Em quanto isso Karla estava no seu cativeiro, sem comida nem água, e o cara não apareceu desde aquela hora. Mais na hora que Karla estava pensando nele, ele entrou pela porta com comida e água.

- É para você, menininha.

- Obrigado.

- Pelo que?

- Por me trazer comida.

- Quando se é pequeno tem que comer. E também assim você não fica mal humorada e desidratada para responder as minhas perguntas.

- Eu só te peso um favor, tira esse capuz.

- Ta bem, só que você tem que me prometer que vai responder todas as minhas perguntas.

- Tá.- Depois que ela respondeu, ele tirou o capuz.- Marsoloti Dolovote.

- Olha, pelo jeito você me conhece.

- É, não é fácil esquecer quem entregou seu amigo inocente, assassino, e acima de tudo, um cara que tem mal gosto para feitiços, que pela mor de Deus.

- Cala a boca! Você disse que iria responder minhas perguntas. Então lá vai, você pegou um papelzinho no livro de feitiços?

- Que papelzinho?

- Então você não pegou?

- Eu não disse que não peguei, eu só perguntei que papel.

- Você está me enrolando menina.

- Enrolando com o que? Eu nem posso comer direito.

- Enrolar com o seu papinho, e me dá o braço que eu desamarro para você comer.

- Obrigado.- Disse depois que ele tirou as cordas. Ela começou a comer e ele ficou olhando.- Quer um pouco?

- Que?

- Você quer um pouco da comida?

- Não, não pode comer.- “O que tem essa menina? De uma hora para outra ela decide ser legal? Ela deve estar escondendo alguma coisa.”

Ela comeu toda a comida e bebeu toda a água. Ele foi levar a comida para algum lugar e quando voltou, foi para frente de Karla e a encarou. Ficou lá durante um tempo então disse:

- Então, vai me responder se você viu o papelzinho no livro ou não?

- Eu já disse, eu não vi. E alem disso para que é aquele papel?

- Não te interessa.

- Olha, eu não posso te ajudar se você não me contar sobre que é.

- Tá bom, é para eu ficar invencível.

- Mas não dá para ficar invencível.

- Há é? Então me dá o papel que vamos descobrir.

- Eu não peguei papel nenhum.

- Eu vi você colocando no bolso.

- Então por que não pegou e foi embora? Por que você me prendeu aqui?

- Para mostrar á não se meter aonde não é chamado.

- Cadê minha varinha?

- Por que você quer saber? Você não vai conseguir sair daqui mesmo com a sua varinha, não vai adiantar fazer nenhum feitiço para sair.

- Eu não vou fazer feitiço. Eu só a quero aqui no meu lado, é que quando fica noite, tenho medo do escuro.

- Há, tudo bem, eu te devolvo a sua varinha hoje a noite, mas amanha de manhã eu pego ela de volta.

- Tá, tudo bem.- Disse ela com um pouco mais feliz sabendo que ele não é tão mal quanto parecia ou será que ele estava fingindo para ela responder suas perguntas?

- Eu posso, pelo menos, andar pelo quarto?

- Claro.- Disse ele desamarrando a corda da perna de Karla.

- Obrigado.

- Ora, eu não tenho com o que me preocupar. Você não vai conseguir sair daqui mesmo.- ele deu um sorriso e se afastando de perto de Karla, saindo do quarto e deixando ela lá sozinha, pensando na vida, como que ela sairia dali? Ou como ela conseguiria mandar uma mensagem para seus amigos?

Ela ficou pensando, nem sabia há quanto tempo ela estava lá, mais sabia de uma coisa, seus amigos estavam à sua procura. Ou será que não? Será que eles nem perceberam a sua falta? Ou será que eles já tinham conversado com os professores e estavam á procura dela? Mais ela não sabia, não sabia nada que acontecia no mundo bruxo; na verdade, não sabia nada que estava acontecendo no mundo inteiro.

Passaram-se horas e horas, e então Dolovote voltou, aparentemente com o jantar. Na hora que ele entrou Karla estava andando pelo quarto, pensando e levou um susto quando ele abriu a porta. Ele entrou e deixou a comida na mesa, nessa hora Karla já tinha se virado de novo para contemplar um quadro que tinha lá.

Era um homem, cabelos pretos e uma barba curta e bem feita, olhos azuis e uma pele branca. Suas vestes eram antigas, muito bonitas, verde e prata. Usava uma pulseira muito bonita, com serpentes verdes penduradas em toda a volta dela. Enquanto ela ficou contemplando, Dolovote foi chegando de fininho atrás dela.

- Bonito esse quadro não é?- Perguntou.

- É, bonito mesmo. Quem é?

- Esse é o fundador da Serpis, meu ancestral.

- Serio? Pensando bem, ate que você parece um pouco com ele.

- Como assim?

- Ora, ele não é seu ancestral? Então você se parece um pouco com ele. Seu cabelo, seus olhos. Só que eu tenho certeza que ele não sequestraria uma criança, mais acho que ele se orgulharia com você. É por parte de pai ou de mãe?

- De pai, minha mãe era trouxa.

- Quem escolheu o seu nome?

- Minha mãe. Eu nasci eles ainda estavam juntos, então quando eu tinha cinco anos de idade, meus pais se separaram, e como ela não tinha como cuidar de mim,ela deixou que meu pai me levasse com ele.

- Coitada.

- Por quê? Por ter me largado sem dó?

- Não, por ter que perder o único filho que ela teve. E tenho certeza que se ela tivesse escolha, ela não largaria você.

- Como pode ter certeza? Você não a conheceu.

- Não precisa conhecer uma mãe para saber que ela nunca se separaria dos filhos, se tivesse opção.

- Quem disse que ela não tinha opção? Ela poderia ficar comigo mesmo sem ter nenhum dinheiro nem teto.

- Ela só queria o melhor para você.

- Se ela quisesse, não tinha se separado do meu pai.

- Você já a procurou depois que você se formou?

- Sim, só que ela tinha morrido iria fazer uns três anos.

- Que pena.

- É. Agora vai falar onde está o papel ou não?

- Você vai me falar para que você quer ele?

- Eu já disse, quero para me tornar invencível.

- E eu já disse que não dá para isso acontecer.

- Então me dá o papel.

- Me dá minha varinha.

- Se você me der o papel, eu te liberto.

- Tá, me dá minha varinha que te dou o papel e você me liberta.

- Combinado.- Ele deu a varinha e Karla pós a mão no bolso para tirar o papel, só que não tinha nada. Ela procurou em outros lugares, nos outros bolsos e nada. Ela olhou para Dolovote que estava olhando para ela.

- Bom eu acho que você me enganou.- E dizendo isso levantou de sua cadeira, pegou a comida que ele trouxe e saiu, Karla tentou impedi-lo, falando que ela tinha pego o papel, só que não o achava agora. Ela também implorou que ele deixasse a comida, só que ele não escutou e fechou a porta na cara dela.

Ela ficou lá, chorando, encostada na parede, sem comida, sem água, a única coisa que sobrou foi a sua varinha e a tarefa de achar o papel que ele tanto queria. Ela ficou pensando aonde poderia estar aquele papelzinho e resolveu que o melhor jeito era procurar em todos os cantos daquele quarto.

Notas finais
Bjs, bjs.