Keep it a Secret
1 iComing to Seattle
Notas iniciais
PDV — Sam
Haviam se passado duas semanas após a ida da Cat e do Dice para a Arizona. Esse poderia ser o meu último dia com a Nona, que estava sendo mais legal comigo.
Mesmo assim, eu tinha impressão de que nada iria mudar com a vinda da Cat. A Segunda-feira era mesmo um tédio.
– Chegou essa carta para você, Sam — avisou Nona empolgada.
– Se for cobrança pode ficar para você.
Ela deu um de seus sorrisos irritantes logo pela manhã.
Eu deveria estar estudando em minha 'Escola Virtual', mas aqueles episódios de "Drake & Josh" pareciam ser mais legais. Já a Nona parecia realmente interessada naquelas cartas.
– Essa carta é de Seattle! — disse ela, me entregando um envelope.
Levantei num pulo do sofá e corri para abrir a carta. Mil coisas corriam pela minha mente. Talvez a Carly tenha voltado ou o Freddie mandou novidades da sua recuperação — após ser atacado pelos 'atuns'.
– Você não vai abrir? — perguntou Nona.
– Oh! — Eu realmente estava voando. — Na verdade, estava pensando no que vai ter para o almoço... Mas acho melhor abrir essa carta antes.
Arranco os selos iniciais, sem antes ler quem me enviou. Fico surpresa ao ver que a carta era da minha antiga escola, a Ridgeway.
"Cara Samantha Puckett,
Nossa direção sabe da sua ida para Los Angeles e pedimos atenciosamente que a aluna [Sam] venha o mais de pressa para Seattle para tratar dos antigos problemas envolvendo a Srta.
Diretor: Ted Franklin"
– Só isso? Querem que eu volte para Seattle — falei em voz alta. — Essa história está muito estranha. Por que a minha mãe não me avisou?
– Mas e a Cat?
Eu havia me esquecido da Cat. No meio da nossa conversa o meu PearPhone toca.
– Ah... A Cat está presa!
– O quê!?
Foi um ótimo momento para atender o telefone. Se pelo menos a Nona parasse de me pressionar para que eu explicasse o ocorrido com a sua neta. Eu devia ter contado a verdade ao invés de aproveitar a bondade de uma senhora de idade, mas quem liga?
Eu: Alô?
Dice: Más notícias, Sam. A Cat terá que passar mais cinco meses na prisão.
Eu: O quê? Porquê?
Dice: Ela meio que atirou em dois policiais, achando que ambos carregavam 'Pistolas d' água'. Eu não sei o que deu na cabeça dela.
Eu: Okay, me avise quando souber de mais novidades.
Desliguei o telefone, tensa, e piorou quando Nona se posicionou a minha frente.
– Podemos comer cachorro quente no almoço?
Nona cruzou os braços.
– O que aconteceu com a Cat!?
– Ela foi presa por arrancar os cabelos de um garoto e agora terá que passar mais cinco mesmes por atirar em dois policiais.
Nona pós as mãos na cintura e andou em círculos tentando achar uma solução.
– Certo. Vamos para Arizona agora!
– Eu não posso. Tenho que voltar para Seattle ainda hoje e eu não sou bem-vinda na Arizona.
– Eu dou um jeito! — gritou Nona. Logo em seguida, subiu as escadas para arrumar as malas.
Nunca a vi tão nervosa para a sua idade. De qualquer forma, eu não queria ir com ela visitar a Cat. Preciso descobrir quais "problemas" o diretor Franklin quer resolver comigo.
Peguei a chave da minha moto em cima da mesa e corri para a saída.Lamento muito por ter fugido e mentido para Nona, mas era preciso.
Enfrento um grande engarrafamento a caminho para Seattle. Até que finalmente encontro a minha antiga vizinhança, o velho fedor do lixo na calçada e o vizinho mais próximo fazendo gestos obscenos para mim.
A primeira coisa que fiz, foi largar a minha moto ao lado do jardim e só depois corri para dentro da minha casa, ainda exausta da longa viagem.
– Mãe?
Ninguém responde. Apenas um som alto e um barrulho de centenas de pessoas curtindo uma festa. Isso só podia ser coisa da minha mãe, que nem sequer me avisou da sua volta das férias no México, ilegalmente.
Nocauteio um Dj maluco e faço com que todos calem a boca.
– Todo mundo para fora! — gritei.
Quando a maioria estava saiando da minha casa, me deparo com um magrelo de óculos escuros vindo me enfrentar.
Ficamos cara a cara até ele decidir falar "Oi" ou qualquer coisa.
– Quem é você para mandar na minha casa?
– Sua casa!? — pergunto, tento não rir. — Essa é a minha casa. Da minha mãe, Pam Puckett!
Ele fez um sinal. Dando a entender que a festa tinha acabado de vez. Quando todos saíram, pudemos continuar a nossa conversa.
– Você deve ser a filha da Sra. Puckett. — disse ele. Fico surpresa em saber que ele a conhecia. — Quero que saiba que essa casa foi um presente dela. Tenho até um contrato que comprova isso.
– O quê? Minha mãe te deu essa casa de graça? — perguntei. Quase cai no chão. — Ela surtou?
O rapaz deu de ombros.
– Tudo bem se você quiser dividir a casa comigo. Eu estou precisando mesmo de uma mulher para arrumar as...
–Wow! — Sorri. — Você achou a garota certa para as atividades de casa.
Demos um aperto de mão amigável. Mal sabia ele que eu estava sendo irônica e gentil.
– Prazer, Shet
– Prazer, Puckett — finalizo o aperto de mão. — Sério que seu nome é Shet?
– Sim. Algum problema?
– Não... Acho que não. Fora o fato da minha mãe achar que roupas infantis iram deixá-la mais jovem..
Sorrimos e em seguida fomos dormir. Não consegui o meu quarto de volta. Shet e o seu porco de estimação oculparam antes da 'mamãe' Sam. Tive medo de entrar no quarto de Pam, com medo de que aquelas coisas horríveis ainda estivessem por lá. Optei pelo bom e velho sofá.
Dia seguinte terei que ir ao Ridgeway.
***
O porco do Shet me acordou num dos meus melhores sonhos.
– Que bom que você acordou — disse Shet ligando a TV e sentando na poltrona verde. — Quero ovos mexidos e panquecas para o meu café da manhã.
Revirei os olhos — cheios de remelas.
– Talvez pudéssemos fazer bacon...
Shet tampou os ouvidos do porco.
– Para onde você vai?
– Escola! — avisei, já na saída.
Encontro uma paisagem nublada. E para piorar, a minha moto não estava funcionando, talvez estivesse sem gasolina. O jeito foi ir a pé.
– Que fome! — falei cruzando a rua.
A vontade foi temporária. E em menos de uma hora chego no estacionamento da escola. Para variar, um carro quase esbarra em mim.
– Ei, Sam!
Era o Gibby. Só o reconheci, após sair do carro.
– E ae Kibby...
Ele olhou em volta, mesmo não ligando por ter abominado o seu nome.
– Cadê a sua moto?
– Jogada nos jardins da minha mãe. Talvez ela esteja sem gasolina.
– É... Eu meio que vi você saindo de casa e caminhando até o Ridgeway.
– E porque não me deu carona!? Eu tô morta de tanto andar!
– Você não pediu.
Como se eu tivesse visto aquele pateta andando de carro. A melhor coisa a fazer era resolver o que tinha que resolver com o diretor e voltar para Los Angeles. Sem perder meu tempo com o Gibby.
– O que faz aqui? — perguntei, seguindo até a entrada.
– O mesmo que você — disse ele, fechando a porta do carro. — Recebi uma carta do diretor Franklin.
– Ah! Ótimo.
Nada havia mudado. A Srta. Briggs continuava zanzando pelos corredores da escola. Dessa vez ela estava reclamando de dois alunos que estavam se beijando em frente dos armários.
– Já para a aula! — gritou ela.
Os dois adolescentes correram para lados diferentes e a Srta. Briggs revirou apavorada ao por os olhos em nós dois (Gibby e eu).
– O que fazem aqui!?
– Eu que pergunto — troquei olhares com o Gibby. — Recebos cartas do Diretor Franklin.
– Impossível... O diretor Franklin está afastado...
Seu tom de voz mudou quando falamos das cartas.
– Fala logo o que você sabe sobre essas cartas!
Ela suspirou fundo e contou a verdade.
– O diretor Franklin decidiu conversar com os pais de vocês sobre uma bolsa de estudos para essa escola. Houve um acordo e assim foram enviadas as cartas. Se bem que o diretor até tentou conversar com aquela outra garota morena... Carly Shay, mas ela está na Itália.
– Já sabemos! — falei, de braços cruzados.
Ela continuou a explicação.
– Pelo que eu sei. Esse será o último ano de vocês aqui. — disse ela, se referindo ao terceiro ano do ensino médio.
– Talvez não... — falei, sorridente. Minha vontade era de reptir de ano. — Mas veja pelo lado bom, falta pouco para a senhora se aposentar.
A Srta Briggs não gostou muito da piada e, com muito desgosto, me deu uma prancheta e uma caneta para assinar alguma coisa.
– Venham comigo! — disse ela, andando em direção a quadra da escola. — As entrevistas vão começar em 2 minutos...
– Entrevista? — perguntei.
– Sim! — disse ela, sorridente. — Passamos por muitas mudanças, desde a sua saída da escola. Por enquanto, eu estou no comando.
Na quadra. Foram feitas perguntas banais, coisas que supostamente fizemos nos últimos meses. Não fui presa e nem roubei nada (50 pontos para mim). Fiz "trabalho" solidário para os velhinhos do ' Elderly Acres' e ainda cuidei das crianças (mais 150 pontos para mim). O mesmo aconteceu com o Gibby, assim espero.
– Ótimo... Vocês passaram na entrevista. — disse ela para nós dois, com muito desgosto. — Mas cabe a vocês decidirem continuar aqui ou irem embora.
– Por mim tudo bem! — disse o Gibby.
De repente, todas as atenções voltaram-se para mim. A Srta. Briggs estava na torcida para que eu dissesse "não". Enquanto isso, eu ainda não sabia o que queria. Ter que deixar a Cat para reviver o meu passado.
– Eu continuo! — falei.
– O quê!? — exclamou ela. — Quero dizer... Okay!
Ela deixou um papel informativo para cada um que passou no teste e se afastou furiosa com o seu próprio trabalho.
– Que bom que você vai continuar! — disse o Gibby.
– É... Mas não se anima tanto. Não vou ficar muito tempo por aqui. E eu vou continuar pegando no seu pé e do Nerd...
E a propósito, não o vi pelos corredores. O que deve ter acontecido com ele?
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