Notas iniciais
Olá meus queridos leitores. Tudo bem com vcs? Sei que demorei outra vez... mas voltei com um capitulo novo. Se você ainda não desistiu de mim, espero que perceba como foi dificil escrever essa continuação do jantar. Yutaka vai ceder aos encantos de Daigo nessa noite? O show do 20th aniversário do Gazette também ajudou a concluir esse capítulo. Agradeço os leitores que ainda continuam aqui me apoiando e lendo a história. A capa do capítulo foi feita pela @_G0DD3SS (twitter) todo crédito para ela. Boa Leitura

POV Yutaka

Caminho relutante junto a ele na direção do seu quarto. Daigo está alegre, sorridente e muito insinuante, com certeza efeito do vinho. Sei o que ele deseja e anseia já me pediu várias vezes. Quero muito me unir a ele, tocar sua pele, sentir seu cheiro, beijar seus lábios tudo nele é tão excitante. Mas o medo em lhe ferir novamente envolve todo meu peito, por isso fico rejeitando e afastando-o.

Seu quarto é bem menor que o meu do restaurante, mas muito bem organizado sendo uma suite tem uma cama de casal, com um guarda roupa amplo na lateral direita. Uma televisão de tela plana que está afixada na parede, ele segue andando na direção do banheiro se virando olhando para mim parado na porta analisando tudo à minha volta.

— Tudo bem aí? Pode entrar, ainda pensando demais? Sei que não é espaçoso e cheio dos luxos como o seu da mansão, mas...

— Daigo-chan sabe que não me importo com o luxo. Seu quarto é muito aconchegante.

— Fique à vontade nele. Pode se sentar na cama.

— Não sei se devo, o jantar se estendeu noite adentro, melhor eu ir embora.

Ele desviou o olhar na minha direção, sempre tão confiante com um rubor abrasador tomando conta do seu rosto. Momento esse que me deixou envergonhado, era eu que devia seduzi-lo, tocar sua pele macia e provar do néctar que tanto me oferecia. Daigo tinha razão, não estava agindo como eu mesmo, agora era um vampiro completo superando meus medos em tese, não devia agir como o alter ego Kai.

— A noite está tão agradável, você fez um jantar tão gostoso. Fica um pouco mais, quero conversar sobre minhas férias.

— Daigo-chan, pedindo assim desse jeito, fico envergonhado de dizer não.

Daigo volta onde estou parado, levando sua mão ao meu cabelo enrolando-os com seus dedos colocando atrás da orelha, e acariciando minha bochecha ruborizada. Ele sabe que não resisto ao seu toque, cedendo ao seu pedido.

— Podemos voltar para sala, se não sente seguro aqui.

— Eu devia ter trazido o vinho por segurança...

—Sem problemas, eu busco e podemos comemorar esse nosso recomeço.

— Sim, acredito que seja melhor, uma bebida sempre ajuda...

Mesmo um pouco bêbado e sem conseguir andar sem perder o equilíbrio escorando na parede, escuto ele chegar à cozinha e abrir o vinho.

Então caminho até sua cama me sentando e olhando com ternura para ele, que aproxima seu rosto encostando na minha testa beijando com carinho.

Me entregando uma taça com vinho colocando a garrafa sob o móvel, sentando na minha frente para fazer um brinde estendendo a mão indo ao encontro da minha.

— Ao nosso novo recomeço Yutaka.

— Kanpai... Daigo.

Bebemos em meio a uma troca significativa de olhares, em silêncio por algum tempo. Percebo que ele deseja conversar, mas assim como eu não sabe como começar. A bebida ajuda a me soltar um pouco, só que não sei como diminuir essa barreira que criei para apenas protegê-lo de mim.

— Daigo-chan, eu ...

— Somente Kai me chama de Daigo-chan. Cadê meu Yuta? Para me chamar pelo apelido.

Era tentador para mim olhar, ele deglutindo sua bebida, o som que fazia ao engolir cada gole, o cheiro emanado da sua pele e o calor que a bebida provocava estava afetando meu autocontrole.

— Estou bem aqui, gomenassai. Ainda quer que lhe chame de Neko-chan, mesmo dando um apelido para Uruha de Ahiru-chan?

— Pode sim, não seria você se me chamar pelo nome. Afinal, é assim que você me vê? Um bichinho de estimação que deve ser protegido. Uruha é só um patinho para o Kai. certo?

— Neko-chan, devia ir devagar com a bebida tá confundindo o que sinto por você. Não é verdade, não te vejo desse jeito. É só um apelido carinhoso, você é um gatinho manhoso. Vamos deixar Ahiru-chan para o Kai. Hoje eu quero agradar somente você.

— Certeza disso? Então por que ainda tem medo de mim? Sei que é um vampiro e do que é capaz de fazer. Você transou com Uruha e não ficou protegendo-o como está fazendo aqui comigo.

Preciso ir embora, está ficando difícil me explicar para ele.

— Eu não tenho de você, e sim do que fiz a ti. Meu medo é acontecer de novo se me aproximar demais... Kai ficou com medo dele descobrir...

— Ah, não? Esse estado todo travado, parecendo mais o KAI que você. Isso é confiança? Não é por que você me atacou aquela vez no seu momento de fome que vai ocorrer de novo.

— Neko-chan...

Eu esqueci o que queria argumentar com ele.

— Eu sei me defender. Não sou um pet que precisa ser cuidado com medo de ser machucado. Se for assim que você me vê, não quero mais que me chame assim.

— Eu sei disso e esse é o problema. Você é muito precioso, tenho medo de te perder. Nunca imaginei que amaria alguém, mas o que fiz a você não sai da cabeça...

— Toda a vez que você me olha, acha que vou estar sempre naquele estado: desfalecido numa poça de sangue.

— Essa visão aparece sempre na minha mente. Eu te amo, Daigo. Amo tanto que acreditei que lhe afastando não te perderia. Com Uruha foi diferente, por que ele é do KAI, entre eles é mais fogo do que amor, entende? Já...

Num gesto rápido ele me beija, e não consigo completar a frase, fui pego de surpresa.

— Não pense mais, você é péssimo nisso e nós dois sabemos muito bem disso.

— Gomenassai! Nunca foi minha intenção te diminuir como um pet, além de tudo é meu único e melhor amigo. Te amo!

— Agora estou entendendo meu vampiro querido. Já venho, vou lhe contar como superei os meus pesadelos.

Me ajeito na cama, tirando os sapatos e cruzo as pernas esperando ele voltar do banheiro. Termino meu vinho, bebendo já me sinto melhor, afasto assim uma possível fome, o cheiro dele é tão bom. O que Daigo foi buscar? Ao mesmo tempo que quero ir embora, o desejo de ficar e conversar é maior.

“Cadê o Kai quando preciso dele para me aconselhar e até discutir que eu estava sendo impulsivo demais? Ou isso só acontece com Uruha, por não saber sobre nós?”

Sou tirado dos meus pensamentos ao ver meu neko, apontando na porta vestindo um lindo yutaka vermelho bordado com fios dourados e cerejeiras estampadas e um frasco de óleo nas mãos. Ele se aproxima todo sorridente e um pouco cambaleante. Seu jeito é muito sedutor, assim não vou resistir aos seus encantos.

— Gostou do que está vendo?

— Maravilhoso, muito lindo seu yutaka.

— Gosto de tecidos leves para dormir, são mais confortáveis. Pode tocar?

— Já está ficando com sono? Acredito que é efeito do vinho. O tecido é macio e sedoso ao toque.

— Ainda não, nem bebemos tanto assim. Só troquei para ficar mais à vontade para conversar.

— Nenhuma intenção de sedução ficando mais perfeito do que costuma ser.

— Yuta-chan, são somente seus olhos que me vêem assim “perfeito”.

— Ah! Meu querido Daigo, nem acredito que ainda me quer depois de tudo que lhe fiz.

— Quando vai entrar nessa sua cabeça dura, que me apaixonei por você e aquilo foi um acidente e você não precisa mais ter medo.

— “E se...” eu não me controlar com esse encanto e sedução que você exala e me deixa louco de paixão?

— Posso lhe fazer uma pergunta séria agora.

— Claro que pode pergunte .

Estou intrigado agora o que ele quer saber de tão sério. Ele se sentou na cama de frente para mim, percebo que só está usando o yutaka, que está caindo nos ombros. Mostrando a pele alva abaixo do pescoço indo da clavícula até quase metade do peito, ainda prendeu os cabelos para cima deixando uns fios soltos e uma pena vermelha segura o coque que ele fez. Tudo nele é excitante, ele está me provocando que estou engolindo seco a vontade de lhe agarrar e provar seu néctar aromático e quente novamente.

Uruha-san ainda está vivo, depois que vocês ficaram juntos?

— Hã...que pergunta é essa? Lógico que ele tá vivo, ensaiamos essa semana toda.

— Então está respondida minha pergunta.

— Não entendi a sua lógica...

— Simples, nós dois somos humanos certo? Você conseguiu se controlar quando ficou com ele, não deixando ele ver sua verdadeira natureza vampira.

— Sim, foi complicado, mas conseguimos esconder na penumbra minhas presas e a cor dos olhos.

— Exato, ele ainda não sabe. Entre eu e você não temos esse problema, amo sua natureza vampira, por isso confio em ti. Por que como ele, sou seu humano amado.

— Eu lhe amo muito, mas a culpa por lhe ferir ainda tá aqui me consumindo, deixando o medo me afastar de você. Sério mesmo que confia nesse vampiro?

— Sim, Yutaka não percebe que é mais difícil se controlar para esconder, que se entregar ao amor sendo você mesmo. Sobre a culpa e o medo, esse óleo que eu trouxe me ajudou muito com os pesadelos e ajuda a relaxar.

Não resisto as suas declarações selando um beijo calmo e longo. Me apaixonei de novo com todo o jeito que ele usa palavras para me convencer que não sou aquele monstro faminto que o atacou apenas como uma presa para se alimentar. Sempre preocupado comigo e como estou me sentindo, esse óleo serve também para uma massagem. Meu neko tem dedos mágicos ainda me lembro da última foi tão boa que me revelei para ele.

Continuo o beijo agora seguindo para o queixo, na direção da orelha brincando com o lóbulo com pequenos beijos. Me aventurando a cheirar os fios soltos do seu cabelo, chegando ao local que desejo: seu lindo pescoço. Daigo entrelaçou seus braços na minha costa me segurando esperando meu próximo movimento. Seu corpo está apreensivo mesmo ele dizendo que não tem medo, só de encostar na sua pele, ele estremeceu. Sinto a pulsação aumentar descompassada, a adrenalina do toque aumenta seu cheiro misturado de euforia com pitada de hesitação.

Assim que passo a língua por ele, uma explosão de sentimentos contraditórios tomam conta de mim. Forçando a minha natureza se revelar, liberando minhas presas para provar do aroma que invade todo meu corpo. Na tentativa de me controlar olho para ele entregue nos meus braços com o semblante contente aproveitando a sensação. Quero continuar lhe dando esse prazer, mas volto meu olhar ao seu pescoço e lá estão elas as cicatrizes vendo de perto tem umas 3 ou 4 mordidas. São só marcas de pontinhos agora que o fizeram sentir que trai sua confiança e ele desfaleceu nos meus braços.

Fico estático sem saber se continuo, então me afasto dele devagar até que ele percebe que parei de beijá-lo para somente lhe observar aguardando sua reação. Antes que ele possa me ver vampirizado, fecho meus olhos forçando a reversão, abaixando a cabeça.

Gomenassai!

— Yuta-chan, o que houve?

— Me exaltei, deixei o beijo me levar até onde não devia tocar...

— Por que está se desculpando?

— Por causa das cicatrizes, são muito mais que eu lembrava...

— Meu querido Yuta, não fica assim, já estão curadas. Por isso escondeu as presas, eu senti quando as encostou na minha pele.

— Sim, eu preciso ir embora, não quero me exceder, é muito tentador.

Tento me livrar do seu abraço e levantar da cama, mas ele segura no meu braço e me olhando nos olhos fala com sua voz doce e um pouco magoada.

Kudasai, Yutaka não vá. Não quero ficar sozinho essa noite.

— Ah! Daigo-kun não fala assim. Tá jogando sujo com esse pedido.

— Vamos só conversar Yuta-chan. Tenho tanto para lhe contar.

— Você abusa do poder que tem sobre mim... Impossível dizer não para ti.

— Normal, sempre indeciso com que deve fazer. Yuta, fiquei muito tempo sozinho. Senti falta da sua companhia. Podemos só conversar, fica bom para você assim?

— Daigo neko-chan, senti falta das nossas conversas na cozinha. Sim, está bom, comece contando sobre como esse óleo pode me ajudar?

— Yuta-chan, esse óleo é muito bom, foi feito a base de verbascum e outras ervas, ótimo para acalmar e afastar os pesadelos.

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Todo contente Daigo começou a falar de suas férias, sua estadia no hotel, e gesticulava ao mesmo tempo que contava que sua mãe o levou ao médico da família para fazer os curativos. E quando os pesadelos começaram ela ficou muito preocupada, e chamou uma terapeuta para conversar com ele. Assim como Arianne fez comigo, só que sem a parte dela também me ensinar a me alimentar dela, lembro dela dizer que com o tempo eu poderia dar prazer ao meu Neko com a minha mordida.

Daigo explicou que depois de duas semanas, começou a sentir o corpo em crise por falta de algo, nem os médicos souberam dizer o quer podia ser aquela sensação. A terapeuta dizia ser efeito pós-traumático do assalto que com o tempo e uns remédios ele ficaria melhor.

— Não entendi, por que crises? O que mais fiz com você?

— Acredito que foram efeitos colaterais da mordida. Os médicos chamaram de crises de abstinência, por que eles não entendiam a razão, pois eu não consumia drogas.

— Então o que você fez?

— Não tinha muito o que fazer, não podia contar que fui mordido por um vampiro. Nem para a terapeuta, os remédios dela eram só para dormir e me acalmar.

Gomen, estudei um pouco sobre os efeitos da mordida nos humanos. O veneno contido na saliva serve para entorpecer a dor da pessoa, se feito direito pode ser um relaxante muscular e tornar a experiência agradável.

— No caso você não sabia, e não usou sua saliva para anestesiar a mordida e o veneno ficou misturado com sangue nas vezes que você se alimentava.

— Então é o veneno que causa dependência, deve ser por isso que tem vários voluntários na comunidade para nos servir.

— É igual uma droga comum sendo viciante, sem ela as crises começam. Minha mãe ficou preocupada que os remédios e a terapia não estavam dando certo e procurou outra solução.

Seguro firme nas suas mãos que estão apoiados sob seus pés, sentado na cama segurando o frasco do óleo. Fixo meus olhos no seu rosto com ternura e culpa, sabendo agora que ele foi muito mais afetado do que eu imaginava.

— Que solução sua mãe encontrou?

— Num templo antigo que tem lá na minha cidade, fomos ver uma sacerdotisa que diz resolver problemas que a medicina não consegue.

— Uma sacerdotisa igual aparece nos animes?

— Sim, com aquela roupa branca e vermelha, assim que me viu falou que sabia o que eu tinha para minha mãe, e me levou para dentro do templo. Sentei-me no chão e esperei, depois de umas orações e o uso de uns pergaminhos disse que fui infectado por um youkai.

— Um youkai? Como assim?

— Exato, um youkai é a representação de algo sobrenatural. Contei somente do assalto e dos pesadelos, só que ela não acreditou nessa história.

— O que ela fez então? Porque ela disse que foi infectado? Possivelmente deve saber sobre os vampiros.

— Bem provável que sabe sim, só olhou as cicatrizes, e falou que não foram feitas por faca e ainda disse que somente o youkai que poderia retirar o veneno, para cessar as crises. O que ela fez foi esse óleo misturado de ervas com uma em especial verbascum, que é capaz de afastar espíritos malignos e pesadelos enquanto você dorme.

— Com certeza ela tem uma conexão espiritual bem ampla, e sabe manipular as ervas certas, para acalmar o espírito. Então como sou a causa da sua infecção, o que devo fazer para retirar o veneno do seu corpo?

— Nossa, ela foi incrível! Esse óleo funcionou de primeira, algumas gotas no pulso e no pescoço, os pesadelos foram diminuindo e abrandou os efeitos da fissura. Interessante, que ela falou se eu voltasse a encontrar com o youkai devia passar umas gotas nele, no lugar onde eu fui ferido, por causa da ligação com o veneno. Acredito que você deve retirar do mesmo jeito que colocou pela mordida.

— Sacerdotisas não erram, ela sabia que você voltaria a encontrar o youkai, portanto fez esse óleo para curar a nós dois. Ainda estou pensando se lhe morder é uma opção plausível.

— Yutaka, posso passar o óleo em você? Assim também faço uma massagem que vai lhe ajudar a relaxar.

— Claro meu querido Daigo, seus dedos são mágicos. Vou gostar muito, acho que estou muito nervoso na sua presença, pode ajudar no auto controle.

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Meu amado Daigo abriu o frasco que segurava, colocando umas gotas nas pontas dos dedos. Segurou minha mão direita, virando a palma para cima e esfregou no pulso até a extensão do braço alcançando o cotovelo, voltando na sequência fazendo massagem para a pele absorver o líquido. Repetindo o mesmo movimento no outro braço, sua expressão demonstrava contentamento, o que também me deixava mais leve e menos apreensivo.

Como eu estava usando uma camisa branca com um colete preto por cima para dar contraste na composição, apenas dois botões estavam abertos, só que estavam impedindo suas mãos de chegar até os ombros. Usando o contato visual Daigo levou seus dedos nos botões para abrir mais a camisa, o qual acenei em positivo para sua realização.

O contato da sua mão quente na minha pele fria provocou um arrepio fazendo meus pêlos dos braços ficarem eriçados. Sem querer murmurei um grunhido próximo do seu ouvido, ele sorriu continuando sua massagem agora nos meus ombros, nuca e pescoço.

Daigo havia aberto minha camisa abaixando-a, deixando meu dorso amostra. Minha pele reluzia com aquela essência perfumada que ele espalhava, chegando as mãos no meu peito fazendo movimentos circulatórios ao mesmo tempo que olhava fixo para as minhas reações.

Esse óleo era bom mesmo, senti todo o peso da culpa e medo se abrandando. Uma sensação leve tomava conta do meu corpo e mente como se nos colocasse para dormir. Pensando melhor isso devia ser perigoso, deixar somente o instinto vampiro no controle, foi desastroso na última vez.

Segurei seus braços com uma força mediana forçando se aproximar do meu peito desnudo. Não estava mais me segurando, precisava deixar minha natureza emergir. Já surtava no meu interior, escutar sua respiração ofegante e a batidas descompassadas do seu coração estava me deixando no ponto de cometer uma loucura.

Eu queria possuí-lo por completo, sonhava muito com esse momento ficar a sós com meu neko-chan.

— Para quem diz não ter medo, seu corpo está lhe traindo, escuto seu coração acelerado, sua respiração alterada e o cheiro da adrenalina está me sufocando.

— Meu corpo ainda pode sentir um receio de estar próximo a ti. Só que Yuta-chan eu quero você por inteiro.

— Neko-chan, seu óleo está liberando minha natureza vampira e acalmando minha parte racional humana. Não sei se é seguro, você é tão saboroso e precioso.

— Yutaka, meu querido vampiro. Deixa acontecer eu confio em ti, pode ser revelar você já mostrou que tem o controle. Agora só pense em ser feliz.

— Eu te amo muito, Daigo. Essa noite você vai ser meu assim como sou seu. Vou fazer o possível para tirar o veneno do seu corpo.

— É tudo que eu queria ouvir, senti muitíssimas saudades de ver seus olhos vermelhos e suas presas. Todo meu ser lhe pertence, quero te amar essa noite também.

— Não vou mais esconder o que sou já você quer me ver assim.

Ainda segurando seus braços próximos ao meu peito, deixei minhas presas aparecerem entre meu sorriso com covinhas que ele gosta de admirar.

Seu rosto estava há poucos centímetros do meu a ponto de respirar o ar que ele exalava.

Estávamos intensos ali naquele momento.

— O que mais é preciso pra você confiar em si mesmo? — Perguntou, tocando em meu rosto. Um carinho sutil que me fez fechar os olhos, inclinar a cabeça e beijar a palma de sua mão, negando.

— Eu não sei — sussurrei, olhando em sua direção e sei que meus olhos estavam vermelhos neste momento, pois o via melhor e mais nítido ao fazer uso de minha natureza vampírica.

Daigo sorriu para mim de um modo diferente do habitual. Havia tanto ali que eu me afoguei em seus lábios por não existir alternativa ou saída para nós dois naquela noite. Eu o queria tanto quanto sei que ele me quer, mas se eu ceder, o que irá acontecer?

O beijo dele tinha gosto de vinho e paixão. Era diferente dos outros que me deu, talvez por me permitir fazê-lo sendo eu mesmo o máximo possível, ou simplesmente por aceitar até certa parte essa nossa situação. Mesmo depois de passar o óleo para abrandar minha culpa, ele poderia sair perdendo, embora o maior perdedor ainda fosse eu, caso me descontrole.

Toquei em sua cintura e o trouxe para mais perto, inconscientemente sobre a quantidade de força utilizada, mas ao escutar um som de protesto, parei.

— Te machuquei?

— Não, só me pegou de mal jeito.

— Viu? É disso que eu falo. Você é mortal, eu não. O que para mim não faz sequer cócegas, pode te quebrar algum osso só com um leve abraço.

— Calma... Yuta tá tudo bem.

— Não. Você não entende o quanto isso é difícil pra mim, Neko-chan?!

Afasto ele, me movendo para outro lado da cama deixando-o na outra ponta, me olhando indignado. Pensei que estava pronto para seguir em frente, mas não, eu devia ter ido embora.

— Você me chamando assim, continuo não passando de um bicho de estimação, não preciso ser protegido.

Sua voz soou grave e impetuosa, ele não estava ali para desistir de mim. A pena na sua cabeça era uma agulha afiada, ele se ergueu na cama com aquilo na mão se aproximando e eu tentando ficar longe quase caindo da cama.

— O que você vai fazer com isso? Você pode se machucar, isso é muito afiado. — Não estava gostando nada disso, ele estava me assustando.

— Vou te ensinar a não sentir medo, Yutaka. Já que o óleo não funcionou... — falou e em seguida passou a ponta agulha no próprio pescoço fazendo um risco vertendo as gotas do seu sangue.

Arregalei os olhos, sentir o cheiro daquela preciosidade me fez recuar mais caindo da cama.

— Ficou louco?! — gritei, minha garganta estava seca, sede... de sangue surgindo — Não está vendo que eu sou um vampiro?

— Eu sei e você é meu — então fez outro filete em paralelo ao lado do anterior.

Um rosnado escapou de mim em protesto a minha própria natureza assassina. Nem sequer percebi que saí da cama, quando minhas costas estavam em contato com a parede oposta, sentindo minhas presas salientes. Encurralado no canto como um animal faminto fugindo da sua natureza predatória com ele vindo da minha direção, entrei em desespero.

— PARE! — Ordenei só que ele não me ouviu.

— Não...

Meus olhos estavam focados nos dois filetes convidativos de sangue, cuja fragrância era exatamente a mesma, porém, ainda mais perfumada do que naquele dia.

Eu sentia tudo através dele, até seu receio seguro, mas tudo mudou quando o vi buscar o pulso para passar a agulha, imediatamente diante dele segurei sua mão e acenei que não.

— Faça o que é de sua natureza... — Daigo me encarou e mostrou o pescoço para mim, um convite que diante daquele olhar convicto, eu não pude resistir.

— Farei sem dor dessa vez...

Ele inclinou o pescoço fechando os olhos, o preparei lambendo os filetes de sangue, então o mordi. Escutei-o sorrir e gemer com o contato das presas entrando na sua pele e uma das suas mãos parou nas minhas costas e a outra no meu cabelo enrolando os fios.

Seu coração estava acelerado assim como o meu. Ambos na mesma batida e foi ali que entendi que ele não tinha medo de mim, era eu mesmo que não me conhecia.

Ele estava tão seguro de si próprio que isso passou pra mim que segui o sugando com fervor.

Suguei até sentir que era meu limite, não podia me exceder. Sem desperdiçar uma única gota do seu precioso sangue, anestesiando o local para aliviar a dor. O beijei selando aquele momento de confiança mútua entre a gente.

Nos afastamos um do outro, seus olhos brilhavam em minha direção, eu me vi através dele e tudo o que enxerguei foi o oposto do que imaginei que seria. Não havia nenhum monstro ali, apenas eu.

Sorri envergonhado por mim mesmo e ele inclinou a cabeça para poder me observar.

— Que foi? Não me diga que está chorando ou meu sangue ficou ruim? — Tentou brincar e o abracei.

— É bem o contrário, tanto que nem sei como fui capaz de me conter — confidenciei, lambendo o outro lado o sentindo se arrepiar.

— Quer mais?

— Quero, mas não devo ou você vai se sentir fraco — disse, conformado, jamais triste.

— Não tem problema, você me leva pra cama como eu quis fazer mais cedo — contou o que eu já sabia, usando uma de suas mãos para encostar minha boca em sua pele. — Tá tudo bem, eu aguento você.

Havia tamanha convicção naquelas palavras e gestos que não resisti e o mordi outra vez, desta sem o furor anterior causado pelo medo, mas a segurança de um amante devotado e prestativo.

Sei que ele não sentiu, mas o levei quase flutuando em direção a cama focando minha atenção onde o colocaria. Agora que o sugava com moderação era possível sentir como seu sangue vinha pra mim a cada nova batida de seu coração.

Era tudo o que eu ouvia e entendia através desse som quando me disse que era hora de parar.

Eu estava mais quente por dentro e corado por fora, já ele o oposto total de mim, mais frio e pálido. O que trouxe remorso, mas seu olhar carinhoso e seu afago dificultoso em meu rosto, contava outra nuance dessa história. Uma que saiu através dos lábios dele.

— Isso é apenas meu desejo de me unir a você.

Beijei sua mão outra vez.

— Eu sei — afirmei sorrindo em troca do carinho.

Já que ele queria ser parte do meu mundo, eu daria a mim em troca.

— Aceita ser meu noivo Daigo Naito?

— Nem preciso dizer, já dei meu sangue em resposta. — sorriu — Sim, eu aceito seu pedido Tanabe Yutaka.

— Sua aliança está aqui — com minha própria unha fiz um corte no meu pescoço exatamente onde havia machucado ele e o trouxe até a mim.

Sentir seus lábios macios na minha pele, foi como ter um tipo de orgasmo. Era sublime a sensação muito surreal, muito além de qualquer ato físico.

O envolvi nos meus braços trazendo contra meu peito, senti o quanto ele respondia ao estímulo que toquei sob o seu yutaka soltando o nó do cordão, descendo para suas pernas tocando em sua intimidade para aumentar seu prazer.

Assim queria que ele compreendesse a magnitude daquele sentimento. Compartilhar meu sangue era algo tão íntimo e profundo com poder sexual maior que o prazer que o humanos sentem quando estão entregue ao tesão.

Ele me beijou ainda com um pouco do líquido rubro meu em sua boca, difícil descrever a sensação de sentir parte de mim nos seus lábios. Daigo estava entregue ao momento, logo ficaria sonolento. Minha atenção foi direcionada em lhe proporcionar um orgasmo, como tive com ele me sugando.

Com movimentos repetidos de vai e vem, em menos de três vezes que o pressionei, ele chegou ao seu limite, no qual ele gemeu meu nome alto. Escutá-lo fez o predador dentro de mim rosnar junto, fazendo nós dois não reprimir mais o tesão e a paixão, liberando toda a adrenalina sujando nosso corpo colado e suado.

Daigo me soltou extasiado e deitamos de frente um para outro, foi intenso demais, ele estava exausto e sem forças até para falar. O beijei em vários pontos do rosto e um beijo em especial na testa, acariciei seu rosto com ternura.

Suas pálpebras estavam pesadas, ele tentava mantê-las abertas com medo que eu fosse embora. Toda aquela excitação e adrenalina do seu sangue quente no corpo me deixou elétrico, só ia conseguir dormir quando o sol estivesse perto de nascer.

— Pode dormir, meu querido. Eu não vou sair de perto de você.

— É uma promessa?

— Sim, meu amor. Vou ficar vendo você dormir, até meu sono chegar.

— Eu te amo, Yutaka. — falou bocejando as palavras se rendendo ao sono profundo.

— Arigato por não desistir de mim... — disse ele resmungou sonolento, não sei se ouviu mesmo.

Puxei a coberta para cima de nós dois, eu estaria ao seu lado no dia seguinte quando ele acordasse. Meu trauma foi resolvido naquela noite com a insistência do meu lindo neko.



Notas finais
Daigo foi impulsivo e assustou Yutaka. Enfim o trauma foi resolvido... Agora Daigo é noivo do vampiro Yutaka. E Uruha é namorado do Kai... Que outra confusão pode ocorrer no futuro desse relacionamento? Deixem suas reações nos comentários Obrigada por ler Obrigada por favoritar Obrigada por comentar ❤ Obrigada muuuito obrigada PS: Kakatte Koi está sendo publicada ao mesmo tempo no Spirit. Começou ser postada no Wattpad, está no capítulo 11 https://www.wattpad.com/story/302486760-kakatte-koi