Kakatte Koi
32 O Restaurante
Notas iniciais

POV OFF
Yutaka observava Daigo dormindo, acariciando seus cabelos, prestava atenção na sua respiração se acalmando e as batidas do seu coração desacelerando, ele estava sereno e em paz. Analisava cada detalhe do seu noivo humano, a sua mortalidade era o que lhe encantava, algo que havia perdido sendo vampiro. Só se sentia completo quando se alimentava, o sangue fazia seu corpo ficar quente e seu coração voltar a bater acelerado.
Daigo era muito precioso e sua coragem em enfrentar seu próprio medo para mostrar a Yutaka que ele tinha o controle foi inusitada e bem assustadora. A sensação dele em seus braços agora, superou a imagem que ainda causava os pesadelos ao vampiro.
O sono chegou para Yutaka, com a aproximação do nascer do sol, sua natureza vampira sentia que era necessário esse descanso. Ao contrário do que teve com Uruha que apenas acabaram dormindo juntos. Ele queria continuar sentindo o calor que emanava do corpo de Daigo, puxando para seu peito e abraçando-o com amor e muito carinho.
“A imensa vontade de ter alguém para colocar fim à sua solidão eterna estava se realizando? Daigo seria essa pessoa? E Uruha onde se encaixava como também seu namorado?”
Yutaka dormiu com esse pensamento. Teria que resolver isso com seu alter ego Kai, não podiam mais continuar mentindo para o guitarrista.
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Daigo sentia-se confortável dormindo nos braços de seu amado vampiro, não queria ter que levantar, mas seu estômago reclamava de fome, por ele ficaria aproveitando cada minuto daquele aconchego. A noite foi incrível, só agora percebeu que o vinho lhe deu coragem para enfrentar seu algoz e mudar o que aconteceu, revertendo o medo em confiança e reacendendo a sua paixão por Yutaka.
Ao abrir os olhos, Daigo observou que já devia ser bem tarde. Suas noites de sono eram apenas poucas horas, pois ainda tinha alguns pesadelos mais brandos mesmo usando o óleo de verbascum. Compartilhar do sangue do seu vampiro, teve efeito curativo, não sentia nenhuma dor, muito menos cansaço ou fraqueza, sendo o melhor momento de prazer que já teve na sua vida.
Só que ainda era humano, de certa forma começou a entender o excesso de cuidado que Yutaka tinha em protegê-lo, era frágil aos olhos dele.
Como muito custo conseguiu sair do abraço dele, para ir fazer suas necessidades, olhando no relógio a hora do almoço já havia passado. Yutaka não sabia fazer porções pequenas, com certeza sobrou muito do macarrão do jantar.
Depois de um banho relaxante, se encaminhou para a cozinha para saciar sua fome. Mas parou perto da cama para admirar Yutaka dormindo que demonstrava no seu semblante um ar de contentamento e tranquilidade. Fechou bem a cortina escurecendo o quarto, saiu sem fazer barulho fechando a porta devagar. Yutaka precisava daquele descanso e um sono de qualidade.
Daigo decidiu esquentar a comida primeiro antes de arrumar tudo, nunca tinha dormido tanto assim, ao olhar no relógio já passava das 2 da tarde e ainda ia almoçar. Como ele imaginava, Yutaka fez uma porção bem grande de yakissoba, que sobraria para noite se não tivesse com muita fome no momento.
Resolvido o problema da fome, Daigo começou a arrumar a bagunça na cozinha deixada da noite do jantar, era pouca louça em relação ao restaurante então foi rápido na sua organização. Separou uma porção de aperitivos e o vinho que foi buscar no quarto espiando se seu Yuta ainda dormia.
Sentou-se no sofá para aproveitar o restante da tarde de domingo, era seu último dia de férias. Na segunda voltaria às suas atividades no restaurante agora como gerente, decisão de Hizaki e Yutaka. Um novo chefe foi contratado na sua ausência e outros funcionários para reabrir o restaurante para o almoço. Segundo Hizaki que ficou no comando, esperando Kai/Yuta se sentirem confiantes para voltar a pisar no local do acidente, disse que somente na companhia de Daigo voltaria para lá.
Daigo tentava afastar esses pensamentos para não ficar preocupado, vendo seu programa favorito de culinária na televisão: Masterchef. Distraindo a cabeça para não sofrer por antecipação com dia seguinte, esperando Yutaka acordar para ficar mais um pouco na sua companhia, pois nas próximas semanas ele estaria envolvido com ensaio, show e perto de Uruha todos os dias, só aparecia na noite dos artistas.
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Yutaka acordou quando buscou Daigo na cama e percebeu que ele não estava mais ao seu lado. Notou a penumbra no quarto, e pensou se ainda era dia?
Daigo devia ter levantado a muito tempo o deixando dormir. Por sinal foi sua melhor noite de sono sem pesadelos, o aconchego do seu amado neko foi reconfortante.
Levantou indo na direção das cortinas para se situar sobre o tempo, vendo que o sol já estava perto do seu crepúsculo, então logo seria noite.
“Por que Daigo não o acordou antes como fazia no restaurante?”
Depois de ir ao banheiro saiu do quarto a procura de Daigo no pequeno apartamento, passando pela cozinha viu tudo limpo e arrumado. Encontrou o seu neko dormindo no sofá com o controle da televisão na mão. O que ele devia estar assistindo já havia acabado.
Se agachou na frente dele, acariciando seus cabelos e se aproximou selando um beijo na testa. O que fez Daigo bocejar e abrir os olhos devagar, sorrindo em seguida ao ver Yutaka à sua frente lhe fazendo carinho.
— Ohayoo Yuta. Que bom! Você acordou. Dormiu bem?
— Konbanwa, querido Daigo. Dormi sim... Por que não me acordou mais cedo?
— Você estava dormindo tão tranquilo e confortável que não quis lhe acordar. Hoje é domingo, dia de acordar mais tarde mesmo.
— Ah...meu amor. Não é por que sou um vampiro que devo dormir o dia todo. Queria muito aproveitá-lo com meu neko.
Yutaka se aproxima dos lábios de Daigo selando um beijo calmo e demorado, levantando-se do chão sentando ao lado do seu amado no sofá.
— Eu sei, meu querido vampiro, só que você precisava desse descanso, estava muito nervoso ontem. Se sente melhor? Mais confiante agora?
— Meu querido Daigo-chan, estou bem sim. Por que não voltou para cama? Ficou dormindo desconfortável aqui no sofá?
— Eu estava vendo um programa na tv, comendo amendoim e bebendo vinho, esperando você acordar e acabei cochilando...
— Não precisava limpar a bagunça que fiz ontem cozinhando, eu ia arrumar depois tudo para ti. Ainda tinha yakissoba para seu almoço?
— Tinha pouca louça, nem pode ser considerado uma bagunça. Yutaka, você é um chef bem organizado. Sim, sobrou muita comida, até para o meu jantar. Se tem uma coisa que você não sabe fazer são porções pequenas.
Yutaka sorriu mostrando suas covinhas com o comentário de Daigo, por trabalhar no restaurante sempre faz porções grandes para servir aos clientes sem fiquem esperando muito tempo.
— Olha elas aí sua marca registrada, suas lindas covinhas. Elas iluminam seu rosto. Devia sorrir mais vezes, Yuta-chan.
— Estar junto a você me deixa muito feliz, senti muitas saudades.
— Então vamos aproveitar essa tarde, depois durante a semana será difícil te ver novamente, já que você não mora mais no restaurante.
— Daigo-chan, não voltei ao restaurante desde o acontecido, faremos isso amanhã, assim também vamos conhecer os novos funcionários que Hizaki-san contratou.
Daigo se levanta segurando a mão de Yutaka indo em direção da sacada da sala do seu apartamento.
— Venha aqui na sacada sempre quis fazer isso com alguém especial.
— Daigo-chan, o que seria isso? Eu sou especial?
— Sim, meu amor é muito especial para mim. Venha ver o pôr do sol, é lindo nessa época do ano.
— Ah...meu querido Daigo neko-chan. Queria muito poder ver o nascer do sol contigo também mas...
— Tudo bem... não se importe com isso. O que vale é intenção, aprecio bem mais a noite.
Uma pequena grade protege o cômodo no qual Daigo apoia suas mãos. Yutaka se junta a ele lhe dando um abraço carinhoso pelas costas, circulando as mãos na cintura dele. Colocando seu queixo no ombro dele, sentindo seu cabelo e cheirando seu pescoço onde mordeu noite passada. Passando de leve a língua no lóbulo da orelha só para sentir seu neko se arrepiar.
Yutaka aproveitava aquele espetáculo da natureza com seu noivo Daigo, naquele raro momento de paz e tranquilidade que o crepúsculo transmitia, tornando o céu vermelho e em seguida dando a passagem para o azul escuro com estrelas e uma linda lua cheia iluminando os amantes.
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No dia seguinte...
Daigo segurava a mão de Yutaka dentro do veículo com o motorista que havia trazido-os da mansão Versailles junto com Hizaki, para ambos conhecerem a nova equipe contratada na ausência deles.
Yutaka estava nervoso e ter Daigo ao lado deveria acalmá-lo, mas não estava acontecendo como ele imaginava. Portanto quando voltou à mansão para se arrumar para ir ao restaurante como Hizaki combinou, pediu para o guitarrista o acompanhar também.
Hizaki sabia que ele estava adiando ir ao local, e agora junto com Daigo era o momento certo dele enfrentar esse medo e seguir em frente.
O expediente do almoço já havia acabado, e os funcionários esperavam pela reunião marcada por Hizaki, por volta das 2 da tarde. O veículo chegou no horário, só que Yutaka relutava em descer agora que percebeu que era inevitável voltar para sua nova casa.
Sendo Daigo que tomou a decisão corajosa de se levantar e seguir com o plano que tinha feito na sua cabeça no final de semana. Segurando na mão dele, o forçou a sair do veículo, que foi estacionado na área coberta, protegendo ambos do sol nublado da tarde.
Seria muita falta de educação deixar a equipe esperando muito tempo depois do expediente. Hizaki seguiu os dois até chegarem à porta que Masashi arrombou para salvar Daigo. Como nenhum dos dois conseguia abri-la, o guitarrista teve que passar a frente e fazer isso por eles.
Daigo respirou fundo e apertou a mão de Yutaka, que olhava tudo à sua volta. Ficando surpreso que Hizaki fez uma revolução no lugar mudando toda a decoração do salão, uma nova cor na parede, tudo feito para o chef não lembrar do seu descontrole.
— Yutaka-san, o que achou do novo Kakatte Koi? — Hizaki pergunta olhando para o chef.
— Hizaki-kun, está perfeito. Você é incrível, não imaginei que ficaria tão lindo, quando disse que ficou fechado para reforma.— Yutaka responde maravilhado.
— Como todos sabem depois do assalto, precisava mudar um pouco e voltar em grande estilo. — Hizaki menciona o assalto por conta de ser a versão oficial e os funcionários estarem ouvindo a conversa.
— Prefiro nem lembrar o pavor e o medo que passei nas mãos daquele assaltante. — Daigo suspira e Yutaka presta atenção no seu comentário ficando envergonhado.
— O importante é que você já está bem e recuperado do trauma daquele dia.— Yutaka tenta remediar o comentário, pois sabe que é o verdadeiro culpado.
— Chef Kai, também está tudo bem com você agora? Gostou das mudanças? — Hizaki questiona o alter ego de Yutaka.
— Sim, Hizaki-kun estamos bem agora. Você cuidou muito bem do nosso restaurante. Arigatô.— Kai responde e Daigo vê a mudança de Yutaka para o alter ego.
— Que bom. Venham, aqui vou apresentar a equipe, alguns vocês já conhecem, outros são novos estão trabalhando a pouco tempo. — Hizaki os leva até os funcionários que estão esperando na cozinha.
Hizaki faz as apresentações devidas de ambos aos mais novos, e ao chef que ficou no lugar de Daigo. Kai se desculpa por ter feito eles esperarem depois do expediente. O chef Kai introduz Daigo como o novo gerente do restaurante e também responsável pela volta da noite dos artistas nos fins de semanas como antes.
Kai explica que como a banda vai começar uma turnê de show pelo país, não vai estar tão presente como antes, e está deixando Daigo no comando.
Os funcionários cumprimentam Kai pelo sucesso com a banda e alguns comemoram a volta da noite dos artistas, onde eles também podem conhecer outras bandas famosas.
Daigo ficou um pouco envergonhado com Kai por exaltar sua pessoa e suas qualidades para o novo cargo. Com medo que alguns dos conhecidos fossem perguntar sobre as cicatrizes. Ele usou um lindo lenço que cobria todo seu pescoço escondendo também as marcas que Yutaka deixou na noite passada, quando se alimentou e aproveitaram a noite, fazendo o vampiro dormir lá novamente.
Depois de dispensar todos, a reunião foi concluída com sucesso. O restaurante que foi palco dos pesadelos de Yutaka, estava reformado e nem tinha vestígios de que algo ruim aconteceu ali...
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Mas faltava um lugar que Hizaki, não mexeu o quarto do seu amado filho Yukkun. Deixando ambos a sós, Daigo e Kai subiram as escadas para ver o último lugar que o moreno se escondeu, antes do ataque do vampiro.
Parados na frente da porta, Kai leva a mão à maçaneta abrindo-a para entrar no cômodo. Daigo dá uns passos à frente e suspira forte com a lembrança na qual tentava fugir do vampiro, sendo nesse momento que conseguiu deixar a mensagem de ajuda para Kamijo antes de ser arrastado debaixo da cama por Yutaka.
— Meu quarto... está como lembro quando vim me trocar para o jantar...
— Seu quarto... esse jantar... aquela noite...
— O jantar que eu devia ter dito NÃO para ele...
— Hummm... mas convenci você que não tinha problema jantar com seu namorado.
— Sua bondade quase lhe custou a vida, Daigo-kun. Não devia ter ficado depois do jantar.
— Pensei em ir embora... só que lembrei da sua fome. Uruha-san podia sair ferido, e sua culpa seria pior caso ele sobrevivesse e revelasse que vampiros existem.
— Yutaka falou que Hyde-san costuma apagar a memória de quem descobre sobre nós.
— Vocês me mandaram para longe por causa desse medo. Yutaka me contou.
— Daigo-kun, por que você tá sempre pensando nos outros em vez de si próprio?
— Sempre fui assim, ajudar os outros me deixa contente. Kai-kun, você estava precisando de ajuda para manter o controle durante o jantar.
— O jantar de certo modo deu certo para Uruha que saiu ileso. Mas eu não devia ter confrontado Yutaka sobre ele ter tomado meu lugar. Ele disse que estava assumindo o controle para eu não detonar o corpo como da outra vez.
— Péssima ideia a minha ficar com ciúmes, justo quando sabia que você estava com fome. Brigar com Yutaka naquele momento e ainda furar o dedo na hora errada só piorou a situação.
— Daigo-san, eu sei o que aconteceu aqui no quarto. Gomenassai.
— Você estava dormindo. Como sabe?
— Depois que você acordou, Yutaka me chamou para conversar e contou o que houve. Ele tinha me bloqueado com medo do que fez, com muita insistência tive acesso às suas memórias, então sei tudo o que ele fez você passar.
Kai se afasta de Daigo envergonhado com as mãos no rosto indo na direção da cama se sentando e deixando uma lágrima escorrer na sua face.
Daigo se compadece do jeito dele por ser sentir culpado por lhe machucar, se aproxima e estende a mão passando no seu cabelo para acalmá-lo.
— Daigo-san, desde que você voltou, Yutaka não me deixou conversar contigo. Meu único amigo humano, confidente e cúmplice...
— Kai-san, tá tudo bem agora. Não precisa ficar assim... Você nunca quis ser vampiro.
— Nem tudo está, foi tudo culpa minha. Minha rejeição fez Yutaka ficar dependente das garrafas, e também o impedi de aprender como se alimentar. Fui egoísta e malvado privando ele do convívio da família, mantendo ele solitário aqui nesse quarto.
— Eu sei disso tudo. Lembro que você era bem arredio e tinha muito medo de conversar com os funcionários, então somente dava ordens, o que o tornava excêntrico.
— Sim, eu tinha medo de me aproximar e sentir vontade de morder algum dos humanos que trabalhavam para mim.
— Foi difícil ganhar sua confiança. Eu percebia o quanto o chef era solitário e se esforçava para manter as pessoas longe sendo ríspidas com elas. Queria ser seu amigo, quando me pediu para ajudar com a audição vi a oportunidade.
— Daigo-san, tu foi meu cúmplice na história do baterista misterioso. Nem questionou o estrago que fiz na parede do bar. Ainda me deu cobertura, servindo e cuidando da banda, enquanto eu levava Uruha para conhecer a cozinha...
— Quando você baixou a guarda, eu aproveitei lhe ajudando mesmo achando estranho seu jeito e suas excentricidades. A baqueta na parede foi só o começo, fui juntando os fatos, e minhas suspeitas confirmaram com o vinho suspeito.
— Então você desconfiava que eu era um vampiro só pelo vinho especial. Por que não falou nada?
— Assim como você ainda não conseguiu falar para o Uruha. Tinha receio do que você pudesse fazer sabendo que eu descobrira seu segredo. Tipo usar hipnose, se alimentar e se livrar de mim, como vemos nos filmes.
— Pensando bem, não é comum descobrir que vampiros existem e seu chefe ser um deles.
Kai se sente melhor conversando com Daigo, sorrindo com as respostas do rapaz que só queria ser seu amigo e tem uma fascinação por vampiros.
— Daigo-san, você pode me perdoar?
— Perdoar? O que mais? Essa conversa que estamos tendo não era para isso?
— Sim, claro, sempre é ótimo conversar com você.
— Sobre os traumas e pesadelos já resolvi com Yutaka noite passada.
— Eu sei Daigo-kun, o lenço no pescoço é sobre isso. Yutaka tinha medo de perder o controle em lhe morder outra vez.
— Sim, mostrei que ele tem o controle agora. O lenço é por que fiquei com medo dos funcionários pedirem para ver as cicatrizes.
— Entendi, alguns são curiosos mesmo, fez bem.
— Se não é isso, o que deseja, Kai-kun?
— Daigo-kun, eu não cumpri com minha promessa e você saiu ferido. Parte dessa culpa é minha.
— Quando descobri sobre seu segredo, eu sabia que seria perigoso me envolver com um vampiro. Só que Yutaka estava tão carente e foi tão amável que por um momento esqueci.
— Então, na minha visão, prometi que Yutaka não lhe faria mal, só que esqueci que na falta do vinho ele se torna instável. Na verdade, nós não sabíamos como nos alimentar direito antes, muito menos da fonte. Eu nem sabia de onde vinha o sangue das garrafas para ir atrás. Tudo que aconteceu foi por causa do instinto de sobrevivência.
— Tudo que aconteceu agora é passado. Vamos seguir em frente, num ponto foi traumático, mas foi revelador fez você aceitar sua condição vampira e aprender com sua família, como ser um humano vampiro melhor para conviver em sociedade.
— Ah... Daigo! Você sempre vê o lado bom das coisas ruins. Yutaka tem mesmo sorte de ter-lo ao seu lado.
— Se te faz sentir melhor, está perdoado sim por tentar se isolar. Só que ainda tem um problema que só você pode resolver.
— Arigatô por cuidar de nós. O que seria? Acho que sei...
— Você se abriu, contou tudo o sentia e passou para mim. Agora precisa ser sincero e contar a verdade para outra pessoa, certo.
— Você tem razão. Uruha precisa saber a verdade sobre mim, Yutaka e você. Estou vivendo uma mentira com ele achando que sou um simples humano.
— Devagar Kai-kun, uma coisa por vez, senão ele se assustará. Estranho ele não ligar por notícias suas.
— Avisei que acertaria as coisas do restaurante com você no fim de semana e na segunda faria uma visita ao local para conhecer a equipe nova.
Daigo sorriu com a desculpa que ele deu para o guitarrista, sobre onde estaria. Incrível Uruha não questionar por que ele levaria tanto tempo com o amigo ferido que estava de volta a ativa. Kai se levanta e vai ao guarda roupa em busca de algumas trocas de roupas que ficaram ali e uns sapatos colocando-o numa mala pequena que estava guardada. Quando pediu para Teru e Yuki trazerem suas coisas, eles pegaram as peças que pareciam estar mais fáceis.
De posse da mala e com Daigo ao lado, ambos concluem a conversa sobre o que passou saindo do quarto. Todas lembranças agora seriam passado, um novo recomeço para Daigo como gerente do restaurante e chef Kai e Yutaka com o The Gazette.
Como agora Yutaka morava na mansão, o quarto serviria apenas para o fim de semana da noite dos artistas, assim ficaria mais fácil controlar o movimento dos clientes nesses dias. Também seria o lugar de encontro de Yutaka e Daigo ficar um pouco juntos, já que a banda tem ensaios quase todos os dias.
Hizaki estava esperando por eles no salão, vendo o sorriso na face de Kai e mala em sua mão, percebeu que tudo estava bem agora. A conversa dos dois foi bem sucedida.
Nisso o celular de Kai vibrou no seu bolso, ele retirou para atender e visualizou ser o guitarrista a sua procura querendo notícias. Daigo cochichou com Hizaki que tinha falado sobre Uruha ainda não tinha ligado para saber do namorado.
— Moshi... Moshi... Konichiwa! Quem fala?
— Konichiwa! Kai? Yutaka? Sou eu, Uruha.
— Uruha, meu querido sou eu mesmo o Kai. Tudo bem?
— Tá sim, e você? Deu tudo certo? Tá no restaurante?
— Deu sim, tá tudo ótimo agora. Sim estou, está muito lindo, você precisa ver.
— Ah... meu amor vou sim, que bom. Está sozinho?
— Não estou, Hizaki e Daigo vieram juntos tá tudo diferente depois da reforma.
— Que legal! Manda um oi para eles por mim.
“Uruha, tá mandando oi...“ — Kai falou afastando do celular.
Daigo e Hizaki retribuem o gesto pedindo para Kai agradecer ele.
— Kai, estou ligando também para avisar que Ruki marcou uma reunião para hoje à tarde lá pelas 6 horas, depois vamos ter um ensaio rápido.
— Beleza, então eu já estava saindo daqui mesmo. Só vou para casa trocar de roupa, e pedir para o motorista deixar o Daigo na casa dele.
— Perfeito! Vou ficar lhe esperando, para você me contar tudo como foi.
— Certo, vou tentar chegar um pouco antes para conversar antes da reunião. Ruki fica bravo quando atrapalha a palestra dele.
— Verdade, ele fica possesso só o Reita para acalmar aquele baixinho. Até mais. Beijos.
— Até daqui a pouco, Uruha. Beijos...
Daigo dá um soquinho no ombro do Kai, fazendo ele rir mostrando suas covinhas.
— Kai-kun, você nem precisava ir para casa se trocar, tá muito bem assim.
— Daigo-kun, na verdade eu tô ficando com fome e Arianne vai estar lá, assim poderei ir tranquilo para a reunião.
— Não há necessidade de você ir tão longe, sabe que pode se alimentar de mim sem problema algum.
— Melhor não Daigo meu amigo, você pode ficar muito fraco. Yutaka já abusou se alimentando dois dias seguidos de ti, não quero você anêmico.
— Tudo bem, Yuta ia ficar preocupado mesmo, mas só dessa vez tá. Você vai passar a semana ensaiando com ele e a banda. Já estou com saudades. Manda Yutaka me ligar.
— Pode deixar, nós te amamos muito Daigo-san.
— Aproveita a oportunidade e tenta conversar com Uruha.
— Vou tentar sim...
— Vamos Hizaki-san já deve tá cansado de esperar na van...
— Nossa! Coitado eu o aluguei o dia todo, se fosse o Kamijo já estava xingando.
— Com certeza, falta muita paciência no seu mestre, ainda bem que tem de sobra em Hizaki-san.
Os dois se encaminham para porta saindo e trancam tudo, seguindo para van para cada um ir para seus outros compromissos ou descanso em casa.
Uma nova vida começa agora, novos desafios e muito sucesso pela frente é o que Yutaka, Kai e Daigo esperam.
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