KILLER
27 XXVI
Notas iniciais
POV TOBIAS.
Coloco a melhor roupa que eu trouxe, uma calça jeans e blusa xadrez. Zeke e Elize foram mais cedo para o tal baile e eu resolvi ficar e descansar um pouco, eu corri uma meia maratona atrás de um ladrãozinho pra garotinha esperta. Abro um sorriso pro espelho ao lembrar dela respondendo o policial , a pequena tem o mesmo jeitinho respondão que o meu quando eu era criança e minha mãe sempre me repreendia por isso.
Chego poucos minutos depois de ter começado, mando mensagem pra Zeke e entro esbarrando em um cara alto de cabelos escuros que me olha de cima a baixo. Faço uma cara feia pra ele e entro no salão avistando-o meu amigo todo atrapalhado .
— Ei! Pensei que não iria vir — Zeke traz um copo de vidro com liquido vermelho dentro — Toma isso aqui, não permitem bebidas alcoólicas aqui.
— Poxa iria trazer umas cervejas pra animar. — digo pegando o ponche
— Vou procurar alguém e perguntar se podemos trazer umas cervejas pra nós, espera aqui. Elize já esta vindo pra cá. — Zeke acena com a mão e se afasta
Vejo uma garotinha de cabelos loiros e soltos com um vestidinho azul e branco, seus olhos azuis brilham quando me vê.
— Você! Aqui! Oi, mamãe quer te conhecer pra agradecer — sua voz fica um pouco aguda por causa da musica alta
Me abaixo pra ficar um pouco do tamanho dela e abro um sorriso.
— Não precisa agradecer.. — tento lembrar o nome dela
— Alice — diz jogando seus longos cabelos pro lado
— Isso, Alice. Não precisa agradecer eu apenas fiz meu trabalho.
— Mas mamãe disse que vai te agradecer, eu vou chama-la!
— Tudo bem então, vou ir pegar umas cervejas com meu amigo. Mas eu vou estar pra esse lado ta bom? — digo dando uma leve piscadela
— Ok, eu já volto — diz saindo com uma outra garotinha que eu não tinha visto ao lado dela
Eu a vejo correndo e torço pra ele ter cuidado pra não se machucar mas é coisa de criança um arranhãozinho faz parte. Zeke volta com um sorriso de orelha a orelha e acena pra mim com duas garrafas de cerveja pequena.
— Consegui , mas são só essas. — diz caminhando em direção onde Elize esta
— Finalmente uma cerveja gelada. Hoje ta muito quente como vocês aguentam? Com tanta gente aqui? — digo abrindo minha cerveja
— Você que é um viciado em cerveja cara — ri mas logo congela ao olhar pra frente
A pequena Alice esta ao lado de uma mulher de vestido longo e azul, eu subo meu olhar por seu corpo definido pelo vestido encaro os olhos redondos e atentos.
— Beatrice — é a primeira palavra a sair da minha boca
Meu coração pulsa forte e minha respiração falha , perco meus sentidos e o ar quando a vejo por um segundo relembro de tudo. Prior se tornou uma mulher extremamente linda, seus olhos brilham e se desviam para Zeke mas logo estão nos meus. Não posso deixar de olhar pro rosto dela, seu cabelo loiro quase na nuca e meio bagunçado lhe da um ar sexy fora o vestido colado em seu corpo forte e magro, meu corpo a reconhece meu instinto é abraça-la, beija-la e dizer o quanto eu sinto a sua falta. Mas tudo o que eu consigo é ficar exatamente onde estou fitando a mulher que se tornou meu pior pesadelo depois que a deixei. Sinto uma pontada e olho pra minha mão, a garrafa de cerveja gelada me acorda do transe.
— Mamãe! — Alice a chama e aponta pra mim — Esse é o moço que me ajudou com o celular!
Um sorriso amarelo se forma no rosto da pequena garota e eu percebo a semelhança, os longos cabelos loiros e um sorriso contagiante porém os olhos ..
— Oi Tris! — Zeke sorri pra ela e olha pra garotinha — como vai a nossa pequena Alice no pais das maravilhas?
— Tio Zeke, eu sou Alice Evelinie Prior — diz cruzando os bracinhos delicados
— Isso — Beatrice diz finalmente — agora temos que ir.
Sei que minha presença a incomoda seus olhos não desgrudam da pequena garota. Sua filha. É o que me faz tremer.
— Mamãe — Alice insiste em chama-la de mãe e é como se agulhas perfurassem meu crânio — Não vai agradecer ao moço?
Beatrice solta o ar e eu estendo minha mão livre em direção a ela e relutante estende a sua encostando delicadamente na minha. Uma onda de eletricidade percorre da minha mão até a nuca me dando uma vontade de agarra-la e abraça-la mas eu me contenho tentando não expressar nenhum turbilhão de sentimentos que esta dentro do meu peito. Os olhos dela não mentem porém estão bloqueados escuros e frios.
— Obrigada por ajudar minha filha , prometo que ela não vai incomoda-lo novamente — diz de forma suave
— Por nada, apenas fiz meu trabalho — respondo duro e frio — mas uma garotinha tão nova não deve andar sozinha por ai — digo
— Ela estava com o pai dela — Beatrice diz soltando minha mão e a pequena garota parece dizer algo mas o olhar da mãe a faz murchar. — Foi um descuido, desculpe.
As duas desaparecem em meio aos outros rapidamente, olho para Zeke que esta apreensivo assim como Elize.
— Cara .. — ele começa mas eu os deixo falando sozinho.
Saio sentindo uma fúria incontrolável, raiva de ter chegado até aqui vir pra esse lugar, encontra-la e ter de volta essa agonia que eu tanto evitei. E agora ela tem outro que é o pai dessa garotinha — ou não — meu subconsciente soa me dando falsas esperanças. É claro que ela já tem alguém , eu tem outro que não a faça sofrer como eu fiz , jogo a garrafa inútil de cerveja na grama fazendo-a se estilhaçar. —Eu me sinto um babaca um imbecil um completo filho da puta, aquela garotinha poderia ser minha filha eu poderia estar casado agora com Beatrice. Mas por decisão minha de ir embora eu a perdi —.

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