KILLER
7 VII
— Four não acha que já foi longe demais com isso? – diz uma voz masculina e tranquila
— Tenho que terminar isso , ele não pode sair impune e com a filhinha salva com uma manchete ridícula nos jornais Zeke – posso sentir o ódio na voz dele
— Ela não tem nada a ver com isso cara , eu te conheço bem. Como é que esta conseguindo .. depois de tudo? – Zeke sussurra
— Eu matei tantas pessoas , uma a mais não vai fazer a menor diferença – diz Four ficando nervoso
— Você sabe o que faz , e eu não quero fazer parte disso —
Ouço um barulho de metal rangendo e abro meus olhos, acho que estou em um cômodo da casa , um quarto grande porém simples . Tento me erguer mas uma mão fria me faz voltar;
— Não faça esforço moça, seus cortes foram costurados a pouco tempo – um homem moreno de olhos castanhos um pouco menor que Four sorri gentilmente.
— Por favor – digo com a voz rouca – eu não quero ficar aqui .
— Não é uma escolha sua ficar aqui ou não patricinha – Four surge atrás de Zeke com os braços cruzados – e o que você fez irritou muito seu irmão ..
Ergo meus braços roxos e enfaixados — estou parecendo uma múmia enfaixada até a cabeça— eu não aguento mais essa tortura , não tenho mais nenhuma força pra lutar de tantas chances que eu tive na vida , eu poderia escolher qualquer coisa. Mas nesta situação a morte me cai bem.
Zeke sai do quarto me deixando sozinha com Four que me encara inexpressivo com mandíbula cerrada e sobrancelhas unidas formando um V perfeito.
— Porque disse a Albert ? Sera que você não percebe que eu estou desfalecendo aos poucos Four? – digo angustiada – sera que não existe nenhuma humanidade em você? O que eu te fiz?
Os olhos azuis agora vividos sob a luz forte do quarto penetram os meus e aquela sensação de ser puxada pela escuridão volta com força , ele se aproxima e entro em pânico mas ainda sustento meu olhar procurando entender o porque de tudo isso.
— Eu não avisei nada patricinha pro seu bem, se não ele te mataria antes mesmo de pegar o dinheiro. Culpe o seu pai por isso, você está pagando pelo o que ele fez, não me importo se esta desfalecendo e caindo aos pedaços. Eu apenas faço o meu trabalho – responde seco parando a poucos centímetros da cama
— Seu trabalho é aceitar ordens de um babaca, parabéns – zombo
— É melhor calar a boca patricinha, daqui a alguns dias você vai sair daqui viva ou morta. Eu só quero a minha parte e matar quem for preciso – diz saindo do quarto
.***
Após cuidados médicos e retirado os pontos me preparo pra mais uma viagem de barco mas desta vez com Zeke que é médico e amigo de Four , não sei como alguém pode ser amigo desse cara.
Antes de subir a um barco médio , Four me amordaça e me amarra com precisão . Eu não vou atacar Zeke , até formamos uma ‘’amizade’’ ele é a única pessoa que não me trata feito um lixo.
— Não precisa prende-la assim – Zeke brinca – Vai continuar aqui na ilha?
— Não você vai leva-la eu vou ter outro serviço , tenho que levar uma encomenda pra um prefeito ai e preparar minha arma silenciosa – ele solta um risinho- mas volto daqui a uns 6 dias. Se eu fosse você a manteria amarrada Zeke – diz me deixando sentada em um sofá perto do timão.
— Vai ter que fazer esses tipos de serviço de novo cara? Já não basta esse? – Zeke pega uma mala das mãos de Four – Não vou prende-la , olha o estado dela é inofensiva ! – me lança um olhar com pena
Four suspira ;
— Eu preciso do dinheiro enquanto não consigo a herança – me olha — você que sabe Zeke, só não deixa ela fugir e se ela vacilar chame Eric, ele pode dar um jeito nela – ameaça .
— Certo, Boa sorte Four – se despede e ele apenas acena
Fico olhando o mar escuro pois já anoiteceu , a água azul escura e profunda assim como os olhos de Four. Depois de alguns minutos longe da Ilha Zeke me desamarra e tira minha mordaça.
— Sei que você deve me odiar também por estar ajudando , mas não vou lhe fazer mal algum , eu vi o quanto você esta sofrendo – diz desatando os nós dos meus pulsos ,
— Tudo bem , já estou tão acostumada com maus tratos que gentileza até me assusta. Obrigada por cuida de mim – digo e ouço uma risadinha
— Eric e Peter são muito ignorantes e estúpidos , já eu e Four não somos tanto assim. Porém Four é o pior deles – ao tirar os nós me oferece um copo d’agua – eu achei você legal patricinha , não merece o que esta passando ..
Sinto minha garganta fechar , então é ele quem vai me matar? Four é o pior de todos ele vai ser o meu assassino.
— O pior — digo – o que quer dizer com o pior? e porque eles acham que eu mereço tudo isso?
— Dizem que ele não tem coração , mas eu o conheço bem, e ele realmente não tem. O sangue dele é frio e não perdoa nada. É por isso que contratam ele – Zeke diz com um tom de mistério — infelizmente eu não sei de nada sobre isso, se eu soubesse com certeza te contaria ..
— E porque estão fazendo isso? Porque não me mataram logo? Esse sequestro já esta durando demais. – resmungo
— Você ainda esta aqui porque querem você viva , Albert queria você morta mas ninguém do grupo aceitou. Ainda bem , ninguém suporta aquele garoto patricinha , mas eu espero que isso passe logo– encolhe os ombros.
Grupo, seria aqueles outros dois idiotas com Albert , porque não ligaram pro meu pai ou pediram dinheiro pro resgate? É foda não ter a mínima ideia do que acontece eu poderia aproveitar essas gentileza de Zeke e pedir pra fugir mas eu não sei onde estou e eles me achariam primeiro e não teria mais chance alguma. E eu vou morrer do mesmo jeito mesmo se mandar algum dinheiro ou não , é o meu fim.
— Ainda me querem viva ? Por quanto tempo ? – pergunto angustiada
— Isso eu não sei patricinha , eu não faço ideia as únicas coisas que Four me disse foi isso , ele me deixou a par das outras coisas se não eu sou um homem morto, ou preso — fala ele deixando o barco no automático – quer comer alguma coisa?
— Isso que Four te disse? Então você não faz parte disso? —
— Não , eu não faço parte disso. Eu apenas vou te levar aonde me mandaram, mas Four me chamou antes para cuidar dos seus ferimentos.. – diz e me oferece um copo com suco de laranja .
— Não pode me ajudar ? Por favor eu estou desesperada você tem a chance de me deixar em algum lugar bem longe daqui .. – tento convence-lo
Zeke me encara e nega pegando seu rádio.
— Eu não posso te ajudar – faz uma pausa e aperta um botão em seu rádio – Four estamos quase chegando , mais algumas 3 horas estaremos lá .
Um chiado e Four responde :
— Peter e Eric estarão a espera, vende e amordace ela . – diz frio
— Entendido . Só vamos comer e já chegamos.
— Ok .
Ele me olha de relance e coloca o rádio perto do timão , apagando as luzes do barco .
— Estaremos lá daqui a 2 horas patricinha, eu vou fazer o que ele me pediu , e pense que isso vai te manter viva , por favor não tente nada. —
Mais ou menos uma hora depois ele me amordaça e me venda, logo me amarra tentando não me machucar, é até gentil da parte dele não querer me ferir que nem os outros covardes, mesmo assim eu também o odeio por não querer me ajudar. O barco para e ouço a voz do homem todo tatuado ,Eric . Sinto sua rispidez ao me puxar pela perna e me jogar em suas costas como um saco de areia , gemo com a dor e sou ignorada.
— No porão, até Four chegar , sem comida e sem água. – reconheço essa voz nojenta
— Assim ela morre antes do tempo – retruca Zeke sério – deixe-a eu darei o necessário pra mantê-la pelo menos viva .
— Problema é seu – Albert cospe as palavras –
As vozes ficam distante , ouço passos e algo ranger , sou jogada no chão com força por Eric e ele tira as vendas mas não a mordaça, o lugar onde estou tem um cheiro forte de gasolina , o chão de madeira frágil parece mal suportar o peso dele;
— Sem mordomias , faça o que Four fez, não quero essa patricinha se dando a capricho nenhum. – diz ao rádio – aliás , patricinha , amanhã você irá falar com seu querido pai e vai fazer exatamente o que eu mandar. – olha pra mim irônico
Abaixo meus olhos e permaneço calada, estou fraca demais para discutir ou encara-lo, apenas repito o mantra silenciosamente; — eu vou sair daqui, eu vou sair viva , eu vou ficar bem – mas minha mente responde :’’ você vai morrer, você não vai aguentar Beatrice , você é fraca.. ‘’
Eric me desamarra e bruscamente me levanta , seus olhos encaram os meus de um jeito esquisito – ele é um louco psicopata , covarde , e merece morrer da pior maneira possível — , desfazendo o nó da minha mordaça com força ele envolve sua mão esquerda em meu pescoço e o aperta ;
— Não vejo a hora de ver seus pedaços espalhados por esse chão imundo como você – diz entre dentes — sua patricinha vagabunda ..
Seus dedos pressionam com tanta força que eu perco o ar , tento tirar sua mão de meu pescoço mas sou vencida pela escuridão me sugando . Ele me solta fazendo meu corpo atingir o chão , as lágrimas quentes escorrem pelo meu rosto , puxo o máximo de ar que consigo, estremeço com a dor que invade todos meus ossos.
Agora vejo o quanto vale a liberdade , estou sem saída e tentando ser forte a essas condições desumanas .. Comparada a Beatrice de alguns dias atrás que tinha tudo, agora eu não tenho nada e nem ninguém.
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