KILLER
16 XV
Notas iniciais
Como prometido Johanna volta com comida e algumas roupas, roupas de cama e produtos de limpeza. Limpamos o meu quarto e o antigo quarto de mamãe os corredores e a cozinha , preparamos um almoço rápido e sentamos próximo a bancada:
— Você acha que ele ira vir pra cá? – Johanna pergunta se referindo a Tobias
— Se ele tiver vergonha na cara , ele nem aparecia – resmungo – mas eu quero que você não venha mais pra cá , podem te fazer mal e eu não quero isso – seguro sua mão – eu tenho que ficar aqui escondida , eu vou me virar ok?
— Como você vai sair daqui e comprar alguma coisa? Fique com meu celular – diz oferecendo seu aparelho e minha mão cossa pra pegar —
— Melhor não, eu tenho que te deixar longe disso. – levantamos juntas – tem certeza que ninguém te seguiu ou te viu?
— Eu sempre venho aqui e trago algumas coisas , posso confirmar que a casa é minha – da meio sorriso – Estarei a dois quarteirões daqui , qualquer coisa me chame.
— Obrigada – choramingo e me despeço dela.
Apenas essa rua é silenciosa , pois maioria das casas foram vendidas ou são casas de temporada. Arrumo a cozinha e subo para o quarto e resolvo explorar coisas antigas , acho minha caixinha de fotos e no meio delas acho uma de mamãe e eu rindo na cozinha e cheias de massa de bolo pelo rosto, outras com Evelyn e Tobias no parque em que costumávamos ir quase todos finais de semana, e uma foto do meu colar me chama atenção e instintivamente toco minha tatuagem. Abro um sorriso com cada lembrança boa com cada foto – eu queria tudo isso de volta — .
— Obrigado pelo bilhete – a voz de Four me faz pular
— Mas como você entrou aqui? – minha voz se altera com o susto
Ele tira duas chaves de seu bolso e abre um sorrisinho sínico ;
— A sua sorte é que Albert não te viu atrás daquele muro tão baixo.
Seguro o ar e me levanto deixando as fotos no chão , e fico de frente pra ele tentando encara-lo com todo meu ódio:
— Você impediu que essa casa fosse demolida, você me trouxe de volta , você sabia que eu viria pra cá. Porque ? Começou a ter piedade por outra pessoa agora?
— Johanna te contou – parece que ele foi pego de surpresa —
— Claro que contou! Eu não to entendendo Four, qual é a sua? —
— Já disse , e você não é nenhuma surda – diz irônico
— TOBIAS – grito o nome dele – da pra ser você mesmo só por alguns minutos ? me diz porque ta fazendo isso por mim! . – grito nervosa
— Da pra parar de gritar? Quer que os vizinhos da outra rua te escute? – faz sinal com as mãos – Acha mesmo que vou dizer o que você quer ? Você é muito mimada!
— O que? – digo entre dentes
— Eu não vou cair nessa. – bufa
A fúria toma conta de mim e eu pego a caixinha e atiro em direção a ele , com o susto ele da um pulo pra trás e eu avanço acertando o rosto dele com um tapa, minhas mãos latejam com o impacto. Ele me puxa com força e me segura encaramos um ao outro , sua mão aperta meu antebraço o toque dele me causa um arrepio que me incomoda mas não me intimida.
— Porque você fez isso? – pergunto
— Eu não tenho que responder isso. Não é obvio? —
— Obvio? Você tem merda na cabeça? Mas que caralho. – digo nervosa
— Albert iria vender ou demolir a casa de Nathalie e sua também, não poderia deixar que ele fizesse isso, porque você viria se esconder aqui. Eles não iriam desconfiar. – responde desinteressado
— Ah é mesmo, e porque me trouxe pra cá Tobias, justamente pro lugar onde a gente cresceu junto , onde .. – estremeço ao olhar pra minha cama – você esta me destruindo por dentro também. Não percebe isso?
Ele me olha impassível e cruza os braços.
— Eu trouxe você pra cá porque era o mais próximo que eu tinha de salvar sua vida. Zeke tem clinica aqui e isso te ajudou a sobreviver , e aqui ninguém iria te procurar porque você ta morta. –
— E você acha que vou viver aqui pelo resto da vida? Acha mesmo que eu não vou atrás do meu pai ? de dizer a ele a cobra que Jeanine é? Sinto muito mais não quero perder mais uma pessoa que eu amo.
— Sabe o que me surpreende? É que você acha que seu pai é uma boa pessoa. – debocha
— Porque diz isso? Meu pai não tem nada a ver com o que aconteceu!
— Seu querido pai foi o primeiro suspeito pela morte de sua mãe Beatrice , fora outras mortes de ex funcionários deles assim como minha mãe, que sabiam demais. – seus olhos frios congelam minha alma com essa resposta.
— Minha mãe morreu em uma explosão , foi um acidente ! – digo nervosa
— Tem certeza? Você não quis saber como foi a explosão ? se foi proposital? Seu pai e sua madrasta fazem desvio de dinheiro e ainda tem empresas fantasmas nas quais investidores mandam dinheiro direto pra conta deles.
— Do que você esta falando? – meus dedos tremem
— Eu vou te contar o que você tanto quer saber – se sentou em minha cama e eu me sentei no chão onde estava antes.
A iluminação lhe confere uma aparência macabra escurecendo as orbitas de seus olhos e criando sombras sob as maças de seu rosto.
— Então comece .
— Minha mãe , quando Nathalie morreu, ficou estranha de uma hora para outra. Uma vez quando voltei da cidade eu a escutei falando ao telefone e parecia com medo .. :
flash back – Tobias.
Ela caminhava de um lado pro outro impaciente ao telefone :
— Eu não estou com os papeis Andrew, não vou viver sob ameaça – cruzou os braços nervosa quando me viu parado na sala – tenho que desligar.
— Quem era mãe? – perguntei porém ela me ignorou. – Mãe , quem esta te ameaçando?
Evelyn tinha um péssimo habito de me esconder as coisas e eu queria muito saber o que estava acontecendo e resolvi persuadi-la .
— Mãe , se você não me contar o que esta acontecendo eu vou atrás de Andrew – quando disse ela se virou e arregalou seus olhos castanhos e grandes
— Tobias meu filho você não pode fazer isso. Podem nos matar — deixou escapar
— Como assim matar?
— Droga – praguejou baixinho – eu deveria te contar a mais tempo ..
Fiz um gesto para ela continuar e a mesma assentiu :
— Andrew faz desvios com a esposa dele, e um dia antes Nathalie e eu levamos um dossiê para policia pois Jeanine havia nos ameaçado – soltou um suspiro e seu corpo ficou tenso – O sócio de Andrew , Marcus , ele é alguém que nunca queria ter conhecido.
— Como assim ameaça? Quem ele pensa que é pra te ameaçar mãe? Só porque não somos como eles ?- alterei a voz lembrando de Tris indo embora e me deixando, correndo pro pai rico .
— Você não entende. Andrew se envolveu com pessoas que Marcus conhece e o trafico é uma dos muitos que ganha as custas dos outros investidores .
— Mas quem é Marcus porque ele te ameaçaria também? Você fez algo de errado? —
— Fizemos , e ela pagou por isso e eu vou ser a próxima – mamãe entrou em pânico – Tobias quando pessoas estranhas se aproximarem dessa casa chame a policia e fuja.
— Da pra você falar o que esta acontecendo!! Mas que caralho porque você não diz logo? — disse nervoso
— Tobias , Andrew me ligou avisando que não tinha mais nada a ser feito. Eu sei de tudo sobre a empresa dele como Nathalie sabia e olha o que aconteceu. Andrew faz desvios de milhões a uma conta fantasma e cai direto na conta de Jeanine — disse cerrado a mandíbula – Ele é um ladrão filho da puta isso é crime e com o dossiê tinha todas as provas. Nathalie estava levando a delegacia quando foi morta.
— Então ele a matou? Andrew matou a tia Nathalie ? – falei incrédulo
— Sim. — sua voz falhou e ela caminhou silenciosamente até a cozinha.
flash back of.
— Evelyn estava com medo? – digo tentando compreender a história na qual ele acabou de contar.
— Sim estava com medo de morrer , e acabou morrendo. – suspira – Sua mãe morreu a caminho da delegacia um cara que eu conheci que a matou, ele me contou que recebeu uma ligação de Andrew mandando explodir o carro dela .
Agora posso vê-lo Tobias relaxa o corpo parecendo aliviado , suas mãos pousam calmamente sobre minha cama sua expressão não muda, — meu coração aperta, só de pensar que ele pode estar certo mas meu pai não faria isso, tenho que saber de mais coisas a respeito disso . —
— Marcus – minha voz falha — ele é sócio do meu pai, porque ele faria isso?
— Ele é meu pai, e minha mãe queria me proteger dele. Mas minha avó também pagou por isso. —
Ficamos em silêncio, ele não me olha fica encarando o vazio o escuro como se fosse uma camuflagem. Meu olhar volta para as fotos e respiro fundo;
— Four. – digo o nome dele e ele ergue o olhar pra mim – porque esse nome?
Ele se fecha e volta a olhar pro fundo escuro do quarto, essa pergunta o incomodou:
— Acha mesmo que iria continuar com esse nome de merda até seu pai querido me achar ? E me matar como ele fez com todas as outras pessoas —
O jeito dele de falar me causa um arrepio e tremor , como pode mudar de uma hora pra outra assim?.
— Eu não iria deixar ele fazer isso — digo e Four assume uma expressão macabra e começa a rir – Não tem graça! Você acha mesmo que deixaria ele fazer isso?
— Acho você igual a ele, só pensando em si e no dinheiro , deixando tudo de lado, vocês tão pouco se fodendo pra os outros.- bufa
Ergo meu corpo com as palavras dele são como facas estilhaçando em meu peito :
— ACHA MESMO QUE SOU IGUAL A ELE? EU PROCUREI VOCÊ! – grito nervosa me levantando assim como ele.
— VOCÊ ME ABANDONOU , CORREU PRO DINHEIRO E PRA VIDINHA DE MERDA DEPOIS QUE ELE MATOU SUA MÃE – sua voz se altera e eu sinto medo
Ele esta errado, meu pai me arrastou praticamente e não me deixou vê-los, eu o procurei de todas as maneiras mas nunca me respondeu , ninguém tinha noticias dele.
— Quem você pensa que é pra dizer isso? Sabe o tamanho da dor que eu senti quando mamãe morreu? Sabe como eu estava? Dias depois do velório você nem se quer veio pra ca , pelo menos pra se despedir. – Minha garganta se fecha estou prestes a explodir em lágrimas.
— E você sabe o que estava acontecendo? Quando seu pai querido estava não podia nem sair na esquina. E sabe porque? – se aproximou me olhando como se estivesse com nojo – porque ele ameaçou nos matar e por pouco não te matou pra não deixar pistas.
— Meu pai nunca faria isso comigo. – minha pernas tremem e a cada passo pra frente dele são dois meus pra trás.
— Mas sua madrasta fez , quem sabe não foi a mando dele pra magoar a princesinha mimada. —
— Ele não fez isso – dou um passo pra frente — Eu não tenho culpa e eu não sabia, se ao menos no começo você viesse me procurar poderíamos descobrir quem esteve por trás de tudo isso. – pisco várias vezes afastando as lagrimas – eu não sou como você pensa e no fundo você sabe disso.
Posso sentir seu cheiro de perfume amadeirado e suor e sinto repulsa, me afasto chutando as fotos indo em direção a porta.
— Não iria atrás de você .- diz baixo quase não posso escuta-lo
— Mas foi , me sequestrou , humilhou , me machucou de todas as maneiras. – deixo as lágrimas saírem mas não demonstro fraqueza – Eu te odeio , com todas as forças que me restam.
Saio batendo a porta soluçando até as escadas e ouço um estrondo vindo do meu quarto , eu o ignoro. Como ele pode ser tão bipolar , estranho , frio e ao mesmo tempo me ajuda tanto? , uma parte dele quer ser o meu garoto de antes mas a outra luta contra isso e do jeito que ele falou comigo me destruiu em vários pedaços de novo, como vem feito.
Vou para cozinha e preparo um chá o qual minha mãe costumava fazer, fico olhando pela janela da sala a noite estrelada e fria , ainda com um peso no peito por tudo o que Four me disse. Dou um pequeno gole e ouço passos da escada , fecho meus olhos e não escuto mas nada apenas o som da porta batendo. Lágrimas involuntárias escorrem — meu coração não aguenta toda essa tortura— . A porta se abre novamente e ouço tranca-la , caminho silenciosamente até a escada até que escuto um barulho familiar.
— Eu sabia que não estava morta. — a voz de Albert me causa um calafrio , minha xícara cai ruidosamente – vire-se .
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