Notas iniciais
Mais uma vez, esse capítulo é uma ponte de ligação entre o dez e o onze, por isso saiu menor do que o normal. O capítulo onze vai ser o estourar da guerra, e por isso, eu não quero que saia grande demais, ou vai ser exaustivo de ler pra quem não gosta de capítulos longos. Apesar de muita gente já ter me xingado por fazer esses capítulos "ponte", muitas outras pessoas estão reclamando que os capítulos são grandes demais, e fica foda por que nem todo mundo tem tempo pra ler. Tentando encontrar uma forma de agradar aos dois lados, eu fiz isso, foi o melhor que eu pude pensar, então espero que entendam.

Sarutobi deixou a cabeça pender pra trás, enquanto a fumaça do cachimbo percorria toda sua traqueia, até os pulmões. A sensação era a coisa mais familiar do mundo pra ele, que fumava a... cinquenta, sessenta anos já?!

Era mais do que o tempo necessário pro tabaco destruir completamente sua via respiratória, mas ela era tão infundida de chakra, que levaria mil anos pro fumo conseguir fazer dano. Comparado a reunir e expelir chakra e fogo direto da boca e do nariz, o que era uma mísera fumacinha de nada?! Não era nada além de relaxante e prazeroso.

No entanto, naquele momento, nem mesmo o tabaco pode acalmar sua inquietação. Apesar de estar estaticamente parado, quase dormindo pra quem olhasse, por dentro ele estava frenético. Seus pensamentos quase febris de tão intensos, se concentrando em não explodir o conselho inteiro, e o prédio inteiro, com um jutsu que se ele relaxasse as mãos, sabia que elas imediatamente começariam a executar.

-Porcos malditos... – ele murmurou – Não basta apenas exigirem a cabeça de Uzumaki Naruto quando ele chegar a vila, mas também impedem que eu ajude-o a chegar aqui... Você foi imprudente Naruto... Se bem que as coisas podem correr direito, se tivermos sorte, tudo vai depender do que você vai fazer agora...

-Naruto esta com problemas?

O Sandaime olhou pela janela, nem um pouco surpreso em vê-los ali. Kakashi estava sentado, com o Icha-Icha aberto numa páginas aleatória que o jounnin fingia estar lendo. Ao lado dele, de pé, Ibiki encarava o Hokage com uma expressão séria.

-Se Naruto esta com problemas, nós vamos ajudar – Ibiki disse, contraindo as sobrancelhas numa expressão que seria normal, mas com as múltiplas cicatrizes dele, ficava assustadora – É nossa responsabilidade.

-Eu mesmo iria até lá ajuda-lo se pudesse, mas...

-Você ficou mole com o tempo Jiji, você é o Hokage da vila, não o conselho, nos ordene e...

Um tapa na mesa não apenas a quebrou, mas trincou todo o chão do andar, espalhando documentos rasgados pra todo lado. Ibiki se calou no mesmo instante, e mesmo Kakashi engoliu em seco, observando o monstro que era o Deus Shinobi se levantar, mordendo o cabo do cachimbo entre os caninos afiados e os fuzilando com o olhar.

-Um Hokage deve pensar, sobretudo, em sua vila, seus tolos – todo o prédio parecia tremer com a sua voz – O que acham que eu deveria fazer?! Ir contra todo o conselho, agir como um tirano e iniciar uma guerra civil?! Vocês tem que aprender a pensar nas coisas, seus idiotas!

Ibiki e Kakashi tremeram e se entreolharam, e quando estavam pra dizer alguma coisa, Sarutobi murmurou, tão baixo que parecia mais um pensamento que acabou escapando pela sua boca:

-Se bem... que assim já é demais, o conselho esqueceu seu lugar, e esta abusando de seu poder...

Ele levantou os olhos, e neles havia um fogo escondido.

-Chame-a aqui...

Ibiki e Kakashi não ousaram responder, eles sabiam exatamente de quem ele estava falando.

-Chame-a aqui... – O Hokage repetiu – Chame a capitã da ANBU exilada do dever, chame a única kunoiche rank S da vila, aquela que foi chamada de “Presa Escarlate” durante sua época, chame a única que pode bater de frente com Uchiha Itachi e ter esperanças de vencer... a elite absoluta do clã Inuzuka... chamem Hanna até aqui...


**********

-Pronto! – Hanna sorriu enquanto afagava a cabeça da garotinha – Ele vai ficar bom logo, só tem que passar esse remédio todo dia bem cedinho.

-Hai, Arigato Onee-san!

A Inuzuka observou com um sorriso a garotinha sair cantarolando dali com o gatinho no colo, e logo depois se voltou pra arrumar suas coisas. Ela estava tão distraída que deu um pulo quando notou Rin a encarando de perto, com os olhos grandes analíticos.

-R-Rin-chan... O que você...

-Hanna-chan, Kawaii – Rin a abraçou, rindo – Você é tão fofa com as crianças.

-Oe... Rin, eu preciso de ar.

-Ahh, gomen ne.

-Você não parece nem um pouco arrependida...

Rin só sorriu ainda mais, sentada no banquinho balançando de um lado pro outro. Os trigêmeos entraram na sala, e correram até ela, balançando os rabos e tentando ganhar sua atenção. Hanna suspirou.

-Eles ficam tão bagunceiros quando você esta aqui...

-Não fale assim deles – Rin se abaixou e acariciou os três, que pulavam pra lamber seu rosto – Vocês tem uma mamãe malvada, tem sim, mamãe malvada, a titia vai proteger vocês.

A Inuzuka sorriu vendo os quatro brincarem tranquilamente, até que seu nariz afiado notou dois cheiros se aproximando rapidamente na direção dela. E vinham rápido... Aqueles dois, vindo diretamente pra ela, nessa velocidade... não seria um bom sinal.

-Oe, Hanna-san...

Kakashi se abaixou quando uma cadeira passou logo acima da sua cabeça, e torceu todo o corpo pra se esquivar de uma saraivada de seringas afiadas com um líquido amarelo estranho que poderia ser veneno ou remédio pra diarreia. No fim ele estava todo torcido, encostado numa parede de olhos arregalados com várias seringas presas ao redor do seu corpo. Rin riu e aplaudiu como se tudo fosse uma brincadeira, enquanto Ibiki rolou os olhos.

-Inuzuka Hanna, o Hokage esta...

Ele mesmo se abaixou quando um bisturi passou rente ao seu rosto, e no instante seguinte Hanna estava encima dele, com um bisturi no seu pescoço e outro nos... bem... nas suas partes sensíveis destinadas a produção de herdeiros. O torturador suou frio com o olhar mortal dela.

-Preste atenção Ibiki! Eu... estou... aposentada! – ela fincou ambos os bisturis lado a lado da sua cabeça, e o ergueu pela gola, fuzilando com os olhos o torturador de repente apavorado – Eu já deixei claro que não ia mais atuar como shinobi, e foda-se o que...

-Naruto esta com problemas...

Hanna gelou, e por quase um minuto inteiro ficou parada, encarando o nada.

-Diga ao Hokage que eu estou indo.

Rin pulou e aplaudiu alegre.

-Então vamos ver a “Nidaime Red Death” novamente, a sensei ficaria tão orgulhosa!

A Inuzuka ignorou os três que ficaram lá fora, tanto Rin que pulava alegre, ou Ibiki e Kakashi que suspiravam aliviados. Ela entrou pela clínica chutando a porta, e assobiou. Imediatamente os trigêmeos pularam e ficaram em fila, as expressões sérias deles eram assustadoras, em contraste com quando estavam brincando e pulando como bobalhões. Sem se incomodar em fechar a porta, ela desamarrou a faixa da cintura e deixou o quimono cair no chão, seguindo nua para o armário de medicamentos. Kakashi corou instantaneamente, antes de ser nocauteado por Rin, que pulou encima dele.

-Kakashi-kun-no-baka! – ela fez beicinho – pare de olhar para o corpo das outras mulheres...

Ibiki deu as costas e suspirou, embora mantivesse um olho nos movimentos dela. Hanna apertou um botão na porta, e imediatamente as prateleiras de remédios giraram mecanicamente, revelando o seu uniforme. Era idêntico ao da ANBU, mas todo vermelho sangue, forrado de negro por baixo. Hanna o vestiu lentamente, primeiro as faixas pra proteger suas partes íntimas, coxas e seios, e em seguida as placas de proteção vermelhas, as botas e caneleiras, e as proteções de antebraço, e a máscara, logo após amarrar os cabelos num rabo de cavalo alto. As luvas negras sem dedo de couro ainda eram confortáveis nas suas mãos, e a máscara, idêntica a de Kakashi, mas vermelha, dava um ar assassino horrível a sua presença. Era assustador demais. Ela tirou a katana do suporte, e a deslizou pra fora da bainha.

-Espero que esteja pronta, velha amiga – ela fechou os olhos, sentindo o toque leve na sua consciência, como uma onda de fogo que a aquecia por dentro – Nós vamos cortar e retalhar novamente... Hiken...

Tirando a bandana na testa, ela deixou os frios de cabelo cobrirem seus olhos levemente pintados, o tom caramelo mais afiado que o normal, tudo em sua presença era extremamente perigoso. Gritava “Corra, corra pra longe, ou morra”. Rin observou fascinada enquanto ela saia, acompanhada dos três lobos que, de uma hora pra outra, pareciam tão afiados e mortais como a sua espada.

-Incrível... ninguém pode mudar tanto de uma hora pra outra como Hanna-chan – Kakashi, mesmo estando abaixo dela, concordou com um aceno de cabeça – Essa presença... é quase sufocante, eu quase sinto pena de quem ficar no caminho dela.

A Inuzuka não deu atenção a isso, olhando fixamente para a torre, ela arqueou os músculos das pernas, e sumiu junto com um sopro de vento.


**********


Mei não levantou imediatamente, ela observava ambos os barcos, de cima abaixo, sem acreditar no que via. Quinze shinobis estavam amarrados, presos por cordas em todas as partes dos navios, nas velas e brandais, e mesmo em partes quebradas do casco e da proa. Quando Naruto chegou a praia, ele soltou as cordas e respirou longamente, arqueando os ombros.

Em seguida sorriu pra todos ali, e se ajoelhou, abaixando a cabeça:

-Missão cumprida Mei-sama – ele olhou pra cima – Sinto muito ter demorado, mas...

Mei o calou com um abraço apertado. O ruivo pareceu surpreso por um instante, mas então sorriu, a abraçando de volta. Mal ela o largou, Anko e Yugao se jogaram encima dele, chorando como crianças enquanto puxavam cada uma um braço dele. Haku e Zabuza se levantaram, ao mesmo tempo que Kiba jogava o braço sobre os ombros dele e forçava sua cabeça pra baixo, acertando um croque nele. Hinata e Shino ficaram de pé, enquanto os lobos pulavam tentando alcançar suas mãos. Ártemis sorriu de onde estava senta eTsokoka apenas riu baixinho com ela mesma, uivando acompanhada dos seus filhotes e de Akamaru logo depois.

-Baka yaro! – Mei gritou – pensamos que tivesse morrido!

-Gomen ne, eu teria chegado antes do previsto se tivesse afundado esses navios, mas eu sabia que conseguia traze-los até aqui, então acabei me atrasando – Naruto sorriu meio envergonhado – Desculpe fazer vocês se preocuparem...

-Quantos shinobis haviam, Naruto-kun? – Haku perguntou, olhando pra dentro dos barcos.

-Dezessete, todos nível jounnin.

-E você derrotou todos?

-Sim.

-Matou algum?

-Não.

-Mas só tem quinze amarrados.

-Dois estão nos decks, com o restante da tripulação, eles prometeram cooperar, então não tive que amarra-los – De todos esses, dois ou três odeiam kekeis gekais por terem parentes mortos na guerra, ou algo assim – Naruto apontou um pequeno grupo deles que ainda tentavam se soltar, com a corda lhes apertando o pescoço e travando a mandíbula – Alguns estavam sendo controlados pelo selo como Zanza-san, e o restante estava com medo de se rebelar, eles não tinham como fugir de Kiri.

-Você fez bem Naruto, Deus, você fez muito melhor do que eu imaginava...

-Arigato – ele respirou fundo, limpando uma gota de suor da testa – Os dois shinobis que estão no deck vão cooperar, e a tripulação também não vai dar trabalho, eles estavam apenas fazendo o serviço deles.

Mei assentiu.

-Agora, se não se importa, eu vou descansar um pouco.

-Hai, bom trabalho.

Naruto assentiu, e se levantou. Yugao estava pra dizer alguma coisa, mas nada saiu. Ela apenas sorriu pra ele, enquanto Naruto afagava seu rosto, e continuava seguindo pela praia. Apesar de estar bem cansado, ele ainda caminhava com a cabeça erguida, os olhos pareciam pregados no horizonte, sempre estavam pregados no horizonte.

-Esse garoto... é forte – Ártemis disse de repente – Eu nunca vi alguém com um espírito tão forte.

Mei olhou pra ele, que tinha os olhos pregados em Naruto, por baixo do manto e do cabelo castanho longo. Ninguém disse mais nada, mas todos concordaram internamente com o arqueiro. A sombra daquela criança era grande, parecia se alongar sobre a areia e tocar toda a praia, tão grande quanto sua vontade, quanto sua gentileza.


**********


Yagura se levantou da cadeira de sua mesa, e cruzou o escritório todo a passos firmes e lentos, sem nenhuma expressão as feições ainda infantis dele. Atrás de si, na parede, havia quadros. Quadros de todos os Mizukages até então, incluindo ele próprio, o Yondaime... Mas por algum motivo, havia um quinto quadro... Por que havia um quinto quadro?! Quem o colocou lá... Ah é, foi ele mesmo... por que ele tinha posto lá? Ele era o Mizukage... Talvez ele não quisesse ser, talvez quisesse renegar, talvez quisesse sair... Não... ele era o Mizukage... só ele... Yondaime... Só ele...

-Mizukage-sama, o senhor precisa de algo? – perguntou o shinobi de pé guardando sua porta.

-Ee... – Yagura respondeu sem olhar pra ele – Por que os carregamentos não chegaram?

Eles deviam ter chegado... não chegaram... foram interceptados... que carregamentos?! Eu esperava carregamentos... sim... suprimentos... suprimentos para a guerra... Que guerra?! Não estamos em guerra... estamos sim... ah é... guerra contra o mal...

-Desculpe senhor, mas não recebemos notícias sobre isso ainda – o shinobi disse – Nós mandamos um grupo investigar o local, e eles ainda não voltaram, tudo o que sabemos é que nem os navios nem nenhum dos ninjas que o guardavam retornaram.

-Entendo... isso é culpa dos rebeldes...

-Os rebeldes senhor?

-Sim, eles provavelmente atacaram os suprimentos, aqueles malditos rebeldes – Que rebeldes? Existem rebeldes... sim... ah é... – Monte um pelotão, precisamos atacar uma cidade antes que fiquemos sem suprimentos. Nós temos informação onde os rebeldes estão situados, mas é muito perigoso ataca-los diretamente... Não... não seria divertido ataca-los diretamente...

O guarda na porta engoliu em seco, mal conseguindo conter o tremor de estar ao lado do monstro conhecido como Yondaime Mizukage. O poder latente dele era tão forte que parecia fazer tremer o reboco das paredes. Com o tom de voz diferente, e as pupilas tão finas quanto buracos de agulha, ele continuou:

-Poderíamos detê-los... sim... poderíamos... tão fácil como se fossem ratos... mas não seria divertido... sim, a guerra é mais divertido, vamos guerrear, vamos brincar de guerra, isso é tão maravilhoso...

A esse ponto o pobre coitado estava suando em bicas. Yagura se voltou pra ele, ainda com a expressão insana, e ele quase pulou no lugar, ficando o mais rígido que conseguia na sua postura. A expressão maluca do kage passou, e ele voltou a calma e a mansidão fria de sempre.

-Traga cinco jounnins aqui, manda um trazer um mapa... e café... vamos averiguar uma cidade próxima que podemos usar como posto avançado – o shinobi da guarda assentiu vigorosamente – Certifique-se de escolher cinco jounnins que estejam bem descansados e em pleno potencial pra lutar...

-Hai! Yondaime-sama!

-Ah... mais uma coisa...

O guarda quase derrapou pelo piso pra parar a tempo de ouvir o que o Mizukage ia dizer. Ele observou Yagura levantar a mão, apontada direto pro seu rosto, e com uma voz solene...

-Não esqueça o café...

O shinobi deu de cara no chão, e imediatamente se levantou, prestando continência e saiu correndo apressado até a cozinha. Pelo tom de Yagura, era melhor ele providenciar o café primeiro...


**********

-O senhor me chamou aqui, Hokage-sama...?

O Sandaime Hokage virou a cadeira e olhou pela janela. De pé, contra o sol, estava uma das kunoiches mais capazes que a vila da folha já havia produzido. O uniforme ANBU vermelho que apenas ela usava, era uma marca a ser temida em batalha. Muitos tentaram reproduzir a sensação assassina dela, sua eficiência, mas todos morreram enquanto tentavam. Observando a máscara vermelha e a sombra azul leve nos olhos, ele não pode evitar pensar que ela era uma criança linda. Sim, a epítome do que uma kunoiche deveria ser, assim como Itachi era a epítome de um shinobi... Aqueles dois juntos faziam arrepios percorrer a sua coluna, era uma pena que eles tinham sido separados. Juntos, eles poderiam fazer qualquer coisa.

-O que esse sorriso quer dizer, Hokage-sama... – ela perguntou com uma sobrancelha arqueada.

-Desculpe a nostalgia de um velho – ele abaixou o chapéu sobre os olhos levemente, respirando fundo e tranquilamente – Você cresceu tanto, se tornou uma moça linda...

Mesmo naquela situação, Hanna corou.

-O...O senhor age como um velhinho as vezes, Hokage-sama...

-Eu sou só um velhinho... – ele riu com gosto – Vendo as crianças de ontem se tornarem o futuro dessa vila, faz tudo valer a pena, você com certeza é uma das mais belas flores dessa árvore chamada Konohagakure, Hanna...

-É muita bondade sua... – ela sorriu docemente – Mas se estiver tentando me cantar de novo, vou ter que te matar...

Sarutobi engasgou com o tabaco, suando frio.

-Isso foi frio... – ele tossiu pra recuperar a compostura – Enfim, desculpe te chamar aqui, mesmo com a sua aposentadoria das fileiras, e...

-O que aconteceu com Naruto-kun? – ela o interrompeu.

“Direto ao ponto, como sempre...”.

-Você deve ser ouvido os boatos, não?!

-Alguns moradores estão comemorando – o tom dela ficou mortalmente frio agora, como uma calota polar cheia de navalhas – alguma coisa sobre Naruto-kun ser executado... eu não acreditei nisso, notícias como essa são comuns entre os civis...

-Receio que nesse caso, seja um pouco mais sério...

-O que o senhor quer dizer?

O Hokage suspirou, e recarregou o cachimbo com tabaco. Após uma tragada demorada e relaxante, ele disse:

-Há... aproximadamente duas semanas atrás, eu dei uma missão rank C ao time sete, de Kakashi. Por um imprevisto envolvendo as termas – O Hokage corou nessa parte, e Hanna revirou os olhos – Kakashi foi hospitalizado, e Yugao assumiu seu lugar...

-Eu sei dessa parte – A Inuzuka interrompeu – Ouvi Anko comentando sobre Naruto ser colocado como líder da equipe, e como seus companheiros de time desobedeceram uma ordem direta dele, eles foram mandados de volta pra vila e estão cumprindo uma punição ridícula quando deviam estar de volta na academia, ou exilados do serviço por um longo tempo...

-Exatamente, como é do último Uchiha que estamos falando, o conselho foi inflexível. Já deu muito trabalho convence-los a não dar uma punição a Naruto por isso...

-Punir Naruto por isso?! Isso é ridículo Jiji! – Hanna quase gritou – ele estava agindo completamente dentro dos seus deveres, como você pode dar atenção a esse conselho de merda?

Basicamente, o que se repetiu foi a mesma cena que quando Kakashi e Ibiki o inquiriram sobre isso. Hanna estava olhando emburrada pro outro lado, e o Hokage estava precisando de outra mesa... novamente...

-Enfim, pedi que Yugao fizesse relatórios frequentes sobre o que estava acontecendo, e mandei que Kurenai e o time dela dessem apoio a eles na missão, ela poderia muito bem aumentar pra uma rank A.

-Sim, imagino que Yugao...

-Não – O Hokage sorriu nessa parte – Na verdade, o que aconteceu foi que Gathou, que queria tomar controle da vila da onda pelas suas rotas marítimas de comércio contratou um certo nukennin pra dar cabo do construtor de pontes...

Hanna estreitou os olhos.

-O nome dele era Momochi Zabuza – A Inuzuka arfou e ia dizer alguma coisa, mas O Hokage a interrompeu – Naruto o derrotou com uma espada de madeira, e segundo Yugao, saiu da luta sem um único arranhão.

Levou dez minutos pra convencer a Inuzuka que isso era verdade, e não um falso relatório. Se Yugao tinha dito, era verdade absoluta, ela poderia adorar Naruto como se fosse seu irmãozinho mais novo, mas nada impediria ela de ser profissional em seus relatórios. Isso era um fato.

-Bem... se ele conseguiu derrotar Zabuza, imagino que isso o coloque numa posição ruim com a névoa não?! Afinal...

-Não, muito pelo contrário – O Hokage disse, pescando um outro relatório. Esse era feito por Kurenai, assim que tinha chegado e conversado com Yugao – Leia...

Hanna leu tudo, e a cada linha, seus olhos pareciam arregalar mais e mais. Por fim, ela olhou para o Hokage, voltou os olhos para o relatório, e caiu sentada no parapeito da janela.

-Isso é... verdade mesmo?!

-Cada palavra, os relatórios de Anko, que eu mandei pra traze-los de volta, e Yugao confirmam tudo.

-Quer dizer que... Naruto fez um trato...

O Hokage assentiu.

-Com um nukennin...

Ele assentiu de novo.

-Propondo uma aliança entre a vila da névoa e da folha, caso ele ajudasse Zabuza a matar o Yondaime...

Ele assentiu mais uma vez...

-E tudo isso... sem a sua permissão, e sendo apenas um gennin.

Dessa vez Sarutobi riu.

-A petulância desse garoto não tem limites não é?! — ele ignorou o olhar confuso de Hanna – Mesmo Anko, que eu mandei pra trazê-los de volta, passou a acompanha-los nessa missão. Parece que meus ninjas estão cada vez mais problemáticos...

-E o senhor... esta orgulhoso?

Ele sorriu mais ainda, mordendo o cachimbo.

-Claro.

Um longo silêncio permeou a sala, até que Hanna se levantou, e respirou fundo.

-O senhor finalmente caducou, Hokage-sama...

-Que fria... – ele abaixou os ombros, mas logo estava sorrindo novamente, parecia não ser capaz de evitar – Entenda, por mais que eu desaprove as ações de Naruto, você entende a complexidade do que ele fez?

-Quer dizer... um acordo informal entre duas vilas ninjas?! É claro que sim!

-E o que sente sobre isso?

Ela parou pra examinar seus sentimentos por um momento, e ficou surpresa quando notou que estava sorrindo também.

-Eu... não sei ao certo – ela tocou a face confusa – Por um lado, eu quero esgana-lo quando ele voltar, mas... por outro... Eu sinto como se ele estivesse crescendo tão rápido, e tão forte, que não posso evitar ficar contente e admirada.

-Não é?! – o Sandaime voltou os olhos para o retrato de Minato – Do ponto de vista de Danzou, isso não passa de traição, para um shinobi, desrespeitar suas ordens é algo impensável... Mas...

Hanna observou com admiração a expressão daquele velhinho voltar décadas no tempo, era a expressão do Deus dos Shinobi, aquele que conduzia cada ninja da vila como se fosse seu próprio filho.

-Pra mim, é como ver uma criança crescer, de forma esplêndida. Naruto fez algo tão impossível, e continua fazendo, que é surpreendente. Sendo apenas um gennin, ele se envolveu com algo grande como isso... – ele voltou os olhos para Hanna – Se... não... Quando Naruto voltar, não quero saber o que o conselho diga, ele vai ser recebido como um herói, nem que eu precise matar todos naquela sala, e isso inclui Danzou e todos os seus ninjas pessoais. É por isso Hanna, que eu estou mandando você pra Névoa. Não quero que impeça de forma alguma Naruto, quero que o ajude a conseguir essa aliança entre a Névoa e a folha.

Ele se levantou, e Hanna imediatamente se ajoelhou. Apesar de abaixar a cabeça, um sorriso louco não deixava seus lábios. Ela estava excitada, entusiasmada, ela queria gritar e ser ouvida pelo mundo todo.

-Inuzuka Hanna, Presa escarlate da folha, Nidaime Red Death – O Sandaime disse com voz grave – A partir de agora, a missão de aliança entre Konoha e Kiri é oficial, por ordem do Sandaime Hokage, você aceita a missão de eliminar o Yondaime Mizukage Yagura do mundo?! Essa é uma missão rank S.

-Hai, Hokage-sama.

-Muito bem, você esta temporariamente reativada como uma capitã ANBU, e todos os seus privilégios como tal serão concedidos até o fim da missão. Cumpra a missão, mesmo que tenha que matar tudo em seu caminho, espalhe a vontade do fogo e a leve adiante.

-ENTENDIDO! – Hanna gritou, apesar de tudo, ela tinha lágrimas nos olhos.

-O líder dessa operação, pela primeira vez, será um gennin recém saído na academia. Hoje é a primeira vez que um mero gennin vai comandar um time de shinobis de elite, e você estará entre todos eles. Será que posso confiar em você pra seguir cada ordem de Naruto sem questionar, e o auxiliar no que for necessário para cumprir a missão, mesmo que custe sua vida?

-HAI!

O Hokage se ajoelhou na frente dela, e a abraçou. Hanna ficou surpresa por um segundo inteiro, mas o abraçou de volta. Ambos tinham lágrimas nos olhos, que não tardaram a escolher.

-Isso pode ser uma coisa boa, ou uma coisa péssima – O Sandaime disse – talvez possa ser o passo final para uma guerra civil, mas não importa, não vou mais colocar o peso dos caprichos do conselho nas costas dos meus filhos queridos. Volte viva Hanna, e traga todos com você.

-Eu prometo... Otou-sama.


Notas finais
Ta aí, deixem os rewies espertos de sempre, que a velocidade de postagem fica assim...
"Asas batendo, marchas em decolagem, turbinas e jáááá!"
Agora, sem rewies...
"Aquele não é o Gato a jato?"
"É o gato mais mole do mundo"
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Abraço pessoal, tudo de melhor sempre.