Karma X A Lenda dos Escolhidos
10 Capítulo 10 A Segunda Escolhida
Notas iniciais
(Saeko Yukibayashi era o nome dela. Nós corríamos pelo campo gramado, observávamos as nuvens, o Velho Sábio nos instruía, líamos livros da biblioteca sobre Genesis e lutávamos com espadas de bambu, desde pequenos ela sempre me vencia.)
Shiyoru foi derrubado por Saeko, caindo sentado no chão.
Shiyoru: Ai... Como você é tão boa nisso?
Saeko: Eu vou ser a maior heroína de toda Velnebran! Não, do mundo TODO!
Disse ela com a mão esquerda na cintura, apontando a espada de bambu para cima.
Sábio: Fico feliz em ouvir isso.
(Uma vez por ano ela voltava com o Sábio para sua terra para ficar uns dias com sua família.)
Saeko e o Sábio se despediam passando pelo portão da Catedral, e Shiyoru acenava do lado de dentro.
Saeko: Tchau Shiyoru! Eu já volto!
(Um dia eu acordei de manhã ao ouvir um som de flauta, vindo de trás da Catedral, eu fui lá pra ver e lá estava ela soprando sua flauta, eu nunca vou esquecer aquela melodia.)
Saeko estava à beira do penhasco tocando sua flauta.
Shiyoru: Não sabia que você tocava flauta.
Saeko: Ah, bom dia Shiyoru.
Shiyoru: Bom dia.
Saeko: Eu aprendi em segredo, é uma música que minha mãe cantava pra mim. Eu toquei isso no aniversário dela, ela ficou tão orgulhosa...
Sábio: Saeko!
O Sábio havia acabado de chegar, seu rosto demonstrava preocupação e ele segurava uma carta. Saeko andou até o Sábio, abriu e leu a carta, em seguida ela veio correndo na direção de Shiyoru e mostrou a ele.
Saeko: É da minha irmã, algo aconteceu com meu pai. Desculpa Shiyoru eu tenho que ir mais cedo dessa vez.
(Eu consenti sem dizer nada. No dia seguinte fiquei o dia todo do lado de fora da Catedral esperando ela voltar, ela já ia até sua casa sem o Sábio.)
Era quase noite quando ela havia chegado, olhou para Shiyoru parado em sua frente em meio ao campo gramado com olhos escorrendo em lágrimas, ela o abraçou forte repentinamente, chorando. Shiyoru nunca havia sido abraçado antes, nem fazia ideia da dor que ela sentia, ele simplesmente a abraçou de volta pensando que devia ser o certo a se fazer.
(Havia tido uma enchente na cidade, uma tempestade abriu um buraco na parede de pedra da reserva, o pai dela havia morrido.)
Eles se sentaram próximos a uma única árvore linda à beira de um penhasco, que ficava atrás da Catedral, Saeko escondia o rosto atrás das mãos após ter contado tudo para Shiyoru.
Shiyoru: Pelo menos você teve alguém que te amava...
Saeko imediatamente tirou as mãos do rosto e parou de soluçar, ela então olhou-o nos olhos.
Saeko: O que... aconteceu com seus pais?
Shiyoru: Nunca os conheci. A única pista do meu nome que eu tenho era uma carta borrada, e foi o Sábio que me disse que eu sou um Tachibana e ainda não sei o que isso significa.
A história dele fez Saeko perceber que talvez Shiyoru já sofresse a muito mais tempo que ela, ela não era a única com algo triste para contar, ele nem mesmo sabe o que é perder um pai, ou ter um. Sem querer ela olha para o céu estrelado e se distrai.
Saeko: Nossa... nunca tínhamos parado pra ver o céu à noite, as estrelas daqui são lindas.
Shiyoru: Na sua casa não é assim?
Saeko: Não. . . Obrigada Shiyoru, já me sinto melhor. . . Eu já tinha conversado com a minha irmã mas... acho que eu precisava desabafar melhor.
Shiyoru: ...Eu não fiz nada, só fiquei ouvindo.
Saeko: Huhu, eu sei. . . A gente devia vir ver as estrelas de novo outro dia.
Shiyoru: É. . . Sinto muito pelo seu pai.
Saeko: Não... ele foi um herói Shiyoru, ele salvou dezenas de pessoas antes de perder as forças. Eu tenho que ter orgulho dele, e ser igual ou até melhor que ele, porque ele era meu pai, e é o que eu vou fazer.
Shiyoru olhava ela dizer aquilo com admiração. Outro dia, de onde pararam, estavam novamente se preparando para batalharem no Coliseu.
Saeko: Mais uma vez, não pegue leve comigo.
Shiyoru: Se eu fizesse isso não estaria ajudando você a se tornar uma heroína incrível.
Saeko guardou bem aquelas palavras.
Saeko: Aqui vou eu!
Quando a luta terminou, Shiyoru havia sido desarmado e derrubado novamente.
Shiyoru: Au, você é mesmo incrível... sempre que acho que vou conseguir... não sei mais se é possível.
Ela se aproximou e deu a mão para ajudá-lo a levantar.
Saeko: Sempre que caímos nos levantamos mais fortes.
Shiyoru: ...Hã?
Saeko: É uma frase que minha irmã diz pra mim sempre que ela me vence. Tudo que eu sei foi ela que me ensinou.
Ele segurou a sua mão e ela o puxou para ele se levantar.
Shiyoru: Ela treinou você?
Saeko: Ela é muito mais incrível que eu... mais incrível que meu pai...
Shiyoru: . . .
Saeko: ...Posso até superar meu pai mas acho que nunca vou superar a minha irmã mais velha, acredito que essa frase que ela me diz ela tenha dito mais mil vezes pra ela mesma, ela quer dizer pra nunca desistirmos, e pra superarmos nossos limites.
Shiyoru: Dizendo assim ela parece mesmo incrível.
Saeko: Mulheres são proibidas na guarda, ela se infiltrou como um soldado mas quando descobriram um Capitão a ameaçou, ela o derrotou sozinha e isso convenceu o Imperador a torná-la um soldado da guarda. Ela vai ser muito mais que incrível eu tenho certeza.
Mais tarde, na noite do mesmo dia, eles se deitaram no gramado em direções opostas mas com as cabeças ao lado um do outro, observando as estrelas.
Saeko: É lindo...
Shiyoru: É sim. Queria que esses dias durassem pra sempre.
Saeko: Como assim?
Shiyoru: Um dia eu vou ficar velho e não vou conseguir me levantar se eu deitar aqui.
Saeko: Hahahahaha! Não, eu acho que você vai ser bem saudável. Falando em envelhecer, nunca pensamos nesse assunto também. No dia que eu cheguei aqui chorando, eu tinha esquecido completamente mas era meu aniversário.
Shiyoru: Jura?
Saeko: Aham, haha. Eu tenho catorze anos agora. E você quantos anos tem e quando faz aniversário?
Shiyoru: Eu... não sei.
Saeko: Ah... eu...
Shiyoru: Sem problema. Talvez eu também tenha catorze.
Saeko: Ei. . . Se algum dia você descobrir algo sobre seus pais e seu passado. . . eu quero que você me conte tudo, e me abrace e chore como eu fiz com você.
Shiyoru: Hmhm, ok.
Saeko: E que você tenha orgulho deles também.
Shiyoru: . . . Só de pensar, parece que vou levar uma eternidade pra descobrir.
Saeko: Parece uma aventura perigosa, pode acreditar que eu vou com você.
Shiyoru sorriu.
Shiyoru: Certo, então um dia com certeza eu descubro.
Saeko: Ei... me promete uma coisa.
Shiyoru: O que?
Saeko se virou para ele e ergueu a cabeça da grama se apoiando pelo cotovelo.
Saeko: Sempre que... sabe, somos Karmanianos e tal. Então, sempre que estivermos em perigo... eu quero que você me proteja, assim eu protejo você... É uma promessa.
Shiyoru ainda deitado a olhava nos olhos.
Shiyoru: . . . Eu prometo... não vou deixar nada acontecer com você.
Saeko docilmente sorriu de volta, e então apoiou a cabeça novamente na grama para voltarem a admirar as estrelas. No dia seguinte o Sábio havia lhes dado a missão de encontrar dois possíveis escolhidos que se encontravam em um vilarejo, Shiyoru encontrava-se depois da entrada para o campo gramado da Catedral, e de repente Saeko o abraça por trás, ela o pegou mesmo de surpresa dessa vez. Ela ria, ele admirava o quão alegre ela era, logo ele também sorriu.
Shiyoru: Não faça isso, vai acabar me derrubando um dia.
Saeko: Hihihi.
Shiyoru: Pronta?
Saeko: Pronta!
Shiyoru & Saeko: KARMA!
Os dois se transformam trazendo a tona suas armas e seu uniforme Karmaniano.
Shiyoru: Vilarejo Fllora, aí vamos nós.
Fim do Capítulo
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