Kaywal School
1 Jimmy e a carta
Notas iniciais
vai ser meio curto dessa vez :(
Poucas vezes Alis gritava. Os sete anos que exerceu sua profissão de empresária, comercializando com bufões de Braclo e os tiranos de Chial, serviram como um treinamento para os nervos. Mesmo querendo socar seus compradores, não o fazia, respirava fundo e se controlava, para não perder a venda. Mas, quando recebeu o passe de admissão de seu filho ao Centro – de Themeric, o melhor Centro de toda Mafey – não pode resistir. Suas mãos tremeram de emoção ao segurar a lâmina fina de metal da qual um holograma saía. Era uma mulherzinha de terno vermelho, à frente dos muros brancos e grandiosos do Centro. Ela dizia em uma voz cheia de orgulho:
“Nossos sinceros parabéns. James Ferraz, e seu animal, foram aceitos com méritos para iniciar sua formação em Kaywal, o Centro de Themeric. Estaremos aguardando-o dia 6 de janeiro em nosso auditório na cidade. Segue o endereço em anexo à sua lâmina. Os materiais necessários serão fornecidos no próprio Centro. Boa tarde”. Então a mulherzinha voltou à lâmina, deixando uma mãe muito orgulhosa e feliz sozinha na sala de jantar. Leu e releu o texto transcrito no leve pedaço de metal que segurava. Podia reiniciar a projeção, mas não se aguentava de excitação. Correu escadas acima para acordar o filho e os animais. Ainda não se passavam das oito horas da manhã de um domingo. Foi primeiro ao quarto de Jimmy. Abriu a porta de madeira sem bater. O menino dormia embaixo de cobertas grossas, graças ao frio do inverno. Seu leãozinho, Bomir, se enroscou como um gato doméstico aos pés do garoto, apesar de ter sua própria cama enorme naquele mesmo quarto. — Jimmy, querido... – Alis disse, com a voz doce. O menino se remexeu, franzindo as sobrancelhas. Seu cabelo liso parecia um ninho, jogado na testa. – Jim, Jim, acorde... Dessa vez foi suficiente para ambos o menino e o leão se colocarem sentados, vagarosa e automaticamente, como fazem os semi-acordados. Ainda estavam de olhos fechados, pendendo para frente e para trás, como tontos. “Os dois se parecem tanto”, pensou Alis. Pela porta do quarto entraram outros dois leões enormes. Pai e mãe de Bomir, Sodor e Teia. Sodor era grande e tinha a pelagem acinzentada, diferente de Teia e do filho, que eram dourados como ouro. Teia não ostentava a vasta juba de Sodor, por ser fêmea, mas tinha os olhos escarlates como rubis, os quais Bomir puxara. — Bom dia – Sodor disse com sua voz grave e bocejou, se espreguiçando. – Por que essa movimentação toda, neste horário? Ouvimos um grito vindo lá de baixo. — O que está havendo, mãe? – Jimmy perguntou, agora já desperto. Seus olhos castanhos não aparentavam mais sono algum, e sim alguma ansiedade, como se já soubesse o que viria. Bomir voltou a se deitar, não querendo saber de nada disso. — Que bom, estamos todos aqui! – Alis falou e ajeitou seu cabelo castanho, num gesto involuntário – Tenho um pronunciamento! — Bem, diga logo, então, não nos mate com essa ansiedade! – Sodor, seu leão, rugiu. Sempre fora ansioso e impaciente. Bomir puxara isso dele. Estavam ainda mais agitados aquela manhã. Todos esperavam a chegada do holograma de admissão. Talvez finalmente descobririam o destinos dos filhos: ficariam em Themeric, sua terra natal, ou seriam obrigados a se deslocarem para Centros distantes, como, por exemplo, no deserto longínquo de Aspe? — Querido, por favor, mais educação – Teia repreendeu-o. Ele miou e se sentou nas patas traseiras, obediente, embora enorme, magnífico. — Não tem problema, Teia, eu mesmo não me aguentei e soltei um berro. Jimmy e Bomir foram aceitos em Kaywal! O Centro de Themeric! – anunciou e deu um pulinho de felicidade, segurando com as duas mãos a lâmina de metal. Os olhos de Jimmy se arregalaram e Bomir sentou-se num pulo. Os leões rugiram, alto, animados e se acariciaram tocando as cabeças, felizes. Alis estendeu a lâmina para Jimmy. Ele a segurou com as mãozinhas trêmulas e acionou o holograma. A mulherzinha surgiu e repetiu o texto que a mãe já ouvira. Jimmy sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo. Não sabia se gostaria de deixar sua vida fácil em casa para um treinamento intensivo para se tornar Explorador, como o pai. Bem, fora seu sonho desde pequeno, mas, agora, que se tornava realidade não sabia dizer ao certo se apreciava aquela sensação ou não. Como sempre acontece quando chegamos perto de uma boa mudança, claro. Deu uma boa olhada em seu quarto, as paredes pintadas de azul-escuro, cobertas de fotos e pôsteres, o tapete enorme circular que foi palco de tantas brincadeiras com Bomir. Sentiu-se melancólico por uns segundos, até quando sua mãe o chamou para comer panquecas com mel. Animou-se e desceu a escada pulando, com Bomir em sua cola.
Notas finais
o que voces acharam? :D semana que vem tem mais
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