Kakera

7 Capítulo 6


Notas iniciais
Hey, pessoas.
Esse capítulo é especial, gostei muito de escrevê-lo, e espero que vocês gostem também.
Deixem reviews, hein. ♥

“Às vezes, quando ela me olha, eu não sei o que fazer.”

Setembro de 2009
— felicidade
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Depois do primeiro beijo — depois que Rin descobriu como aquilo era bom —, passaram a beijar-se o tempo inteiro. Quando ela acordava antes dele, caminhava ainda sonolenta até a sala, esfregando os olhos nublados de sono, e encolhia-se junto de Sesshoumaru no sofá. Ele mexia-se, virava de lado — as molas rangiam debaixo do estofado — e a abraçava. No escuro, procurava a boca dela e então dava-lhe um beijo preguiçoso. E dormiam mais meia hora.

Quando ele estava em casa, beijava-a a todo instante. Se Rin estivesse pendurando a roupa na janela, ele a abraçava pelas costas e beijava-lhe o pescoço — às vezes, ela deixava cair alguma roupa e Sesshoumaru precisava descer até o pátio para pegar. Se estivesse preparando o almoço, andando de um lado para o outro da cozinha, ele ficava ali, escorado no balcão da pia, e quando ela passava, segurava-a pela cintura e a deixava mole com aqueles beijos de tirar o fôlego.

E a comida acabava queimando no fogão.

Tudo se resumia a olhar, sorrir e beijar.

Quando, no entanto, Sesshoumaru saía para o trabalho e Rin ficava sozinha, as horas espichavam-se infinitamente e o tempo parecia não passar. Conversava com Jaken, o que lhe fazia esquecer os ponteiros do relógio por alguns momentos, mas as conversas já não eram como antes — agora ela parava subitamente de falar e ficava sorrindo para o nada, boba, lembrando daqueles beijos que a faziam derreter feito açúcar — e Jaken parecia entediado.

Então, depois de mil anos de espera, Sesshoumaru voltava e ela jogava-se nos braços dele. E ele a beijava com saudade, com sede, como se não a visse há muito tempo. Era um ardor, um desespero ávido aquele primeiro beijo... Agarravam-se ofegantes num abraço e tombavam sobre o sofá — houve uma vez em que acabaram calculando mal o espaço e despencando no chão, uma exceção.

Rin não sabia se agora eram namorados, não entendia muito daquelas coisas, e, sinceramente, não se importava com um título. Tudo o que sabia era o que sentia: nunca fora tão feliz como naqueles dias.

∷∷



— Devagar! Devagar! — ela gritava, a voz saindo trêmula. — Nós vamos cair!

Estavam indo rápido demais, estavam quase voando. Mas ele não ia parar, e ela, embora gritasse de medo, também gritava de euforia. O perigo tem um gosto picante que alicia, basta saber senti-lo.

Ele abriu um sorriso malicioso que ela não viu.

— O quê? — gritou de volta. — O que você disse?

— Devagar!

E apertou os braços ao redor do corpo dele, afundando o rosto de olhos bem fechados naquelas costas quentes. Sesshoumaru riu, uma risada gostosa que ela adorava ouvir. O vento lhe batia com força no rosto, os longos cabelos brancos voando acima da cabeça de Rin, e, por um momento, ele fechou os olhos e deixou a bicicleta correr à vontade pela ladeira abaixo.

Deixou que as coisas fossem como fossem.

Deixou que o mundo andasse à sua maneira.

E tudo pareceu tão simples, tão pequeno. Havia apenas o carinho desajeitado do vento no rosto, os gritinhos assustados de Rin às suas costas e as rodas da bicicleta girando numa velocidade louca naquela estrada deserta do interior de Chiyoda. O mundo era aquilo, aquele momento debaixo de um céu que se apagava, e pela primeira vez houve felicidade nele.

— Rin!

— O que é? — a voz dela falhou, e ele percebeu que ela esteve rindo baixinho.

— Diga que me ama!

Apenas o som da correia da bicicleta rolando depressa.

— Diga, ou vou deixar que a gente bata naquela árvore ali na frente!

— Sesshoumaru no baka! — e agarrou-se com força a ele. — Baka, baka, baka!

— Diga!

Então ela encheu os pulmões e berrou o que ele já sabia:

— Eu te amo! Eu te amo muito, então, por favor, não nos mate!

Ouviu a gargalhada dele ressoando naquele pedaço inabitado do mundo, e agradeceu mentalmente por Sesshoumaru não poder ver como seu rosto estava corado. Não havia dito nenhuma mentira — ela o amava mesmo —, e parecia estúpido sentir-se tímida por ter gritado três simples palavras.

Quando, por fim, a ladeira transformou-se num plano e eles passaram a deslizar devagar sob o crepúsculo alaranjado, as árvores na beira da estrada passando lentamente e os grilos cantando nas sombras que cresciam, Sesshoumaru a chamou:

— Ei.

— Hum? — ela observava as nuvens queimando num último clarão.

— Eu também te amo.

Rin deitou a cabeça sobre as costas dele e escutou as batidas de seu coração.

E aquilo era tudo.

∷∷



A noite está caindo quando eles retornam ao subúrbio, ao apartamento quente que os aguarda, silencioso. Ele joga a bicicleta num canto e desaparece no corredor, reclamando do calor e das pernas que doem. Quando passar por ali, ela vai encontrar a camiseta e os tênis dele espalhados pelo assoalho — é um hábito incorrigível que ele tem.

Ela abre as janelas e o ar da noite entra, aquele ar carregado de pedaços soltos de música e cheiros de comida. Os insetos fazem um barulho agradável do lado de fora, escondidos no escuro, espiando. Jaken está deitado no sofá, os olhos esbugalhados como se tivesse visto um fantasma e o bico verde meio torto de tanto que Sesshoumaru pisa acidentalmente em cima dele. Rin pensa que talvez Jaken queira estar lá na rua, cantando com os outros insetos, seus parentes verdes, e o coloca na estante perto da janela.

— Assim está melhor, não é, Jaken-sama?

Ela sorri.

— Rin! — Sesshoumaru grita de algum lugar. — Está falando com esse bicho de novo?

— Jaken-sama se sente muito sozinho. — ela diz enquanto avança pelo corredor.

— Como pode se sentir sozinho se você passa o dia todo tagarelando com ele?

Agora ela percebe que a voz dele vem do quarto e saltita até lá. Mas pára, estuporada, na porta ao vê-lo atirado na cama, sobre os lençóis brancos e limpos que ela estendera ali naquela manhã. Demora dois segundos a fechar a boca e encará-lo com firmeza.

— O que pensa que está fazendo?

Sesshoumaru tem os braços cruzados debaixo da cabeça e uma expressão sarcástica, indolente, quando a olha. O peito e os braços estão brilhosos de suor e os cabelos grudados à nuca.

— Estou deitado, oras. — ele ergue as sobrancelhas, óbvio.

— Mas está suado! E a cama está limpa! — uma pausa. — Estava limpa.

— Que bobagem. Pra que serve uma cama, senão pra deitarmos nela?

Rin está perdendo a paciência, não vai mais deixar que ele emporcalhe sua cama — já dormiu tanto tempo nela que passou a chamá-la de sua — enquanto o sofá em que ele dorme continua limpo e confortável. Ela marcha então até a cama, agarra-o por um braço e o puxa com toda a sua força: não consegue arrastá-lo um centímetro do lugar.

Sesshoumaru limita-se a olhá-la com um ar de quem quer rir.

— Uma cama serve para deitarmos nela quando estamos limpos.

Ela ainda segura aquele braço úmido de suor, branco, firme, quando ordena:

— Vá tomar um banho.

Ele não se lembra daquele tom decidido e autoritário nela quando a conheceu, e pergunta-se, com um sorriso divertido, quando aquilo começou. Se lembra daquela garota que ela era antes, lembra de uma coisinha calada, frágil e cheia de hematomas. Quando Rin tornou-se tão segura à ponto de dar-lhe ordens?

— Não estou com vontade.

Ela o olha, ameaçadora, e ele sorri como quem aceita o desafio.

— Ah, claro. E do que é que você tem vontade, afinal?

Sesshoumaru está debaixo daqueles olhos doces que querem, inutilmente, parecer maus, daquela boca pequena apertada num “bico”, daqueles cabelos castanhos que descem pelos ombros dela e pendem na sua direção, daquele rosto sofrido que ainda é terno e ingênuo, e ele só tem vontade de uma coisa.

E a puxa para a cama.

E rola para cima dela.

Os olhos de Rin são o mundo em que ele pode se ver.

— De fazer amor com você.

O quarto torna-se incrivelmente mais quente. Se Rin pudesse desviar o olhar, verificaria se as paredes não estão pegando fogo, mas os olhos dele a prendem, a dominam. É como se seu próprio corpo estivesse queimando, queimando até não restar mais nada. E quando ele a beija, devagar, ela percebe que não é a única ardendo naquela cama úmida de suor.

Sente as mãos dele deslizando para sua cintura e, instintivamente, leva as suas aos ombros de Sesshoumaru — aqueles ombros fortes, largos, de músculos rijos. Ele abre passagem com a língua na boca dela, e beija-a. Beija-a, beija-a, beija-a até ambos se tornarem ofegantes. Os dedos dele já estão se insinuando por debaixo da blusa dela, subindo cada vez mais enquanto ele devora-lhe a boca, subindo até tocarem os seios. E agora Rin está mesmo queimando, e quer queimar até o fim.

Mas então sente aquela pressão entre as pernas, aquela pressão urgente e faminta que cresce empedernida, impiedosa, e lembra-se.

Lembra-se da dor.

Lembra-se da vergonha, da humilhação e da tristeza.

Lembra-se do desejo de morrer.

E um não — meio gritado, meio chorado — escapa-lhe da boca. Ele pára e fica olhando-a enquanto ela se afasta assustada de suas mãos e rasteja até a cabeceira da cama. Ela se encolhe, trêmula, horrorizada, machucada. O rosto está escondido nos braços, os joelhos apertados junto ao peito. Dá pra escutar como a respiração lhe dói: cada vez que puxa o ar para dentro dos pulmões é um gemido que arranha e faz sangrar. Ela é um animal ferido e acuado esperando pelo próximo golpe. Ela é aquela coisa marcada pelo sofrimento.

E Sesshoumaru entende. Ajoelhado diante dela, ofegante, com o sangue fervendo e uma parte do corpo latejando dentro da calça, ele entende. Ele sabe como dói ser marcado e carregar aquele peso até o fim dos dias. Ele sabe como simplesmente lembrar abre um rombo excruciante dentro do peito. Ele sabe, mas não vai deixá-la entregue àquela sombra.

Aproxima-se dela e segura-lhe o rosto. Rin não quer encará-lo — não tem coragem —, reluta, tenta empurrá-lo, mas não pode vencê-lo. Acaba soltando um gemido derrotado quando ele a força a olhá-lo.

— Rin, sou eu. Sou eu, aqui, na sua frente. Não está vendo?

Sim, agora ela vê. É Sesshoumaru. E ela o ama.

— Eu... — na verdade, não há o que dizer.

Ele beija-lhe o canto da boca, o queixo, o contorno da mandíbula.

— Basta me dizer um não. E está tudo bem se precisar dizer.

Mas ela não quer dizer não. Ela quer saber como é ser tocada com amor, quer saber como é ser amada por um homem e sentir prazer. Rin quer saber como é fazer amor. Ela então pega a mão de Sesshoumaru e a conduz a um de seus seios. Ele a encara durante algum tempo, há aquela pergunta nos olhos dele, e ela a responde com um beijo. Ela sabe que com ele será diferente.

— Não vou machucar você. — ele promete quando a deita sobre a bagunça de lençóis.

E embora ainda sinta aquele frio na barriga, ela acredita.

Ela confia.

Ela diz sim.

∷∷



É doloroso quando ele a penetra, mas também é bom. Ela morde o lábio inferior para segurar um grito — a tentativa acaba num gemido abafado — e contrai o corpo inteiro enquanto ele desliza, gentil, firme, de uma vez só para dentro dela. E Rin percebe como ele é... Grande. Suas unhas ainda estão fincadas nas costas dele, mas agora não dói mais. A dor se foi como o suspiro que ele soprou na curva entre o pescoço e o ombro dela. Agora só há aquela sensação gostosa, aquela sensação de totalidade que ela conhece pela primeira vez.

— Tudo bem? — ele quer saber.

Rin ergue os olhos do pescoço dele e o encara. Há um ar inquiridor, preocupado, naquele sutil erguer de sobrancelhas. Ela sabe qual é a pergunta que ele realmente lhe fez — está doendo? — e assente com a cabeça: sim, está tudo bem. Não percebe que suas unhas estão deixando marcas nas costas dele, e Sesshoumaru também não se importa. Tudo o que ele sente é seu corpo entrando em combustão quando começa a se mover dentro dela. E é difícil se controlar, ir devagar.

Ela geme baixinho, não consegue manter-se calada. Aquilo é tão... Indescritível. Pode senti-lo como se ele fosse uma parte de si, como um segundo coração batendo lá em baixo. E sente o prazer crescendo, crescendo insanamente e sem limites. Sente as mãos dele resvalando, molhadas de suor, sobre suas coxas. Sente aquela boca quente alternando beijos ao mesmo tempo ternos e luxuriosos entre seus lábios, seu pescoço e seus ombros. Os beijos macios de Sesshoumaru tremem sobre os bicos de seus seios. Não pode evitar trincar a mandíbula e riscar vergões naquelas costas que se curvam sobre ela quando ele afunda com certa força entre suas pernas.

— Droga, Rin... — Sesshoumaru sussurra ao seu ouvido. — Você é tão...

— Pequena? — a palavra sai num gemido arrastado.

— É. — ele ia dizer apertada, mas aquilo também serve. — Pequena.

Ela sente os dentes dele roçando-lhe sobre o pescoço e estremece.

— E isso é... — um espasmo súbito lhe tira a voz por um momento. — Ruim?

— Não. Não é nem um pouco ruim.

O corpo de Rin sacode, pulsa, debaixo do corpo dele. Agora Sesshoumaru investe mais depressa, com mais força. Ele vai mais fundo dentro dela. Ouve-se a sua respiração ofegante e ruidosa por todo o quarto. Rin sente que uma onda violenta de prazer vem crescendo numa velocidade absurda e que vai engoli-la. Ela não pode suportar mais, aquela coisa a dominou e faz uma pressão devastadora dentro dela. Sente que vai gritar — precisa gritar.

Então joga a cabeça para trás no travesseiro, fecha os olhos com força, e grita.

Ele também deixa escapar um ruído gutural pesado de prazer — algo como um rosnado, um gemido, um suspiro arranhado, mas que não é nenhum desses. Afundou dentro dela com vontade, com desejo, uma estocada final, e agora permanece ali, apertando o baixo ventre entre as pernas dela enquanto todo o corpo ainda está duro feito uma rocha. E Rin sente-se cheia.

Sente que é dele.

E o mundo é apenas aquilo.

Então Sesshoumaru relaxa, tomba para o lado e solta o ar dos pulmões com avidez. Respira. Respira. Respira — e tosse. É uma tosse que persiste durante alguns instantes, uma tosse que parece rasgar por dentro, uma tosse que Rin ainda não conhecia, e por isso gira o rosto para vê-lo. Ele está apoiado sobre um cotovelo, de costas para ela, e inclina-se para fora da cama enquanto tosse. O corpo sacode, treme, nu sobre os lençóis revirados. Então pára.

A respiração agora sai trêmula, entrecortada, e Rin está preocupada — nunca o vira perder o fôlego num acesso de tosse como aquele. Subitamente, Sesshoumaru parece-lhe enfermo: a palidez exacerbada, a magreza acentuada pelos ossos que lhe saltam sob a pele, a fragilidade que espia debaixo da máscara de rigidez e vigor. Ela abre a boca para perguntar o que está acontecendo, mas ele então se vira e em seu rosto há um sorriso que diz que está tudo bem.

Um sorriso que mente, e ela se deixa levar.

Porque ela está feliz — aquela felicidade quente que brilha nos olhos e escorre-lhe do meio das pernas.

Ele deita a cabeça sobre um braço dobrado e puxa-a para mais perto. E observa-a. Observa-a com amor, como se aquele olhar gentil e caloroso pudesse abraçar. Rin sente-se, de fato, abraçada. Suas pernas estão enroscadas nas dele quando Sesshoumaru pousa a mão espalmada sobre seu umbigo e acaricia-a de leve.

O silêncio que os envolve é macio e confortável, até que ele diz:

— Queria ter sido o primeiro a tocar em você.

Rin também queria que fosse assim. Queria tanto...

— Você foi o primeiro.

— Rin... — ele fecha os olhos e balança a cabeça devagar.

— Você foi o primeiro a fazer amor comigo.

Parece que ele vai abrir um sorriso, mas é apenas uma curva trêmula que se insinua naqueles lábios sem cor. Ele acaricia-lhe o rosto e puxa-a para mais perto, envolve-a com um braço quente e protetor.

Rin sente o cheiro de seu suor e do dele como uma coisa só.

— Eu não pensei nisso antes, mas nós não... — Sesshoumaru hesita.

— Nós não o quê? — ela tem o rosto escondido debaixo do queixo dele.

— Bem... — ele procura as palavras. — Nós não tomamos nenhum cuidado.

Ela pensa sobre o que ele pode estar falando. Ainda não compreendeu.

— Como assim?

— Ora como assim! — uma risada meio nervosa. — Você conhece camisinha, não é?

— Ah! — e ela começa a rir também.

Mas ao mesmo tempo sobe-lhe uma tristeza, um vazio... Uma amargura. Lembra-se do que a Dra. Kaede — Rin nunca vai esquecer o nome daquela mulher — lhe disse há um ano, quando alguém a achou caída na rua, ferida e violentada, e a levou ao hospital de Chuo.

“Você é estéril, não pode ter filhos.”

Estéril.

E depois umas palavras soltas, as poucas que ela conseguira gravar:

Infecção não tratada.

Útero.

Estupros.

Ela está estragada, quebrada. E nunca terá filhos.

Encolhe-se debaixo do braço de Sesshoumaru e obriga-se a não chorar.

— Então, acho que você não quer ficar grávida. — ele tem um tom de brincadeira.

— Sim, eu quero... — Rin sussurra baixinho para si mesma.

— O quê? — ele pergunta distraído.

Ela quer ter filhos. Quer ter filhos com Sesshoumaru.

— Não se preocupe. Isso não vai acontecer.

— Como você sabe?

E agora ela já não consegue falar com a voz livre do choro.

— Eu não posso ter filhos.

Ele afasta um pouco o rosto para olhá-la e percebe, sem saber como reagir, que os olhos dela estão cheios de água e os lábios apertados numa careta de dor. Então ele a abraça com força e promete que tudo vai ficar bem, e pede para que, por favor, ela não chore. Mas ele sabe que não é capaz de fazer nada, que nunca vai conseguir aliviar aquela dor.

E tudo o que ele quer é dar a ela o que ela nunca vai ter.

∷∷



Estavam atirados no sofá da sala assistindo The Phantom of the Opera numa daquelas noites de final de outono, quando Christine Daae declarou seu amor por Raoul e Sesshoumaru cuspiu um palavrão. Rin tinha os olhos cheios de água e o coração compadecido pelo Fantasma, aquele pobre traído e rejeitado. Não entendia por que a garota preferira o fidalgo. O Fantasma era tão mais... Empolgante!

Sesshoumaru mexeu-se debaixo dela — Rin estava deitada de bruços sobre ele — e tirou a carteira de cigarros de dentro do bolso da calça. Antes, porém, que pudesse acender um deles, Rin arrancou-lhe o cigarro da boca e jogou longe aquela coisa de cheiro detestável. Ele ficou olhando-a por um instante e então deu de ombros, sabendo-se derrotado sem nem mesmo começar a lutar. Recebeu um beijinho estalado como consolo.

O Fantasma começou a cantar sua tristeza na tela da televisão.

— Você não faria isso comigo, faria? — Sesshoumaru ergueu as sobrancelhas.

— Isso o quê?

— Me trocar por um idiota engomadinho.

Ela riu abertamente e afundou o rosto no peito dele. Quando, enfim, conseguiu recuperar o controle sobre si, olhou-o de um modo tão desejoso, tão apaixonado, que Sesshoumaru sentiu-se imediatamente aceso. Já ia subindo a saia dela até a cintura quando Rin respondeu:

— Nunca. — e mordeu-lhe o lábio inferior de leve. — Prefiro os fantasmas.

Na verdade, ele seria o único fantasma que ela amaria.


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“Droga, se isso não é amor, eu não sei o que pode ser.”