KILLER
20 XIX
Notas iniciais
Mais um dia quente e eu resolvi sair um pouco dessa casa sufocante.Caminhei pela grama macia e sentei perto de um pequeno jardim um pouco distante. Fecho os olhos e por um momento eu tento esquecer que tudo isso aconteceu, que eu estou em casa a realidade pode ser outra. Tobias pode voltar pra mim, podemos resolver tudo isso e prender Jeanine e salvar meu pai, o ódio dele pode ir embora e eu posso perdoa-lo – meu coração o perdoo mas as ações dele me deixa confusa- .
— Beatrice! – ouço gritos quase desesperados
Parece que o deixei preocupado, fico em silencio e me escondo entre as pequenas arvores me agachando entre elas. Four se aproxima mas acho que não me percebe , ele fica ofegante e se senta na grama.
— Mas que merda – resmunga e olha pra cima — que ela não tenha fugido— diz fechando os olhos como se estivesse rezando.
Dou alguns passinhos pra trás e um graveto se parte quando eu piso , me da uma vontade de rir , ele aperta os olhos e me flagra.
— Você esta ai! – parece aliviado — mas que diabos esta fazendo aqui?
Me aproximo dele colocando as mãos sobre a boca me contendo para não rir e me sento ao seu lado, jogando meu corpo pra trás.
— Ah – solto um suspiro — se preocupou comigo?
Observo ele de costas e parece tenso mas ao ouvir minha pergunta ele relaxa.
— Só vim avisar que o tempo fechou na previsão disseram que uma tempestade vem chegando – seu corpo se vira e por um momento eu penso que ele vai se debruçar em cima de mim – é melhor você entrar.
Nossos olhos estão no mesmo nível agora, sua expressão esta calma e seu tom de voz suave e eu gosto dele assim.
— Não se preocupe, eu gosto de chuva – Assim que digo uma chuva forte começa a cair sob nossos corpos
Minha risada é aguda e infantil , eu não me contenho com a cara de bobo dele. Nós dois rimos que nem duas crianças, mas ele logo para e fica me olhando de forma estranha;
— O que foi? – digo enquanto me levanto
— Sua risada ainda é a mesma – sussurra ficando distante
Tomo coragem para segurar seu rosto molhado e eu o faço, e tento mostrar pra ele que ... – Droga o que eu estou fazendo! — . Olhos lindos e azuis me olham com ternura , gotinhas caem de sua testa fazendo-o piscar algumas vezes deixando-o irresistível.
— Eu ainda sou a mesma, sou eu a garota careta que você conheceu – um sorrisinho torto se forma em seus lábios.
— Eu não .. – diz em um tom estranho
E então se afasta e caminha em direção a casa , sua camisa encharcada mostra toda definição de seu corpo. Eu o sigo, sei que essa conversa não terminou.
. +++
Depois de um banho e um chá quente , Four e eu sentamos cada um em um sofá e ficamos vendo TV sem trocar uma palavra. Nossos olhares se cruzavam uma ou duas vezes e só.
— Bom , eu acho que vou dormir – me levanto – se sentir qualquer coisa me avise, você ainda tem remédios para tomar.
Vou em direção para o quarto mas ele me interrompe ficando na minha frente
— Fica no quarto hoje- diz e parece se arrepender — quer dizer — faz uma careta — eu vou ficar no quarto menor , já estou bem.
Congelo por um tempo com o toque dele em meu ombro nu, é quente e me causa arrepios. Meus olhos descem até seus lábios grossos entre abertos logo depois volto para íris azuis que agora estão arregaladas.
— Não – o som sai quase inaudível – Não, eu estou bem , de verdade — jogo meu cabelo pro lado envergonhada
Seu polegar desce até minha tatuagem, ele a observa inexpressivo. Sinto calor quase insuportável, tenho que me segurar.
— Porque ? – perguntou se referindo a tatuagem
— Representam – pigarreio – as memórias que eu quero pra sempre comigo e cada um representa uma pessoa.
Droga, ele agora me encara pensativo , tenho que me explicar?.
— Sua mãe – passa o polegar sob o primeiro pássaro – seu pai – o segundo e não consigo mais controlar minha respiração — só não sei qual é esse – desliza seu dedo até o ultimo
— Minha mãe, Evelyn, e você – digo quase ofegante – eu sempre guardei vocês comigo.
— Eu não entendo .. – massageia o polegar em minha pele
Agora ele parece estar se referindo a outra coisa, nossos olhos se encontram e ele parece esperar uma resposta. Perdi meu chão, meu ar o tempo parou nesse momento. Tobias. O lampejo de memórias me deixa desnorteada e eu não me lembro do que responder.
— Eu também não. — sussurro
E neste instante seus lábios urgentes rápidos, quentes e completamente fora de controle me invade, me agarra e consome. Toda a intensidade com que ele me empurrou estava me puxando de volta, fundindo meus lábios nos dele. Foi quase doloroso quando ele soltou.
There she goes in front of me , take my life and set me free again. We'll make a memory out of it. Holy road is at my back don't look on, take me back again. ''We'll make a memory out of it''.

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