Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei
20 Capítulo 14
Notas iniciais
Já ouvi dizer que haviam duas coisas impossíveis de serem entendidas, a guerra e a morte. Eram dois males inevitáveis do mundo, e não importa o tempo que passasse, eles continuariam existindo, atormentando os homens, e levando tantos outros embora.
Eu discordava. Rápida como um raio, cruzando as linhas inimigas naquele cavalo com rodas que rugia e empinava, colhendo as almas consigo e reaparecendo em flashes de luz, indo e voltando desse mundo, Morte era simples. Fácil. Seu propósito era apenas um, e ela o cumpria a risca, desde o tempo em que minha natureza se resumia a uma mancha vermelha sem propósito alem de espalhar conflito entre as pessoas.
Sanar o sofrimento dos atormentados. Trazer o descanso. Espalhar a paz.
Corri entre as fileiras inimigas, desmaiando inimigos tão rápido quanto eu podia, e eles caíam um após o outro. Na minha retaguarda, Ártemis disparava flecha após flecha, cinco aljavas ainda cheias pendendo das suas costas, e se esvaziando a um ritmo absurdo. A cada vez que uma das setas atravessava um crânio, uma garganta, um coração, eu podia ver as suas mãos puxando os espíritos pra longe. A cada golpe da espada de Zabuza, eu podia ver o contorno da foice dela logo atrás, como se todos os golpes do mundo fossem desferidos por ela. Enquanto fatiávamos os corpos, ela os abria e tirava as almas das pessoas de lá, os puxando consigo e partindo desse mundo, pra voltar logo depois.
E aquela máscara amarela permanecia impassível esse tempo todo. Não havia hesitação em seus reflexos, mas tampouco era automático. Ela estava consciente de tudo, de todos e cada um que levava consigo. Alguns ela trazia arrastados com seu cavalo, outros levava na garupa, alguns iam mesmo no seu colo, com a cabeça descansada suavemente nos seus seios, enquanto ela puxava as rédeas metálicas e empinava, desaparecendo do mundo com um ronco.
Quantas vezes não tinha ficado tentado a cortar e retalhar alguém apenas pra vê-la novamente durante aqueles treze anos?!
Enquanto lutávamos, mais e mais sua presença se tornava constante, levando todos os que caíam consigo. A um dado momento, ela passou na minha frente, e seu olhar se voltou na minha direção. Foi tão quanto um piscar de olhos, mas eu pude ver claramente, sua cabeça se voltando pra mim, e o reflexo da minha própria expressão na sua máscara espelhada.
Era... vergonha?
Sim...
Milhares, talvez milhões de anos atrás, eu ainda era jovem e o mundo não tinha se formado completamente. Rios de lava corriam por todo o lugar, e as montanhas originais pareciam alcançar o céu em sua altura. Eu teria adorado escala-las, se fosse hoje, mas naquela época não tive esse pensamento. Não havia “Eu” naquela época, embora eu certamente existisse, não tinha nem mesmo o mínimo de consciência necessária pra me chamar de um ser pensante. Eu era pura sede de sangue, que vagava pela terra destruindo e instigando os homens a lutarem entre si, cada vez mais, até que tudo fosse vermelho, e tudo espelhasse a mim mesmo.
Eu era Conflito naquela época, um demônio jovem com uma sede insaciável de sangue. Junto isso ao poder das nove caudas, e você não ganhava uma boa combinação. Entretanto, não havia apenas eu, existia uma outra pessoa também.
O nome dela era Harmonia, e embora eu não soubesse na época, ela era minha irmã gêmea, um segundo demônio que espelhava minha própria natureza, uma outra filha de Lilith. Uma raposa de nove caudas, branca como a neve...
Harmonia andava pelo caminho oposto ao meu, literal e metaforicamente. Não podíamos existir juntos no mesmo lugar, éramos forças opostas. Ela espalhava o consenso e a união por onde seguia, e por onde andava deixava o badalar dos sinos de matrimônio e os acordos de amizade e de terras entre vilas e povos diferentes. Por onde eu caminhava, eu deixava sangue e sofrimento, eu deixava pobreza e doença, e ira e desespero.
Por desgraça, eu era mais forte. O mundo parecia mais e mais se afogar em caos, conforme os homens se multiplicavam, e suas vidas se tornavam mais e mais miseráveis, sem nunca ter um fim. Harmonia não conseguia fazer nada, por que por onde ela passasse, eu a seguia, rompendo as uniões com infidelidade e traição, e sujando a amizade com ganância e rancor. Eram tempos difíceis, e cada vez mais o mundo se sujava com a minha sombra, eu parecia cobrir todas as terras, e não havia nada que ela pudesse fazer sobre isso.
Ou eu pensava assim...
Eu não lembro exatamente quando foi, não reconhecia dia e noite e sequer sabia distinguir um homem de um animal naquele ponto da minha vida. Só sei que Harmonia fez o impensável, algo que ia contra toda a sua natureza, que a corrompeu por dentro e a mudou completamente. Observando o choro de fome de uma criança abandonada, a dias, e sem poder fazer nada, ferida e assustada em meio a selva, ela mudou seus sinos numa foice longa, e empalou o estomago da criança nela.
Harmonia tinha cometido o primeiro assassinato, e tinha pela primeira vez, matado um ser humano, criaturas originalmente feitas pra serem eternas sobre o leito daquele mundo.
Os trovões rugiram naquele dia, enquanto o sangue da criança escorria pelo seu corpo, da cabeça aos pés, e Deus gritou do alto de seu trono de cristal, no paraíso, mesmo assim, ele não podia fazer nada. Conforme o sangue embebeu a pele dela, os cabelos longos e brancos de Harmonia ficaram vermelhos, longos cabelos vermelhos como uma cascata de sangue. Nem Caos e nem Ordem poderiam para-la, enquanto ela montou novamente seu cavalo e correu em torno do mundo, segurando a cabeça daquela criança, que não parou um momento de jorrar sangue, apesar da vida ter abandonado seus olhos. Os mares se tornaram revoltos e o céu escureceu, enquanto as gotas de sangue choviam pela terra e a imortalidade dos homens se esvaiu.
Harmonia tinha pintado o mundo de vermelho de uma forma que nem eu mesmo conseguiria. Em instantes, pessoas morriam em todos os lugares. Velhos morriam pela sua idade avançada, mendigos das suas doenças, crianças ainda não nascidas morriam no ventre de suas mães, e os homens morreram pelas suas próprias mãos. O terror correu pela terra e o sangue jorrou ainda mais, dezenas de milhares de pessoas mortas num só dia.
Morte trouxe cada um deles junto consigo, e os deixou ao portão do céu e do inferno. Lá de dentro, os anjos cuspiam aos seus pés, e os demônios se curvavam e tremiam a sua passagem. Caos gargalhou e Ordem rugiu, tremendo seu palácio, enquanto minha pequena e fraca irmãzinha se tornou a mais tenebrosa e linda criatura que já poderia existir.
E toda a dor dela estava nas minhas costas. Era tudo minha culpa.
Kakashi suspirou, observando a pedra memorial, meio que escondida num dos limites do campo de treinamento onde ele tinha aprovado o time sete.
“Fico me perguntando o que você diria nessa situação, Óbito...”.
Desde aquele dia em que ele tinha – acidentalmente – sido espancado por uma orda furiosa de mulheres, enquanto – por coincidência – observava todas elas nas termas por um buraco na cerca, as coisas tinham mudado de uma forma que o deixou sem saber exatamente o que fazer. Kakashi não tinha experiência em treinar times, aquele era mesmo o primeiro time que ele considerou ter chances de se darem bem na vida ninja, e a situação toda o confundia.
Sinceramente, tudo era um pé no saco. Havia uma parte, grade, dele que se achava um bastardo por dar aquele teste idiota pra alunos recém saídos da academia. Quer dizer, os times foram escolhidos com o objetivo de igualar a força de seus membros, pra que não existisse uma equipe demasiadamente forte, nem uma outra demasiadamente fraca, não levava em conta a relação que os estudantes tinham entre si. Além de ser um grave erro do sistema, notas da academia não eram exatamente a fonte mais confiável de informação, visto como Sakura, uma garota visivelmente inútil, passou como kunoiche do ano, e Naruto, sem comentários, foi o último da sala. Professores chunnins eram muito tendenciosos e preconceituosos, e isso gerava uma avalanche de desastres que se multiplicavam e ferravam com tudo.
Da mesma forma, o teste havia sido uma farsa tão enorme que até o enojava. O conselho nunca tinha estado muito interessado na forma como ele testava suas equipes, mas daquela vez, ele tivera ordens expressas de passar o time, de qualquer maneira que fosse. Sasuke, como o último Uchiha, era uma carta valiosa demais pra aldeia pra não ficar na mesa, e Naruto, sendo um jinchuuriki, simplesmente não tinha permissão pra NÃO ser um ninja. Sakura veio junto no pacote por nenhuma razão específica, poderia ter sido qualquer um realmente. No entanto, seu time realmente fez muito bem no teste – ou pelo menos, um dos membros fez – Sasuke agia como um vingador solitário o tempo todo, e Sakura o seguia como um carrapato, e tanto quanto Naruto era a pessoa mais suave, e forte, e inteligente, e (pausa para divagações de uma irmão mais velho orgulhoso) ele também não fazia muito pra se integrar na equipe. Sinceramente, de novo, Kakashi não podia culpa-lo, a equipe toda era um pé no saco tamanho 48.
Mas então, veio a missão da Onda, e Naruto resolveu que devia complicar as coisas o máximo que conseguia. Agora, ele estava no comando de um esquadrão de jounnins de elite no meio de uma guerra, enquanto os exames chunnins se aproximavam, e mais uma vez o conselho ordenou expressamente que o time de Sasuke DEVERIA competir. O treinamento do herdeiro Uchiha era sua prioridade, e ele devia se certificar que ele estava forte o bastante pra impressionar a todos durante as lutas finais. Por mais que isso parecesse, e fosse, favoritismo, não tinha realmente como culpar o conselho. Os Uchihas tinham a fama necessária pra trazer vários possíveis clientes, e junto deles, missões que manteriam a folha funcionando direito. O grande ponto nisso era que, apesar do lado shinobi do conselho entender essa situação, o lado civil não entendia. Então, tínhamos uma penca cheia de vereadores e comerciantes que não gostaria de nada mais que lamber todos os orifícios do corpo daquele garoto, até que estivessem brilhando.
Metaforicamente claro... bem, nem tanto, tinha um velho bem duvidoso naquele lado do conselho, ele usava esmaltes e batom cor de rosa, e gostava de garotinhos, e... bem, deixa pra lá...
A situação chegava ao cúmulo onde Sasuke estava sendo recompensado por coisas que não tinha feito, enquanto Naruto estava sendo culpado por coisas que não tinha feito. Isso chegava ao ridículo do conselho exigir que ele recebesse o pagamento pela derrota dos Irmãos demônio – que Naruto tinha claramente derrotado – e que isso fosse adicionado em sua ficha, junto com uma possível promoção por serviços prestados a aldeia. Da mesma forma, o conselho exigiu veementemente que Naruto fosse punido por abusar de sua “recente autoridade” na missão, mandando Sakura e Sasuke novamente a aldeia.
Foi só por causa do conselho shinobi que isso realmente não aconteceu. Nenhum dos chefes de clãs, exceto Tsume e a finada Mikoto, se importava muito com Naruto, pra eles ele era mais um shinobi da folha, e exatamente por isso, assim como Sasuke, ele deveria ser tratado como um maldito shinobi da folha...
Porra!
Isso, claro, até Naruto ter a brilhante ideia de participar de uma guerra. Quando Kakashi ouviu aquilo, ele não queria nada mais do que ir até a Névoa pessoalmente, e estrangular Naruto, até que a falta de oxigênio forçassem seus neurônios a acordarem. Entretanto, e por incrível que pareça, segundo os relatórios de Kurenai, Anko e Yugao, as coisas estavam indo muito bem. Naruto era simplesmente fantástico como um líder, e sua primeira missão solo, que equivaleria a uma rank B na folha, foi completada com sucesso além do esperado.
Como ele queria ter estado lá pra ver seu irmãozinho arrastando aqueles barcos, devia ter sido incrível.
Tinha também a forma como as três, por alguma razão, circulavam sempre o nome de Naruto com pequenos coraçõezinhos felizes e coloridos. Era incomum num relatório oficial, mas não importava realmente.
O que importava era o treinamento, e era mais ou menos isso que estava dando a Kakashi vontade de bater a cabeça na pedra memorial até ela rachar. O conselho praticamente tinha exigido que ele ensinasse o Chidori pra ele, e mesmo que ele tentasse explicar que era inútil e suicida sem um sharingan pra prever os movimentos durante a investida, tinha adiantado alguma coisa?! Civis eram burros como portas, ou pelo menos o conselho, pra não generalizar demais. O lado shinobi não tinha ajudado em nada, na verdade, uma ação de Hiashi teria enquadrado tudo.
Com umas batidinhas consoladoras no ombro, ele disse: “De o seu melhor”.
Por alguma razão soou muito com: “Sobreviva, e não mate seus alunos, é um crime, sabe...”.
-Você esta fazendo uma gama de expressões estranhas enquanto olha essa pedra, Senpai...
Kakashi foi tirado dos seus pensamentos enquanto Tenzou caiu ao lado dele, de cima do tronco de uma árvore. Ele estava vestido com uma roupa padrão jounnin, sem a máscara ou a tanto da ANBU.
-Tenzou... O que esta fazendo aqui?
-Ora... nada demais, só vim dar um “Oi” pro Obito-san, não tinha certeza se te encontraria aqui.
-Entendo...
-Problemas com o seu time?
-Nem me fale... – Kakashi olhou ao redor por um momento, aguçando seus sentidos a procura de qualquer pessoa nas proximidades. Não tendo encontrado nenhuma, ele encaixou o dedo na máscara e a puxou pra baixo, revelando a metade excessivamente branca do seu rosto, os lábios pálidos e uma profunda queimadura que desfigurava boa parte da sua bochecha esquerda.
Tenzou franziu as sobrancelhas enquanto observava o seu mentor acender um cigarro, e tragar demoradamente. Por fim ele deu de ombros, e puxou um do maço oferecido, acendendo com o mesmo fosforo, ainda aceso.
-Você lembra o que o sensei nos dizia sobre isso?
Tenzou riu.
-Ele sempre disse que um dia íamos dormir enquanto fumávamos, e nossa cara ia pegar fogo, se formos descuidados.
Kakashi sorriu, tocando levemente as cicatrizes na face. Ele ainda se lembrava quando Rin tinha exigido ver o rosto dele – “Eu não posso beijar meu namorado se ele usa essa máscara idiota” – e Kakashi, a contra gosto e esperando que ela corresse ou pulasse ou ficasse enojada com o seu rosto, acabou mostrando, envergonhado e sem olha-la nos olhos. Rin, no entanto, apenas pulou e o beijou com força, corredo a língua pelos seus lábios e, antes que ele se desse conta, estavam fazendo sexo a beira do lado no campo de treinamento 37. O fato dela nunca ter parecido perceber a cicatriz, ou ao menos nunca ter se importado, só o fazia gostar ainda mais dela.
-Eu li os relatórios da Yugao-san...
Kakashi franziu novamente as sobrancelhas, e Tenzou quase estranhou ao notar que o resto do seu rosto realmente podia montar expressões.
-Será que o velhote esta mostrando isso pra todo mundo?
-Eu não sei... Ibiki-san viu também, e Gekko-san, e Tsume-san, e Hiashi-san, e... Genma-san, e Rin-san, e Teuchi-san, e Ayame-san...
-Os donos do Ichiraku?
-Hai, aparentemente, o velhote disse que eles perguntaram onde o Naruto estava, e ele mostrou-lhes o relatório. Ambos ficaram tão felizes que montaram uma porção especial de ramen com o nome do Naruto.
-Isso é difícil de acreditar...
-Não, é sério, é muito gostoso – Tenzo deu uma tragada e riu – Precisava ver a cara do Gekko quando soube que Naruto derrotou Zabuza e Chojuro, da Névoa, ele esta treinando todo dia, o dobro de tempo de antes.
-Isso é ainda mais difícil de acreditar...
-Ok, e se eu disser que o Sasuke arrumou uma namorada?
-Isso é IMPOSSÍVEL de acreditar!
Ambos se olharam seriamente por um segundo, e riram.
Yagura se moveu pouco durante a batalha. Do alto daquele pequeno morro, ele parecia observar tudo com olhos divertidos e desfigurados de qualquer sanidade. Qualquer shinobi da resistência que se aproximasse o bastante era morto rapidamente, todos estripados por aquele cajado estranho que parecia ser feito com o propósito de rasgar a barriga dos seus adversários.
A flor no topo dele, manchado de sangue, só tornava tudo ainda mais assustador. No entanto, a cada inimigo morto, os olhos dele, por um momento, ficaram aterrorizados, muito reais e muito conscientes do que estava acontecendo. Nesses momentos eu tinha certeza que ele gritaria o cessar hostilidades para as suas tropas, e mandaria que parássemos com aquela luta sem sentido. Mas ele não gritava. Isso só piorou aquela sensação de que algo estava errado, muito errado naquele lugar.
Eu também podia ouvir o grunhido rouco de Kusaribi, presa no interior daquele garoto. Se fosse fazer uma comparação, seria como se ela estivesse esmagada embaixo de toneladas de areia, longe do oceano que tanto amava. Uma tartaruga recém nascida que não conseguiu alcançar a maré.
E durante esse tempo todo, Mei foi forçando seu caminho até ele. Do longo flanco esquerdo, derrotando inimigo após inimigo da maneira mais crua que pudesse, poupando o máximo que podia do seu chakra para aquela luta. Aguçando meus sentidos, tentei observar onde todos estavam. Yugao e Anko lutavam juntas, em perfeita sincronia como se tivessem passado a vida fazendo aquilo. O mesmo valia pra Zabuza e Chojuro, que ficavam costa a costa, cruzando espadas e esfoliando inimigo após inimigo. Kurenai não tinha voltado pra luta, não tinha condições pra isso, e Ártemis tinha se reunido com ela, agora com o peito enfaixado onde três kunais se cravaram perigosamente perto do seu coração. Hanna ainda continuava atacando impiedosamente, jorrando chakra como água e derrotando ordas de inimigos com seus tsugas elementais. No entanto, mesma ela já estava ficando seu chakra, teríamos que terminar aquilo rápido, ou o número extra de shinobis inimigos começaria a fazer contar as nossas baixas, até agora lentas.
Como todos estavam bem, decidi ajudar Mei na sua luta, por que parecia ser a coisa mais urgente a se fazer no momento. Segurando firmemente Rurouni no seishin, e com metade do quimono rasgado e o ombro queimado ainda aparente, eu dei o primeiro passo.
E então o ronco do cavalo com rodas da minha irmã se tornou alto demais. A foice negra veio na minha direção, e com um golpe, me arrastou pra longe daquele mundo, enquanto ela acelerava e empinava, e o mundo atrás de mim se tornava um borrão irreconhecível de cores, que se afunilavam num redemoinho enjoativo que me dava tonturas. Todas as cores sumiam enquanto ela parecia acelerar e correr pelo vazio, pelo negro, e tudo se tornou frio e congelante, e depois quente como se estivéssemos cruzando a lava. Por fim o negro da inexistência foi se desbotando, e o vermelho e cobre encheram o lugar rochoso onde estávamos. Eu nunca tinha estado ali, mas sabia exatamente onde era.
Ladeando uma imensa montanha, uma trilha parecia ter sido escavada a mordidas na terra, deixando o caminho cheio de falhas pontudas que pareciam prontas pra empalar qualquer tolo que tropeçasse e caísse nelas. Em dez pontos diferentes desse longo caminho, dez portões enormes se erguiam imponentes. Dois deles estavam abertos.
Calculei a distância, do primeiro ao último portão, como algo próximo ao infinito, sem chegar de fato nele. Era simplesmente muito, muito longo, e parecia transcender aquele mundo que não o era exatamente.
Morte derrapou as rodas do cavalo, e me largou de qualquer jeito, rolando no chão. Por puro instinto eu me levantei rapidamente, segurando firmemente a sakabatou em posição defensiva, mas ela nem tinha descido do cavalo. Apenas me olhava, a mascara amarela refletindo minha confusão e escondendo suas expressões. Era uma coisa bonita e assustadora de se olhar.
Engoli em seco enquanto olhava pra ela. Tudo nela gritava pra mim correr, ficar longe, sentir medo, sentir nojo. Desde a pele pálida até sua roupa negra, da máscara amarela com orelhas felinas ao seu cavalo, que permanecia rugindo enquanto ela manobrava as rédeas. Não senti medo, e sabia que nunca sentiria nem um pingo de medo dela. Por outro lado, meu coração humano martelou no peito, enquanto meus pelos arrepiavam e meus músculos tremiam ao ponto onde era simplesmente ridículo e constrangedor. Meus olhos arderam enquanto a imagem dela queimava nas minhas retinas, e mesmo ficar com a cabeça erguida já era difícil. Respirar era difícil, olhar pra ela era difícil. Minha vergonha e auto aversão me forçava pra baixa, me tirava as forças.
No entanto, um outro lado meu desejava ardentemente que ela me empalasse naquela foice negra, e me levasse pra qualquer lugar que eu era suposto estar. Qualquer lugar seria melhor. Morto seria melhor, vivo não, eu já não aguentava mais...
Mas então, havia Mei. Havia Yugao, e Anko, e Kakashi, e Ibiki, e Rin, e Kiba, e Hinata, e Shino, e Konohamaru, e Kurenai e Hanna, e Teuchi e Ayame, e tantos outros que eu tinha prometido proteger. Havia Kenshin, e Morai, e Tetsuna, e Kohaku, e Chihiro...
-Harmonia...
-NÃO ME CHAME POR ESSE NOME – ela gritou do alto dos pulmões, e cravou a foice na terra, que rachou e abriu, e explodiu, e encheu o mundo de vermelho e negro e branco. Era muito complexo explicar o quão forte ela era, mas se fosse fazer uma comparação, eu diria que não era mais que um filhote de gato recém nascido, que nem tinha pelos ainda, olhando pra uma leoa adulta – Não vim aqui pra fraternizar com você, Gueeeera...
O modo como ela arrastou meu nome, enojada, me trouxe lágrimas aos olhos. Me fez querer rasgar o peito e arrancar o coração de lá de dentro, com as garras se fosse necessário. Era inconcebível que doesse tanto. Como era possível?!
-Onne-sama... – esperei que ela gritasse de novo, mas ela não fez nada, apenas inclinou a cabeça levemente pro lado. Era horrível não saber o que acontecia com o seu rosto enquanto falava com ela, era a imprevisibilidade que me assustava, a imprevisibilidade da morte – Por que me trouxe no vale do inferno? Será que...
Morte atirou a cabeça pra trás e riu com gosto. Descendo da moto, ela caminhou na minha direção, e a cada passo eu sentia o peso nos meus ombros dobrar, e dobrar, e dobrar, até que era impossível se manter de pé. Quando estava a minha frente, meus joelhos tocaram o chão, com um baque suave que não condizia com o fardo gigantesco que meus ombros suportavam. Não olhei pra cima, mesmo quando ela me segurou pelo rabo de cavalo e saiu me arrastando, eu deixei que meus joelhos se chocassem com a pedra falhada até que estivessem sangrando e em carne viva. Foram minutos, ou talvez horas, ou muito possivelmente anos depois que ela me largou de qualquer jeito, como se larga um saco de lixo, na beira do penhasco, onde a vista do caminho para os dez portões se tornava mais clara e exata. A distância, no entanto, ou a posição exata de cada um deles era incalculável. Eu estava vendo todos, ao mesmo tempo, mas não queria dizer que eles estivessem realmente ali. Nem a mim, nem a ela, e nem aquele lugar. O que era o inferno realmente?! Ou a Guerra?! Ou a Morte?!
-Não se atreva a ficar feliz demais na minha frente – Morte disse, me puxando violentamente pelos cabelos e me forçando a olhar pra frente. Apesar de narrar naturalmente agora, naquele momento minha expressão estava uma bagunça completa, refletindo a forma como eu me sentia. Os olhos desprovidos de qualquer brilho e qualquer vontade, as lágrimas que escorriam e pingavam no solo sujo – Você esta vendo Discórdia? Os portões do fogo e da floresta foram abertos, sabe o que vai acontecer agora?! Conhece as repercussões do que as ações da mamãe vão causar?
-Lilith... você...
-É claro que eu sei, eu estava lá, eu estou em todo lugar – ela disse de uma forma amargurada, claramente me culpando por aquele fato, e não se abstendo de jogar sobre mim toda a repulsa e culpa que me eram devidas – Fico me perguntando por que ela fez aquilo, será que você é o preferido dela?
Morte se ajoelhou na minha frente, mas foi apenas pra que pudesse ficar numa posição mais confortável enquanto enlaçava as mãos no meu pescoço e me estrangulava, colocando cada vez mais força, até que minha traqueia estivesse comprimida quase que completamente, e meu rosto começasse a se azular. Mesmo assim, não tive qualquer reação, nem me debater, nem tentar me soltar, nem nada. Tudo o que eu podia ver eram os olhos azuis mortos no reflexo da sua máscara.
-Você é uma criatura desprezível Guerra, um lixo que mal consegue se manter de pé na minha frente – ela me jogou no chão de qualquer maneira, e um corte na cabeça molhou meu rosto de sangue – O que aconteceu com aquele demônio que ria enquanto matava?! Que bebia e se banhava em sangue, que devorava bebes e estuprava as virgens? Você que fazia as pessoas implorarem até a loucura, e só então as matava, que jogava com os sonhos dos homens só pra destruir seus ideais, que voltava irmão contra irmão, pai contra filho e mãe contra filha, de todas as formas mais mesquinhas que você conseguia imaginar...
-Chega... – minha voz saiu fraca, estrangulada, e afogada em lágrimas, quase inaudível, mas Morte tinha escutado, não era possível que não escutasse.
-Chega...?! Você se sente culpado agora? Os rostos deles atormentam o seu sono? Ou será que você sente falta? – ela segurou meu rosto quase carinhosamente agora, até que o aperto dos seus dedos em torno do meu maxilar se tornasse doloroso – Você sente falta, Discórdia? Conflito? Ganância? Luxúria? Raiva? Guerra... De que nome eu devo chama-lo, você tem tantos...
As lágrimas que escorriam molharam suas luvas, mas ela não pareceu perceber. Não notou como a água que escorria dos meus olhos parecia querer afogar aquele mundo num mar de lágrimas salgadas. Ou talvez tenha notado, e não se importado, ou talvez as suas próprias lágrimas já tinham formado mares, naquele e em outros mundos.
Não soube o que dizer naquele momento. Quis pedir pra ela me chamar de Chihiro, ou Nanami, ou Mana, qualquer coisa que me permitisse abraça-la e embala-la como uma irmã mais velha faria. Eu merecia aquilo?! Claro que não, mas eu não me importava em querer aquilo. De tão sujo e corrompido, e imoral e pervertido até o ponto onde minha alma fosse uma crosta nojenta de sujeira repulsiva, eu não me importava em desejar a sombra das asas dos anjos, ou o toque suave das santas. Como um filho que deseja sua mãe, ou um pai a sua filha, ou um leproso deseja as freiras castas que lhe levam comida. Eu podia não?! Ser tão ruim a ponto de querer aquilo, mesmo depois de tudo, só aquele leve toque que parecia acariciar diretamente o meu coração. Eu poderia aguentar tudo com isso, qualquer coisa, só com isso, não pediria mais nada...
Eu gostaria de ter pensado que naquele momento, Morte se comoveu. Como uma freira se comove ao ver um leproso, ou uma criança se comove ao ver um pobre animal machucado. Gostei de imaginar como seria sua expressão naquela hora, como seus olhos marejaram e ela me abraçou, ou mesmo tirou aquela máscara de outro tempo e me deixou ver os seus olhos, ou me deixou ser acariciado pelos seus cabelos de sangue. Era bom imaginar como seria, e amenizava a queimação constante que eu sentia, no entanto, eu não era tolo pra acreditar nisso. Eram fantasias idiotas. A expressão de Morte deve ter sido algo de extremo nojo, e repulsa, e ódio, tudo misturado em algo que me convinha bem. Por um lado eu adorava o fato dela estar usando aquela coisa que me impedia de ver suas expressões. Se a expressão no rosto das minhas esposas, ou dos meus pais, ou dos meus maridos, ou netos, ou mesmo amigos que descobriam quem eu era já me feria por dentro, a dela me destruiria e queimaria qualquer coisa que houvesse alem de culpa.
-Agora, qualquer demônio que trilhar o caminho pra escapar vai conseguir isso com muito mais facilidade – Morte continuou depois de um tempo, como se ainda esperasse uma resposta minha – Se com duas portas a menos vai se tornar mais fácil, imagine quando as ouras três se abrirem. São cinco feras que seguem a Lilith, e todas as cinco vão prestar obediência a você, enquanto as outras ainda vão cumprir a tarefa designada pelo papai. Quero saber... O que vai fazer, irmãozinho, quando uma orda de demônios furiosos escapar daqui e marchar em direção aos seus tão preciosos homens?! Vai protege-los, ou vai deixar que queimem?
Ainda estava com os olhos mortos naquele momento, e teria continuado assim, um fantoche sem vontade com as cordas cortadas, se não fosse pelo fato da Sakabatou ainda estar nas minhas mãos. O espírito cego pareceu aquecer a lamina até o ponto da incandescência, enquanto a imagem de Kenshin voltava a minha mente.
“Mesmo assim, por tudo o que o senhor me ensinou, eu quero proteger as pessoas, muitas, tantas quanto eu puder, quero protege-las do sofrimento dessa Era”
-Eu... vou proteger.
Morte deixou escapar uma exclamação delicada e sensual de dúvida, apenas um “hummm” que teria me arrepiado se minha mente não estivesse longe. Enquanto afundava naquele baú de recordações preciosas, e procurava fundo, passando os rostos de Anko, e Yugao, e Ibiki, e Kakashi, até Kenshin, e Tetsuna, e Morai, e Kiba, e Lilith e muitos e muitos outros rostos. Chegando tão fundo que tudo era negro, como um abismo sem fim, onde todas minhas lembranças eram permeadas por loucura, eu pude encontrar o rosto que estava procurando.
-Harmonia... – sussurrei comigo mesmo, sem conseguir evitar sorri e chorar mais ainda, enquanto olhava fascinado os traços da sua pele cor de creme, os cabelos brancos, num tempo onde ela ainda era capaz de sorrir pra mim, de me amar, onde era capaz de me perdoar e onde estava ao meu alcance, a um simples toque. Os olhos dela eram azuis, como o céu, o vasto céu que cobre todas as coisas – Eu vou proteger as pessoas...
Levantando os olhos, eu finalmente pude ver, meu próprio reflexo me fulminando com determinação:
-Não importa o que acontecer, eu vou proteger a todos, tantos quanto eu puder, todas as pessoas que eu puder envolver com as minhas caudas.
Naquele momento, eu pude jurar que não era o rosto de Naruto que me olhava de volta, mas o da raposa de nove caudas. A raposa branca de nove caudas, que agitava os sinos das suas caudas e espalhava flores e primavera pelas aldeias, abençoando os casais e cuidando pra que as crianças não se machucassem, afastando os animais selvagens e protegendo as colheitas da geada.
Não pude evitar sorrir pra ela, e Naruto, novamente, me respondeu, refletindo meus gestos num sorriso gentil demais, suave demais, doce demais. Morte me soltou e se afastou, sem dizer nada, e ficou parada, como se estivesse indecisa do que fazer em seguir. Não me importaria de continuar ali com ela, apenas sorrindo e observando por tanto tempo quanto fosse possível, mas eu tinha uma guerra pra vencer, e foi isso que me permitiu me levantar, e me aproximar. Sangue ainda escorria por cima do meu olho esquerdo, com o quimono rasgado, o ombro queimado os joelhos ralados e manchando a hakama branca. Calmamente, me aproximei dela, esperando um recuo ou um tapa, mas nada veio. A cada passo, mais e mais lágrimas escorriam dos meus olhos, deixando rosado o sangue que antes era vermelho.
Por fim, eu consegui me aproximar o bastante pra abraça-la. Enlaçando meus braços no couro negro e puxando pra mim, sentindo todos os seus músculos rígidos e o frio da sua máscara de ferro tocar minha testa. Morte era bem mais alta que aquele corpo jovem, então minha cabeça chegava apenas no nível dos seus seios, onde eu descansei a testa, e me permiti aspirar aquele perfume maravilhoso característico dela.
Podia ter morrido naquele instante, e ainda estaria feliz, mas sinceramente não escolheria isso se fosse-me dada a alternativa. Haviam pessoas que se importavam comigo no mundo, ou pelo menos, se importavam com Naruto. Eu não queria que elas morressem, que se machucassem, se eu pudesse evitar, por isso, depois de alguns segundos, gravando o toque, o cheiro e o calor dela na minha memória, eu me afastei. Não me importava realmente que ela me odiasse, eu estava feliz de poder sentir o toque quente de uma santa, antes da lepra e da sujeira me cobrir por completo. Sangue e suor.
Morte, por alguma razão, não fez nada a não ser assentir. Era impossível dizer o que se passava na cabeça dela, enquanto montava o cavalo e girava as rédeas, fazendo as rodas rugirem e patinar na pedra na montanha. Com um gesto silencioso da máscara, ela me indicou a garupa.
-Obrigado... – sussurrei, antes que ela acelerasse e o mundo se desfizesse novamente em borrões de cor e texturas líquidas que pareciam se envolver num redemoinho de tinta.
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Mei avançou furiosa pra cima das linhas inimigas, concentrada apenas em chegar em Yagura. No meio daquele imenso tabuleiro verde e marrom de xadrez, ele era o rei, e ela sabia que se ele caísse, todos cairiam juntos. Eles venceriam. O inverso também era verdade, se ela morresse naquela batalha, tudo iria por água abaixo. Ela era a rainha branca daquele jogo.
“Você não pode ser a rainha – uma voz brincou com ela, de dentro do lado mais despreocupado da sua cabeça – Você é o rei”
“Mas eu não quero ser o rei, uma rainha é muito mais bonitinho... talvez uma princesa”
“Baaka... o rei é a peça principal, é você”
“Então quem é a rainha?”
“A peça mais forte sob seu comando...”
“Hummm... isso seria o Naru-chan – ela riu, mesmo que se chutasse um pouco por achar algo engraçado naquela situação desesperada – Ele faria uma bela rainha”
“Não é...”.
O lado brincalhão se calou quando uma kunai se fincou no olho esquerdo de um shinobi companheiro bem ao seu lado. O tempo, por um segundo, ficou parado, enquanto todos os momentos que ela tivera com ele, desde as missões até a conversa despreocupada dentro do seu escritório, sempre que ele vinha receber o pagamento, passavam pela sua cabeça. Ele tinha acabado de morrer. Não existia mais. Se desfez.
Ele tinha dois filhos pequenos, que nunca conheceriam o pai, uma esposa que ficaria sem o marido. Mei imaginou o choro dela ao saber disso, e a dificuldade que seria contar pros garotos, e como isso acabaria com eles. Como eles chamariam pelo pai, chorando, tentando negar aquela verdade miserável.
Só durou um segundo, e ela voltou a correr ainda mais rápido que antes, partindo a toda velocidade que conseguia pra cima do Mizukage, que ria histericamente ao seu lado. Lágrimas turvaram sua visão, enquanto ela amaldiçoava o cavaleiro do cavalo branco, o nome do demônio que trazia o conflito para as pessoas.
“Maldito seja... Guerra” – Mei cuspiu, sem nunca saber que estava amaldiçoando o nome da sua própria rainha.
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Yagura notou a Mizukage se aproximando, e se preparou pra lutar. Lutar... Por que lutar?!... Estamos em guerra... Ah é. Ele balançou o cajado, sorrindo como um maníaco por causa de uma piada que ele ainda não tinha entendido, enquanto a visão do campo de batalha se tornava turva. Ele precisava lutar, sim, dar tudo de si, matar... matar também?! Sim... Mas não quero matar... Quer sim... Ah é...
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Enquanto a Líder rebelde se aproximava, ele formou rápido selos com a mão esquerda, fazendo o chakra circular e rodopiar de uma forma especifica que serviria pra um fim muito especifico, embora com um significado amplo e cheio de variáveis incontáveis e incompreensíveis. Matar. Reunindo chakra na sua garganta, ele aspirou fundo e cuspiu uma imensidão de água, tanta que se fosse reunida e medida, daria mais de mil vezes o volume total do seu corpo. Toda essa massa gigantesca de água avançou na forma de uma onda furiosa em direção a Mei, a cercando e impedindo que ela se esquivasse pros lados. Um ninja nunca pularia naquela situação, por que no ar, se tornaria um alvo fácil, e como quase nenhum shinobi no mundo era rápido o bastante pra fugir de um jutsu como aquele, a única opção que lhe sobrava era contra atacar. Por isso lutas com ninjutsu eram tão perigosas, e evitadas pela grande maioria dos ninjas, a menos que não houvesse alternativa.
Todo esse pensamento foi comutado no tempo de um mero segundo de reflexão, enquanto a onda avançava, e Mei fazia selos, correndo firmemente pra frente, sem vacilar. Ela encher os próprios pulmões de ar, e cuspiu uma massa fervente de magma, que se chocou contra a água e encheu o campo com uma massa temporária de vapor. Sem poder enxergar direito, a maioria dos ninjas pararam de lutar, exceto Zabuza e alguns outros jounnins que tinham experiência em atacar na névoa. Intenção assassina massiva encheu a arena, enquanto todos os chunnins pararam e tentaram se proteger daquele nível insano, onde todos os jounnins dos dois lados se encaravam e se mediam, prontos pra retalhar uns aos outros.
Nem Yagura nem Mei notaram nada disso, e a luta transcorreu independente do estado do restante do exército. Yagura era especialista em combate próximo, então a alternativa mais inteligente seria manter distância, mas ele também era extremamente hábil em combate de média e longa distância, que eram as especialidades de Mei. Poupar chakra até aquele momento se provou uma sábia decisão, por que a partir de agora, nada além de ninjutsu teria qualquer efeito.
Yagura, como jinchuuriki, tinha a vantagem clara naquele tipo de batalha, e ele sabia disso, e por isso o sorriso insolente não tinha deixado suas feições. Ele esperou tranquilamente que Mei lançasse o próximo ataque, o que aconteceu menos de um segundo após ela correr em volta da parede rocha super aquecida que se formou com o encontro de lava e água. Fazendo uma sequência mais curta de selos, ela cuspiu uma quantidade menor de lava, que jorrou em suas mãos, pra serem imediatamente atiradas em Yagura depois. A rocha semiderretida estava tão quente que o atrito com o ar a incendiou, formando o que pareceram mini-cometas que avançaram furiosamente na direção do Mizukage. Desviar daquilo não era uma boa opção, já que nem ele era rápido o suficiente pra fugir dos respingos que a lava espalharia ao bater no chão, que, apesar de serem pequenos, podiam facilmente derreter uma boa quantidade de carne aonde acertasse, e causar uma quantidade infinitamente maior de dor. Assim que ele simplesmente pulou pra trás, enquanto formava dois selos simples, e uma parede de água irrompeu do chão, barrando as bolas de magma e condensando um pouco a névoa super aquecida, que já começava a se dissolver. As lutas entre chunnins não voltaram, em parte por eles estarem ainda tensos com a quantidade de KI que jorrava dos jounnins durante a luta, e por que estavam assistindo a luta entre seus líderes, muitos deles com o queixo no chão. Todos os poucos que tentaram intervir, pra ajudar um lado ou outro, foram derretidos na lava até o tutano dos ossos, isso desencorajou qualquer futura tentativa.
A luta entre jutsus continuou, Yagura manobrando a água pra defender e atacar como se pudesse instiga-la a se mover com um gesto de mão, e Mei usufruindo de todo o seu repertório de jutsus, pra tentar pega-lo desprevenido. Seu chakra escorria constantemente pra fora dela, deixando suas reservas cada vez mais vazias, naquele ritmo, ela esgotaria todo a sua energia em minutos, e isso não era nada bom.
-O que foi Mei?! – Yagura gritou pra ela – Você já esta ficando cansada?! Tão rápido?! Isso é tudo o que as suas preciosas linhagens podem fazer?
Houve alguns gritos de concordância, mas poucos, como a maioria do exército ainda estava parado, assistindo, embora mantivesse a tensão de ser atacado a qualquer momento. No meio da multidão, Yugao e Anko descansavam, observando a luta de titãs dos dois lideres da Névoa. Seria uma tolice dizer que as duas eram fracas, mas naquele tipo brutal de batalha, de puro ninjutsu, havia pouco o que pudessem fazer, ainda mais esgotadas como estavam. Ártemis, de um outro ponto, na retaguarda do exército, observava Mei atentamente, preocupado, com as aljavas vazias e uma única flecha retesada no arco, pronto pra matar qualquer um que ameaçasse atacar, ou se defender numa última instância. Ele lutou contra a vontade de atirar aquela em Yagura, sabia que não adiantaria nada.
Hanna, completamente esgotada do seu chakra, foi levada para a enfermaria por dois chunnins que ainda estavam em boas condições. Ela lutou contra a médica que a forçou a se deitar, tentando correr pra fora e ajudar na última luta. Ninjutsu era sua especialidade, e ela sabia que poderia ajudar se forçasse a si mesmo. Infelizmente, ela estava tão esgotada que apagou no instante em que sua cabeça tocou o travesseiro de mantas, e Meron desapareceu, se dissolvendo em tatuagens que subiram pela sua pele, brilhando vermelho uma última vez antes de se desfazerem. Kiba mordeu os lábios, preocupado, enquanto Akamaru latia que tudo estava bem, pra acalma-lo. Não foi muito o tempo que ele ficou parado ali, já que o frenezi da tenda médica o forçou a se mover e continuar ajudando. Mesmo com o cessar da maioria das lutas, feridos continuavam chegando sem parar, trazidos por chunnins da linha de retaguarda.
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Distante dali, Tsokoka uivou para a noite, sentindo um aperto estranho no peito quando seu parceiro humano tinha desaparecido daquele mundo. Zanza, que estava com ela, apesar de algemado e preso na parede, acabou sorrindo.
-Você esta preocupada também, não?
A loba, voltando a olhar o prisioneiro que ela tinha sido pedida pra guardar, acenou fracamente com a cabeça, mas não respondeu. Os homens não falavam a língua dos lobos, mesmo que lobos da selva entendessem a linguagem dos homens.
-Eu queria poder ajudar, mas só iria acabar estragando tudo, por causa desse maldito selo...
A loba acenou novamente pra ele, que franziu o cenho.
-Você... pode me entender?
Irritada, Tsokoka latiu, fazendo zanza se retrair com o susto. Por fim, satisfeita, ela assentiu mais uma vez, bocejando.
-Você sabe onde o selo esta, não – Zanza mostrou a língua, com um olhar misto de pavor e determinação no rosto. Ao notar Tsokoka assentindo mais uma vez, um pouco desconfiada de onde ele queria chegar, o jounnin de Kiri engoliu em seco – Então, Tsokoka-san... eu tenho um favor pra te pedir.
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Mei continuou forçando o seu caminho, com jutsu após jutsu, explorando furiosamente todo seu repertório, montando estratégia após estratégia, e imediatamente, as descartando. Nenhuma tinha uma chance de vitória superior a trinta por cento, e era puro suicídio ir só com isso pra cima de um monstro como Yagura. Quando sua mente passou pelo jutsu clone de água, uma técnica comum que era raramente usava, e notou o campo encharcado, um plano lhe veio a mente. Forçando um outro ataque, só pra não mostrar a Yagura que ela tinha tido uma ideia, a Líder da facção rebelde calculou rapidamente.
Cinquenta por cento. Era o melhor chute que ela teria, isso era uma certeza.
Puxando chakra violentamente das suas reservas, já quase vazias, ela sentiu como se garras imateriais arranhassem seu estomago, tentando recolher energia de onde quase não havia mais. Ela não se importou. Yagura era um gênio militar, do tipo que se vê apenas a cada várias gerações, por isso não seria qualquer distração que o confundiria do seu objetivo principal. Teria que ser algo grande.
-Isso termina agora Yagura! – Mei gritou, pra tentar dar força a sua declaração – Eu vou terminar tudo com essa técnica!
O Mizukage apenas riu, enquanto Mei fazia uma longa sequência de selos, aspirando fundo mais uma vez.
-Vai cuspir bolinhas de lava de novo pra cima de mim? Sinceramente, você não cansa disso – Yagura riu debochado, cravando o cajado nas costas e se preparando pra formar uma defesa de água.
No entanto, o que veio da boca dela não foi água. Foi vapor. Uma nuvem super aquecida de vapor ácido de magma que passou pela barreira de água do Mizukage, o forçando a pular pra trás, e fazer um novo conjunto de selos ferozmente.
-Suiton! Okotta nami! – Liberação de água! Onda furiosa!
A onda de água rugiu no campo de batalha, girando como um turbilhão e desfazendo o vapor que ameaçava sufoca-lo e derrete-lo. Mei tinha caído de joelhos, respirando profundamente, e foi mais ou menos nessa hora que um dos chunnins do Mizukage gritou a vitória, antes de ser morto, e a batalha começar furiosa mais uma vez. Parecia que quanto mais cansados todos estivessem, mais determinados eles ficavam a se matarem, enquanto braços pesados empunhavam kunais que cortavam torto e provocavam mais dor do que seria necessário. Com a reviravolta repentina no lugar, ninguém viu como o rosto, até agora um pouco assustado do Kazekage mudou rapidamente de expressão. Mesmo Mei não chegou a ver, enquanto se concentrava em gerar o máximo de chakra possível e articular seu último e desesperado movimento. O Mizukage só ficaria distraído por um segundo, e seria esse segundo que teria que fazer toda a diferença. Como disse um sábio uma vez, um único grão de arroz pode virar a balança.
Quanto a Yagura... A principio foi alívio, que mudou radicalmente pra uma expressão absoluta de dor e preocupação, seguida de raiva e confusão, e então deboche. Deboche frio e insano, que o fez rir, fracamente no começo, mas gargalhando depois.
-Esse é o seu último grande truque? Uma nuvenzinha de vapor? – Ele girou o cajado, caminhando levemente em direção a Mei, tudo nele denunciava uma única intenção. Matar – Vocês são patéticos, sujos portadores de linhagens amaldiçoadas, que causam guerra após guerra no mundo...
A água tremulou e subiu bem atrás de Yagura, mas ele não notou.
-Agora, Terumi Mei... você vai morrer, você e todos os seus rebeldes, lixos com linhagens e traidores nojentos, seu sangue vai purificar o meu mundo perfeito...
A água se elevou numa figura disforme e liquefeita de Mei, que empunhou uma kunai. Pedaços do seu cabelo escorriam e caíram constantemente, todas suas expressões transparentes e sem cor, apenas uma forma de água incompleta.
-Morra... Terumi Mei...
Yagura e o clone de água levantaram as armas ao mesmo tempo, e Mei alargou os olhos fracamente, esperando ver o Mizukage cair e sangrar a sua frente. No entanto, não aconteceu.
A medida que levantava o cajado, o tempo pareceu abrandar, e ele retesou os músculos pra atacar, mas em vez de cortar Mei, eles se virou e esmagou a cabeça do clone, espalhando água pelo lado. A expressão da Mizukage caiu até se tornar uma desesperada, os lábios mordidos e as lágrimas que ela não conseguiu conter se juntando ao seu rosto encharcado. Yagura observou, por um segundo, tenso e magoado como Mei tremia, ajoelhada aos seus pés, mas depois sua expressão ficou ainda mais divertida, e ele riu, ignorando a guerra que se seguia ao seu redor.
-Chorando... Você esta chorando Mei?
Ela tremeu mais forte, enquanto tentava segurar as lágrimas, pra manter o mínimo que fosse sua dignidade enquanto morria. Imagens de toda a sua vida já começavam a passar pela sua cabeça – o que, no geral, é um mal sinal – ,principalmente seus amigos de infância, e curiosamente, num lugar especial e carinhoso que ela gostava de olhar as vezes, aquelas semanas que ela passou com os shinobis de Konoha. As brigas constantes de Yugao e Anko, que só mostravam o quanto elas se adoravam, e a seriedade de Kurenai, que observava tudo com a repreensão divertida de uma irmã mais velha, ou Haku, que sempre se envergonhava com coisas pequenas, ou Hanna, que passava seu tempo livre brincando com seus cães, e as vezes, os lobos de Naruto... Naruto...
Sim, havia Naruto também, o garoto bonitinho que também era o mais novo general do seu exército. Claro, ele era um gennin recém formado que chegou ali contra as leis da sua aldeia, e decidiu ajuda-los por causa de um acordo, que veio de uma promessa. A total imprevisibilidade dele a pegou com a guarda baixa, e aquele sorriso gentil e feminino derrubou o muro de frieza que ela tinha construído, como kunoiche. Mei sabia que era perigoso a forma como tão rápido ela se afeiçoou aquelas pessoas, havia tantos riscos nisso, mas naquele momento, que ela teve certeza que ia morrer, Mei agradeceu que o fez. Foi a lembrança mais doce, daquelas que ficam guardadas pra sempre, e ela ficou feliz em morrer só após ter presenciado isso.
-Patético... patético Mei, você decaiu tanto – Yagura continuou, rindo – Bem, acho que é compreensível, essas suas linhagens te mancharam a ponto de corromper todo o seu treinamento, bem, chore enquanto pode, por que logo, seus olhos vão derramar lágrimas de sangue...
Ele ergueu o cajado mais uma vez, e o sorriso alargou, antes que uma bala de água o acertou diretamente no rosto, de surpresa, e ele se viu sendo atirado pra trás, pra dentro da água, tão forte que alcançou o solo e rolou por ele, sem fôlego nem controle.
-Nanda... – Mei levantou os olhos, procurando onde estaria o golpe que a levaria pro inferno, mas só viu uma gigantesca estátua de água, atirando bala após bala de água sobre Yagura, que recebia golpe após golpe sem chance de revidar ou mesmo escapar – Amegakure no Kami... Mas o único que domina esse jutsu é...
E Mei o viu, acima da cabeça do Deus dos Mares, formando selo após selo com uma concentração furiosa, já de joelhos e com suor lhe escorrendo, junto da água, da testa, inundando seus cabelos e os colando ao lado do rosto.
-Zanza... mas como...?!
Ele não respondeu, tampouco olhou pra ela, apenas contunuou seu movimento furioso de selos, controlando as ações do Deus do mar, e esmagando mais e mais Yagura encima de ondas e balas de água furiosa. Aquele jutsu rank S assustador... mas como ele tinha chegado ali, preso no acampamento e guardado pela loba de Naruto...
Após menos de um minuto, o Deus do mar começou a tremular, e partes do seu corpo escorreram, se deformando cada vez mais. Zanza cambaleou e quase caiu, apertando a boca fechada e formando ainda mais selos, mas seus movimentos foram ficando cada vez mais fracos, e a água que a estátua cuspia perdeu pressão e vazou, como baba, se juntando ao resto da água que começava a formar um lago na depressão do vale formada pela lava e pedra. Não levou muito tempo até que o jutsu falhou completamente, e ele caiu.
Mei observou ele afundar no lago, e começar a boiar, sem nenhuma reação por um momento, até que caiu encima e se arrastou até ele. Ambos estavam completamente sem chakra, e mesmo se mover já era complicado. Ela conseguiu puxa-lo pra onde tinha menos água, e deitou a cabeça no seu colo, afastando os cabelos molhados do rosto e o sacudindo, preocupada.
-Zanza... Zanza... – ela o sacudiu – Zanza!
Os olhos dele se entreabriram, e ainda com os lábios firmemente fechados, ele sorriu fracamente.
-O que aconteceu, o que você esta fazendo aqui, Zanza...?
Ele não respondeu, mas continuou a olhando diretamente. Havia algo nos seus olhos.
-Responda Zanza, o que aconteceu, você estava preso, como escapou? E Tsokoka?
Ele ainda não respondeu, mas o brilho no seu olhar aumentou, e um pouco de sangue escorreu pelo canto do seu sorriso.
-Zanza!
Ele abriu levemente a boca, e o sangue vazou pelo queixo, encharcando seu colete e escorrendo pela água, a tingindo de rosa. Mei arregalou os olhos e prendeu a respiração, enquanto um soluço de choro se prendeu na sua garganta, e seus olhos inundavam.
A língua dele não estava lá, fora arrancada, junto com o selamento de obediência. Ela voltou os olhos desesperada para os dele, e encontrou a palavra que ele tentava passar pra ela.
Desculpe.
Mei não teve tempo pra chorar ou lamentar aquilo, por que a água borbulhou a frente dela, e Yagura se levantou, o sorriso maníaco de volta no rosto.
Ela ofegou. Ele não tinha nenhum arranhão.
-Impossível... tantos ataques repetidos de um jutsu rank S a queima roupa, você deveria estar morto... – ela disse, mais pra si mesma que pra ele, mas Yagura respondeu da mesma forma.
-Isso vale pra shinobis ordinários, fracos, sujos, porcos, mas não pra mim... não, eu sou forte...
Ela tremeu com o sorriso dele. Era pura insanidade.
-Você... É um monstro!
-Um monstro...? – ele riu – Não, eu sou um Deus! EU SOU O DEUS DO MAR! – ele empunhou o cajado – Marque minhas palavras puta, e as leve até o Deus dos mortos. Diga que quem te despachou foi o Deus do mar!
O cajado foi firmemente empunhado, e vinha direto para o peito da líder rebelde. Mei sentiu o coração falhar uma batida, e então disparar, como se não quisesse parar ainda, não tão cedo, e se empenhasse em mostrar que podia funcionar muito bem, que ainda estava ótimo, e não havia necessidade de interrompe-lo. Infelizmente, o Mizukage estava surdo aos apelos dos corações das pessoas, e o seu golpe não fraquejou.
Mas nunca chegou ao alvo.
Um tinido metálico ecoou pela planície, como o chilrear de um corvo, e em seguida, silêncio. Mei abriu os olhos, procurando qualquer das coisas que poderiam acontecer após sua morte, mas tudo o que ela viu...
-Naruto...?
De pé a sua frente, segurando a katana de lamina invertida com uma única mão, aparando o cajado do Mizukage pelo vão recurvado da ponta, ele estava parado de pé, sem aparentar fazer muita força. A sua franja caía-lhe a frente do rosto, e por um minuto, dois orbes cintilaram vermelhos por trás dos seus cabelos manchados de sangue. A face dele estava diferente, séria, assustadora, firme com uma determinação que a fez estremecer. A lembrança daquele dia, em que ele voltou arrastando os barcos, lhe voltou a memória, junto com as palavras de Artemis.
“Esse garoto tem um espírito forte, nunca vi alguém com um espírito tão forte quanto o dele...”.
Aquelas palavras, antes confusas, fizeram todo o sentido do mundo pra ela. Yagura estava surpreso pela aparição súbita do garoto, e apenas continuou segurando o cajado, forçando contra a katana aparentemente relaxada nas mãos dele. Ela se parecia com uma parede sólida, não se movia um centímetro sequer, e ele nem tremia com a força bruta do Mizukage. Quem diabos era essa pessoa?!
-Desculpe Mei – ele disse, ainda com as feições sérias, os olhos ainda jogados nas sombras – Eu me atrasei...
A líder rebelde mordeu os lábios, enquanto uma nova onda de lágrimas lhe inundava os olhos.
-Não se desculpe... – ela fungou, piscando pra clarear a visão – Obrigado...
-As ordens...
Relaxando o braço, ele soltou a espada, e Yagura caiu pra frente surpreso, mas antes que o cajado se aproximasse de Mei, Naruto virou a sakabatou e golpeou com força pra cima, separando a famosa arma do Mizukage e duas metades, num corte limpo como uma nota musical. Ambas as metades giraram, e cada uma parou longe do campo de treinamento.
-A lamina inversa da sakabatou – ele disse, com um sorriso de canto, ignorando os ferimentos que Mei reparou sobre ele – Pode cortar qualquer coisa que não seja uma pessoa sem piedade...
-Lixo... LIXO! – Yagura rugiu – LIXO! LIXO! LIXO! LIXO! – ele se pôs de pé – Quem você pensa que é, moleque de merda! Eu sou o Deus dos mares!
O sorriso de Naruto apenas aumentou, de uma forma ferina e perigosa que Mei não imaginava que pudesse partir daquele rosto infantil, de um jeito que lhe arrepiou os cabelos e a fez ficar tensa. Perigoso. Aquele sorriso gritava isso. Perigoso.
-Deus do mar? Não... Você não é nada, alem de um ser humano, como todos nós – sua voz falhou por um momento divertido, como se ele acabasse de cometer um erro constrangedor, mas durou apenas um segundo – Um ser humano que vive, e chora, e sangra, e ama... Deuses não fazem essas coisas.
Eles não apodrecem, e tem uma vida tão longa que se estendia até as bordas do infinito.
-Calado! — Yagura gritou – Eu sou o Deus dos mares, o jinchuuriki do Sanbi no Mapa! E eu... sou invencível!
-Bem... então vou ser o primeiro a ter a fama de matar um Deus... – O sorriso dele aumentou, os olhos brilhando vermelhos como duas luas de sangue – Se prepare, Yagura, por que eu não vou me segurar...
Notas finais
Então, muitos rewies né?!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Abraços gente.
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