Notas iniciais
Olá meus queridos leitores. Voltei. Ainda lembram de mim? Alguém tá com saudades? Estão todos bem se cuidando contra a Covid? Dizem que o ano só começa depois do Carnaval. Como já estamos perto da páscoa também é aniversário da publicação da história que começou em 2020. Quero dizer em minha defesa que demorei para atualizar, por que tive um bloqueio imenso. Para me distrair dele, fiquei envolvida com a produção do meu livro físico de Darkness. A inspiração está voltando aos poucos, muitas fotos e o show do Gazette também ajudado muito. Não é um capítulo grande como eu costumava escrever, mas tem boa qualidade e um bom diálogo. Agradeço os leitores que ainda continuam aqui me apoiando e lendo a história. Ela, vocês e o Gazette são muito importantes para mim. Boa Leitura . E um bom ano de 2022. Eu que fiz a capa da capítulo.

POV OFF

Depois que Daigo-san voltou, aquela semana foi cheia de compromissos e atividades no estúdio em decorrência do lançamento do álbum. Yutaka não teve um minuto de paz esses dias. A constante lembrança que no começo da semana pisaria novamente onde tudo aconteceu, seu descontrole e quase morte do seu amante estava deixando ele um pouco aéreo e nervoso. Durante os ensaios sua mente o levava a reviver a cena perdendo às vezes o compasso das batidas sendo que Uruha preocupado lhe chamava fazendo-o voltar a realidade, retomando a música perdida.

Já era sexta-feira esse era o último ensaio daquele dia, só que estavam com dificuldade de encerrar as músicas. Uruha, percebendo que seu namorado não estava bem, pediu uma pausa para os amigos, que foi bem aceita eles já ensaiavam direto a mais de uma hora.

Yutaka, só se deu conta que eles pararam quando Uruha, foi até ele e tocou nos seus ombros fazendo o olhar ao seu redor não vendo mais os outros membros. Então ele deixou suas baquetas em cima do tambor e ficou encarando os olhos chocolates preocupados em si. Yutaka tinha um carinho especial por aquele humano. Uruha era gentil, carinhoso e tentava compreender o que ele havia passado, seu trauma com o assalto e o amigo do restaurante que fora atacado.

Yutaka pensava agora que seu amante Daigo havia voltado de suas férias, se conseguiria encontrar um momento certo para contar a verdade para seu namorado sobre a verdade sobre si e sua relação com o colega de trabalho.

— Uruha, por que pararam? O ensaio estava quase no fim.

— Você não está bem, Kai. Nem percebeu que errou, tá perdendo o ritmo, sua cabeça tá em outro lugar.

— Estou bem sim, pode chamar os outros, vamos terminar o ensaio… Gomen, vou prestar mais atenção.

— Não está, desde que Daigo-san voltou, você está assim…

— Assim como, Uruha?

— Distante, com olhar perdido. Seu amigo não voltou bem?

— Daigo-kun, está bem, nem dá para ver mais as cicatrizes. Tão bem que voltou pronto para trabalhar.

— Entendi agora qual é o problema...

— Uruha, não tem nada. Vamos terminar o ensaio.

— Kai, eu te amo, pode confiar e me contar. O que tá se passando aí na sua cabeça.

Uruha acaricia o rosto de Kai, ele retribui o contato fechando os olhos e suspirando forte sentindo a pele macia em suas bochechas. Abrindo os olhos, se levanta da sua bateria pegando a mão do namorado indo na direção do sofá, precisava conversar a sério e expor suas inseguranças, muita responsabilidade ele tinha assumido agora.

— Eu te amo também e sei que posso confiar em ti. Você sabe qual é o problema?

— Acho que deve ser por causa do restaurante.

— Você pode estar certo… Não queria atrapalhar o ensaio.

— O ensaio não sai se você perde a concentração e temos que recomeçar. Então gostaria de me contar o que lhe aflige tanto.

Nervoso, ele esfrega uma mão na outra, e aperta as mãos de Uruha, que sente sua mão fria e que seu olhar é triste e preocupado.

— Uruha, estamos com medo de voltar lá. Voltamos a ter pesadelos.

— Pesadelos? Mas você falou que tinham parado, depois que fui visitá-lo.

— Sim, achei que estava tudo bem até...

— Daigo-san voltar das férias e falar sobre voltar a trabalhar.

— Isso mesmo... Uruha, tudo voltou... O medo, a agonia, o desespero de ver ele caído no chão quase desfalecido.

Kai leva as mãos ao rosto abaixando a cabeça encostando entre as pernas, suspirando forte. Uruha se aproxima mais perto para tentar acalmá-lo, puxando-o para seu corpo encostando sua cabeça no seu peito, acariciando seus cabelos e deslizando as mãos em suas costas.

— Não fica assim, sei que foi assustador e traumático para vocês dois. Já passou, você conseguiu superar e Daigo-san também está bem.

— Eu pensei que tinha superado, mais não é o que estou sentindo, tem essa dor aqui dentro e a sensação de que vou ver todo o cenário de destruição e cheiro do sangue assim que colocar meus pés lá.

— Vai dar tudo certo. Hizaki-san cuidou de limpar tudo e mandou reformar e consertar o que foi destruído. O restaurante tá impecável e funcionando.

Kai se afasta do carinho do namorado empurrando-o com as mãos, levantando a cabeça ficando na altura dos seus olhos. Secando as lágrimas que escorreram a manga da sua blusa retrucando o comentário de Uruha.

— Kou-chan, você não tá entendendo. E se... eu não for mais capaz de cozinhar...

— Como assim!? Cozinhar não é algo que se esquece assim.

— Depois do acidente não cheguei mais perto da cozinha. Só fiz a sua sobremesa e nada mais. E se... os novos funcionários não gostarem de mim... E se... os antigos implicarem por que promovi Daigo-kun a gerente...

— Pode parar com toda essa paranóia de “E se...”. Ninguém vai te olhar estranho ou implicar contigo. Eles com certeza entenderão o que você e o Daigo passaram.

— Será mesmo? Esse medo não tá deixando eu pensar direito. Yutaka não está conseguindo me deixar dormir, fica andando e murmurando que tem medo de surtar no restaurante.

— Yutaka estaria com medo de ficar sozinho com Daigo no restaurante?

— Sim, foi tudo nossa culpa... não conseguimos defender ele do ataque.

Kai então se levanta do sofá para pensar naquilo. Conversando em pensamento com Yutaka, seu medo principal é perder o controle novamente com as lembranças do ataque e o sabor do sangue do neko.

Não seria mais fácil contar toda verdade para Uruha.

“E se... ele se assustar e nos rejeitar achando que somos um monstro.”

Ahiru-chan, já aceita eu ter um alter ego, pode ser um passo para contar esse segredo nosso.”

“Posso tentar falar sobre Daigo-kun ser um amigo bem mais próximo e íntimo."

Não sei, ele pode se sentir traído por causa do meu neko-chan saber de tudo e esconder dele a verdade.”

“Como vou entrar nesse assunto com ele? Não posso dizer: ‘Uruha, esse medo é por que sou um vampiro e ataquei o Daigo quando estava faminto e ele ficou em coma’.”

Você poderia sim seria rápido e daria fim nessa agonia, mas não tem coragem e muito medo de perdê-lo. Vai ser pior se ele descobrir por outra pessoa.”

Uruha fica olhando Kai andar para os lados, vendo ele mexer os lábios dando a impressão de murmurar algo que ele não consegue ouvir sentado de longe.

— Meu amor, você se preocupa demais. Agora vai correr tudo bem, se o problema é cozinhar. Você poderia revisar o cardápio com seu novo gerente, adicionar um prato novo fácil de fazer que agrade ao paladar de todos.

— Ah! Falou como um chef de cozinha agora. Tá aparecendo um talento escondido?

— Que nada! Sou mais um degustador da sua comida maravilhosa. O que achou da ideia? Pode ajudar com o nervosismo da volta ao restaurante.

— Sim, Uruha é uma boa idéia. Preciso mesmo me atualizar do que estão servindo. Daigo-kun, como gerente posso ter mais tempo para os ensaios com a banda.

Uruha se levantou indo até seu moreno e abraçando ele pelas costas, as mãos na barriga e colocou o queixo no ombro dele falou com uma voz melodiosa sussurrando no seu ouvido.

— Só para os ensaios da banda? Será que vai sobrar um tempo para nós? — falou passando os lábios bem perto do lóbulo da orelha provocando seu amado.

Ahiru-chan, assim não dá. Estou tentando resolver esse problema sério, e tu vem me atiçar com o tempo. — Yutaka responde a provocação.

Já ajudei dando uma solução. Você sabe quando me chama, por esse apelido é muito excitante fico todo arrepiado, Yutaka. — respondeu soprando no pescoço dele para sentir ele tremer com o ar quente na nuca.

Ahiru-chan, tem um fogo difícil de apagar, gosta de flertar com o perigo. Agora não é a hora, temos que terminar o ensaio. — diz gemendo e rosnando com o contato dele, se esfregando na parte íntima dele com sua bunda.

Diz como se não fosse o culpado. Você fica transitando entre ser tímido e ao mesmo tempo sem pudor, impossível resistir a essa tentação. — Uruha aproveita para mordiscar a ponta da orelha e esfregar no seus cabelos. — Não sabia que também rosnava com contato, meu lobo mau.

Existem algumas coisas sobre mim que Ahiru-chan ainda não sabe. — Yutaka virou para beijar o rosto dele soltando mais um grunhido para seu deleite. — Kai, acha que você pode não aceitar mais essa peculiaridade nossa.

Uruha agarra com força ele estreitando o contato entre os seus corpos, alisando seus braços e dando beijos curtos no seu ombro, só para ver a pele se arrepiando e escutar seus gemidos.

— Kai está sempre com dúvidas e medo que vou achar vocês estranhos. Por que ainda não confiam que lhe amo. Ficou todo nervoso quando contou que tem um alter ego com atitude, como se fosse uma doença ruim.

— Sério mesmo!? Que aceita que somos excêntricos de um modo peculiar?

— Quero muito conhecer cada jeito peculiar seu, que me faz ficar cada vez mais apaixonado.

— Então tá. Vou lhe mostrar como sou por trás da máscara do tímido baterista.

Com essa afirmação Yutaka ainda de costas para Uruha assume sua forma vampira, esperando que namorado não se assuste com seus olhos vermelhos e presas afiadas. Soltando lentamente do seu abraço, virando para o lado na intenção de ficar de frente para ele. Ainda de olhos semicerrados para não causar impacto no outro, diz sem abrir muito os lábios para não revelar suas presas salientes.

— Uruha, seu cheiro me atraiu, desde o dia que o conheci. É tão intenso que invade todo meu corpo. A vontade de lhe provar é enorme, provoca todo esse meu medo, porque na verdade eu sou...

Yutaka não consegue terminar de falar, pois são interrompidos por batidas na porta e Reita entra perguntando se está tudo bem.

— Já tem um tempo que vocês estão conversando. Ruki quer saber se vamos terminar o ensaio ou não.

Acabando assim com toda a coragem que Yutaka tinha reunido para se revelar ao namorado, ficando de costas para o colega da banda se recompondo para não ser visto.

Uruha dá um passo à frente suspirando forte para responder ao amigo.

— Avisa ao Ruki que está tudo bem, Reita. Sobre o ensaio pode me dar uns minutos, vou ver com Kai se continuamos.

— Tudo bem, Uruha. Estamos aqui fora esperando, Aoi já fumou seu cigarro e Ruki está impaciente tomando outro café.

Uruha sorri com os comentários do amigo Reita que volta a fechar a porta, para dar privacidade para ambos.

— Pronto, ele já foi Kai. O que você estava dizendo? Na verdade...

— Nada muito importante, talvez numa próxima vez. Aqui não é lugar para isso.

— Meu amor, também me senti atraído por você na primeira vez que lhe vi. Não precisa ter medo, adorei quando ficamos juntos aquela noite.

— Kouyou-kun, eles vão ficar bravos. Ruki já está, acho que já podemos chamá-los de volta. Faz um bom tempo que estamos conversando, já estou melhor.

— Ou posso dizer que você precisa descansar. Com certeza que Aoi e Reita irão gostar de sair mais cedo. Assim podemos continuar essa conversa em um outro lugar mais confortável.

Gostei mais dessa opção de descansar e continuar nossa conversa sobre o tempo para nós depois. Mas é melhor terminar primeiro o ensaio. Amanhã à tarde resolvo qual prato escolher com meu gerente novo...

— Vou avisar eles então que vamos terminar o ensaio. Eu já volto para depois sairmos juntos. Conheço um lugar ótimo que podemos beber e conversar.

Ahiru-chan, nós amamos esse seu jeito meigo e fogoso. Então não demore, podemos ficar com fome e querer comer um patinho ao molho de vinho.

Uruha então fica de frente para seu amado, lhe dá um beijo calmo só que rápido. Saindo para avisar os companheiros de banda que podem terminar o ensaio.

Ele contou que o baterista estava nervoso em voltar ao restaurante com o amigo depois do assalto, agora estava melhor eles podiam continuar.

Ruki olhou no relógio vendo que já era bem tarde e como era sexta-feira preferiu dar como encerrado aquele ensaio. Ele adorava os ensaios, mas entendeu assim como Aoi e Reita que Kai precisava desse tempo para descansar e se preparar para voltar onde tudo aconteceu.

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Notas finais
Yutaka quase conseguiu contar a verdade para Uruha. Agora ele vai revisar o cardapio com Daigo. O que será que vão cozinhar juntos no apartamento do Neko? Deixem suas reações nos comentários Obrigada por ler Obrigada por favoritar Obrigada por comentar ❤ Obrigada muuuito obrigada PS: Kakatte Koi está sendo publicada ao mesmo tempo no Spirit. Começou ser postada no Wattpad. https://www.wattpad.com/story/302486760-kakatte-koi