– Ai como você é engraçado — eu dizia para um mercador idiota que aposto que nunca fora cantado por uma pirata antes. Estávamos num beco pouco iluminado e ele falava coisas absurdas, mais absurdas do que histórias de piratas.

– É verdade, aquele pirata enorme veio e eu disse: "não! Sem dinheiro, sem mercadoria" — ele fazia uma cara séria enquanto estava completamente bêbado e eu fingia rir, até parece que um pirata valentão ia se render à esse magricela com olhares covardes.

– Nossa, você é tão corajoso. Mas então, nós vamos fazer amor na sua loja? — eu disse passando a mão pelo peito dele.

– Não, vamos para o meu quarto, que é em cima da minha loja, quero que se sinta confortável quando eu ir gostoso em você.

– Hum... que cavalheiro você — eu disse enquanto ele abria a loja.

– Aposto que os piratas com que saiu não são tão carinhosos assim, não lhe tratam como uma rainha — ele dizia abrindo a loja.

– Na verdade, eu não gosto de camas — eu disse entrando na loja e subindo no balcão. — Eu quero que você me consuma aqui, nessa bancada — eu chamei ele abrindo as pernas.

– Com certeza — ele disse animado demais, pude sentir sua pulsação forte.

Ele se aproximou de mim, coloquei o dedo em seu lábio, brincando com ele, de repente uma garrafa quebrou na cabeça dele e ele desmaiou.

– Chega, né? — disse Jack.

– Ah, estava ficando tão divertido — eu disse passando para o outro lado do balcão com uma cara sexy.

– Sei, não achei nada divertido — disse Jack vigiando a porta.

Abri o caixa e vi muitas moedas.

– Oba, moedas, moedas, moedas — eu disse super animada pegando-as e colocando-as em um saco. — Aqui está nossa passagem para Siracusa!

– Sim, sim, então vamos embora antes que ele acorde.

Jack e eu saímos da loja e fechamos com cuidado. Escondi o saco de moedas em meio à minha roupa e quando passavam pessoas, ele me jogou na parede do beco, ficamos nos olhando por um tempo.

– O que foi? — perguntei dando uma risadinha.

– Nada — ele disse rindo.

– Conheço esse olhar Jack Sparrow — eu disse passando o dedo nos lábios dele.

– E eu conheço esse senhorita — ele disse passando a mão entre os meus seios.

– Vai me levar pra cama com carinho? — eu disse fazendo beicinho.

– Como se você gostasse desse jeito — ele disse rindo e eu ri com ele.

Saímos então do beco e fomos encontrar com Kyle e Rato. Fomos até um outro navio do porto, que era comandado pelo Capitão Frankie, ele nos disse que sabia chegar nos mares nórdicos, mas que não se aproximaria da cidade de Siracusa. Eu não me importei com isso, afinal, era só nos emprestar um bote e chegaríamos com facilidade. Pagamos a ele vinte moedas e subimos à bordo. claro que ele havia cobrado mais, mas Kyle fez com que a quantidade fosse menor devido ao seu poder intimidador.

Subimos à bordo e tivemos que aguentar alguns dias de viagem com aquele Capitão esquisito que toda hora dava em cima de mim, dizendo que eu era muito mais que uma prostituta, não sei definir se isso era mesmo um elogio ou não. Jack estava com agonia daquele navio porque ele não podia ficar um segundo a vontade que o Capitão se aproximava, além de ele não poder ser um Capitão ali também.

Foi então, em que um belo dia eu vi um navio com tons de azul turquesa, era maravilhoso.

– Ali! Um navio de Siracusa! — eu disse apontando.

– Como sabe? — perguntou Jack.

– Parece com o que me lembro do navio do meu tio — eu disse.

– Então vamos segui-lo — disse Jack animado por finalmente poder sair daquele navio.

– Não, eles irão nos atacar — disse Capitão Frankie.

– Vou até lá conversar com o capitão, quem sabe eu o conheço? Quem sabe é meu tio?

Jack me olhou desconfiado e eu dei uma risadinha e o beijei.

– Relaxe meu querido, eu ficarei bem e você sabe disso.

Ele ainda estava desconfiado, pulei então no mar. Jack estava receoso da nossa ida para Siracusa, ele tinha medo de eu querer ficar por lá devido ao fato de meus pais serem de á e de eu praticamente ser da família real. Não acho que eu me adaptaria, eu amo ser pirata e ali eu ficaria presa e parada e cheia de deveres, isso não é a minha praia. Cheguei então no navio e comecei a escalar e subir à bordo, onde fui recepcionada por espadas. Levantei meus braços.

– Parolá — eu disse sorrindo e eles me levaram até a cabine do Capitão que era tão linda quanto o restante do navio. era um navio perfeito, mais bonito do que qualquer navio riquinho de Port Royal.

– Podem nos deixar — disse o Capitão que estava de costas.

Os marujos seguranças saíram e fecharam a porta. O Capitão se virou, ele era muito charmoso tenho que admitir. Seus cabelos eram castanhos e levemente enrolados, o que dava um charme muito maior. Seus olhos eram verdes brilhantes, sua blusa azul ressaltava ainda mais o verde de seus olhos e seu sorriso era uma linha tão perfeita que parecia desenhado.

– O que deseja com o Parolá? — ele perguntou de maneira cortês.

– Me desculpe — eu disse acordando do encanto de sua feição. — Vim de longe para me encontrar com Proteu.

– Proteu? — ele me olhou desconfiado.

– Sim, o embaixador, ou príncipe, eu não sei muito bem os nomes, mas... ele é meu tio, sabe.

– Seu tio — ele me olhou mais desconfiado ainda.

– Sim, eu sou a Capitã Kaos, filha de Simbad e Marina. Minha mãe Marina era embaixatriz.

– Marina? — ele me olhou apertando os olhos.

– Sim, conheceu a minha mãe? — perguntei animada.

– Não sei se acredito em sua história.

– Bom... acho que sei coisas suficientes como o Livro da Paz ser roubado por Eris a deusa do caos e o tio Proteu tomou o lugar do meu pai para que ele buscasse o livro e quase morreu, mas meu pai chegou a tempo e...

– Tudo bem, eu te escolto até a cidade e Proteu dirá se te conhece ou não, combinado?

– Sim — eu disse animada. — Só que... eu tenho mais três amigos para vir comigo, eu poderia chamá-los? — ele me olhou com a cara ainda mais suspeita.

– E prometo a você que eles não vão saquear o navio e nem a cidade. Não tenho motivos para saquear Siracusa — eu disse com um sorriso, olhando-o nos olhos e ele ficou um tempo olhando nos meus e deu uma risadinha.

– Tudo bem, chame seus amigos — ele disse por fim.

Saí da cabine e fui até a borda do navio. Estiquei meus braços, balancei e os chamei para o navio. Vi o pequeno bote descer do navio, remado por Kyle e chegando ao navio de Siracusa do Capitão do qual eu percebi que ainda não sabia o nome. Eles chegaram. Jack subiu primeiro e Kyle por último.

– Esses são Kyle e rato, meus marujos e esse é o Capitão Jack Sparrow.

– Bem-vindos à bordo, espero que se comportem, em breve estaremos no porto de Siracusa — ele me interrompeu quando eu ia dizer uma coisa ainda.

O Capitão se virou e voltou para a cabine.

– Meio esquisito, você não acha? — Jack perguntou baixo pra mim.

– Sim, na verdade eu o achei completamente esquisito. Todo... misterioso, sei lá. Nem me disse o nome dele. Mas, pelo menos, estamos indo para Siracusa — eu disse sorrindo e depois o sorriso sumiu do meu rosto. — Pelos deuses, estamos indo para Siracusa — eu disse em pânico.

– O que foi?

– Eu nunca pisei em Siracusa e meus pais são de lá e se o tio Proteu não se lembrar de mim, nós nos conhecemos eu tinha três anos, lembro apenas do sorriso dele e do cabelo comprido, isso por causa dos meus poderes. Com certeza eu mudei muito. Estou nervosa — eu disse apertando minhas mãos.

– Relaxe, vamos apenas pedir um navio e ir embora — disse Jack pegando em meus ombros para que eu me acalmasse.

– É... — eu respondi pensativa. Era só isso mesmo que eu ia conseguir fazer? Seria apenas pedir o navio depois de muitos anos sem ver meu tio?

Algum tempo depois chegamos no porto de Siracusa, onde havia uma grande recepção. Jack, Kyle e Rato ficaram um pouco intimidados e eu fiquei muito nervosa e meu coração começou a disparar com força, meu sangue era daquele lugar, completamente daquele lugar, minhas origens estão aqui, na pobreza e na realeza de Siracusa.

– Capitã?

Me virei e vi o Capitão Sem Nome me chamar. Ele me ofereceu a mão como um cavalheiro.

– Eu consigo descer do navio sozinha — eu disse achando aquilo ridículo.

– Você é filha da Embaixatriz Marina, não posso deixar que desça sozinha — ele disse de modo cortês.

– Mas ninguém sabe disso — eu disse baixo.

Ele não respondeu e ainda me oferecia a mão. Revirei os olhos e suspirei pesadamente. Entreguei minha mão a ele e descemos do navio daquele modo ridículo.

– Meu filho! Como é bom vê-lo de volta a salvo — disse um homem alto de maneira cortês abraçando o Capitão Sem Nome. Ele tinha os cabelos longos e me lembrava muito o tio Proteu, seria ele? Ele estava com os cabelos começando a ter mechas brancas e sua roupa era longa com calças estufadas e um pano atravessado no braço. Era praticamente toda azul em tons diferentes.

– Pai, encontrei uma pessoa interessante no caminho de volta — disse o Capitão Sem Nome e ele esticou a mão para mim. Assim que o pai dele me olhou, ele ficou em choque.

– Você... você não me é estranha. Eu conheço esses olhos de algum lugar — ele disse e eu engoli em seco, eu estava muito nervosa.

– Meu... meu nome é... Kaos — eu disse sem conseguir respirar direito.

– Kaos? — ele ficou pensando por um tempo e depois se assustou, levando a mão à boca. — Não pode ser... só conheço uma pessoa no mundo que chamou a filha de Kaos... você... você é...

– Filha de Simbad e Marina — eu disse e pude ver os olhos dele brilhar com lágrimas. Ele me puxou e me abraçou forte. Aquele abraço me assustou, mas devo confessar que foi muito bom — Olá tio Proteu — eu disse dando uma risadinha e um tanto emocionada.

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Tudo bem, Kaos é filha de Simbad e Marina, mas como o Capitão Jack Sparrow foi parar no meio dessa história como amante de Kaos? Conheça a origem da história entre Kaos e Piratas do Caribe em Kaos — A Filha de Simbad