Ketsueki No Omoide - Kaen No Rei

14 Especial - A donzela do cristal part 01


Notas iniciais
Antes da história, dois avisos:
Primeiro, quem vier me encher o saco por esse não ser um capítulo novo da história em si, mas um especial pra complementar ela, trave a língua. A fic é minha e eu faço o que eu quiser nela. Eu aceito críticas construtivas, mas dizer que é um saco esperar por novos capítulos e encontrar algo que não é uma continuação direta, e ainda por cima nem deixar rewies nos capítulos normais é algo que eu realmente não tenho que escutar.
Segundo: Pra quem sabe apreciar uma história, pra quem lê com atenção, e pelo menos tenta entender o que esta acontecendo com os personagens e no que esta a volta delas, por favor, sejam bem vindos. São pra pessoas como você que eu me esforço pra escrever capítulos cada vez melhores, e é a opinião de vocês que realmente me importa.
Tendo dito isso, bora pro capítulo.

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Enquanto carregava aquela garota pra longe da mansão/castelo de Gathou, eu não pude deixar de lembrar da minha própria vida. O vermelho suave da sua pele parecia funcionar como um espelho, e nele, eu podia ver a mim mesmo. Apesar do meu reflexo imaginário ser idêntico a aparência daquele corpo, meus olhos estavam queimando profundamente vermelhos, sem que eu pudesse escondê-los. Minhas unhas eram garras afiadas, meus caninos eram presas pontiagudas e atrás de mim, borrando a visão da floresta, eu podia ver ondulações no ar, nove ondulações quase indefinidas que me perceguiam, invisíveis pra todos, nove caudas que ninguém poderia ver.

Corri por várias horas, pulando de galho em galho e tomando cuidado pra não deixar traço algum pra ser seguido, enquanto me embrenhava pela floresta da Onda, tão úmida e fria que a grama no chão estava quase permanentemente coberto de geada. Nesse meio tempo, o céu escureceu, e algumas gotas de chuva grossa caíram, umedecendo meus cabelos e fazendo a pele da garota brilhar carmesin, tão bonita que me atordou por vários segundos. Até o momento, eu não tinha ideia do que estava fazendo, pra onde estava indo ou por que, e também, por que levava aquela criatura comigo.

Foi só quando encontrei uma caverna subterrânea, com a entrada perdida por trás da grama e do barro que parei de correr. Cavando toda a terra pra longe, sem nem pensar em usar nenhum jutsu, eu peguei a garota e gentilmente a puxei atrás de mim, saindo no que parecia uma pequena gruta do lado de fora, mas era bem maior do de dentro. As paredes de rocha não pareciam ter sido escavadas por mãos humanas, ou de qualquer besta, era uma formação natural. As estalactites do teto pingavam água esporadicamente, que tinha formado um pequeno lago dentro da cripta. A escuridão era quase total, e só o reflexo pálido na água impedia o lugar de estar um completo breu.

Lembrando da garota no cristal, eu a peguei nos braços mais uma vez, a trazendo até perto do lago e lavando sua pele, onde eu a sujara com terra. As manchas de barro marrom no seu rosto, e um pouco sobre os lábios, pareciam fazer o impossível e deixa-la ainda mais adorável. Fiquei pensando se teria uma situação em que ela poderia ser descrita com qualquer adjetivo inferior a perfeito, e sinceramente não consegui pensar em nenhuma.

No meio do processo de lavar seus braços com minhas mãos, ela pareceu acordar. Foi um despertar tímido e silencioso, ela tremeu levemente, se mexeu um pouco e abriu os olhos lentamente, bocejando graciosamente. Poderia dizer que ela corou ao notar que estava sendo banhada por um garoto, mas sua pele já era vermelha, então era impossível saber. O tempo todo enquanto eu trazia a água com as mãos em concha até seu corpo, e o alisava suavemente, removendo a sujeira, ela ficou em silêncio. Mesmo quando comecei a limpar seu estomago, e posteriormente, seus seios, ela permaneceu completamente parada. Foi só depois que terminei de limpar seu corpo, e a deixar enrolada em meu quimono que ela falou, enquanto eu lavava meus braços e meu peito com a água do rio, de costas pra ela.

-Você é diferente...

Me voltei pra ela, que me observava com um estranho misto de inocência, respeito e sabedoria. Seus olhos não eram negros, ou vermelhos, ou brancos como eu pensei que seria, por serem os mais comuns em todos os demônios. Eles eram na verdade violetas, um tom violeta extremamente suave que me lembrava os olhos de Kenshin. Se eu não soubesse, diria que aquela garota era uma sacerdotiza...

Mas não, ela cheirava como um demônio dos pés até a raíz dos cabelos.

-Você também — acabei murmurando — É difícil encontrar demônios com olhos dessa cor...

-Então você sabe... O que vai fazer?

-Não sei...

-Vai me matar?

-Não sei... — definitivamente eu não sabia. Eu tinha prometido não matar mais ninguém, mas se aquela garota se tornasse perigosa...

-Vai me estuprar?

-Não...

Ela ficou em silêncio por um longo tempo.

-Qual seu nome?

Passei um longo tempo em silêncio nesse momento, por fim, respondi com um sorriso.

-Chihiro... já foi um nome meu, uma vez...

-Chihiro-sama... é um belo nome. — ela sorriu docemente pra mim, e seus dentes eram mesmo presas afiadas, como as minhas — O meu nome é Ishi...

-Ishi... você esta com fome?

-Fome... ela tocou a mão no estomago — Acho que sim...


Ishi era muito gentil, e seus modos eram os de uma donzela refinada, uma noiva perfeita, eu poderia dizer. Garota daquele tipo geralmente serviam os senhores feudais, seja nos deveres da casa, ou em suas camas, e isso fez surgir algumas hipóteses sobre quem era ela, embora não botasse fé em nenhuma. Ela não parecia mal, mas haviam muitos demônios que, como ela, se fingiam de donzelas assustadas pra devorar os homens depois que eles dormiam.

Tinha certeza que Ishi não era uma dessas. O seu youki, apesar de demoníaco, tinha um cheiro e um toque suave que deixava passar um carinho quase maternal por eles, era muito estranho e agradável de se sentir, e pra mim... estranhamente confortável.

-Estava delicioso, Chihiro-sama – ela deixou as mãos caírem no colo, soltando um suspiro feliz que logo veio acompanhado com um sorriso – O senhor cozinha muito bem.

-Arigato – acenei com um sorriso, minha voz saindo mais baixa e mansa do que eu mesmo esperaria – Desculpe fazer você com as mãos, ou sobre folhas de bananeira, mas eu não tenho nenhuma louça comigo.

-Não, eu agradeço muito ao senhor – ela sorriu tristemente – pela sua gentileza, desculpe por ser um incomodo.

Ela terminou o gesto com uma mesura profunda, e se aconchegou mais no meu quimono, as mãos pequenas e delicadas o envolvendo em torno do seu corpo, enquanto os cabelos negros caíam como uma cascata sobre ele. Olhamos um para o outro por um bom tempo. Até que eu perguntei, quase sem perceber.

-Ishin... quem é você?

Ela deu um sorriso triste, e passou um longo tempo olhando para o fogo, que ardia ameno. O roxo nos seus olhos ficava deslumbrante refletindo as chamas, mágico. A beleza dela estava muito além de qualquer coisa que eu já tinha visto, e o desejo de possuí-la crescia mais e mais forte dentro de mim. O forcei mais pra baixo, e o ignorei, tentando não passar pelas minhas expressões o que se passava dentro de mim.

Mas quando os olhos dela se encontraram com os meus, soube que ela tinha percebido. Envergonhado comigo mesmo, apenas me curvei. Podia ser tolice da minha parte, ou meus sentidos estavam fracos depois de tanto tempo... mas não, era pura bobagem, meus instintos eram tão afiados quanto sempre tinham sido, e dava pra ver claramente que ela não era um simples demônio que usava da sua beleza pra encantar os homens. Tinha algo de muito mais profundo nela, muito mais... solene. Ela era intocável, inalcançável, como se estivesse no alto de um pedestal iluminado, observando todos ao redor dela do alto, mesmo a mim, o demônio mais velho desse mundo, que estava muito abaixo dela.

Eu podia entender o quão triste era ficar sozinha num pedestal. Haviam tantos tolos que desejavam estar no ponto mais alto de todos, tantas pessoas arrogantes que almejavam chegar lá, e agiam como se estivessem lá. Bobagem, eram apenas crianças mimadas sem conhecimento de nada, que não sabiam o que significava... a solidão.

-Gomen – Ishi disse de repente, a voz transbordando de ternura, enquanto ela deslizava os dedos pelas bochechas vermelhas – Por ter esse rosto amaldiçoado, que enfeitiça todos os homens ao meu redor, e causa ódio a todas as mulheres. Todos que possuem esse rosto... são horrendos por dentro.

Observei como os olhos dela marejaram, e as lágrimas escorreram até o queixo, pingando no meu quimono.

-Mesmo quando eu choro, mesmo que sinta dor, mesmo que sinta raiva – ela disse – Ele ainda continua dessa forma, não importa o que eu faça, não consigo mostrar quem eu sou de verdade, por que esse rosto engana todos ao meu redor, é uma máscara de porcelana que eu não consigo tirar.

Não soube o que responder, e por um longo tempo, ficamos observando um ao outro novamente.

-Me perdoe por falar bobagens, Chihiro-sama – ela acrescentou – Eu só queria que todos pudessem ver o meu verdadeiro eu, a criatura vergonhosa que habita dentro dessa casca brilhante, aí todos entenderiam...

Me levantei, e me sentei perto dela, a sua frente. Ishi não fez nenhum movimento pra impedir que eu a tocasse, sabia que mesmo que tentasse possui-la naquele momento ela não o faria, e por mais que um lado meu gritasse pra mim fazer isso, eu o coloquei de lado. Envolvendo meus braços em torno dela, eu a puxei pra mim. Ela pareceu surpresa, e sua face vermelha deitada sobre o meu peito era quente. Aos poucos ela amoleceu completamente, e me abraçou de volta, ambos inclinados um contra o outro. Foi um abraço suave e carinhoso, mas me encheu com uma sensação de paz tão intensa como eu nunca tinha sentido antes.

-É triste, ficar sozinho...- eu disse depois de um tempo, e ela moveu o rosto pra olhar pra mim, nossos narizes quase se tocando – Então me deixe ficar com você.

Ela não respondeu, mas assentiu. Aos poucos, ela foi se virando, até que estivesse deitada contra o meu peito, seu rosto aconchegado no meu ombro, seus longos cabelos negros tocando minha bochecha. Envolvi meus braços em torno dela, sentindo seu corpo completamente relaxado, enquanto pouco a pouco ela caía num sono manso e suave. Fiquei acordado o tempo todo, mas estava completamente desligado da realidade. Todos os meus sentidos estavam voltados para o demônio que descansava como um gatinho no meu colo, pequeno e frágil. Suas pernas escapavam pra fora do azul do quimono, e apesar da vontade de toca-las, não soltei as mãos do tecido que lhe cobria.

A noite passou toda desse modo. Fiquei imóvel pra não incomoda-la, senão apenas tentei me mover conforme ela, pra deixa-la confortável. Em um momento seus lábios roçaram pelo meu pescoço, e foi como se mil choques elétricos me atingissem em frequência. Apertei o quimono entre os dedos, ao ponto de rasga-lo, mas o soltei logo em seguida, controlando minha respiração pra me acalmar. Ela acordou quase no mesmo instante em que os primeiros raios amenos do sol da manhã entraram pela fresta da gruta, incidindo diretamente sobre o lago.

-Ohayo, Ishin...

Ela voltou os olhos pra mim, lindamente confusa por um momento, então toda sua expressão ficou extraordinariamente doce, os olhos brilhando com lágrimas cristalinas.

-Ohayo, Chihiro-sama.

E, se içando pelo quimono, ela afagou meu rosto, e me beijou.

A sensação do beijo dela ultrapassou qualquer coisa que eu já tivesse sentido, era como dormir sobre pétalas de rosa, ou deslizar pela água fria, ou voar através das nuvens. O beijo foi casto e singelo, tão suave que não passou de um roçar de lábios. Ela se afastou, e se virou, envolvendo seus braços no meu pescoço e me beijando novamente. As lágrimas escorreram pelo seu rosto como ela movia suavemente seus lábios nos meus. Minha mente estava em branco, e eu apenas a acompanhava por instinto, sem saber, derramando minhas próprias lágrimas junto com ela. Ishin tomou minha face entre as mãos, e a beijou, minha bochecha, meu queixo, logo em seguida minhas mãos, que ela segurou entre as dela e contra seu rosto.

-Domo Arigato ne, Chihiro-sama.

Afaguei seu rosto, secando as lágrimas, então eu mesmo me inclinei até ela, a beijando suavemente, sentindo o sabor daqueles lábios aquecer minha alma.


Notas finais
Mais uma coisinha importante, essa é a apenas a parte um, o que aconteceu depois... eu ainda não estou certo. Por isso, a opinião de vocês é fundamental. Me mandem ideias, dicas do que poderia acontecer, vocês não tem ideia do quanto isso me ajuda, as vezes, uma ideia que pareça boba pode me levar a ter outra que vai me levar a novos parâmetros da fic. O personagem Ártemis foi criado dessa forma, assim como os lobos do Naruto. Eu realmente levo a sério e peso cada ideia que vocês me mandem, cada uma delas, mas não receber nenhuma as vezes me desanima demais.
Bem, chega de melodrama, um agradecimento especial a todos que comentaram a história, e tão acompanhando ela até aqui. Eu sei que as vezes é chato acompanhar uma história que não ta inteiramente postada, é mais fácil só fechar e procurar outra que esta. Um abraço enorme pra todos vocês, e... jaa na.