KILLER
5 V
Notas iniciais
Algumas horas mais tarde consigo respirar melhor, mas me mexo com dificuldade. Ele não esta mais aqui, por delírio eu pensei que ele estava a todo tempo acariciando meu rosto e dizendo coisas que eu não me lembro .
Me sento dolorida na pequena cama de solteiro que é tão pequena e desconfortável — como eu sinto falta da minha cama , da minha banheira. Porque coisas simples fazem tanta diferença?- .
De repente meu corpo todo enrijece e o vômito vermelho sai da minha boca com facilidade , mas não sinto dor apenas me sinto leve .- Sei que fui drogada , por isso não estou sentindo mais as dores — Four entra com uma bandeja cheia de frutas e um grande copo de suco, deixando-a em uma mesinha a frente da janela a pouca distancia de minha nova cama desconfortável .
— Caralho porque não virou o rosto? Deixei um balde aqui caso quisesse vomitar — chuta o balde ao lado e vai até o banheiro marchando furioso.
É claro ,o senhor toque por limpeza irá dar um jeito nisso. Ele volta com algumas roupas e um casaco grosso
— Levante-se , vou lhe dar um banho e colocar essas roupas. Seu pulmão pode ter alguma infecção e sua costela esta quebrada, seu quadril com uma ferida aberta por causa do seu irmão querido, fora seu estado deplorável,- diz com uma ironia forçada — poderia até mandar uma foto pro seu pai ele iria ficar chocado – solta uma gargalhada e me ergue da cama.
— Porque você não me deixa morrer aqui mesmo? Como você disse , eu já estou fodida o bastante — resmungo
— Porque não esta na hora ainda patricinha .
Reviro os olhos para ele e o vejo achar graça mas logo volta a expressão séria de antes. As paredes de barro amarelo da casinha simples , me faz lembrar da minha infância das casinhas simples que eu via enquanto passava de carro pela cidade, eu gostava de passear ali e sinto saudade, muita saudade.
— Tem força pra tomar banho sozinha? — fala me fazendo voltar a realidade
Four me deixa dentro do box e liga o chuveiro, estou ensanguentada por causa dos vômitos e com machucados abertos que nem consigo alcançar , não estou em condições. Estou dependendo dele, é o pior sentimento. Apenas faço uma careta e nego e ele faz uma cara feia estralando os lábios e entra ao meu lado pegando um pote escuro com uma coisa amarela e pastosa, eu recuo mas meu corpo começa a reclamar.
— Se você se mexer , pior pra você – ameaça
— Tudo já é o pior , isso é o de menos – retruco
Com força ele me vira contra a parede , eu grito com a dor e as mãos ásperas dele irritam minha pele . Repetidas vezes ele passa a coisa amarela por todo meu corpo e me coloca em baixo da água de novo, até que acaba o banho.
Já vestida e com estomago cheio sou picada mais uma vez por uma agulha com o liquido laranja ;
— Porque esta me drogando? Estão injetando algum tipo de vírus em mim? Pra me matar aos poucos? – pergunto
— Isso não é droga, se fosse você já estaria morta . Não acha ? – Fala descartando a seringa no lixo do banheiro – é o que te mantém viva aqui.
— Me dopar é o que me mantem viva? – zombo
— Vitamina ''K'' , achei que você teve um bom estudo patricinha. Mas pelo visto além de inútil você ainda é burra ? – retruca
— Tive um ensino que você com certeza não teve , seu marginalzinho
— Ainda bem que você não depende de mim não é? – ele se aproxima e arranca a bandeja da minha mão – Se você não estivesse definhando , eu a deixaria mais 5 dias sem comer.
— Nossa quanta piedade . – bufo
— É melhor calar a boca patricinha , ou você vai ficar do mesmo jeito de quando você chegou.
Seu olhar gélido me causa um frio na espinha , fico quieta, e sai irritado batendo a porta. Ele é um ogro , mas esta cuidando de mim , ontem do jeito que me olhava foi muito estranho , eram como se memórias o assombrassem , seu passado pode ser ruim assim como o meu, ele também pode ter perdido pessoas que amava como eu perdi. Isso pode ser só uma armadura fria e empedrada escondendo algum passado doloroso.
***
A íris azul escura dos olhos de Tobias brilhavam de tão vivas e sinceras quando dizia que me amava , éramos tão jovens e apaixonados , mas me pergunto porque ele continua na minha cabeça ? Eu estou delirando a cada dia, a voz distante de minha mãe ressoa em minha mente cantando a minha canção de ninar , quando fecho os olhos eu posso reviver todo meu passado. Tudo o que eu passei esta voltando com força , como se fosse algum sinal para que eu sobrevivesse.
No meio da noite minha febre aumenta , meu corpo treme de tanto frio , Four não apareceu me arrisco a levantar enrolada no cobertor mas assim que meus pés tocam o chão eles falham. Meu rosto esbarra no chão gelado e solto um gemido alto de dor, ouço passos apressados e braços ágeis me erguem sem esforço algum ;
— O que você esta tentando fazer? Não pode levantar assim patricinha . – resmunga e me deita na cama
— Eu — meus dentes rangem – minha febre aumentou
— É estou vendo , vem cá – ele me abraça e me leva até o banheiro
Me sento na privada ainda com o cobertor e ele sai apressado , a único som que ouço é minha respiração irregular e meus dentes se debaterem , tento respirar com mais calma — respira Tris, respira — tento me acalmar e Four volta com um kit de primeiros socorros.
— Se você não aguentar , me avise ? — diz com a voz rouca e diferente
Não vou questiona-lo nem irritar , não tenho condições pra isso apenas assenti e me levantei com os olhos cravados nos dele.
Me recosto na parede e ele tirou minha blusa com cuidado e limpou o ferimento em meu quadril passando algo verde gosmento com um cheiro forte, de começo arde pra inferno mas logo passa. Mais uma vez lá esta a seringa com vitamina como ele disse, depois de injetar em meu pescoço ele me da dois comprimidos e me veste novamente. Consigo andar até a cama e deito com dificuldade , minha respiração esta voltando ao normal e o frio aliviando, vejo uma bandeja com várias coisas e um copo enorme de vitamina de morango – a minha favorita — . Um pouco mais tarde ele me oferece a bandeja e me ajuda a coloca-la em meu colo. Como tudo que consigo , mas seco o copo de vitamina, Four esta sentado na cama me observando por delírio acho que o vi sorrir e eu sorri de volta mas ele faz uma cara fechada.
— Estou vendo que já esta melhor – diz pegando a bandeja – agora vou te dar um remédio pra dormir , até amanhã você vai estar melhor.
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