KILLER
15 XIV
Notas iniciais
Após um banho e cuidados com minha pele com alguns cremes coloco a mesma roupa na qual estava, prendo meu cabelo em um pequeno rabo de cavalo pois ele esta quase nos ombros, me deito na antiga cama da madrinha, acho que estou preparada pra enfrentar o passado tão presente assim nessa casa e com ele. Meu coração escapa algumas vezes mas é por alguém que esta no passado , não por esse novo homem que se nomeia por Four . Eu faria de tudo pra fugir mas preciso enfrenta-lo.
Caminho tranquilamente pelo corredor e desço as escadas as memórias minhas correndo e brincando do cheiro de tudo, aqui era minha segunda casa. Passo pela sala e cozinha e esta tudo vazio , decido andar pela rua já que a porta da cozinha sempre tem um jeitinho de destrancar, pego minhas coisas as quais Zeke comprou pra mim junto com algumas coisas para eu comer e duas facas e faço uma bolsa improvisada com uma simples camisa enorme. Eu não aguento mais viver trancada ser machucada, eu sou covarde e não vou enfrenta-lo eu não quero mais isso, vou fugir essa é minha unica deixa. Apressada caminho até o pequeno escritório tentando achar algum papel e caneta, e enfim acho e escrevo um pequeno bilhete:
Espero que de tudo certo pra você. Apesar de tudo, foi bom ver que a casa ainda é mesma e que pelo menos ela não mudou tanto.
Sorrio pro bilhete com a minha ironia mas sei que ele nem vai ler isso.
— É você esta livre Tris. – digo a mim mesma ajeitando minha bolsa improvisada e saio porta a fora.
Caminho pelas ruas vazias em um fim de tarde posso reviver toda minha infância , a rua para o bosque continua a mesma nada foi mudado depois de anos. Animada vou até lá , a brisa fria sopra e sinto um arrepio quando chego , o campo de girassóis fora devastado, há apenas uma grama seca com algumas palhas espalhadas parece que nada nasceu aqui desde então desde que eu fui embora elas morreram com o tempo. Uma lágrima escapa e a limpo imediatamente , não é possível que Four não tenha nada a me falar , resolvo voltar , já esta escurecendo e apresso os passos. Há poucos metros de chegar vejo um carro em frente da casa e não é o de Zeke, corro com dificuldade por causa das botas até uma casa vizinha e abandonada e me agacho e vejo por cima de um pequeno muro — acho que não vão me ver daqui – penso e tento controlar minha respiração. Depois de alguns minutos Albert sai ao lado de Four , os dois olham a rua e logo depois falam algo que não consigo escutar , o nojento o Albert sorri para ele e entra no carro – desejo de todo o coração que esse carro exploda com ele — , em alguns minutos o carro acelera pela pista , eu o espero dobrar a esquina e ergo meu corpo , ele ainda esta lá observando a rua esperando que eu volte , me agacho novamente – é melhor eu fugir, ele não vai me dizer nada mesmo, vai me prender em um quarto ou me sedar como sempre— olho pelo pequeno muro e Four passa suas mãos em seus braços parecendo estar com frio e entra , tenho tempo de correr de novo até ele pegar um casaco. Corro pela rua completamente vazia e vou de novo para o bosque , minha antiga casa fica a poucos metros de lá, tenho puxar o máximo de ar possível e correr o mais rápido que eu posso, olho pra trás e não vejo e nem ouço nada. Chego ao bosque ouço um barulho de motor distante, não consigo parar nem pra respirar seria óbvio voltar para minha antiga casa? E se alguém morar lá? Eu decido arriscar.
Posso ver o portão branco meu coração acelera e tiro mais forças para correr , por fim consigo alcança-lo e esta trancado.
— Droga! – praguejo alto
Corro para a parte de trás da casa onde há um pequeno muro e o pulo jogando minhas coisas sem jeito , corro uma maratona pelo jardim até chegar na porta dos fundos, trancada. O ronco fica um pouco próximo , ele pode estar rondando o bairro será que ninguém mora aqui! Algum vizinho , alguém?. Chuto a porta várias vezes e com força , tento me lembrar de algo e observo uma pequena janela ao lado da porta e torço pra que ela abra. – Vamos lá Tris , você consegue— eu tento puxar a janela de madeira pra fora mas não consigo abri-la – merda! — respiro fundo e olho para a camisa enrolada com minhas coisas e tento achar alguma solução – as facas! – pego com as mãos trêmulas e passo pelas frestas da janela conseguindo subi-la e quebrando o vidro com a mão e sustento a janela pesada, tento destravar a janela com sucesso. Jogo minhas coisas dentro da cozinha e ouço o barulho ainda mais próximo , me jogo dentro da cozinha e as lascas de vidro grudam em meu casaco , fecho a janelas desesperada e solto o ar. A casa esta abafada mas esta limpa e tudo também continua da mesma forma, nunca pensei que voltaria aqui nesta circunstancia,
Me levanto do chão e agora esta tudo escuro , estou com medo dele me achar e me trancar mas a cozinha é o único cômodo que quando se ascende as luzes não da pra ver do lado de fora e ilumina metade da sala, acendo a luz e meu coração acelera estou no chão de novo , chorando feito uma criança. Minha mãe poderia estar aqui agora e eu não estaria passando por isso.
— Mãe, eu sei que você esta comigo , por favor me ajude – rezo baixinho limpando as lágrimas. -
Estou de pé novamente , deixo as coisas dentro da geladeira , é menos provável se ele invadir aqui procurar alguma coisa na geladeira , resolvo deixa-la ligada por alguns minutos e depois eu a desligo para manter as frutas frescas. Ligo os ventiladores o pó se expande por toda cozinha, vou até a despensa vazia e acho uma vassoura parcialmente nova, e limpo o chão. Passo pela sala e só há a bancada de madeira e uma poltrona , parece que esta sendo reformada , subo as escadas e vou até o quarto antigo de mamãe , abro a porta com cuidado e lá esta a cama o closet tudo do jeito que eu lembro , desabo de novo. Saio do quarto com as pernas bambas e vou até o meu acendo a luz e vejo as estrelas no teto a cama o meu guarda roupa velhinho a grande janela com vidro filmados porém velhos a suíte do mesmo jeito, tudo parece estar bem conservado. Deixo as roupas em cima da minha cama e tiro o casaco, olho para rua iluminada através dos vidros escuros e não há ninguém, eu não estava acostumada com essa casa tão silenciosa e vazia, me encolho na cama e fecho os meus olhos , não é a mesma sensação eu sinto medo.
Assusto com um barulho de porta batendo , corro até a escada e ouço uma voz feminina cantarolando , uma mulher vestida de laranja se assusta ao me ver:
— Oi ! — digo tentando não assusta-la
— Você é a filha do Sr. Andrew não é ? — diz boquiaberta
— Não! Eu sou sobrinha dele , sou filha do irmão mais novo dele – digo encolhendo os ombros
— Nossa mas você parece muito com a Beatrice, mas coitada dela que Deus a tenha – suspira — o que esta fazendo aqui ?
— Eu fugi de casa , depois que minha prima morreu eu fiquei muito triste – minto – éramos muito unidas sabe ? – tento parecer convincente
— Nossa mas que estranho , quantos anos você tem? – me olha desconfiada
— Tenho dezoito , mas por favor , não fala pra eles que estou aqui. Só minha mãe sabe – sussurro
— Posso confirmar isso? – ainda desconfiada ela me encara – você realmente parece a Beatrice.
Olho bem para a mulher morena que me encara desconfiada :
— Johanna? — digo com os lábios trêmulos
— Meu Deus você esta viva minha menina! – os olhos dela ficam marejados
— Sou eu , sou eu sim – abro meus braços e a abraço com força
— O que você faz aqui querida? Porque não esta em Chicago com seu pai? – diz acariciando meu cabelo suavemente
Não consigo controlar meu choro , começo a soluçar sem parar e ela me consola.
. +++
— Você vai ficar aqui até esse tempo passar? – pergunta ela quando termino de explicar o porque estou aqui , sob ajuda de ''amigos’’.
— Sim, eu fugi da casa da madrinha porque não achava seguro lá, aqui eu sei que ninguém me acharia seria muito óbvio? —
— Temos que avisar a seu pai não é? —
— Não, estamos em risco por causa de Jeanine. Como eu te expliquei — fungo o nariz
— Tenha calma , eu vou te ajudar fique aqui por enquanto depois vamos la pra casa certo? – diz me acalmando
— Tudo bem , porque veio aqui? Achei que estava abandonado – pergunto me levantando olhando pela janela novamente
— Porque eu sempre cuidei dessa casa com sua mãe não é? Sempre fomos vizinhas muito próximas e essa casa é sua, seu pai uma vez me pediu pra cuidar disse que talvez você voltasse a morar aqui – abre um sorriso – mas aquele seu amigo antigo , o Tobias , voltou pro bairro depois de muito tempo e visitou aqui também.
— Tobias? – minha voz falha e entro em pânico – o que ele veio fazer aqui?
— Sim , ele mesmo , sempre foi um amor de menino mas agora esta tão diferente. Ele veio ver o imóvel, junto com outro garoto que parece ser o filho de sua madrasta – diz pensativa – ele veio com uma história de que a casa era minha e eu só confirmei, depois ele me explicou que o garoto queria demolir a casa.
Fico boquiaberta .
— Ele ? fez isso? Tem certeza? – ela assente — e o Albert foi embora acreditando?
— Antes de vê-los eu recebi por correio um documento comprovando que esta casa era minha , e Tobias pediu para eu mostrar esse documento a ele – posso ver que ela não esta mentindo. – acho que foi por uma boa causa.
— Quanto tempo tem que eles vieram pra cá? – pergunto tetando manter a calma
— Uma semana mais ou menos , mas enfim, vou dar uma geral aqui e vou trazer algumas coisas pra você. – sorri e caminha até a porta do quarto
— Então ele sabia que eu viria pra cá – penso alto —
— Parece que sim , volto daqui a 1 hora com o que você precisa ok, e fique tranquila pois não contarei a ninguém. – sai fechando a porta
Johanna sempre foi amiga de minha mãe e Evelyn , mas ela e sempre conversou mais com minha mãe, nos dias em que mamãe viajava a trabalho ela cuidava de mim quando Evelyn não podia. O estranho é Tobias fazer isso, ele sabe que eu estou aqui ou que eu fugiria pra cá , eu sou muito burra ele ainda me conhece bem.
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