KILLER
26 XXV
Notas iniciais
A alguns anos atrás houve o julgamento de Jeanine Eric e Peter. Foi o melhor dia da minha vida , poder ouvir que ela cumpriria 80 anos de prisão assim como os outros. Papai me apoiou e se chocou com a verdade me ajudando a fazer justiça. Ao longo o tempo eu construí minha vida, me formei e medicina e tive várias sessões de terapia psicológica pelo trauma que passei e criei uma obsessão por defesa pessoal — ainda pelo medo de ser sequestrada outra vez — . Mesmo com alguns traumas bobos eu consegui ser independente ter minha própria casa, fazendo meu pai vender a mansão e investir em alguma coisa boa. Papai conheceu outra mulher e esta morando na Austrália, Will se tornou prefeito da minha antiga cidade no Texas por mera coincidência, Chris e eu sempre fomos inseparáveis eles são como irmãos pra mim e me ajudaram de forma absurda. Em 10 anos eu foquei em outras coisas mais importantes , coisas que me fizeram superar a dor da perda, a o buraco que Tobias deixou em meu peito foi completamente preenchido.
— Acha mesmo que esse vestido não esta chamativo demais? — digo a Christina enquanto me olho no espelho do hotel.
O longo vestido azul com um simples corte na frente e um longo decote nas costas que me deixa morta de vergonha. Mas Christina insiste nesse vestido quando fomos a loja.
— Nunca tive tanta certeza na minha vida! Arrebataremos muito dinheiro com a valsa no baile — Chris abre um sorriso e bagunça meu pequeno cabelo.
— Acho que uma roupa social simples seria o melhor, e eu não vou dançar. Vou apenas apresentar e encerrar — reviro os olhos
— Vai ficar parecendo um homenzinho com esse cabelo não acha? — zomba — Ah qual é Tris? Pelo menos se arrume uma vez na vida. Sempre te vejo de jaleco ou de jeans e camiseta. É a primeira vez em anos que te vejo com um vestido.
Me lembro do dia em que fomos ao shopping comprar um vestido para festa de casamento do meu pai com Jeanine, eu pensava de forma tão fútil e me engrandecia com elogios mas hoje pra mim apenas estar confortável e bem é o que importa. Até mesmo meu cabelo que eu amava tanto quando era longo agora o curto me cai muito bem e tenho mais praticidade.
— Não exagere Chris, estou bem assim então. Agora vamos tenho que ver o vestido da pimentinha, Aliás .. — olho em volta preocupada — onde ela se meteu?
— Saiu com Will mas volta logo. Não se preocupe Trisinha linda. Vamos rebocar essa cara e pentear esse cabelo. — diz me sentando da poltrona e pegando kits de maquiagem.
Uma vez pronta pego o celular e ligo para Will para saber onde estão, e o mesmo atende no segundo toque:
— Cadê vocês dois? — pergunto brava e ouço uma risadinha de fundo, meu coração se tranquiliza.
— Estamos tomando sorvete, esta cedo ainda Tris — Will diz com ar de graça
— Mas já sabe como sua afilhada é com banhos né? Não demorem.
— Já acabamos aqui. Estamos indo, ela tem uma história para te contar.
Desligo e fico conversando com umas colegas de trabalho de Chicago, os plantões ficaram mais sossegados e não tem nenhuma reclamação grave. Ouço barulho da porta e passos apressados em minha direção, vejo seus cabelos voarem preso por seu laço azul que ganhou de presente da madrinha. Os olhinhos azuis dela brilham quando me vê :
— Mamãe você esta estonteante ! — diz formalmente
— Ora, mais uma palavra que esta colocando no seu dicionário Alice? — pisco para ela e seu sorriso abre mostrando quase todos seus dentinhos perfeitos
— Vamos pro banho? Já já você tem um baile pra ir
Sua boca se abre em um O e logo suas mãozinhas pousam sobre a mesma, parece ter lembrado de algo.
— Mamãe , hoje um ladrão roubou meu celular quando eu estava pulando amarelinha — seu rosto cora
— Como assim? — meu coração aperta — você esta bem? Chegou a ver o rosto? Falou com seu padrinho? Onde ele estava ? porque te deixou sozinha ? — não paro com as perguntas e fuzilo Will com os olhos
— Não mamãe, escute. O celular esta aqui olha — ela me mostra o pequeno celular rosa e branco — Um moço policial de férias me ajudou ! — diz empolgada se sentado em meu colo — eu vi o ladrão correndo e ai eu gritei Ladrão ladrão! E o moço tava com pote branco e ele saiu correndo atrás do ladrão e conseguiu pegar meu celular! ...
Depois da história contada em mínimos detalhes ela termina retomando o ar. Esta maravilhada com a atitude de coragem do “ moço” que ela esqueceu o nome, vê-la contando me deixou encantada com tanta esperteza de uma garotinha de 9 anos e meio.
— Poxa filha mas poderia ser perigoso não é ? Ainda bem que o moço estava lá. Vou agradece-lo depois – beijo seu cabelo — agora vamos , pro banho já.
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Flash Back on.
Os enjoos estavam me matando e as tonturas não me deixavam sair de casa. Depois de 4 semanas descobri minha gravidez repentina. Eu fiquei em choque, chorei por dias mas me toquei que ele deixou um pedaço do nosso amor dentro de mim, e eu ia ama-lo de todas as formas. Os primeiros meses foram de risco, fiquei em repouso o tempo todo e fui várias vezes ao médico por conta do stress e pânico. Papai não conseguia acreditar e queria matar quem tivesse me engravidado, achando que fosse um estupro, por várias vezes me pediu para abortar mas eu neguei, e tive que contar a verdade para ele mas não que Tobias tinha ajudado com aquilo e sim que ele me achou e me ajudou e nos reapaixonamos. Foi difícil fazê-lo acreditar mas quando Alice nasceu ele deixou de lado toda desconfiança. Papai me ajudou a cria-la , mas eu assumi tudo sozinha, eu quis fazer isso pra melhorar como mãe e fazer os dois papéis com facilidade.
Alice nasceu quase perto do dia do aniversário de mamãe, então a batizei como Alice Evelinie Prior. Evelinie foi uma homenagem a mãe de Tobias e a minha mãe, e Alice meu pai quem deu assim que viu o rostinho dela. O primeiro aniversário, fizemos uma festinha simples mas foi o melhor dia da minha vida, Alice foi um anjo que o tempo me trouxe pra apagar todo meu passado e querer refazer tudo, ser uma pessoa melhor e poder dar o melhor futuro que ela possa ter. Ser pelo menos a mãe que Nathalie foi pra mim, doar o melhor de mim todos os dias por ela.
Flash Back Of.
O vestido azul e branco de Alice rodava pelo grande salão enquanto dançávamos uma musica que ela adora por causa do avô. Assim que a musica acabou subi ao palco do lado dela e anunciamos o baile de caridade, avistei uma mesa perto da pista onde Chris, Will e Matthew (meu amigo maravilhoso gay) que conheci no hospital e criei uma paixão por ele, Ali adora ele também. Corremos para onde ele estão, me sento ao lado de Matth e Alice fica no meu colo .
— Beatrice Prior que glamour é esse eu posso saber? — diz Matth me dando um leve selinho
— Ideia minha, se não ela viria de jaleco branco — Chris zomba e reviro os olhos pra ela
— Mamãe sempre esta bonita tia Chris — Alice me defende e eu beijo seu rostinho lindo
— Viu, preciso nem falar nada depois dessa resposta maravilhosa — digo
— Vou pegar um ponche alguém quer? — Will pergunta e todos nos balançamos a cabeça dizendo que sim — Alice me ajuda princesa?
— Claro! Mamãe posso ir? — pergunta fazendo uma carinha impossível de dizer não
— Pode, só não venha correndo pra não se machucar ok?
Eles dois saem e volto minha atenção pra Matth e Chris.
— Hoje eu to afim de beber umas e arranjar um homem — Matth brinca com meu cabelo
— Sossega Matth, isso é um baile não uma balada — Chris diz dando uma piscadinha
— Ainda bem que não é uma balada de caridade de boys Matth. — brinco — Como vamos fazer com os fundos arrecadados? Will vai investir direto ou fazer contagem?
— Will vai fazer o investimento de uma metade, e da outra quando o hospital inaugurar de novo — Chris encolhe os ombros — não achei uma boa ideia por causa dos outros governadores que vão querer esse dinheiro, deveria investir direto.
— Também acho. — digo
— Que papo chato garotas, vamos falar de um boy maravilhoso que eu vi quando cheguei — Matth se aproxima de nós com a cadeira — É novo por aqui e é babado viu. Mulherada não ta deixando passar não, mas pelo que estão falando ele já era daqui.
— Hum— não ouço mais nada quando vejo Alice carregando dois copinhos de ponche e andando com cuidado. Me levanto para ajuda-la pegando os dois copinhos de vidro colocando-os na mesa —
— Mamãe, a Katie chegou eu posso ir brincar com ela? — ela pergunta fazendo aquela carinha de novo
— Pode ir mas brinquem aqui do meu lado. O salão esta enchendo e .. — ela me interrompe
— Mamãe, eu vou ficar aqui do seu lado. Não vou sair , Katie trouxe o celular dela baixamos um jogo igual e vamos ficar jogando — diz beijando minha testa. — eu vou chamar ela e volto.
— Anda logo.
Volto minha atenção pra Matth Chris e Will. O assunto sobre o baile só aumenta nossas expectativas, segundo Will já arrecadamos quase 5 mil em vendas de comida só hoje a tarde.
— Mamãe ! Mamãe! – Alice chega eufórica e com as bochechas vermelhas
— O que foi? Cadê sua amiga? — digo colocando uma mecha do cabelo dela pra trás
— O moço que me ajudou, ele esta com o tio Zeke e a tia Elize! Vem mamãe — ela me puxa
— Vamos , calma filha ! — tento acalma-la e me levanto ajeitando o vestido — Matth já volto.
Quase corro pelo salão com ela até ver Elize ao lado de uma senhora conversando. Mas logo param quando ela me vê
— Meu Deus ! Tris!! – Elize corre e me abraça
Eu a aperto em um abraço caloroso , faz uns 3 anos que não a vejo e nem vejo Zeke. Sempre visitava a cidade e passava pelo menos um dia com eles, mantemos uma bela amizade, sou muito grata a eles.
— Poxa quanto tempo Elli — nos afastamos e Alice fica olhando para os lados
— Mulher como sua menina cresceu, e olhe você como esta linda! — abre um sorriso
— Você também esta linda , e a bebe? Esta tudo bem?
— Sim, deixei com a minha mãe essa noite pra vir no baile com os meninos — o sorriso dela se desfaz quando olha por cima do meu obro.
— Mãe, é ele o moço que me ajudou !! — Alice me cutuca fazendo com que eu gire e olhe em direção aonde ela aponta.
O meu coração parou quando olhei para os olhos familiares azuis, havia algo diferente neles algo mais vivo. Ele esta diferente, o cabelo mais comprido e uma barba por fazer e sorri para Alice e o vejo acompanhar os meus olhos em câmera lenta.
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