Notas iniciais
Kaos, Jack e Mario foram para a ilha, mas parece que ela não está completamente deserta e mesmo Jack e Kaos terem conseguido escapar, parece que o despreparado Mario foi capturado novamente e agora Kaos não pode deixar que o filho de Proteu para trás para morrer.

Eu estava correndo no meio da floresta, com um monte de galhos na minha frente. Tentei empurrar todos do meu caminho. Eu não sabia se podia parar de correr ou não. Decidi dar uma olhadinha para trás e nesse momento acabei tropeçando em um galho do chão e saí rolando barranco abaixo, num monte de folhas e pequenos galhos. Levantei rapidamente assim que parei de rolar e me escondi no meio das árvores altas.

Olhei para onde eu estava antes e um monte de índios passaram correndo com suas lanças e cordas e dardos. Eles não eram canibais como os que endeusaram Jack. Eles eram bem piores, eles acreditavam que para que a ilha lhes oferecesse todo o alimento necessário, eles precisavam fazer sacrifícios. Eles nos capturaram, mas nós conseguimos fugir, porém fomos separados durante a fuga, o que me deixa completamente sem saber onde estavam Jack e o chato do Mario.

De repente alguém me pega tampando a minha boca. Começo a espernear e tentar bater no meu raptor.

– Calma, sou eu — ele sussurrou no meu ouvido e eu parei de tentar me soltar.

Tirei a mão dele, era Jack.

– Você conseguiu fugir — eu o abracei. — Que ótimo!

Ele me abraçou e deu um beijo na minha cabeça.

– Sim, vamos embora daqui. Sei um excelente caminho.

– Espera — segurei a mão dele.

– O que foi?

– Temos que achar Mario — eu disse desanimada.

– Tem certeza? Morte pode acontecer para as pessoas que decidem ir para alto mar e...

– Jack, ele é o Embaixador de Siracusa e já está tudo certo pra ele. Não posso deixar que tio Proteu perca seu filho.

Jack respirou pesadamente. Ele sabia que Mario não estava no bote, pois conseguiu chegar lá antes de nós e voltara para me ajudar. Infelizmente não podíamos deixar Mario para trás, por mais que essa fosse a minha vontade mesmo. Se ele morresse realmente em um acidente, eu não me sentiria tão mal quanto se deixasse ele para morrer. Voltamos então para a base dos índios e escutamos os gritos de Mario.

Mario estava amarrado em uma estaca, com suas mãos presas para cima. Ele gritava desesperadamente. Esses índios falavam nossa língua, por isso entendemos muito sobre eles. Mario ficou em pânico, pois me lembro bem de como o sacerdote falou conosco. "Primeiro faço uma abertura no peito, coloco a mão com força para quebrar os ossos e quando finalmente acho o coração, pego e tiro, ainda pulsante e com ele, alimentamos os deuses da ilha" e então ele deu uma risada sinistra. Jack olhou com nojo e segurou seu coração no peito. "A única deusa que eu daria meu coração seria vo...", fiz ele se calar colocando minha mão na boca dele. Como sempre, não gosto de ficar espalhando que eu sou uma semi deusa por aí.

Então agora estamos aqui, tentando salvar Mario de ter o coração arrancado e eu tinha uma ótima ideia que não revelaria meus poderes.

Assim que o sacerdote ia enfiar a faca no peito de Mario, Jack apareceu.

– Eu não faria isso se fosse você — ele disse delicadamente balançando o seu corpo.

– Ora, veja só. Um fugitivo retornou. Segurem-no!

– Também não recomendo que cheguem perto de mim — ele disse como um aviso. — Pois tenho a benção de uma deusa sobre mim que vocês não gostariam de conhecer — ele deu um sorriso lindo.

O sacerdote gargalhou e meus cabelos começaram a levantar para que eu tivesse o total controle do caos.

– E qual o nome dessa deusa? — perguntou o sacerdote com deboche.

– Você vai saber logo, logo — Jack abriu as mãos.

Toquei em dois pontos no chão e as rachaduras começaram a surgir ao redor dele. A ilha teve um pequeno terremoto que deixou todos muito assustados. Afinal, apenas Jack não fora atingido com a rachadura e nem balançou com o terremoto. A rachadura se juntou depois que passou de Jack e foi seguindo até partir as escadas do pedestal ao meio.

– É melhor me devolver o garoto antes que ela fique mais nervosa e destrua a ilha — disse Jack.

Mario parecia assustado com tudo aquilo. Então comecei a trazer um vento forte para a ilha. Se eu tivesse meu dragão agora, tudo estaria perfeito, seria maravilhoso, mas eu tinha que me contentar com os poucos recursos que tinha e aquilo só me deu mais vontade de chegar aos meus dragões. Lancei raios e joguei um raio bem em cima do sacerdote. Ele conseguiu desviar e ficou muito assustado. Lancei um raio na corda que amarrava as mãos de Mario. Ele se soltou e começou a correr na direção de Jack.

– Segurem-no! — gritou o sacerdote.

Mandei um raio nele de novo e ele conseguiu desviar. Os outros membros começaram a tentar pegar Mario, mas fui lançando raios em cada um deles, consegui atingir dois, que ficaram completamente imóveis no chão e queimados na cabeça. O desespero das mulheres e das crianças me fazia rir. era divertido saber que eu conseguia intimidá-los com meus recursos limitados. Até que Mario chegou na área salva que Jack estava.

– O que é isso? — Mario perguntou assustado e ofegante.

– Uma pequena benção de uma deusa — disse Jack com superioridade.

– Eris? A deusa do... — ele parou de dizer e pensou por um momento. — Kaos — ele olhou para trás e me viu com meus cabelos mexendo como se estivessem dentro do mar. Ele deu uma risadinha e Jack o pegou pelo colarinho da blusa.

– E você pode tirar o olho que ela é minha, entendeu? — Jack disse sério e eu joguei um raio bem perto dele, o que fez ele se assustar muito e concordar com Jack. — Vamos embora.

Nós três então corremos para o bote. Mas eles nos seguiriam rapidamente, então tive uma ideia melhor e comecei a correr em direção ao mar.

– Venham comigo!

Eles me seguiram e então, assim que ficamos debaixo d'água, coloquei minhas mãos sobre meus lábios e soprei, como se tivesse mandando um beijo e criei uma bolha de ar, onde Mario e Jack podiam ficar tranquilamente. Fomos então até o Embaixador dessa forma. Mario parecia assustado e impressionado com tudo aquilo. Desfiz a bolha e nadamos até a escada do Embaixador. Kyle me ajudou a entrar e Jack e Mario entraram sozinhos. Mario caiu assim que chegou. Ele ainda estava de olhos arregalados.

– Como você...? Você...? O que você...? — ele não conseguia formular uma pergunta.

– Tudo bem Mario, deixe eu me apresentar devidamente: Sou Kaos, filha de Simbad, Capitã e Lorde Pirata, Embaixatriz da Tárcia, acolhida de Eris e mãe do Kraken — ele ficou calado me observando.

Ele não disse mais nada, ele apenas sentou na escada e ficou olhando para os pés. Aposto que naquele momento ele percebeu que eu não era apenas uma garotinha, filha do antigo amor de seu pai, eu era alguém muito mais importante que isso.

– Então, o que aconteceu lá? Vimos raios — disse Kyle.

– Era a ilha errada. A ilha verdadeira está depois dessa. Minha emoção de ter encontrado me cegou do mapa. Tinha uma manchinha de terra antes da ilha oficial e eu achei que era só uma pedra ou uma sujeira. Mas pelo visto, era essa ilha sinistra.

Ele deu uma risada e tocou em meu ombro.

– Vamos para a ilha certa então.

Ele foi para o leme e seguimos viagem. Olhei para Jack e percebi que ele me olhava como se aquela fosse a última vez que me veria. Toquei em seu rosto e ele segurou minha mão, me puxando para perto dele. Ele me abraçou de lado. Deitei a cabeça em seu peito e o abracei pela cintura. Ficamos daquele jeito por um longo tempo.

– Eu vou sozinha — eu disse quando chegamos na ilha certa.

– Volte, por favor — disse Jack me beijando em seguida.

Kyle me abraçou por um longo tempo. Era difícil para ele me deixar ir, pois ele prometera ao meu pai que cuidaria de mim. Rato, como sempre, agarrou minha cintura e chorou.

– Ah Capitana! Volte, por favore. Precisamos de usted — ele disse.

– Vou voltar Rato, pode acreditar — sorri e fiz carinho na cabeça dele.

Mario colocou dois dedos na testa e lançou em minha direção. Fiz o mesmo para ele. Ele parecia assustado, chocado e com medo do que poderia acontecer caso eu não voltasse, pois ele estava vivo ali por minha causa, o que Jack faria com ele, ele não tinha ideia.

Por fim, subi na beirada do navio e me joguei de costas. Caí na água, respirei fundo e nadei rapidamente em direção à ilha correta. Ela realmente bem maior do que a outra. Cheguei na praia e tirei o mapa da minha cintura. Segui todas as indicações da minha mãe e algum tempo depois eu finalmente encontrei a caverna. Respirei fundo, parecia bem simples, eu só tinha que entrar, ignorar tudo, pegar os ovos e sair.

Entrei na caverna segurando a minha espada. A caverna parecia comum, não tinha ouro e nenhuma pedra preciosa. Ela não tinha nada, era simplesmente vazia e fria. Comecei a caminhar sem enxergar nada, era até tenebroso de certa forma. Mantive minhas mãos erguidas para frente e dei passos curtos, pois eu não enxergava nada direito e com precisão, pois o pouco que minha visão se acostumou ao escuro, não era possível enxergar nada nitidamente. Foi então que tentei levantar meu pé e acabei tropeçando em algo duro e caí em um monte de coisas frias que eu não tinha certeza do que era. De repente, chamas se acenderam, o que me fez fechar os olhos rapidamente. As chamas só iluminavam, não transmitiam calor, o que me deixou um pouco assustada, aquele lugar não era normal. Olhei para o lugar onde estava caída e haviam muitas moedas de ouro. Pensei em pegá-las, mas depois me lembrei das distrações e me levantei rapidamente do ouro, me certificando de que nenhuma das peças se enroscou em minha roupa. Olhei para frente e vi um esqueleto caído. Sua roupa estava intacta e seu chapéu parecia colocado delicadamente ao seu lado. Ele estava com uma barba enorme, parecia ter ficado ali, deitado tranquilamente durante muito tempo. Será que ficara ali por causa do ouro? Bem, eu não cairia nessa simples tentação, tenho motivos muito maiores para voltar.

– Tem mesmo? — alguém disse e eu reconhecia aquela voz.

Me virei e tive certeza. Era Elizabeth, o que ela fazia ali?

– Deixe-me adivinhar, seu motivo maior para voltar é o Capitão Jack Sparrow? — ela disse com ironia e eu não respondi. — Bom, sinto lhe informar mas, se você ficar aqui, ele não sentirá a menor falta.

– Ela tem toda a razão — disse Jack abraçando Elizabeth por trás e beijando seu pescoço. Que merda era essa?

– Bom, deixe que eu me explique Kaos. Jack ficou com você por simples falta de opção. Já que eu amava Will e você estava sempre ao lado dele, ele decidiu investir em você. Na garotinha bobinha — Elizabeth riu.

– Claro, que um mulherão como você seria a minha primeira opção — ele disse para Elizabeth.

Que absurdo! Eu como última opção? Dei uma risada e depois comecei a rir mais. Eles me olharam sem entender.

– Acha mesmo que vou acreditar nisso? — comecei a rir desesperadamente. — Vocês não são reais.

– Não Kaos, eu sou o verdadeiro sentimento de Jack Sparrow — disse o Jack Sparrow que segurava Elizabeth pela cintura.

– Você não existe, okay? — eu disse rindo.

– Não? — ele veio e tocou minha nuca. Me assustei, era um toque bem real.

– Pode parar. Isso não é real e mesmo se fosse, ele não ia gostar da Elizabeth...

– Por que eu o prendi para o Kraken devorá-lo? — Elizabeth completou minha frase e depois riu. — Ele me deseja, mesmo depois disso, ele não consegue se esquecer do meu beijo. Sempre compara com o seu, um beijo infantil e imaturo.

Fiquei com raiva daquela Elizabeth e olhei para Jack.

– Tudo o que ela diz é verdade minha querida. Por que você acha que eu não consigo dizer que te amo? — ele me olhava nos olhos.

Tudo bem, aquilo doeu, de verdade. Meu coração doeu muito naquele momento. Infelizmente tudo aquilo fazia sentido. Me virei e decidi prosseguir, estou focada no que vim buscar. e vou até o fim.

– Se eu tivesse chances de te trocar por Elizabeth, eu trocaria — disse Jack por fim.

Parei naquele instante. Aquilo eram coisas da caverna. A caverna fria estava brincando comigo. Olhei para o esqueleto no chão, o que teria feito ele desistir e ter ficado com todo aquele ouro? Não, eu ia continuar, não ia sentar ali e me lamentar.

Continuei meu caminho dentro da caverna, saindo de perto de todo aquele ouro.

– Kaos? Kaos! — escutei alguém gritar como se estivesse sofrendo. Não, essa caverna só pode estar de brincadeira comigo.

Olhei para trás e vi minha mãe, presa pelos braços e pelas pernas. Ela pingava sangue e sangue brotava de sua cabeça. Ela mal conseguia respirar.

– Kaos. Me ajude, por favor — ela olhava no fundo dos meus olhos e chorava. Comecei a chorar e depois tentei segurar meu choro e parar de olhar pra ela. — Kaos! Por favor, me tire daqui, eu não aguento mais isso.

Seja forte Kaos, seja forte. Meus joelhos se dobraram e eu caí no chão. Minha mãe implorando para que eu a salvasse foi destruindo o meu coração. A voz dela, o sangue. Eu sabia que não era real, mas me feria muito. Então o sangue dela se aproximou de mim, eu toquei nele, estava quente e parecia sangue de verdade. Voltei a olhar para ela, os punhos dela estavam feridos por causa das cordas.

– Kay, por favor — ele implorava olhando no fundo da minha alma.