Notas iniciais
Chegamos a uma parte muito importante para esta estória.

Umeko cai sentada no chão após ser desarmada por um golpe de Shiyoru, sua adaga escorrega para longe. Kyoura estava observando os dois treinando, estavam no Coliseu novamente.

Shiyoru: Tem que ser melhor que isso, mesmo com sua Katana vai continuar passando dificuldades contra Demônios fracos se não puder se tornar mais forte com sua Adaga.

Umeko: Não é assim tão simples.
Disse ainda sentada.

Umeko: Você é muito mais forte que eu... ( E ele parece muito mais forte, ele tinha pego leve no teste o tempo todo? )

Shiyoru: ... Força não é tudo.
Ele guarda a espada, seu olhar mudou.

Shiyoru: Eu preciso fazer uma coisa, continuamos depois.

Umeko: Mas...
Umeko levantou-se e ele deu as costas e seguiu em frente.

Kyoura: Não liga não. Somos todos fortes hoje porque ele treinou a gente, você ja é bem forte com a Katana, não tem como te vencer em velocidade. E você enfrentou um Demônio de verdade deve ter ficado nervosa ou alguma coisa, não precisa ganhar dele, ninguém aqui conseguiu, por mais que os caras de longe se deem mal contra o Shiyoru quem chegou bem perto foi o Keijiro.

Umeko: Por que ele é assim?

Kyoura: Uh?

Umeko: Ele parece distante, difícil de entender, precisa fazer o quê? Quando eu o conheci ele parecia diferente e eu não lembro muito bem como o conheci ou onde...
Kyoura percebeu alguma coisa.

Kyoura: ... Umeko você...

Umeko: O que?

Kyoura: ... Nada não... Quer treinar comigo um pouco? Você vai ver que não é tão fraca como pensa.

Umeko: Eu vou atrás dele.

Kyoura: Que?

Umeko: Vou fazer ele me responder algumas perguntas, ele sempre se esquiva quando perguntamos algo sobre ele né?

Kyoura: Sei lá, ele faz isso?

Umeko: Você não tá ajudando Kyoura... Eu vou lá!

Kyoura: ... Er... eu fico aqui... então.
Ela correu de volta para a Catedral enquanto deixava Kyoura lá sozinho, que não sabia o que fazer, ela o procurou pela Catedral gritando seu nome.

Gina: Umeko?

Umeko: Gina viu o Shiyoru?

Gina: Eu acho que tá no quarto dele, por que?

Umeko: Obrigada!
Umeko foi até o segundo andar onde ficam os quartos.

Umeko: ( O quarto dele também fica separado do quarto dos meninos... por que...)
A porta estava entreaberta, Umeko foi cuidadosamente se aproximando e começou a empurrar a porta lentamente até finalmente poder ver o quarto por inteiro, não havia ninguém.

Umeko: Shiyoru?
Ela entra no quarto, não era tão grande mas era espaçoso, havia um colchão no chão com uma coberta azul e havia outro encostado na parede à direita junto à um tapete ciano com uma grande flor branca bordada no meio jogado por cima do colchão. Umeko viu um pequeno armário com quatro gavetas, em cima dele havia uma chave, três estavam trancadas mas a primeira estava entreaberta, ela abriu a gaveta bem devagar, dentro haviam duas presilhas de cabelo com formato de flores brancas de quatro pétalas.

Umeko: Presilhas? São lindas! Será que ele quer presentear algue-
Havia algo mais na gaveta, Umeko encontrou uma flauta azul clara quebrada ao meio.

Umeko: ... Tem pedaços faltando... por que ele guarda isso?

Shiyoru: O que você está fazendo aqui?
Umeko levou um susto que paralisou seu corpo, ainda segurando a flauta quebrada ela só consegue olhar pro lado e ver a expressão séria de Shiyoru alterando-se para de grande espanto.

Shiyoru: Larga isso agora!

Umeko: Eu quero- Quero saber por que suas feridas curam tão rápido!
Ela falava alto.

Shiyoru: Como é?

Umeko: Eu vi! Eu feri você no rosto na primeira luta e na segunda não havia mais corte nenhum!

Shiyoru: Umeko.

Umeko: E por que você guarda essas coisas? O que você esconde!?

Shiyoru: Não é da sua conta.

Umeko: É sim! Por que você se afasta, você se esconde!? Por que você faz isso!?

Shiyoru: Minha vida não foi feita para ser compartilhada COM NINGUÉM!

Umeko: . . .
Ela expressou tristeza e virou o rosto para o chão. Ele se aproxima dela.

Shiyoru: Devolva-me a flauta.

Umeko: ... Essas presilhas com certeza não são suas.

Shiyoru: . . .
Ele suspira.

Shiyoru: Se quer tanto assim pegue-as pra você.

Umeko: Pra estarem trancadas aqui você não me daria.
As palavras de Umeko causaram certo efeito na postura dele, ela estava certa.

Umeko: Quando eu penso no meu passado... eu sinto dor. Não consigo lembrar de pessoas que gostassem de mim e de quem eu gostasse, eu sinto... solidão... e isso machuca muito... eu não consigo lembrar de nada... só sinto essa... dor no peito... posso não lembrar de ninguém mas lembro de quem eu sou, e eu não escolhi ficar sozinha desse jeito. É por isso que me preocupo com você, porque você se exclui por conta própria, você quer ficar cada vez mais sozinho, e eu não desejaria isso pra ninguém...

Shiyoru: . . .
Ele fecha os olhos, mesmo tendo sido escolha dela ele sente culpa por ter guardado suas lembranças das pessoas em Exar.

Umeko: Essas presilhas... são da sua mãe? Irmã? Só quero entender porque...

Shiyoru: . . . Nunca conheci meus pais, nem ninguém da minha família.

Umeko: Então... quem...

Shiyoru: . . . Eu passei minha infância morando em Exar, uma família humilde havia me adotado, mas o seu filho de sangue recebia todos os mimos, e tudo o que ele fazia de errado eu levava a culpa, eu era submisso. Depois que crescemos um pouco o garoto começou a me confrontar e me bater, uma fúria gigantesca havia se acumulado dentro de mim, junto com uma força inexplicável...

Umeko: . . .
Ela prestava atenção preocupada.

Shiyoru: Eu o matei Umeko, quebrei o pescoço dele com minhas próprias mãos, e matei os pais dele, uma criança normal não seria capaz disso. Depois todos no bairro me chamaram de monstro, carregando tochas... eu só lembro de um clarão e que quando acordei não havia mais nada, mas tinha certeza que eu era o culpado, dizimei o povo e o bairro inteiro, eu fiquei lá sentado em meio às cinzas por dias... Até que o Velho Sábio surgiu e me convenceu a vir pra Gênesis, ele sorriu e disse que eu não o mataria. Eu sou um monstro Umeko e não quero que você se aproxime demais, não sei o que vai acontecer com você e os outros se o fizerem.

Mesmo espantada ela manteve-se firme e insistiu.

Umeko: ... Isso... não é tudo. Você não me contou sobre as presilhas de flor branca e a flauta...
Shiyoru respirou um pouco, era a primeira vez que se viu forçado a abordar o assunto.

Shiyoru: Tudo bem... O Velho Sábio me ensinou a controlar a raiva, e me ensinou muita coisa sobre Gênesis. Foi à sete anos atrás, eu provei frutas que nunca tinha visto antes, até treinei tiro ao alvo com arco e flechas. Quando eu lembrava do que tinha feito em Exar e tinha pesadelos com aquilo, ele conversava comigo, prometeu que não ia acontecer de novo. Um ano depois ele disse que precisava fazer algo, então fiquei sozinho na Catedral.


(Seis anos atrás. No dia seguinte em que ele havia saído para resolver algo o Sábio havia retornado. Eu estava sentado na grama do lado de fora da Catedral observando as nuvens e o vi chegar, levantei e corri até o portão, ele subiu pelo caminho até a Catedral.)

Sábio: Olá Shiyoru, eu voltei.

Shiyoru: Olá Sábio!

Sábio: Tem uma pessoa que precisa conhecer.
(Havia uma garotinha se escondendo atrás do Velho Sábio, foi a primeira vez que vi uma garota da minha idade, ela foi largando o manto dele devagar até que se apresentou, ela tinha cabelos lisos azuis claros e olhos cianos.)

Sábio: Ela será uma Karmaniana assim como você. Vamos, apresente-se.

Shiyoru: Er- Meu nome é Shiyoru Tachibana.
O nome dela era...

Garota: ... Hihi, eu me chamo Saeko Yukibayashi, o Sábio disse que podemos brincar bastante.
(...Saeko.)

Notas finais
Shiyoru está para revelar seu maior segredo, o que será que aquelas presilhas e uma flauta quebrada significam?