Alguns dias depois eu consigo me recuperar mas o que eu mais quero é minha liberdade de volta. Não vejo Four a uma semana depois da breve conversa em que tivemos , tento convencer Zeke de que posso sair sozinha porém ele não me deixa sair do quarto. Sinto falta de conversar com meus amigos, do meu pai até a ponta do meu dedindo faz falta – encaro os pequenos pontos e faço uma careta – como vou pintar minha unha? Ou cumprimentar alguém? Sempre vão reparar na ponta do meu dedo decepado. Mas acho que foi por uma boa causa de salvar minha vida ou não. Caminho de um lado pro outro dentro do quarto e Zeke aparece :

— Vejo que esta bem melhor patricinha ! – abre um sorriso e eu faço uma carranca e ele se corrige – Tris!

— Agora eu posso pelo menos sair desse quarto? Quero respirar ! – resmungo

— Hoje iremos comprar alguns medicamentos e roupas mas você não pode ser reconhecida se não estaremos mortos —

— Eu só quero sair daqui.

— Ok, se troque e vamos — diz ele saindo do quarto

Vou até a sacola com peças de roupas e acho um sobre tudo preto e uma calça de lã cinza , visto-me com cuidado e coloco um par de botas pretas e largas. Finalmente estou fora desse quarto , eu vou até uma salinha onde Zeke esta e o mesmo me olha assustado :

— As roupas lhe caíram bem , e boa escolha pois lá fora esta frio – encolhe os ombros pegando um guarda chuva – vamos .

Não sabia mais como era andar de carro novamente a não ser dentro de um porta malas apertado , uma sensação tão boa me invadiu quando Zeke ligou os motores de sua picape preta, olhei a estrada toda tentando memoriza-la porém era inútil , não é tão longe da cidade assim. Chegamos em uma farmácia eu o acompanho cabisbaixa. Vejo uma moça ruiva de olhos azuis na fila pro caixa e eu sinto uma vontade enorme de pedir por socorro , só de ver outra pessoa me faz entrar em pânico.

Zeke pede uns remédios e eu vou até uma balança me pesar e pelo que consta estou com 49 kg um péssimo estado por sinal e depois vou até uma prateleira de cosméticos e resolvo pegar alguns kits de fortalecimento e brilho pros cabelos, tinta , maquiagem, perfumes , creme e kits de unhas postiças e levo tudo pra Zeke pagar:

— Vai viajar moça? – a caixa pergunta em um tom de brincadeira

— Não é só pra assegurar se eu não .. – Zeke pigarreia

— Ela se preocupa muito com a beleza Tori – brinca com a caixa asiática de dreds diferente a sua frente

— Percebe-se – pega o catão de crédito e devolve a ele – tenham uma boa tarde! –

Despede ela e abre um sorriso pra mim e eu sinto um nó no estomago. Minha garganta aperta – eu tenho que pedir socorro – mas isso colocaria minha vida em risco.

Fomos ao supermercado e voltamos para outro lugar muito familiar, meu peito se enche com as memórias , o bairro onde eu cresci não é mais do mesmo jeito mas eu ainda lembro de pequenos detalhes. Paramos a frente da antiga casa de Evelyn, meu sorriso esta na orelha mas logo quando eu abro a porta a angustia me derruba.

Tudo parece estar como ela deixou , até mesmo o sofá onde nick sempre bagunçava as almofadas. A cozinha não mudou muita coisa e os banheiros foram melhorados, subo aos quartos e primeiro vou até o de Evelyn a cama de madeira a penteadeira com um espelho gigante ainda esta lá. Algumas coisas foram tiradas observo tudo e saio com o coração na mão e vou até o de Tobias , e parece que nada foi mexido , só a cama que é outra mas o resto é todas lembranças do meu passado aqui com ele. Uma bancada cheia de papéis me chama muito a atenção mas resolvo voltar para sala. Ouço risadas vindo da cozinha;

— Alguma piada Zeke? – pergunto me aproximando e limpando minhas lágrimas

Vejo Tobias parado na bancada — meu coração explode é tão real o eu posso sentir e ver o garoto que sempre se apoiava na bancada da cozinha quando Evelyn preparava o almoço, o sorriso que me tirava do sério todos os dias- como isso pode ser tão intenso e tão cortante ao mesmo tempo. Nos encaramos até o sorriso dele desaparecer a luz de seu rosto foi apagada, ele se vira pra Zeke e o mesmo se vira pra mim:

— Você vai ficar aqui até Eric e Peter voltarem pra Nova York , eu venho vê-la quando poder e enquanto isso Four vai te manter segura – fala se aproximando de mim – Não faça nenhuma besteira ok Tris? – Zeke me abraça

Eu retribuo com carinho, sou muito grata a ele por ainda estar respirando.

— Obrigada – digo com a voz falha e o solto – tenta não me deixar sozinha certo?

Ele assente e Four o acompanha até a porta.

Me sento no grande sofá verde limão extravagante que minha mãe adorava, ele se senta em uma poltrona cinza que eu não me recordava.

— Quando comprou essa poltrona? – pergunto apontando o queixo para ele

— Hum há uns dois anos atrás – da ombros desinteressado – porque?

— Não me recordava dessa poltrona na sala da madrinha – abro um meio sorriso – nick gostava muito desse verde limão

— E da cama dela também – diz distraído

— Ele adorava ir pro bosque brincar não era? Madrinha sempre dizia que ele sempre chorava quando saiamos sem ele – posso ver o lindo pastor alemão marrom parado na porta com a cordinha da coleira e abanando o rabo

— Nick era muito esperto sempre quando íamos sair ele já sabia, não tinha como esconder dele – Four abre um sorriso mas depois suspira

— Isso me faz lembrar de quando mamãe e a madrinha fazia Cupcakes de banana pra vendermos na escola mas a gente sempre comia – começamos a rir – era hilário ver sua mãe brava com você !

— E a tia Nathalie te acobertando colocando a culpa em mim — diz com a voz suave

Meu coração se parte em vários pedaços , tenho vontade de abraça-lo e relembrar tudo que vivemos juntos mas infelizmente lembrar o passado traz mais dor do que alegria.

Ficamos olhando pro nada alguns segundos até Four tomar sua forma de sempre , ele se levanta e pega o celular indo pra fora da casa , eu o observo sério ao telefone resmungando algumas coisas mas logo desliga.

— Quem era? Jeanine?

— Eric , ele estava perguntando se eu recebi alguma coisa de Jeanine – encara o telefone

— E recebeu? – me encolho no sofá abraçando minhas pernas enquanto espero a resposta —

— Sim , recebi quinhentos mil e vou receber mais quinhentos daqui a uma semana e então vou te levar pro seu pai . – fala apressando os passos e saindo da sala

Me levanto apressada e quase corro atrás dele .

— Como assim , você esta esperando receber pra me.. – digo chegando perto dele – devolver ?

— Devolver – bufa – to poupando sua vida garota, se você aparecer agora eu to em risco e você também.

— Você corre o risco de que? De perder o dinheiro ? – zombo –

— Corro o risco de ser preso e perder todos os meus benefícios, e você morre antes mesmo de ir ate seu pai – ele diz se virando pra mim – então acho melhor você procurar fazer alguma coisa até lá.