Keep Your Head Up
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Oii, a verdade é que meus capítulos estão grandes e eu realmente não sei como repartir a história certinha, mas enfim...
Espero que gostem!!
Eram 7:36 quando nós duas conseguimos chegar em casa. minha mãe nem conseguir andar, conseguia mais, se sentia fraca e estava com um curativo em seus pulsos. Seus olhos eram mortos e ela estava começando a me dar um pouco de medo.
Oito horas decidi ir tomar um banho e comer algo depois, chamaria o Lucas pra jantar com a gente. Saindo do banho percebo que meu aniversário está chegando. Nunca comemorei, tirando quando era pequena e quem escolhia fazer os aniversários eram meus pais. Eu não gostava e nem me sentia a vontade, mas pensando bem, acho que uma festa seria legal pra minha mãe, quem sabe ela se animaria um pouco. Assim eu espero. Ouço meu telefone tocando e saio do quarto a procura do celular achando que era Lucas. Mas não era, olhei o número e não reconheci, penso que pode ser sobre o emprego. Atendo nervosa. "Oi" e reconheço a voz "por que está me ligando?" "porque me preocupo com a minha família" "da onde está me ligando?" "do celular do Léo" e o silêncio permanece. "Como a mamãe está?" "ela está melhor em relação ao pulso, mas está emocionalmente machucada" "queria poder abraçar vocês, mas aqui está tudo pago pros meses que vamos passar, me desculpa" "esta tudo bem, o único problema é o dinheiro" digo meio rude e ela fica quieta "não posso te mandar dinheiro daqui" diz ela tentando soar o mais doce possível "arruma um emprego" "eu já fiz uma entrevista mas não me ligaram ainda" "aonde? estou feliz por por você. Espero que consiga" e eu conto sobre a joalheria e também sobre Lucas, e ela fala sobre a viajem e eu me sinto mais segura.Digo a ela que deveria ver como a mãe está e ela me pergunta se poderia falar com ela, mas falo que no proximo dia seria melhor e que deveria desligar. Volto a cozinha e não a vejo, vou ao quarto e vejo ela abraçando uma caixinha pintada de preto. Provavelmente ali dentro está as maiores lembranças dos dois. Não me controlo e começo a chorar. Penso em o quanto a vida é triste. Ela te faz nascer, crescer e estudar por anos, te faz criar responsabilidade e maturidade. Te faz perder as pessoas que você chamava de pai e mãe, mesmo não sendo de sangue. Te faz perder seu latido ou miado preferido. Te faz criar outra família pra no fim você ou a pessoa que você passou sua vida toda cuidando e amando morrer, ou assistir outro miado ou um latido terminar em funeral com direito a cartas e lágrimas. Sem tirar que o destino pode te tirar os filhos, irmãos ou irmãs, amigos e tias. Mas no fim seus estudos e conhecimentos, sua riqueza e seus filhos ficam, nada vai com você, você passa sua vida toda tentando não ficar sozinho, tentando encontrar a metade da sua alma e de uma hora pra outra você morre e fica só. Fica sozinho dentro de um caixão ou voar por aí como cinza. Não sei o que acontece depois da morte, quem sabe exista um céu e um inferno, ou quem sabe você relaxe em paz até a interinidade, ou até fique zanzando por aí como um espírito. Mas a morte em si, penso, é uma coisa trágica, não só a morte mas como a vida também.E eu ouço choros. Nossos choros se juntam em sinfonia, e eu a abraço e ela me abraça forte também, sussurra com as poucas forças que tem e diz que não aguenta mais. Digo que a amo, a amo tanto e que não queria perder mais um. Não poderia viver sem ela.Tiro as lágrimas do meu rosto e levanto. A pego pelos braços e coloco ela na cama. Cubro ela e a digo mais uma vez que a amo. Dou um beijo em seu rosto e pego sua mão enrugada e começo a rezar com ela. Não íamos a igreja, nem com meu pai vivo nem com meu pai morto. Meu pai sempre deixou livre a minha opinião e da minha irmã sobre isso, já minha mãe ficava encrencada com ele quando ele falava isso. Minha mãe era bem religiosa mas quando tinha 12 anos perdeu seus pais num acidente de carro e parou de acreditar em qualquer coisa que tinha fé. Mesmo sem nenhum incentivo eu passei a rezar quando tinha uns 10 anos, isso porque tinha minhas crises. Rezava, rezava e rezava nada de bom e ruim acontecia e a situação não mudava, até que descobri que meu pai estava piorando e deveria ir para o hospital, eu rezei com a maior força possível, me agachei e fiquei de joelhos e dizia as coisas baixinho *meu Deus me ajuda, ajude meu pai ajude meu pai, faça ele forte e não tire ele de mim. me ajuda me ajuda, por favor*. E repetia aquilo muitas vezes e acabei chorando. No outro dia deram alta pra ele. Milagrosamente. E eu agradeci muito. Infelizmente meu pai voltou em um mês e depois de alguns outros faleceu. Passei a ter muita fé, mas era só minha, não compartilhava com ninguém. Agradecia e ainda agradeço todos os dias em minhas orações e peço pouco. E agora, nesse momento, peço muito. *A ajude senhor por favor*. E eu no fim peguei no sono.Era cinco e meia da manhã e minha mãe estava andando por aí pela casa, fiquei observando ela pra ver se não ia fazer nada. Minutos depois ela voltou pro quarto e eu pro meu.
Notas finais
Gostaram? Deixem seus comentários, ficarei feliz. Beijos.
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