Keep Your Head Up
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Oi, é um capítulo curtinho (acho), mas espero que gostem.
São oito e meia e ouço a porta se abrindo. Como minhas costas doiam por ter dormido no sofá. Pude ver que era um enfermeiro. Ele era baixo e tinha os cabelos loiros, tinhas mãos pequeninas e finas e entre elas tinha uma caneta e na outra mão uma prancheta. "Oi, estou aqui pra ver se sua mãe conseguiu dormir bem" "ahn sim sim" digo me espreguiçando e sentindo cada coisa indo pro seu devido lugar. "Ela disse que não conseguia dormir bem, na verdade disse que nem dormir conseguia. Demos um remédio à ela antes de você chegar aqui" "ok sem problemas" digo e ele sorri e sai.
Achei que eles ligariam por causa do emprego, estava aflita sobre isso, não sabia como funcionava, se eles ligavam um dia depois da entrevista, ou se era uma semana, se ligavam quando dava certo e não ligavam quando não te aprovavam.Mesmo sabendo que não podia ligar pra minha irmã, liguei. "O que você quer?" diz ela na defensiva "não quero me estressar com você, te liguei por coisa seria" "olha eu to me arrumando pra fazer um passeio nos monumentos daqui, então fala logo". Me irritei, como ela podia ser tão egoísta? "Olha só, quando você foi lá em casa pra se despedir você nem percebeu a cara da sua própria mãe. Como não pode perceber que ela está cansada e deprimida? Como você pode ser tão egoísta? Meu Deus você nunca ligou pra morte do seu próprio pai, nunca te vi chorar por isso, como você pode não sentir falta? Como você pode só ligar pro seu casamento e pra sua lua de mel enquanto sua mãe está morrendo ou tentando morrer? Meu Deus eu odeio você, eu odeio tanto a sua falta de interesse nas coisas que você acha que não são relacionadas a ti" digo alto e as pessoas no corredor passam a me olhar estranho. "Você pode pelo menos fingir que se importa no que vou te dizer?" digo mais calma. Ela fica em silêncio. Parece que entendeu o recado. E eu contei, contei as partes importantes pra que a história ficasse menor e eu pudesse logo desligar o telefone. "Você quer que eu volte pra aí?" diz ela com a voz tremida tentando ser o mais forte. "Não, não preciso da sua ajuda. Só preciso que se importe com a sua família" e desligo o telefone. Minutos depois me sinto mal e agoniada, me sinto na obrigação de ligar de novo pra ela e pedir desculpa pela minha falta de educação. Mas não vou ligar. De hoje em diante, ela é que terá que se interessar. Meu telefone treme nas minhas mãos e meu coração se aperta e fica um pouco mais feliz, esperava que era ela querendo dizer que voltaria pra casa. Mas não é e mesmo não sendo meu coração se acalma e eu respiro de alívio."Bom dia coisa linda" "bom dia" "tudo bem por aí? o que você acha de nós dois almoçar juntos?" diz ele e posso perceber que ele está sorrindo. "Eu estou tão mal humorada, minha irmã é tão egoísta, ela soube da história e apenas perguntou se eu precisava que ela voltasse. Mas preciso de mais dinheiro só isso, o estoque que ela deixou no apartamento ta acabando" falo sem respirar, "fica tranquila, a culpa não é dela se você pegou toda generosidade que deveria ser entregue a ela" rio forçado e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas. "To sentindo saudades, vamos almoçar ou não?".Estava com uma calça justa preta e um rabo de cavalo, estava só com moletom, mesmo estando um sol que cegava. "Depois do almoço vamos pro Alasca?" ele pergunta e me da um pequeno susto. Ele estava de bermuda e com um moletom "também nem fala nada né, olha pra você" falo isso e dou um selinho nele. No almoço conversamos sobre a avó de adoção dele e como ela estava, ele me mostrou umas fotos da paisagem do morro de onde ela morava e mostrou algumas fotos da sua irmã e de seu sobrinho. "São velhas essas fotos? ou ela já voltou?" pergunto "sim, ela voltou ontem. Eu não sabia de nada. Foi uma surpresa em tanto, nós chegamos em casa as onze e pouco. Eu fui na cozinha e vi meu sobrinho sentado em cima da mesa e minha irmã estava amarrando seus sapatos. Na verdade não era pra ser assim, eles deveriam me dar um susto, mas chegamos um pouco mais cedo e no fim quem deu o susto foi eu". Ele termina a frase e ri de um jeito doce, não pelo que falou mas sim pelo que aconteceu, e eu percebo como seu sorriso era torto. Seus lábios eram finos, sua risada começava alta e ia diminuindo e seus olhos se fechavam enquanto ria. Como alguém poderia fazer outra pessoa tão feliz? eu estava apaixonada e eu não conseguia me conter, sentia flores brotando em meu estômago e meus olhos brilhavam. Ele era tão perfeito. Era tão meu. Ele não sabia da sorte que tinha por me ter, porque eu faria qualquer coisa por ele, e eu também tinha a sorte de te-lo. Era imenso o amor que sentia. Eu me sentia nas nuvens."Me desculpa, você esta passando por isso e eu aqui rindo. Me conte, como está sua mãe?" e eu sai do espaço. "Ela está melhor" não queria falar daquilo, "me mostra mais fotos".E ficamos ali por mais umas horas.
Notas finais
E ai gostaram? Espero que sim, comentem ou apenas continuem acompanhando!! Beijosss.
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