KILLER

19 XVIII


Notas iniciais
Primeiramente eu venho agradecer Torih pela recomendação , meu Deus fiquei apaixonada e agradeço de todo o meu coração de verdade ♡ não sabe o quanto me deixou feliz. Venho pedir desculpas pela demora meus amores sempre prometo postar sempre mas ultimo semestre esta tão corrido, mas JAMAIS vou abandonar vocês. Fico muito feliz por vocês estarem gostando da história e vem muito, mas muito mais por ai hein! Vou começar a postar umas musicas também para as cenas e espero que gostem. Obrigada, obrigada , obrigada mesmo e mais uma vez peço perdão e prometo compensar minha demora. Boa leitura ♡.


F
omos para uma casa um pouco longe da cidade, Zeke nos deixou lá e daqui a alguns dias voltaremos para a antiga casa de Evelyn novamente, — são só mais alguns dias com ele , isso vai passar e eu vou pra casa abraçar meu pai e me ver livre disso tudo— suspiro olhando pro teto do pequeno quarto da casa onde optei ficar. Four ficou no quarto com cama de casal porque ele esta pior que eu, e fiquei com o quarto menor mas pelo menos aconchegante e me lembra aquela casa na praia, por ser todo de madeira até mesmo a parede com detalhes marrons tudo tão simples e bonito até, apenas a cama e uma janela no canto do quarto. Fecho meus olhos exausta até ouvir um barulho repentino.

Vejo Four parado em frente ao armário aberto com alguns potes a frente , vou de fininho pra ver o que esta acontecendo e o vejo tentando pegar um pequeno pote que esta em uma certa altura na qual ele não consegue chegar por causa de seus ferimentos , caminho até seu lado assoviando e puxo a embalagem de café. Já vi que os papeis se inverteram não é mesmo? :

— Espera la na sala, eu faço o café – mal olho pra ele

— Eu mesmo faço – resmunga

—Nessas condições? Vai passar o ano inteiro tentando – zombo

Ele apenas me ignora e caminha para a sala pequena com um sofá e uma tv de 24 polegadas grudada a parede. Faço o café um pouco desajeitada mas consigo entregar em uma xícara para ele :

— Aqui esta seu café, se quiser comer alguma coisa, eu vou fazer o almoço – digo saindo da sala voltando para cozinha

— Não precisa se preocupar com isso.- respondeu seco

Apenas ignoro. Toda a minha vida as pessoas tinham cuidado de mim. Todos os meus caprichos tinham sido atendidos, todas as necessidades satisfeitas. E agora eu estou na cozinha, olhando para as prateleiras, percebendo o quão mal preparada eu sou para cuidar de alguém. Eu poderia fazer café e torradas, ou uma tigela de cereais, mas agora e olhando para condimentos e frascos de coisas que poderia sem dúvida ser combinadas para fazer algo agradável, mas eu não tenho ideia de como. Pego uma lata de sopa de tomate -as pessoas doentes se dão bem com sopa— olho para fora da janela com a sopa aquecendo no fogão, finalizo o prato colocando pimenta decidida a judiar um pouco dele. Four me olha com cautela quando entro na sala com a bandeja do almoço. Claramente, ele não gosta de ser dependente de ninguém, mas eu sei que ele esta apenas usando seu jeito para mascarar a vulnerabilidade. Ele odeia estar fraco e precisar de cuidados. Ele odeia a culpa que sente sendo cuidado por mim.

Eu o deixo sozinho e como na cozinha ouço tosses satisfatórias vindo da sala e levo um copo d’agua provocando-o. Mas novamente não diz nada, apenas segura o copo como se fosse a única água do mundo e bebe com vontade. Segurei a risada e voltei para cozinha para terminar meu almoço:

— Quer mais alguma coisa? – perguntei em um tom debochado

— Não, vou pro quarto. – se levantou com dificuldade e foi em direção ao corredor

Apenas dei ombros e fiquei vendo , as horas passaram voando e eu nem vi que já tinha anoitecido, fui pro banheiro e tomei um banho quente e demorado coloquei as mesmas roupas e fui fazer uma salada de frutas para aliviar a possível dor de estomago dele. Após preparar peguei o remédio que Zeke o pediu pra tomar levei para o quarto e assim que chego me deparo com a cena dele encolhido e tremendo como uma criança assustada :

— Meu Deus Four – corro até a cama deixando o pequeno pote de lado

Pego o edredom aos pés da cama e o cubro afagando minhas mãos em seus braços fazendo movimentos repetitivos mas ele continua tremendo – Meu Deus o que eu faço? — Olho em volta e pego mais dois edredons e dessa vez me deito ao lado dele abraçando-o com uma coberta:

— Four, acorda – sussurro em seu ouvido – Ei.

—Tris – responde trincando os dentes

— Quer tomar um banho pra passar a febre, eu te ajudo – digo saindo de perto mas ele me segura

— Não – diz com a voz fraca – fica.

Essa ultima palavra desmancha meu coração que se derrete com os olhos azuis piedosos suplicando para que eu fique, meus braços amolecem para abraça-lo e é o que eu faço, me vem em mente tudo o que ele fez por mim , e de que ninguém mais cuidou dele depois de tudo o que acontecera nesses anos todos. Mesmo sendo um idiota cabeça dura eu acho que ele se importa comigo e por mais que eu tente não me importar com ele, eu me importo. O abraço fica quente demais e eu o solto, e por sua vez as tremedeiras passam:

— Hora de tomar os remédios – digo baixinho

— Eu mesmo faço isso – recupera a voz calma

— Você não esta em condições , deixe-me fazer isso- me levanto e logo volto com os remédios .

Fico em silêncio o observando e lentamente ele toma os remédios necessários – como Zeke disse, ele é forte e vai melhorar logo— . Deixo a salada de frutas ao lado da cama para que ele possa comer , e quando vou para a porta ele pigarreia:

— Obrigado. – solta

Apenas saio do quarto e volto para sala , me perdendo em pensamentos do que acabou de acontecer. Four não vai conseguir se blindar de mim por muito tempo, eu sei que vou poder ver Tobias de volta.

+++

Lá estava eu de novo abrindo um potinho de sopa enlatada vendo receitas nas embalagens de como fazer, estou me esforçando pelo menos, preparo um potinho de canja de galinha e um suco de laranja reforçado. Há alguns dias em que ele mal toca a comida qual eu faço , não sei se é por manha ou porque é ruim mesmo mas hoje isso acaba vou ficar e insistir que ele coma mesmo que eu o force. Entro no quarto e ele esta dormindo tranquilamente , um nó aperta minha garganta quando o vejo. Deixo a bandeja na mesinha ao lado da cama e me sento toco levemente seu rosto e ele assusta, seus olhos encontram meu rosto e uma expressão de alivio se forma no rosto dele parecendo estar feliz ao me ver:

— Você tem que comer algo ou se não vai definhar – digo tirando minha mão lentamente

— Eu já estou melhor – resmunga se sentando na cama

Colo a bandeja em seu colo e espero, levanto a colher com a canja em direção a sua boca perfeita mas ele não a abre.

— Você vai comer , nem que seja a força – ameaço e ele começa a rir

Lá estava uma memoria que havia passado por sua defesa : Ele me forçando a comer quando eu estava doente, Evelyn havia preparado uma sopa de ervilhas que eu odiava e ele me disse a mesma coisa.

— Acha engraçado é? Pelo menos não é sopa de ervilha. Você esta no lucro – digo ainda com a colher no ar – vamos, aviãozinho !

Ele começou a rir ainda mais; Four o cara fechado e que não tinha nenhum sentimento,rindo. E foi a coisa mais linda que eu já vi. Finjo que isso não importa, como se a minha respiração não tivesse sido apanhada, como se a minha garganta não estivesse apertada. Me levanto e saio do quarto deixando-o , eu preciso ficar sozinha e abraçar esse momento como uma memória que logo logo ele e eu nós vamos esquecer quando tudo isso acabar.

Alguns dias depois só dando sopa , Zeke nos visitou e tirou os pontos dos ferimentos de Four e trouxe compras de diversas comidas , ficou um tempinho e foi embora. Four já estava fazendo algumas coisas sozinho e as dores começaram a diminuir. Preparei uma salada e escondidinho de micro ondas para o jantar desta vez Four veio para mesa – estava lindamente vestido com uma blusa de frio preta e calças moletom azul escura e meias – eu me arrumei um pouco pra hoje, meu cabelo cresceu rápido já chegava nos ombros eu o soltei e usei uma calça jeans clara e uma blusa de frio cinza e também fiquei de meias, ele já estava na mesa quando trouxe o jantar:

— Finalmente alguma coisa diferente – coçou sua barba por fazer – será que esta bom? — diz olhando pro prato

— Vá em frente – digo pegando a colher e afundando no meu prato

Comemos em silêncio , não esta nada mal para uma comida de micro ondas porém não tem gosto nenhum. Tenho vontade de rir da cara dele enquanto esta comendo faz caretas muito engraçadas mas tento manter a expressão séria, não vou me dar por vencida. Deixei um pouco no prato mas ele comeu tudo e tomou todo o suco de beterraba que eu sei que ele odeia.

— Porque fez isso? – perguntei intrigada

Ele sempre odiou beterraba

— O que ? — perguntou em descaso

— A comida estava sem sal e você odeia suco de beterraba, pelo que sei – digo apontando para o copo sem nenhuma gota de suco

— Porque você fez isso – me encarou – não faça de novo , pois é horrível.

Tenho uma vontade de rir e não consigo conter , ele me observa sorrir feito uma idiota e posso ver um vestígio de humor em seu rosto.

— Você tem que melhorar logo então – digo me levantando para recolher a louça

. +++


Na manhã seguinte acordo com barulhos vindo da cozinha , por incrível que pareça hoje esta fazendo um calor muito raro em época de inverno mas só acontece no Texas. Vou para onde estão vindo os barulhos e o vejo sem camisa de costas cortando coisas na bancada , sinto um frio na barriga e observo suas costas tatuadas e esculpidas e não tão musculosas , ele esta bem mais magro mas seu corpo ainda sim é perfeito, sua pele pouco bronzeada e cabelos desgrenhados de maneira sexy, — vendo por esse lado o tempo lhe fez muito bem-. Ele se vira revelando o cós de sua calça baixa revelando algo a mais além de seu abdômen , prendo o ar e encaro a bancada sentindo meu rosto queimar.

—Calor? – ele diz e sua voz grossa me faz despertar

— Sim, muito – ofego jogando o cabelo pro lado revelando meu pescoço e seus olhos se voltam pra minha tatuagem a mostra – Você .. esta melhor?

— Sim , os remédios estão fazendo efeito agora — animado ele coloca algumas coisas sobre a bancada – hoje é comida de verdade.

— Ora eu pelo menos te alimentei enquanto estava mal, considere – dou ombros me sentando em uma cadeirinha perto da bancada e ele se senta de frente pra mim.

Eu vejo o ferimento em seu pescoço e a lembrança daquela noite me faz perder o apetite , Albert morto ao lado dele e o mesmo agonizando em meus braços, é horrível. Fora tudo o que eu passei , tudo o que eu soube é pesado demais pra uma pessoa só, e agora alguém que eu considerei tanto que me conhece como ninguém que se arriscou por mim mas por outro lado me sequestrou e tirou a minha vida de antes e me trouxe pro passado. Uma onda de choro toma conta de mim e saio da cozinha voltando pro quarto com uma mão no peito pra me segurar , sinto o calor dele atrás de mim e vai ficando mais perto.

— Tris – quando ele diz meu nome eu desabo

Ele me segura em seus braços me apertando em um abraço tão forte que sinto seu coração acelerado assim como o meu. Eu preciso desabafar com alguém ele é o único que sabe da minha situação, Zeke não esta por perto somos só eu e ele.

— O que foi? – diz acariciando meu cabelo

— Tudo isso, eu não aguento mais guardar pra mim – estremeço – Four eu não aguento mais eu só queria não ter que passar por tudo aquilo , matar Albert , ver você quase morrer foi demais pra mim. Por mais que eu passei tudo de ruim .. – seus dedos tocam meus lábios me impedindo de falar

— Eu só quero que você espere, você tem que estar segura primeiro pra depois ir – olha pra mim de maneira compreensiva – eu estou bem, não mereço sua preocupação.

Eu me afasto e olho pra ele , meus olhos ardem enquanto eu o encaro confuso;

— Estar segura? Então é isso. Você me sequestra, vira minha vida de cabeça pra baixo, arrisca sua vida pela minha , me revela coisas absurdas e agora é só esperar pra me largar em qualquer lugar como se eu não tivesse sentimento, como se eu fosse um objeto que você faz o que quer e depois joga fora? – desabafo entre lágrimas – você me destrói e ao mesmo tempo me traz lembranças boas e até tento ser uma pessoa melhor, e eu me importo com você Four, Tobias , eu me importo.

E lá estava ela, um lampejo de emoção crua no rosto de Four, um engate de sua respiração como se tivesse levado um soco no estômago. E tão rapidamente, ela tinha ido embora :

— Não se importe comigo, — diz ele. — Eu sou um maldito filho da puta egoísta. Eu matei pessoas, planejei, coordenei, e orquestrei a coisa toda, e nunca senti um pingo de remorso. E eu planejei, coordenei e orquestrei para matá-la. Portanto, não se preocupe comigo, porque eu só vou decepcioná-la.

— Você esta com medo de me deixar entrar , de tirar essa barreira que te impede de ser você mesmo, pelo menos pra mim. Eu sei quem você é – estendo minha mão até seu peito sentindo seu coração pulsar forte — ainda esta ai e quer voltar pra mim.

Ele se cala , sua íris azul se escurece e se afasta deixando minha mão pairada no ar solto um suspiro pesado e volto minha mão pra perto do meu corpo. Four da meia volta e sai do quarto. É estranho mas me sinto aliviada por ter desabafado e por ver que ainda posso mexer com ele e de certo modo meu coração ainda se derrete por ele.