava, tudo tinha saído extraordinariamente bem, com Naruto levando tudo com o mesmo profissionalismo e habilidade daquela outra vez...

-Parece que temos um outro gênio, a altura de Itachi na vila mais uma vez... – ele murmurou, tragando o cachimbo com um sorriso – E ele também é extremamente parecido com você, Minato...

A figura do Yondaime, na parede, não respondeu, mas seus olhos pareciam brilhar, como se naquela época, ele tivesse previsto tudo isso. Não era possível, claro, mas tampouco era um mal pensamento de se ter.

*************************************

A saída do país da Névoa foi silenciosa, e até um pouco triste pra todos nós. Apesar de todas as pessoas no país estarem festejando, muitas delas brindando aos nossos nomes a futura aliança que tinha se espalhado de boca em boca, nenhum deles souberam que estaríamos deixando o país hoje. Se soubessem, haveria muito alarde, e nenhum de nós queria exatamente isso. Mei e Yagura vieram conosco, e quando pensamos que era apenas pra se despedir de nós, eles jogaram mantos grossos cinzentos por sobre os rostos, escondendo completamente suas roupas e feições, e curiosamente, se ajoelharam. Estreitei os olhos pros dois, que tinham sorrisos enquanto olhavam discretamente um pro outro, como se compartilhassem uma piada.

-Vamos ser sua guarda de honra – Mei sussurrou, como se estivesse dando a dica de uma brincadeira, mas logo sua voz ficou séria – A Mizukage nos ordenou a acompanhar na viagem, já que ela própria não pode deixar a aldeia levianamente... Partiremos assim que estiver pronto, Naruto-taichou...

-Incrível como “taichou” combina com você, otouto... – Yugao disse com uma risada, imediatamente entrando na brincadeira e se ajoelhando.

Anko o fez logo em seguida, as cicatrizes em forma de garras na sua bochecha se curvando e acompanhando seu sorriso, e logo depois Zabuza, Haku, Chojuro, Kurenai, Ártemis, Hanna, Kiba, Hinata e Shino fizeram o mesmo.

Quando o último tocou os joelhos, todos fizeram em uníssono a saudação característica de um oficial superior, dobrando a cabeça e um braço as costas, enquanto o outro ficava apontado pra baixo, o punho conectado com o solo.

-Se levantem, preguiçosos – sorri um pouco, deixando os olhos cintilarem em vermelho por brincadeira, e isso teve mais efeito que qualquer outra coisa poderia esperar acompanhar – Nós vamos embora.

-Hai! Taichou!

Mei e Yagura me flanquearam imediatamente, enquanto Yugao e Anko a acompanhavam, e Kurenai e os seu time ficaram logo atrás, com Haku e Hanna na nossa retaguarda. Zabuza, Chojuro e Ártemis não tomaram posição, em vez disso eles pularam pra trás, acenando antes de se virar e voltar pra vila.

-Precisamos de pelo menos dois ninjas rank S na vila, pra qualquer necessidade. Enquanto estiver fora, Zabuza vai exercer a função de Kage – Mei disse com um sorriso, mas logo depois ele morreu – Embora duvide que ele vai mesmo tocar na papelada...

Ri com gosto, enquanto partia correndo dos portões, com todos em suas posições as minhas costas, deixando a vila pra trás. Haku levava consigo os filhotes de Tsokoka, e apesar dela não conseguir correr tanto quanto nós, insistiu em se manter sozinha pelo menos na primeira parte do percurso, e só muitos quilômetros a frente, quando ela dava sinais claros de cansaço, é que eu a carreguei, embora ela rosnasse dizendo que estava bem.

Não fomos pelo oceano dessa vez, em vez disso pegamos um barco no porto. Bastou Mei mostrar seu rosto e apontar discretamente pra nós, enquanto sussurrava com o capitão que todos ganhamos passagens de graça. Podíamos até ter pago tudo, mas dada a situação atual da Névoa, nós não...

Espere...

Enquanto todos iam se arrumar nos dois quartos do pequeno barco, eu segui até o deck, e conferindo se tinha alguém olhando, enfiei a mão dentro da manga do quimono, procurando pelos pequenos selos em auto relevo que eu tinha trabalhado no próprio tecido. Bastou uns instantes pra encontrar o traço familiar, e inserir um pouco de chakra por ele, e um pergaminho leve caiu direto pra minha mão.

-Então eu ainda tenho isso...

Torneio a coloca-lo dentro da manga e desci as escadas, procurando pela Mizukage. Ela estava junto com Yugao e Anko num dos quartos, batendo no colchão repetidamente pra tirar a poeira, e discutindo a forma como as três deveriam se deitar ali, e se sobraria lugar pra mim.

Infelizmente, ou felizmente, foi nesse momento que elas me notaram.

-Naru!!! – Anko pulou e me arrastou com ela – Diga pra essas duas que você quer deitar perto de mim na cama, anda!

-Baka yaro! – Yugao me puxou pra ela, fuzilando Anko com os olhos – É claro que ele vai dormir abraçadinho comigo, com nossas pernas enroladas e nossas cabeças pertinho assim – ela segurou meu rosto entre as mãos e se aproximou até nossos narizes se tocarem, enquanto se voltava pra outras, sem parecer notar a vermelhidão no meu rosto por causa do seu hálito tão perto – Estão vendo! Assim podemos acordar olhando um pro outro, e vamos ter uma manhã super feliz!

Mei espalmou a mão no rosto, descendo lentamente e apertando a ponta do nariz:

-Você ainda é uma criança Yu-chan, com esses pensamentos bobos – Mei me puxou pra ela, me jogando pra trás e enlaçando meus braços na sua própria cintura. Senti o sangue ferver no meu rosto enquanto ela se curvou toda pra frente, com o quadril fortemente pressionado contra o meu – Estão vendo? É nessa pose ultra-sexy que ele vai acordar, e o calor das minhas partes femininas certamente vai proporcionar a melhor manhã possível ao Naru!!

-Ahhh!!! Otouto, ela esta abusando de você!!! – Yugao tentou correr até mim, mas Anko a segurou e a jogou pra cima da cama, voando logo em seguida pra Mei.

-Não se preocupe querido! Eu vou te salvar!!!

Mei apenas levantou o pé, e Anko fez todo o trabalho chocando seu rosto com tudo contra a sandália de madeira dela, quase escorregando pro chão depois. Quando me soltaram, e eu pude respirar o suficiente pra conseguir pensar com clareza, as três estavam se ofendendo, e puxando as roupas uma da outra, e mordendo uma a outra.

No meio desse transtorno o capitão veio reclamar, mas vendo as três semi-nuas e se atacando no chão, ele foi nocauteado por uma hemorragia nasal, que o lançou com tanta força contra a parede do corredor que o barco quase tremeu. Na outra sala, Hinata fazia tudo o que podia pra impedir Kiba de espiar, enquanto Yagura e Haku batiam em como a cabeça nas paredes pra se punir por seus maus pensamentos. Ate tentei pensar numa forma de separa-las, mas se entrasse no meio era provável que elas tornassem a brigar ainda mais, então simplesmente tirei o pergaminho de dentro da manga e quebrei o selamento, o erguendo um pouco mais alto e limpando a garganta.

As três pararam, e olharam, e então seus olhos se arregalaram, e seus queixos caíram, e elas se aproximaram, tudo exatamente ao mesmo tempo e da maneira mais comicamente improvável que eu podia imaginar.

-Naru... chan... – Anko foi a primeira a dizer – O... O que é isso?

Era o pedaço do cristal que selava Lilith, que eu tinha guardado comigo e até esquecido dele.

-Isso é safira – eu disse com um sorriso – É um pouco maior que meu punho, e deve pesar quase oitocentas gramas...

Os olhos das três acompanharam a safira enquanto eu ergui o pulso. Era engraçado. Pra cima... pra baixo... esquerda... direita... esquerda de novo, e as três continuavam seguindo o brilho azul da pedra como se estivesse hipnotizadas.

Isso é, até que Anko se levantou e abriu um largo sorriso, vindo na minha direção:

-Esse é um presente tão lindo de namoro, Naruto-kun, não precisava...

Antes que eu pudesse responder Yugao a puxou pela perna e se sentou sobre ela, até estarem face a face:

-Pra você?! É claro que é um presente pra sua irmãzinha querida, não é, Naru-chan? Eu vou vender essa enormidade e comprar um apartamento gigante, pra mim e o Naru podermos morar sozinhos e...

-Morar com ele?! Ele é MEU namorado, vadia!

-Você que decidiu isso sozinha!

-Mentira!

-Repita isso!

-Mentira! Nós estamos apaixonados e vamos...

As duas pararam de brigar por um segundo com som da porta sendo fechada, e olhando em volta, notaram estarem sozinhas. Só levou um segundo até que Anko se jogou pra frente, virando Yugao e se sentando sobre ela.

-Repita isso vagabunda!

Suspirei, com o ouvido colado da porta, e acenei pra que Mei me seguisse, ela o fez quietinha e com uma expressão duvidosa, pulando a trilha de sangue pra não sujar as solas das sandálias, enquanto as duas continuaram brigando lá dentro.

**************************

-O que?! Você ficou doido.

Mei olhou horrorizada pra pedra em suas mãos, e como se ela estivesse queimando, a passou de volta pra mim, embora evitasse olhar pra ela.

Não a peguei de volta, e ela tornou a estende-la, enquanto eu me afastava e fazia que não com a cabeça.

-É sua, estou te dando.

-Por que você esta me dando uma pedra gigante que provavelmente vale mais do que minha cabeça no livro bingo?

-Pelo mesmo motivo que deixei que a Onda ficasse com toda a fortuna de Gathou, e acredite, era centenas de vezes o preço dessa pedra – eu disse, segurando a parte de cima da Safira, enquanto ela segurava por baixo, e a empurrando de volta pra ela – Por que você precisa dela.

Talvez pela primeira vez, eu vi Mei zangada, os dentes trincados e os olhos injetados de intenção assassina, que quase transbordava do seu corpo.

-Eu não vou aceitar esmolas, Naruto!

-Não é uma esmola, é um presente.

-Não quero.

-Por que?

-Por que não!

-Isso pode te ajudar a resolver os problemas econômicos da Névoa, você precisa.

-Não quero!

-Não estou te dando opções.

-Quem você pensa...

-Mei! – gritei, e ela ficou quieta, mirando os olhos vermelhos com receio, também era a primeira vez que eu parecia zangado na frente dela – Você é um kage agora, os problemas da sua vila vem antes do seu orgulho, se quiser manter sua posição, eu sugiro que comece a pensar friamente nas coisas. Essa pedra vale muito, o suficiente pra evitar que os civis na névoa morram de fome!

Ela trincou os dentes e me olhou com os olhos marejados de raiva, mas tampouco respondeu. Continuamos encarando um ao outro por um bom tempo, enquanto minha expressão ia suavizando, os olhos lentamente passando por todos os tons de roxo e lilás até voltarem ao azul cerúleo de sempre.

-Não seja boba Mei – eu disse com um sorriso, soltando a pedra – É sua. Eu disse que ia ajudar a vila de todas as maneiras que eu pudesse, e não volto atrás na minha palavra.

-Você já fez muito mais do que deveria, todos vocês. Eu não posso pedir mais.

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-Você não pediu, em nenhum momento – abri o sorriso mais malicioso que eu conseguia, deixando claro que aquilo era uma brincadeira – Alem disso, a folha não vai deixar seus aliados irem à falência, não, nós cuidamos dos nossos.

Ela não respondeu, apenas suspirou e fixou o aperto na pedra, enquanto eu a soltava. Ainda com os ombros meio caídos, ela mordeu o polegar e arregaçou a manga do braço, desenhando um símbolo rápido com seu próprio sangue e selando a pedra ali dentro.

Sorri pra ela, e estava pra virar e voltar pro meu compartimento quando ela me pegou de surpresa, pelo pescoço, e me jogou dentro de uma cabine, quase com violência, fechando a porta atrás de si. Por um segundo pensei que ela fosse me matar, e estava pra reagir de acordo, quando ela prensou seu corpo no meu, e a realidade da minha situação deixou meu estomago gelado.

-Não vou deixar você dizer que fez um favor pra mim – ela prensou mais ainda meu corpo no casco do navio, os lábios um dedo a frente do meu rosto, um pouco acima dos meus por ela ser levemente mais alta que eu – Então, mesmo que seja como uma vagabunda, eu vou te pagar de volta...

Não tive reação, e enquanto ela correu as unhas pelo meu pescoço, apenas deixei que me beijasse, os lábios pressionados com força contra os meus, a sua língua entrando até o fundo da minha boca, me varrendo por dentro. A ferocidade da ação nublou minha vista por um segundo, e eu pude sentir as garras prontas pra agarra-la e pressiona-la contra a parede. Não lutei contra isso dessa vez, apenas suavizei o impulso. Se Mei estava agindo como uma vagabunda, trata-la como uma seria a única forma de satisfaze-la, ela estava pedindo por isso. A forma como as mãos dela correram pelo meu corpo, dentro do quimono, praticamente indicavam o modo como eu deveria fazer sexo com ela. Não havia suavidade ali, ela estava me arranhando pra me marcar, estava apertando com força, pra machucar, e estava me beijando com tanta intensidade que era delirante. Não fiz nada até ela se afastar levemente, depois de morder meu lábio inferior e olhar diretamente pra mim, esperando talvez uma criança assustada, ou alguma suavidade que no fundo ela não queria.

O que eu fiz foi cravar minhas garras no seu ombro e volta-la contra a parede, com tanta força que o baque ecoou pelo casco do navio. Soltei uma mão e fiz uma sequência rápida de selos, as garras traçando riscos esbranquiçados pelo ar, enquanto as paredes daquele quarto escuro brilhavam vermelhos uma última vez, indicando que o selo entrou em vigor. Só levou um segundo, e eu voltei os olhos pra ela, brilhando carmesim enquanto pude sentir os caninos afiados se alongando na minha boca. Ela arregalou os olhos por um segundo, uma sombra pálida de medo praticamente se desprendendo da sua pele, como um odor, que durou até que eu avançasse contra ela, entreabrindo seus lábios nos meus e a beijando, com tanta intensidade quanto antes.

Se um beijo pudesse falar, o meu deixaria bem claro o que eu pretendia fazer com ela, e não havia nada de carinhoso ali. Eu realmente amava aquela mulher, me importava com ela, mas seu corpo não estava pedindo um abraço, pedia que eu o colocasse de quatro e montasse sobre ela, não pedia suavidade, pedia aspereza, não pedia beijos carinhosos, pedia mordidas no pescoço e todo tipo adorável de indecência.

Senti toda a suavidade me deixar naquele momento, enquanto meus lábios desciam pro pescoço dela e o sugavam com força, deixando uma trilha avermelhada. Mei estreitou os olhos e gemeu, com o corpo tremendo. A imagem de Kenshin, que eu mantinha na minha cabeça permanentemente, como um farol, escureceu por um breve momento, e por um segundo, eu pude ver a sombra vermelho-negro daquele demônio que me assustava, o pior pesadelo que eu tinha, e o único ser que eu realmente temia, desde o mais profundo abismo do inferno, até as alturas das nuvens, no palácio do Criador.

Discórdia. Eu mesmo.

Todos os pesadelos voltaram, todas as coisas horríveis que eu sabia que podia fazer, que ele faria, que um dia, antes de me tornar o que sou hoje, eu faria sem pensar duas vezes. Imagens de Yugao, Anko, Hinata, mesmo a sua pequena irmã Hannabi, sendo estupradas seguidamente até a exaustão, ou Kakashi, Ibiki, Itachi, Kenshin... todos sendo dilacerados pelas garras dele. Pelas minhas garras. Discórdia não sabia como usar uma lamina, espadas eram posteriores a ele, foram a forma que eu achei de deixar de usa-las, por que minhas garras banhadas em sangue sempre me traziam pesadelos.

No entanto, junto com discórdia, vieram tantos outros, tantas outras facetas da minha própria existência, e Luxúria foi uma delas. Luxúria, a freira, que erguia suas vestes e se masturbava frente aos devotos, Luxúria, a concubina, que alegremente servia seu senhor, e os filhos de seu senhor, e se fartava no semem deles, recolhido com sua taça. Luxúria, aquele que seduzia as virgens e as deflorava, frente aos seus pais, a inocente que levava homens a loucura, a criança que acompanhava padres aos confessionários e lhes desatava os nós das calças, sugando-lhe o sexo com a boca. Todas as mil faces dela vieram a minha mente, e toda a perversão e libido de cem demônios famintos traçou o modo como eu tocava sua pele. Era tão simples, de repente, tão fácil que nem era justo. Brincar com seres humanos.

Cada toque deixava um traço vermelho na sua pele, que ardia como se estivesse em chamas, e enquanto as roupas de Mei foram caindo, e os sucos da sua intimidade enchiam o ar com um cheiro doce e único, eu podia sentir meu membro cada vez mais rígido dentro da hakama, mas contive o impulso de rasga-la. Eu não era um animal, não mais, não tanto...

Mei escorregou para o chão, sem controle sobre suas pernas, que tremiam, enquanto meus lábios continuavam no seu pescoço, de repente tão frágil, que seria extremamente fácil rasgar e devorar, e me fartar no sangue que escorresse dali. Contive mais esse impulso, concentrado apenas em dar prazer a ela, apenas acariciar, apenas excitar a pele, sem feri-la. Os olhos dela estavam vagos, completamente nublados e sua boca entreaberta foi tentadora demais pra ignorar. A puxando pelos cabelos, eu ergui seu rosto e a beijei mais uma vez, profundamente, atacando sua língua com a minha e sentindo o gosto da sua saliva super quente encher a minha boca, tão ácida que era quase doloroso, como uma pimenta forte demais.

Ela não teve reação alem de arfar e respirar pesadamente enquanto eu me agachava sobre ela, sem parar de beija-la, e colocava as mãos por dentro do seu quimono, encontrando seus seios e o apertando. Seus mamilos estavam rígidos e sensíveis, e a cada vez que corria as palmas sobre eles, um arrepio fazia Mei estremecer.

-Na-Naruto... – ela conseguiu sussurrar, virando o rosto e afastando sua boca da minha, enquanto eu passava a beijar seu rosto, os caninos deixando traços vermelhos finos sobre sua pele — Que gostoso... Me chupe...

Não pensei em negar nem por um minuto, embora um lado meu dissesse pra ataca-la por ousar me ordenar qualquer coisa. Me agachei e abocanhei seu seio direito, delirando na forma como ele se modelava a minha mão, como um balão de água. Os nossos gemidos enchiam o ambiente como música, e eu quase podia ver a forma como nossos dedos se tocavam como se fossem instrumentos, cada ponto sensível uma corda que produzia um tom diferente, combinadas e afinadas, soando pelo pequeno quarto como um sinfonia que mais ninguém podia ouvir.

As mãos pequenas de Mei encontraram meu membro rígido, e pareceram fascinadas por ele, o apertando e masturbando de várias formas diferentes, descendo até os meus testículos e os agarrando, acariciando. Contive um tremor, e ela sorriu ao perceber isso, voltando a mão para a glande que já estava melada.

-Você parece delicioso...

-Prove – disse, entre um rosnado e um arquejar de costas.

Me levantei e segurei sua cabeça, forçando meu pênis contra seus lábios, que ela abriu obedientemente, e logo eu estava envolvido no calor e na umidade da boca deliciosa dela. O impulso de penetra-la como se fosse uma boceta veio antes que eu pudesse me dar conta, e eu estava puxando Mei pelos cabelos, forçando meu pau cada vez mais fundo na sua garganta, enquanto a língua dela trabalhava em recepcionar a minha chegada, como um tapete vermelho molhado. A forma como ela olhava pra mim enquanto me chupava era extremamente erótica, como uma vadia sendo fodida e pedindo pra ir mais forte, como uma cadela sendo montada por um macho. Tudo era familiar demais para aquele meu outro lado, que já experimentara tantas vezes as duas posições, e tantas outras.

O cheiro de sexo que enchia o quarto excitava luxúria, e a sua libido me cegava cada vez mais. Kenshin desapareceu completamente da minha mente. Quem eu era, quem devia ser, quem queria ser. Enquanto transava com Mei, de novo e de novo, naquele pequeno quarto escuro, eu não era muito mais que um animal. Ela percebeu isso, viu isso nos meus olhos, e adorou.

***************************************

Foram horas, ou talvez dias mais tarde que eu acordei, com o cheiro do suor e do sexo ainda na minha pele. Meus cabelos, soltos do rabo de cavalo estavam espalhados pelo cômodo, cobertos de poeira, com alguns fios arrancados pelos puxões de Mei espalhados por aí, junto com seus próprios fios. As lembranças do sexo vieram a minha mente depois, e apesar do cheiro no lugar ainda nublar minha visão, eu estava consciente o suficiente pra me preocupar, e me chutar mentalmente.

Eu não podia perder o controle daquele jeito. Não eu, não depois do que eu prometi, por que daquele jeito, seria extremamente fácil pra mim rasga-la ao meio depois do orgasmo, e me fartar no seu sangue. Eu não podia esquecer de quem eu era, não podia ter dúvidas, não podia me permitir ser enganado por mim mesmo, não depois de tudo, por que mesmo a lembrança de Discórdia era forte o bastante pra me corromper.

Por um segundo eu realmente temi ter matado Mei, quando a vi escorada na parede, largada como uma marionete que tivesse suas cordas cortadas, até que reparei que ela estava respirando. Lenta, e profundamente, e com um sorriso enorme e satisfeito no rosto.

Acabei sorrindo junto, orgulhoso de mim mesmo. Seu corpo todo estava coberto de arranhões e hematomas, e tenho certeza que o meu também estaria, senão me curasse rápido o bastante. Por um minuto eu fiquei a observando, sem saber realmente o que fazer, até que percebi que depois de ficarmos várias horas ali dentro, os outros provavelmente deveriam estar preocupados.

Olhei pelo buraco da fechadura. Escuro. Provavelmente deveria estar de noite. Suspirando, eu cancelei a kekkai de privacidade e vesti a hakama, que estava caída no chão, e cobri o corpo de Mei com meus quimonos, deixando Rurouni no seishin e o cachecol escorados na parede, enquanto abria a porta.

Uma lufada de ar agitou meus cabelos pra trás, gelando o suor do meu corpo e o arrepiando, enquanto eu respirava fundo. Não havia ninguém no convés, nem mesmo os marinheiros, e isso me deixou preocupado por um minuto, até o vento mudar de direção e eu receber o cheiro de todos, dormindo lá embaixo.

Exceto Anko... Anko estava... na outra ponta da popa, sentada numa cadeira de praia, me fuzilando com os olhos.

Gelei da cabeça aos pés, sem saber o que fazer e sem ousar me mexer, e ela só continuou me olhando fixamente, por uns bons e ridículos cinco minutos, até que ela suspirou e se levantou, vindo na minha direção. Pensei que fosse gritar comigo ou me bater, mas ela passou reto e olhou pra dentro da sala, onde Mei estava abraçada aos meus quimonos e resmungando como uma criança, enquanto dormia.

Anko suspirou de novo.

-Naru... será que você fez sexo com a Mei?

-Eu... – ela franziu as sobrancelhas – Hai...

-Você que sabe que isso é uma traição né? – ela disse, com o tom cansado, mas não exatamente irritado – Você não pode trepar com outras pessoas enquanto somos namorados.

-Eu sei... desculpe – tentei achar algo mais o que dizer, mas o repertório do que eu poderia fazer nessa situação era extremamente limitado – Eu tentei entregar aquela safira pra ela, pra ajudar com a economia na vila, aí nós começamos a brigar, e... aconteceu.

E frente a sua expressão de descrença, com a sobrancelha levantada, eu só pude me curvar de novo.

-Desculpe.

Não me levantei após isso, temendo ver o que eu achava que estava nos olhos dela. Dor, decepção, raiva, vergonha, talvez até ódio. Anko, no entanto, apenas suspirou de novo, me segurando pelos ombros e olhando fixamente pra mim.

-Você gostou de transar com ela?

-Eu... sim...

-Mais do que de transar comigo?

-Não! – estava pronto pra dizer que com ela era melhor, até que me dei conta que isso era fútil demais, até pra mim – Só é... diferente.

-Diferente como?

-Mais... selvagem, eu acho – quase ri da forma como as bochechas dela esquentaram – Com você é mais... doce...

O rubor dela aumentou um pouco mais, mas o sorriso que tremeu nos seus lábios foi pequeno, em comparação ao que seria normalmente.

-Eu tenho uma confissão a fazer também...

-O que?

-Eu... bem – ela se remexeu envergonhada – Eu e a Yu... sabe, nós...

-Humm?

-Nós temos transado também – ela cuspiu, abaixando a cabeça culpada.

-Ahhh... sem problemas.

-Hein?

-Sem problemas – sorri gentilmente – eu sei que vocês faziam isso antes de... bem, de nós...

-Ah... é, sim – ela se remexeu constrangida – Você não esta com raiva?

-Não... e você?

-Não...

Olhamos um pro outro por um longo momento, e então rimos como idiotas. Anko se abaixou e me beijou, e logo depois se afastou, com as mãos nos lábios.

-Esse é o gosto da Mei?

-Eu acho que sim...

-É bom...

-Anko... sua pervertida...

*********************************

Depois do barco ancorar no país do fogo, todos nós seguimos a pé pela estrada principal Oeste, onde comerciantes iam e voltavam do país da Névoa, trazendo peixes para o país do fogo e especiarias para o país da Água. As notícias sobre a derrota de Yagura já corriam de boca em boca, e muitas das caravanas conversavam animadamente sobre isso, o nome de Mei e o meu e da Nidaime Red Death sendo os principais a serem citados.

“Você ouviu não? Dizem que o cara que matou Yagura é apenas um garoto”.

“Bobagem, nenhuma criança pode matar um kage”.

“Não, é verdade – a mulher insistiu – Dizem que ele é tão bonito, que se passou como concubina, e o assassinou a noite, enquanto dormia”.

Yugao sufocou uma risada nessa hora, que foi compartilhada pelo resto do grupo, exceto eu e o próprio Yagura, que evitamos olhar um pro outro pelo resto do dia. Ainda mais depois de Mei chegar a conclusão que aquela teria sido a forma mais fácil de vencer a guerra, e ela era uma boba por não ter pensado nisso antes.

Falando de Mei, ela e Anko correram muito próximas uma da outra durante o percurso, trocando risinhos e fofocas ao pé do ouvido uma da outra, e cada vez que olhavam pra mim um arrepio de pavor me subia pela coluna. Tsokoka mais uma vez insistiu em correr junto conosco, e dessa vez levou um pouco mais de tempo até ela se esgotar. Tive que prometer que iria treinar junto com ela, pra que ela pudesse se manter junto comigo, e só depois ela me deixou carrega-la. Garou e suas irmãs não se importavam tanto assim, e já estavam dormindo dentro do quimono de Haku, ocasionalmente pondo a cabeça pra fora e deixando a língua balançar ao vento, enchendo seu rosto de baba.

A cada quilômetro que nos aproximávamos, mais agitado eu ficava. Eu sabia bem a repercussão dos meus atos, e uma desobediência clara como aquela não significaria menos que pena de morte, pra todos os envolvidos, em qualquer uma das vilas. Konoha era mais branda com seus ninjas, já que a filosofia do Sandaime pregava que nós éramos seres humanos, e não apenas ferramentas, mas ainda sim...

Mantive Rurouni no seishin pronta, pra saca-la a qualquer necessidade que tivesse, e quando as muralhas da vila entraram no meu campo de visão, nós nos arrumamos, como combinado. Mei e Yagura tomaram suas posições ao meu flanco, enquanto Hanna e Yugao tomaram a frente, e Kurenai e os gennins ficaram com a parte de trás. Anko piscou pra mim, embora mesmo seu sorriso tivesse sido um pouco forçado.

“É agora ou nunca...”.

Notas finais
Capítulo sem revisão, então perdoem os erros mínimos. To postando isso durante o trabalho, escondido, então vocês entendem né?
Deixem comentários, e opiniões sobre o Holy Night, ainda não tenho nada concreto sobre o especial dele, e estou aceitando opiniões.
Abraços.