Kaioshin Kai

5 Moeda de Troca


Sentado na beira de um lago, Toshio observa uma bola de luz azulada flutuante e com uma vara de pesca ao seu lado presa nas pedras. Próximo dele Marble lia atento um livro encostado no tronco de uma árvore, aproveitando o tempo agradável daquele dia.

— Papai, ouvi a mãe falar outro dia que os Shinjins são bons no cuidado com a natureza… Eles são tão bons assim? – pergunta Marble repousando o livro sobre o colo voltando sua atenção a Toshio.

— Sim, e como são! – Toshio sorri satisfeito — As plantações Kais podem render várias colheitas em pouco tempo. Depois eles organizam pequenas feiras, onde trocam a produção por Kainite, um tipo de pedra existente por lá. Ela ajuda a purificar energias, além de ter valor simbólico, sem contar que em determinadas épocas chegam até mesmo organizar festas para comemorar e agradecer a fartura.

— Uau, que legal! Mas... Engraçado, no caso dos Kaioshins isso não acontece, todos tem acesso igual…

Toshio ri e confere a vara de pesca enquanto fala:

— Claro, porque no caso deles são apenas cinco. Em Kaishin existem milhares de kais! O modelo de produção de alimentos e demais matérias-primas seria insustentável dessa maneira. E ninguém controla a Kainite, o valor depende da habilidade do Kai de extraí-la e deixá-la perfeita.

— Interessante… Então as Kainites mais belas podem ser trocadas por mais coisas?

— Bem, não exatamente. – ele torna a olhar Marble, agora fazendo surgir duas Kainites em sua mão após uma breve luz no meio de sua palma — Elas são todas muito parecidas. Claro que o aspecto visual conta, afinal, seria injusto uma Kainite muito bem trabalhada valer igual à gema bruta. Então, sim, o valor depende em parte disso, mas não totalmente. Valor é algo subjetivo, afinal, são trocas livres.

Marble põe o livro de lado e se aproxima mais do pai, pegando a Kainite para observá-la de perto.

— E porque os Kaioshins não trocam assim, pai?

— Filho, não faz sentido, são apenas cinco! Hahahaha – Toshio cai no riso — Eles são autossuficientes, exceto o Kita ou o Dai que exageram um pouco, por isso são obesos.

Marble ri junto sem graça por conta das perguntas. Vendo bem, realmente não estava sendo muito inteligente de sua parte.

— E... Quando os Kais saem do planeta deles? Isso é possível?

— Sim, mas apenas para os guerreiros do mais alto nível e os Kaiôs. Apenas eles dominam o teletransporte de forma suficientemente boa para irem a locais mais afastados e desconhecidos.

— E eu nunca consegui sair daqui... — Marble suspira desviando o olhar.

Toshio de repente assume uma postura séria e faz a bola de energia sumir rapidamente com o olhar.

— E nem pode. Já conversamos sobre isso.

— Eu sei pai, mas... Quando poderei?

— Como dito outras várias vezes: somente após você atingir a maturidade.

— Estou vendo que isso irá demorar... – diz fazendo bico.

— Você ainda tem muito que aprender. Mas como prometido, ainda iremos visitar muitos lugares juntos, não precisa ter pressa.

O jovem Kai apenas concorda e guarda as Kainites em sua roupa, voltando a pegar o livro.

— Tudo bem, papai...

Toshio o olha com um breve sorriso e em seguida faz com que a esfera de luz volte a aparecer, tornando a observá-la vigilante.

— Ahm... Aconteceu algo? – pergunta Marble, desviando o olhar para ele.

— Não, está tudo em ordem. Eu ape-

— Me parece um pouco preocupado... – diz o interrompendo.

Após respirar fundo, Toshio sorri:

— Não é nada que se deva preocupar por hora, estou apenas coletando algumas informações. Agora, volte aos estudos, irei perguntar sobre algumas questões mais tarde para ver se entendeu bem a leitura.

— Certo!

Marble volta a devorar o livro animado. Gostava quando o pai lhe fazia testes ou até mesmo jogos com o que havia aprendido. Para ele sempre foi uma coisa normal e muito divertida, tendo momentos em que ele mesmo pede para ser testado. Se ele falha em algum ponto, ele torna insistentemente a estudar aquilo para mostrar do que é capaz.

Quando menor, uma vez foi chamado de “pequeno gênio” por algumas autoridades do Outro Mundo, e bem, não lhe pareceu má ideia.