KILLER
25 XXIV
Notas iniciais
POV TOBIAS.
Deixei o papel sob a mesa e fui mais uma vez vê-la dormir. A noite passada eu pude senti-la mais antes de partir como se fosse a ultima vez. Eu nunca vou me esquecer do que passamos e principalmente do que a fiz passar
Eu pego a avenida mais próxima da saída da cidade, alertei as autoridades de Chicago a exatamente 1 hora já estarão lá quando ela acordar. Apaguei qualquer rastro meu naquela casa, Tris fará o que é certo, ninguém irá me reconhecer e ninguém sabia que ele estava comigo, apenas Johanna mas era como ajuda. Liguei para Zeke e o avisei sobre tudo, tenho um bom dinheiro pra recomeçar em outro lugar com meu verdadeiro nome, e é o que vou fazer.
Aumento o som do carro e aperto meu pé no acelerador, nunca vou esquecer aquela garota
And if you're talking enough sense, then you'll lose your mind
Oh, and I found love where It wasn't supposed to be
Right in front of me, talk some sense to me
And I found love where It wasn't supposed to be.
(E eu encontrei o amor onde eu não deveria encontrar
Bem na minha frente, faça isso fazer sentido
E eu encontrei o amor onde eu não deveria encontrar
Bem na minha frente, faça isso fazer sentido.)
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Dou a ultima tacada e venço a partida mais uma vez . Olho para Amah, meu parceiro de trabalho na policia de Nova York, comecei a trabalhar como segurança e depois de 2 anos consegui entrar para policia. E com isso se passou 10 anos, sem antecedentes criminais com total ficha limpa ainda com o dinheiro que consegui tirar do meu pai Marcus, eu tenho uma vida de merda mas foi a única que consegui.
— Cara assim não dá, já é a terceira rodada de apelação — diz uma garota morena ao lado de Amah
— Ah vamos lá Nita, não sou tão ruim assim — Amah responde com um sorriso idiota no rosto
— Não é tão ruim? — eu pergunto arqueando a sobrancelha e vou em direção a Nita — Próxima rodada, é você Nita — ofereço o taco de bilhar para ela
Nita segura com determinação e seus olhos brilham pra mim. Não vou negar que depois de 10 anos sem flertar com alguém Nita não era uma mulher de se negar, alta de cabelos morenos e lábios grossos e um corpo de dar água na boca. Só que Amah já era meio enrolado com ela.
— Pode deixar agente Eaton — brinca com meu nome de maneira sexy — essa partida já é minha.
— Ganhe essa por mim — falo indo em direção ao bar iluminado e peço uma cerveja.
Depois de anos eu parei pra repensar na minha decisão e várias vezes eu queria correr para vê-la. Soube por Zeke sobre o julgamento de Eric , Peter e Jeanine que confessou tudo por ódio de Andrew e pela morte do filho. Algumas vezes tocaram no meu antigo nome, mas Zeke disse que ela negou me conhecer de maneira alguma, e por fim Jeanine e os outros estão nos seus merecidos lugares, e que também é o meu. Eu mereço estar na cadeia, mas vir embora foi o melhor que eu pensei aquele dia. Me tornar policial foi uma decisão inútil no começo mas sempre foi meu sonho de garoto, a primeira coisa que fiz foi prender toda quadrilha de David, sem deixar que soubessem que fui eu, não mudei completamente mas fui aprendendo a ser eu mesmo e não me deixar esconder por uma máscara de um assassino sádico.
Uma garota de longos cabelos loiros se senta ao meu lado e pede um copo d’agua. Ela esta vestindo uma blusa decotada e um jeans apertado definindo seu corpo magro — se parece tanto com .. — expulso o pensamento mas ele volta com força quando ela se vira e olha pra mim com um sorriso doce nos lábios.
— Olá, você deve conhecer Nita, sabe onde ela esta? — a voz meio rouca faz meu coração esfriar.
— Sim, ela esta ali — aponto para mesa onde Nita e Amah estão rindo e trocando caricias
— Oh! Muito obrigada — ela aperta os olhos e lê meu nome no meu distintivo — Sr Eaton.
— Por nada — dou ombros e volto pra minha cerveja.
Merda. Desde quando voltei pra cá criei uma certa aversão por garotas loiras de cabelos longos ou curtos, o mesmo jeito dela. Infelizmente não era fácil esquecer Beatrice mesmo depois de tantos anos, ficando com mulheres de várias etnias mas menos aquelas que me lembravam a garota loira de olhos redondos e bochechas rosadas.
. +++
Volto pro meu apartamento. logo dando uma rápida olhada em minha secretária eletrônica, aperto o botão para ouvir os recados e caminho até o quarto deixando arma e distintivo na bancada. Ouço uma voz de fundo familiar:
— Hey cara aqui é o Zeke Elize acabou de dar a luz , precisamos do padrinho para batiza-la ! me liga — diz animado ao telefone e logo o bip o interrompe
As outras mensagens são apenas de amigos chamando para farras. Pego meu celular e disco o numero de Zeke, no quarto toque ele atende.
— Fala cara, consegue ficar um dia todo sem falar comigo não — digo brincando pois Zeke e eu nos falamos quase todos os dias por telefone .
— Cala boca Tobias, eu estava nervoso. — suspira — é uma menina tão linda eu to apaixonado.
— Eu imagino que tenha puxado a mãe então. — rio
— Elize esta perguntando quando você vem, queremos batizar a Lyn com o padrinho dela aqui.
— Minhas férias são daqui a um mês, assim que eu tirar eu arrumo minhas malas e vou ver minha afilhada. — digo e pigarreio — onde vocês estão morando mesmo?
— No mesmo endereço, no mesmo lugar na mesma cidade. Ta velho e ta ficando sem memória? — zomba
— 32 anos não é tão velho assim Zeke por Deus. Então combinado. Mande parabéns a Elize.
— Pode deixar chef Eaton — zomba mais uma vez — esperamos você.
Me despeço de Zeke e desligo. Vou para o meu quarto a fim de tomar um banho rápido e dormir, amanhã volto ao trabalho.
. +++
Um mês passa rápido demais, e aqui estou eu desembarcando no Texas, na cidade na qual eu vivi minha infância e meu pior pesadelo. É preciso deixar tudo no passado pra enfrentar o presente não é mesmo?. Vejo Zeke com uma plaquinha com desenho de um pinto defeituoso, a alegria enche meu peito, eu não o vejo a anos. Meu grande amigo envelheceu mas ainda é o mesmo cara chato de antes:
— Eu não acredito que você ainda tem essa cara de babaca — Zeke gargalha e me abraça forte — Bom te ver amigo.
— Bom te ver cara. — eu o aperto e solto colocando uma das mãos no ombro dele — então me diz, como esta a vida de pai agora?
— Não sei o que é transar e depois dormir sem preocupações mais — resmunga — mas não tem como ficar triste ou zangado, Lyn é maravilhosa e Elize esta cada vez mais linda.
Seus olhos brilham quando diz sobre as duas, ele parece feliz.
— Poxa cara, não é tão ruim então.
Vamos conversando ao longo do caminho, a estrada me causa um sentimento estranho e nostálgico ao mesmo tempo são como agulhas em meu estomago. Chegamos a casa de Zeke e esta tudo diferente, a casa esta maior a clinica expandiu para outras cidades. Elize não mudou nada e minha afilhada realmente é uma garotinha muito bonita. Conversamos por mais um tempo e Zeke me acomoda em um quarto de hospedes grande e aconchegante, e assim que deito na cama eu apago.
Na manhã seguinte e ensolarada típico do Texas vamos pra uma praça nova na cidade. Mudou muitas coisas e se eu andar sozinho eu me perco. As casas não são mais as mesmas as ruas, há mais comércios tudo novo.
— A cidade evoluiu muito Zeke — digo ajeitando meu boné para impedir do sol queimar meus olhos
— Nossa evoluiu pra melhor, dês de — ele se interrompe e da ombros — a cidade ficou meio conhecida com a repercussão do que houve. E o novo prefeito fez grandes mudanças.
Engulo seco. Sei do que ele esta falando, vai ser quase impossível não tocar nesse assunto, quando era ao telefone sempre havia algo ou desligava ou deixava pra responder depois as mensagens. Agora vai ser difícil ignorar principalmente pelo fato de eu estar onde tudo aconteceu. Tento mudar de assunto apontando pra grande faixa na praça escrito:
"Baile de caridade"
— Vai ter um baile aqui?
— Sim o hospital de Chicago organizou o baile pra arrecadar fundos pro regional abandonado daqui — Zeke suspira — eu estou encantado com isso, foi uma estratégia e motivação para os médicos daqui. Principalmente os das outras cidades que são bons mas que não tem onde trabalhar.
— É uma boa ideia. Eu to com sede vou comprar uma cerveja quer? — falo colocando as mãos nos bolos caçando minha carteiras
— Quero, sabe onde fica o bar pelo menos?— Zomba
— Isso pelo menos eu sei — pisco e caminho em direção a rua
O bar fica a alguns metros. Em poucos minutos chego no mesmo e compro duas caixas de cervejas e um isopor com gelo de combo, saio feliz até. Volto trazendo o isopor e sou barrado bruscamente por um garoto encapuzado com um celular na mão , ele mal me encara e volta a correr. Em seguida ouço gritos de uma garotinha:
— Ladrão! Ladrão! Ele roubou meu celular! — o grito agudo da garota me faz entrar em alerta.
Meu instinto me faz larga o isopor e correr atrás do garoto que não esta há muitos metros. Corro pelas ruas quase vazias e o acho tentando pular uma grade desajeitado. Eu o seguro por trás pegando o celular da mão dele e o colocando em meu bolso, eu o imobilizo no chão e a garota chega correndo:
— Chame a policia mais próxima, eu vi uma viatura na praça. — grito e ela assente ao lado de outras garotas e um garoto , saindo correndo enquanto seguro o ladrãozinho no chão — Péssima ideia garoto. — ofego colocando o joelho nas costas dele e segurando seus pulsos, deixando o outro joelho no chão.
O garoto geme e eu o pressiono contra o chão. A viatura chega rápido e eu o levanto:
— Furto de aparelho eletrônico. A garota irá fazer o boletim com um responsável? — o policial fardado olha pra garota e a mesma o encara e me encara de volta
— Bom no momento só tenho meu padrinho, e esta ocupado. Mas o moço conseguiu segurar o ladrãozinho babaca — ela revira os olhos — ele pode fazer o boletim?
O policial me encara e eu entrego o ladrão pra ele , fazendo-o algemar o mesmo.
— Tudo bem, mas isso é flagrante. Não precisa de boletim — digo
— Há , sabe das leis? — o policial zomba
Pego minha carteira e a abro na cara dele, como nas cenas de filme quando os policiais se apresentam e o mesmo desfaz o sorriso sinico.
— Ele tem razão — a garota diz — não viu que ele é policial?
Gostei dessa garotinha. Dou um sorriso amigável pra ela e me retribui com uma piscadela.
— Tudo bem, vou acionar a segurança para esse lado e você garota tome cuidado com seus pertences. — resmunga
— É só vocês fazerem seu trabalho direito ao invés de ficar se lambuzando de rosquinhas doces na praça. — ela responde com um cinismo muito estranho para idade que ela apresenta ter.
O policial a encara com uma fúria , e eu tenho vontade de rir da cara dele.
— Ok, vamos seu celular esta aqui. — devolvo o celular a garota
— Ah obrigada viu moço, você foi o herói do dia. Essa é o único meio de comunicação com a mamãe que eu tenho — suspira, ajeitando o laço azul torto em seu cabelo loiro claro e começa a caminhar, eu a acompanho
— Sem problemas. E não agradeça , fiz meu trabalho — dou ombros
— Mas você não é daqui — seus olhos claros apertam me analisando
Acho que é porque não estou de uniforme.
— Bom eu estou de férias
— Entendo, eu também estou da escola. Mamãe veio por causa da caridade, cheguei hoje e vim ver meu padrinho.
— Qual o seu nome? — pergunto quando chegamos perto do bar e avisto meu isopor intacto e duas crianças do lado.
— Alice — ela diz abrindo um sorriso — e o seu?
— Tobias — devolvo o sorriso com uma piscadela
— Oh, que nome bonito! — diz ela fazendo uma careta estranha e uma das crianças ao lado do isopor faz sinal para ela — Ah pedi pra eles cuidarem do seu pote , vai que algum ladrão roube né.
A garotinha baixinha e de cabelos loiros com fita azul parece ser uma mini adulta com postura de criança. Isso é engraçado pra quem aparenta ter tão pouca idade.
— Eu vou nessa. — digo pegando o isopor — muito obrigado por cuidar do pote Alice.
— É o mínimo depois de salvar meu celular — diz e eu rio
Aceno e saio andando em direção ao parque, e so vejo Elize sentada na grama e o carrinho do bebe ao seu lado. Deixo o isopor do meu lado quando sento na grama, solto o ar e Elize olha pra mim com ar de graça.
— Isso tudo foi pressa pra compra birita ? — brinca ao me ver suando
— Não, corri atrás de um ladrãozinho que roubou o celular de uma garotinha , garotinha muito esperta viu? . — ofego
— Eu imagino, os caras daqui não pode ver gente de fora que já querem roubar. — coloca a mão no rosto para tapar o sol — é uma pena eu não poder tomar uma cerveja
— Pensando nisso .. — pego uma garrafa de suco gelada e a ofereço — comprei esse suquinho.
— Se fosse o Zeke só teria comprado a cerveja , ele é cabeçudo demais — ela sorri pegando a garrafa — é muita gentileza viu? Mas me conte depois de todo esse tempo não entrou em contato com Tris?
A pergunta dela me faz travar por alguns segundos , chego a deixar a cerveja quase derramar. Retomo o ar e cerro o cenho — não sei se consigo responder isso, mas vou tentar — tento disfarçar com um sorriso fraco e ela percebe meu incomodo .
— Olha . . descl – eu e interrompo
— Eu achei melhor deixar ela e viver uma nova vida um novo emprego. E acho que foi a melhor coisa que fiz — sorrio forçado
— Bom eu e Zeke sempre matemos contato com ela — ela olha para frente — e falando nele ..
Zeke chega com dois potes com pedaços de salgados recheados e pimenta.
— Falando de mim por sinal — diz ele se sentando entre mim e Elize
— Estava falando que nós temos contato com Tris — ela diz pegando um pote da mão dele
— Ah sim, ela querendo ou não é nossa amiga né. Mas olhe o que eu comprei ..
Passamos a tarde conversando sobre tudo, sobre os 10 anos fora. As viagens, as garotas que eu fiquei as cirurgias loucas de Zeke, a dor do parto de Elize. Não chegamos a tocar mais no nome de Tris ou em nada que ligasse ela a mim, e me aliviou bastante. Já esta ficando escuro quando decidimos voltar pra deixar o bebe com a mãe de Zeke para virmos ao baile de caridade.
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