KILLER
6 VI
Notas iniciais
‘’ Você nasceu em um dia ensolarado e quente , eu e seu pai estávamos muito felizes com sua chegada meu amor , seus olhos eram tão azuis e seu cabelo tão loirinho parecia um anjo. Sem duvida o dia do seu nascimento foi o melhor da minha vida – minha mãe dizia enquanto acariciava meu cabelo – é tão rápido , olha só você agora .. tão linda . ‘’
Posso ouvi-la e até sentir o cheiro do seu perfume. Mamãe sempre disse pra eu ser forte independente do que acontecesse , assim como Tobias sempre dizia que eu era forte como ela. É incrível como o tempo nos surpreende , como tudo muda e como as coisas pioram.
Consigo me levantar e ir até a porta , meu corpo protesta mas as dores estão suportáveis, mas dia esta incrivelmente lindo e não vou ficar mofando em uma casinha. Respiro fundo e sinto os pulmões doerem mas não ligo, Four se aproxima com uma sacola e uma garrafinha de 600ml nas mãos, paraliso com a visão dele sem camisa – seu corpo se resume em duas palavras : forte e definido. Abdômen , braços e peitoral perfeitamente esculpidos e a pele bronzeada é de tirar o fôlego – Mas olhar pro rosto dele me traz a realidade , eu o odeio mesmo ele sendo tão lindo por fora, é podre por dentro.
— O que faz na porta ? Vá caminhar um pouco se conseguir patricinha — abre um sorriso irônico
— Já da pra parar de chamar de patricinha Four? —
— Não, eu chamo do que eu quiser . – cerra o cenho e une as sobrancelhas
E ele achando que me assusta ;
— Não , eu tenho nome. Beatrice , e você sabe muito bem disso , não tenho um nome ridículo como o seu – digo irritada
— Ah claro , eu tenho um nome ridículo? Olha só pra você p a t r i c i n h a – diz pausadamente .
— Arg ! – dou as costas pra ele e volto pra casinha
— Coma isso e vá explorar a ilha , você não tem pra onde fugir mesmo só não deixe que algum animal coma você mas acho que nem um animal comeria você desse jeito – zomba.
— Se as condições fossem opostas com certeza você estaria morto – pego a sacola e a garrafa e saio marchando pela areia
— Só quero ficar longe desse grosso e irritante — finalmente acho um coqueiro a beira do mar e me sento na sombra.Abro a sacola com várias frutas, as uvas verdes estão saborosas assim como a manga e as bananas – estou satisfeita – o liquido laranja mas não é suco pode ser algum remédio, ou a tal vitamina que o ogro disse. Bebo tudo e alguns longos minutos depois as dores param aos poucos eu observo a praia com areia branquinha, água cristalina e calma — sei que não posso nem encostar na água por causa dos meus pulmões mas dizem que um banho de mar cura tudo— Deixo minhas roupas perto de uma pedra e entro no mar calmo e morno , ergo meu corpo e o deixo flutuar na água :
Flash Back
Tris você só tem 12 anos e vai casar? – disse minha mãe fazendo uma cara feia pro espelho enquanto terminava uma trança em meu cabelo
— Sim, Tobias e eu estamos preparando tudo, só não diga ao papai . Ele deve estar viajando com aquela sem graça – revirei os olhos e ela sorriu
— Não diga isso da sua madrasta filha. Mas como será o casamento de vocês? – assim que terminou me virou de frente pra ela
— Casaremos aqui , no meu quarto mamãe! Vou arruma-lo e pegar vários girassóis , já que não podemos casar na igreja ainda – disse convicta – quando ficarmos mais velhos vamos ter uma festa que nem a daqueles filmes sabe ?
Minha mãe ria , eu amava quando ela sorria assim. Suas lágrimas desceram e ela se abaixou e olhou em meus olhos :
— Você vai ser a noiva mais linda do mundo, e mamãe vai estar com você quando esse dia chegar , mas não tão cedo ok? – deu um beijo em minha testa
Não tive um casamento aquele dia pois Tobias ficou doente , ele tinha asma e passou mal , fiquei a noite inteira pedindo a Deus que meu noivo não morresse , era o único que eu tinha , o único que eu queria.
Flash Back of
Volto a nadar até a beira do mar e o vejo de longe, sinto até medo do jeito que me observa. Saio da água bem melhor e visto minhas roupas , volto pra onde eu estava e sei que vou tomar uma bronca. Entro pra casinha quando o sol abaixa , -preciso de um banho e roupas secas, estou lotada de areia — . Vejo ele sentado na cama olhando pra mim como se quisesse me engolir ;
— Porque entrou no mar patricinha ? quer morrer ? – joga uma toalha em minha direção
— Não , só quis me livrar das dores e olha aliviou bastante , se eu fosse você iria também pra tirar esse mal humor — brinco
— Você esta zombando de mim patricinha? Acho que você quer mesmo morrer – bufa jogando uma calça moletom e uma camisa em minha direção – vá pro chuveiro , seu irmão quer você inteira pra daqui dois dias .
— O que ? Albert vai voltar? – falo em panico
Já sei que vou morrer só não esperava ser tão rápido sem ao menos uma chance de ver meu pai.
— Pois é , reclame com seu irmão . – diz se levantando e aponta para mesinha – beba tudo e vá dormir .
Vejo um prato com peixe assado e arroz ! – que delicia , é uma comida dos deuses comparado ao que eu comi alguns dias atrás — um copo de alumínio com um liquido escuro. Tomo o banho mais rápido da minha vida só por comida.
— Huuuum- gemo — esta delicioso , comparado ao peixe com minhoca esse esta divino!
Termino de comer e bebo o liquido amargo e preto e pego no sono. Meus últimos dias de vida só se resume nisso dor, dormir , dor , comer e ser insultada por um grosso idiota.
Na manhã seguinte tiro meu curativo e meu ferimento já esta se fechando, não sinto tanta dor assim , caminho pela praia até a casa chique de madeira , e ao entrar vejo o quanto a casa é linda por dentro , o chão também de madeira os móveis planejados e rústicos , uma lareira na sala e uma tv muito grande a frente de dois sofás de couro marrom. Escuto o barulho de chuveiro, Four pode estar no banho e assim posso ter mais tempo de achar um telefone – é a minha deixa — corro pela bela casa e vou até a cozinha com bancadas de madeira clara , abro as gavetas e só encontro talheres e facas sem ponta mas mesmo assim guardo duas facas nos bolsos do moletom – posso furar os olhos dele , ou tentar enfiar essa faca em sua garganta — meu pensamento é horrível , mas quero sobreviver e sair daqui-. Exploro os cômodos mas nada que possa matar um homem com quase 1,90cm de altura e nem um telefone. Paro em frente a espelho da grande sala que é extremamente desnecessário : meu cabelo já esta crescendo loiro e vivo e algumas mechas desiguais porém ainda pareço uma morta, olhos redondos e grandes demais , rosto magro e corpo totalmente desnutrido. Meus seios diminuíram, minha bunda não é mais a mesma , mas ainda tenho algumas curvas a considerar. Aposto que essa merda de casa é da cobra e do covarde do filho dela, não é possível que não tenha um telefone por aqui ! ou jogaram todos fora. — Bingo! — Vejo um telefone de parede branco e lindo a minha espera, meu peito explode de alegria e já sei tudo o que vou dizer , vou entregar Albert e todos filhos da puta que me maltrataram;
Disco o numero da policia de Chicago e em menos de duas chamadas eles atendem:
* Policia de Chicago em que posso ajudar?*
Minha salvação esta nas mãos desta atendente , minhas lagrimas ardem — vou sair daqui , vou ver esses merdas na cadeia ou até mortos! – a emoção me trava e vejo um homem dando passos rápidos em minha direção:
— Alô , aqui é Beatrice Prior fui sequestrada e estou em uma ilha perto do .. — Four me joga fortemente em direção a parede me fazendo voar pela sala e me chocar contra o exagerado espelho.
— É um trote moça, minha filha é uma criança muito teimosa — diz comum bom humor muito forçado
Ele espera mais alguns segundos e ri depois desliga. Minha visão fica turva o sangue escorre de minha cabeça , passos rápidos se aproximam mas uma vez .
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